sábado, 29 de junho de 2019

NA MESA

Foto Divulgação
CROQUETE DE PEIXE

Ingredientes

- 1/2 quilo de filé de peixe (o da epoca)
- 1 xícara de leite
- 1 colher (sopa) de trigo
- 1 colher (sopa) de margarina
- 1 colher de sopa de cebola picada
- Salsa, farinha de pão, ovos, alho, pimenta-do-reiro, sal e limão

Maneira de preparar

Tempere os filés de peixe com alho, pimenta, sal e limão.
Leve ao fogo uma panela com óleo. Quando o óleo estiver quente, junte a cebola e refogue até ficar tostada. Misture o peixe e deixe cozinhar em fogo brando. Quando o peixe estiver cozido, esmigalhe com um garfo e acrescente a farinha dissolvida no leite e mexa até cozinhar a farinha. Tire do fogo e deixe esfriar. Faça os croquetes e passe na farinha de pão, em ovo batido e novamente na farinha de pão. Frite em óleo quente e enfeite com a salsa.

(Receita de Zilda Alexandre Pereira, de Porto Belo, publicado em "Cozinha Pesqueira Catarinense" - Edição ACARPESC - 1990)

DA JANELA DO MEU BLOG!

Foto Fernando Alexandre
Com a permissão do Sérgio Rubim, o Canga, pelo título!

MAR DE POETA


Poema de Paulo Leminski e desenho de João Joao Virmond Suplicy.

NAVEGANDO EM CABO VERDE


NOTURNA


As luzes do Pântano do Sul, a vila de pescadores mais austral da Ilha de Santa Catarina.

MANÉ-CAIS

Foto Alcides Dutra
Bucicas no cio
lua cheia reinando
no meio da minha cozinha

(Fernando Alexandre)

sexta-feira, 28 de junho de 2019

MANEMÓRIAS

Itaguaçu - Anos 50
No tempo em que ainda se discutia se Itaguasçu era com sss ou ççç!

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre
Foto Amilton Alexandre

Aleluia! Aleluia! Aleluia! 
Peixe no prato 
Farinha na cuia!
(Dito Popular)

MAR DE POETA

Resultado de imagem para Espada de Samurai

Acabou o encanto!
 Sonhos vagueiam pelos cantos
Samurais
(Fernando Alexandre - 29/8/15)

VOZES DA ÁFRICA


TEM TAINHA NA MÃO...

Foto Silésio Sabino

quinta-feira, 27 de junho de 2019

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Entre linhas, redes e mares, o Capitão Ademir!
Pântano do Sul

MANEMÓRIAS

Ribeirão da Ilha, no tempo em que as Vemaguetes eram zero!

FALA, COMANDANTE!

Foto: Viviane Bevilacqua

ZENAIDE, A COMANDANTE DO PÂNTANO

A história da Dona Zenaide Maria de Souza, 74 anos, é daquelas que dariam um livro. Quem sabe um dia eu mesma me atreva a escrever com mais detalhes esta pequena mas contundente saga da mulher que venceu preconceitos e tornou-se oficialmente a primeira pescadora artesanal do Pântano do Sul, em Florianópolis. Mas ela não virou profissional só porque gostava de pescar desde menina, não. Foi para o mar no seu barco colorido de madeira, enfrentando tempo ruim e sol no lombo e comandando embarcações com muitos homens porque precisava tirar da água o sustento de seus oito filhos. Após a separação, que ela mesmo pediu, ficou sozinha para criar a garotada, e pescar e cozinhar era o que sabia fazer de melhor, já que o estudo tinha sido pouco. Escola primária lá mesmo no Pântano, até o quarto ano, e só.

Foto: Reprodução/Facebook

Pescar e cozinhar? Quando Zenaide se deu conta de que se unisse estes dois verbos poderia ganhar mais dinheiro não teve dúvidas: começou a vender na beira da praia alguns quitutes feitos de peixe, camarão, siri, berbigão e polvo. O Pântano do Sul era uma praia tranquila, lá pelos anos 1980, com turistas meio ripongas e alternativos, entre os quais conquistou logo fregueses fiéis. Decidiu então, com a valentia que lhe é peculiar, erguer um quiosque na areia. Foi alertada de que era ilegal construir naquele local, mas não deu ouvidos. Quando o quiosque ficou pronto a prefeitura mandou desmanchar. Ainda chorava, pensando no que iria fazer, quando foi chamada pelo prefeito. Zenaide disse que sabia da ilegalidade, mas argumentou que precisava do bar para dar estudo aos oito filhos. Ela sonhava vê-los formados na faculdade. Foi tão convincente que no dia seguinte o fiscal da prefeitura mandou seus homens reconstruirem o quiosque.

Começou assim a história do Restaurante Pedacinho do Céu, que em pouco tempo conquistou freguesia ampla e constante. O bar cresceu, e além do grande pavilhão de madeira tinha área e deck externo de frente para o mar. Era todo decorado com motivos marítimos. Nessa época Zenaide começou a usar um quepe branco de comandante que ganhou de um freguês e virou sua marca registrada. Nunca mais saiu de casa sem ele. Tudo ia bem até a madrugada de 16 de janeiro de 2017, quando um incêndio acidental destruiu o restaurante. Não deu tempo de salvar nada. Os filhos e netos ficaram com medo de que desta vez ela fosse desabar, mas o que viram os deixou ainda mais orgulhosos da matriarca. Zenaide tirou o boné branco chamuscado de fumaça, deu umas batidas para tirar o pó, colocou de novo na cabeça e disse: Sem choro. Hora de recomeçar.


Foto: Arquivo Pessoal

Fizeram vaquinhas na internet, aceitaram ajuda de estranhos e de clientes dos mais diferentes rincões, conseguiram empréstimos e no dia 16 de janeiro de 2018, exatamente um ano após o incêndio, Zenaide fez uma festa para comemorar a inauguração do novo restaurante, ainda mais bonito, e agora todo de tijolos. 

Foto: Arquivo Pessoal

Um passeio ao Pântano do Sul nunca é completo sem uma visita à Dona Zenaide e seu Pedacinho do Céu, nem que seja só para prosear e conhecer detalhes da história da comunidade e de sua moradora mais simpática, que acolhe a todos com um sorriso largo e adora contar seus causos e aventuras de cantar O Rap da Tainha, letra de uma música que fez em homenagem aos pescadores. Mas fica o alerta: é impossível sair de lá sem provar seus petiscos. Irresistíveis, como os abraços na hora da despedida.

(Viviane Bevilcqua colunistas portal making of cronicas)

MAR-CAIS

mar arisco 
bate bate na pedra
mariscos

(Fernando Alexandre)

OLHA O JAJIBO!

Ilustração de Andrea Ramos, para o Dicionário da Ilha -
Falar & Falares da Ilha de Santa Catarina.

MAR DE BALEIAS

© Reuters

A Noruega tornou-se no país que mais baleias mata. Nos últimos dois anos, matou mais animais desta espécie do que a Islândia e o Japão juntos. 

Um novo relatório, publicado esta segunda-feira, apela à comunidade internacional para reagir às tentativas constantes da Noruega para enfraquecer as regras para a caça de baleias e as suas tentativas de melhorar as condições de mercado das mesmas.

Intitulado 'Frozen in Time: How Modern Norway Clings to Its Whaling Past' [Congelados no tempo: Como a Noruega Moderna se mantém presa ao seu passado Baleeiro], produzido pelo Instituto de Cuidados Animal, o Ocean Caree a Pro-Wildlife, o relatório detalha ainda que a proibição do comércio de baleias naquele país está a enfraquecer e o seu comércio internacional está a aumentar.

O estudo concluiu que o governo deste país está a patrocinar vários projetos que promovem as vendas domésticas de produtos feitos de baleia, como cosméticos ou suplementos alimentares.

"Sendo um dos países mais modernos e prósperos do mundo, a caça à baleia na Noruega representa um anacronismo”, afirma a bióloga Sandra Altherr, da Pro-Wildlife, referindo que esta atividade só serve para "prejudicar a reputação do país".

MAR DO MILTON OSTETTO

Foto Milton Ostetto

quarta-feira, 26 de junho de 2019

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre


E ENTÃO, QUE QUEREIS?...


Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

(Vladímir Maiakóvski, poeta russo, em1927)



TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre

Pântano do Sul


MAR DE FALARES


O MAR É MULHER

Imagem Andre de Dienes
 O fotógrafo Andre de Dienes nasceu na Romênia em 1913, mas foi na Turquia, aos 15 anos de idade, que aprendeu a pintar e comprou sua primeira câmera fotográfica.
Em Paris, a partir de 1933, trabalhou como fotógrafo free lance para o jornal comunista “L’Humanite” e para a agência “Associated Press”. Tres anos depois, convencido pelo modista Molyneux, começou a fotografar moda.
Em 1938 foi para a América, com a ajuda da revista “Esquire” e em Nova Iorque se consagrou no mundo da moda. Passou também a fotografar os bairros nova-iorquinos e a viajar pelas estradas do oeste do país, quando conheceu e ficou íntimo amigo da então desconhecida Norma Jeane Baker, que mais tarde se transformou na Marilyn Monroe.
A foto acima é de 1944, ano em que se mudou para a Califórnia, onde realizou diversos ensaios de nus ao ar livre, incorporando inovadoras técnicas de montagem às suas fotografias. Passou a trabalhar para os estúdios de cinema e virou o fotógrafo favorito de grandes estrelas hollywoodianas como Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Henry Fonda, Fred Astaire, Ingrid Bergman, Jane Russel e Anita Ekberg. André Dienes faleceu na Califórnia, em 1985.

CAMINHOS...

Foto Geraldo Cunha
Praia dos Açores

domingo, 23 de junho de 2019

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

MAR DE POETA


A BALEIA BRANCA E O CAPITÃO

ainda
des-situado

num sítio
des-habitado

ou melhor
forrado de fantasmas

— dinossauros, cachalotes,
livros não lidos,

mapas que levam
a lugar nenhum —

,

capitão ahab
(olhos vítreos)

força as pupilas
dentro da névoa espessa

dentro da tempestade 
que fustiga os ossos,

as membranas, os nervos 
tensos do espírito

,

sem encontrar
o fio da meada

o ponto
onde tudo parou

de girar
giramundo : : : finismundo

))))))) (((((((

mesmo livre dos limites da terra
firme

em meio às ondas
do mar encrespado

capitão ahab continua ilhado

amarrado ao mastro
da obsessão

enrodilhado em si mesmo
ensimesmado

→ → → arpões lançados
em sua própria direção

ferroadas na carne,
vertigem, cicatrizes ← ← ←

))) a linguagem se dissolve (((

e da janela do apartamento
capitão ahab vê, enfim,

a enorme nuvem no céu azul
tomando a forma de uma baleia

CERCANDO O PEIXE

Dia de cerco no Campeche: patrão Carlinho, do Rancho do Segredo e remeiros entrando bem com a canoa "Samaritana".

CAMINHOS...

Foto Anilda Jaeger

sábado, 22 de junho de 2019

E AS TAINHAS CHEGARAM...



ÚÚÚÚ!!!!

Com a entrada do vento Sul, esperado há mais de 20 dias, as tainhas finalmente encostaram nas praias de Santa Catarina!
Na quinta-feira (20), quase 4 toneladas foram capturadas na Praia da Galheta, em Laguna.
Ontem cedo, sexta-feira, 5 toneladas foram cercadas e arrastadas na Prainha, Farol de Santa Marta, Sul do estado.
E mais quatro mil "cabeçudas" fizeram a alegria da camaradagem da Ilha, nas praias do Campeche, Santinho e Gravatá, já impacientes com a demora da chegada dos peixes.

Cerca de 1300 tainhas foram capturadas por pescadores artesanais na manhã desta sexta-feira na praia do Santinho – RICTV/Reprodução

Até o momento, os dados oficiais da Fepesc - Federação dos Pescadores de Santa Catarina - apontam para um total de 41 toneladas de tainha capturadas desde o início da temporada, em maio.

Ivo da Silva, presidente da Fepesc,  destacou que o local em que se deu a maior captura de tainha foi em Balneário Rincão. De acordo com ele, em diversos lanços, Rincão até o momento atingiu a marca de 6 toneladas de tainha capturadas.

Ainda conforme Ivo, o cálculo de 41 toneladas ainda não inclui o lanço dessa quinta-feira em Laguna. A Fepesc informou que ainda aguarda uma confirmação oficial dos dados para incluir na contagem oficial.


TEM TAINHA NO FORRÓ!

A MAIS MANÉ DAS TAINHAS

Imagem relacionada

Tainha no caldo

INGREDIENTES

3 kg de tainha (cerca de 2 tainhas)
3 tomates
2 cebolas
1 pimentão
4 dentes de alho
1 colher (sopa) de orégano seco
1 colher (sopa) de manjericão
1 colher (sopa) de salsinha
1 colher (sopa) de alfavaca
1 colher (sopa) de cebolinha verde
1 pitada de colorau ou 2 colheres (sopa) de molho de tomate
1 pitada de cominho
Farinha de mandioca a gosto
Óleo quanto baste
Sal a gosto

MODO DE PREPARO

Limpe as tainhas, corte-as em postas e reserve. Em uma panela grande, refogue no óleo o tomate, a cebola, o pimentão e o alho. Junte os temperos verdes, o coloral (ou molho de tomate) e o cominho. Adicione água quente (cerca de 4 litros) e deixe levantar fervura. Junte o peixe e ferva por 10 a 15 minutos ou até que as postas estejam cozidas, mas firmes. Retire as postas e reserve. Na hora de servir, coloque uma porção do caldo em cada prato, para cada um preparar seu pirão, misturando farinha a gosto. Por último, disponha as postas sobre o pirão.

(Receita de domínio  litorâneo)

E CHEGAM AS BALEIAS...

Baleia jubarte (Foto: Marcelo Vicente, Arquivo Pessoal)

Baleia jubarte dá show nas águas de Penha; veja vídeo

Por Dagmara Spautz

Uma baleia da espécie jubarte, possivelmente juvenil, deu um show de simpatia em frente às câmeras nas proximidades da Ilha Feia, na Armação, em Penha, nesta quinta-feira (21). As imagens, feitas pelo contador Marcelo Vicente, 38 anos, mostram que a gigante estava à vontade.

Marcelo estava pescando quando se deparou com a gigante. Evitou se aproximar com o barco, mas ela veio em sua direção. Foram cerca de 40 minutos de saltos. 

— Vendo os vídeos, não é tão bonito quanto pessoalmente. Foi emocionante — comentou.

Há cerca de dois anos, ele já tinha avistado uma mãe baleia com o filhote, também em Penha. O pesquisador Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali, em Balneário Piçarras, diz que avistar jubartes é comum nesta época, assim como as baleias-franca, que são as visitantes mais assíduas do nosso Litoral.

As jubartes, quando adultas, chegam a medir 16 metros de comprimento e a pesar 40 toneladas. É o mesmo que um ônibus e um carro, juntos, e o peso de oito elefantes. As baleias dessa espécie vivem até 60 anos. 
baleia jubarte(Foto: Marcelo Vicente, Arquivo Pessoal)

Tradicionalmente, elas apenas passam por Santa Catarina em seu ciclo migratório. Partem da Antártida em direção ao Nordeste brasileiro, especialmente o Litoral da Bahia, onde ocorre o acasalamento das gigantes. 
Em 2014, graças aos programas ambientais, as jubartes saíram da lista de animais ameaçados de extinção no Brasil.

DE TAINHAS, OVAS & MOELAS

Foto via zap-zap
Seu peixeiro, cadê a ova da tainha que dona Salete comprou?
Estava no ônibus quando subi. Sentei-me ao lado dela. Logo pergunta:
- Vais fazer compras ou pagar conta?
- Pagar conta.
Dona Salete, uns 70 anos, queria conversar.
- Meu Deus! A luz tá muito cara: R$ 137 e uns quebrados. Vou pagar o telefone (R$ 59) e o carnê da prestação da TV (R$ 120).
É daquelas que gosta de provar o que diz. Mostra o boleto que vence dia 12 (hoje): dez prestações em dia. Faltam só cinco. Nada de atraso, né dona Salete?
- Lá em casa a gente não deixa atrasar nada. Todo mundo precisa de dinheiro, até o dono da loja.
Guarda o carnê. Acha a conta da luz:
- Quase R$ 138. E olha que a gente não deixa lâmpada acesa sem necessidade. Tem vizinho que fez gato (ligação clandestina), mas meu marido é um homem muito correto.
Elogiei. Furtar energia é crime e pode render multa e cadeia de até quatro anos.
- A gente aprendeu em criança: não se mexe e nem se pega nada dos outros.
Tá certa dona Salete. Melhor dormir com a consciência tranquila.
- Mas tem quem não pensa assim, sabia?
Sei.
- Tem gente que passa a perna, que tira vantagem, que faz os outros de tolo.
Concordo com Dona Salete.
- Nem falo de roubar coisa de valor, dinheirama que nem aquele político da mala cheia (ex-ministro Geddel Vieira Lima), esses que desviam remédios, os que explodem bancos.
Assino embaixo o que diz a seguir: Tem gente que suja as mãos por bobagem. Conta o que lhe ocorreu recentemente.

SURRUPIAR MOELA?

- Sábado fui ao mercado comprar tainha. Escolhi um peixe bonito, azul-escuro (como recomenda o marido, neto de pescador em Biguaçu), com ova amarelinha de dar água na boca. Paguei R$ 25. Pedi escalado pra assar no forninho.
Ela falava. Eu imaginava o prato.
- Como é bom, né? Também gosto muito de...
Dona Salete me interrompe:
- Acreditas que a tainha só chegou com uma ova?
Como assim?
- E nem moela tinha! 
Senti a frustração.
- Mas a senhora comprou uma tainha inteira? O que aconteceu?
Está convicta:
- Só pode ter sido o peixeiro, o que limpa o peixe. De certo ele pegou pra vender em separado depois, entendes?
Pensei na possibilidade. Mas achei mesquinharia. Furtar ova de tainha? “Uma”? Surrupiar moela? Isso é demais!
- E olha que quando ele me entregou o pacote com folha de jornal ainda perguntei se estava tudo certinho. 
A conversa mostrou o desânimo da dona de casa aposentada. Não só com o tal peixeiro:
- Como diz meu marido, que está aposentado e trabalha como pintor de parede pra ganhar um troco a mais, coisa assim fica feio até para a imagem do nosso Mercado Público.

PREÇO SALGADO

O ônibus chega ao Centro e nos despedimos. Passei por dentro do Mercado Público. Não sei em qual peixaria dona Salete fez a compra. Mas vi que o quilo das iguarias está salgado: R$ 60 (ova) e R$ 15 (moela). Encostei-me a uma banca e perguntei pro vendedor:
- É R$ 60 mesmo o quilo da ova?
A resposta foi atenciosa:
- Sim. Mas é o que tem de melhor, senhora. E rende muito! Experimente fritar ou assar. Já fez farofa?
Óbvio que pensei em dona Salete.
- Mas é muito caro: imagina uma ovinha dessas aí...
O moço reagiu:
- Moça, dependendo do tamanho do par dá pra duas, três pessoas.
Um salvo pra dona Salete:
- Mas é uma ‘tripa’ ou duas? Pergunto.
- Sempre em par, ova de tainha é sempre em par...

Anotei o número dessa banca. Vá que encontre dona Salete por aí. Quero ajudá-la a comprar confiante sua tainha ovada e com a devida moela.

(Da jornalista Ângela Bastos)


ANU SEM SORTI?


Se inté dia di São Pêdru
Nau houvé um corso fórti
Esqueçam todus tainha
Pôs u anu foi sem sorti


(Quadra popular registrada pelo
prof. A. Seixas Netto, século passado, na ilha)

CORES DO ATLÂNTICO



Quinto disco de canções inéditas da cantora, compositora e instrumentista paraibana, lançado em 2010, em formato CD-livro, apenas na Espanha. Um ano antes, Socorro lançara o álbum No Terreiro da Casa da Mãe Joana, trilha de espetáculo com o mesmo nome, composto por faixas integrantes de seus trabalhos anteriores e cinco músicas inéditas. Aqui, a musicista nos apresenta um repertório de canções que tratam do diálogo entre a brasilidade e nossa raiz lusitana, com a releitura de quinze cantigas de amigo medievais galego-portuguesas, tradicionalmente entoadas por mulheres como cantares de trabalho, adaptadas pela artista em roupagem de ritmos brasileiros. O disco contou com participações de artistas oriundos de três continentes distintos, unidos pela língua portuguesa: Uxía e Leilía (Galiza/Espanha), João Afonso (Portugal), Eneida Marta (Guiné Bissau), Margareth Menezes, Cida Moreira e Cirandeiras de Caiana dos Ciroulos (Brasil). Seis anos após o seu lançamento original em solo espanhol, o trabalho foi finalmente lançado este ano no Brasil pela Editora Latus – UEPB e Liraprocult.

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

LIMPANDO A FAUNA MARINHA


UFPR inaugura Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna Marinha em Pontal do Paraná

A tarde desta terça-feira (18) pode ser considerada um marco para o Centro de Estudos do Mar e aos cursos ligados ao oceano oferecidos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). A partir desta data a instituição conta com o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna Marinha (CReD), vinculado ao Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

Em um evento bastante concorrido, realizado no Centro de Estudos do Mar, no Balneário Pontal do Sul em Pontal do Paraná, autoridades, professores e estudantes viram um sonho da comunidade acadêmica se tornar realidade.

A Coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação do Centro de Estudos do Mar da UFPR, Camila Domit, explicou que a construção do Centro de Estudos está inserido dentro do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos estrategicamente conduzido pelo Ibama (IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), Petrobrás, (Petróleo Brasileiro S.A), Univale (Univale – Faculdades Integradas do Vale do Ivaí) e UFPR.

“Hoje é um dia muito especial, depois de muita luta estamos realizando um sonho para nossa Universidade. Dentro desse conjunto de instituições conseguimos recursos para estruturar o centro, agora poderemos fazer análise de saúde da fauna marinha com maior qualidade, melhorar a forma como atuamos junto as comunidades da região e otimizar os estudos e a ciência. Teremos condições de melhorar as pesquisas e também trabalhar melhor os programas de extenção e as ações de educação. Esse centro é um sonho de muitos anos, hoje nós temos recintos adequados, temos um espaço que cumpre todas as especificações internacionais de atendimento a fauna marinha que nos dará condições de trazer para a sociedade informações sobre o ecosistema do mar e como que nós como comunidade podemos melhorar a nossa ação e conexão com os oceanos para diminuirmos o impacto ambiental”, completou a coordenadora.

O prefeito Marcos Fioravante destacou a importância desse investimento na área de educação no município.

“O que estamos vendo hoje não é só uma construção ou uma obra qualquer, estamos vendo a materialização de um sonho para o meio acadêmico. Como gestor fico muito feliz em poder participar, dentro de nossas condições estamos sempre dispostos a ajudar a UFPR, em especial o Centro de Estudos do Mar, que fica em nosso município, o qual temos muito orgulho. Esse Centro de Reabilitação é extremamente importante, não só para os estudantes mas para toda comunidade, e nossa região, um projeto que deve ser valorizado”, afirmou o prefeito.

O projeto está ligado ao Monitoramento de Praia da Bacia de Santos, é um condicionante ambiental pro licenciamento ambiental da Petrobrás que busca minimizar os impactos da atividade de produção de petróleo.

O Diretor do Centro dos Estudos do Mar, Talal Suleiman Mahmoud, esclareceu que o CReD está ligado ao Monitoramento de Praia da Bacia de Santos como um condicionante ambiental para o licenciamento da Petrobrás que busca minimizar os impactos da atividade de produção de petróleo.

“Hoje é uma data muito importante, essa espaço dará mais condições as nossas pesquisas. O trabalho desenvolvido por toda a equipe, alunos e professores, tem um cunho social que busca indentificar e tratar os animais marinhos encontrados em nossas costas, os vivos para serem tratados e reabilitados e os mortos para análise, e essa análise servirá como indicador da nossa situação perante os oceanos, como por exemplo o controle do que foi encontrado dentro dos animais que serve como um indicador importante do comportamento da sociedade inserida nos municípios litorâneos”, explica Talal.

De acordo com o Reitor da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Marcelo Fonseca, com a construção do Centro de Reabilitação em Pontal do Paraná todos saem ganhando, a comunidade, os estudantes e o meio ambiente.

“Neste projeto todos os envolvidos ganham, a comunidade interna para o ensino, pesquisa, extenção e para a formação que é a matéria básica da universidade, ganha também o meio ambiente, a fauna marinha, os banhistas que aqui visitam nas temporadas, mas acredito que ganha mais a comunidade de Pontal que deve enchergar como um marco civillizatório diferente, quero dizer que a universidade está mostrando para que ela veio, ela vem para trazer conhecimento e ciência, vem a favor da comunidade local, da fauna marinha e daqueles que estão se formando aqui, acho que a universidade quando interage de uma forma geral com a comunidade traz uma bagagem positiva e um legado que é sempre bom, aqui especificamente é de maneira múltipla, porque acontece para a comunidade para os nossos estudantes e para o meio ambiente”, destacou o reitor da UFPR.

“O Projeto de Monitoramento de Praias, da qual faço parte, é um acondicionante do processo de licenciamento do Pré-sal da Bacia de Santos, e de uma forma geral antes de mais nada, trata-se de um atendimento a um regramento legal, porém nós entendemos que esse tipo de iniciativa que o Ibama determinou, contribui muito com a gestão da fauna da costa brasileira, temos fomentado a pesquisa e o desenvolvimento academico e temos surpresas como trabalhos acadêmicos, alavancando o conhecimento das interações do homem com a fauna na costa brasileira, isso é fundamental pra conservação ambiental”, finalizou Marcos Vinícius.


sexta-feira, 21 de junho de 2019

FELIZ ANO NOVO


FELIZ ANO NOVO PARA TODOS NÓS, FILHOS E FILHAS DO SOL 

Hoje, dia 21 de junho, celebra-se o solstício de inverno no hemisfério sul. É quando os povos originários comemoram o ano novo em toda a franja latino-americana. Dia de reverenciar o sol, que era e ainda é considerado o deus maior. O sol. Tata Inti.

Na região andina é onde esse momento é mais festejado e cujas cerimônias jamais saíram da lembrança ou das práticas cotidianas. Tanto que o Inti RaymI (Festa do Sol) é a festa mais importante do ano e acontece sempre no solstício para reverenciar Inti, o deus mais importante das culturas Aymara e Quéchua. A cerimônia é realizada no dia 24, na fabulosa fortaleza de Sacsayhuamán, que fica pouco mais de dois quilômetros de Cusco, no Peru.

Durante a época dos incas, o Inti Raymi era o mais importante dos quatro grandes festivais celebrados em Cusco, e marcava o início do ano andino. Naqueles dias o festival durava nove dias com muita festa, dança e rituais de sacrifício. O último Inti Raymi realizado com a presença do Imperador Inca, foi em 1535. A cerimônia era na praça Aucaypata, hoje chamada de Plaza de Armas, no centro de Cusco, e toda a cidade vinha assistir e participar. Segundo relatos da época a população chegava aos 100 mil habitantes.

De todos os lugares vinham os curacas (chefes de aldeia) e os sacerdotes. E nos três dias que antecediam a festa só comiam milho branco, cru, algumas ervas e água. Também não acendiam fogo e não tinham relações sexuais. Era um período de purificação. As sacerdotisas do sol, as acllas, preparavam pãezinhos de milho que seriam distribuídos às gentes. No dia da festa o Inca e seus parentes vinham para a praça, descalços, a espera do sol. Ajoelhavam-se e jogavam beijos para Inti enquanto ele despontava no horizonte. Depois bebiam chicha e derramavam uma parte em honra do deus. Em seguida seguiam para o Corincancha, ou Qorikancha, o "Templo do Sol", onde faziam adorações. Os curacas faziam fila para entregar as oferendas que haviam trazido de suas aldeias e então todos seguiam de volta para a grande praça onde sacrificavam animais, cujas carnes eram repartidas entre os presentes. Acendia-se o fogo do ano novo que queimaria no templo até o Inti Raymi seguinte.

A festa dos incas foi proibida em 1572 pelo Vice-Rei Francisco de Toledo, que não tolerava qualquer cerimônia que não fosse cristã. Mas, entre os originários a cerimônia seguiu sendo praticada às escondidas durante séculos, até que em 1944 voltou a ser realizada em céu aberto, reconstruída historicamente por Faustino Espinoza Navarro a partir de textos do cronista Inca Garcilaso de la Vega. Desde aí, todos os anos, as gentes originárias se encontram em Cusco, para reverenciar Inti.

É fato que a festa adquiriu um caráter bastante turístico e acaba sendo um grande espetáculo. Mas, quem já caminhou pelas ruas de Cusco e conheceu sua gente sabe, que enquanto os turistas se embriagam com as cores e os ritos espetacularizados, o povo originário refaz seu caminho de encontro com Inti, bem no fundo de sua alma ancestral. O Inti Raymi é um momento de profunda beleza e de introspectiva reflexão.

Feliz ano novo a todos nós, filhos e filhas do sol!
Jallalla! Kausachun, Inti!

(Da Elaine Tavares)


MÃOS DE MAR


as mãos

as mãos
chegam pela manhã
a carícia

quanto partem
dizem em silêncio
a dor de

as mãos que dei
não esperavam nada
nem o que recebi

poucos são os
finais felizes
(torreira; 2016)

(Do ahcravo)

quinta-feira, 20 de junho de 2019

E O INVERNO AINDA NEM COMEÇOU...

Imagem relacionada
Foto Laura Lavergne
Primeiro, a Dona Gerta May comunica o fechamento da Pousada Sítio dos Tucanos, depois de 40 anos de atividades na Costa de Dentro. 
Logo em seguida, a Nara Guichon avisa que está desativando seu atelier depois de décadas!
Esse final de outono - luminoso como os outonos da ilha - fica um pouco sombrio aqui pelos lados do Sul!
A Gerta May com sua família trouxe para a ilha o conceito de hospedagem familiar com preservação ambiental: o Sítio dos Tucanos foi a primeira pousada ecológica da Ilha!
E durante quarenta anos hospedou com carinho, preservou e recuperou a natureza em toda sua imensa área e no entorno!
Além de manter uma considerável coleção de arte popular e indígena brasileira (que agora está à venda)!
A Nara Guichon, artesã/designer/artista e muitas coisas mais costurou durante décadas, fio-a-fio, sua relação com a natureza e todo seu entorno, bordando com flores os espaços comunitário da Costa de Dentro.
Ficamos tristes! E mais pobres!
Mas também agradecidos!
Dona Gerta May volta para a Alemanha, e deixa aqui " metade do meu coração"!
A Nara Guichon se prepara para outros vôos!
Este inverno pode ser um pouco sombrio para nós, aqui por estes lados, mas logo depois vem a explosão de flores e cores da primavera!
E VIVA!

A LATA DE ATUM E A ESCRAVIDÃO

Captura de atum. PIXABAY

A conexão entre a sua lata de atum e a mão de obra escrava

A Tailândia é o principal exportador mundial do peixe, com uma indústria pesqueira marinha que se presta especialmente à escravidão moderna

Qual é a chance de que a última lata de atum que você comeu tenha sido produzida com mão de obra escrava? Se a origem for tailandesa, isso é mais provável do que você imagina. Rastreamos a viagem realizada pelo atum dos mares que rodeiam o país asiático até as prateleiras dos supermercados australianos. Após entrevistar mais de 50 pessoas, algumas delas obrigadas a fazer trabalhos forçados, conseguimos avaliar se as marcas podem dizer que suas cadeias de abastecimento estão livres de mão de obra escrava.

Acreditamos que apenas uma das marcas de atum em conserva que operam no país pode afirmar, com absoluta certeza, que entre seus provedores não se esconde nenhum escravo.

Embora não possamos mencioná-la, por causa dos princípios éticos que garantiram que nossa investigação tenha sido feita independentemente de qualquer questão comercial, nossos resultados reforçam a necessidade da Lei sobre Escravidão Moderna, aprovada pelo Parlamento australiano no final de 2018, para conscientizar as empresas sobre a importância de acabar com a escravidão nas redes de abastecimento em escala global.
A exploração dos trabalhadores migrantes

A Tailândia é o principal exportador mundial de atum e um dos maiores exportadores de todo tipo de peixe. Sua indústria pesqueira marinha se presta especialmente à escravidão moderna devido ao seu tamanho, à falta de regulação, à grande capacidade de operações ilegais realizadas sob seu manto e à exploração dos trabalhadores imigrantes.

Há mais de 50.000 embarcações pesqueiras e cerca de 500.000 trabalhadores na indústria. Investigações realizadas por grupos como Greenpeace e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) advertem que a maioria das pessoas que sobem nesses barcos cumprem todos os requisitos para serem consideradas escravos modernos: são forçados a trabalhar sob ameaça, são controladas ou diretamente são propriedade de seus chefes, são tratadas como mercadoria e não podem abandonar seu posto de trabalho.

Qualquer pessoa enganada ou traficada para trabalhar em localidades distantes de seu lugar de origem e que não tenha liberdade de circulação, seja ela física ou financeira, é um escravo moderno.


Em 2014, 82% dos 172.430 pescadores distribuídos em 42.512 barcos tailandeses eram imigrantes, bem como a maioria dos empregados de plantas de processamento

As estatísticas compiladas pelo Departamento de Pesca da Tailândia revelam dados chocantes: em 2014, 82% dos 172.430 pescadores distribuídos em 42.512 barcos eram imigrantes, assim como a maioria dos empregados das usinas de processamento. Os traficantes convencem migrantes do Camboja e de Mianmar, principalmente, com promessas de trabalho bem remunerado. Ao chegar à Tailândia, porém, essas pessoas descobrem que a história é bem diferente.

Os imigrantes não têm direito às proteções concedidas aos trabalhadores tailandeses, cobrando em geral 25% menos que o salário mínimo do país. Tampouco podem integrar os sindicatos, um direito que os locais têm.

Portanto, por serem estrangeiros e não terem recebido educação nem contarem com a habilidade de se comunicar em tailandês, eles se encontram numa situação de especial vulnerabilidade à exploração, numa indústria em que as frotas rebeldes se movem à margem da lei com operações de pesca ilegais. E onde a segurança e as condições de trabalho são aplicadas de maneira deficiente.
Falta de transparência

As práticas na indústria pesqueira tailandesa (e em outros lugares do Sudeste Asiático) se tornaram conhecidas no mundo todo em 2015, graças ao trabalho de investigação dos jornalistas da agência Associated Press (que lhes valeu o Prêmio Pulitzer por Serviço Público). Desde então, as respostas emitidas pelos governos e as empresas mostram a insuficiência do marco legal e de gestão existente para acabar com o problema de uma vez por todas.

A transparência é um tema central. As práticas ilegais são ocultadas deliberadamente por sua própria natureza, e os métodos que os varejistas poderiam utilizar para averiguar como trabalham suas cadeias de abastecimento, como o envio de pesquisas aos fornecedores (e aos provedores destes), não dão nenhum resultado.

O que dificulta a transparência na indústria pesqueira é que não basta conhecer o provedor ou o atacadista. Nem sequer a origem geográfica do peixe. Os varejistas precisam conhecer os detalhes de cada jornada de pesca e a mão de obra empregada. No entanto, mesmo tendo acesso a essas informações, não é possível saber se a mercadoria foi transferida de um barco a outro em alto mar. Ou seja: o problema continua existindo apesar dos certificados emitidos pelo Marine Stewardship Council (organização internacional que estabelece um padrão para a pesca sustentável) – que, em qualquer caso, não se encarrega de supervisionar as condições trabalhistas.

São necessários uma melhor coordenação e mecanismos mais efetivos para vigiar o risco a que os trabalhadores se expõem do barco de pesca ao supermercado, passando pela fábrica.


São necessários uma melhor coordenação e mecanismos mais efetivos para vigiar o risco ao que se expõem os trabalhadores desde o barco de pesca até o supermercado, passando pela fábrica
Há muito a fazer, mas é um começo

Reside aí a necessidade de criar leis que levem ao fim da escravização moderna. De acordo com a Lei sobre Escravidão Moderna da Austrália, as empresas que tenham registrado prejuízos de mais de 100 milhões de dólares australianos (260 milhões de reais) deverão informar o que estão fazendo para evitar o uso de mão de obra escrava na elaboração de seus produtos.

A partir de 2020, as companhias serão obrigadas a apresentar “declarações de escravidão moderna”, detalhando a fonte da qual obtêm seus produtos e as ações que realizaram para garantir que não existe mão de obra escrava em sua cadeia de abastecimento.

Ainda há um longo caminho a percorrer. A lei não inclui sanções pelo não cumprimento das ações. E não existe um órgão estatutário que ofereça orientação e supervisão, como estabelece uma norma similar promulgada no Reino Unido em 2015.

Mas já é um começo. A lei pelo menos exerce pressão sobre as marcas para que sejam mais transparentes em relação às suas cadeias de abastecimento e para que melhorem as condições de trabalho. Até agora, os resultados foram díspares: algumas marcas investiram na limpeza de suas cadeias de abastecimento após serem colocadas em evidência, enquanto outras se fazem de desentendidas.

Esperamos que os consumidores sejam conscientes dos riscos envolvidos na escravidão moderna e, com o tempo, possam investigar a informação compartilhada publicamente por suas marcas favoritas.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês em The Conversation.
(Via https://brasil.elpais.com/)