terça-feira, 30 de abril de 2019

A TAINHA TÁ FRITANDO!

Foto Marli Marafigo, a fritadeira
No Bar e Restaurante do Quirino - o Quiqui - já tem tainha fresca fritando!
Lá na Praia do Saquinho!
Mas ele diz que é mentira!

SE ALEMBRAM DAQUELE "LANÇO'?


Cerco e arrastão de tainhas realizado em 26/06/2010, no Costão do Meio, Praia do Pântano do Sul!

TAINHAS URBANAS

Tainha no centro de Los Angeles - EUA

TAINHAS CHEGANDO!

Foto Fernando Alexandre
As tainhas já estão chegando em nosso litoral, antecipando as expectativas de uma boa safra pra este ano! Em Laguna e Garopaba os pescadores já estão capturando alguns peixes com tarrafas e pequenas redes. Contam, e ninguém confirma, que na Praia do Saquinho o Quirino já matou umas belas cabeçudas! No Pântano do Sul as primeiras já apareceram : misturadas num cardume de tainhotas, cerca de 150 delas foram cercadas e arrastadas na praia pela canoa menor da família de Seo Arante.

CONFIRMADO!

Confirmado a chegada das tainhas de 2019.!

segunda-feira, 29 de abril de 2019

PREVISÃO DE SAFRA




Foto de Esquece Ocredito


Muito fruto na Aroeira,
Tainha de muntuêra!
(Sabedoria praieira)

ENSAIO GERAL


Foto Alcides Dutra
 Cardumes de tainhas estão se agregando, devem estar se preparando para a grande migração.


Curta a página do INSTITUTO LARUS. — comAlcides Dutra.

TAINHAS: CADASTRO COMEÇA HOJE

Canoas devem ser liberadas para cerco a partir de quarta, 1º de maio. – Marco Santiago/ND

Cadastro de canoas de arrasto para safra da tainha 2019 inicia nesta segunda-feira

Setor pesqueiro industrial ainda aguarda publicação de portaria com cotas e prazos; expectativa maior é sobre industriais, que extrapolaram volume de pescados em 2018

Mesmo sem publicação da portaria que estabelece prazos e cotas para a safra da tainha de 2019, o escritório do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) em São José inicia nesta segunda-feira (29) o cadastramento dos pescadores artesanais na modalidade arrasto com canoa. Tradicionalmente, essa modalidade é a que abra a safra, sempre no dia 1º de maio de cada ano. Os pescadores de outras regiões do Estado devem procurar as Colônias onde estão cadastrados para verificar como fazer o pedido.

A autorização para iniciar o processo de liberação das permissões foi emitida pelo MAPA na última quinta-feira (25), após pleito da Associação Social Artesanal e Cultural dos Pescadores do Campeche, apresentado em reunião com membros do Ministério e da Secretaria Especial da Pesca, e que pede ainda a inclusão esta categoria de pesca na Instrução Normativa 10/2011, do Ministério do Meio Ambiente, que lista as modalidades passíveis de licenciamento.

A Associação foi representada no evento em Itajaí pelo advogado Ernesto São Thiago, que diz que não há discussão quanto ao calendário da safra e que enquanto a portaria não for definitivamente publicada a pesca não estaria autorizada, mas acredita que o Ministério vai manter o dia 1º de maio para abertura da safra com início da pesca artesanal.

Segundo o presidente da Associação do Campeche, Claudinei José Lopes, o Nei, a expectativa é de que todos os pescadores que receberam permissão para armar suas parelhas sejam contemplados nesse novo procedimento. “Nós fizemos um dossiê explicando as peculiaridades do arrasto de praia e acabamos tendo esse sinal de liberação por parte do Ministério”, disse Nei.

A minuta da portaria que informa as datas e as cotas já foi concluída pela Secretaria Especial da Pesca, mas ainda aguarda análise do departamento jurídico do MAPA. A expectativa era de que o documento fosse publicado até sexta da semana passada.

Modalidade mais antiga
A pesca de parelha é uma das mais antigas e difundidas do mundo. Aqui no Brasil, foi essa modalidade que fez da tainha uma tradição que todos os anos envolve comunidades por diversas praias do litoral catarinense.

Arrasto de praia é modalidade mais antiga da captura da tainha no litoral catarinense – Joyce Reinert/ND

Na técnica, dois barcos arrastam uma única rede, que pode medir entre 100 m e 600 m metros de comprimento, com uma altura no centro que varia de seis metros a 20 m. Ainda hoje as comunidades pesqueiras mantem essa tradição com canoas forjadas em um único tronco de Garapuvu e movidas a remo que se lançam ao mar após o sinal do olheiro, cercam o peixe e contam com apoio de uma multidão na areia para puxar o pescado.

Nas praias do Sul do Estado, o cerco é feito com canoas motorizadas, devido as condições do mar, que é mais aberto a partir de Laguna.

Arrasto não tem cota, industriais seguem indefinidos

Diferente de outras categorias, o arrasto de praia e o emalhe costeiro não estão submetidos as cota de pescado como ocorre no emalhe anilhado e nas modalidades industriais. A reportagem do ND chegou a requisitar informações do MAPA, em Brasília, sobre os detalhes da portaria, mas a informação ainda não foi respondida.

Entre os pescadores a expectativa é de que as regras sigam as mesmas da portaria de 2018, que estabeleceu os seguintes prazos:

Arrasto, desembarcada ou não motorizada, entre 1° de maio e 31 de dezembro.
Emalhe anilhado, entre 15 de maio e 31 de julho.
Emalhe costeiro de superfície sem anilhas: até 10 AB, entre 15 de maio a 15 de outubro; acima de 10 AB, entre 15 de maio e 31 de julho.
Cerco/traineira, entre 1° de junho e 31 de julho.

Os prazos também deverão estar condicionados as cotas para cada setor. Ou seja, assim que for atingida a cota aquele setor suspende a captura.

A grande expectativa ainda é sobre o sistema dos barcos industriais, já que em 2018, primeiro ano desse sistema, o setor acabou extrapolado em 154% o limite de cota estabelecido, em apenas sete dias de trabalhos, e segundo a portaria os excessos de limite de cota teria que ser abatido na safra posterior.

A safra 2018 gerou uma produção total de 7.209 toneladas de tainhas. A quantidade ultrapassou em 29% o estabelecido para a pesca artesanal, que tinha uma cota de 1.205 toneladas, e em 154% na pesca industrial, que representou 80% do volume capturado.

No início de abril a Justiça Federal determinou prazo para publicação da portaria, tanto para 2019 como para demais safras, mas a União recorreu alegando dificuldades em cumprir com as datas.

AS TAINHAS QUE SE PESCAM AQUI

Resultado de imagem para Mugil liza
Você sabia que as tainhas têm espécies? 

Por Mário Motta

Segundo a universitária Clarissa Ferreira (Do curso de Engenharia de Pesca da UDESC), ela pode ser chamada de Tainha para todas, virote para as jovens, facão para as que já desovaram, enfim. Não importa qual nome você usa, as tainhas que ocorrem da Venezuela até a Argentina pertencem a uma única espécie. Para o litoral brasileiro, sempre se acreditou que as encontradas do Rio de Janeiro para o norte, chamadas de Mugil liza, eram diferentes das tainhas encontradas de São Paulo para o sul, cujo nome científico é Mugil platanus. 

No ano passado, os resultados dos estudos filogenéticos realizados por Siccha-Ramirez e colaboradores mostraram que todas as tainhas que ocorrem desde a Venezuela até a Argentina pertencem à mesma espécie: Mugil liza. Como eles descobriram? Imagine-se no supermercado. Cada produto possui um código de barras. A leitura deste código gera informações sobre ele: preço, validade, estoque, etc. Nas tainhas, foi utilizado o “código de barras” situado no DNA mitocondrial, que permite determinar a qual população cada indivíduo pertence. Desta forma, os pesquisadores que analisaram as tainhas chegaram à conclusão que todas elas, além de pertencerem a uma única espécie, representam também uma única população amplamente distribuída. Nessa sexta-feira, os pescadores da Pinheira fizeram o primeiro “lanço” de Tainhota de 2018 e o Manoel Jacaré registrou em foto. Meus cumprimentos e que muitas outras cheguem às nossas praias.​

LEVANTANDO FERROS

Fotos Fernando Alexandre

A ROTA DAS TAINHAS

Foto arquivo
UMA LONGA VIAGEM!!!


Tainha é o nome comum dado a vários peixes da família dos Mugilídeos. A que é pescada por aqui – Mugil Brasiliensis – é comum em todo o Atlântico Sul e encontrada desde a Argentina até o Rio de Janeiro e em várias partes do mundo.
Atingem até cerca de 1 metro de comprimento e 8 kg de peso, sendo mais comuns exemplares de 60 cm. Esta espécie passa grande parte de sua vida em regiões estuarinas. No outono os adultos abandonam o estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e iniciam seu corso, migração reprodutiva ao longo da costa em direção ao norte, estimulada por quedas da temperatura com a entrada de frentes frias na região e em busca de águas mais quentes para desovar.
Viajando em grandes cardumes, já chegaram a ser pescadas na Ilha de Santa Catarina em lanços de até 200 mil peixes. Sua pesca é feita em todo litoral do Brasil.

É chamada também de Curimã ou de Bicudo no Nordeste e Norte brasileiros. Em Portugal é também conhecida por Muge, Mugem, Liça ou Fataça.

TAINHAS URBANAS

 
No muro da memória!

TAINHAS ZEN

Longe do litoral brasileiro, tainhas nadam tranquilas no fundo do mar japonês.

domingo, 28 de abril de 2019

A TAINHA E SUAS ESCAMAS ABENÇOADAS


A Escama "estratégica" da Tainha

Uma das crenças mais difundidas a respeito da tainha é que ela seria um peixe abençoado por ter a imagem de Nossa Senhora estampada em suas escamas.
Fora esta crença popular a escama da tainha ainda tem uma função "estratégica" entre o rol de artimanhas dos pescadores.

Um dos principais fatores que garante o sucesso de uma pescaria tradicional é o "segredo" com respeito ao local onde está o cardume de Tainhas. Geralmente este cardume é chamado de "o peixe" e saber onde "o peixe" está, onde "o peixe dorme" e qual a quantidade do peixe é fundamental para o sucesso da pescaria.

Então durante a Época da Tainha, é comum os pescadores utilizarem as mais diversas estratégias para garantir o "segredo" sobre "o peixe". Então é muito comum entre os pescadores de uma localidade, mentir, enganar, despistar sobre o resultado de uma pescaria a fim de não revelar o "segredo" para os outros pescadores.

É aí que as escamas da tainha são utilizadas para cumprir esta função estratégica.

Muitas vezes quando o pescador quer dar a impressão de que matou muita tainha na noite anterior (mesmo tendo matado 2 ou 3), ele limpa as tainhas e junta as escamas e o sangue delas para espalha-los ao redor da canoa, por cima da rede e na proa da canoa, passando assim a impressão de que matou muitas tainhas.

Já com o intuito contrário, se ele matou muita tainha e quer esconder o sucesso da pescaria para que seus "concorrentes" não se dirijam para o pesqueiro utilizado na noite anterior, ele limpa todas as escamas de dentro da canoa, ou que tenham caído no chão, e lava todo o sangue de tainha que esteja na rede ou na proa da canoa.

(Do blog https://canoadepau.blogspot.com/)

MANEMÓRIAS

Praia de Itaguaçú, anos 70

SEO LECA E OS OUTROS TEMPOS!

Manoel José de Campos nasceu em 1938, no Pântano do Sul. Pesca desde os 12 anos de idade - ele acha -  porque não sabe direito quando começou com as lidas do mar. 
Hoje,  Seo Leca é sempre presente na praia. Todos os dias ele tá lá, olhando os peixes, o mar e trocando uma conversa em todos os barcos que chegam. 
Sabe de tudo: quem foi pro mar, quem já voltou, quem tá demorando e quem vai chegar mais tarde! 
Tudo que acontece, ele sabe!
Nesse depoimento pra Andrea Ramos, ele conta histórias e estórias da praia e da vida  naqueles tempos. Um belo depoimento!

E AS TAINHAS JÁ ESTÃO VIAJANDO...

Foto Alcides Dutra
COMEÇOU A GRANDE MIGRAÇÃO
A grande aventura das tainhas tem início. Elas agregam-se em grandes grupos e singram o mar praticamente sem comer, usando a energia da gordura acumulada. Estão instintivamente focadas apenas na reprodução.
Neste momento as ovas estão crescendo, a gordura vai sendo consumida e logo o milagre da vida vai se expressar. Machos e fêmeas lançarão freneticamente seus gametas na água, onde vão se unir numa fecundação realizada fora do corpo. Milhões de filhotes vão nascer, mas só uma ínfima fração conseguirá ficar adulta e fazer tudo de novo.

Quanto mais aumentarmos as chances deste milagre dar certo, mais tainhas teremos nos próximos anos.

(Alcides Dutra / Instituto Larus)

LÁ & CÁ

“Os caiçaras estão em extinção!” Essa frase eu ouvi de um senhor caiçara que mora no Bairro “Sítio de São Lourenço”, município de Bertioga/SP.

Os caiçaras irão desaparecer? A atual realidade dos povos tradicionais

Era para ser um passeio de final de semana. Uma amiga, que vinha nos convidando há muito tempo para conhecer o local onde ela nasceu e se criou. Ela costumava dizer: “Vocês vão amar! Vão conhecer o povo caiçara.”

Quando você olha no mapa, o município de Bertioga fica aos pés da Serra do Mar, nas margens do Parque Estadual da Restinga de Bertioga. A esquerda, em duas partes, compartilhando a mesma praia, temos a cidade. A segunda praia é hoje chamada de Riviera de São Lourenço, um condomínio de luxo, com residências e comércio de alto padrão. Bem na pontinha direita da Praia de São Lourenço, fica o Jardim São Lourenço, ou sítio, como os nativos o chamavam. A terceira praia faz parte da área de proteção e é quase deserta – a praia do Itaguaré e Guaratuba (divididas por um rio).

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Minha amiga é descendente de nativos da região. De acordo com ela, há mais de 3 gerações a família está naquele local. Eram duas famílias que foram casando entre si e no final das contas quase todos por lá são primos. O primeiro tio que conheci deve ter seus 60 anos. Comentou que teve que largar a pesca para trabalhar na construção. Que desde pequeno pescava com o pai e que todos na localidade sabem costurar redes de pesca. Contou que os antigos conseguiam inclusive dizer em qual dia os cardumes de tainhas chegariam na praia. Que chegavam a pescar 5 mil tainhas em grupo, formando uma barreira de redes. Que a vida ali ainda é pacata, apesar dos turistas. Que ele pesca hoje em dia só para comer mesmo e que as vezes um turista pede para comprar: “Eu respondo que eu não vendo peixe, mas que se a pessoa quiser eu dou um.”
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Mas foi o segundo tio que me encantou. Um senhor com mais de 80 anos, que estava se recuperando de um problema de saúde. Foi nos receber com passos curtos e lentos, e um sorriso fraquinho. Comecei a brincar que tinha ouvido histórias de pescador do outro tio. Ele sorriu maroto e disse: “Sobre as tainhas?”. Falei que sim e que tinha ficado impressionada. Ele então começou a contar:

“Eram pouco mais de 20 famílias no local, a maioria parentes. Havia um senhor de idade que subia no morro e tocava um berrante quando as tainhas estavam chegando. Era verdade sim! Já pegamos mais de 9 mil tainhas de uma vez só, juntando as redes de todos na praia. Quando pegávamos até 1.500 peixes dividíamos entre as famílias, mas quando era mais, levávamos de burro e depois de barco até Santos para vender no Mercado Municipal. Durante muito tempo fui o responsável por levar e trazer o dinheiro. Ao retornar, o dinheiro era repartido entre todos, uma cota para cada adulto e meia cota para crianças de 0 a 14 anos.”

Fiquei curiosa quanto à conservação dos peixes e ele disse que eram salgados e colocados para secar no sol. Eles também plantavam mandioca. Minha amiga diz que farinha de mandioca como eles faziam não existe mais. Também colhiam palmito, mas que hoje é proibido. Perguntei se eles plantavam o palmito ou apenas colhiam. Ele respondeu que antigamente a Riviera era um palmital imenso e que não era necessário plantar. Mas quando começaram a colher para vender, o palmito acabou.

Ele chamou o bairro ao lado de Dona Riviera. Perguntei como eles se sentiam em relação aquele condomínio vizinho. Ele disse que é Dona Riviera porque é muito chique, mas que ela quase expulsou eles dali.


Ficamos espremidos no cantinho. O palmito foi extinto quando construíram o condomínio, a tainha foi extinta porque pescam antes do peixe chegar aqui e os caiçaras estão quase extintos.

Senti a animação dele indo embora de novo. E no meu coração uma pontada de tristeza. Toda vez que consigo sentar com um nativo, seja ele agricultor ou pescador, tenho certeza que estou com um ancestral. Aquela pessoa que ainda tinha tempo e paciência para observar a natureza e aprender com ela. Precisamos de um deles sempre por perto. Para nos lembrar o valor que as coisas simples têm, para nos mostrar o quão valiosa e bela é a sabedoria da natureza, para nos ensinar como viver em harmonia e equilíbrio sem exaurir.
Imagem: Dicionário e Gramática

Que tal conversar com um nativo do lugar onde você mora? Com certeza ele irá te relembrar de coisas muito importantes que a pressa tem feito você esquecer!
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável


Caiçara – do Tupi Guarani caá-içara=a cerca de ramos. Palavra de origem tupi, que se referia aos habitantes das zonas litorâneas. As comunidades caiçaras surgiram a partir do sec. XVI, com a mistura de brancos e índios. Caiçara também é o nome de dois municípios: um no estado da Paraíba e outro no Rio Grande do Sul. Informação: Dicionário Ilustrado Tupi Guarani.

(Por Janaína Steffen)

(Do http://autossustentavel.com/)

DA COZINHA CAIÇARA

O Surpreendente Azul Marinho

O Caiçara absorveu muito da cultura indígena como o hábito de utilizar a banana em sua alimentação. O curioso e delicioso Azul Marinho nasceu da necessidade de se alimentar bem e da abundância dos ingredientes utilizados em seu preparo. O prato é um clássico da Cozinha Caiçara apreciadíssimo dentro e fora das regiões caiçaras tradicionais e é um dos bons exemplos da criatividade e da capacidade do Caiçara em utilizar tudo que tem disponível em seu entorno para desenvolver uma culinária autentica e saborosíssima. 

Dificuldade média | 1 hora de preparo | 4 porções

INGREDIENTES

1 kg de um peixe salgado/seco (tainha, bagre, etc.) ou de um peixe fresco e firme comogaroupa, robalo ou pescada amarela cortado em postas largas de cerca de 3 cm.
5 bananas nanicas ou da terra bem verdes.
2 colheres de sopa de azeite.
½ xícara de chá de cebola picada.
3 dentes de alho picados.
1 xícara de tomate sem pele e sem sementes cortados grosseiramente.
2 colheres de sopa de coentro picado. Se tiver, prefira sempre o coentro de folha.
2 colheres de sopa de cheiro verde picado.
10 folhas de alfavaca.
¼ de xícara de farinha de mandioca.
Sal a gosto.
Pimenta malagueta ou aquela que você tem aí, a gosto.

Dica 1: Se você quiser incrementar pode acrescentar 400 g de camarão.
Dica 2: Se for utilizar peixe seco/salgado, fica a dica do nosso amigo Cesar "Periquito": - "...O peixe seco era a base da alimentação dos pescadores por conta da ausência de gelo nos tempos passados e o que dá o toque é o processamento da "secura" do peixe. Se o peixe for um bagre seco fica melhor ainda e mais azul..." 

Você vai Precisar

1 Panela de ferro grande com tampa.

Nota: Você também pode fazer o Azul Marinho em uma panela de barro, mas há que diga que o verdadeiro Azul Marinho é feito em panela de ferro, pois propicia a formação de mais pigmentos azulados, já que os taninos se ligam fortemente aos derivados do ferro.

PREPARO

Tempere o peixe com sal e reserve.

Descasque a bananas e corte-as de comprido, ao meio. Alguns preferem manter as bananas com a casca e cozinhá-las cortadas em quatro, no sentido do comprimento e depois na metade. Defendem que são as cascas que liberam mais tanino aumentam assim a coloração azulada que dá o nome ao prato.

Dica: Se descascar as bananas, coloque-as de molho em água fria para que não escureçam. Se não for descascar, lave bem as bananas.

Coloque a panela de ferro no fogo e aqueça o azeite. Refogue a cebola e o alho. Junte os tomates, adicione o sal e metade do coentro. Misture bem.

Fazendo o Azul Brotar das Bananas Verdes

Retire as bananas da água fria, acrescente-as ao refogado e cubra tudo com a água onde estavam as bananas. Verifique o sal e cozinhe até as bananas ficarem macias. Retire as bananas da panela e reserve-as.

Nota: O caldo do peixe, bem como todos os componentes do cozido, apresentam um tom azulado, por conta da banana verde. Neste estágio, a banana é rica em uma substância chamada tanino. O tanino, ao ser liberado durante o cozimento se associa às proteínas do peixe formando um composto de cor azul.
Preparando o Peixe

Se você está utilizando o peixe seco/salgado. Dessalgue-o com antecedência. Se estive usando peixe fresco, coloque as postas de peixe na panela e, se estiver meio seco, adicione mais de água. Junte metade do cheiro verde, as folhas de alfavaca e cozinhe por uns 10 minutos ou até o peixe ficar macio. Separe os peixes e o caldo do cozimento e reserve-os em vasilhas separadas mantendo, principalmente o peixe, aquecido.

Nota: Pode parecer que separar as partes principais (banana, peixe e caldo) do prato é trabalhoso e até desnecessário, mas talvez não seja. O peixe e a banana tem tempos diferentes de cozimento e, ainda por cima, este tempo varia conforme o tipo de peixe utilizado, a espessura da posta, o tamanho e o quão verde está a banana. Sendo assim, se forem preparados juntos, eles correm o risco de cozinharem demais ou de menos e a coisa toda desandar, por exemplo, a banana ficar dura e o peixe desmanchar.

Com mais prática você saberá avaliar os ingredientes e saber o momento certo de acrescentar o peixe e a banana para cozinharem juntos, podendo fazer este prato numa toada só e terminar o cozimento correto dos dois ao mesmo tempo. Quase um estado de arte, mas chegaremos todos lá!

Fazendo o Pirão

 Foto: Receitas IG

Com um garfo amasse a maioria das bananas na panela (guarde algumas para a montagem final do prato) e vá acrescentando parte do caldo do cozimento do peixe (guarde um tanto de caldo para a montagem final do prato) até conseguir um pirão cremoso. Adicione o restante do coentro e do cheiro verde e misture. Leve a panela ao fogo e vá acrescentando a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre para não empelotar e para não grudar no fundo da panela, até conseguir uma consistência um pouco mais mole do que você gosta (leia a dica abaixo). Retire do fogo e corrija o sal.

Dica: A farinha de mandioca continua absorvendo o líquido mesmo depois de você ter finalizado o pirão deixando-o um pouco mais consistente.

Montando o Prato

Em uma travessa ou panela de barro, coloque o pirão, cubra-o com as postas de peixe, junte as bananas restantes (corte-as em pedações ou coloque-as inteiras, você é quem manda) e acrescente o restante do caldo. Está pronto!

Sirva com arroz branco e aquela sua pimentinha!

Divirta-se!

http://cozinhatradicionalcaicara.blogspot.com.br/

sábado, 27 de abril de 2019

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre

Mestre Aldemir, na lida com o cerco - Pântano do Sul

JACK O MARUJO

Resultado de imagem para terra plana

- A terra é plana, capitão? 
- Sim. O mar é que é redondo, disse Jack o Marujo.

NO ARRASTÃO


MEMÓRIA: A PESCA DE ARRASTÃO

José Luiz Sardá - Geógrafo

Na pesca de arrastão cada camarada tinha uma função. Os responsáveis em enrolar as centenas de braças das peças do cabo que se desprendiam de quando em vez, de cada lado da rede e eram amontoadas em vários pontos da praia. Outros para segurar o pano da rede e desembaraçar parte das malhas que se prendiam a um gancho qualquer ou em um siri que ficava entrelaçado nas malhas, a maioria dos camaradas ocupavam-se na tarefa de puxar a rede.

Na pesca da tainha, o vigia tinha de ser um pescador com boa visão e experiência. A missão, avistar o cardume, observar a mudança de coloração d’água de vermelho escuro ou roxo e o saltar alto dos peixes. Com chapéu ou casaco na mão, quando avistava o cardume saia correndo e abanando, avisando aos camaradas para lançar a rede ao mar. Aflitos os demais camaradas, esperavam a ordem do patrão para iniciar o arrastão. Ao sinal, o mais rápido corria e segurava o calão, então com as primeiras remadas a rede é lançada ao mar, desenhando um semicírculo.

Na canoa bordada ia o patrão, quatro remadores e o chumbeiro. O experiente patrão aos poucos vai soltando a rede e equilibrando a embarcação até chegar a outra ponta para então iniciar o arrastão. Em passo cadenciado, tórax jogado para trás, tendo a cintura envolta num laço de corda e a puxadeira, os camaradas vão e voltam centenas de vezes, sempre na mesma direção do mar para a terra e vice-versa, trazendo consigo, em cada trajeto mais um pedaço da enorme e pesada rede que lentamente se aproxima, avistando atento a boia central que indica a posição e o arco de cortiça sobre as ondas.

Terminado o arrastão, felizes faziam à partilha, metade do pescado ficava para o dono da rede, outra para os pescadores. O proeiro tem direito a quatro quinhões, o patrão três, o remador dois e os camaradas um quinhão. Se depois do lanço, o patrão resolvesse repetir outro cerco, sempre estavam prontos para ajudar, pois sempre havia esperança de um lanço melhor. Naquela época a fartura era tanta que ninguém voltava para casa de mãos vazias. Os donos das redes sempre davam tainhas para os amigos e parentes dos pescadores.

ELAS ESTÃO CHEGANDO!

Foto Duda Hamilton
Fontes geralmente bem informadas dão conta que as tainhas já sairam da Lagoa dos Patos, rumo a Santa Catarina!

POLUINDO ESCONDIDO


Microplástico: um dos principais poluentes dos oceanos

Partículas quase invisíveis de microplástico são prejudiciais à vida marinha e ao ser humano

O que é microplástico

O microplástico, como o próprio nome diz, é uma pequena partícula de plástico. Esse tipo de material é um dos principais poluentes dos oceanos. Alguns pesquisadores consideram que o tamanho máximo do microplástico é de 1 milímetro, enquanto outros adotam a medida de 5 milímetros.
O grande problema é que, como mencionado em nossa matéria sobre a grande quantidade de plástico nos oceanos, o microplástico altera a composição de certas partes dos oceanos, prejudicando o ecossistema da região e consequentemente a saúde humana.

De onde vêm?

O microplástico que vai parar no oceano tem origem no descarte inadequado de embalagens; escape de embalagens de aterros por meio do vento e da chuva; lavagem de roupas de fibras de plástico como o poliester; escape de matéria primária de plástico como o nurdles; entre outras. Ao chegar à natureza, produtos como garrafas, embalagens e brinquedos que não foram descartados corretamente, passam por um processo de quebra mecânica realizada pela chuva, pelos ventos e pelas ondas do mar, que fazem com que os produtos se fragmentem em pequenas partículas plásticas que se caracterizam como microplástico. 

Pesquisas informam que o descarte industrial inadequado de plásticos e até mesmo a perda de matérias primas que levam microplástico em sua composição, pellets plásticos por exemplo, que ao longo do processo logístico acabam dispersos no meio ambiente, também são fonte de poluição por microplástico. Um estudorealizado pela Fundação North Sea, em parceria com outras instituições, apontou presença de microplástico em produtos de beleza e higiene pessoal como esfoliantes, shampoos, sabonetes, pastas de dente, delineadores, desodorantes gloss e protetores labiais sob a forma de polietileno (PE), polipropileno (PP), politereftalato de etileno (PET) e nylon.

Os riscos

Pesquisas preliminares já apontam alguns dos riscos à saúde relativos à poluição gerada pelo microplástico. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Sistemas Ambientais da Universidade de Osnabrück, na Alemanha, aponta que esse tipo de material tem a capacidade de absorver produtos tóxicos encontrados nos oceanos como pesticidas, metais pesados e outros tipos de poluentes orgânicos persistentes (POPs), o que faz com que os danos à saúde da biodiversidade sejam muito maiores.

Plânctons e pequenos animais se alimentam do plástico contaminado e, ao serem comidos por peixes maiores, propagam a intoxicação. No fim da cadeia, quando o ser humano se alimenta desses peixes maiores, está ingerindo também o plástico e os poluentes que se acumularam ao longo da cadeia. Entre os problemas relacionados à intoxicação por POPs estão diversos tipos de disfunções hormonais, imunológicas, neurológicas e reprodutivas. Da mesma forma, os plásticos podem conter bisfenóis, que são conhecidos disruptores endócrinos muito danosos à saúde do ambiente e humana. Entenda mas sobre eles na matéria: "Conheça os tipos de bisfenol e seus riscos".


Mesmo sem estudos definitivos sobre o assunto, cientistas que participaram do First International Research Workshop on the Occurrence, Effects and Fate of Microplastic Marine Debris, realizado na Universidade de Washington, em 2008, concluíram que os impactos do microplástico na natureza são altamente nocivos. Dentre eles estão o bloqueio do trato digestivo de pequenos animais e a própria intoxicação por produtos presentes no plástico. Em ultima instância, isso poderia levar a um desequilíbrio na cadeia alimentar da região.
Como colaborar com a diminuição da contaminação

Ainda que haja muita pesquisa a ser feita, já é evidente a importância do debate e da conscientização sobre esse assunto. E você já pode começar a colaborar com a causa.

Utilize menos, reutilize e recicle produtos feitos de plástico. Contribua para o crescimento da coleta seletiva e pressione as autoridades da sua região. Conscientize-se de que suas ações contribuem com o destino de nossa espécie e daquelas que conosco coabitam o planeta.

Visite nossa seção Recicle Tudo para saber como dar o primeiro passo e informe-se sobre os pontos de reciclagem de cada tipo de material!

TEM TAINHA NO BICO

Foto  Elvis Palma

 Laguna - Santa Catarina

sexta-feira, 26 de abril de 2019

DEU PEIXE!!!

Fotos Laura Lapa

Tainhotas no Pântano do Sul, anunciando que as tainhas já estão por aí!
Capitão Ademir fazendo o que mais gosta na vida!
E Feliz!
ÚÚÚÚ!!!!!

MANEMÓRIAS

Baleia franca morta sendo retirada do mar do Pântano do Sul - Anos 60

MAR-CAIS



Foto Fernando Alexandre


Me vendo de costas,
assim...
sou o outro indo embora,
de mim...
(Fernando Alexandre)

BINGO PRO DIVINO!


No dia 11/05 teremos um grandioso BINGO , isso mesmo, véspera do dia das MÃES! Que tal ir e ganhar um presente para a pessoa mais especial de nossas vidas ! Teremos mais de 100 prêmios, entre eles BICICLETA , FOGÃO , FRITADEIRA ELETRICA, CHALEIRA ELÉTRICA E MUITO MAIS !
Vamos todos ajudar , pois este BINGO é para angariar fundos para realizar uma linda FESTA DO DIVINO 2019 !

SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?

Lanço de 1996 no Pântano do Sul: 2.300 cabeçudas!
Seo Luciano de Ávila, pescador e primeiro Intendente do Pântano do Sul! Atrás, seo Salomão, seo Leca, Zenildo (Babaco) e seo Dario da Delza!

(Acervo do Alan Arante Monteiro)

NO COSTÃO...

Foto Fernando Alexandre

NOTURNA

Foto Fernando Alexandre
"Zé Gancheiro" na espera, espreitando as sombras da noite!

quinta-feira, 25 de abril de 2019

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Capitão Ademir fazendo o que mais gosta, e a camaradagem!
Pântano do Sul - Cercando 
paratis

JACK O MARUJO


- O que o sr. levaria para uma ilha deserta, capitão?
- Um navio, disse Jack o Marujo.

MAR DE POETA

Imagem relacionada

Somos sonhos 
fazendo hara-kiri

(Fernando Alexandre)

NAVEGANDO PALAVRAS

Livraria flutuante, navio Logos Hope vai atracar em portos brasileiros este ano com mais de 5 mil livros a bordo(foto: Logos Hope/Divulgação)
Maior livraria flutuante do mundo vai atracar em cinco cidades brasileiras

A partir de agosto, o Logos Hope passará pelos municípios de Santos, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador e Belém

A maior livraria flutuante do mundo vai atracar em portos brasileiros este ano com mais de 5 mil livros a bordo. A partir de agosto, o Logos Hope passará pelos municípios de Santos, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador e Belém, respectivamente. 

Ao atracar nos portos, a proposta é promover projetos sociais e de ajuda humanitária com apoio de 400 voluntários. Segundo a empresa alemã GBA Ships, responsável pelo navio, pelo menos 47 milhões de pessoas em 150 países já subiram na embarcação em quase quatro décadas de atuação. 

O Logos Hope como é conhecido hoje começou a atuar em fevereiro de 2009, mas a história do navio já soma cerca de quatro décadas, quando as embarcações eram batizadas com outros nomes. Logos, em grego, significa "a palavra". A embarcação tem capacidade para 442 pessoas. Somente no Logos Hope, já foram vendidos mais de 8 milhões de obras. A embarcação recebeu mais de 7 milhões de visitantes. 

Continua depois da publicidade

A primeira cidade a receber o navio será Santos, a partir do dia 23 de agosto. Em Santos, são esperados cinco mil visitantes por dia. Em março, a Prefeitura de Santos entregou uma carta de boas-vindas à GBA Ships. 

O navio ficará no município litorâneo até 17 de setembro, quando seguirá para o Rio de Janeiro. Lá, ficará atracado até 8 de outubro. O navio permanece em Vitória entre os dias 9 e 22 de outubro. Em seguida, continua a viagem até Salvador, onde estará entre os dias 24 de outubro e 12 de novembro. 

O último município a receber o Logos será Belém, no dia 18 de novembro. A embarcação deixa a capital paraense no dia 6 de dezembro, dando continuidade ao percurso em outros países da América Central. 

A feira flutuante contém títulos voltados para educação complementar, interesses profissionais e de carreira, desenvolvimento pessoal, entre outros. Há uma sessão voltada somente para crianças. 

A maioria das obras disponíveis é em inglês, mas a empresa busca se adaptar à língua da comunidade local. Quando o navio atraca nos portos, é organizada uma estrutura para doação de livros.