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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

FAROL DA BARRA - O MAIS ANTIGO



Foto Nilton Souza
No século XVII, o porto de Salvador era um dos mais movimentados e considerado um dos mais importantes do continente. Em função disso era preciso auxiliar as embarcações que chegavam à Baía de Todos os Santos em busca de pau-brasil e outras madeiras-de-lei, açúcar, algodão, tabaco e outros produtos que eram levados do Brasil para abastecer o mercado consumidor europeu.

Foi no final desse século, após o trágico naufrágio do Galeão Santíssimo Sacramento, nave capitânia da frota da Companhia Geral de Comércio do Brasil num banco de areia frente à foz do rio Vermelho, a 5 de maio de 1668, que o Forte de Santo Antônio da Barra foi reedificado (1696) durante o Governo Geral de João de Lencastre (1694-1702).

Foi no forte que foi construído o primeiro farol - um torreão quadrangular encimado por uma lanterna de bronze envidraçada, alimentada a óleo de baleia.
De acordo com o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia este foi o primeiro Farol do Brasil e o mais antigo do Continente (1698), quando passou a ser chamado de Vigia da Barra ou de Farol da Barra.

O diário de bordo do corsário inglês William Dampier, em 1699, relata: "A entrada da Baía de Todos os Santos é defendida pelo imponente Forte de Santo Antônio, cujos lampiões acesos e suspensos para orientação dos navios, vimos de noite."
O Decreto Regencial de 6 de julho de 1832 determinou a instalação de um farol mais moderno, fabricado na Inglaterra, em substituição ao antigo. Ao término das obras, inauguradas em 2 de dezembro de 1839, o novo equipamento de luz catóptico erguia-se sobre uma torre troncônica de alvenaria, com alcance de dezoito milhas náuticas com tempo claro. Em 1937, o antigo sistema "Barbier" (incandescente a querosene) de iluminação foi substituído por luz elétrica, comemorando-se o primeiro centenário do farol a 2 de Dezembro de 1939.
O complexo arquitetônico do Forte de Santo Antônio da Barra, do qual faz parte o Farol, está situado a 5 km do centro de Salvador e é onde hoje funciona o Museu Náutico da Bahia. É no Farol da Barra onde começam e terminam os grandes desfiles do carnaval baiano.

Com tanto cabeludo, com tanto pôr-do sol...

"Farol da Barra", vinil de 1978 dos Novos Baianos
( também disponível em cd), grande sucesso no rádio e num grande número de vitrolas da época. A música virou quase um hino tupiniquim da chamada contra-cultura.
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Farol da Barra
  (Galvão e Caetano Veloso) 

  Quando o sol se põe 
Vem o farol/ 
Iluminar as águas da Bahia /
No Farol da Barra, o encontro é pouco/
  A conversa é curta, tudo é tão rápido como se furta /
  Como a luz bate nas águas/
  Como tudo que se passa / ;
Com tanto cabeludo, com tanto pôr-do-sol  /
Bem cabia uma profecia: até o ano 2000,/
O Farol além do pôr-do-sol será o pôr-do-som  /
  Onde verás uma realejo, onde verás um violão.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

DE ILHAS & FARÓIS

Resultado de imagem para Ilha do Arvoredo Farol

ILHA DO ARVOREDO

Do livro "Santa Catarina: a ilha" (1900), de Virgílio Várzea

“As ilhas e ilhotas que cercam à de Santa Catarina são em número superior a trinta, e delas se destaca, como a maior e mais considerável, a do Arvoredo, situada à entrada do norte, quase a duas léguas da ponta do Rapa. Esta ilha tem de extensão duas milhas, por uma na sua maior largura: é como o próprio nome o diz, coberta de espessa e alta vegetação, em muitos trechos verdadeiras florestas seculares onde se encontram excelentes madeiras de lei, das quais se extraiu, outrora, se bem que simplesmente para experiências, material para a construção no Desterro de um iate ou navio de alto bordo. Deserta até certo tempo, a ilha é hoje habitada pelo pessoal do farol e suas famílias, e frequentada sempre por canoas e baleeiras que, saindo das proximidades do continente e da Ponta das Canas, Canavieiras e Ingleses, ali se juntam de inverno, para a pesca da enchova, que vai de junho a setembro.

... As obras do farol começaram em 1881, sob a direção do ilustre almirante catarinense Marques Guimarães, então capitão-de-mar-e-guerra, a cujos esforços e bons serviços, relevados por sérios conhecimentos técnicos, se deve a inauguração desse melhoramento em 14 de março de 1883. Só poderá avaliar com justeza o que valem os sacrifícios feitos pelo digno oficial no desempenho de tal comissão, quem como nós conhecer a constituição geognóstica e hidrográfica dessa ilha alta e escarpada, onde o desembarque de pequenos volumes, mesmo em tempo de calma, e nas melhores condições, é coisa verdadeiramente penosa, quanto mais a condução para alto do cabeço de chapas de ferro e outros materiais, pesando às vezes toneladas, como as que serviram de base à torre do farol. E foram tais os obstáculos e perigos a vencer, que, de uma vez, uma dessas chapas de ferro, desprendendo-se da lingada, veio ferir o almirante Marques Guimarães, prostrando-o por alguns meses no leito. As obras, porém, chegaram a cabo, lá estão perfeitas, com o seu esplêndido farol, que funciona há já dezessete anos, atestando os méritos desse digno servidor do Estado”.

(Colaboração do José Luiz Sardá)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

DE FARÓIS E FAROLEIROS!

Foto JEAN GUICHARD
História da foto de farol mais famosa do mundo

Fui tropeçar sem querer na história dessa imagem na ilha francesa de Ouessant

Como essa foto foi feita? O faroleiro morreu arrastado pela onda? Eu me fiz essas perguntas na primeira vez em que vi essa impactante imagem em tamanho gigante em um cartaz não sei em qual lugar. Depois voltei a vê-la centenas de vezes em centenas de lugares diferentes, da mesma forma que certamente vocês a viram: é um dos postais mais vendidos em lojas de decoração e lembranças.

E olhe onde fui tropeçar sem querer na história dessa foto e a do faroleiro que a protagoniza, na ilha francesa de Ouessant, no Finisterre da Bretanha.

O farol se chama La Jument e é uma das lanternas de mar mais espetaculares da costa francesa. Está a dois quilômetros da ilha de Ouessant e foi construído entre 1904 e 1911 para sinalizar perigosíssimos escolhos que produziram inumeráveis naufrágios.

A história da foto se passa em 21 de dezembro de 1989. O fotógrafo francês especializado em imagens de faróis Jean Guichard sobrevoava de helicóptero La Jument em um dia de forte temporal buscando a foto perfeita das gigantescas ondas do Atlântico golpeando a estrutura do farol. Dentro, o faroleiro Theophile Malgorn, que na época tinha por volta de 30 anos, escutou as repetidas passagens do helicóptero e pensou que algo anormal estaria acontecendo; talvez o piloto estivesse tentando contatá-lo para avisar de algum naufrágio ou acidente. E em uma ação disparatada abriu a porta para ver o que estava acontecendo.

A ação completa durou apenas alguns segundos. Guichard viu aquele homem na porta e seu instinto de fotógrafo lhe disse que ali estava a composição perfeita: o homem e a força da natureza. Começou a disparar repetidamente sua câmera quase no momento em que uma nova onda gigante começava a abraçar com toneladas de água enraivecida a estrutura do farol. Nesse mesmo instante, o faroleiro Malgorn – na soleira da porta – escutou um trovejar seco, como um estampido brutal (o impacto da onda contra a frente do farol) e soube que havia cometido um tremendo erro. Tão rápido como abriu voltou a fechar a porta, um milésimo de segundo antes que a onda acabasse com ele. Estava vivo por um milagre. Nove imagens ficaram impressas no filme de Guichard – as que o motor da câmera lhe deu tempo de disparar – que o tornariam famoso para toda a vida e com as quais em 1990 obteria o segundo lugar no World Press Photo (o primeiro foi para a célebre foto de um manifestante chinês parando sozinho uma coluna de tanques na praça Tianammen).

O faroleiro Theophile Malgorn continua vivo na ilha de Ouessant e não quer que ninguém volte a lhe perguntar sobre a maldita foto. Pessoas próximas a ele me contam que ficou muito irritado naquele momento pois o colocaram em perigo mortal de maneira irresponsável e além disso por um motivo comercial; ele saiu para ver o que estava acontecendo por profissionalismo e quase perdeu a vida. Mas pouco tempo depois Guichard o visitou em sua casa, lhe presenteou com uma foto autografada daquele “momento decisivo” –como diria Cartier Bresson – e ficaram muito amigos.

O último faroleiro abandonou La Jument em 26 de julho de 1991. Desde então é um farol automático. Theophile agora é controlador do farol de Creac´h, também em Ouessant. Os moradores costumam vê-lo passar com seus cachorros pelo caminho que segue a costa da ilha, com o olhar perdido no mar bravio que choca-se contra essas escarpas, observando a silhueta escura dos faróis nos quais quando jovem passou longos tempos de solidão em um quarto úmido e escuro.

Os faroleiros são (ou eram) pessoas muito especiais. Seres solitários e de poucas palavras, artistas com todo o tempo do mundo para escrever, pintar ou esculpir. Filósofos de uma vida que poucos foram capazes de suportar.

Por isso eles têm dificuldade em adaptar-se a uma vida sedentária, controlando um farol sentados diante de um computador em uma sala asséptica com calefação depois de terem sido os últimos românticos do mar; filósofos solitários que a cada noite acendiam luzes com as quais salvavam vidas de navegantes anônimos que nunca os conheceriam ou teriam ocasião de agradecer-lhes. Como Theophile Malgorn.

(Do http://brasil.elpais.com/brasil/)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

NAUFRAGADOS


Foto Divulgação Santur


Ilustração Andrea Ramos

O Farol de Naufragados está localizado no extremo sul da Ilha de Santa Catarina, em frente ao forte Nossa Senhora da Conceição e da Ilha de Araçatuba. Suas obras foram concluídas no dia 4 de novembro de 1860 e inauguradas no dia 3 de maio de 1861, mais de 300 anos após o naufrágio da nau capitânia Santa Maria de la Concepcion, de Sebastião Caboto. Construído num maciço de 30 metros, totalizando 42,6 metros acima do mar é o mais antigo de Santa Catarina e seu alcance atual é de 18 milhas.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

OLHOS DO MAR

O autor do vídeo é Po Chou Chi, um jovem diretor, natural de Taiwan, radicado em Los Angeles, ele produziu a curta Lighthouse ("Farol") cheio de subtilezas e simbolismos, o filme trata delicadamente da relação entre pai e filho, do crescimento, de amor e respeito. Mostra que o fim também é o começo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O PRIMEIRO FAROL DO MUNDO


O Farol de Alexandria foi construído a mando de Ptolomeu no ano 280 a.C, pelo arquiteto e engenheiro grego Sóstrato de Cnido. Era uma torre de mármore situada na ilha de Faros (por isso, "farol"), próxima ao porto de Alexandria, Egito, no alto da qual ardia uma chama que, através de espelhos, iluminava até 50 km de distância. O efeito era tão grandioso que, segundo relatos da época, era como se um sol brilhasse a noite. Tal imponência o transformou em uma das sete maravilhas do mundo antigo, que por mais de cinco séculos, guiou os navegantes. 

O farol dispunha ainda de engenhos que assinalavam a passagem do sol, a direção do vento e as horas. Estava equipado com sinais de alarme acionados a vapor que se faziam ouvir durante o mau tempo, bem como com um elevador que permitia o acesso ao cimo da torre. Possuía também um periscópio gigante, por meio do qual um vigia podia observar embarcações que se encontrassem para além do horizonte aparente. A obra começou a ruir no século IV, quando terremotos e deslizamentos tragaram boa parte de Alexandria, acabando com o brilho da “cidade dos mil palácios”. Suas ruínas foram encontradas em 1994 por mergulhadores.
A moderna Alexandria
A cidade de Alexandria foi planejada e fundada por Alexandre Magno, no Inverno de 332-331 a.C., no local de uma antiga aldeia de pescadores e pastores (chamada Rhakotis), no mar Mediterrâneo, perto do delta do Nilo. Foi a capital cultural do helenismo por três séculos e a maior cidade comercial do mundo antigo, graças à sua privilegiada localização: na encruzilhada das rotas navais, fluviais e terrestres de tres continentes: Europa, África e Ásia.

domingo, 8 de julho de 2018

OLHOS DO MAR

O Farol de Alexandria (ilustração: revista galileu)

O Farol de Alexandria

Os faróis sempre foram amigos dos navegantes especialmente antigamente quando não havia a tecnologia hoje disponível. Era através deles que os navegadores confirmavam sua posição no mar. Até hoje são indispensáveis à navegação. O mais icônico, e primeiro, é o Farol de Alexandria, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Segundo a wikipedia ” o Farol da Alexandria foi construído pelo Reino Ptolomaico entre 280 e 247 a.C. na cidade de Alexandria, pelo arquiteto grego Sóstrato de Cnido. Ele tinha entre 120 e 137 metros de altura e era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Por muitos séculos foi uma das estruturas mais altas do mundo. Danificado por três terremotos entre os anos de 956 e 1323, tornou-se uma ruína abandonada.
O Farol da Alexandria sobreviveu até a idade média

“Até 1480, era a terceira maravilha antiga sobrevivente (depois do Mausoléu de Helicarnasso e da Grande Pirâmide de Gizé, única que se mantém em pé até os dias de hoje), quando então a última de suas pedras remanescentes foi usada para construir a Cidadela de Qaitbay no mesmo local. Em 1994, arqueólogos franceses descobriram parte dos restos do farol no Porto Oriental de Alexandria. Em 2015, o Ministério de Estado das Antiguidades do Egito planejou transformar as ruínas submersas da antiga Alexandria, incluindo as de Faros, em um museu subaquático. Em maio do mesmo ano, o Comitê Permanente do Egito para Antiguidades anunciou planos de reconstruir o monumento.
Alexandre, O Grande, fundou Alexandria

Ainda segundo o wikipedia, “Faros era uma pequena ilha localizada na margem ocidental do Delta do Nilo. Em 332 a.C., Alexandre fundou a cidade de Alexandria em um istmo oposto aFaros.
Alexandria
Alexandria e Faros foram conectadas depois por um molhe que media mais de 1200 metros e era chamado de Heptastadion .

O Farol de Alexandria (ilustração: pags em branco)


O Farol da Alexandria, fundado no séc. III a.C, tinha alcance de 47 Km!

Depois que Alexandre morreu de uma febre aos 32 anos, o primeiro Ptolomeu (um dos generais de Alexandre) anunciou-se rei em 305 a.C. e comissionou a sua construção pouco depois. O edifício foi terminado durante o reinado de seu filho, o segundo Ptolomeu. Levou doze anos para completar. Judith McKenzie escreve que
…as descrições árabes do farol são notavelmente consistentes, embora tenha sido reparado várias vezes, especialmente após danos causados ​​por terremotos. A altura que dão varia apenas 15%, de 103 a 118 metros, em uma base de cerca de 30 metros quadrados…

O Farol de Alexandria desapareceu 20 anos antes da ‘descoberta’ do Brasil

“O farol foi gravemente danificado por um terremoto de 956 e novamente em 1303 e 1323. Finalmente o restante da estrutura desapareceu em 1480, quando o então Sultão do Egito, Qaitbay , construiu uma fortaleza medieval na plataforma do local do farol usando algumas das pedras caídas”.
Navegadores que provavelmente usaram o Farol de Alexandria

Assírios, e depois os babilônios. Persas, gregos, egípcios e romanos.


O período de apogeu dos fenícios, povo descendente dos cananeus, foi entre 1.200 a.C. até 800 a C. . Localizados numa estreita faixa de terra, pobre, compreendida entre as montanhas do Líbano e o Mediterrâneo Oriental, a sua situação geográfica condicionou a sua principal atividade: o comércio marítimo. A madeira de cedro, existente em abundância nas florestas do Líbano, permitiu-lhes criar uma frota que dominava grande parte do comércio do Medi­terrâneo.
O Farol de Alexandria hoje

Em 1968 o farol foi redescoberto. A UNESCO patrocinou uma expedição para enviar uma equipe de arqueólogos marinhos, liderada por Honor Frost, para o local. Ela confirmou a existência das ruínas que representam parte do farol.


 (Do http://marsemfim.com.br/)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

FAROL DE SANTA MARTA - 126 ANOS


Foto do livro "Fortes e Farois", de Ricardo Siqueira.


Considerado o maior da América Latina e o terceiro maior em alcance visual do mundo (92 km), o Farol de Santa Marta, construído por franceses e inaugurado em 11 de junho em 1891, até hoje mantém parte de seus equipamentos originais. Com 29 metros de altura e altitude de foco de 74 metros, o farol tem torre quadrada em pedra e foi edificado com uma mistura de areia, barro e óleo de baleia, muito utilizado naquela época para grandes construções.

Distante 14 km do centro de Laguna, Santa Catarina, o Farol está localizado no cabo de mesmo nome e tem em suas proximidades 4 maravilhosas praias: Farol, Cardoso, Camacho e Cigana, além de lindas dunas de areia. Mesmo com toda a tecnologia dos instrumentos de navegação atuais, os comandantes só ficam tranquilos quando avistam aqueles lampejos característicos, confirmando a posição secular do farol.

Além de conferir e calibrar os instrumentos de bordo, este farol também avisa sobre a laje da Pedra do Campo Bom, através de um setor que emite luz vermelha. 
Nunca navegue em direção ao facho se este estiver vermelho, com certeza o perigo submerso estará em algum ponto entre você e o farol. A lanterna do farol mede 3 metros de altura e 2,66m de diâmetro. Dali de dentro fica fácil entender como é que os cristais conseguem lançar a luz 46 milhas mar adentro!

terça-feira, 26 de junho de 2018

FAROL DA ILHA DA PAZ




O farol da Ilha da Paz foi construído entre 1905 e 1906 no litoral norte da Ilha, a duas milhas náuticas (cerca de quatro quilômetros) do balneário de Enseada, em São Francisco do Sul, Santa Catarina. São 16 metros de altura, erguidos em rocha bruta, a 70 metros do nível do mar. Ainda utiliza o antigo hexaedro ótico fabricado na França em 1894 e com o tempo em boas condições seu faixo de luz pode ser visto a mais de 42 quilômetros de distância.

A Ilha da Paz é um local paradisíaco, com acesso rigorosamente controlado pela Delegacia da Capitania dos Portos de São Francisco do Sul. Tem 218 mil metros quadrados e uma vegetação exuberante, onde são encontradas diversas espécies de aves e animais. Ruínas em meio à mata e a inscrição entalhada nas rochas "1833 ­ Penixe ­ Abitação da Paz", são provas de antigos habitantes. Na parte baixa da Ilha foram construídas em 1908, cinco moradias germinadas, para os remadores e para o patrão das baleeiras, que periodicamente iam até o continente para buscar víveres e querosene para o farol.


AS MARIAS DO FAROL

Mas talvez o fato mais interessante que envolve a Ilha da Paz e seu farol foi o nascimento, na ilha, das duas filhas do primeiro faroleiro a viver no local, Leovegildo Cézar da Fonseca Ozório. Em homenagem à ilha e ao arquipélago ao qual pertence (Arquipélago das Graças), Leovegildo batizou suas filhas como Maria da Paz e Maria das Graças. Ambas viveram na ilha até os 12 anos de idade, ocasião em que se mudaram para São Francisco do Sul para estudar. As duas formaram-se professoras e por muitos anos transmitiram seus conhecimentos para várias gerações de francisquenses.

Mais sobre o Farol da Ilha da Paz...


Luciano Leal disse...

Me CHAMO LUCIANO e sou filho de um rádio telegrafista que serviu nesta ilha o nome dele era Lucio, nos morávamos em São Francisco do sul na época e passávamos as férias na ilha da paz e tenho boas recordações de lá, se um dia Deus me permitir voltarei naquele lugar muito lindo, hoje tenho 43 anos e MORO em CAICÓ-RN se alguém daquele tempo ler e se lembrar se quiser entre em contato comigo no watsap (84)99962-6120 tenho 2 irmãs que se chamam Edna e Eliana e minha mãe se chama Rita.28 de outubro de 2015 15:48

De um Leitor:

"Olá!
Encontrei este blog por acaso. Gostei dos comentários sobre a Ilha da Paz. Acontece que sou bisneto do primeiro faroleiro Leovegildo Cezar da Fonseca Ozório que lá trabalhou por mais de vinte anos desde a inauguração em 20.08.1905. Em 13.03.2012, meu pai (neto do Sr. Leovegildo) completou 89 anos e como presente de aniversário minha esposa entrou em contato com a Capitania dos Portos de São Francisco do Sul e conseguiu uma licença especial para que levássemos, naquele dia, meu pai à ilha, pois era seu sonho e também de toda a família, ver o local onde nosso avô/bisavô trabalhou/residiu há mais de cem anos. Faltam-me palavras para descrever os momentos na ilha: um misto de beleza, história, imaginação de como era a vida de nosso antepassado naquele paraíso, mas também com muitas dificuldades. Evidentemente não o conheci. Conheci somente uma de suas filhas "Maria da Paz", num leito de hospital, quatro dias antes de falecer. Tivemos uma recepção cinco estrelas em termos de amizade, de carinho por parte dos militares que ora trabalham naquele local. Foram momentos que jamais serão esquecidos."

Gélio Osório Filho-Florianópolis, SC

Rosa, a terceira Maria do farol!
Anônimo disse...

Eu me chamo Rosa maria e, na década de 70 eu morei nesta ilha, na ´´epoca meu marido era faroleiro ,a ilha era muito bonita e os barcos de pesca pescavam perto da ilha,e nos davam muitos peixes .Recordo que havia uma época do ano em que eu ficava aterrorisada com a infestação de aranhas negras ,mas fora isto a vida era tranquila.Gostei de ver a ilha da Paz muito bem preservada e mais bonita.17 de maio de 2011 09:40

ÚÚÚÚ!!!! disse...

Rosa Maria, você então é a terceira Maria do Farol, não? Que bom saber que a Ilha se mantém até mais bonita do que nos idos de 70. Obrigada pelo comentário, volte sempre.17 de maio de 2011 15:01

segunda-feira, 5 de março de 2018

SOLIDÃO E DESESPERO À DERIVA!


Homens que passaram meses à deriva ensinam como enfrentar a solidão, a falta de provisões e o desespero.

 Texto Erica Montenegro

Alain Bombard sempre foi aficionado pelas histórias de vítimas de desastres marítimos – histórias em que o desfecho é muitas vezes o suicídio para evitar a agonia de esperar por socorro. E, exatamente por isso, decidiu virar um náufrago. No dia 22 de outubro de 1952, o médico francês partiu das ilhas Canárias, na costa da Espanha, para passar quantos dias fossem necessários no mar. Seu objetivo era provar que dá para sobreviver no oceano e que as mortes em alto-mar são quase sempre desnecessárias, provocadas mais pela ignorância e pelo desespero do que pela falência física. Depois de 62 dias à deriva, Bombard desembarcou nas ilhas Barbados, no Caribe. Durante a jornada, alimentou-se dos peixes que pescava e do plâncton que coletava (a lancha pneumática que usou estava equipada com varas e redes de pescar). Emagreceu 24 quilos, teve problemas de visão e delírios de consciência. No fim, concluiu que resistir havia sido bem mais difícil do que imaginava: “Quando se está à deriva, a metade do tempo se passa temendo a morte. A outra metade, a desejando.”

Mas não foi só isso que Bombard aprendeu. Sua experiência provou que a vida à deriva é suportável desde que o náufrago se valha dos recursos que o próprio oceano oferece. Ele, por exemplo, livrou-se do escorbuto (carência de vitamina C) da mesma forma que as baleias: comendo plâncton. Seus registros minuciosos foram úteis para dezenas de marinheiros. Até agosto deste ano, quando morreu, Bombard recebia numerosas cartas agradecendo suas dicas.

Como o médico francês, os sobreviventes de naufrágios costumam escrever testemunhos detalhados do que viveram. A Super reuniu as experiências mais impressionantes desses heróis da resistência – homens que tiveram que enfrentar situações tão limites quanto o canibalismo – e conta o que é preciso fazer na metade do tempo em que você estiver lutando contra a morte.

1. Conseguir alimentos

Embora rodeados de água e peixes por todos os lados, matar a sede e a fome são tarefas árduas para náufragos. A água do mar não é adequada para o consumo humano já que o sal altera a composição química do sangue e leva a uma série de problemas físicos – o quadro começa com alterações da consciência e evolui para delírios, convulsões, coma e, finalmente, a morte.

Mas durante sua experiência, Alain Bombard conseguiu driblar a dificuldade usando um expediente comum aos pescadores polinésios: espremer água dos peixes. Embora pouco atrativa, a água retirada da carne dos peixes tem uma concentração de sal baixíssima, bastante semelhante à que está em nosso corpo. Os peixes disponíveis, no entanto, não eram muito numerosos e a quantidade de água espremida era pouca para garantir a sobrevivência de Bombard. Assim, o médico francês decidiu usar o líquido doce para diluir a água do mar e fixou meio litro dessa água diluída por dia como uma quantidade segura para náufragos. Bombard também determinou que essa água deveria ser bebida em pequenas quantidades, continuamente. A teoria do médico era de que, na maior parte das vezes, homens à deriva se abstinham de beber qualquer coisa por muito tempo. Quando, desesperados, recorriam à água do mar, ingeriam uma quantidade muito grande e acabavam causando a inflamação dos rins. A conseqüência, pouco tempo demais, era uma morte bastante dolorosa.

Já os peixes, apesar de abundantes no oceano, nem sempre são fáceis de pegar. Afinal, na maioria das vezes, homens e mulheres atirados ao mar acabam totalmente desprevenidos, sem um anzol ou um canivete que seja. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o marinheiro colombiano Luis Alejandro Velasco em uma noite de fevereiro de 1955.

Uma tormenta, no mar do Caribe, arrancou Velasco do convés do Caldas, navio em que viajava. Por sorte, a ventania também lançou ao mar um bote salva-vidas onde o marinheiro pôde se abrigar. Sem água, comida ou socorro à vista, Velasco comprovou que qualquer coisa mastigável vira um manjar dos deuses quando se está à deriva.

No 6º dos 10 dias que duraram seu infortúnio, estava esfomeado ao ponto de tentar comer a roupa que usava no corpo. “Eu parecia uma fera, tentando despedaçar os sapatos, o cinto e a camisa com os dentes”, contou no livro Relato de um Náufrago, escrito por Gabriel García Márquez. Foi quando achou 3 cartões de visita no bolso da calça e fez deles seu banquete. Apesar de não lá muito nutritiva, a “refeição” lhe deu coragem para continuar lutando por sua vida. “Quando senti aquele montinho de papel molhado chegar ao estômago, percebi que sobreviveria.”

2. Enfrentar um dos maiores tabus da humanidade: canibalismo

Há de se ter em conta que situações extremas requerem medidas extremas. “Resistem os que estão dispostos a fazer qualquer coisa para sobreviver”, diz o jornalista americano Laurence Gonzales, autor de Deep Survival: Who Lives, Who Dies and Why (“Sobrevivência Profunda: Quem Vive, Quem Morre e Por Quê”, sem versão para o português). E quando Gonzales fala qualquer coisa, é literalmente isso que ele quer dizer. Canibalismo, por exemplo, é uma opção real de sobrevivência entre náufragos. Real e recorrente. No mar, o costume de decidir no palitinho quem alimentará os demais é aceito faz tempo e aparece em diversos relatos.

Um dos primeiros casos documentados aconteceu na primeira metade do século 17. Sete marujos ingleses que partiram da ilha de St. Kitts, no Caribe, foram arrastados para o mar aberto. Após 17 dias sem comer um peixe sequer, um dos tripulantes sugeriu que sorteassem quem seria a refeição dos demais. Calhou de a sorte apontar o próprio autor da idéia e, depois de novo sorteio para ver quem o executaria, ele foi morto e comido.

Os sobreviventes do naufrágio do baleeiro Essex, episódio que inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick, passaram pela mesmíssima situação em 1820. Sua história, uma das mais aterradoras do não pouco aterrador gênero “relatos de naufrágio”, tem surpreendentes componentes de ironia. Primeiro porque o navio, que caçava baleias, naufragou tombado justamente por uma delas. Depois porque em vez de seguir para as ilhas Marquesas, que eram o destino mais próximo de onde estavam, os 20 tripulantes preferiram tentar chegar à América do Sul. Optaram pelo caminho mais longo porque supunham que nas Marquesas havia índios antropófagos – ou seja, adeptos de humanos como prato do dia.

Depois de quase 3 meses vagando em pequenos barcos pelo oceano Pacífico, e prestes a morrer de inanição, os marinheiros americanos perceberam que não havia outro jeito de escapar da morte a não ser encarar a realidade e comer um dos companheiros. O premiado com o dever do sacrifício foi Owen Coffin, de 18 anos, que acabou assassinado pelo melhor amigo, Charles Ramsdell, de 16. “O rapaz foi liquidado rapidamente”, lembraria, mais tarde, o capitão do Essex, George Pollard Jr., primo do “almoço”. “E não sobrou nada dele.” Coffin foi só o primeiro.

Quando foram encontrados, 93 dias depois, os 8 sobreviventes do Essex lambiam os ossos dos companheiros e temiam que seus salvadores lhes roubassem a pouca reserva de carne humana de que ainda dispunham. Será que seria exagero dizer que eles se transformaram nos mesmos canibais que tanto medo lhes inspiravam?

3. Acreditar na divina providência

Pesquisador de uma área chamada psicologia da sobrevivência, o britânico John Leach afirma que situações extremas empurram os protagonistas a descobrir dentro de si forças que jamais imaginaram. Isso vale para a disposição de comer carne humana, mas também para a vontade de sobreviver mesmo diante de situações que parecem lhes dizer que não há saída. O que fazer, por exemplo, quando se está em uma nau quebrada, no meio do oceano Atlântico, cercado por piratas sanguinários e acompanhado por 50 almas sedentas e famintas?

Rezar, rezar e rezar, responderia o português Jorge de Albuquerque Coelho, que sobreviveu a este infortúnio em 1565. A maior parte dos relatos sobre esse português – que acabou se tornando donatário da capitania de Pernambuco, no Brasil Colônia – o descrevem como um homem firme, justo e temente a Deus e contam que ele enfrentou o naufrágio da nau Santo Antônio como quem passa por uma provação divina.

Enquanto a desesperançada tripulação corria ao único padre a bordo para a última confissão, Albuquerque Coelho repetia a seus companheiros de tragédia: “Confiemos na misericórdia daquele Senhor cuja bondade é infinita, que se compadecerá de nós e nos livrará deste trabalho. Nunca ninguém pediu misericórdia com pureza de coração que lhe fosse negada.”

Não há como provar que Deus tenha sido mesmo o responsável pelo ocorrido, mas o fato é que 22 dias depois da tormenta que deixou a Santo Antônio “qual um pedaço de pau velho”, o português Albuquerque Coelho desembarcou são e salvo em Portugal. Além dele, havia outros 30 sobreviventes – entre eles, o padre.

4. Apreciar as pequenas coisas

Para combater a loucura provocada pela solidão, o pescador taitiano Tavae Raioaoa aproveitou seu naufrágio, em 2002, no Pacífico, como um momento de pausa na vida para fazer reflexões existenciais. Durante os 118 dias que passou à deriva, em seu barco de pesca, Tavae fez um balanço de sua história pessoal. Ou seja, embarcou em uma espécie de retiro espiritual gratuito – prática pela qual muita gente anda pagando as maiores fortunas hoje em dia.

O balanço lhe deu forças para continuar vivo. “Pessoas que têm compromissos firmes com a vida enxergam tragédias como meros obstáculos a serem ultrapassados”, diz John Leach. Foi exatamente o que salvou Tavae. Ele encarou o naufrágio como uma conseqüência de seu povo ter trocado o mar pelas tentações hedonistas oferecidas pelos colonizadores e resolveu pagar a penitência de cabeça erguida.

A monotonia de não ter nada a fazer a não ser esperar por socorro obrigou Tavae a entrar em contato profundo consigo mesmo e com a natureza que o rodeava. “Cada nascer do dia me dava esperanças”, escreveu no livro Tão longe do Mundo, em que conta sua experiência. O momento mais difícil foi quando acabou o estoque de água doce (ele não conhecia as dicas de Bombard). Estava morrendo quando uma chuva o salvou.

Alternando momentos de sanidade com delírios de consciência, Tavae passava o tempo conversando com os peixes, com Deus, com seu passado e até com as partes de seu corpo. “Eu falava sem parar, negociava comigo mesmo para sentir menos dor.” De volta à terra firme, quase 4 meses depois, o pescador era um outro homem: estava menos amargo e mais sábio.

5. Tirar proveito das companhias

Tubarões são companheiros tão indesejáveis quanto constantes nas viagens sem rumo dos náufragos. E sua presença é quase sempre anúncio de tragédia. Em 1960, quando o navio americano Albatross foi a pique, no Caribe, o capitão e alguns membros da tripulação conseguiram se salvar em botes. Mas o sangue dos feridos atraiu dezenas de tubarões que, excitados pelo cheiro, cercaram as embarcações e tentaram virá-las com seus focinhos. Os homens do Albatross defenderam-se golpeando as feras com remos e, na falta destes, usando os próprios punhos. Foi uma batalha encarniçada em que 4 náufragos acabaram devorados.

Mas há casos em que a presença dos tubarões não é de todo ruim. Durante os dias em que passou no mar, o bote salva-vidas de Luis Alejandro Velasco era cercado por eles pontualmente às 5 da tarde (um dos poucos bens do colombiano durante o tempo à deriva era um relógio de pulso). É claro que Velasco aguardava este momento com extremo pavor, mas, no 7º dia à deriva, ele foi a salvação do marujo. Os predadores involuntariamente colaboraram para a sobrevivência do colombiano ao perseguir um peixe que acabou pulando para dentro do bote dele. Resultado: quem poderia comê-lo, acabou lhe dando comida.

6. Estabelecer rotinas

Em pleno século 20, o americano Steve Callahan cruzava sozinho o Atlântico, quando uma onda gigante empurrou o barco em que estava para o fundo do oceano. Apesar de todo o preparo da embarcação para situações de emergência, Callahan não teve tempo sequer de mandar um SOS. Em 1982, ele se viu tão vulnerável quanto os homens que se perdiam nos mares na época dos descobrimentos. Passou 76 dias à deriva em um bote e, para manter-se firme, resolveu contar com a ajuda de um “capitão” imaginário. O “capitão” dava ordens como pescar, comer, arranjar o que beber, proteger-se do sol e do frio, cuidar da própria segurança e da manutenção do bote. Também dava broncas na “tripulação” quando Callahan se mostrava desanimado. “Eu podia ouvir a voz dele”, declarou em entrevistas, já em terra firme. Com este truque da própria cabeça, Callahan controlou a si mesmo e evitou a pior das agonias dos homens à deriva: a vontade de interromper o sofrimento, afogando-se no mar.

(Da Revista Superinteressante)

sábado, 20 de janeiro de 2018

NA ESQUINA DO CONTINENTE

Fotos Nomar da Luz

FAROL DO CALCANHAR

Situado no município de Touros, à 96 km de Natal, no Rio Grande do Norte, o Farol do Calcanhar ou Farol de Touros é o segundo maior do planeta e está estrategicamente colocado numa região onde o litoral brasileiro faz um ângulo agudo, a chamada "esquina do continente".

Com uma torre troncónica em concreto com quatro longarinas laterais de reforço e lanterna, atualmente possui 65 metros de altura e 298 degraus. Pintado com faixas horizontais brancas e pretas, que durante o dia facilitam a sua visualização, foi construído no ano de 1912, e reconstruído em 1943. Com vários edifícios térreos anexos e construido em uma bela fazenda de 125 mil metros quadrados, o mais alto farol do Brasil só pode ser visitado aos domingos e com autorização especial.

Atualmente três militares da Marinha cuidam da fazenda e fazem sua manutenção, revezando-se em turnos. Geralmente montados em paisagens vagas e desabitadas, faróis, por natureza, jamais podem deixar de ser notados. Mas no caso do Farol de Touros nota-se também a exuberante paisagem do lugar. Em nenhum ponto da costa brasileira pode-se estar tão alto e tão perto do mar ao mesmo tempo. Não se trata de uma paisagem qualquer. O gigante foi fincado na chamada "esquina do Brasil", local exato onde a orla linear que se espraia desde o Rio Grande do Sul dobra subitamente à esquerda, em direção à Amazônia. A partir do farol, nosso litoral deixa de ser leste para ser norte.
Do alto, descortina-se a visão íntegra dessa curva peculiar do mapa nacional: rumo ao sul fica a baía de Touros, repleta de barcos de pesca, com as hélices imensas do novo parque eólico de Rio do Fogo ao fundo. Do outro lado está o cabo de São Miguel do Gostoso, varrido por ventos constantes, pontilhado por velas de kitesurfe.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

FAROL DAS CONCHAS - ILHA DO MEL



Foto Nunsey Diquem
Mandado construir em 1870 pelo Barão de Cotegipe, durante o reinado do imperador D. Pedro II, o Farol, feito de ferro fundido, com uma altura de 18 metros, vindo de Glasgow – Escócia, orienta os navegantes através do seu piscar desde 1º de abril de 1872. Localizado no alto do Morro das Conchas, pode ser avistado de quase todos os pontos da Ilha do Mel, da mesma forma que lá de cima se pode observar quase toda a Ilha e região. Uma escada com quase 140 degraus leva até o alto do morro. Situada na embocadura da Baia de Paranaguá, no estado do Paraná com uma área de 2.700 ha, dos quais apenas 200 têm permissão de uso - o restante é reserva ecológica (tombada pelo Patrimônio Histórico em 1975, é administrada pelo Instituto Ambiental do Paraná desde 1982) a Ilha do Mel possui um restrito programa de manejo.
Não é permitida a
tração animal ou a motor, não existindo ruas, apenas trilhas. Com belíssimas praias, grutas e uma fortaleza construida em 1769, a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres, a Ilha é um dos principais pontos de visitação turística do litoral do Paraná.

O aparecimento de um mapa constante do “Livro de Toda a Costa da Província Santa Cruz”, feito por João Teixeira Albbernas - Anno D. l666 e que se encontra na mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, onde a Ilha já aparece com a denominação de Ilha do Mel, praticamente desvendou o mistério sobre o seu nome. No século passado a Ilha também era conhecida como “Ilha da Baleia”, talvez pelo seu formato.

Várias outras versões circulam no imaginário da ilha para a origem de seu nome: - A existência de uma família de origem alemã que habitava a região da Fortaleza, e onde havia um engenho para produção de farinha de mandioca.



Farinha em alemão, escreve-se “mehl”;
- A cor da água do mar vista do alto do Morro das Conchas
– Farol, principalmente no início da Praia do Farol (Paralelas); 
- A lua-de-mel que os escravos mais fortes desfrutavam com várias negras, onde os mesmos eram deixados na Ilha por vários dias, para a reprodução, no século passado;
- Antes da Segunda Guerra Mundial a ilha era conhecida coma a ilha do Almirante Mehl que se dedicou à apicultura e cuja família lá freqüentava; 
- Marinheiros aposentados viviam na Ilha e dedicaram-se à apicultura, produzindo uma quantidade tamanha que chegaram a exportar o produto até os anos 60;
- A água doce existente na ilha contém mercúrio. Em contato com a água salgada isto causa uma coloração amarela, semelhante à cor de favos de mel; e os índios Carijós que viviam na região e apreciavam muito o mel de abelhas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O OUTRO FAROL DE SANTA MARTA


Foto Stefen de Maddalena
Transformado museu a partir de 2006 o Farol de Santa Marta faz parte do Forte de Santa Marta, cuja construção remonta ao século XVII. O farol foi inaugurado em Março de 1868 e classificado como Imóvel de Interesse Público em 1977, sendo uma referência na sinalização costeira da barra do Tejo, em Cascais, Portugal. No ano passado, a Câmara de Cascais e a Marinha, que ainda hoje apoia a navegação a partir da torre de 20 metros, iniciaram a remodelação do espaço transformando as antigas residências dos faroleiros em um museu, onde são mostrados os seus instrumentos de trabalho e modo de vida. O resultado é um espaço de exposição de peças recuperadas pela Marinha, amplas plataformas com vista para o mar, um centro de documentação e uma cafetaria.

terça-feira, 24 de março de 2015

AINDA TEM VAGA!


Restam 4 vagas para a TRAVESSIA DA MAIOR PRAIA DO MUNDO, também conhecida como 'O Caminho dos Faróis'. Próxima saída dia 25/abril/2015.Um desafio físico e mental de elevação espiritual .Vamos? Mais informações em http://www.roraima-brasil.com.br/…/337-25-04-2015-travessia

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

MAR DE PIRATAS?

Engenheiro foi sequestrado por piratas e escapou por duas vezes. O nigeriano trabalha a bordo de navios há 25 anos.

Nigeriano sequestrado por piratas escapa duas vezes

Em 2010, Kings Nehemiah Okoye foi sequestrado na costa da Nigéria quando trabalhava para a companhia Shell. Quase dois anos depois, foi sequestrado novamente, na costa do Paquistão, por piratas da Somália.

Em depoimento para a rede BBC, o nigeriano conta sua história de sobrevivência. Acompanhe abaixo o depoimento de Kings Okoye.

“Fui atacado pela primeira vez no dia 1º de outubro de 2010. Piratas nigerianos mataram os 16 militares que escoltavam nossa embarcação, subiram no barco, roubaram tudo o que tínhamos e destruíram o que restou.

Eles levaram o navio para a Nigéria e nos levaram para a floresta, onde ficamos durante quatro dias. Eles nos espancaram e fizeram com que deitássemos no chão. Depois, marcharam sobre nossos corpos. Disseram que não tinham vindo para nos matar, apenas para pegar nosso petróleo. Depois de extrair todo o diesel do nosso navio, foram embora. Eu estava livre.

Menos de dois anos mais tarde, fui atacado novamente. Desta voz, por piratas da Somália”.
Sequestro no Paquistão

“Foi no dia 28 de fevereiro de 2012. Eu estava a bordo de um navio-tanque transportando substâncias químicas, a cerca de 150 km da costa do Paquistão.

Foi tudo muito rápido. Eu estava na casa das máquinas quando 12 homens subiram a bordo com uma escada. Atiravam para toda parte e nos obrigaram a levar o navio para a costa da Somália. Levou seis dias.

Assim que chegamos à Somália, os piratas nos pediram para entrar em contato o dono do navio. Começaram as negociações para o pagamento do resgate.

Ficamos presos no barco por mais de um ano. Os piratas tinham um negociador chamado Mursal, que vinha do Quênia para o navio cerca de uma vez por mês. Eu ajudei a negociar em nome da companhia porque o dono do navio era nigeriano.

Pediram US$ 25 milhões, mas o dono do navio disse que não tinha esse dinheiro. No final, acho que acabaram fechando em US$ 1,5 milhão.

Inicialmente, fomos mantidos na ponte de comando, mas após a morte do engenheiro – um nigeriano de quem eu era muito amigo – fomos levados para outra área do navio.

Os piratas eram muito violentos. Às vezes, me amarravam como um cabrito. Às vezes me batiam até eu perder a consciência. “Vamos bater nesse homem porque ele é nigeriano”, diziam. “Se batermos nele, vai contar ao dono do navio e ele vai pagar o resgate”. Eles não batiam nos tripulantes indianos, bengaleses ou paquistaneses.

Trouxeram vários tipos de armas para o navio – um verdadeiro arsenal. Obrigaram-me a soldar algumas das armas na embarcação, atiravam contra qualquer barco que se aproximasse.

Quando faziam isso, ordenavam que fôssemos nos deitar no chão das cabines, para não sermos atingidos por balas perdidas. Quando achavam que outro grupo pirata estava planejando um ataque, ou que havia alguma patrulha naval na área, nos obrigavam a mudar a posição do navio. Fazíamos isso à noite.

Após cerca de dois meses, muitos dos reféns ficaram doentes, então os piratas chamaram um médico. Ele veio de longe. Não sei de que país, mas falava apenas árabe. Nos examinou, deu remédios aos doentes. Me disse que minha pressão estava alta, o que não me surpreendeu.

O médico não foi o único estrangeiro a visitar o navio. A cada dois meses, outros vinham em barcos pequenos, de países árabes, para nos trazer comida. Os piratas disseram que tinham contratos com essas pessoas. Quando recebessem o dinheiro do resgate, pagariam o que deviam.

Comida era um problema para mim. Os piratas não tinham comida nigeriana, só arroz e farinha. Os reféns asiáticos estavam acostumados com essa dieta, mas eu não. Os piratas nos disseram para ser muito, muito cuidadosos com a comida, porque não havia muita. Caso contrário, passaríamos fome”.
Comunicação com a família escondida

“Um tripulante jovem, indiano, foi esperto e conseguiu esconder seu celular dos piratas. Um dia, encontrou um cartão SIM que o cozinheiro pirata tinha perdido. Colocamos o cartão no celular do tripulante e, durante um período, conseguimos nos comunicar com nossas famílias.

Mas foi difícil para mim, porque quando contei à minha esposa o que tinha acontecido, ela ficou doente e teve de ser hospitalizada.

Eu não conseguia pensar normalmente enquanto estava preso. A única coisa que me dava conforto e coragem era minha Bíblia, mas os piratas, que eram muçulmanos, odiavam me ver lendo a Bíblia.

O mesmo acontecia quando eu tentava falar com eles. Não falavam inglês e quando eu dizia “Bom Dia”, achavam que eu os estava insultando, então, decidi me comunicar apenas com gestos da mão.

Tinha sido diferente com os piratas nigerianos porque pelo menos falávamos a mesma língua.

Cheguei a pensar em me matar, em me jogar no mar e morrer afogado.

Às vezes, os piratas me davam a folha com propriedades narcóticas Khat, que eles gostavam de mastigar. Nessas ocasiões eu me esquecia de mim mesmo. Era como se não estivesse mais amarrado, conseguia até rir junto com os piratas.

Às vezes, havia até 60 piratas a bordo daquele navio”.

O dia da liberdade

“O dia em que fui libertado foi maravilhoso. Foi em torno de 9 horas da noite.

‘Podem ligar os motores e partir. Vocês estão livres’, nos disseram. Não podíamos comer de tanta felicidade. Depois de 13 meses de cativeiro, até respirar ao ar livre era difícil.

Quando finalmente cheguei à minha casa em Port Harcourt, na Nigéria, houve uma festa dos sobreviventes. Meus amigos e minha família estavam jubilantes mas eu não conseguia me sentir feliz porque ficava pensando no meu grande amigo, o engenheiro que tinha morrido no navio. Pensava na família dele.

Depois de ser libertado, encontrei um dos piratas no Facebook. Seu nome era Mohamed. Escrevi para ele, aconselhando-o a mudar de vida. Ele nunca respondeu.

Os piratas somalis fazem o que fazem em parte por causa da pobreza em seu país. Mas a pobreza não explica o grau de violência que os sequestradores usaram. É que eles nunca foram à escola, nunca sequer ouviram falar de escolas. Então, eram como animais. Uma pessoa educada seria capaz de se colocar na posição da outra e não agiria da forma como eles agiram. Mas esses piratas não pensavam assim porque vêm lutando há gerações.

Não consegui trabalho desde que fui libertado, em março de 2014. Tenho 14 meses de salário para receber mas o dono do navio não pagou o que me deve. Indenização? Nem se fale. Está difícil de sobreviver. Minha família quer que eu deixe de ir para o mar mas estou procurando trabalho como engenheiro marítimo. Eu gosto de trabalhar no mar, não consigo evitar.”

( Do Mar Sem Fim)