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| Foto Fernando Alexandre Mestre Aldemir, na lida com o cerco - Pântano do Sul |
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sábado, 13 de março de 2021
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
CERCANDO A NOITE NO PÂNTANO DO SUL!
Cercar tainhas à noite é prática antiga. Quase todas as praias faziam isso, aproveitando a lua e usando "paus de fogo".
Manoel José de Campos, o Seo Leca, conta como era a pesca da tainha no Pântano do Sul, praia onde nasceu e pescou desde os 12 anos de idade.
terça-feira, 30 de junho de 2020
segunda-feira, 22 de junho de 2020
VENTO SUL TRAZ, NORDESTE ENCOSTA O PEIXE
| Fotograma Tainhanarede |
Enfim uma massa de ar frio, com características da estação de outono, deve entrar em SC esta semana, deixando o tempo ensolarado em todas as regiões, com temperaturas mais baixas.
A quantidade de tainhas capturada desde o início da safra pode mudar com a chegada do vento sul esta semana.
sábado, 13 de junho de 2020
NA REDE: TAINHA PELA INTERNET

Tainha custa a partir de R$ 12 o quilo. Foto: Cerqueiros de Guaraqueçaba
Cerqueiros de Guaraqueçaba vendem tainha pela internet
Compras podem ser pré-agendadas pelas redes sociais. Atividade tradicional garante o sustento de 23 famílias caiçaras
Por Jess Carvalho
Os cerqueiros de Guaraqueçaba entraram nas redes sociais para organizar a venda da pesca do cerco da tainha durante a pandemia. É possível fazer a encomenda on-line e retirar os peixes diretamente com os pescadores na Prainha do Mercado de Paranaguá, aos sábados, em horários pré-agendados.
Os valores vão de R$ 12 a R$ 27 o quilo, dependendo da faixa. Ovas também são comercializadas por R$ 50 (verdes) e R$ 80 (secas).
“Sem aglomeração de pessoas. A gente usa máscaras, luvas e álcool gel. Estamos bem equipados para não trazer a doença para a nossa comunidade”, garante o pescador artesanal Cláudio de Araújo Nunes, um dos coordenadores do Movimento dos Pescadores Artesanais do Litoral do Paraná (Mopear).
De acordo com Nunes, essa foi a solução encontrada pelos pescadores, em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Instituto Federal do Paraná (IFPR), para que os peixes continuem tendo saída durante a crise do coronavírus.
A venda é importante porque na friagem, época da tainha – que vai de 1.º de abril a 15 de agosto – o cerco sustenta 23 famílias das comunidades de Superagui, Saco do Morro, Bertioga, Barbados, Tibicanga e Sebuí.
Acordo do cerco-fixo
“Foi criado um parque nacional em cima da nossa comunidade. Tiraram todos os nossos direitos, a gente perdeu o território todo”, afirma Cláudio Nunes, referindo-se ao Decreto n.º 97.688, de 1989, que criou o Parque Nacional do Superagui. O documento determinou a desapropriação da área, que passou a ser considerada de utilidade pública e subordinada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Uma das práticas que a gente perdeu foi o cerco-fixo”, aponta o pescador. A atividade tradicional ficou proibida na região de 2003 a 2018, quando foi negociada com o ICMBio a liberação de uma pesquisa sobre a modalidade. “O cerco ainda está em fase de estudo, mas a gente está lutando pra fazer voltar essa prática tradicional. Queremos comprovar que o cerco-fixo não traz impacto à natureza, ao parque, a nada. É uma prática tradicional feita com manejo adequado ao modo de vida dos pescadores.”
A pesquisa é liderada pelo professor Roberto Martins de Souza, coordenador do Núcleo de Defesa de Direitos dos Povos Tradicionais (Nupovos) da IFPR. “Não havia um argumento de base científica, uma explicação sequer que fosse uma constatação dos impactos dessa prática na baía. Por isso, desde 2014 o Mopear se reúne para disciplinar essa prática e comprovar aos órgãos de fiscalização ambiental que os pescadores têm capacidade de regular o uso dos recursos naturais, porque fundamentalmente conhecem a ecologia deles. Eles buscaram as universidades e construíram uma ponte de diálogo com o ICMBio”, reforça o professor.
O estudo avalia e monitora: os acordos com os órgãos de fiscalização; a pesca da tainha; o uso de recursos naturais.

Os cerqueiros de Guarequeçaba. Crédito da foto: acervo pessoal.
O cerco é uma armadilha feita com taquaras – o peixe fica preso no chamado currau. Atualmente, são dez cercos na região, administrados pelo Mopear e por famílias de cerqueiros. Cada despesque totaliza entre 150 e 300 quilos de peixe, dependendo da maré e do tempo. “Passamos 45 dias trabalhando, tirando taquara, tecendo o cerco, e depois colocamos o cerco na água”, conta o coordenador Nunes.
“Eles têm gestado os recursos de forma compartilhada com os órgãos e tem funcionado muito bem. O estoque de madeira que usam é muito pequeno perto do que está disponível e da capacidade de regeneração dessa espécie. Eles têm em abundância e isso tem gerado um benefício ambiental, na medida que a retirada possibilita a regeneração de outras especies”, avalia o professor Martins.
Quanto às tainhas, ele faz uma comparação: “O estoque pescado equivale a 1% do que pescam as traineiras em Santa Catarina: cardumes inteiros, de duas a três toneladas em um ou dois dias de pesca. Isso diminui bastante o estoque que entra na baía de Guaraqueçaba. O impacto do cerco é insignificante perto da degradação que essas traineiras provocam sobre a espécie.”
Willian Dolberth, mestrando da UFPR, é um dos pesquisadores que apoiam a venda da tainha. “A modalidade é ecológica e economicamente responsável”, defende. “As taquaras utilizadas na construção do cerco são retiradas segundo conhecimentos tradicionais, numa época certa, numa lua certa, de acordo com regras que não vão fazer uma predação excessiva das tabocas.”

O cerco-fixo. Foto: Cerqueiros de Guaraqueçaba
Outro ponto levantado por Dolberth é o despesque criterioso. “Os peixes que não são da espécie ou tamanho específico vão pra fora. Não tem perigo de pescar espécies ameaçadas ou peixes menores, que não são comercializáveis. Todos os peixes pescados são consumidos pelas famílias ou comercializados para ajudá-las financeiramente. Não tem sobrepesca.”
Sem atravessadores
Dolberth enfatiza que os pescadores também não têm atravessadores, ou seja, eles mesmos fazem as vendas. “O dinheiro é repartido por igual entre as famílias que participam”, afirma, alertando para a continuidade da tradição no Litoral paranaense. “O cerco tem origem indígena, acontece desde o começo da colonização. O cerqueiro é uma das identidades das pessoas que são pescadores artesanais, caiçaras, caboclos do litoral.”
O ICMBio foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.
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Jess Carvalho - Jess Carvalho é jornalista graduada pela Universidade Positivo e pós-graduada em comunicação digital pela PUCPR.
sexta-feira, 5 de junho de 2020
TAINHA E TRADIÇÃO
Pesca da tainha, tradição centenária se renova a cada ano
A prática da pesca da tainha no Brasil é do tempo em que aqui ainda não havia chegado nenhum europeu. Uma tradição indígena que se renova ano após ano. A primeira descrição deste tipo de pesca data do século 16.
Hans Staden, em 1557, descreve a pesca da tainha
“Além disso têm pequenas redes (referindo-se aos Tupinambás). O fio com que a emalham obtêm-nos de folhas longas e pontudas que chamam tucum. Quando querem pescar com estas redes, juntam-se alguns deles e colocam-se em círculos na água rasa, de modo que a cada um cabe determinado pedaço da rede. Vão então uns poucos no centro da roda e batem nágua. Se algum peixe quer fugir para o fundo, fica preso na rede. Aquele que apanha muito peixe reparte com os outros que pescam pouco.”
Eis a primeira descrição da pesca da tainha. O alemão viera ao Brasil e trabalhava com artilheiro no forte de Bertioga quando foi preso pelos Tupinambás, cujo chefe Cunhabebe, morava na hoje ilha Anchieta. Staden passou alguns anos preso. E descreveu suas atividades cotidianas. Até hoje a pesca é feita nesta base.
Conheça a tainha
O site oceana Brasil explica o ciclo de vida. “A tainha (Mugil liza) tem um ciclo de vida que a torna particularmente frágil à pesca intensa. Depois de viver seu primeiro ano no mar, ela entra nos estuários e lagoas costeiras, onde cresce até 4 a 6 anos, quando atinge a idade adulta.”
“A partir daí, a cada outono, machos e fêmeas formam grandes cardumes para empreender uma longa jornada. Cada tainha vai desovar até 5 milhões de ovos. Eles dependerão do acaso para serem fecundados, formarem pequenos juvenis, que se dirigirão para os estuários, onde crescerão e fecharão o ciclo da vida. A chamada safra da tainha acontece entre abril e julho, durante a migração reprodutiva da espécie.”

tainha, imagem, www.lagubras.com.br.

tainha, imagem, www.lagubras.com.br.
De onde vêm as tainhas pescadas no Brasil
Segundo a Oceana, “O estoque sul desta espécie migra anualmente de estuários na Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, no Brasil, podendo chegar até o Espírito Santo, dependendo das condições climáticas.”
Mas os estoques no País estão sobrexplorados. Todos os anos temos uma batalha jurídica. Pode-se ou não, pescar a tainha? Em 2019 não foi diferente. O site www.nsctotal.com.br explica. “Em 2017, a ONG Oceana apresentou um levantamento do estoque de tainhas e a proposta do sistema de cotas, usado em boa parte do mundo para controlar as capturas.”
“O governo federal adotou o sistema pela primeira vez na safra de 2018. Mas houve problemas no controle de capturas da pesca industrial porque a pescaria foi muito intensa e rápida. Os próprios armadores suspenderam a safra, antes do governo, ao perceberem que haviam extrapolado a cota. Pescaram 114% além do que poderiam.”
Pesca da tainha hoje, saiba como acontece hoje
A explicação é do gazetadopovo.com.br. “Um dos motivos que explicam o grandeza da tainha para os catarinenses é a forma como o peixe é capturado. Em Florianópolis, as comunidades tradicionais pesqueiras se unem nos meses do outono e inverno. A pesca da tainha exige trabalho coletivo. Em maio começou a montagem dos ranchos nas praias, autorizados pela prefeitura.”
A explicação é do gazetadopovo.com.br. “Um dos motivos que explicam o grandeza da tainha para os catarinenses é a forma como o peixe é capturado. Em Florianópolis, as comunidades tradicionais pesqueiras se unem nos meses do outono e inverno. A pesca da tainha exige trabalho coletivo. Em maio começou a montagem dos ranchos nas praias, autorizados pela prefeitura.”
“Em um ponto alto, um integrante dos grupos de pescadores, conhecido como vigia, fica responsável por monitorar a aproximação dos cardumes. Ao avistar a chegada das tainhas, ele avisa seus companheiros por rádio. Estes, se apressam em colocar as canoas na água e jogar a enorme rede de arrasto. A última etapa envolve duas equipes, que precisam puxar a rede em pontos diferentes até a areia.”

A canoa puxa a rede.

A canoa puxa a rede.
Laguna dos Patos, local de criação das Tainhas
Cerca de 80% da pesca da tainha é realizada em Santa Catarina onde ela é considerada Patrimônio Cultural. Os cardumes saem da Laguna dos Patos, no Rio Grande do Sul, especialmente quando venta de sul. Uma curiosidade da tainha é que ela nada sempre a favor das correntes, daí a importância do vento sul que faz com que os cardumes subam a costa brasileira, rentes à ela, onde procuram estuários com águas mais quentes para entrar.
Ali desovam e voltam ao mar. A safra de 2019 teve início em 1º de maio (pescadores artesanais). E cerco e traineiras, a partir de 1º de junho. Só em Santa Catarina há 13 mil pescadores de tainha.
Pesca da tainha em números no Brasil
A Oceana é quem explica: “O Brasil tem uma das maiores pescarias de tainha do mundo. Ela é responsável pela mobilização de uma frota industrial de traineiras e frotas de média escala como o emalhe anilhado, além de milhares de pescadores artesanais em todas as regiões das lagoas e estuários da planície costeira dos estados das regiões Sul e Sudeste. Do ano 2000 até 2015, os desembarques totais registrados de tainha desde São Paulo até o Rio Grande do Sul variaram de 2 a 13 mil toneladas/ano de peixe fresco para consumo interno.”
“De 2007 a 2013, essa pescaria produziu entre 170 e 600 toneladas/ano de ovas (botarga) e moelas de tainha processadas para exportação, sendo responsável pela movimentação de algo entre 3,5 e 10 milhões de dólares, anualmente.”
A Folha de S. Paulo, em matéria de junho de 2018, diz que “há relatos de até 25 mil tainhas pescadas em apenas uma ação em anos anteriores.”
Safra 2019
A temporada foi fraca. Segundo o www.nsctotal.com.br, “pescadores do Litoral catarinense estão apreensivos. Até o momento foram capturadas 9,5 toneladas do peixe, segundo a Federação de Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc).”
“Isso é pouco perto da expectativa de pesca para este ano, que é de 2 mil toneladas. No mesmo período do ano passado, havia sido capturadas 520 toneladas de tainha. Segundo os pescadores, ainda não esfriou o suficiente, nem ventou sul forte, para que as tainhas subam a costa.”
‘Vão então uns poucos no centro da roda e batem nágua’
Da descrição de Hans Staden, no século16, até hoje. Veja o pescador com o remo levantado, ponto para bater na água.
O pescador usa o remo como porrete.
Safra da tainha 2020
A Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), informou que, ao fim do mês de maio, 557 toneladas de tainhas formam capturadas. A a expectativa é capturar entre 1,8 mil e 2 mil toneladas em 2020.
E, convenhamos, tainha assada é uma das coisas deliciosas que o mar nos dá.
Fontes – Livro: Hans Staden, Duas Viagens ao Brasil, Ed. Universidade de São paulo. Virtuais: https://brasil.oceana.org/pt-br/protegendo-tainha/tainha-caracteristicas-biologicas-e-vulnerabilidades; https://www.nsctotal.com.br/noticias/safra-da-tainha-comeca-nesta-quarta-feira-com-a-pesca-artesanal-no-litoral-catarinense; https://brasil.oceana.org/pt-br/pesca-da-tainha-informacoes-que-voce-precisa-saber; https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2018/06/regras-e-crendices-protegem-pesca-da-tainha-em-bombinhas-sc.shtml; https://www.nsctotal.com.br/noticias/pesca-artesanal-da-tainha-continua-fraca-apos-mais-de-um-mes-do-inicio-da-safra-em-sc; https://www.nsctotal.com.br/noticias/pesca-da-tainha-em-santa-catarina-ultrapassa-500-toneladas-em-maio?fbclid=IwAR3ML4HUNT6OzU18S6R8w4abs-Ufx35X6MtY5nIncz8WEAKD5MCnuRWM05w.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
DESPESCANDO
Depois de cercar e malhar o peixe lá fora, com as redes de emalhar - caça de malha ou anilhadas - pescadores do Pãntano do Sul despescam as tainhas na praia. Sempre com muita gente em volta!
quarta-feira, 20 de maio de 2020
PESCANDO LÁ FORA!
A caça-de-malha e com rede anilhada, pesca que é feita por pequenos barcos motorizados, foi liberada dia 15!
E é ela que começa a dar retorno para os pescadores artesanais!
Uma boa reportagem mostrando como é feita essa pesca!
E é ela que começa a dar retorno para os pescadores artesanais!
Uma boa reportagem mostrando como é feita essa pesca!
terça-feira, 19 de maio de 2020
A FORÇA E O ENCANTO DA CULTURA
A pesca artesanal da tainha é muito mais que uma atividade econômica, é também uma manifestação cultural que atravessou gerações e tornou-se patrimônio cultural da cidade de Bombinhas e do estado de Santa Catarina. Com o objetivo de registrar essa atividade e valorizar as práticas tradicionais da comunidade, a FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE CULTURA DE BOMBINHAS idealizou o documentário "ANTES DO INVERNO". Produzido pela TRAMELA PRODUÇÕES, o filme revela a força e o encanto de uma das culturas tradicionais mais antigas que mantem-se viva no litoral sul do Brasil.O documentário que foi selecionado em festivais no Brasil, Argentina, Chile e Colômbia, retrata o cotidiano de uma comunidade pesqueira através de um roteiro poético, buscando sensibilizar e emocionar o público para que se reconheça a importância desse patrimônio através da arte.
Veja o filme completo!
domingo, 17 de maio de 2020
ESPERANDO O NORDESTE!
| Fotos Fernando Alexandre |
O vento Sul é quem traz o peixe, mas o nordeste é quem encosta!
Como o Norte não entrou ainda, a camaradagem tá de olho e ouvidos atentos !
Em meia praia, a rainha bordada "Osmarina" está pronta pra escorregar nas estivas e molhar a quilha pra cercar mais um lanço de tainhas desta safra de 2020!
Quem garante é o Armando Arante, pescador das antigas, e patrão da canoa da família!
"Mariposa", "Espírito Santo" e "Terezinha" esperam o apupo!
sábado, 16 de maio de 2020
APRENDENDO COM O PATRÃO
E o peixe "abriu..."
Tarde de 15 de maio de 2012 na praia do Pântano do Sul, dia da abertura oficial da pesca da tainha na ilha de Sata Catarina. Os vigias abanam de cima das dunas,
a comunidade apupa na praia e Sêo Vadinho, experiente pescador de praia e mar, patrão dos bons da pesca da tainha - hoje proprietário do "Bar e Restaurante do Vadinho" - explica como
a comunidade apupa na praia e Sêo Vadinho, experiente pescador de praia e mar, patrão dos bons da pesca da tainha - hoje proprietário do "Bar e Restaurante do Vadinho" - explica como
se dá o cerco na praia.
Os peixes "abriram" e este lanço acabou não se realizando, mas menos de 1 hora depois foram
cercadas e arrastadas para a praia 1.137 tainhas.
A TAINHA E O PÂNTANO DO SUL
Tainha: documentário argentino retrata vida dos pescadores do Pântano do Sul
A percepção de estarem rodeados por uma forma de vida simples, cheia de valores humanos, e que é regida por um cultura sob risco de extinção, promoveu em três amigos argentinos o desejo de retratar o cotidiano dos pescadores artesanais de tainha do Pântano do Sul, em Florianópolis. A comunidade, de cerca de 500 pessoas, recebeu Sergio, Alberto e Guillermo no verão de 2010, como turistas. Naquele verão na praia do sul da Ilha de Santa Catarina, Sergio Stocchero, premiado cineasta argentino, saiu instigado pela peculiaridade e valores do modo de vida dos pescadores de tainha.
Assim nascia a proposta do documentário “Tainha”. Dirigido por Sergio Stocchero, produzido por Alberto Bonafé e com assistência de produção de Guillermo Alonso, a película retrata a vida desta comunidade, composta, em sua maioria, por pessoas mais velhas, algumas com mais de 80 anos e até por uma pessoa com mais de um século de vida nesta lida.
Tainha
“Tainha” é o título do longa metragem documental que estreia no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) de 2019. Com apoio do Departamento Artístico Cultural da UFSC (DAC) e
da Universidad Nacional de Villa María, de Córdoba (Argentina). Do tecer as redes a pintar e benzer canoas, as diversas atividades que compõem o trabalho social da pesca de tainha da comunidade são narradas pelos próprios sujeitos.
Os depoimentos são captados sem iluminação artificial. Durante o dia e no decorrer da noite, as tomadas externas e internas expõem o dia-a-dia dos pescadores em uma fotografia que prima pelo enquadramento narrativo e dramático da paisagem como uma pintura. O recurso da animação, no entanto, entra em cena quando a película retrata o trajeto das tainhas em sua desova no mar, percurso esse que os olhos treinados dos nativos captam e que também retrata as atividades da comunidade. A trilha sonora do filme é ilhéu também, com duas canções de músicos catarinenses.
A pesca artesanal de tainha
A tainha é um peixe que vive em água doce na maior parte do ano. Com a chegada o inverno no hemisfério sul, a espécie migra da bacia do Rio da Prata (Argentina e Uruguai) e da Lagoa do Patos (Rio Grande do Sul) para as praias catarinenses. No litoral de Santa Catarina, a tainha desova em águas salgadas, entre os meses de maio e julho.
Já em 1577, Hans Staden (1525-1579) relatou a prática da pesca desse peixe realizada pelos povos Carijós. A tradição indígena foi adaptada pelos colonizadores açorianos, que introduziram modificações técnicas no manuseio da canoa fabricada a partir de um único tronco. A pesca da tainha tem conservado, assim, uma prática que remete à produção da vida dos povos originários de Florianópolis, e que se modificou e foi incorporada à tradição açoriana ilhéu, como elemento agregador social e constitutivo da cultural local.
Esta tradição, entretanto, tem se reduzido gradativamente. Hoje são poucas as comunidades que têm sua vida organizada a partir da pesca artesanal de tainha. No Pântano do Sul, os pescadores artesanais têm relatado a dificuldade de inserir as novas gerações nesta cultura. A crescente imigração, o aumento demográfico e populacional e as alterações climáticas são alguns dos fatores que têm influenciado contrariamente à transmissão desses saberes.
A preservação da cultura local: do encantamento à obra de arte
“Uma mirada sobre a vida”. Assim Sergio Stocchero sintetiza a obra que dirige. Filmada na vasta área, que abrange 10% do território de Florianópolis, mas habitada por somente 0,5% dos moradores do município, o filme é resultado de um longo e cuidadoso processo de pesquisa. Para retratar esse “símbolo da esperança, que é a tainha, este peixe que viaja por três países, integrando povos e que nunca se sabe se será abundante”, como afirmou Sergio, a equipe que realiza o documentário tem feito diversas viagens da Argentina ao Pântano do Sul há quatro anos consecutivos.
Nesse percurso, foi coletado material desde fevereiro de 2015, o que permitiu a aproximação com os pescadores locais e possibilitou à equipe conhecer toda a cultura que gira em torno da pesca artesanal da tainha. Entre 2016 e 2017 foram realizadas quatro viagens de trabalho e, durante o mês de maio de 2018, são gravados os últimos depoimentos, capturando o cotidiano, as pescas, as confraternizações e as crenças que compõem e permeiam a realidade exibida no longa metragem.
A partir de 20 de maio, os três amigos que vieram ao Pântano do Sul para passar despreocupadas férias, passam à busca por apoio para finalizar a produção e pós-produção do material. A finalização do documentário será realizada na Argentina, onde residem e refletem com empatia sobre a pequena parcela de sujeitos que carrega consigo séculos de uma tradição que constitui o modo de vida de todos os que habitam a Ilha de Santa Catarina.
Texto: Equipe Agecom/UFSC
Fotos: divulgação
sexta-feira, 15 de maio de 2020
quinta-feira, 14 de maio de 2020
DE TAINHAS, OVAS & MOELAS
Estava no ônibus quando subi. Sentei-me ao lado dela. Logo pergunta:
- Vais fazer compras ou pagar conta?
- Pagar conta.
Dona Salete, uns 70 anos, queria conversar.
- Meu Deus! A luz tá muito cara: R$ 137 e uns quebrados. Vou pagar o telefone (R$ 59) e o carnê da prestação da TV (R$ 120).
É daquelas que gosta de provar o que diz. Mostra o boleto que vence dia 12 (hoje): dez prestações em dia. Faltam só cinco. Nada de atraso, né dona Salete?
- Lá em casa a gente não deixa atrasar nada. Todo mundo precisa de dinheiro, até o dono da loja.
Guarda o carnê. Acha a conta da luz:
- Quase R$ 138. E olha que a gente não deixa lâmpada acesa sem necessidade. Tem vizinho que fez gato (ligação clandestina), mas meu marido é um homem muito correto.
Elogiei. Furtar energia é crime e pode render multa e cadeia de até quatro anos.
- A gente aprendeu em criança: não se mexe e nem se pega nada dos outros.
Tá certa dona Salete. Melhor dormir com a consciência tranquila.
- Mas tem quem não pensa assim, sabia?
Sei.
- Tem gente que passa a perna, que tira vantagem, que faz os outros de tolo.
Concordo com Dona Salete.
- Nem falo de roubar coisa de valor, dinheirama que nem aquele político da mala cheia (ex-ministro Geddel Vieira Lima), esses que desviam remédios, os que explodem bancos.
Assino embaixo o que diz a seguir: Tem gente que suja as mãos por bobagem. Conta o que lhe ocorreu recentemente.
SURRUPIAR MOELA?
- Sábado fui ao mercado comprar tainha. Escolhi um peixe bonito, azul-escuro (como recomenda o marido, neto de pescador em Biguaçu), com ova amarelinha de dar água na boca. Paguei R$ 25. Pedi escalado pra assar no forninho.
Ela falava. Eu imaginava o prato.
- Como é bom, né? Também gosto muito de...
Dona Salete me interrompe:
- Acreditas que a tainha só chegou com uma ova?
Como assim?
- E nem moela tinha!
Senti a frustração.
- Mas a senhora comprou uma tainha inteira? O que aconteceu?
Está convicta:
- Só pode ter sido o peixeiro, o que limpa o peixe. De certo ele pegou pra vender em separado depois, entendes?
Pensei na possibilidade. Mas achei mesquinharia. Furtar ova de tainha? “Uma”? Surrupiar moela? Isso é demais!
- E olha que quando ele me entregou o pacote com folha de jornal ainda perguntei se estava tudo certinho.
A conversa mostrou o desânimo da dona de casa aposentada. Não só com o tal peixeiro:
- Como diz meu marido, que está aposentado e trabalha como pintor de parede pra ganhar um troco a mais, coisa assim fica feio até para a imagem do nosso Mercado Público.
PREÇO SALGADO
O ônibus chega ao Centro e nos despedimos. Passei por dentro do Mercado Público. Não sei em qual peixaria dona Salete fez a compra. Mas vi que o quilo das iguarias está salgado: R$ 60 (ova) e R$ 15 (moela). Encostei-me a uma banca e perguntei pro vendedor:
- É R$ 60 mesmo o quilo da ova?
A resposta foi atenciosa:
- Sim. Mas é o que tem de melhor, senhora. E rende muito! Experimente fritar ou assar. Já fez farofa?
Óbvio que pensei em dona Salete.
- Mas é muito caro: imagina uma ovinha dessas aí...
O moço reagiu:
- Moça, dependendo do tamanho do par dá pra duas, três pessoas.
Um salvo pra dona Salete:
- Mas é uma ‘tripa’ ou duas? Pergunto.
- Sempre em par, ova de tainha é sempre em par...
Anotei o número dessa banca. Vá que encontre dona Salete por aí. Quero ajudá-la a comprar confiante sua tainha ovada e com a devida moela.
(Da jornalista Ângela Bastos)
quarta-feira, 13 de maio de 2020
PREVENDO A SAFRA DE TAINHAS
Fotos Fernando Alexandre
"Espinheiro florido no verão
tainha de muntuêra no São João"
(Dito praieiro)
domingo, 10 de maio de 2020
Pescando Tainhas - O CERCO DE PRAIA
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| Gravura Hans Staden - 1526 |
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| Foto Andrea Ramos - 2011 |
Esta forma de pesca artesanal ainda é praticada anualmente por centenas de comunidades pesqueiras do Brasil, do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul.
E talvez seja uma das últimas atividades realizadas coletivamente pelas comunidades, capaz de reunir espontaneamente homens, mulheres e crianças neste ritual de pesca e de peixe, formando elos de socialização e convívio que muitas vezes se julgavam perdidos.
No litoral de Santa Catarina esta tradição, herdada dos ancestrais indígenas, ainda se mantém intacta em suas características e calcula-se que mais de 20 mil pescadores, entre artesanais e industriais, estão envolvidos diretamente com a pesca da tainha no Estado.
Em quase todas as praias deste litoral a população vive e respira, nos meses de maio, junho e julho, a expectativa e a chegada dos cardumes, que saem da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e dos estuários do Rio da Prata, na Argentina e Uruguai, em busca de águas mais quentes para a desova.
Apesar de alguns aspectos da pesca de arrasto variarem de região para região, o jeito de pescar e as etapas são os mesmos: o cardume (a manta) de peixes é avistado, cercado pelas canoas e arrastado para a praia, onde é feita a divisão entre os pescadores e a comunidade.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?
VEJA O MAIOR "LANÇO" EM 25 ANOS
O maior "lanço" de Garopaba nos últimos 25 anos ocorreu na temporada 2010, quando registrei em vídeo precário numa pequena Sony com pouca memória e bateria limitadíssima. O que deu para fazer até ficar sem recursos, no entanto, valeu a pena.
As cenas dão uma ideia da festa popular que se cria a partir do grito "Tem tainha!" do olheiro. A cidade toda (os antigos) vão para a praia assistir ao espetáculo e pegar sua tainha, com ou sem consentimento dos pescadores. O vídeo tinha 27.366 visualizações até essa postagem. Vamos ver. E pode se emocionar.
(Imagens, texto e emoções do Sérgio Saraiva)
(Imagens, texto e emoções do Sérgio Saraiva)









