quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

JACK O MARUJO

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- O sr fala sozinho, capitão?
- Sim, mas raramente me escuto, disse Jack o Marujo.

REUNIÃO DE PAUTA

Foto Fernando Alexandre
Os trabalhos começam cedo no Pantusuli! 

CEMITÉRIO DE NAVIOS

Ilustração do naufrágio/autor desconhecido

Há 174 anos, no dia 15 de julho de 1839, o lendário Giuseppe Garibaldi naufragava com sua Nau Capitânea "Farropilha" em Araranguá, litoral de Santa Catarina. Forte chuvas caíram e um temporal surpreendeu o Farroupilha na traiçoeira costa, nas proximidades da foz do rio Mampituba, região respeitada e conhecida como "cemitério de navios". Garibaldi, após tentar ajudar seus companheiros, salvou-se nadando até a praia. No desastre morreram 14 dos tripulantes da nau, entre eles os italianos e amigos de Garibaldi Eduardo Mutru, Luigi Carniglia, Luigi Staderini, Navona e Giovanni.

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre

DE SOSLAIO...

Foto Fernando Alexandre


BOTANDO MAIS FOGO...


Foto Fernando Alexandre

Que o tinto tinja
tudo que tiver de tingir
Que o branco lave
tudo que tiver de lavar


(Fernando Alexandre)

TUDO

 

Fernando Alexandre e Andrea Ramos

DEPOIS DA CHUVA

Foto Fernando Alexandre
Pântano do Sul no fim-de-tarde...

TARDE INDO...

Foto Fernando Alexandre

Noite sendo...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

MAR DE POETA

Foto Andrea Ramos
vai passar
       ouça
             o murmúrio do mar

(Ademir Assunção - em "até nenhum lugar" - Editora Patuá)

MULHERES DO MAR

Pescadora de Quissamã atua em toda a cadeia produtiva da pesca 
(Foto: Sintyque Lemos de Moraes Servulo)

Mulheres na pesca: um cotidiano de desigualdade e ausência do Estado

Em parceria com a FAPUR, pesquisa investiga conflitos socioambientais vividos por pescadoras artesanais

Por Victor Ohana, da FAPUR

Mulheres pobres, com pouca ou nenhuma formação escolar, afastadas dos centros urbanos, chefas de família. Esse é o perfil geral de grande parte das pescadoras artesanais que moram nos municípios das baixadas litorâneas e do norte do Estado do Rio de Janeiro: Arraial do Cabo, São Francisco de Itabapoana, Campos dos Goytacazes, São João da Barra, Macaé, Quissamã e Cabo Frio. A realidade dessas mulheres é tão complexa que virou tema de uma pesquisa liderada pela professora Sílvia Alicia Martinez, da Universidade Estadual Norte Fluminense (UENF). Seu estudo teve início em abril de 2017, em parceria com a FAPUR.

A ideia do projeto é entender os principais conflitos socioambientais vividos pelas mulheres das comunidades pesqueiras desses sete municípios. A partir disso, a equipe da professora está elaborando um mapa, identificando esses conflitos e disponibilizando dados e análises de cada caso. Perceber a realidade dessas pescadoras é importante porque, segundo Martinez, elas vivem consequências diretas dos problemas ambientais. Além disso, sobrevivem com a baixa renda, a dupla jornada, no trabalho e em casa, e ainda enfrentam desigualdades no próprio ofício. Isso porque, segundo a professora, as mulheres sofrem invisibilidade em seu espaço de trabalho e são prejudicadas até na sua documentação.

A partir de dados do questionário Pescarte, realizado por pesquisadores da UENF entre 2014 e 2016, observou-se que, das 317 mulheres entrevistadas nos sete municípios, apenas 61,2% possuem a Carteira Profissional da Pesca, enquanto 95% dos 1889 homens entrevistados têm o documento.

“A pesca é uma atividade atribuída tradicionalmente aos homens, fato que acabou tendo seu impacto na invisibilidade do trabalho feminino, seja no âmbito da sociedade, da própria profissão e dos estudos acadêmicos”, relata Martinez. “Por isso, o que pode ser observado é que as mulheres participam da pesca artesanal como um todo, mas não se reconhecem como pescadoras e muitas vezes não são reconhecidas pelos outros. Isso acaba impedindo, por exemplo, a elas obterem o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), o qual dá acesso a benefícios sociais, como seguro defeso, microcrédito e assistência social”, explica.

A pesquisadora aponta que outro problema é a falta de dados oficiais e de pesquisas científicas que demonstrem a real participação das mulheres na produção pesqueira no país, o que reforça a invisibilidade dessas mulheres.

“É fato constatado que a chamada ‘invisibilidade’ refere-se ao tradicional ocultamento ou omissão da participação da mulher enquanto ator produtivo do mundo da pesca artesanal. Isso se evidencia na falta de reconhecimento da sua presença nos dados oficiais, no imaginário construído e representado do setor e na maioria das pesquisas acadêmicas. De uma forma geral, essas trabalhadoras estão socialmente ausentes dos registros formais”, justifica.

Pescadora de Cabo Frio atua na captura do camarão; parte das trabalhadoras não possui registro do Estado
 (Foto: Sintyque Lemos de Moraes Servulo)


MAIORIA DAS ENTREVISTADAS CONTRIBUI COM METADE DA RENDA FAMILIAR

O estudo é liderado por Martinez e envolve 18 pesquisadores: seis professores da UENF, dois da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), além de três doutores e alunos de doutorado, mestrado e graduação. O primeiro passo foi realizar uma revisão bibliográfica sobre temas como gênero, conflitos socioambientais e atividade pesqueira. Em seguida, o grupo organizou o Seminário Mulheres na Atividade Pesqueira no Brasil, que promoveu a troca de experiências entre pesquisadoras de todo o país. Nessa fase, o conjunto também desenvolveu workshops sobre o tema. Essa etapa serviu para se observar características gerais das pescadoras no Brasil, o que auxiliou na análise das mulheres estudadas nos municípios selecionados.

“A literatura aponta várias questões que contribuem para tornar a situação das mulheres pescadoras mais complexas: elas, geralmente, estão afastadas dos grandes centros urbanos; possuem pouca ou nenhuma escolaridade; são pobres; são chefas de famílias monoparentais; estão inseridas em uma atividade que é também pouco valorizada socialmente, e caracterizada como atividade masculina”, descreve Martinez. “Em consequência de sua condição subalterna e periférica, estas mulheres também têm pouco acesso à saúde e são, em muitos casos, submetidas a situações de violência doméstica, geralmente provocadas por alcoolismo”, complementa.

Na análise inicial da pesquisa, foram utilizados dados quantitativos como o questionário Pescarte e o Censo de IBGE de 2010. Até agora, o que se identificou com a pesquisa foi o perfil geral dessas mulheres. Segundo os dados já apurados, o rendimento do trabalho feminino é decisivo no orçamento familiar: 62% das mulheres entrevistadas afirmaram contribuir com pelo menos metade na renda em casa. Apesar disso, Martinez afirma que as pescadoras não são enxergadas pela sociedade nem pelo Estado.

“Há também a exclusão por parte do setor governamental, no que concerne a falta de reconhecimento de direitos dessas trabalhadoras e, em alguns casos, de seus territórios de trabalho. Essas determinações atingem várias trabalhadoras do setor, em diversas comunidades tradicionais de pesca pelo Brasil. Essa situação se agrava se as pescadoras são negras e quilombolas”, afirma.

Após o término das análises das entrevistas com as pescadoras, a pesquisadora pretende filmá-las para inserir imagens no mapa a ser disponibilizado.

Além da pesca, mulheres também atuam na limpeza dos peixes
 (Crédito: Syntique Lemos de Moraes Servulo)

LUTA CONTRA DESIGUALDADE RETROCEDE NO ÂMBITO POLÍTICO, DIZ MARTINEZ

Para a pesquisadora, a desigualdade entre homens e mulheres ainda está muito presente na realidade brasileira. Martinez explica que o topo do mercado de trabalho é ocupado por homens brancos, e a base, pelas mulheres negras. Além disso, em termos gerais, mulheres ainda recebem menos do que os homens e trabalham mais. Mas o pior de tudo é que, segundo ela, a pauta só vem retrocedendo na política.

“No último ano, principalmente, vimos um grande retrocesso na condução dessa pauta no âmbito político, como se observa por exemplo na composição dos ministérios do governo federal”, analisa. “Há uma situação alarmante também na ínfima representação política das mulheres, como no senado e na Câmara”, complementa.

A pesquisadora critica medidas como a reforma da previdência e a redução de programas sociais, como o Bolsa Família.

“Há que avançar muito ainda para que as opções na vida das mulheres não estejam limitadas por estereótipos de gênero, estigmas e violência. E para isso um ambiente macroeconômico favorável é fundamental. Na reforma da previdência em pauta, os analistas também preveem que venha prejudicar mais amplamente as mulheres. Por outro lado, a diminuição de programas sociais, como o Bolsa Família, que possibilitaram que famílias saíssem da pobreza extrema e favoreceram a entrada da mulher no mercado de trabalho ativo, vai causar consequências nefastas para a sociedade e principalmente para as mulheres”, acusa Martinez.

FAPUR FOI FUNDAMENTAL PARA DESENVOLVIMENTO DO PROJETO, AFIRMA PESQUISADORA

A FAPUR colaborou com a pesquisa oferecendo assistência administrativa. De acordo com a professora, a participação da Fundação foi essencial.

“A FAPUR foi uma parceira de fundamental importância para o desenvolvimento do projeto desde o primeiro momento, já que no edital do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) as universidades públicas não podiam concorrer. A Fundação, além de ser a administradora das verbas da pesquisa, foi sensível ao nosso apelo para submetermos o projeto e estabelecermos a parceria, apesar de não sermos professores da UFRRJ”, conta ela.

Martinez opina que apoiar projetos que discutam a desigualdade de gênero no Brasil é uma grande colaboração para a sociedade.

“O apoio a projetos que abordem essa problemática de gênero, aliada à de classe, etnicidade e raça, com certeza ajudará a dar visibilidade a questões históricas que estão naturalizadas na sociedade e, por serem vistas como naturais, não são combatidas”, finaliza.

(Do http://pesquisarural.fapur.org.br/)

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

MAR DE HASSIS

Hassis - Hiedy de Assis Corrêa ( Curitiba, 27/7/1926 - Ilha de Santa Catarina, 20/1/2001)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

A FESTA

Ilustração Andrea Ramos
A FESTA

     Inácia olhava o mundo através de uns olhos verdes claros. A menina as vezes via peixinhos  nele, outras vezes via  nuvens cinzentas que desaguavam em tempestade. Mas  normalmente a mãe  era alegre.Cantava quando estendia roupa lá fora e quando cuidava, com  carinho, do seu canteiro de ervas, que  a  menina chamava de plantinhas mágicas, pois acabava com qualquer tipo de dor.
       Todo final de tarde, quando o por do sol deixava o mundo cor de rosa, as duas sentavam-se junto à janela.  E os que passavam por lá,  paravam e contavam  histórias. Naquela semana  foi grande o movimento na janela  da casinha que ficava a beira do caminho. Uns voltando da lida no mar, outros  da terra. Todos contentes, envolvidos com os preparativos da Festa..
          
Na segunda feira passou Josino, puxando o cavalo preto que trazia no lombo suado dois  cerões cheios de cimento,  pra terminar o piso do salão pro dia da Festa. Contou que  eram tantos os peixes na rede, que a praia estava todinha  prateada. Deu uns mariscos   pra mãe cozinhar, cascar e comer com farinha. Perguntou se tinham visto o seu Quiqui, da rabeca. Disse que estava  preocupado pois a  garganta  doía e  não ia poder cantar na Festa. Daí a mãe deu  um pedacinho de gengibre pra ele fazer gargarejo antes de dormir.
      
Na terça-feira  passou  seu João, carregando cipó nas costas, pra fazer o balaio  pra guardar as massas do leilão pro  dia da Festa. Contou que já tinha socado a farinha e o amendoim no pilão,  pra Dona Hilda fazer a pijajica que todo mundo adorava. Deu umas pedrinhas pra menina colocar no chão da casa de bonecas. Perguntou se tinham visto passar Darci, do violão. Disse que estava preocupado pois a mulher  andava com as dores do reumatismo e não ia poder  dançar na Festa. Daí a mãe deu um punhadinho de  Erva baleeira pra ela fazer chá e tomar antes de dormir.
       
Na quarta-feira passou Tina, trazendo a sacola cheia de flores e bandeirolas pra enfeitar a Santa Cruz  pra novena, no dia da Festa. Contou que tinha uma  cachapa  de marimbondo tão grande  no pé de bergamota que a criançada tinha que tomar cuidado pra não ficar de cara inchada. Deu um carretel de linha branca pra mãe terminar as toalhinhas de renda de bilro estreladas .  Perguntou se tinham visto passar o Pedroca, da gaita. Disse que estava preocupada pois  a filha tinha começo de gripe e    não ia poder  vir pra Festa. Daí a mãe deu um punhadinho de Melissa pra ela fazer chá e tomar antes de dormir.
        
Na quinta-feira passou Nestor, indo buscar lenha pra fazer o fogo pra assar as tainhas, no dia da Festa. Contou que  o gambá safado,  tinha arrebentado a armadilha que ele armara no telhado.  Deu uns galhos de guarapuvu pra menina fazer a cerca de sua casinha de bonecas.   Perguntou se tinham visto passar O Rodolfo, que cantava.  Disse que estava preocupado pois  andava muito ciumento de Rosinha e podia arrumar briga na festa. Daí a  mãe deu um punhadinho de erva-cidreira pra ele fazer chá e tomar antes de  dormir.
      
Na sexta-feira passou Miroslau, carregando os bambus  pra fazer as tochas pra iluminar  todo o lugar, no dia da Festa. Contou que tinha ouvido no rádio que sábado ia dar tempo bom, com noite clara de lua cheia. Deu um marimbau  que ele tinha acabado de pescar pra mãe fritar na panela.  Perguntou se tinham visto passar o Armindo, da viola. Disse que estava preocupado pois  a acidez e o mal estar  não passavam e  não ia poder aproveitar as comilanças da festa. Daí a  mãe deu um bocadinho de boldo pra ele fazer chá e tomar antes de dormir.
       
No sábado passaram  Quiqui da rabeca, Darci do violão, Pedroca da gaita, Rodolfo que cantava e Armindo da viola. Contaram que  estava vindo gente de todos os lados, pra Festa. Deram um beijo na menina que tinha os cabelos cheirando a marcela. Perguntaram se alguém tinha procurado por eles. Disseram que estavam preocupados pois podiam  não tocar bem na Festa. Daí a  mãe deu um galinho de arruda pra cada um botar atrás da orelha. Então as duas  tomaram banho com água de alecrim, escovaram bem os cabelos, puseram seus vestidos  coloridos e calçaram seus sapatos brancos. Fecharam a janela e foram pra Festa!

(Conto inédito de Andrea Ramos)

NO CARNAVAL

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no carnaval

transito de arlequim
triste / sorridente

a máscara do amor
tem a cor da véspera


TEMPOS DE LULA


Feijoada de lulas - chef sá pessoa

Ingredientes

800 gr de Lulas
600 gr de Feijão Branco
3 Cebolas pequenas
2 dentes de Alho picados
2 Folhas de Louro
1/2 Chouriço vermelho cortado em fatias finas
1 colher (sopa) de talos de Coentros
1/2 copo de Vinho Branco
1 Lata grande de Tomate triturado
Sal q.b.
Azeite q.b.

Preparação

PASSO 1
Coloque o feijão em água durante 24horas. Escorra e coza-o em água com uma cebola cortada em pedaços grandes e sal. Volte a escorrer o feijão e reserve.

PASSO 2
Comece por refogar duas cebolas e dois dentes de alho picados numa boa quantidade de azeite. Junte duas folhas de louro, o chouriço cortado em fatias finas e os talos de coentros. Baixe o lume e deixe a cebola refogar durante quatro minutos.

PASSO 3
Retire o interior, as partes mais rijas e a pele da lula. Corte as lulas às rodelas, junte-as ao refogado e tempere com sal.

PASSO 4
Adicione meio copo de vinho branco e deixe evaporar rapidamente. Deite, por fim, uma lata grande de tomate triturado.

PASSO 5
Junte o feijão ao guisado, baixe o lume e deixe o sabor apurar durante 45 minutos. No final, junte coentros.

PASSO 6

[Sugestão do Chef]

Sirva a feijoada acompanhada de arroz branco.

(Do https://pt.petitchef.com/receitas/prato-principal/)

BÁSICO E CLASSICO

Foto Fernando Alexandre
Pântano do Sul

SUL REAL


Ernesto Meyer Filho (Itajaí, 1919 — Florianópolis, 1991)

PREVISÃO DOS VENTOS



Foto Fernando Alexandre 
Urubú voando em circulo
Dando volta pra direita
É vento sul a espreita

(Dito popular registrado na ilha por A. Seixas Neto no século passado)

BRANCO & PRETO

Foto Fernando Alexandre

MAR DE POETA


molhadas de chuva
as folhas rebrilham
as luzes da vila
***
(Oshima Ryota 1707-1787)
tradução: rodrigo garcia lopes

CARNAVAIS, OUTROS...

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Carnavais, outros...

PREVISÃO DAS MARÉS

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

NA LIDA...

Foto Fernando Alexandre

CARNAVAIS, OUTROS...

Final dos anos 90 no famoso Carnaval do Mar, 
no Pântano do Sul.
Cartaz de Andrea Ramos.

MAR DE POETA


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Imagem sem crédito
Pescaria

Cesto de peixes no chão.
Cheio de peixes, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.

Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.

As mãos do mar vêm e vão,
as mãos do mar pela areia
onde os peixes estão.

As mãos do mar vêm e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.

Por isso chora, na areia,
a espuma da maré cheia.

(Cecília Meireles)

(De "Ou isto ou aquilo", Editora Nova Fronteira, 1990 - Rio de Janeiro, Brasil.)

DIZEM QUE...


"Quando a lestada garra de tirá água do mari e a despejá em riba dos hômi, o sino vai tocá pruquê genti vai morrê"
(Sabedoria praieira)

MAR DO ORLANDO AZEVEDO


DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

TÁS TOLA?

Ilustração de Andrea Ramos para o "Dicionário da Ilha - Falar & Falares da Ilha de Santa Catarina", de Fernando Alexandre (Cobra Coralina Edições).

MAR DE POETA


Foto Fernando Alexandre

ventos de outono
na madrugada
acordam meu sono
(Fernando Alexandre)

CARNAVAIS, OUTROS...

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Em 1920! Sera?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

TEM CAMARÃO NO VERÃO


Deliciosa Receita de Salada com camarão e molho de iogurte

Ingredientes
Número de doses: 6
Para o molho de iogurte:
1 dente de alho pequeno amassado
⅓ de xícara de iogurte natural
3 colheres de sopa de azeite de oliva
sal e pimenta a gosto
manjericão e salsinha picada a gosto

Para a salada:
folhas verdes
1 tomate cortado em gomos
6 aspargos
1 ovo cozido cortado em 4 pedaços
1/2 pepino japonês fatiado
4 rabanetes cortados em fatias
camarão (quantidade a gosto)
manteiga
sal e pimenta a gosto

Preparação
Passos para o molho:
Misture todos os ingredientes para o molho e reserve.

Passos para a salada:
Cozinhe os aspargos em água e sal por uns 2-3 minutos. Refogue o camarão na manteiga até estar cozido e tempere com sal e pimenta. Coloque as folhas em um prato. Arranje os aspargos, os tomates, os ovos, as fatias de pepino e de rabanete. Por último arrume o camarão no centro da salada e salpique com o molho de iogurte (a quantidade desejada).



MAR - CAIS


Incenso aceso
Olho o mundo
Mudo de senso
(Fernando Alexandre - inverno 89)

OURIÇOS NA MESA


OURIÇOS-DO-MAR: O CAVIAR JAGOZ

Texto & Fotografia: Ricardo Miguel Vieira

A Ericeira, outrora conhecida por Ouriceira, esconde debaixo dos seus mares um dos mantos rochosos portugueses mais povoados por ouriços-do-mar. O nome da vila não surgiu por acaso e, num qualquer dia de mar cristalino e sem vento na costa jagoz, é possível observar a olho-nu as colónias espinhosas, escuras e preguiçosas, incrustadas nas praias litorais. Há pelo menos três gerações que os nativos se dedicam à apanha deste animal e o consomem, cru ou cozinhado, enquanto se deixam envolver num recheado marítimo que apela ao olfacto e ao paladar. Poucos são os portugueses que conhecem esta realidade, mas isso está a mudar graças ao aparecimento de negócios regionais dedicados à produção e comercialização de ouriços-do-mar, o “caviar jagoz”.

Através de uma história divulgada pelo jornal Público, escrita por Alexandra Prado Coelho, fomos conhecer a Urchinland (“Terra dos Ouriços”), uma empresa ericeirense dedicada à produção massificada de ouriços-do-mar em cativeiro para posterior venda aos restaurantes. Fundada há cerca de ano e meio pelo empresário jagoz Luís Inácio, 39 anos, e a bióloga marinha Patrícia Mega Lopes, 28 anos, nasceu com o objectivo de reavivar uma tradição das famílias da vila e de potencializar um ex-líbris da região. “Queremos trazer produtos antigos da Ericeira até aos dias de hoje e rentabilizar uma iguaria que já foi muito consumida pelos nossos pais e avós”, expressa Luís Inácio, Gestor de Marketing de formação.

A aposta empresarial passa não só pela distribuição pelos restaurantes nacionais, mas também pela exportação para mercados como o italiano, francês e o japonês. Principalmente este último. No Japão, o ouriço-do-mar é utilizado como iguaria de excelência nas confecções de sushi, daí que aquele país importe cerca de 97% dos ouriços mundialmente comercializados. E o animal que se encontra nas encostas da Ericeira é especial: pertence à espécie Paracentrotus Lividus, a mais rica e intensa em sabor, o que a torna mais apetecida pelos verdadeiros apreciadores da iguaria, que atinge valores de distribuição superiores a 60 euros por quilo. Porém, para que o negócio arranque sem entraves, ainda é preciso ultrapassar as barreiras burocráticas derivadas da legislação da aquacultura em Portugal.


NAS CATACUMBAS DAS FURNAS

Por estes dias, a produção em cativeiro da Urchinland passa pelos antigos viveiros da Ericeira, localizados nas Furnas, por cedência das autarquias da Ericeira e Mafra. Em meados de 1670, na frescura da independência portuguesa face ao reinado Filipino, foi ali construído um Forte que ligava às Furnas, o tapete rochoso onde se encontram os viveiros outrora utilizados pelas fábricas de conservas e, mais tarde, já no século XX, pelos restaurantes da vila, como dispensa de marisco, descreve a tese de mestrado de Patrícia Mega Lopes. É um espaço escuro, húmido, tracejado por muros de pedra que separam pequenos cubículos de água e que recebe em plenitude os desaguares do Atlântico, permitindo às dezenas de ouriços ali presentes sobreviver em ambiente natural.

Porém, a derradeira missão da Urchinland é a produção in-vitro. “O que pretendemos é produzi-los em massa em cativeiro, de forma sustentável, ou seja, sem retirá-los do mar”, explica Luís Inácio. E como é que se procede a reprodução artificial destes animais? “Ao olho comum, não conseguimos distinguir um macho de uma fémea”, começa por dizer Patrícia Mega Lopes. “Só abrindo o ouriço, ou por outros métodos científicos, o conseguimos saber. O que fazemos é injectar um produto no ouriço de forma a libertar os seus gâmetas (fluidos sexuais), sejam masculinos ou femininos, e aí conseguimos perceber em que ouriço estamos a pegar. Depois recolhemos esse líquido e, através de um microscópio e utensílios científicos, juntamo-los, dando azo a uma larva aquática que se tornará em ouriço.” Posteriormente, são repostos no seu habitat natural, onde se fixam nas paredes, crescendo e desenvolvendo as suas gónadas, ou ovas, o órgão sexual alaranjado de intenso sabor a mar que chega aos pratos dos consumidores.


DA MESA À MEDICINA

A confecção dos ouriços-do-mar, embora escassa, é uma realidade em alguns restaurantes da Ericeira desde há alguns anos. É o exemplo do Restaurante Sul, no Parque de Santa Marta, que cria pratos com a iguaria há coisa de uma década. “Quando éramos miúdos apanhávamos ouriços e comíamos na praia e um dia lembrámo-nos de fazer uma açorda com ouriços-do-mar. Hoje já não fazemos açorda, fazemos risotto de ouriço-do-mar com camarão tigre”, conta João Paulo Rodrigues, jagoz de 42 anos que é gerente e cozinheiro do estabelecimento. “Há muita gente que vem de fora [para comer ouriços-do-mar]. Agora tenho umas 30 pessoas em lista de espera. Quando for aos ouriços, telefono-lhes e eles marcam e vêm”, confessa, justificando que a apanha dos ouriços depende das condições do mar e da própria época, sendo que a maturação costuma ocorrer entre Abril e Outubro.

O Uni Sushi é outro dos restaurantes da vila que confecciona com regularidade o caviar jagoz. O próprio nome do estabelecimento – “uni” significa ouriço em japonês – não deixa dúvidas. “Os ouriços têm um um sabor intenso a mar que realça muito os pratos”, aponta João Patrocínio, 39 anos, gerente do restaurante com três anos de existência. Os aficionados de sushi adoram as ovas, até porque não se encontram em qualquer sítio.” O empresário conta que os ouriços lhe chegam por via de pescadores da terra, apanha pessoal ou, por vezes, importação.

Para além de ser uma iguaria gastronómica, os ouriços-do-mar têm ainda outras aplicações, como é o caso da medicina, o que estende as potencialidades económicas da produção e comercialização do animal. Em 2012, a investigadora Ana Ribeiro, da Universidade do Porto, venceu o Prémio Pulido Valente Ciência e o galardão francês Daniel Jouvenance pelo trabalho científico em torno da regeneração de tecidos humanos utilizando ouriços-do-mar. Uma razão a acrescentar à aposta empresarial nos ouriços-do-mar. “O que acontece é que não estamos a aproveitar os nossos recursos naturais. Estamos a dar a nossa parte a outros países quando nós poderíamos fazer essa mesma produção”, diz Luís Inácio, referindo-se ao facto de Espanha produzir e comercializar conservas há largos anos, exportando mesmo para Portugal.


BARREIRA BUROCRÁTICA

Só que a venda e distribuição em Portugal esbarra nos compromissos burocráticos, de onde advêm logo dois problemas: a desregulação da apanha de ouriços-do-mar que, segundo conversas de pescadores, estão a desaparecer a elevado ritmo da costa ericeirense; e a própria legislação da aquacultura.

No primeiro caso, há visões distantes. Por um lado, Patrícia Mega Lopes aponta a falta de controlo na apanha dos ouriços-do-mar como o principal factor para o desaparecimento da espécie na Ericeira. “Razões [para a escassez de ouriços] só mesmo a apanha ou, em certos locais, a poluição. Mas é mais por estes elementos e não por estarem a morrer”, constata a bióloga marinha. Já João Paulo Rodrigues discorda da justificação. “Há tanto ouriço e tão pouca gente a aproveitá-lo que essas questões ambientais nem se levantam. Antigamente apanhava-se muito mais, até porque as pessoas eram pobres”, diz o gerente do Restaurante Sul que, por norma, faz a apanha dos ouriços que confecciona no restaurante.

No que toca à aquacultura, o problema é mesmo a nível nacional. “O que costumo dizer é que as entidades oficiais que regulam a aquacultura em Portugal, como o PROMAR, têm de ser uns facilitadores dos processos e não uns entraves na aprovação de papéis e licenças. Por exemplo, para fazer uma recolha de água salgada directa para um laboratório não é fácil, é muito burocrático. Se não tiveres essas licenças aprovadas pelas entidades, a comercialização é mais difícil”, esclarece Luís Inácio, prevendo um prazo de cerca de três anos até ter toda a situação regularizada.

Apesar dos bloqueios, a Urchinland acredita que o negócio tem pernas para andar. Para além dos contactos em França, Itália e Japão, há pelo menos dois investidores portugueses interessados em apostar nos ouriços-do-mar. Para a expansão da Urchinland, Luís Inácio e Patrícia Mega Lopes contam com o apoio do empresário Nuno Nobre, a figura por detrás do projecto Endògenos, que se dedica à revitalização dos produtos endógenos nacionais e os leva de volta à mesa dos portugueses. Nuno Nobre tomou contacto com o trabalho dos dois empreendedores e os três estão a desenvolver esforços comuns para que os ouriços-do-mar se tornem numa bandeira da região. “Faz todo o sentido [a empresa] ser aqui na Ericeira. Pelo nome, antepassados, historial. Tenho a certeza que se fôssemos para outro local, que nos abririam portas, mas nós até nem temos essa opção”, remata Patrícia Mega Lopes.

Por enquanto, está nos planos uma Festa do Ouriço-do-Mar para o próximo ano, segundo anunciou Nuno Nobre ao diário Público, e estão previstas visitas guiadas aos viveiros da Ericeira e eventos de degustação. Para Luís Inácio, tudo passa por dar a conhecer a vila e o caviar da Ericeira. “Vai ser mais um produto que podemos oferecer ao turismo nacional e internacional, que os restaurantes vão poder servir ao seu público. É uma iguaria excelente.”

(Do http://www.ericeiramag.pt/)

OS RIOS E O MAR

Foto Pablito Dutra
"Não havia água na terra dos chocoes. Deus soube que a formiga tinha água e pediu-lhe. A formiga não quis escutá-lo. Deus apertou sua cintura, que ficou fininha para sempre, e a formiga esguichou a água que guardava na boca.
- Agora me dirás de onde a tiraste.
A formiga conduziu Deus até uma árvore que não tinha nada de excepcional.
Quatro dias e quatro noites ficaram trabalhando as rãs e os homens, a golpes de machado, mas a árvore não terminava de cair. Um cipó impedia que tocasse a terra.
Deus ordenou ao tucano:
- Corte-o.
O tucano não conseguiu, e por isso foi condenado a comer frutas inteiras.
A arara cortou o cipó, com seu bico duro e afiado.
Quando a árvore da água caiu, do tronco saiu o mar e dos galhos, os rios.
Toda a água era doce. Foi o diabo quem andou jogando punhados de sal nela."



(Eduardo Galeano, em “Os Nascimentos”  - "Memória do Fogo" - Vol. 1 - L&PM Editores - 1996))

ACORDANDO

Foto Fernando Alexandre