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quarta-feira, 1 de abril de 2020

A OSTRA NOSSA DE CADA DIA


Maiores cultivadores de ostras e mexilhões do país, maricultores de Florianópolis se sentem isolados

JOANA ZANOTTO SABBÁ - 30 DE MARÇO, 2020

Uma porção de gente vive da ostra no Ribeirão da Ilha. O mar tranquilo da baía bem ao sul da cidade comporta a maior produção de ostras no Brasil. As fazendas marinhas, como são chamadas, demandam manejo continuado ao longo do cultivo. Por estes dias as sementes foram colocadas no mar para a temporada de ostras daqui a uns oito meses. Nas diferentes fases do cultivo, as ostras são retiradas do mar, peneiradas, separadas e instaladas novamente em espaços maiores. O crescimento é muito rápido. As sementes vão no berçário miúdas, do tamanho da cabeça de um alfinete, e em dez dias medem o tanto da unha de um mindinho. Os maricultores, que acabaram de instalar as sementes no mar, estão aflitos, sem perspectiva de conseguirem se recuperar tão cedo do impacto sentido de imediato em suas atividades.

Enquanto cuidam do crescimento das milhões de sementes, que foram compradas por um custo alto do laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as vendas de ostras permanecem paradas, e devem continuar assim. Apesar da relevância da produção dos moluscos em Florianópolis, a cadeia produtiva essencialmente artesanal não conta com o amparo do estado. Cultivadores encontram dificuldades de acessar as linhas de crédito nos programas de financiamento disponíveis. A carência de políticas públicas se evidencia neste momento, em que as comunidades juntam esforços se isolando para a contenção da doença viral que se alastra pelo mundo.

“Na maricultura é cada um por si”, lamenta Rita Cassia, que há vinte anos abandonou a carreira de farmacêutica para se dedicar à maricultura. “Me envolvi de uma tal maneira que não tinha mais como sair. No início era só eu, a Gioconda, a dona Eva. Tinham pouquíssimas mulheres e o preconceito era muito grande.” Ainda que integrando a associação de Maricultores do Sul da Ilha (Amasi), Rita não vê uma saída coletiva iminente. Segundo informações da prefeitura, os produtores na capital estão organizados em 5 associações e 1 cooperativa, totalizando 90 maricultores em atividade na cidade. “A gente não tem reconhecida a atividade, apesar da maricultura ser responsável por 30% da arrecadação do município. Quantos restaurantes ela fomenta, essa iguaria?”, lamenta Rita. Ela comenta que é muito raro financiamento no setor. “Às vezes tem pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), mas é muito raro de se conseguir”
Rita Cassia se orgulha de ter começado a cultivar e vender ostras nativas na dianteira dos demais produtores / Foto de arquivo pessoal

A fazenda marinha de ostras, mexilhões e vieiras de Rita tem porte médio. Divide a localidade com o restaurante Empório Sul do Mar, um dos tantos de portas fechadas durante a quarentena, ao longo dos vinte quilômetros na rodovia Baldicero Filomeno, na ponta da ilha. “A gente tem que ter calma”, pondera Rita. Ela pretende manter o restaurante fechado mesmo que acabe o decreto nos próximos dias. Antecipou as férias remuneradas dos funcionários. Apenas dois de seus maricultores continuam trabalhando duas vezes por semana para dar seguimento ao manejo dos cultivos. Nesta temporada, por sorte, alojou 600 mil sementes no mar, 400 a menos do que de costume.

Os moluscos cultivados na fazenda são vendidos no próprio estabelecimento, em outros restaurantes e em uma peixaria. “Já estou sentindo o impacto. Eu creio que a gente só vai se refazer lá pra setembro”, calcula com esperança.

Dono do famoso restaurante Ostradamus, na Freguesia do Ribeirão, Jaime José de Barcelos é cauteloso. Aos 54 anos, não pensa em reabrir o restaurante tão cedo. “A gente tem que pensar na vida e saúde primeiramente. A gente tem que se preservar independente da idade. Não somos números.” Ele deve bancar o restaurante fechado de dois a três meses, pagando os funcionários. “O setor produtivo da maricultura vai ser afetado. Não tenha dúvida disso. A partir do momento que não conseguimos colocar na mesa e vender as ostras ao turista, temos um problema gigantesco. Queira Deus que isso passe logo”, roga Jaime.

Ele se mostra bastante consternado com a situação em que as pessoas se encontram e a postura do governo. “O governo tenta passar a bola pra gente. A gente não tem como arcar com o salário das pessoas por meses. A gente já tem a conta alta por sustentar essa máquina”, reclama, em alusão ao pagamento de impostos. “Eu estou procurando me manter ocupado para não dar nó na mente e deixar a criatividade em ordem. Se eles garantissem o básico seria suficiente.” Ostradamus é um restaurante luxuoso de ostras e cerca de um milhão e 200 mil sementes foram colocadas no mar para a próxima safra.

O abandono não é de agora

Mais pro final da Baldicero Filomeno, na Caieira da Barra do Sul, Felipe Ricardo Malagoli e a companheira Gabriela Ivonesia de Almeida são sócios da fazenda marinha Bela Ostra desde 2013. O pai de Gabriela trabalha há vinte anos com os mariscos. A maricultura tem o caráter predominantemente familiar. Felipe é vice-presidente da associação de Maricultores do Sul da Ilha (Amasi), que representa aproximadamente a comercialização de 60 a 70% das ostras no Brasil todo. De acordo com ele, a demanda histórica dos maricultores é ampliar o acesso às linhas de crédito, que são muito limitadas. O programa de financiamento pede como garantia para a adesão a comprovação de um bem, e assim muitos não conseguem acessar os benefícios pois o principal bem dos produtores, a fazenda marinha, é por cessão de uso.

“A gente até conseguiu um fundo do estado bem interessante: tu pegas um determinado valor parcelado em cinco anos, e se em quatro anos for pago certinho, o quinto ano não precisa pagar. Então teoricamente aquilo que a gente for comprar sai mais barato, ainda que se comprássemos à vista. Porém é bem trabalhoso conseguir essa linha de crédito, o valor é muito limitado e ainda tem de dar como garantia um imóvel em Florianópolis para conseguir o crédito, o que é bem complicado.” O maricultor avalia que o Pronaf tem piorado muito nos últimos três anos, e agora, mais ainda. “Uma linha de crédito é muito importante pra gente investir e conseguir avançar, fazer uma linha de produção maior, ofertar mais produtos e popularizar mais o valor. Seria bem interessante.”

Felipe diz que dentro do grupo da associação tem se fomentado um debate sobre como sobreviver na pandemia, mas que, até agora, não chegou a conclusão nenhuma. “É uma situação muito grande, que exige um trabalho do governo municipal, estadual e federal”, cobra o maricultor. Em sua situação particular, ele avalia que a “gordurinha” das vendas de boa parte de sua safra no verão não dura dois meses. “Como não há continuidade de venda, a retomada pós-pandemia – que não tem nem data – eu acredito que vai ser bem complicada porque o nosso produto não é tão barato quanto os produtos básicos como arroz, feijão e macarrão.”

O casal proprietário da Bela Ostra colocou 400 mil sementes no mar – são nano produtores, o que os torna vulneráveis na cadeia produtiva. “A gente até consegue fazer o manejo das lanternas de ostras na fazenda marinha, mas a gente não consegue efetuar venda porque a indústria está parada. Os parceiros fundamentais são as indústrias que vendem para restaurantes, que estão fechados. Ou que vendem para algumas peixarias, que praticamente estão paradas também. Até algumas peixarias que abriram não querem pegar ostra porque não tem tempo de prateleira. A ostra é vendida viva e fica no máximo cinco dias fora d’água. As peixarias preferem focar nos produtos que são congelados ou resfriados e conseguem ter um tempo maior. A gente vai ter que trabalhar de forma colaborativa daqui pra frente, mas a gente vai vender pra qual consumidor?”, questiona Felipe.

Difícil para os produtores, pior para os funcionários

A estabilidade não é uma garantia para os funcionários dos produtores de moluscos no elo mais fraco da linha. Os maricultores que trabalham por dia via contrato ou sem nenhum contrato podem ficar em uma situação complicada daqui pra frente. Na sexta-feira da semana de início da quarentena em Santa Catarina (20/3), Diolei, de 32 anos, e seu colega arrumavam as boias para o mar. Morador do Ribeirão, o maricultor trabalha na fazenda marinha Marítimo e, quando sai, continua o expediente na fábrica de embalagens do mesmo proprietário. “As embalagens são pra mandar as ostras para fora. Tá tudo fechado.” Na fábrica, recebeu férias remuneradas logo de cara, mas no rancho ainda desconhecia o rumo nos dias seguintes. A incerteza é grande.
O maricultor Diolei pegou férias na fábrica de embalagens. Na fazenda trabalha nas boias que vão ao mar / Joana Zanotto

O movimento nas peixarias à beira da Semana Santa

Rodrigo Oliveira, 47 anos, sócio da peixaria que leva o nome da família, sente tristeza ao contar o que tem visto no Mercado Público, em pleno centro da cidade. O mercado está totalmente vazio na quarentena. E como se quisesse se assegurar de não ter exagerado no tom da sentença, o comerciante enviou uma fotografia de prova pelo whatsapp mostrando as peixarias sem viva alma. Rodrigo, que tem íntima relação com o mercado, onde anda desde os doze anos, se comove. A peixaria Oliveira pertencia ao seu pai, dono de uma “saúde esplêndida” aos 82 anos.

As saídas de mercadoria da peixaria Oliveira tem sido principalmente para os clientes conhecidos que pedem por telefone. Ostras, ninguém nem está comprando. O vendedor, que já vinha ouvindo notícias ruins sobre a pandemia, foi se controlando, comprando pouco, para não ter de jogar nada fora. “Talvez eu tenha que jogar fora peixes, sardinha, que aguentam pouco gelo. Ostras e mariscos não dá nem para comprar porque chegando ao mercado aguentam apenas 60 horas. Elas não podem pegar gelo senão morrem, a friagem mata.”
Mercado Público praticamente vazio na quarentena / Foto pessoal

As peixarias em Florianópolis ficaram fechadas por pouco tempo. Quando o governador Carlos Moisés (PSL) decretou os serviços essenciais com permissão de funcionamento durante o período de isolamento social, houve a compreensão da prefeitura de que as peixarias não faziam parte do grupo liberado. O advogado atuante no direito da orla, da pesca e do pescador, Ernesto São Thiago, explica: “A prefeitura da capital interpretou restritivamente o decreto estadual, na minha visão jurídica, de forma correta, porque em se tratando de vigilância sanitária os termos tem de ser mesmo restritivos”. Portanto, o prefeito Gean Loureiro (DEM) decretou uma norma com a determinação de fechamento das peixarias acompanhando o governo estadual. Na segunda-feira que sucedeu o decreto (23/3), no entanto, ajustes foram oficializados no Diário Oficial do Estado da data, especificando as peixarias, entre outros serviços, como serviços essenciais.

A secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina esclarece que a recomendação é a de que “as peixarias, assim como açougues e mercearias, consideradas serviços essenciais podem permanecer em funcionamento, desde que evitem a aglomeração de clientes e reforcem os cuidados de higiene. Os maricultores também continuam trabalhando, alguns comercializam a produção em sistema de entregas e outros para peixarias.”

Mesmo reabertas, muitas peixarias estão receosas vendo a Semana Santa chegar. Conhecedor do mercado da pesca e maricultura, Ernesto acompanha as notícias e avalia que as vendas estão muito baixas. “Se as peixarias não vendem, não compram do pescador. Depende muito do perfil da clientela.” Na peixaria de um de seus clientes, que não faz venda direta ao consumidores, as vendas caíram 50%, porque, além de não estar vendendo para os restaurantes, não tem suficiente entrega domiciliar. “Os gastos com delivery não têm sido a prioridade das pessoas em situação de crise econômica. Muita gente foi afetada, e não se tem uma articulação conjunta.” Os clientes de Ernesto o consultam sobre os acontecimentos em busca de maiores informações.

Pro sul da ilha, no início da Baldicero Filomeno, ao lado da organização comunitária Canto do Rio, o estabelecimento de outra família não sente os mesmos efeitos do isolamento social das peixarias no mercado público. “Apareceu bem mais gente na semana. O pessoal está se preparando porque sabe que o tempo vai fechar.” Eduarda Correia de Barros, 28 anos, relata o aumento do movimento na peixaria desde o período de quarentena. De acordo com ela, estão vendendo bem todos os produtos. Na ocasião do primeiro decreto estadual, a Pedacinho de Mar deu um jeito de permanecer aberta, efetuando as vendas pela porta gradeada.
Diferente do que acontece no mercado público, a clientela está alta em peixaria no sul da ilha / Joana Zanotto

Restaurante de ostra se transforma em pizzaria

No norte da Ilha, o restaurante de classe média alta e fazenda marinha Freguesia, na praia de Santo Antônio de Lisboa, passou por transformações severas na quarentena. Os proprietários decidiram utilizar a cozinha industrial para produzir algo que fosse mais acessível e de fácil entrega domicilar. Portanto, agora trabalham com pizzas e porções congeladas. “Em tempos de crise as pessoas gastam menos e percebemos que caiu drasticamente a compra da ostra, vendemos também nos Supermercados Imperatriz”, diz Carla Cabral Costa, 43 anos, sócia do Freguesia com Leonardo Cabral Costa, 42 anos.

A proprietária dispensou dez de seus funcionários, ficando com uma equipe de 30 pessoas – 5% da equipe trabalha no financeiro e administração e os sócios na operação das entregas. O restante dos trabalhadores está de férias coletivas por dez dias. Segundo a empresária, o “caixa está zerado”. Ela acredita que vai perder 70% da safra de 20 mil dúzias prontas para o consumo. Para a próxima temporada estão com seis milhões de sementes no mar fazendo o manejo diariamente.

Posicionamento do Governo 

No âmbito federal, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina Correa, endereçou carta na quinta-feira (26/3) ao ministro de Estado da Cidadania solicitando que aproximadamente 1,2 milhão de pescadores profissionais artesanais e aquicultores sejam contemplados com o auxílio pecuniário (voucher) previsto pelo governo federal para mitigar os efeitos do confinamento social, que reduziu demasiadamente o comércio de pescado. Na carta, a ministra escreve que “a medida proposta se reveste de elevada importância pela magnitude de seu objetivo socioeconômico, posto que abrange uma camada sensível da sociedade brasileira, concedendo apoio para subsistência do setor durante o período que perdurar o estado de calamidade pública em nosso país”.

Sobre os incentivos e a relação do governo com os maricultores, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina respondeu que, para dar suporte à comercialização de moluscos em Santa Catarina, através da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do estado (Cidasc), “manteve o monitoramento microbiológico e de algas tóxicas mesmo nesse período de quarentena”. Além disso, em parceria com a Secretaria Nacional da Pesca e o Ministério da Agricultura, “criou grupos de Whatsapp para facilitar o contato entre proprietários de peixarias e pescadores.”

Sobre as possibilidades de linhas de crédito para os maricultores, a secretaria informou que “criou projeto de apoio para pequenos empreendimentos rurais e pesqueiros”. A intenção é injetar R$ 60 milhões na economia catarinense em três anos. A medida, segundo a secretaria, faz parte do Plano de Enfrentamento e Recuperação Econômica, desenvolvido pela Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) do Governo do Estado. O projeto da Agricultura prevê o investimento de R$ 1,5 milhão, via Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), para subvenção aos juros de financiamentos adquiridos por agricultores e pescadores, num limite de 2,5% ao ano. Os financiamentos seguirão as regras de contrato feito com o agente bancário, podendo ter até 36 meses para pagar, com 12 meses de carência. Além disso, segundo a resposta enviada à Folha da Cidade, os pescadores têm acesso aos programas de financiamento ou subvenção ao juros já em funcionamento no estado.

Segundo a secretaria, não há previsão do impacto financeiro sobre o setor. A informação é que a pasta tem programas abertos para pescadores artesanais se eles preencherem alguns requisitos (cada programa tem sua especificação).Sobre o contato da secretaria com os pescadores e maricultores, a resposta é que a relação é muito próxima, via Câmaras Setoriais da Pesca e da Maricultora, onde representantes do setor são ouvidos e auxiliam na construção de políticas públicas, além de debater temas de interesse: “A Epagri possui um Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap), com pesquisas voltadas ao setor também. Além disso, os escritórios municipais da Epagri dão todo apoio técnico aos pescadores e maricultores.”

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

FAZENDAS MARINHAS

Fotos Jair Quint/Agecom/UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Colônia de Pescadores Z-11 firmaram, na manhã desta quarta-feira, dia 12 de fevereiro, um acordo de cooperação técnica para fomentar a pesquisa, ensino e extensão de moluscos bivalves de Santa Catarina.

De acordo com o documento, caberá à Universidade oferecer cursos voltados à iniciação da maricultura e planejamento da atividade, desenvolver projetos visando ao desenvolvimento tecnológico para a produção de moluscos bivalves e realizar a doação anual de dois milhões de sementes Crassostrea gigas (ostra do pacífico) à Colônia Z-11.

Já a entidade dos pescadores terá como obrigações disseminar os cursos oferecidos pela UFSC entre os conveniados, não conveniados e demais interessados, além de disponibilizar espaço físico que servirá como base de apoio ao plantel de reprodutores, bem como de pesquisa, ensino e extensão ao Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM/UFSC).

Estiveram presentes na assinatura do acordo na manhã desta quarta o reitor Ubaldo Cesar Balthazar, o diretor do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSC, Walter Quadros Seiffert, o supervisor do LMM, Cláudio Melo, o coordenador do acordo, Gilberto de Andrade, o assessor técnico da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Bento Garcia, o presidente da Colônia de Pescadores Z-11, José Frutuozo Góes Filho, o assessor jurídico da Colônia, Júlio César dos Santos, e o secretário da Colônia, Valdori Almeida.

A cooperação não prevê transferência de recursos orçamentários entre as partes. Todas as informações e conhecimentos (como know-how, tecnologias, programas de computador, procedimentos e rotinas) existentes anteriormente à celebração da acordo continuarão a pertencer ao detentor, possuidor ou proprietário. O acordo terá vigência de cinco anos, contabilizados a partir da data da assinatura ocorrida nesta quarta-feira.

(Maykon Oliveira/Jornalista da Agecom/UFSC)

domingo, 2 de fevereiro de 2020

CRIANDO CAMARÕES!

Berçário ajuda a fortalecer o camarão e garante produtividade(Foto: Guilherme Hahn, Especial)

Produtores do Sul de Santa Catarina voltam a investir na criação de camarão em viveiros

Modernização no sistema de produção tem garantido o retorno seguro e rentável da atividade na região

Por Lariane Cagnini
lariane.cagnini@somosnsc.com.br 
Por Ben Ami Scopinho
ben.scopinho@somosnsc.com.br

Presença garantida na culinária litorânea durante o verão, o camarão é o queridinho da temporada. Versátil, ele pode ser servido de várias maneiras, e para acompanhar a demanda de consumo os produtores do Sul de Santa Catarina voltaram a investir. Com tecnologia, a carcinicultura, que é a criação de camarão em viveiros, tem recuperado espaço. Em 2018, 311,83 toneladas foram produzidas no Estado.

Os dados são do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap), vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Apesar de a produção ainda não suprir a demanda, houve um crescimento de 14,47% em relação ao ano anterior, que registrou 272,40 toneladas. O número de produtores dobrou, de 10 para 21.

A maior região produtora de camarão em cativeiro no país ainda é o Nordeste, responsável por 99% segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Especialistas no setor estimam que mais da metade do camarão consumido pelo brasileiro vem das fazendas de cultivo, e o restante é de pescadores artesanais que trabalham com o camarão nativo.

O camarão criado em viveiros, da espécie Litopenaeus vannamei, é uma espécie marinha exótica. Ela foi introduzida no Brasil na década de 1980, se adaptou muito bem e Santa Catarina chegou a ter 112 fazendas de camarão no início dos anos 2000. Foi a Síndrome da Mancha Branca, doença que se manifesta na produção em cativeiro, que dizimou o cultivo e jogou a produção para baixo. 

No auge, a região de Laguna chegou a produzir 4,1 mil toneladas em 2004, o que colocou Santa Catarina entre os cinco maiores produtores de camarão no Brasil. A doença se manifestou primeiro aqui, subiu lentamente pelo litoral e atingiu o Ceará em 2016.

Apesar do vírus, a melhoria nas técnicas de manejo garante a manutenção da carcinicultura no Nordeste, e foi de lá que Pedro Buss buscou inspiração. Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Camarão (ACCC), Buss foi o pioneiro nas fazendas com sistema de berçário intensivo para a pós-larva no Estado. Em um ambiente controlado, o camarão se desenvolve melhor, e quando vai para a engorda a taxa de sobrevivência fica na casa dos 90%.

– Dentro da nossa região, para criar camarão tem que ter o berçário. É cautela, é uma ferramenta que ajuda o produtor. Berçário e baixa quantidade de camarão por metro cúbico, por precaução, para uma produção segura e de camarão sadio – defende Buss.

As estufas, ou berçários, têm controle de pH da água, temperatura e oxigênio. As pós-larvas vêm do laboratório, ficam 30 dias nesse ambiente com alimentação a cada duas horas, e só então são transferidas para os viveiros. Depois, são mais 60 dias até estarem com uma média de 12 a 18 gramas cada, e então é feita a retirada desses crustáceos da água, chamada de despesca. Cinco produtores catarinenses já investiram nos berçários. A estrutura custa entre R$ 100 e R$ 150 o metro quadrado, e as fazendas precisam de funcionários 24 horas por dia.

Para o produtor Clemilson de Andrade, a mudança traz bons resultados. São cinco berçários na propriedade, e nos dois ciclos ocorridos foram produzidas 13,5 toneladas:

– O camarão sai daqui (berçário) fortalecido, e quando vai para o viveiro, consegue enfrentar qualquer alteração de temperatura ou doença.

Segurança e produtividade

Na época em que a doença viral se manifestou, os produtores não tiveram condições de seguir investindo devido ao prejuízo financeiro. A síndrome não é perigosa para o ser humano, mas quando acomete o camarão, pode dizimar todo o viveiro em poucos dias. Como outros países conseguiram driblar a doença e manter as produções, foi possível reproduzir esse modelo que tem dado certo até aqui.

A recuperação aparece em números: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018 a carcinicultura cresceu 11,4% em todo país na comparação com o ano anterior, chegando a 45,8 mil toneladas produzidas. Os números estimados pelo setor são um pouco mais expressivos. 

O engenheiro de Pesca Itamar Rocha diz que no ano passado a produção de camarão marinho foi de 115 mil toneladas no Brasil. Desse total, 90 mil toneladas vieram da carcinicultura, 78,2%, e as outras 25 mil toneladas da pesca extrativa, que equivalem a 21,7% do volume total. Segundo Rocha, tudo foi absorvido pelo mercado interno.

Para o coordenador de Aquicultura e Pesca Artesanal da Epagri, Luiz Rodrigo Mota Vicente, a mudança nos modelos de produção é que pode garantir uma retomada sustentável da atividade no Estado. 

Na avaliação do médico veterinário, a utilização dos sistemas bifásicos e trifásicos é o caminho. Com as estufas na fase de criação, o tempo de exposição do camarão nos viveiros é reduzido. No ambiente aberto é onde está o vírus, que pode aproveitar mudanças climáticas bruscas para se manifestar. Uma pós-larva fortalecida tem mais chance de sobreviver durante a engorda.
Na pesquisa, surge um meio para a retomada

Para fomentar ainda mais a produção segura e sustentável do camarão em cativeiro, o campus de Laguna da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) criou um Grupo de Interesse em Carcinicultura. Sob o comando do professor Giovanni Lemos de Mello, comunidade acadêmica e produtores se reúnem para buscar soluções para problemas do dia a dia.

Além da adesão das fazendas aos berçários intensivos, outras novidades surgem no setor. Um dos investimentos mais recentes na região é na produção em circuito fechado, no sistema de bioflocos. Em uma área bem menor, todo processo é acompanhado em detalhes, sem trocas de água. Ali, as bactérias heterotróficas e nitrificantes fazem todo o trabalho de manutenção da qualidade de água dos tanques, o que estimula a produção desses bioflocos microbianos, que também servem de alimento para o camarão.

Nesse sistema intensivo, é possível acondicionar uma média de 300 a 400 camarões por metro cúbico, enquanto nos viveiros convencionais, a média é de 15 a 20. A produtividade pode ser até 20 vezes maior. Entretanto, o investimento para implantar esse formato é mais elevado. Calcula-se por volta de R$ 2,5 milhões por hectare o custo de uma fazenda de produção de camarões marinhos em sistema de bioflocos.

Para Mello, o cultivo de camarão nos moldes tradicionais nada tem a ver com o camarão do futuro. Para os próximos anos, o ambiente será cada vez mais controlado e com padrões rígidos de bioseguridade. A doença não acabou, mas com o manejo correto, é possível conviver com ela sem que haja prejuízo. O momento é de cautela e de remodelar a produção, para que Santa Catarina possa, aos poucos, retomar o lugar de destaque na carcinicultura.

– As fazendas que investiram no sistema bifásico, de berçário e engorda, têm resultados promissores. Porém, ainda não se pode dizer que existe um pacote tecnológico pronto e definitivo. O berçário é uma ferramenta indispensável para essa carcinicultura do futuro que a gente imagina – projeta Mello.

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sábado, 25 de janeiro de 2020

CULTIVANDO ALGAS

Fotos Divulgação / Epagri 
Os maricultores catarinenses terão mais uma importante alternativa de renda.

Nesta quinta-feira, 24, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou o cultivo comercial das macroalgas Kappaphycus alvarezii no Litoral de Santa Catarina. O produto, utilizado na indústria farmacêutica e alimentícia, é altamente valorizado no mercado e pode ser combinado com o cultivo de ostras, mexilhões e vieiras. Este será mais um mercado exclusivo de Santa Catarina.

“Mais uma boa notícia para o agronegócio catarinense. Ao longo de 2019 fizemos várias tratativas com o Instituto do Meio Ambiente, Ministério da Agricultura, Secretaria de Aquicultura e Pesca e Ibama para a liberação do cultivo de macroalgas em Santa Catarina e hoje colhemos os resultados. Os maricultores catarinenses terão mais uma alternativa de renda”comemora o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo de Gouvêa.

A Instrução Normativa do Ibama autoriza o cultivo comercial Kappaphycus alvarezii entre os municípios de Itapoá e Jaguaruna. O pesquisador do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Epagri/Cedap), Alex Alves dos Santos, explica que a decisão traz a possibilidade de diversificação dos cultivos marinhos, aumento dos lucros para os maricultores, maior oferta de emprego e renda nas comunidades tradicionais.

“Além desses benefícios, talvez a maior contribuição seja ambiental, pois as algas são a base da cadeia alimentar aquática e absorvem nutrientes da água para promover seu crescimento, favorecendo a vida marinha. Com essa autorização, os próximos anos serão de muito trabalho para Epagri, para Ufsc e principalmente para os maricultores que juntos estarão construindo uma nova cadeia produtiva na história do agronegócio catarinense”ressalta.

Por possuir propriedades gelificante, espessante, estabilizante e emulsificante, a macroalga é utilizada em diversas indústrias como farmacêutica, química, alimentícia e têxtil.

Pesquisa catarinense

Os estudos para o cultivo de macroalgas em Santa Catarina começou em 2008 numa parceria entre Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc). A Epagri/Cedap mantém dois cultivos experimentais de Kappaphycus alvarezii em Penha e Governador Celso Ramos e as negociações para autorização da produção foram retomadas no último ano.

Maricultura em Santa Catarina

Santa Catarina é o maior produtor de moluscos do Brasil. São 565 maricultores distribuídos em 11 municípios e gerando cerca de 2 mil empregos diretos. Em 2017, a produção girou em torno de 13,7 mil toneladas de mexilhões, ostras e vieiras.

O estado é o único do país que realiza o monitoramento permanente das áreas de cultivo. O Programa Estadual de Controle Higiênico Sanitário de Moluscos é um dos procedimentos de gestão e controle sanitário da cadeia produtiva, dando garantia e segurança para os produtores e consumidores.

(Da assessoria de imprensa - http://www.sc.gov.br/)


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

CULTIVANDO O MAR


O crescimento das ostras depende de uma larva, chamada de semente ou matriz. O LMM é capacitado para produzir um grande rol de espécies de moluscos, cuja produção é vinculada com a cultura local e as condições climáticas e geográficas.

O Laboratório de Moluscos Marinhos da UFSC (LMM) é essencial à prosperidade da Maricultura em Florianópolis. As sementes de ostras, por exemplo, dependem da produção em laboratório, considerando que na coleta natural não há volume de sementes para atender a demanda comercial. O laboratório produz demandas muito grandes, na casa dos milhões, cujos excedentes são comercializados e, por consequência, geram retorno financeiro. Apesar de existir um outro Laboratório privado em Florianópolis, a UFSC atende a maior quantidade de ostreicultores, fomentando o mercado local há mais de duas décadas. Na safra de 2016-2017, foram cerca de 217 vendas, que oscilam entre 50 mil e um milhão de sementes.

No âmbito da pesquisa científica, o laboratório possibilita que a maior parte dos acadêmicos da engenharia de aquicultura realizem seus estudos em suas locações e, eventualmente, possibilita colaborações com pesquisadores de outras áreas, como biologia, engenharia de alimentos e engenharia sanitária. Segundo Claudio Blacher, que gerencia o LMM, a pesquisa é mantida, em grande parte, pela comercialização de excedentes, que proporciona retorno na estrutura do laboratório, fazendo com que o mesmo seja o maior do Brasil no setor de moluscos.

Com fundação nos anos 90, o LMM especializou-se na reprodução e produção de moluscos bivalves e tem dedicado-se ao estudo de técnicas de reprodução da espécie Crassostrea gigas, popularmente conhecida como ostra do pacífico, e a Crassostrea gasar, uma espécie de ostra nativa. Nos últimos anos, mexilhões, vieiras, berbigões e outras espécies nativas também foram prioridade para o LMM.

O Mercado

Santa Catarina lidera quase completamente o mercado nacional de ostras, com 98% da produção. Segundo dados do InfoAgro, foram produzidas 2490 toneladas em 2017, com 552 produtores no estado e concentração de 80 na capital. Nesse ano foi criado um Selo de Inspeção Municipal (SIM) para o pequeno produtor de ostras que atende o mercado local. Até abril, 21 criadores possuíam o selo, que difere-se dos selos já existentes, que regulamentam o mercado que exporta para outros estados, por exemplo. Em entrevista, Tatiana Cunha, presidente da Associação de Maricultores do Sul da Ilha (AMASI) , disse que vê a medida como positiva, além de ressaltar que a pluralidade de mais laboratórios também seria benéfica à maricultura, algo que Blacher também defende.

Fonte: Síntese Anula de Agricultura de Santa Catarina 2017-2018 (Epagri)

O mercado tem esfriado desde 2014, cujo principal fator é a maré vermelha, fenômeno natural e esporádico que consiste em um pico de crescimento (bloom) de fitoplâncton em determinadas áreas, fazendo com que a cor da água se altere para tons de amarelo, vermelho ou alaranjado. Essas microalgas (fitoplâncton) produzem toxinas que alimentam os moluscos, que as filtram da água do mar e acabam sendo contaminados, impossibilitando o comércio, em virtude do risco ao consumidor. Outro fator que dificulta o mercado de moluscos é a duração do produto in natura, que vai até 4 dias em restaurantes e peixarias, limitando o comércio varejista. Também houve diminuição no número de maricultores, que eram 604 em 2016 e agora são 552 (redução de 8,6%) , seguindo a diminuição do número total de pessoas envolvidas no processo, que eram 2185 em 2016 e hoje são 1915 (redução de 12,4%).
Fonte: Síntese Anula de Agricultura de Santa Catarina 2017-2018 (Epagri)

A maricultura catarinense data da década de 80, anteriormente só se cultivavam mariscos. Quanto à distribuição geográfica, atualmente Florianópolis lidera a produção de todos os moluscos no Estado, com exceção dos mexilhões, que são produzidos majoritariamente pelo município de Palhoça, vizinho da capital. Outras cidades de destaque são Penha, Governador Celso Ramos e São José, com números expressivos nas produções, porém ficando muito atrás de Florianópolis. O mercado é concentrado em Santa Catarina pelas condições climáticas, como a temperatura da água, que possibilita grandes safras de ostras japonesas, por exemplo.

A Produção

Os moluscos em geral produzem muitos gametas, podendo chegar a centenas de milhões, facilitando a produção de excedentes de larvas e sementes. Com duração de 2 a 6 meses, o processo de produção de sementes de moluscos bivalves inicia-se na obtenção de reprodutores (coletados naturalmente ou condicionados em laboratório). Após a desova, ou liberação de gametas, realiza-se a fecundação e, 24 horas depois, inicia-se a larvicultura, que leva em média duas a três semanas, variando conforme a espécie, temperatura média e alimentação. Nessa etapa, são utilizados tanques de 20 mil litros de água, onde larvas planctônicas nadam e se alimentam, com densidade entre 1 a 10 larvas/mL. Essa parte do processo exige um grande esforço dos cultivadores, que devem retirar as larvas dos tanques todos os dias, drenando-os e retendo-as em malhas conforme o tamanho.

Bolsas utilizadas no processo de produção de microalgas, organismos que servem de alimento

Finalizada essa etapa, inicia-se o assentamento, fase que pode durar de 2 a 5 meses e tem início quando as larvas atingem 238 µm, em média, e percebe-se uma mancha escura de 2 ou 3 µm no interior das larvas, sinalizando que tornaram-se larvas olhadas. Esses são os sinais que as mesmas podem ser assentadas dando continuidade ao processo de metamorfose e tornarem-se pré-sementes. O LMM utiliza a técnica de indutores químicos para assentamento de larvas, que resulta em um rendimento maior em relação a outras técnicas, facilitando o manejo dos produtores posteriormente. Nessa técnica, após a indução ao assentamento (banho em solução de epinefrina) as pré-sementes são inseridas em tanques upweller contendo cilindros de fibra de vidro com uma malha de nylon no fundo onde as larvas assentadas são depositadas. Os tanques devem ser drenados todos os dias, lavando as larvas com jatos d’água. A medida que elas crescem, as mesmas devem ser peneiradas e separadas em mais tanques, dependendo do tamanho.

Um dos fatores mais importantes para a produção é utilização de água do mar, que deve ser filtrada e esterilizada. Inicialmente, os tanques utilizados eram de 6 mil litros, mas, em função da demanda e do aumento de produtividade, começaram a ser utilizados tanques de 20 mil litros, assim como a utilização de bolsas de 100 litros para produção de microalgas, que com o sistema de produção semi-contínuo, duram 60 dias, superando os 2 ou 3 dias anteriores. Em 2002, o LMM aprovou um projeto junto com a FAPESC e a FINEP para tornar a produção mais eficiente e sustentável, com enfoque em ganhos de produtividade na produção de microalgas, assentamento e larvicultura.

A Estrutura

Ainda que não seja um monopólio absoluto, o LMM atende uma demanda gigantesca, o que pode dificultar a existência de outros laboratórios privados. Seus integrantes defendem que a existência de outros laboratórios seria benéfica, pois traria mais segurança ao setor. Atualmente existe um outro laboratório na capital, integrando o setor privado, e também outros dois grupos de produtores que estão estudando a viabilidade de implantar um novo laboratório na região, através do auxílio do SEBRAE. Blacher atesta que um dos maiores dificultadores para o bom andamento do LMM é o excesso de burocracia, que permeia o setor público nacional. Essa conjuntura prejudica procedimentos como contratações de serviço e compras de materiais e afasta empresas que não estão preparadas ou não querem predisporem-se a apresentar grandes volumes de papéis para obter um lucro relativamente baixo. O esforço dedicado a contornar esses problemas acaba sendo um grande entrave na produtividade do Laboratório. “Todo e qualquer recurso público só pode ser utilizado em transações com empresas privadas 100% regulares do ponto de vista fiscal, portanto, se as estatísticas estão corretas, apenas cerca de 15% das empresas nacionais estão aptas a negociarem conosco, ou seja, restringe muito o nosso universo, quando não nos impossibilita a compra direta”, afirma Blacher.

Pertencente ao Departamento de Aquicultura da UFSC, o LMM é localizado na Estação de Maricultura “Elpídio Beltrame”, na Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC)

Segundo o Plano Estratégico para Desenvolvimento Sustentável da Maricultura Catarinense, da Epagri, “O procedimento atual para se requerer a concessão de uma área aquícola marinha em águas da União é muito burocrático e demorado, podendo levar vários anos para ser aprovado. É preciso que os governos estadual e federal revejam os procedimentos de concessão e busquem uma forma de aperfeiçoar esta etapa, idealmente através da descentralização da gestão para o estado de Santa Catarina”. Em matéria de Juliana Sayuri, para a Folha de S. Paulo, um micro produtor de Florianópolis também destaca a importância do fomento público. “No papel, é lindo, mas o pequeno produtor ainda precisa de apoio do poder público. Faltam acompanhamento, agilidade até para autorizar a construção de trapiches, atenção para o destino do resíduo”, afirma.

O plano, que foi elaborado de modo participativo com maricultores, visa o desenvolvimento em uma década 2018-2028, e em suas considerações finais, afirma que o sucesso do mesmo depende da superação da ausência de sistemas de monitoramento do plano e alocação de recursos financeiros inadequados. O plano também prima por monitoramento e feedbacks, tomando como exemplo países estrangeiros, juntamente com a simultaneidade de formalização e fiscalização, para gerar segurança e manter o mercado estável, e investimento do poder público, possibilitando que o setor, ainda obsoleto, possa ter condições de se autofinanciar e aumentar seu impacto econômico e social. Assim, o documento afirma que a assistência do Estado poderia ser reduzida gradualmente, e faria com que a maricultura se equiparasse a setores de destaque do agronegócio catarinense, como a produção de aves e suínos.

(Eduardo Vargas – Pró-Reitoria de Pesquisa UFSC)

sábado, 12 de outubro de 2019

MARICULTURA


Epagri vai capacitar 15 moradores de rua de Florianópolis em maricultura.

O objetivo é gerar oportunidade de trabalho para pessoas que enfrentam dificuldades de inserção no mercado. As aulas serão oferecidas na passarela Nego Quirido, onde funciona o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua – chamado Centro POP -, e no Ribeirão da Ilha.

Os participantes foram previamente selecionados pela prefeitura e vão estudar temas como conceito de maricultura, características do setor em Santa Catarina e anatomia, fisiologia e alimentação de moluscos bivalves. O grupo vai aprender também a parte técnica da atividade de produção, como montagem e manutenção dos artigos de captura dos moluscos.

“Depois do curso, a probabilidade do morador de rua, então capacitado, ser contratado como freelancer é grande, pois existe falta de mão de obra qualificada na maricultura”, diz o coordenador do curso e extensionista da Epagri em Florianópolis, Philipe Medeiros da Costa. No último dia da capacitação, os moradores vão entregar seus currículos aos maricultores.

O curso será ministrado pelo extensionista Philipe e por representantes da Associação de Maricultores do Sul da Ilha (Amasi). O projeto é uma parceria das duas entidades com a Superintendência de Pesca, Maricultura e Agricultura da prefeitura de Florianópolis. Os recursos para a capacitação são do Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (Igeof).

Produção

Santa Catarina é responsável por quase toda a produção nacional de mexilhões, ostras e vieiras. De acordo com os dados do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Epagri/Cedap), o Estado produziu mais de 14 mil toneladas desses moluscos em 2018. Florianópolis participa com uma produção de aproximadamente três toneladas.

Serviço

O quê: curso de capacitação em maricultura para pessoas em situação de rua
Quando: de 14 a 18 de outubro, das 09h às 16h30
Onde: Avenida Gustavo Richard, S/N – Passarela do Samba Nego “Quirido”, Centro. Florianópolis – SC
Informações e entrevistas: Philipe Medeiros da Costa, extensionista da Epagri em Florianópolis, pelo fone (48) 3665-5204

terça-feira, 12 de março de 2019

MARICULTURA


Epagri desenvolve cultivo de macroalga que é matéria-prima das indústrias química e de alimentos


O Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri (Epagri/Cedap) realiza, nos dias 12 e 14 de março, mais uma etapa do projeto de pesquisa para cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii em Santa Catarina. A macroalga produz matéria-prima para as indústrias química e de alimentos e pode representar uma importante fonte de renda para os maricultores do Estado.

A nova etapa do estudo, que vai acontecer na comunidade do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, consiste na medição das macroalgas para acompanhar o desenvolvimento do vegetal na localidade. Há dez anos essa pesquisa vem sendo desenvolvida no Sambaqui, outra comunidade maricultora tradicional da capital catarinense. A ampliação dos estudos de cultivo da Kappaphycus alvarezii para o Ribeirão da Ilha aconteceu em dezembro. “Em fevereiro fizemos a primeira biometria nas algas do Ribeirão e o crescimento foi surpreendente”, comemora Alex Alves do Santos, pesquisador da Epagri/Cedap responsável pelo projeto.

Há dez anos a macroalga vem sendo cultiva no Sambaqui com bons resultados. Entre março e abril o pesquisador pretende instalar cultivos experimentais em Governador Celso Ramos e na Penha. “Tais ampliações estão sendo realizadas por determinação do Ibama, órgão licenciador de espécies exóticas, como condicionante para a liberação dos cultivos comerciais da Kappaphycus alvarezii em Santa Catarina. Atualmente, apenas Rio de Janeiro e São Paulo estão liberados para cultivos comerciais” esclarece Alex.

A macroalga em estudo pela Epagri produz a carragenana, usada como espessante pelas indústrias química e alimentícia. Só em 2015 o Brasil importou 1.836 toneladas de carragenana ao custo de 16 milhões de dólares.

“Como estratégia, pretendemos iniciar os cultivos comerciais da Kappaphycus alvarezii integrados ao de moluscos, diversificando a produção e aumentando a renda dos produtores. Não queremos que ninguém deixe de produzir moluscos. As algas serão a segunda espécie. No futuro, cada produtor poderá avaliar o que é melhor para si, ou seja, continuar com a integração ou partir para o monocultivo de algas”, justifica o pesquisador da Epagri.

“Os maricultores estão ansiosos para iniciar na nova atividade, nos cobram semanalmente notícias sobre o assunto”, revela Alex. Para atender a essa expectativa, Epagri e UFSC, parceiras no projeto, atuam também na obtenção da autorização para os cultivos comerciais. Em dezembro de 2018 a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina e a reitoria da UFSC encaminharam ofícios ao governo federal solicitando liberação da atividade. A pedido da Epagri e UFSC os maricultores, através de suas associações, realizaram a mesma ação. A Câmara Setorial da Maricultura, foi outra que se manifestou. O próximo passo será acionar a bancada catarinense em Brasília para uma cobrança política, exigindo tratamento igualitário ao Rio de Janeiro e São Paulo. Enquanto essas ações burocráticas são levadas a cabo, os pesquisadores estão realizando a secagem das algas e o armazenamento de um volume maior, que será encaminhado a uma empresa brasileira de processamento para extração da carragenana.

O grande entrave para iniciar a produção comercial do vegetal marinho em Santa Catarina está nas exigências do Ibama. A preocupação do Instituto é que essa alga, por ser exótica, se alastre pelo mar. No entanto, Alex afirma que já foi amplamente comprovado que esta possibilidade não existe. Diversos artigos científicos de vários pesquisadores nacionais e o próprio experimento em Santa Catarina, que já dura dez anos, embasam essa afirmação. Ele ressalta ainda que esta alga foi introduzida no Brasil em 1995, na região Sudeste do país, e nunca foi observada a emissão de qualquer estrutura reprodutiva.

A alga é nativa de regiões tropicais do continente asiático, como Indonésia e Filipinas, que são maiores produtores mundiais, por isso ela não conseguiu se reproduzir no Brasil. A propagação dela no Brasil é vegetativa. Os plantios e replantios são realizados com pequenos ramos retirados do vegetal. Os ramos rebrotam e crescem em ciclos que variam de 30 a 60 dias, dependendo da época do ano. No verão os ciclos são menores e vão aumentando à mediada que esfria.

“É de conhecimento público que as médias de temperaturas da água do mar dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, são mais elevadas do que em Santa Catarina. Então, se podem cultivar algas lá, deveríamos poder cultivar aqui também. Este é nosso principal argumento técnico quanto à segurança ambiental de cultivo”, descreve Alex. Ele conta que as temperaturas da água do litoral catarinense não permitem cultivo do vegetal durante os meses de junho, julho e agosto. “Se por um lado, isso é um problema do ponto de vista de cultivo, por outro é uma segurança ambiental. As algas simplesmente param de crescer e morrem em temperaturas inferiores a 18ºC. Em nossos estudos, registramos temperaturas de até 13ºC no mar de Santa Catarina, momento em 100% das algas morreram”, finaliza o pesquisador.

Serviço
O que: medição das macroalgas Kappaphycus alvarezii
Quando: dias 12 e 14 de março, preferencialmente das 9h às 12h*
Onde: Fazenda Marinha Atlântico Sul, na Rodovia Baldicero Filomeno, número 10.180, Ribeirão da Ilha
Informações e entrevistas: Alex Alves dos Santos, pesquisador da Epagri/Cepad, pelos fones (48) 3665-5051 / 98414-6129

(*)Em caso de chuvas ou ventos fortes, a atividade será cancelada. Recomendamos a ida da imprensa ao local pela manhã, porque no período da tarde há mais probabilidade de uma mudança brusca no tempo.

Informações para a imprensa
Gisele Dias, jornalista: (48) 99989-2992 / 3665-5147
Cinthia Freitas, jornalista: (48) 3665-5344
Isabela Schwengber, jornalista: (48) 3665-5407

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

PRODUZINDO E PRESERVANDO

O dia começa cedo para este ostreicultor no bairro de Sambaqui, em Florianópolis (SC). A sensibilidade das ostras à alterações ambientais obriga seus criadores a manter os mares limpos.
FOTO DE MAURICIO SUSIN

Como as ostras produzidas em Santa Catarina podem ajudar a limpar os mares

Responsável por mais de 90% da ostreocultura brasileira, a ilha onde fica Florianópolis é um exemplo de aquicultura ecológica.

Por Mauricio Susin

Talvez mais que qualquer outro alimento, a ostra é capaz de produzir as mais variadas reações – de verdadeira adoração a profunda repulsa. O poeta francês León-Paul Fargue uma vez escreveu que “comer uma ostra é como beijar o mar nos lábios”. Pode-se imaginar, no entanto, que os primeiros humanos a comer ostras não tenham ficado tão entusiasmados quanto o poeta, pelo menos de início. Com uma casca dura como pedra, abrir uma ostra não é tarefa fácil, e, uma vez aberta, bem... a aparência mole e viscosa e a cor pálida não são das visões mais encorajadoras. Mas assim que esses humanos – certamente famintos – as provaram há milhares de anos, elas definitivamente entraram para o nosso cardápio.

No litoral brasileiro, indígenas já consumiam regularmente ostras e mariscos há milhares de anos. Sabemos disso através dos sambaquis, imensos depósitos de conchas feitos por esses grupos. Hoje, as ostras estão presentes na dieta humana em diversas partes do mundo e há uma demanda em crescimento. Sua produção faz parte da chamada Revolução Azul, que incentiva a produção de alimentos nos oceanos, em referência à Revolução Verde, quando novas tecnologias aumentaram a produção agrícola do mundo inteiro durante as décadas de 1950 e 1960. A aquicultura – criação de animais e plantas aquáticas – é, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a fonte de proteína animal que mais cresce no planeta.

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Quase todas as ostras consumidas no mundo provêm de fazendas marinhas que utilizam o ambiente natural do mar para o cultivo. No Brasil, mais de 90% da produção nacional vêm de Santa Catarina, principalmente das fazendas da ilha de Florianópolis. Apesar de existirem espécies de ostras nativas de excelente qualidade, a exótica Crassostrea giga — ou ostra-do-pacífico — tem o maior valor comercial e é a mais cultivada no país e no mundo.

O pesquisador Cláudio Blacher, do Laboratório de Moluscos Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina (LLM/UFSC), explica que a giga encontra nas enseadas da ilha um ambiente ideal ao cultivo: “Aqui a ostra leva de seis a oito meses para ficar pronta para o consumo. Na França, um dos maiores produtores e consumidores dessa espécie, esse tempo é de até três anos. Isso se deve às condições oceanográficas da ilha que apresenta temperaturas mais quentes, menor profundidade das águas e, ainda, abundância de nutrientes”.

Mas, para se chegar a esses resultados, as ostras tiveram que se adaptar às águas brasileiras. “A espécie é acostumada às águas mais geladas do Pacífico, de onde é originária, e aqui teve que passar por um processo de seleção genética para resistir aos meses de verão, com águas mais quentes que as do Pacífico. Nos primeiros anos morria a maioria das ostras e criamos um banco de reprodutores, com aquelas que conseguiam sobreviver aos verões”, afirma Blacher.

Com a ajuda de pesquisas e melhoramentos genéticos feitos em laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a popularização da ostreicultura teve grande impacto socioeconômico nas comunidades de pescadores da ilha de Santa Catarina. A prática – orgânica e extensiva – ainda é uma maneira sustentável de produzir alimentos no mar.
FOTO DE MAURICIO SUSIN


Dessa forma, o LMM aumentou a produção de sementes de ostras de 400 mil em 1997 para mais de 45 milhões hoje. Todos os anos, o laboratório distribui milhões de sementes aos ostreicultores da região, a cerca de R$ 35 reais por milhar.

Após receberem as sementes, os produtores passam, então, a armazená-las numa espécie de berçário por algumas semanas até que estejam prontas para irem em definitivo para as lanternas – estruturas verticais de tela com vários compartimentos. As lanternas ficam submersas e atadas a um sistema de espinhéis e boias, também chamado de long line. Em outro método, elas ficam presas a um sistema de madeira conhecido por mesa fixa. Quando são finalmente colhidas, geralmente por duas a quatro pessoas em pequenos barcos, as ostras passam por um processo de lavagem e resfriamento no gelo antes de serem inspecionadas e, finalmente, enviadas, ainda frescas, a clientes de todo o país, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro. Via de regra, a iguaria é transportada por avião em caixas de isopor com gelo e precisam ser consumidas em até cinco dias.

“Vendemos em média 15 mil dúzias de ostras todos os meses para restaurantes”, diz o ostreicultor Vinicius Ramos, 40 anos, proprietário da fazenda Paraíso das Ostras, em Caieira, no extremo sul da ilha de Santa Catarina. Sem dúvida, a produção de ostras teve um grande impacto socioeconômico nas comunidades da ilha, como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, onde muitos prosperaram. “Nossa vida mudou bastante com a produção de ostras. Passei de empregado a empresário, e hoje conto com 15 colaboradores. A geração de empregos fortaleceu as comunidades”, disse Ramos.

O pesquisador Claudio Blacher trabalha no Laboratório de Moluscos Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina, no bairro de Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC). Utilizando melhoramento genético, o laboratório conseguiu aumentar a produção de sementes de 400 mil em 1997 para mais de 45 milhões hoje.
FOTO DE MAURICIO SUSIN


O crescimento da ostreicultura, entretanto, está fortemente condicionado à sustentabilidade e preservação dos ambientes marinhos. Por se alimentarem através da filtragem da água do mar, principalmente do fitoplâncton, as ostras são extremamente sensíveis à qualidade da água e suscetíveis à poluição costeira. Embora limpem o mar, removendo elementos como o fósforo e o nitrogênio – poluidores quando em altas concentrações – as ostras também podem reter toxinas na carne, tornando-as impróprias para o consumo humano.

Fenômenos naturais também devem ser monitorados. Em setembro de 2018, a chegada de uma maré-vermelha aumentou a quantidade de algas na região. As algas elevaram a presença de uma toxina diarreica nas ostras e obrigou a secretaria de Agricultura e Pesca de Santa Catarina a proibir a venda da iguaria por alguns dias. Uma agência do governo tinha detectado a presença da toxina durante um dos testes quinzenais.

Por serem tão sensíveis, os ostreicultores se empenham na preservação do meio ambiente e não deixam de cobrar a fiscalização pelo governo. “Esse é o ponto mais crucial para nós, sem a manutenção da qualidade da água não há como manter nossa atividade. Os produtores sabem disso e a maioria tem bastante consciência ambiental”, acrescenta Vinicius. Como a produção é considerada orgânica por não usar aditivos químicos e ainda não ser intensiva, respeitando o ciclo natural da espécie, os impactos ambientais são minimizados, mas não inexistentes. Eles podem surgir do tipo de materiais utilizados no manejo e também do impacto paisagístico causado pelas boias e espinhéis.

Com uma população mundial em crescimento, a aquicultura é amplamente vista como uma importante solução para impulsionar a produção sustentável de alimentos, aliviar a pressão sobre os ecossistemas oceânicos e gerar oportunidades de negócios e empregos. A Revolução Azul vem mudando nosso entendimento da produção de alimentos e uso dos oceanos. O Brasil, de grande dimensão costeira, vem desenvolvendo suas potencialidades aquícolas. Nesse contexto, Florianópolis se insere como um modelo de ostreicultura para o resto do país.

Veja mais do trabalho de Mauricio Susin em seu site e no Instagram.


(Da https://www.nationalgeographicbrasil.com/)