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sexta-feira, 17 de maio de 2019

O PEIXE DÁ TUDO

Foto: Divulgação

Reaproveitamento de resíduos de peixe move indústria catarinense

Santa Catarina é maior produtor de pescado do país e gera lucro com o que seria descartado

Com cerca de 150 mil toneladas por ano, Santa Catarina é o maior produtor de pescados do país. Segundo cálculos da indústria da pesca, 70% desse montante era desperdiçado e não chegava ao consumidor. 

Na Grande Florianópolis, uma empresa tem consumido parte dessas sobras. A Agroforte, indústria de processamento de resíduos, transforma os restos dos pescados em matéria-prima para a fabricação de alimento animal, como farinha e óleo. Além do ganho econômico, a empresa gera resultados ambientais pelo reaproveitamento. No último ano, a Agroforte investiu cerca de R$ 2 milhões em tecnologia.

A empresa recebe diariamente toneladas de resíduos de pescado. O material é resultado da sobra da filetagem realizada em peixarias e indústrias pesqueiras de todo o litoral catarinense. Após a transformação, o novo subproduto é comercializado com empresas nacionais e também para outros países, como Chile, Argentina, Taiwan, Bangladesch, Vietnam e Panamá. Já a água resultante deste processo é tratada e devolvida ao meio ambiente.
"Toda carga que chega à Agroforte é verificada para ver se está de acordo com controles rígidos do Ministério da Agricultura, sendo imprescindível a apresentação do Manifesto de Transporte de Resíduos Sólidos (MTRS), que garante a rastreabilidade e qualidade destes resíduos. Apenas cargas que atendam os padrões de qualidade são recebidas e processadas", destaca Luiz Leme, diretor executivo da empresa. 

quarta-feira, 13 de março de 2019

PEIXES ERRADOS

A pesca industrial. (foto:ec.europa.eu)

Pesca industrial tira do mar os peixes errados, este é o novo alerta de cientistas


A conclusão veio em relatório publicado na revista Science (abril, 2018). Biólogos da Monash University, Austrália, e do Smithsonian Tropical Research Institute, Panamá, reuniram dados de ovas de 342 espécies de peixes nos oceanos. Os responsáveis pela pesquisa dizem que ela tem uma mensagem importante para a pesca industrial. Diego Barneche e Dustin Marshall, autores, declararam:

A maioria dos modelos clássicos da pesca não leva em conta a contribuição maciçamente desproporcional que os peixes maiores produzem. Mas esses são os primeiros indivíduos a desaparecerem mesmo sob uma moderada pressão de pesca. Os cientistas da pesca, apesar das melhores intenções, têm usado modelos que inadvertidamente recomendam a coleta excessiva

Pesquisa não é surpresa

Esta pesquisa não será uma surpresa para os biólogos de campo que trabalham com peixes. Mark Wuenschel, do Centro Nordeste de Ciências Pesqueiras da Oceanic and Atmospheric Administration, NOAA, que não fez parte do estudo, disse que o efeito do tamanho era tão conhecido que existe um acrônimo entre pesquisadores: BOFFFF, para Big Female Fatring Female Fish. Este trabalho é valioso porque a importância de um BOFFFF é difícil de avaliar, disse Wuenschel. Em 2017, outra equipe de cientistas mostrou que a indústria pesqueira captura os peixes mais velhos a taxas mais altas que o restante da população. Para Trevor Branch, professor da Universidade de Washington e autor do relatório de 2017,

Você nem precisa pescar demais para derrubar os peixes grandes e velhos

O exemplo do bacalhau

Barneche, Marshall e seus colegas usaram o exemplo do bacalhau, um peixe comercialmente importante. Imagine um grande bacalhau do Atlântico: seu corpo de 30 quilos está inchado com ovas. Por perto estão suas ‘irmãs e primas’, grávidas também. Mas são menores, apenas 2 quilos cada. Quando o peixe grande desovar, suas ovas superarão aquelas depositadas por 28 peixes pequenos, calculam os autores do estudo. Dito de outra forma: são necessários mais de 56 quilos de bacalhau pequeno para colocar o mesmo número de ovas geradas por um peixe de 30 quilos.
O bacalhau do Atlântico (Foto: www.healthbenefitstimes.com)

A qualidade das ovas de peixes

Menos conhecido, ele disse, foi o aumento correspondente na qualidade das ovas. As fêmeas mais velhas não põem simplesmente mais ovas. As suas são mais ricas em gordura e maiores em tamanho. Com base no “conteúdo energético total” das ovas – o número, o volume e os nutrientes – uma mãe de bacalhau com 66 quilos é igual a ainda mais peixes. Não 30, mas 37 bacalhaus, de acordo com o novo estudo. “Tudo o mais sendo igual, mais e melhores ovas significam mais peixe”, disse Marshall.

O estudo é mais uma prova dos danos provocados pela pesca em todo o mundo. Não basta o aquecimento global, que mata os corais, ou a poluição. A cada dia que passa a indústria da pesca inventa novas e mortíferas modalidades de pesca.

Fonte: https://www.washingtonpost.com/news/speaking-of-science/wp/2018/05/10/mother-of-cod-were-fishing-exactly-the-wrong-fish-scientists-warn/?noredirect=on&utm_term=.1dd03f7702e0.

(Via https://marsemfim.com.br)