sexta-feira, 31 de maio de 2019

ÚÚÚÚ!!!!


Quando o último dia de maio clareou e os vigias abanaram, camaradagem do Santinho deslizou com as canoas nas estivas e cercaram o maior lanço desta temporada: 1.200 tainhas gradas e ovadas!

MAR-CAIS


Foto Andrea Ramos


rotina
todo esse azul
relaxando a retina
(Fernando Alexandre)

PESCANDO TAINHAS COM FLECHAS, EM 1540!


Gravuras do livro de Hans Staden
Pescavam com rede e flechas.
E faziam farinha de tainha


Nesse tempo (agosto) procuram uma espécie de peixes que emigram do mar para as correntes de água doce, para aí desovar. Esses peixes se chamam em sua língua piratís e em espanhol “lisas” (tainhas).
Pescam grande número de peixes com pequenas redes. O fio com que as emalham, obtem-no de folhas longas e pontudas, quem chamam tucum. Quando querem pescar com estas redes, juntam-se alguns deles e colocam-se em círculo na água rasa, de modo que a cada um cabe um determinado pedaço da rede. Vão então uns poucos no centro da roda e batem na água. Se algum peixe quer fugir para o fundo, fica preso à rede.
Aquele que apanha muito peixe reparte com os outros que pescam pouco. Também os atiram com flechas. Têm a vista aguçada. Quando algures vem um peixe à tona, atiram-no, e poucas setas falham.
Recolhem grande porção de peixes, torram-nos sobre o fogo, esmagam-nos, fazendo deles farinha, a que chamam piracuí, que secam bem afim de que se conserve por muito tempo. Levam-na para casa e comem-na juntamente com a mandioca.”

(Do Hans Staden)

*Viajante e cronista alemão que esteve por aqui na década de 1540, logo depois da chegada dos portugueses, Hans Staden provavelmente pescou e comeu tainhas no litoral de São Paulo. Em uma de suas viagens, ficou por nove meses prisioneiro dos índios Tupinambás. Enquanto tentava não ser comido por eles, que tinham por hábito saborear seus prisioneiros, observou como viviam e, depois de voltar para a Europa escreveu, em 1557, “Viagem ao Brasil”. É dele este relato, o primeiro que se tem notícia da pesca da tainha por aqui e como ela era comida.

HOJE VAI DAR PEIXE NO PÂNTANO DO SUL!


Desenho Franklin Cascaes


SÊO FRANCOLINO CHEGOU!
HOJE VAI DAR PEIXE!
"... Nessa época de pesca da tainha, eu me levantava cedo e junto com a minha patroa nós íamos para as praias. A nossa corrida era o Pântano do Sul. Eu me dava muito bem com aquele povo... O dia em que eu chegava na praia eles ficavam satisfeitos porque: ah! hoje vai dar tainha porque o seu Francolino chegou aí." Muitos me chamavam de "seu Francolino"... Então: ah! o seu Francolino chegou. O senhor é como São Pedro que aparece na praia. Me disseram isso muitas vezes. "Porque quando o senhor chega aqui, o peixe aparece". Eu digo só: meu Deus, onde é que está a sugestão, eles se sugestionam com alguma coisa e pronto. Se aparecia peixe? Só acontecia mesmo quando o peixe tinha que passar aí, não é? O peixe vinha..."

(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997)

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

MAR DE POETA

Foto Lubomir Hlasck


no fundo no fundo
vidro,
peixes sons mergulhos água
leve marola suspira
sai voando biguá
(Pedro Port)

SEM PESCA INDUSTRIAL?

Arte: Secom/PGR

MPF requer suspensão da norma que autoriza pesca da tainha pela frota industrial de cerco

No recurso, MPF requereu a suspensão dos efeitos das instruções normativas que autorizam pesca da tainha pelas traineiras, até que a Justiça analise argumentos e documentos dos autos

O Ministério Público Federal (MPF) interpôs novo recurso de agravo, junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), nessa terça-feira (28), contra decisão que negou pedido liminar formulado em Ação Civil Pública, no sentido de que a União aplique à frota industrial de cerco o abatimento de 100% da cota (cota zero) no corrente ano, por haver pescado duas vezes e meia a cota de tainha que lhe foi atribuída no ano passado.

No recurso, o procurador regional da República Flávio Strapason requereu a suspensão dos efeitos das instruções normativas que autorizam a pesca da tainha pelas traineiras, até que o Poder Judiciário analise os argumentos e documentos trazidos aos autos pelo Ministério Público Federal ou ouça a União. Segundo o procurador regional, a tutela ao meio ambiente sempre deverá ser privilegiada, sendo que, enquanto a suspensão requerida não causará danos irreparáveis nem ao meio ambiente nem aos envolvidos, a manutenção dos atos normativos questionados poderá levar, num só dia, à perda não apenas dos direitos fundamentais em causa, como das próprias agregações reprodutivas da tainha.

A Ação Civil Pública foi ajuizada na Justiça Federal de Rio Grande, em 16 de maio, em virtude da atribuição, pela União, este ano, de uma cota de 1.592 toneladas de tainha para a modalidade de cerco/traineiras, à qual ainda acrescia tolerância de 20%. De acordo com a procuradora da República Anelise Becker, a atribuição de cota à frota industrial de cerco, pela Instrução Normativa Mapa 08/2019, contradiz frontalmente o regramento estabelecido no ano passado e não tem embasamento técnico que o justifique. Observa a procuradora, ainda, que, ao eliminar o compromisso com a compensação dos excessos nos anos seguintes, a União subverteu por completo o regime de cotas, acentuando o risco de extinção a que foi exposta a espécie, já classificada pelo ICMBio como quase ameaçada de extinção, em 2013 e que, mesmo assim, continua a ser capturada durante sua migração reprodutiva com vistas à exportação de suas ovas, conhecidas internacionalmente como o “caviar brasileiro”.


Da Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul
Telefone MPF: (51) 3284-7200
Telefones ASCOM: (51) 3284-7370 / 3284-7421 / 3284-7369 / 98423 9146
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E A TAINHA VIROU GRIFFE!


quinta-feira, 30 de maio de 2019

SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?

Foto Fernando Alexandre

ÚÚÚÚ!!!!
Muita tainha no dia de São João no Pântano do Sul!
Em 2009!

MAR DE POETA

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pássaro

peixe fora d'água
precisei de asas
e nadei no ar

(Da líria porto)

AS TAINHAS DO VADINHO


Sêo Vadinho é dono do restaurante do Vadinho, no Pântano do Sul, Ilha de Santa Catarina. Ele dá umas receitas para o tainha na rede.

NA ESPERA E NA ESPREITA

Foto via zap-zap
Na Praia do Silveira, Garopaba, todo mundo de olho no mar em busca das tainhas! 

TÁ BOM?

Foto via zap-zap sem identificação

DE BRUXAS E LUTAS

Na Europa do século XVI, a caça às bruxas foi uma guerra de classes por parte da elite.

As bruxas e as lutas de classes


Trecho do livro Calibã e a Bruxa (Elefante, 2018). Tradução: Coletivo Sycorax

A caça às bruxas raramente aparece na história do proletariado. Até hoje, continua sendo um dos fenômenos menos estudados na história da Europa ou, talvez, da história mundial, se consideramos que a acusação de adoração ao demônio foi levada ao Novo Mundo pelos missionários e conquistadores como uma ferramenta para a subjugação das populações locais.

O fato de que a maior parte das vítimas na Europa tenham sido mulheres camponesas talvez possa explicar o motivo da indiferença dos historiadores com relação a tal genocídio; uma indiferença que beira a cumplicidade, já que a eliminação das bruxas das páginas da história contribuiu para banalizar sua eliminação física na fogueira, sugerindo que foi um fenômeno com um significado menor, quando não uma questão de folclore.

Inclusive, os estudiosos da caça às bruxas (no passado eram quase exclusivamente homens) foram frequentemente dignos herdeiros dos demonólogos do século XVI. Ainda que deplorassem o extermínio das bruxas, muitos insistiram em retratá-las como tolas miseráveis que sofriam com alucinações. Desta maneira, sua perseguição poderia ser explicada como um processo de “terapia social” que serviu para reforçar a coesão amistosa, ou poderia ser descrita em termos médicos como um “pânico”, uma “loucura”, uma “epidemia”, todas caracterizações que tiram a culpa dos caçadores das bruxas e despolitizam seus crimes.

As feministas reconheceram rapidamente que centenas de milhares de mulheres não poderiam ter sido massacradas e submetidas às torturas mais cruéis se não tivessem proposto um desafio à estrutura de poder. Também se deram conta de que essa guerra contra as mulheres, que se manteve durante um período de pelo menos dois séculos, constituiu um ponto decisivo na história das mulheres na Europa, o “pecado original” no processo de degradação social que as mulheres sofreram com a chegada do capitalismo, o que o conforma, portanto, como um fenômeno ao qual devemos retornar de forma reiterada se quisermos compreender a misoginia que ainda caracteriza a prática institucional e as relações entre homens e mulheres.

Ao contrário das feministas, os historiadores marxistas, salvo raras exceções — inclusive quando se dedicaram ao estudo da “transição ao capitalismo” —, relegaram a caça às bruxas ao esquecimento, como se carecesse de relevância para a história da luta de classes. As dimensões do massacre deveriam, entretanto, ter levantado algumas suspeitas: em menos de dois séculos, centenas de milhares de mulheres foram queimadas, enforcadas e torturadas.

Deveria parecer significativo o fato de a caça às bruxas ter sido contemporânea ao processo de colonização e extermínio das populações do Novo Mundo, aos cercamentos ingleses, ao começo do tráfico de escravos, à promulgação das Leis Sangrentas contra vagabundos e mendigos, e de ter chegado a seu ponto culminante no interregno entre o fim do feudalismo e a “decolagem” capitalista, quando os camponeses na Europa alcançaram o ponto máximo do seu poder, ao mesmo tempo que sofreram a maior derrota da sua história. Até agora, no entanto, este aspecto da acumulação primitiva tem permanecido como um verdadeiro mistério.
A época de queima de bruxas e a iniciativa estatal

O que ainda não foi reconhecido é que a caça às bruxas constituiu um dos acontecimentos mais importantes do desenvolvimento da sociedade capitalista e da formação do proletariado moderno. Isso porque o desencadeamento de uma campanha de terror contra as mulheres, não igualada por nenhuma outra perseguição, debilitou a capacidade de resistência do campesinato europeu frente ao ataque lançado pela aristocracia latifundiária e pelo Estado, em uma época na qual a comunidade camponesa já começava a se desintegrar sob o impacto combinado da privatização da terra, do aumento dos impostos e da extensão do controle estatal sobre todos os aspectos da vida social.

A caça às bruxas aprofundou divisões entre mulheres e homens, ensinando os homens a temer a força das mulheres, e destruiu um universo de práticas, crenças e sujeitos sociais cuja existência era incompatível com a disciplina capitalista do trabalho, redefinindo assim os principais elementos da reprodução social.

Ao contrário da visão propagada pelo Iluminismo, a caça às bruxas não foi a última fagulha de um mundo feudal agonizante. Foi depois de meados do século XVI, nas mesmas décadas em que os conquistadores espanhóis subjugaram as populações americanas, que começou a aumentar a quantidade de mulheres julgadas como bruxas. Além disso, a iniciativa da perseguição passou da Inquisição às cortes seculares. A caça às bruxas alcançou seu ápice entre 1580 e 1630, ou seja, numa época em que as relações feudais já estavam dando lugar às instituições econômicas e políticas típicas do capitalismo mercantil. Foi neste longo “Século de Ferro” que, quase que por meio de um acordo tácito entre países que frequentemente estavam em guerra entre si, se multiplicaram as fogueiras, ao passo que o Estado começou a denunciar a existência de bruxas e a tomar a iniciativa de persegui-las.

Antes que os vizinhos se acusassem entre si ou que comunidades inteiras fossem acometidas pelo “pânico”, teve lugar um firme doutrinamento, no qual as autoridades expressaram publicamente sua preocupação com a propagação das bruxas e viajaram de aldeia em aldeia para ensinar as pessoas a reconhecê-las, em alguns casos levando consigo listas de mulheres suspeitas de serem bruxas e ameaçando castigar aqueles que as dessem asilo ou lhes oferecessem ajuda.

Mas foram os juristas, os magistrados e os demonólogos, frequentemente encarnados na mesma pessoa, os que mais contribuíram para a perseguição: foram eles que sistematizaram os argumentos, responderam aos críticos e aperfeiçoaram a maquinaria legal que, por volta do final do século XVI, deu um formato padronizado, quase burocrático, aos julgamentos, o que explica as semelhanças entre as confissões para além das fronteiras nacionais. No seu trabalho, os homens da lei podiam contar com a cooperação dos intelectuais de maior prestígio na época, incluindo filósofos e cientistas que ainda hoje são elogiados como os pais do racionalismo moderno.

Não pode haver dúvida, então, de que a caça às bruxas foi uma iniciativa política de grande importância. A natureza política da caça às bruxas também fica demonstrada pelo fato de que tanto as nações católicas quanto as protestantes, em guerra entre si quanto a todas as outras temáticas, se uniram e compartilharam argumentos para perseguir as bruxas. Assim, não é um exagero dizer que a caça às bruxas foi o primeiro terreno de unidade na política dos novos Estados-nação europeus, o primeiro exemplo de unificação europeia depois do cisma provocado pela Reforma.

Crenças diabólicas e mudanças no modo de produção

Uma primeira ideia sobre o significado da caça às bruxas na Europa pode ser encontrada na tese proposta por Michael Taussig em seu clássico trabalho “The Devil and Commodity Fetishism in South America” (“O demônio e o Fetichismo da Mercadoria na América do Sul”), de 1980. Neste livro, o autor sustenta que as crenças diabólicas surgem em períodos históricos em que um modo de produção está sendo substituído por outro. Em tais períodos, não somente as condições materiais de vida são transformadas radicalmente, mas também o são os fundamentos metafísicos da ordem social — por exemplo, a concepção de como se cria o valor, do que gera vida e crescimento, do que é “natural” e do que é antagônico aos costumes estabelecidos e às relações sociais.

Taussig desenvolveu sua teoria a partir do estudo das crenças de trabalhadores rurais colombianos e mineiros de estanho bolivianos numa época em que, em ambos os países, estavam surgindo certas relações monetárias que, aos olhos do povo, se associavam com a morte e inclusive com o diabólico, ainda mais se comparadas com as formas de produção mais antigas, que ainda persistiam, orientadas à subsistência. Desse modo, nos casos analisados por Taussig, eram os pobres que suspeitavam que os mais ricos participavam na adoração ao demônio. Ainda assim, sua associação entre o diabo e a forma-mercadoria nos faz lembrar também que, por detrás da caça às bruxas, esteve a expansão do capitalismo rural, que incluiu a abolição de direitos consuetudinários e a primeira onda de inflação na Europa moderna.

Estes fenômenos não somente levaram ao crescimento da pobreza, da fome e do deslocamento social, mas também transferiram o poder para as mãos de uma nova classe de “modernizadores” que olhavam com medo e repulsa as formas de vida comunais que haviam sido típicas da Europa pré-capitalista. Foi graças à iniciativa desta classe protocapitalista que a caça às bruxas alçou voo, como uma arma com a qual se podia derrotar a resistência à reestruturação social e econômica.

Que a difusão do capitalismo rural, com todas as suas consequências (expropriação da terra, aprofundamento das diferenças sociais, deterioração das relações coletivas), tenha sido um fator decisivo no contexto de caça às bruxas é algo que também se pode provar pelo fato de que a maioria dos acusados eram mulheres camponesas pobres — cottars, trabalhadoras assalariadas —, enquanto os que as acusavam eram abastados e prestigiosos membros da comunidade, muitas vezes seus próprios empregadores ou senhores de terra, ou seja, indivíduos que formavam parte das estruturas locais de poder e que, com frequência, tinham laços estreitos com o Estado central.

Na Inglaterra, as bruxas eram normalmente mulheres velhas que viviam da assistência pública, ou mulheres que sobreviviam indo de casa em casa mendigando pedaços de comida, um jarro de vinho ou de leite; se estavam casadas, seus maridos eram trabalhadores diaristas, mas, na maioria das vezes, eram viúvas e viviam sozinhas. Sua pobreza se destaca nas confissões. Era em tempos de necessidade que o diabo aparecia para elas, para assegurar-lhes que a partir daquele momento “nunca mais deveriam pedir”, mesmo que o dinheiro que lhes seria entregue em tais ocasiões rapidamente se transformasse em cinzas, um detalhe talvez relacionado com a experiência da hiperinflação que era comum na época.

Quanto aos crimes diabólicos das bruxas, eles não nos parecem mais que a luta de classes desenvolvida na escala do vilarejo: o “mau-olhado”, a maldição do mendigo a quem se negou a esmola, a inadimplência no pagamento do aluguel, a demanda por assistência pública.

Caça às bruxas e revolta de classes

Como podemos ver a partir desses casos, a caça às bruxas se desenvolveu em um ambiente no qual os “de melhor estirpe” viviam num estado de constante temor frente às “classes baixas”, das quais certamente se podia esperar que abrigassem pensamentos malignos, já que nesse período estavam perdendo tudo o que tinham.

Não surpreende que este medo se expressasse como um ataque à magia popular. A batalha contra a magia sempre acompanhou o desenvolvimento do capitalismo, até os dias de hoje. A premissa da magia é que o mundo está vivo, que é imprevisível e que existe uma força em todas as coisas de forma que cada acontecimento é interpretado como a expressão de um poder oculto que deve ser decifrado e moldado de acordo com a vontade de cada um.

A magia constituía também um obstáculo para a racionalização do processo de trabalho e uma ameaça para o estabelecimento do princípio da responsabilidade individual. Sobretudo, a magia parecia uma forma de rejeição do trabalho, de insubordinação, e um instrumento de resistência de base ao poder. O mundo devia ser “desencantado” para poder ser dominado.

Por volta do século XVI, o ataque contra a magia já estava no seu auge e as mulheres eram os alvos mais prováveis. Mesmo quando não eram feiticeiras/magas experientes, chamavam-nas para marcar os animais quando adoeciam, para curar seus vizinhos, para ajudar-lhes a encontrar objetos perdidos ou roubados, para lhes dar amuletos ou poções para o amor ou para ajudar-lhes a prever o futuro. Embora a caça às bruxas estivesse dirigida a uma ampla variedade de práticas femininas, foi principalmente devido a essas capacidades — como feiticeiras, curandeiras, encantadoras ou adivinhas — que as mulheres foram perseguidas, pois, ao recorrerem ao poder da magia, debilitavam o poder das autoridades e do Estado, dando confiança aos pobres em sua capacidade para manipular o ambiente natural e social e, possivelmente, para subverter a ordem constituída.

Por outro lado, é de se duvidar que as artes mágicas que as mulheres praticaram durante gerações tivessem sido ampliadas até o ponto de se converterem em uma conspiração demoníaca, se não tivessem ocorrido num contexto de intensa crise e luta social. Tais revoltas foram as Guerras Camponesas contra a privatização da terra, que incluíram as insurreições contra os cercamentos na Inglaterra (em 1549, 1607, 1628 e 1631), quando centenas de homens, mulheres e crianças, armados com forquilhas e pás, começaram a destruir as cercas erguidas ao redor das terras comunais, proclamando que “a partir de agora nunca mais precisaremos trabalhar”. Durante estas revoltas, muitas vezes, eram as mulheres que iniciavam e dirigiam a ação.
A perseguição às bruxas se desenvolveu nesse terreno. Foi uma guerra de classes levada a cabo por outros meios.

Caça às bruxas, caça às mulheres e a acumulação do trabalho

Com este pano de fundo, parece plausível que a caça às bruxas tenha sido, pelo menos em parte, uma tentativa de criminalizar o controle da natalidade e de colocar o corpo feminino — o útero — a serviço do aumento da população e da acumulação da força de trabalho. Podemos imaginar o efeito que teve nas mulheres o fato de ver suas vizinhas, suas amigas e suas parentes ardendo na fogueira, enquanto percebiam que qualquer iniciativa contraceptiva de sua parte poderia ser interpretada como produto de uma perversão demoníaca.

Desse ponto de vista, não pode haver dúvida de que a caça às bruxas destruiu os métodos que as mulheres utilizavam para controlar a procriação, posto que eles eram denunciados como instrumentos diabólicos, e institucionalizou o controle do Estado sobre o corpo feminino, o principal pré-requisito para sua subordinação à reprodução da força de trabalho. A caça às bruxas foi, portanto, uma guerra contra as mulheres; foi uma tentativa coordenada de degradá-las, de demonizá-las e de destruir seu poder social.

Quando esta tarefa foi cumprida por completo — no momento em que a disciplina social foi restaurada e a classe dominante consolidou sua hegemonia —, os julgamentos de bruxas cessaram. A crença na bruxaria pôde inclusive se tornar algo ridículo, desprezada como superstição e apagada rapidamente da memória. Assim como o Estado havia iniciado a caça às bruxas, um por um, os vários governos foram tomando a iniciativa de acabar com ela.

Uma vez destruído o potencial subversivo da bruxaria, foi possível até mesmo permitir que tal prática seguisse adiante. Depois da caça às bruxas chegar ao fim, muitas mulheres continuaram sustentando-se por meio da adivinhação, da venda de encantamentos e da prática de outras formas de magia. Mas agora as autoridades já não estavam interessadas em perseguir essas práticas, sendo inclinadas, ao contrário, a ver a bruxaria como um produto da ignorância ou como uma desordem da imaginação.

O espectro das bruxas seguiu, de qualquer forma, assombrando a imaginação da classe dominante. Em 1871, a burguesia parisiense o retomou instintivamente para demonizar as mulheres communards, acusando-nas de querer incendiar Paris. Não pode haver muita dúvida, de fato, de que os modelos das histórias e imagens mórbidas de que se valeu a imprensa burguesa para criar o mito das pétroleusesincendiárias foram retirados diretamente do repertório da caça às bruxas.

Imagem tomada de: QueAprendemosHoy.com “A cozinha das bruxas por Frans Francken, o Jovem, 1606.” Hermitage Museum

quarta-feira, 29 de maio de 2019

DESCLASSIFICADOS TAINHANAREDE

oculos-de-sol-para-praia-7

Vendo óculos com vista para o mar. Tratar aqui.

TAINHAS MANDAM AVISAR QUE...

Barco chega no final de tarde após um dia na costa à procura das tainhas. Foto: Anderson Coelho/ND



Com quase um mês de atraso, tainhas estão a caminho do litoral de Santa Catarina

Pescadores aguardam nova frente fria acompanhada de vento Sul para fazer o cerco e capturar os primeiros grandes cardumes

CRISTIANO RIGO DALCIN, FLORIANÓPOLIS

Com quase 30 dias de atraso, as tainhas estão chegando ao litoral de Santa Catarina. É o que contam os pescadores que aguardam ansiosos a chegada dos cardumes trazidos pelo vento sul e pelas temperaturas frias que marcam a transição do outono para o inverno.

A informação também é atestada por vídeos com a captura dos peixes feita por barcos que estão no litoral norte do Rio Grande e começaram a circular na tarde desta terça-feira entre os pescadores que estão de prontidão nos ranchos de pescas espalhados por Florianópolis.
A safra da tainha foi aberta em 1º de maio para pesca artesanal e desde então, o clima não tem colaborado devido ao calor e ausência do vento Sul, que traz os cardumes da Lagoa dos Patos, no Sul do Rio Grande do Sul. Um dos pescadores que aguardam a chegada dos cardumes é Laurentino Benedito Neves, o Chinho, 56 anos.

Sentado em frente ao rancho Saragaço, na Barra da Lagoa, ele olha atentamente para o mar, sempre com o rádio comunicador ligado na escuta de informações repassadas por três vigias que ficam espalhados por pontos distintos da baía. Diante do mar calmo, qualquer movimentação na água é checada pelos pescadores.

“A tainha é um peixe de migração, não tem um período certo. Quando ela aparece, tem que estar pronto para fazer o cerco”, ensina Chinho. O vídeo com imagens da captura dos peixes no litoral norte do Rio Grande do Sul, entre Capão da Canoa e Torres, deixou os pescadores animados. “Não próxima frente fria, os cardumes já devem estar por aqui”, comenta Chinho.
Laurentino Neves, o Chinho, aguarda ansioso a chegada dos cardumes. Foto: Anderson Coelho/ND


Apesar do início da safra não ter sido boa, o pescador tem esperança de que os próximos dois meses possam ser compensadores. “Cada safra é uma história. Tem ano que capturamos mais de dia, às vezes, é mais à noite.

Tem dia que o cerco acontece no meio da baía, tem dia que é no canto”, relata. A paciência é testada a fio e para isso os pescadores aproveitam para bater papo, tomar café e jogar cartas, sempre de olho no horizonte.

Frente fria deve garantir o esperado vento Sul

De acordo com os pescadores, as tainhas ainda não “encostaram” no litoral catarinense porque um velho conhecido deles, o vento sul, ainda não soprou para valer na região. É o “suli”, como eles chamam carinhosamente, o responsável por esfriar as temperaturas no Sul do país, trazendo as tainhas que deixam a Lagoa dos Patos em direção a água mais quentes, do litoral de SC.

“Até agora tivemos poucos dias de frio e de vento sul. A temperatura da água da Lagoa dos Patos precisa diminuir”, relata o presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina), Ivo Silva. Porém, se depender da previsão do tempo, uma nova frente fria deverá passar por Santa Catarina nos próximos dias, acompanhada do esperado vento Sul e, quem sabe, das tainhas.
Amilton Martins (E) viu os colegas dos Ingleses capturarem três toneladas. Foto: Anderson Coelho/ND

“Está previsto para o vento virar essa noite. Vamos aguardar. Até o final de semana elas devem chegar”, relata Amilton Alvaro Martins, que retornou do mar no final da tarde de ontem em um dos barcos que deixaram a Barra da Lagoa no início da manhã.

Na altura da praia dos Ingleses, Amilton testemunhou a captura de um cardume que ele calcula ter rendido três toneladas para os colegas do Norte da Ilha. “Chegamos tarde. Nem colocamos a rede na água porque não vimos nenhum outro cardume”, informou, com a rede de 8,8 mil metros de extensão por 44,4 metros de altura devidamente armazenada no barco.

Além da captura testemunhada por Amilton, nesta terça-feira também foram registradas captura de pequenos cardumes no Gravatá (Praia Mole) e na Joaquina.

SAFRA DA TAINHA

2006: 1.124 toneladas
2007: 2.142 toneladas
2008: 493 toneladas
2009: 1.208 toneladas
2010: 702 toneladas
2011: 617 toneladas
2012: 425 toneladas
2013: 1.213 toneladas
2014: 1.001 toneladas
2015: 1.311 toneladas
2016: 3.543 toneladas
2017: 1.780 toneladas
2018: 3.417 toneladas

Fonte: Fepesc e Sindipi

NA PRAIA...


Foto de Andrea Ramos

Onde há pesca 
há fé e
 esta não pode falhar

TAINHA SUJA

O pescador Célio Alípio, o "carestia", é morador da praia do Pântano do Sul, Ilha de Santa Catarina. Pesca desde sempre! Ele dá a receita da "Tainha suja", para Fernando Alexandre, do tainhanarede.

MAR DE POETA

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Retrato na parede 
Luz do agora 
Olhos de criança

(Fernando Alexandre - Inverno 2018)

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

MAIOR LANÇO DA TEMPORADA!


Finalmente um lanço pra animar a camaradagem mané nesta safra esquisita: 1.000 tainhas gradas e ovadas!

ÚÚÚÚ!!!!

MAR DE FALARES

O manezês, num tem?

RAINHAS BORDADAS

Foto via zap--zap

Na Praia do Pinho, em Balneário Camboriú, a "Gatinha Peladinha"! 

terça-feira, 28 de maio de 2019

MAR DE POETA

Foto Fernando Alexandre
 O CERCO

Os canhões da rebentação diante da vigia,
o transe do dia repondo o transe da noite,
rápidos olhos veem, ávidos ouvidos ouvem
calcanhares esmagando odisseias,
ondas endossando um sentido,
folha de alumínio enrugada do mar
riscada por maçaricos e fragatas.
Breves mistérios nos búzios,
folhagens selvagens de espumas
que três céleres canoas cortam.
Memórias náufragas, segredos
degredados, uma
duna de ipomeias,
esteiras sibilantes na pele da praia,
Instantes fundados
entre gritos de gaivotas e pescadores.
Suas proas apontadas para o sul, luz
furiosa nas vagas lavando as pedras
e esta aurora nublada:
manta tremulante de peixes.
***
(Rodrigo Garcia Lopes, De "Experiências Extraordinárias" (Kan Editora, 104 pp, R$ 25)
Pedidos à Livraria da Silvia)

E A TAINHA VIROU PIZZA...

ATÉ TU, TAINHA!
Tainha assada na brasa
(pizza de tainha)

Receita enviada por Cláudio Siegel, de Brasília
Ingredientes
1 tainha aberta por cima ou pela barriga sem a espinha ( fazer um filé)
 1 cebola grande picada; 
1 tomate grande picado; 
Alcaparras a gosto 
Sal a gosto 
Maionese 
Preparo
Temperar a tainha com sal
 Passar a maionese hellmans sobre a tainha 
Colocar a cebola, o tomate e as alcaparras 
Montar como uma pizza sendo a massa da pizza a tainha 
Em um grill colocar a tainha aberta com a escama para baixo 
Assar em uma altura de 30 a 40 cm da brasa, por uns 45 minutos.

DE OLHO NO PEIXE!

Do Silézio Sabino

PREVISÃO DOS VENTOS

Resultado de imagem para Urubu voando alto
Imagem sem crédito
Urubu voando alto
Depois de um nordeste duro,
É vento sul de assalto
E marinheiro em apuro
(Quadra Praieira)

TRABALHADORES DO MAR

Fotos Fernando Alexandre
Capitão Ademir, patrão dos mais experientes do Pântano do Sul, faz  manutenção da "frota" enquanto espera as tainhas encostarem!

AS RAINHAS BORDADAS


"Mariposa", uma das quatro canoas da pesca da tainha no Pântano do Sul, é uma canoa e um pau só, com borda falsa: é uma canoa bordada!
Didi Grande ou Didi da Maria Jovita, o Delmi Elpídio Correia, experiente pescador da praia do Pântano do Sul e patrão da canoa há muitos anos e Abelardo Ercílio de Oliveira, falam sobre a "Mariposa", uma das canoas mais antigas da praia. 


FRITA, ASSADA, ISHCALÁDA ?

Rapásh, u Chicu Batêra é um báita mêmu, ólha só a lêtra qui êli fêsh pa nósh. Ishpía Ishpía... I tú mô quirídu? Comé qui tú góshta da taínha? Fríta? Assáda? Ishcaláda? Dísh pa nósh...

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre


MANEMÓRIAS

Praia do Saco das Limões em 1890!






segunda-feira, 27 de maio de 2019

RECICLANDO AS REDES


Redes de pesca: precioso descarte


Meu fascínio ao me deparar com os trapos desbotados e carcomidos das redes de pesca industrial, ainda nos idos de 1998, foi instantâneo. Apesar de ser, aparentemente, um resíduo de pouco valor, enxerguei ali a chance de fazer algo novo.

Inicialmente vislumbrei a possibilidade de tecer manualmente tecidos a metro e logo descobri a enorme versatilidade do material. Daí vieram os tapetes, cortinas, roupas, acessórios femininos e tudo o mais que a imaginação permitir.
Aprendendo eternamente

No início desta trajetória, ainda não tinha conhecimento profundo da história, do uso e composição deste material; nem dos danos ambientais causados pelo descarte incorreto destes resíduos – ou “panos”, como são denominadas as redes por alguns pescadores.
Exemplo de rede de pesca em fase de triagem. Foto da autora.

Fomos “crescendo” juntas, eu e as redes. Ao passo que elas chegavam até mim, a gama de produtos foi crescendo, bem como a informação que me trouxe maior consciência ambiental.
Danos ambientais

As redes de pesca industrial são feitas de poliamida, material derivado do petróleo, portanto, altamente resistente e poluente. Estas redes, fabricadas especialmente para a indústria pesqueira, medem em média 60 metros de altura por 1,2 quilômetros de largura. É muito comum que elas sejam colocadas no oceano uma ao lado da outra para fazer um cerco muito abrangente.
Detalhe da trama feita com o material das redes de pesca. Foto da autora.

Como as malhas das redes são bem pequenas, tudo o que cai ali morre. Ou seja, juntamente dos cardumes de pescados, como sardinhas ou anchovas, outros animais marinhos são arrastados. Assim são mortas diversas espécies de tartarugas, golfinhos, tubarões e também espécies marinhas em época de reprodução.

Descarte irresponsável

10% do lixo dos oceanos são resíduos da indústria pesqueira, segundo dados da FAO (Food and Agriculture Organisation). Este descarte, junto ao demais detritos jogados nos oceanos, está minando a vida dos mares, ameaçando cadeias biológicas inteiras, inclusive de espécies ainda não conhecidas pelo homem.

Projetos como o “Pesca Fantasma” alertam para o alto impacto ambiental dos materiais usados em pescas em todo o mundo. Iniciativas como o Minnow, um skate feito com matéria de redes de pesca, são outro exemplo de transformação consciente de um resíduo em matéria prima para algo ecologicamente correto
O que podemos fazer?

Pesquisar sobre os impactos ambientais que nossas ações causam é de vital importância. Um exemplo simples: produtos como creme dental, maquiagem e protetores solares liberam as denominadas nanopartículas. Através da água, esses compostos químicos vão parar no fundo dos oceanos, criando uma película que abafa e mata o plâncton, corais e demais seres.

Substituir os produtos de limpeza e beleza industriais por outros de composição ambientalmente amigável é uma importantíssima ação. Sem contar o já tradicional apelo para substituir sacolas plásticas pelas de tecido e da redução do uso de canudos de plástico.
Coleta e uso do material

As redes de pesca são, na realidade, muito limpas, pois têm contato quase que exclusivamente com as águas oceânicas.

Quando já não servem mais para a pesca, compro-as pessoalmente dos pescadores que separam de antemão este material. Elas então são lavadas com jato d’água para eliminar areia, partículas de vegetais e alguns outros detritos.
Processo de triagem e análise das redes de pesca. Fotos da autora.

Neste momento começa o processo de criação, quando o material bruto conversa comigo, mostrando para que tipo de produto serve.

As redes mais finas irão para os xales, mantas ou serão cortadas em tiras para a composição de tecidos artesanais. As de malha média servirão para bolsas, pochetes, tapetes e tecidos. Já as mais grosseiras e danificadas irão para a produção de tapetes.
Versatilidade e sustentabilidade

Utilizar um material totalmente desprezado, apesar de sua resistência e graciosidade, é algo muito gratificante.

Poder colaborar com a limpeza do meio ambiente e ao mesmo tempo oferecer exclusividade, beleza e atemporalidade é para mim algo estimulante e desafiador.

A cada peça criada, compreendo que cada objeto traz em si uma história e também o respeito para com todas as formas de vida.

OS BOTOS PESCADORES DE LAGUNA!

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SANTUÁRIO DOS BOTOS

Em Laguna encontra-se uma quantidade de aproximadamente 50 golfinhos. Estes são conhecidos pelos pescadores locais, que os chamam pelos seus apelidos.
Os golfinhos aprenderam a interagir com os pescadores, ajudando a "empurrar" os peixes em direção aos pescadores nas margens, que atiram suas tarrafas, os peixes que escapam das tarrafas são facilmente capturados pelos golfinhos.
Não se tem precisão sobre o início da pesca com o auxílio dos golfinhos em Laguna, sabe-se que é secular.
Os pescadores mais antigos dizem que por volta de 1930 já existiam golfinhos velhos como: Fandango, Chinelo, Judeu, Rampeiro, Alumínio, Cego, Boto Branco, Cisne Branco, Cisne Pequeno.
A partir da década de 50 os botos mais velhos foram misteriosamente desaparecendo, e surgindo outros novos. como: Galha Torta, Galha Cortada, Marusca, Prego, Riscadeira,...
Os golfinhos da lagoa são identificados como ruins e bons, ruins são aqueles que não se aproximam da costa, e os bons são aqueles que auxiliam os pescadores nos diversos pontos interativos de pesca.
O golfinho quando nasce, acompanha a mãe até aproximadamente 3 anos, então já está pronto para viver sozinho, acredita-se que os golfinhos podem viver até uns 80 anos, normalmente morrem vítimas de redes ou por doenças.

Alguns nomes de golfinhos em Laguna

· JUDEU - Golfinho muito egoísta, que quando cercava o peixe, não deixava outro se aproximar.
· ALUMÍNIO - Era um Golfinho muito Claro.
· MARUSCA - Uma marca de cigarro da época.
· JUSCELINO - Presidente do Brasil na época.
· INRRÍLHA - Uma gíria - Quando alguém não gostava de algo dizia: "É assim e não inrrílha".
· TAFARELL - Homenagem ao goleiro do tetra.
· CAROBA - Era um Golfinho muito escuro lembrava uma madeira escura de nome caroba.
· LIGEIRINHO - Era um Golfinho muito arrojado quando cercava o peixe.
· CHEGA MAIS - Nasceu na época que a rede Globo passa uma novela com este nome.
· MANDALA - Nasceu na época que a rede Globo passa uma novela com este nome.
· SACOLÃO - Só cercava o peixe quando queria.
· TÁXI - Percorre todos os pontos de pesca da região.
· PRINCESA - Um golfinho muito bonito.
· PIRULITO - Por ser o mais feinho da lagoa.

NÃO VENDENDO O PEIXE


Fabio Aldemir da Lapa, da antiga peixaria e hoje Capitão Ademir Petiscaria, no Pântano do Sul, explica porque o pescador não gosta de vender seu peixe na praia.

HISTÓRIAS DA CANOA CENTENÁRIA

Foto Fernando Alexandre



          Dario Coelho, pescador do Pântano do Sul, conta do acidente que aconteceu com sua canoa centenária, Espírito Santo, que pertenceu ao seu bisavô. Pela fortidão, ele garante: ela pode durar mais 200 anos.

MAR DO TASSO CLAUDIO SCHERER

Foto Tasso Claudio Scherer

OUTROS MARES


Há 4500 milhões de anos, antigo oceano em Marte representava um quinto do planeta. 

Já se sabe que devido à finíssima atmosfera marciana, não há pressão suficiente para haver água em estado líquido no planeta vermelho. Mas no passado, há 4500 milhões de anos, Marte foi coberto por água.

Segundo um estudo estudo publicado na Science, o oceano ocupava um quinto do planeta no hemisfério norte.
Uma equipe internacional com cientistas do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Maryland, nos EUA, da Alemanha, no Observatório Europeu do Sul (ESO, sigla em inglês), no Max Planck, e de outros países, usaram o Very Large Telescope, o telescópio do ESO no Chile, e o do Observatório Keck, da NASA, na ilha do Havai, para medir durante seis anos os diferentes tipos de moléculas de água que restam na atmosfera de Marte e, com isso, fazerem um mapa da água semi-pesada.

Enquanto a água normal é constituída por moléculas de H20, em que dois átomos de hidrogênio estão ligados a um átomo de oxigénio, a água semi-pesada tem um átomo de hidrogênio e outro de deutério ligados ao oxigênio. O deutério é um isótopo do hidrogênio. O núcleo do hidrogênio é constituído apenas por um protão, já o deutério tem além do protão, um neutrão. Na Terra, uma em cada 3200 moléculas de água tem um átomo de deutério.

Mas esta pequena variação faz toda a diferença ao longo dos milhões de anos da história de Marte. Por serem mais pesadas, as moléculas de água com deutério têm mais dificuldade em escaparem-se da atmosfera para o espaço. Assim, como a proporção de moléculas de água normal vai desaparecendo mais rapidamente, a concentração da água semi-pesada aumentou ao longo dos anos.

Esta evolução permite calcular o volume inicial de água existente em Marte e para ,bastam três informações: a concentração da água semi-pesada de Marte há 4500 milhões de anos, a concentração de água semi-pesada atual e o volume de água que hoje existe no planeta.

Medições foram feitas usando os espectrômetros dos telescópios da NASA e do ESO, que recebem a luz refletida da atmosfera marciana. A espectrometria permite analisar a água semi-pesada.

Os resultados da equipa mostram que, em Marte, a água semi-pesada é sete vezes mais concentrada do que, por exemplo, na Terra. E que Marte perdeu, ao longo do tempo, 6,5 vezes mais de água do que a que existe hoje. Por isso, o volume de água inicial de Marte seria, no mínimo, de 20 milhões de quilômetros cúbicos.

Esta quantidade dá para cobrir todo o planeta com uma camada de 140 metros de altura. Porém tendo em conta a topografia de Marte, o mais provável é que tenha existido um oceano no Hemisfério Norte — que tem uma grande região mais baixa do que o resto do planeta. Este oceano ocuparia 19% da área do planeta e teria uma profundidade máxima superior a 1,6 quilômetros.

A nova medição é importante para compreender as probabilidades do aparecimento de vida ali, explica Michael Mumma, do centro da NASA e um dos autores do artigo: “Se Marte perdeu tanta água, muito provavelmente o planeta terá sido úmido durante mais tempo do que o que se pensava, o que sugere que tenha sido habitável durante mais tempo.”
Água em lua de Júpiter


Marte não está sozinho. Cientistas confirmaram que a lua Ganímedes, na órbita de Júpiter, possui um oceano por baixo de uma crosta superficial de gelo. A descoberta foi feita através do Telescópio Espacial Hubble. Com isso eleva-se a possibilidade da presença de vida no subterrâneo dessa lua.

A descoberta veio confirmar um mistério já relatado pela nave Galileo enquanto cumpria uma missão exploratória ao redor de Júpiter e de suas luas, entre 1995 e 2003.

Ganímedes se junta agora a uma crescente lista de luas localizadas nas partes mais afastadas do sistema solar que possuem uma camada de água abaixo da superfície. Entre outros corpos ricos em água estão Europa e Callisto, também luas de Júpiter.

(Do www.marsemfim.com.br)