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sexta-feira, 31 de julho de 2020

TAINHAS: TERMINA SAFRA 2020

Empresas reivindicam aumento das cotas e mais licenças pra 2021

Safra termina com baixa captura

Com frota reduzida, safra industrial foi afetada por clima desfavorável. Traineiras trouxeram só 8% do limite autorizado

A safra da tainha de 2020 termina hoje com balanço negativo da frota industrial e abaixo da expectativa pros pescadores artesanais. As restrições na captura e as condições climáticas desfavoráveis estão entre os principais fatores que contribuíram para o resultado, segundo o setor.

De acordo com dados do monitoramento da secretaria Nacional da Pesca, apenas 8% da cota de 627,8 toneladas autorizadas pra frota das traineiras foi capturado, representando quase 50 mil quilos do peixe. Na frota de embarcações com emalhe anilhado, o percentual de captura foi de 40% da cota de 1196 toneladas.

A pesca industrial da tainha teve reduções nas cotas e no número de barcos licenciados. Foram apenas 10 embarcações na modalidade cerco/traineira, das quais oito de Itajaí, e 130 barcos com redes de emalhes, com captura restrita à Santa Catarina.

De acordo Agnaldo Hilton dos Santos, coordenador de câmara de Cerco do sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), além de menos barcos, fatores climáticos também influenciaram pra baixa produção, incluindo o ciclone que atingiu o estado no fim de junho.

“O peixe foi direcionado pelas correntes marítimas basicamente dentro das milhas que eram proibidas pra nossas embarcações e, consequentemente, favoreceu muito a pesca artesanal”, considera. As discussões sobre a próxima temporada já começaram a ser feitas pelo sindicato.

Na quinta-feira, o secretário Nacional da Pesca, Jorge Seif Júnior, se reuniu com os representantes do Sindipi em Itajaí. Foram discutidas demandas da entidade, entre elas a captura da tainha. “Já começamos as tratativas, pra que ano que vem a gente possa, com certeza, ter um maior número de cotas e também de embarcações”, disse Agnaldo.

O sindicato não concorda com os estudos que apontaram escassez no estoque de tainha, que embasaram a definição de cotas e licenças nesse ano e pretende fazer um levantamento próprio dos estoques. Um relatório sobre a safra 2020 deve se entregue à secretaria Nacional de Pesca até 31 de agosto, com as solicitações para a próxima temporada.

Reflexo nas vendas

A redução na captura refletiu na queda nas vendas. Em Itajaí, o gerente do mercado Público do Peixe, Nilson José de Borba, informou que foram vendidas cerca de 50 toneladas de tainha nessa temporada. “Nos outros anos foi bem mais do que isso, chegando a mais de cem toneladas”, comparou.

Nilson destacou que os fatores climáticos prejudicaram a pesca desde o início da safra, além das poucas embarcações na captura. “Desde quando abriu a pesca, tivemos passagens de ventos fortes e tempo ruim que impossibilitou a pesca, resultando numa produtividade bem abaixo do que se esperava”, avalia.

A última grande carga de tainha recebida no mercado do Peixe foi há cerca de 20 dias. Até ontem, apenas três bancas ainda tinham o peixe, vindo da pesca artesanal. Os maiores lanços nas praias da região rolaram em Balneário Camboriú e em Bombinhas, um deles com cerca de 10 mil tainhas na praia do Retiro dos Padres.

O tainhômetro dos pescadores das praias agrestes de Balneário somava 26.476 tainhas capturadas até ontem, com o Estaleiro na liderança. O pescador Marcelo João Rosa, 31 anos, da peixaria Lindomar, no Estaleirinho, avalia que não chegou a ser uma safra ruim mas também não foi ótima.

“O clima foi péssimo pra tainha. Não deu o vento que era pra dar. O vento sul foi bem pouco e não teve frio. Agora que passou a época da tainha, chegou o vento sul e frio”, lamentou. Mesmo após o peixe acabar, a procura seguiu alta no balcão, conta.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

TÁI-NHÁ


Tainha arisca


"Tainha arisca Olímpio Monteiro Pinto Filho (Careca) explica que os barracos construídos na praia de Canasvieiras, objeto de nota na edição de sexta (20), são provis [...]são provisórios e destinam-se aos pescadores que trabalham na safra da tainha. “São feios, mas legalizados; deveriam ser padronizados," diz."
(Da coluna do Carlos Damião)
[...] Veja mais em: http://ndonline.com.br/florianopolis/colunas/ponto-final/176845-o-charme-de-santo-antonio-de-lisboa.html.


Tái-nhá

"Ou tainha em português, a nossa vedete do outono/inverno que inspirou o Nipô Temaki a inovar na criação dos pratos japoneses. Aproveitando os últimos lanços na Ilha colocou no cardápio desta semana o temaki de salmão com ova de tainha e sashimi de tainha. O segredo está no corte que tira o gosto de gordura deixando só o sabor, assegura Nicholas Balsini, sócio da casa."

(Da coluna do Ricardinho Machado, no www.ndonline.com.br)

segunda-feira, 4 de maio de 2020

DEU NA MÍDIA

Pesca da tainha em Arraial do cabo, RJ.

Pesca da tainha, tradição centenária se renova a cada ano


E que delícia que é uma tainha assada, não? A prática da pesca da tainha no Brasil é do tempo em que aqui ainda não havia chegado nenhum europeu. Uma tradição indígena que se renova ano após ano. “Além disso têm pequenas redes (referindo-se aos Tupinambás). O fio com que a emalham obtêm-nos de folhas longas e pontudas que chamam tucum. Quando querem pescar com estas redes, juntam-se alguns deles e colocam-se em círculos na água rasa, de modo que a cada um cabe determinado pedaço da rede. Vão então uns poucos no centro da roda e batem nágua. Se algum peixe quer fugir para o fundo, fica preso na rede. Aquele que apanha muito peixe reparte com os outros que pescam pouco.” Eis aí a primeira descrição da pesca da tainha, feita por Hans Staden, em 1557. O alemão viera ao Brasil e trabalhava com artilheiro no forte de Bertioga quando foi preso pelos Tupinambás, cujo chefe Cunhabebe, morava na hoje ilha Anchieta. Até hoje a pesca é feita nesta base.

Conheça a tainha

O site oceana Brasil explica o ciclo de vida. “A tainha (Mugil liza) tem um ciclo de vida que a torna particularmente frágil à pesca intensa. Depois de viver seu primeiro ano no mar, ela entra nos estuários e lagoas costeiras, onde cresce até 4 a 6 anos, quando atinge a idade adulta. A partir daí, a cada outono, machos e fêmeas formam grandes cardumes para empreender uma longa jornada. A migração reprodutiva no mar. Cada tainha vai desovar até 5 milhões de ovos. Eles dependerão do acaso para serem fecundados, formarem pequenos juvenis, que se dirigirão para os estuários, onde crescerão e fecharão o ciclo da vida. A chamada safra da tainha é a pesca entre abril e julho, durante a migração reprodutiva da espécie.”
tainha, imagem, www.lagubras.com.br.

De onde vêm as tainhas pescadas no Brasil

Segundo a Oceana, “O estoque sul desta espécie migra anualmente de estuários na Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, no Brasil, podendo chegar até o Espírito Santo, dependendo das condições climáticas.” Mas os estoques no País estão sobrexplorados. Todos os anos temos uma batalha jurídica. Pode-se ou não, pescar a tainha? Em 2019 não foi diferente. O site www.nsctotal.com.br explica. “Em 2017, a ONG Oceana apresentou um levantamento do estoque de tainhas e a proposta do sistema de cotas, usado em boa parte do mundo para controlar as capturas. Este é considerado um meio mais efetivo de garantir uma pescaria sustentável. O governo federal adotou o sistema pela primeira vez na safra de 2018. Mas houve problemas no controle de capturas da pesca industrial porque a pescaria foi muito intensa e rápida. Os próprios armadores suspenderam a safra, antes do governo, ao perceberem que haviam extrapolado a cota. Pescaram 114% além do que poderiam.”

Safra da tainha em 2019

Nova batalha jurídica aconteceu. Nsctotal.com.br. “O desembargador Márcio Antônio Rochamergulhou fundo no assunto e na polêmica que cerca a pesca industrial da tainha, questionada pelo Ministério Público há quase uma década. A procuradoria defende o fim da pesca industrial, alegando que ela colocaria em risco a espécie. A decisão considera, ainda, que a pesca industrial da tainha “não está relacionada a qualquer elemento cultural” e se destina a abastecer o mercado internacional de ovas. Esse tem sido o posicionamento do MPF no Rio Grande do Sul,que judicializou a pesca da tainha.” Depois de muito diz-que-diz, o governo federal lançou o SisTainha, programa de monitoramento e controle das cotas de captura, e autorizou a pescaria.
Pesca da tainha hoje, saiba como é
Do alto, o vigia avisa os pescadores na praia da chegada do cardume.

A explicação é do gazetadopovo.com.br.“Um dos motivos que explicam o grandeza da tainha para os catarinenses é a forma como o peixe é capturado. Em Florianópolis, as comunidades tradicionais pesqueiras se unem nos meses do outono e inverno. A pesca da tainha exige trabalho coletivo. Em maio começou a montagem dos ranchos nas praias, autorizados pela prefeitura. Em um ponto alto, um integrante dos grupos de pescadores, conhecido como vigia, fica responsável por monitorar a aproximação dos cardumes. Ao avistar a chegada das tainhas, ele avisa seus companheiros por rádio. Estes, se apressam em colocar as canoas na água e jogar a enorme rede de arrasto. A última etapa envolve duas equipes, que precisam puxar a rede em pontos diferentes até a areia. O número de integrantes varia de acordo com o tamanho da rede. É comum ver até crianças e turistas auxiliando nesse processo”
A canoa puxa a rede.

Cerca de 80% da pesca da tainha é realizada em Santa Catarina onde ela é considerada Patrimônio Cultural. Os cardumes saem da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, especialmente quando venta de sul. Uma curiosidade da tainha é que ela nada sempre a favor das correntes, daí a importância do vento sul que faz com que os cardumes subam a costa brasileira, rentes à ela, onde procuram estuários com águas mais quentes para entrar. Ali desovam e voltam ao mar. A safra deste ano teve início em 1º de maio (pescadores artesanais). Com uso do emalhe, a partir de 15 de maio. E cerco e traineiras, a partir de 1º de junho. Só em Santa catarina há 13 mil pescadores de tainha e a estimativa é capturar cerca de 2 mil toneladas do peixe.

Pesca da tainha em números no Brasil

A Oceana é quem explica: “O Brasil tem uma das maiores pescarias de tainha do mundo. Ela é responsável pela mobilização de uma frota industrial de traineiras e frotas de média escala como o emalhe anilhado, além de milhares de pescadores artesanais em todas as regiões das lagoas e estuários da planície costeira dos estados das regiões Sul e Sudeste. Do ano 2000 até 2015, os desembarques totais registrados de tainha desde São Paulo até o Rio Grande do Sul variaram de 2 a 13 mil toneladas/ano de peixe fresco para consumo interno. De 2007 a 2013, essa pescaria produziu entre 170 e 600 toneladas/ano de ovas (botarga) e moelas de tainha processadas para exportação, sendo responsável pela movimentação de algo entre 3,5 e 10 milhões de dólares, anualmente.” A Folha de S. Paulo, em matéria de junho de 2018, diz que “há relatos de até 25 mil tainhas pescadas em apenas uma ação em anos anteriores.”

Safra 2019

A temporada que começou em 1º de maio, este ano está fraca até o momento. Segundo o www.nsctotal.com.br, “pescadores do Litoral catarinense estão apreensivos. Até o momento foram capturadas 9,5 toneladas do peixe, segundo a Federação de Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc). Isso é pouco perto da expectativa de pesca para este ano, que é de 2 mil toneladas. No mesmo período do ano.” passado, havia sido capturadas 520 toneladas de tainha. Segundo os pescadores, ainda não esfriou o suficiente, nem ventou sul forte, para que as tainhas deixam a Lagoa dos Patos, e suba a costa.

‘Vão então uns poucos no centro da roda e batem nágua’

Da descrição de Hans Staden, no século16, até hoje…
O pescador usa o remo como porrete.


E bate com força n’água. “Se algum peixe quer fugir para o fundo, fica preso na rede”. E uma última curiosidade sobre este tipo de pesca. Em Cananeia, litoral sul de São Paulo, flagrei um pescador de tainha ajudado por um golfinho, uma incrível interação entre o homem e os mamíferos marinhos.

Assista ao vídeo da pesca da tainha e saiba mais.


Fontes – Livro: Hans Staden, Duas Viagens ao Brasil, Ed. Universidade de São paulo. Virtuais: https://brasil.oceana.org/pt-br/protegendo-tainha/tainha-caracteristicas-biologicas-e-vulnerabilidades; https://www.nsctotal.com.br/noticias/safra-da-tainha-comeca-nesta-quarta-feira-com-a-pesca-artesanal-no-litoral-catarinense; https://brasil.oceana.org/pt-br/pesca-da-tainha-informacoes-que-voce-precisa-saber; https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2018/06/regras-e-crendices-protegem-pesca-da-tainha-em-bombinhas-sc.shtml; https://www.nsctotal.com.br/noticias/pesca-artesanal-da-tainha-continua-fraca-apos-mais-de-um-mes-do-inicio-da-safra-em-sc.

(Do https://marsemfim.com.br/)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

O PREÇO DAS TAINHAS

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Safra da tainha melhora e preço cai nas peixarias de Florianópolis

O frio chegou em Santa Catarina e com ele vieram os cardumes de tainha

Rafael Thomé

O frio chegou em Santa Catarina e com ele vieram os cardumes de tainha. Na manhã de desta quinta-feira (7), por exemplo, quase mil tainhas foram capturadas no Retiro dos Padres, em Bombinhas, e mais de 700 nas praias dos Ingleses e Santinho, ambas em Florianópolis. Na quarta, foram 4,5 toneladas pescadas no Farol de Santa Marta, em Laguna, e 1,2 mil peixes no Campeche, na Capital.

—Com essa frente fria, a tendência é melhorar (a pesca) nos próximos dias. Já começaram a aparecer os peixes de tamanho bom, mesmo assim a safra ainda está fraca. Só quem consegue pescar em boa quantidade são as embarcações industriais — afirma o conselheiro da Federação dos Pescadores de Santa Catarina (Fepesc), José Frutuoso Goes Filho.
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense
Bruno Costa mostra uma tainha fresca, de quase três quilos

Com a fartura que não se tinha visto até o início de junho, o preço do quilo da tainha nas peixarias começou a baixar. No início da safra, em maio, um quilo de tainha sem ovas no Mercado Público de Florianópolis custava R$ 16. Hoje, sai a R$ 13. O mesmo vale para a tainha ovada, que chegou a custar R$ 22 o quilo e agora sai por R$ 18.

— Conforme vai chegando mais peixe, vai diminuindo o preço. Ano passado, no final da safra, o quilo da tainha desovada custava R$ 8 — lembra o comerciante Bruno Costa.

— Eu costumo comprar quando está nessa faixa de preço (atual), na casa dos R$ 13. O preço é um pouco salgado, mas a gente precisa comer, então acaba comprando. Estou torcendo pra safra melhorar e o preço cair — comenta a dona de casa Jusiane Martins.
Jusiane acha que o preço da tainha pode cair ainda maisFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Tainhômetro

Desde o ano passado, a safra da tainha é contabilizada por uma ferramenta chamada Tainhômetro, alimentada por dados gerados pelos próprios pescadores. Com apoio de técnicos e das entidades representativas, o Tainhômetro registra em peso o volume de tainhas pescadas entre os meses de maio e julho.
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense
Quilo da tainha desovada sai a R$ 13 no Mercado Público de Florianópolis

No ano passado, foram capturadas 3.426 toneladas de tainha. Destas, 290 toneladas foram registradas pela Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina, 1.805 toneladas pela Federação dos Pescadores de Santa Catarina, 1.121 toneladas pelo Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Itajaí e 210 toneladas do Conselho Pastoral dos Pescadores em Laguna.

Em 2018, o Tainhômetro contabilizou a captura de 179 toneladas até o dia 4 de junho, período em que a safra ainda estava fraca. Quando forem contabilizados os lanços dos últimos dias, desde a chegada da frente fria, este número deve subir consideravelmente. Vale lembrar que o Ministério da Agricultura, responsável pela Secretaria de Pesca e Aquicultura, estabeleceu o limite de pesca em 3.417 toneladas.
Quilo da tainha ovada sai a R$ 18 no Mercado Público de Florianópolis
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

(Do http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/)

terça-feira, 5 de junho de 2018

TODOS NA TAINHA

Pescadores artesanais de Florianópolis esperam bons lanços da tainha no mês de junho

Com a chegada do frio, pescadores de SC esperam bons lanços de tainha em junho

Pescadores artesanais, de rede de emalhe e industriais já estão no mar para a temporada 2018.

Por G1 SC

Pescadores de Santa Catarina estão animados com a chegada de junho, considerada a melhor época para a safra da tainha. Os cardumes passam mais perto da praia e os peixes estão mais graúdos, como mostrou o Jornal do Almoço.

Na pesca artesanal, o mês de maio já foi melhor do que o do ano anterior. Em um rancho no Campeche, em Florianópolis, em um lanço foram pegas 408 tainhas. Em outro, no mesmo bairro, 800 tainhas.

"Informação que a gente tem lá do Sul é que o peixe está mais costeiro. Facilita para as canoas de praia, para as caças de mar, tudo favorece", disse o patrão de canoa Amilton Dámasio de Andrade.

Na pesca de emalhe, a expectativa também é grande. "Desde o dia 24 [de maio], quando foi liberada a relação da embarcações anilhadas, a gente já teve uma captura aproximada de 200 toneladas", disse o gerente de Pesca da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, disse Sérgio Winckler da Costa.

Já a frota industrial da tainha começou na sexta-feira (1º), com 23 barcos catarinenses autorizados. Santa Catarina deve ser responsável por capturar mais da metade das 5,7 mil toneladas de peixe que devem ser pegos no país nesta temporada.

"Tudo que entrar na indústria vai ser encaminhado em praticamente 24 horas, com os volumes de captura, e também tem as informações que os próprios pescadores vão ter que repassar, com os mapas de bordo, informes de pescaria", completou Costa.

(Do https://g1.globo.com/sc/)

domingo, 27 de maio de 2018

DE TAINHAS & GASOLINA

Foto: Betina Humeres via DC.
Em Florianópolis, no Mercado Público, comerciante faz oferta na manhã deste sábado!
"Compre tainha e concorra a 10 litros de gasolina"

sexta-feira, 18 de maio de 2018

ATUM E OVAS DE TAINHA


União Europeia anuncia embargo ao pescado brasileiro

Por Dagmara Spautz

O impasse entre o Ministério da Agricultura e os países europeus em relação à exportação de frango respingou na pesca. A União Europeia avisou o governo brasileiro, na quarta-feira, a decisão de embargar o pescado nacional.

As exportações do setor pesqueiro já estavam suspensas desde janeiro, por decisão do Ministério de Agricultura brasileiro. Na época, a União Europeia havia emitido um relatório em que alertava o Brasil sobre a inadequação às regras impostas para o envio de pescado aos países que integram o acordo.
A decisão do Ministério foi uma tentativa de evitar o embargo unilateral. Agora, a avaliação de pessoas ligadas ao governo e ao setor pesqueiro é de que o novo embargo torna a possibilidade de voltar a exportar para a Europa ainda mais difícil.
A decisão atinge em cheio a pesca catarinense. Só no ano passado o Estado enviou o equivalente a US$ 2,49 milhões em produtos do setor pesqueiro aos países que fazem parte da União Europeia. Nossos principais produtos de exportação são o atum e as ovas de tainha, que têm na Europa seu principal mercado consumidor.

Inadequação

Três pontos apareceram no relatório da União Europeia, após auditoria feita no ano passado, como problemas no pescado brasileiro. Nas embarcações visitadas, algumas precisavam melhor o controle de temperatura e de maior cuidado com a qualidade da água dos barcos. Há pedido para verificar a regulamentação dos locais de desembarque. E, por fim, para melhorar o controle de metais pesados, como cádmio e estrôncio, no peixe que é exportado. Essa última questão foi considerada parcialmente corrigida desde 2012, quando foi feita a penúltima vistoria. Mas os europeus pedem que as indústrias realizem mais testes.

Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, seis empresas tiveram irregularidades identificadas pela auditoria — por isso o restante dos empresários se sentiu "punido" injustamente com a suspensão das exportações.

Uma parceria entre o Estado e o governo federal tentou criar uma autorização provisória para retomada das exportações, através de vistorias nos barcos de pesca e locais de desembarque. Apenas um barco catarinense teria passado pela inspeção, devido a um desentendimento sobre as regras de armazenagem do pescado entre o setor produtivo e a fiscalização.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

TAINHAS: PESCA TERÁ COTAS

Tainha(Foto: Diorgenes Pandini)

Safra da tainha terá cotas de captura pela primeira vez em Santa Catarina

Por Dagmara Spautz

A safra da tainha, que começa entre maio e junho, terá pela primeira vez cotas de captura para limitar a pesca. A medida, que vinha sendo discutida há dois anos, será implantada na frota industrial e na frota artesanal de emalhe anilhado, que usa barcos de menor porte. A alternativa permitirá o aumento no número de barcos autorizados a trabalhar durante a safra _ um alento para o setor produtivo, que tinha licenças reduzidas a cada ano.

Na última safra, apenas 17 embarcações industriais receberam licença do governo para a pesca da tainha. Com a instituição das cotas, a quantidade de traineiras (barcos industriais especializados) sobe para 50. Na pesca anilhada, serão 130 embarcações.

O limite de capturas deve ficar em 3,8 mil toneladas para as duas frotas. Outras modalidades de pesca, como o arrasto de praia, não estarão sujeitas à cota. A contagem será feita através do SIGSIF, o Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura que controla todo produto de origem animal que chega à indústria.

No caso da tainha, um levantamento feito pela ONG Oceana indicou que 90% do que é capturado vai parar na indústria. E, em Santa Catarina, apenas 10 empresas absorvem todo esse volume de pescado, o que torna o controle mais rápido e fácil.

O desafio será agilizar a divulgação dos dados no sistema SIGSIF. Hoje o prazo é de 10 dias, e o entendimento é que, para controlar a cota da tainha, será necessária no mínimo uma atualização semanal. Alcançado o limite de capturas, o governo emitirá uma portaria no Diário Oficial da União e a pesca ficará suspensa para as duas frotas sujeitas à limitação.

Os números, que foram estabelecidos este mês em reunião do Comitê Permanente de Gestão (CPG) que discute a tainha, ainda precisarão ser oficializados em normativa, a ser publicada pela Secretaria Nacional de Pesca e Aquicultura, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. A expectativa é que o documento saia o mais rápido possível, já que só depois disso os armadores poderão inscrever os barcos para pedir a licença.

A pesca da tainha é uma das mais tradicionais e importantes de Santa Catarina. Além do consumo in natura, o peixe é um dos nossos principais ativos de exportação no setor pesqueiro. As ovas de tainha são consumidas especialmente na Europa, vendida como “caviar brasileiro”. Esse mercado movimenta, anualmente, de US$ 3,5 milhões a US$ 10 milhões.

​

Cotas devem garantir proteção

O sistema de cotas era defendido há dois anos pela ONG Oceana, que apresentou o primeiro estudo em 2016, como uma maneira mais segura de controlar o excesso de pesca da tainha. Algo que as medidas anteriores não conseguiram frear. O setor produtivo, que vinha sendo esvaziado pelo modelo de gestão adotado para a tainha, enxergou no modelo de cotas a “tábua de salvação” e engrossou o coro.

A pesca da tainha é alvo de uma ação do Ministério Público Federal há pelo menos sete anos, que tenta proteger os estoques de tainha no mar. Em 2015, dentro dessa ação, foram estabelecidas medidas restritivas polêmicas, sem consenso entre o setor produtivo e o ambiental. A principal delas foi a determinação de que a pesca industrial e a artesanal anilhada teriam redução de licenças de 20% ao ano.

No ano passado, diante da liberação de apenas 17 licenças para a pesca industrial, muitos armadores recorreram à Justiça e conseguiram autorização para trabalhar. Este ano, a previsão era de que fossem autorizadas apenas 10 licenças se não fossem instituídas as cotas.

_ O plano de gestão não estava funcionando, porque todos entravam com liminar na justiça. O resultado prático era muito ruim, e isso é um indicativo de que precisava ser revisto _ diz Martin Dias, coordenador técnico da Oceana no Brasil.

A instituição do modelo de cotas foi aceita por unanimidade na reunião do CPG. O Ministério Público Federal acompanhou as discussões.

(Do https://www.nsctotal.com.br/)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

MAR DE TAINHAS

Festa ocorreu na Sociedade Barrense, na Barra da Lagoa
Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Associação pesqueira de Santa Catarina comemora safra de 278 toneladas de tainha

Por

O pescador Zilto Eugênio Pereira, de 68 anos, pesca tainha desde os 15. Começou na praia, com redes de arrasto, e hoje tem uma embarcação pequena. Neste domingo, ele era um dos trabalhadores que comemorava o fim da safra, na festa da Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina (APPAECSC), que foi realizada na Sociedade Barrense, naBarra da Lagoa, em Florianópolis. A opinião de Zilto, compartilhada pela maioria dos pescadores de embarcações pequenas que estava lá, era de que a temporada neste ano foi produtiva, e por isso havia espaço para comemorações. Mas poderia ser ainda melhor.

— Minha embarcação pescou 21 toneladas. Como começamos tarde, só no dia 4 de junho, podemos dizer que foi uma safra boa. Mas se as licenças não tivessem demorado tanto, e não precisássemos ter entrado com liminar para pescar, tenho certeza que teríamos feito uma safra ainda melhor — avaliou o profissional.

As embarcações pesqueiras artesanais estavam autorizadas, neste ano, a sair para pesca a partir de 15 de maio. Mas a demora com a emissão de licenças atrasou ainda mais a saída. A APPAECSC precisou entrar com uma liminar na Justiça para conseguir autorização para a pesca. Segundo o presidente da associação, Ricardo João Rêgo, das 54 embarcações associadas (de todo o Estado), 46 obtiveram a autorização, através de liminar. 

— Então, se avaliarmos e contarmos essa demora, podemos dizer que apesar de todos os problemas, ainda tivemos uma safra satisfatória. Até este domingo, as 46 embarcações contabilizaram 278 toneladas de tainha — afirmou o presidente.
O presidente da APPAECSC, Ricardo João RêgoFoto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Segundo o secretário da associação e pescador artesanal, Diogo Laureano, no início de maio, três cardumes grandes de tainha passaram pela região de Florianópolis.

— Quando conseguimos sair para o mar, pegamos apenas o final do último cardume. Se tivéssemos conseguido autorização para sair antes, a safra seria muito melhor. Sem dúvida alguma. Mas a falta do frio também atrapalhou. Esperamos que para o ano que vem não tenhamos tantos problemas — avaliou o pescador.

União entre pescadores

Um grande prejudicado com o atraso nas licenças foi o presidente da associação dos pescadores de Garopaba, Valmir Agostinho do Nascimento, de 69 anos. Sem licença para sair para a pesca no dia 15 de maio, ele precisou esperar o resultado da liminar. Mas foi tarde demais. No dia 21 de maio, uma tempestade fez sua embarcação virar.

— Os cardumes estavam passando, e a gente ali nervoso sem poder fazer nada. Muitos me diziam que era para eu ir e não esperar a liminar. Mas quis fazer o certo. Aí veio a tempestade e destruiu minha safra. Se eu pudesse ter saído dia 15, como o previsto, talvez eu pudesse ter pego algum bom lanço logo nos primeiros dias. Calculo que meu prejuízo foi de cerca de R$ 200 mil — lamentou o pescador.

E mesmo assim, Valmir esteve na festa neste domingo, para se encontrar com os demais amigos pescadores e, claro, comemorar comendo aquela tainha assada com pirão. Porque o desejo é que o ano que vem seja melhor e menos burocrático.

— A gente faz isso desde que nasceu. A tainha é a safra mais esperada do ano. Você pode ver: durante o resto do ano, o barco está de um jeito. Mas para a temporada da tainha, a gente reforma, pinta, limpa. Pescamos anchova, corvina. Mas nada é como a tainha. Ela é responsável por cerca de 50% do nosso lucro, mas é também uma coisa de coração — complementou o pescador Zilto.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

A LENDA DAS 300 MIL TAINHAS

Seu Orlando ouvia a história quando era criança Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Pescadores contam história de lanço de 300 mil tainhas cem anos atrás no norte da Ilha
Relato que teria ocorrido na Lagoinha atravessou gerações e teria começado com uma "praga" de bruxa. Duvida?

Caroline Stinghen
caroline.stinghen@horasc.com.br

Quem é morador antigo da Lagoinha, em Florianópolis, com certeza já ouviu um causo que passou de pai para filho, para neto e agora para bisneto. Uma história de fartura, que acabou em nada. Há cerca de 100 anos, lá pelos idos de 1915, acreditam os pescadores do rancho da Lagoinha, uma lanço de 300 mil tainhas abrilhantou a praia. A triste ironia é que, para aquela época, era muito peixe para pouca gente.

A mesma história é contada por vários pescadores, mas ela é mais fresquinha na mente do aposentado e ex-pescador Orlando Maximiliano da Silva, de 86 anos, que até hoje mora ao lado do rancho da Lagoinha, próximo à praia.

— Eu ainda não era nascido, mas meu pai contava que um dia uma mulher apareceu aqui na Lagoinha pedindo uma tainha. E ninguém quis dar para ela o peixe. Então ela jogou uma praga: disse que ia dar tanta tainha que eles não saberiam o que fazer com elas — contou o aposentado.

Ninguém sabe ao certo que ano que isso ocorreu, e nem o dia do lanço, mas as prateadas apareceram, cumprindo a profecia. No dia, conta Orlando, os pescadores estavam carneando um boi — já que a safra da tainha estava ruim — para alimentar a comunidade, quando o vigia começou a apitar.

— Todos saíram correndo, deixando o boi morto para trás. Pegaram as canoas e entraram no mar. Eles tinham redes muito pequenas, mas nem precisava. Meu pai dizia que as tainhas estavam vindo sozinhas em direção à praia — continuou o aposentado.

O avô de Nézio também contava a históriaFoto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Já o pescador Nézio ouviu de seu avô que os peixes eram tantos que pulavam sozinhos no costão, e que eles podiam recolher as tainhas de balaio, em terra firme.

— Foram 300 mil tainhas contadas, dizia o meu pai. O problema é que não tinha o que fazer com elas. Não tinha estrada, não tinha energia elétrica. Apenas um homem que tinha uma embarcação conseguiu levar uma parte para vender na Armação. Mas mesmo assim, sobrou muito. Arrancaram as ovas das tainhas e enterraram todas elas na praia — relembra Orlando.

Nézio também conta que o cheiro ruim de peixe morto, como lhe contara seu avô, durou muitos dias na praia. E que, por muito tempo, o óleo dos peixes se soltava na areia.

A mulher que jogou a praga — muitos acreditam que se tratava de uma bruxa — nunca mais foi vista pela região. E o boi que estava sendo carneado, quando os pescadores voltaram, já não estava mais lá. Alguém levou.

Foto Cristiano Estrela / Agencia RBS

Desde então, nunca mais houve um lanço tão grande na região. O próximo recorde veio somente em 2011, quando as 33 mil tainhas foram cercadas já pela equipe de Nézio.

— Meu pai sempre contou que os lanços da época dele não eram muito grandes. Tanto que eles dividiam a tainha entre eles em postas, e nunca com peixe inteiro — relatou o trabalhador.

— Eu gostaria muito de ver um lanço de 300 mil tainhas ainda. Queria muito que isso ocorresse de novo. Mas acho que daí não seria mais necessário enterrá-las. O máximo que ia acontecer é tainha de graça e na mesa de todo mundo — brincou ainda o aposentado Orlando. 

(Do http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

PESCA ILEGAL

Foto: Ibama


Pescado apreendido pelo Ibama no litoral catarinense em operação conjunta com a Polícia Federal (PF)

Brasília (13/07/2017) – Operação realizada pelo Ibama em conjunto com a Polícia Federal (PF) resultou na apreensão de 51,2 toneladas de tainha e cinco embarcações que pescavam em área proibida no Rio Grande do Sul. Os responsáveis pela atividade ilegal receberam cinco autos de infração que totalizam R$ 1.048.500,00.

Os barcos foram monitorados do litoral gaúcho ao catarinense, onde ocorreu a abordagem.

Em Santa Catarina, a pesca de cerco é proibida a partir da costa até cinco milhas náuticas mar adentro. No Rio Grande do Sul, a proibição alcança dez milhas náuticas.

O objetivo é proteger o corredor de migração da tainha entre 1.º de junho e 31 de julho, período em que a espécie está em reprodução, disse o chefe da Unidade Técnica do Ibama em Itajaí (SC), Sandro Klippel, referindo-se à Portaria Interministerial n° 23 de 2017, das pastas do Meio Ambiente; Indústria, Comércio Exterior e Serviços; e Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Todo o pescado apreendido foi doado ao Programa Mesa Brasil, do Serviço Social do Comércio (SESC), que distribui alimentos a instituições cadastradas e beneficia milhares de pessoas.

(Da Assessoria de Comunicação do Ibama - imprensa@ibama.gov.br)

terça-feira, 6 de junho de 2017

E QUE VENHA O FRIO...

Foto José Henrique Francisco dos Santos / Arquivo Pessoal

Pesca artesanal da tainha já rendeu 80 toneladas em Santa Catarina

Expectativa é de 1.800 toneladas até o final da safra, em julho

Rafael Thomé


Passado pouco mais de um mês da abertura da temporada de pesca da tainha, Santa Catarina já registrou a captura de cerca de 80 toneladas do peixe, somente na pesca artesanal. Assim como nos anos anteriores, a praia da Barra da Lagoa, em Florianópolis, continua sendo o principal ponto de captura. Destaque também para Garopaba, Imbituba e Laguna, que neste final de semana registraram a captura de quase 20 toneladas.

A estimativa é da Federação dos Pescadores de Santa Catarina (Fepesca). De acordo com o presidente da entidade, Ivo Silva, a quantia é menor que a média dos últimos anos, mas a expectativa é de que o mês de junho registre aumento considerável na captura das tainhas.

— Trabalhamos com a expectativa de capturar 1.800 toneladas até o fim da safra, em julho. Ainda não tivemos as condições ideais para a chegada dos peixes em grande quantidade, mas vamos recuperar até o final de junho. O pico da pesca é agora — afirma Silva.

Em 2016, foram capturadas cerca de 3,5 mil toneladas de tainha e, segundo a avaliação da Fepesca, foi a melhor safra das últimas três décadas. Para este ano, a previsão é de que a safra atinja pelo menos a metade deste montante. Para isso, os pescadores contam com a chegada do frio e do vento sul, fatores preponderantes para a aproximação dos cardumes nas principais praias do estado.

— Ainda não deu o frio que a gente esperava. Tem uma previsão boa para os próximos dias, acreditamos que, pelos indicativos, quinta e sexta-feira vão ser dias bons para a pesca artesanal — encerra Ivo Silva.

(Do http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/)

segunda-feira, 15 de maio de 2017

E PRENDERAM AS TAINHAS...

Morador registou o momento em que as Polícias Ambiental e Militar chegaram à praia do Campeche
Foto: Dauro Veras / Arquivo Pessoal

por Rafael Thomé

Confusão entre pescadores no Campeche, em Florianópolis, termina com apreensão de tainhas
Polícia Ambiental foi acionada, confirmou uma irregularidade na licença de pesca e apreendeu o cardume de 720 tainhas


Uma confusão entre pescadores na praia do Campeche, em Florianópolis, na manhã deste domingo, 14, terminou com a apreensão de 720 tainhas. Depois de um grupo de pesca artesanal cercar e capturar o cardume, outro grupo de pescadores acionou a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina (PMA-SC) e informou sobre uma possível irregularidade na licença do grupo que fez a captura.

Morador da região, o jornalista Dauro Veras, de 51 anos, pedalava na praia quando viu a confusão se formar. Com a experiência da profissão, Veras registrou fotos do momento de tensão e procurou se informar sobre o entrevero.

— Vi o pessoal puxando as tainhas e carregando um jipe vermelho pouco antes de outro grupo se aproximar. Quando esse grupo chegou, houve uma discussão exaltada, mas ninguém foi às vias de fato. Pouco depois, chegaram a Polícia Ambiental e, em seguida, a Polícia Militar — contou.

Cardume de 720 tainhas será doado para entidade filantrópica Foto: Dauro Veras / Arquivo Pessoal

A PMA-SC foi ao local por volta das 10h30min, confirmou a ilegalidade da pesca e fez a apreensão das tainhas. A reportagem da Hora tentou contato com a 1ª Companhia de Polícia Militar Ambiental de Florianópolis durante a tarde de domingo, mas os agentes afirmaram que a corporação estava mobilizada para fazer a limpeza e separação dos peixes, que serão doados a alguma entidade filantrópica ainda não definida, e não puderam dar mais detalhes da ocorrência.

(Do http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A PESCA DA TAINHA, SEGUNDO O DC!

Em vídeo produzido pelo Diário Catarinense, a jornalista Dagmara Spautz explica a atual situação da pescaria da tainha nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Mostra, também, a proposta apresentada pela Oceana para garantir uma pesca sustentável.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

TAINHAS - FIM DE SAFRA


Grandes lanços foram registrados no Estado
Foto Marco Favero / Agencia RBS

SC encerra safra da tainha com número recorde na pesca artesanal
Pescadores comemoram maior captura dos últimos 40 anos

por Gabriela Wolff
gabriela.wolff@horasc.com.br

Terminou em 31 de julho a temporada de pesca da tainha no litoral catarinense, e os resultados estão sendo comemorados pelos pescadores artesanais. De acordo com aFederação dos Pescadores de Santa Catarina (Fepesc), foram capturados 3.542 toneladas do pescado na modalidade artesanal, maior quantidade dos últimos 40 anos.


A Ilha de Santa Catarina, que contempla toda a região da Grande Florianópolis, capturou o maior número, com 1.179 toneladas, o que corresponde a cerca de 33% da safra. Em segundo lugar ficou a cidade de Laguna, com 542 toneladas, seguido de Bombinhas, com 295 toneladas.

O presidente da Fepesc, Ivo Silva, comemorou a safra recorde e atribuiu os bons números ao frio:
— Este ano o tempo colaborou muito, o frio chegou cedo e foi duradouro, o que traz a tainha pro nosso litoral. Se você olhar o balanço por mês, em maio tivemos 2.370 toneladas, enquanto junho já caiu para 1.094 e julho foram 78 toneladas — disse.
Em Florianópolis, a Barra da Lagoa ficou em primeiro lugar, com 841 toneladas, seguido dos Ingleses, com 156 toneladas, Retiro da Lagoa, com 35 toneladas e Pântano do Sul, com quatro toneladas. Ivo explica que a contabilidade é feita por onde o pescado é descarregado:

— Na Lagoa não tem tainha, mas temos embarcações que descarregam ali. A conta é feita assim pois temos as embarcações com rede anilhada que saem para outras praias — explicou. 

Fepesc vai a Brasília na próxima semana

Na próxima semana, representantes da Fepesc tem uma reunião agendada com o secretário da pesca do Ministério da Agricultura para tratar da pesca da tainha. Ivo Silva explica que o objetivo é preparar a safra com mais antecedência, para evitar os problemas recorrentes de falta de licenças para os pescadores:

— Queremos começar a discussão mais cedo, para que em março já esteja tudo certo e o pescador consiga se preparar, saber se pode investir em rede.

Em 2016, pescadores artesanais de rede anilhada tiveram problemas para obter licenças, assim como pescadores industriais. O principal motivo alegado pelo governo é que muitas embarcações teriam pescado em áreas proibidas no ano anterior.

A Fepesc também vai pedir que sejam feitos mais estudos técnicos e estatísticos da pesca, para evitar especulações sobre o fim da espécie:

— Na pesca artesanal, somos nós que fazemos as estatísticas com o apoio das colônias. Falta pesquisa para saber a situação real — desabafa.


Pesquisas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) indicam que a população de tainha vem diminuindo no litoral sul do Brasil. Em entrevista ao Hora de SC em 16 de junho, o oceanógrafo Paulo Ricardo Schwingel, pesquisador do Grupo de Estudos Pesqueiros (GEP) da (Univali), fez o alerta:

— Se não houver um ordenamento da pesca, nós podemos levar, ao longo dos anos, a um colapso da pescaria. Obviamente que isso não acontece de um ano para o outro, mas ao longo de gerações. A tainha vive cinco anos na Lagoa dos Patos, depois vai para o mar desovar. Então, de duas ou a três gerações, ou seja, 10 a 15 anos, já podemos ter um resultado bem nocivo — explicou.

(Do www.clicrbs.com.br)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CUMÉ QUI PODE, NÉ?

Foto Fernando Alexandre
Troféu Tainha é o tema da última sessão do Legislativo de Florianópolis

"Enquanto a Câmara dos Deputados reeditava mais uma verdadeira feira livre na compra, digo, conquista de votos para a presidência da Casa, no Legislativo de Florianópolis a última sessão antes do recesso dos vereadores teve como principal tema da pauta uma homenagem... ao Troféu Tainha."

(Da coluna do Rafael Martini, hoje no DC)

terça-feira, 31 de maio de 2016

SUPER-SAFRA

Foto Salmo Duarte / Agencia RBS

Em um mês, pescadores capturam 1,6 mil toneladas de tainha em SC
Por

Parece história de pescador, empolgação de momento ou memória curta, mas a percepção de quem acompanha a safra da tainha desta temporada é de que nunca caiu tanto peixe nas redes do litoral catarinense. A impressão não é à toa: em um mês de pescaria, foram capturadas 1,6 mil toneladas nas praias do Estado.

O montante já supera toda a safra da pesca artesanal do ano passado, encerrada com 1,4 mil toneladas. Como ainda restam dois meses de pesca na temporada e a melhor marca recente é de 2007, com pouco mais de 2 mil toneladas, tem sido difícil não falar em recorde nas rodas de conversa à beira do mar. Caso a temporada termine com pelo menos 3 mil toneladas, o que a essa altura não é improvável, será a melhor de toda a série histórica da pesca artesanal catarinense, considerando as quatro últimas décadas.

– Vamos ultrapassar, acho que será um recorde histórico. Vai ultrapassar 2007 – anuncia o presidente da Federação dos Pescadores em SC (Fepesc), Ivo da Silva.

O que tem multiplicado as toneladas de tainha nesta temporada, destaca o presidente da Fepesc, não é uma onda de sorte. O tempo frio e os ventos em condições favoráveis têm feito a diferença, mas há um fator que nada tem a ver com o clima: esta é a primeira temporada em que as embarcações industriais efetivamente têm de esperar por um mês até lançarem as redes no mar.

Por força de uma portaria federal que disciplina a pesca da tainha, a atividade industrial só começa amanhã. 

A publicação já valia no ano passado, mas pescadores alegam que a restrição não foi seguida à risca na época porque o impedimento era recente e faltava fiscalização. A liberação de embarcações industriais também ficou mais rigorosa. Em 2014, 60 barcos tinham autorização para a atividade industrial. No ano passado, a permissão caiu para 50 e, nesta temporada, será reduzida a 40 embarcações. 

Sem os grandes no caminho em maio, os cardumes deixaram de ser capturados em alto-mar no início da migração. Assim, as tainhas chegaram em maior quantidade às praias do litoral catarinense. Em um único dia na terceira semana da temporada, pescadores de Florianópolis recolheram 34 toneladas do peixe nas praias do Santinho e Lagoinha. Também no mesmo dia, pescadores de Bombinhas capturaram mais de 46 mil tainhas. O cenário só não é ideal para quem vive do mar porque os peixes precisam ser vendidos rapidamente e a preços reduzidos, na medida em que aumenta a oferta.


Lei da oferta e da procura no preço 

Quem quer colocar uma tainha na mesa hoje paga, em média, R$ 12 o quilo, se a compra for longe da praia. Se a procura for mais próxima das comunidades pesqueiras, privilegiadas com as boas capturas, sai R$ 10. Com a ova incluída, o valor do quilo saía por R$ 12. Já a tainha sem a ova era vendida a R$ 8. No início da safra, o quilo chegava a custar o dobro dos preços atuais. É a lei da oferta e da procura. 

Números não têm consenso 

A atual temporada da tainha tem deixado os pescadores catarinenses de sorriso largo, mas ainda não está confirmado o recorde histórico. Isto porque, além de restarem dois meses de captura, as estatísticas são divididas entre a pesca artesanal, que já completa um mês, e a industrial, que só começa amanhã e corre o risco de não ser igualmente animadora. 

Também existem diferentes bases de dados das safras, com números diferentes umas das outras, desde a década de 1980. O chamado Plano de Gestão para o uso Sustentável da Tainha, concluído no ano passado por técnicos de órgãos federais, considera dados de quatro bases diferentes para montar um ranking das últimas quatro décadas de capturas. 

Com base no ranking organizado pelo plano é possível constatar que, desde o início da década de 1980, a safra catarinense não alcança mais a marca das 2 mil toneladas de tainha na pesca artesanal. Como a soma deste mês de maio já chega a 1,5 mil toneladas, há grande possibilidade de a safra atual superar as das últimas quatro décadas. 

Mas safras catalogadas pela Federação dos Pescadores de SC (Fepesc) desde 2003, paralelamente ao controle oficial, indicam números à parte, com diferenças de até 60%. Segundo o controle da Fepesc, o ano de 2007 teve um pico de 2,1 mil toneladas de tainha recolhidas na pesca artesanal. Assim, a expectativa agora é de pelo menos superar essa marca.

Estado com vocação para as tainhas

A costa catarinense tem 531 km (7% do litoral brasileiro), abrangendo 34 municípios que abrigam até 337 localidades onde ocorre a pesca artesanal. A atividade pesqueira é praticada, em sua maioria, por meio de embarcações motorizadas. A pesca da tainha é a mais tradicional entre os pescadores artesanais, uma herança dos colonizadores açorianos, que usavam canoas de um pau só e redes de algodão.

Cerca de 8 mil pescadores têm renda baseada no litoral catarinense. Em 2012, período em que há dados analisados pela Fepesc, cada pescador capturou em média 272 kg de tainha durante a safra. Estima-se que a renda bruta individual foi de R$ 1.904,00 por pescador.

São reconhecidas três regiões de pesca de tainha em SC. Pouco mais da metade dos pescadores de tainha catarinenses são do sul (11 cidades, entre Passo de Torres e Palhoça). Cerca de um terço estão no litoral central (17 pontos na Ilha). Os demais estão concentrados ao Norte (14 municípios, entre Biguaçu e Itapoá).

(Do www.clicrbs.com.br)