sexta-feira, 18 de outubro de 2019

GAIVOTAS


Foto Olhando Decima
Do crespo mar azul brancas gaivotas
Voam - de leite e neve o céu manchando,
E vão abrindo às regiões remotas
As asas, em silêncio, à tarde, e em bando.

Depois se perdem pelo espaço ignotas,
O ninho das estrelas procurando:
Cerras os cílios, com teu dedo notas
Que elas vêm outra vez o azul furando.

Uma na vaga buliçosa dorme,
Uma revoa em cima, outra mais baixo...
E ronca o abismo do oceano enorme...

Cai o sol, como já queimado facho...
Do lado oposto espia a noite informe...
Tu me perguntas se isto é belo?... e eu acho...


(Luis Delfino)
Um poeta quase inédito

Luís Delfino dos Santos (Desterro, 25 de agosto de 1834 — Rio do Janeiro, 31 de janeiro de 1910) foi um médico, político e poeta brasileiro considerado um dos mais importante de Santa Catarina, ao lado de Cruz e Sousa. Morou em sua cidade natal até os dezesseis anos de idade, mudando-se em seguida para o Rio de Janeiro, onde se formou em medicina em 1857. Não publicou nenhum livro em vida, o que fez com que sua obra quase se perdesse no tempo. Sua poesia, de rima e métrica consideradas perfeitas, era publicada freqüentemente em jornais e revistas da sua época, o que o fez conhecido como poeta. Foi eleito pelos colegas escritores "Príncipe dos Poetas Brasileiros" em 1898. Foi chamado também de "Victor Hugo brasileiro". Sua obra é imensa - escreveu mais de cinco mil poemas - e foi publicada em quatorze livros por seu filho, Tomas Delfino dos Santos, entre 1926 e 1943.

MANEMÓRIAS

Foto Nynguemsabe Donome
No tempo que a cidade estava de frente para o mar e tinha cais. A imagem é da década de 40, século passado. Cais Rita Maria, navios atracados e desembarque de passageiros.

LÁ & CÁ

O Fotógrafo João Musa, um dos mais importantes do Brasil , reuniu imagens que mostram as mudanças radicais em um dos trechos mais importantes da costa brasileira: a região entre Santos e Ubatuba , no litoral paulista. O fotógrafo conta a história da ocupação de cidades como Santos, Bertioga e Ubatuba, desde a colonização. Lembra os habitantes originários, como os Tupinambás e os Tupiniquins. Destaca a chegada dos portugueses e posteriormente de outros imigrantes. Mostra ainda o que foi perdido e conservado em termos de patrimônio histórico e natural nesta região de beleza singular.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

A BRUXA DO SAQUINHO!

Desenho de Franklin Cascaes
"O Senhor Rosalino Oliveira gostava muito de contar estórias de assombrações e outras. Certa ocasião, estávamos sentados na linda praia de Pântano Sul, Ilha de Santa Catarina, quando ele se lembrou dessa estória...
... Meus pais contavam que no (praia) Saquinho existiu um casal que ganhou como presente do trabalho sexual oito filhas, sem nenhum varão entremeado. Depois do nascimento da sexta filha, nasceram duas gêmeas. O casal ficou muito preocupado com a dádiva lá de riba do alto, isso porque sabiam de antemão que, ao nascer a sétima filha de um casal de gente de argila humana, a mais velha tem obrigação espiritual de batizar a mais moça, para afugentar o triste fado bruxólico que ela recebe naturalmente ao nascer neste mundo de Nosso Senhor, como também os pais devem aplicar-lhe o nome de Benta. Meio confusos e apavorados com a presença do caso bruxólico natural que sabiam envolver suas duas filhas, a sétima e a oitava, gêmeas, resolveram consurtar a sinhá Candinha Miringa, velha e tradicional médica benzedeira e curandeira lá das bandas do Sertão do Peri, mó de tomar conselhos e ouvir suas sábias e firmes palavras com relação às coisas do mundo dos deuses ocultos. - Sim, sinhá Candinha, - falou seu Manoel Braseiro, o pai das gêmeas, - eu confio muito na senhora e sempre ouvi falar que o seu saber espiritual com relação às coisas do outro mundo é verdadeiro e consolador(...)

(Fragmento de Bruxas Gêmeas, conto de Franklin Cascaes em "O Fantástico na Ilha de Santa Catarina" - Volume II - Editora da UFSC - 1992.)

JACK O MARUJO

Foto Fernando Alexandre
- Quanto custa o mar? perguntou o investidor.
- Depende, disse Jack o Marujo. Do horizonte para cá não vale nada, mas tem que pagar propina.

DOMINGO NO PANTUSÚLI


MAR DE PESCADOR

Resultado de imagem para petróleo praias nordeste
Foto Jornal do Comercio

Governo antecipará seguro-defeso para pescadores atingidos por óleo, diz ministra

O benefício começaria a ser pago em novembro e, de acordo com a ministra, será adiantado para colônias de pescadores que comprovarem o impacto com o vazamento de petróleo
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Aministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciou que o governo vai antecipar para este mês o pagamento do seguro-defeso a pescadores de áreas atingidas com o derramamento de óleo no litoral do Nordeste. O benefício começaria a ser pago em novembro e, de acordo com a ministra, será adiantado para colônias de pescadores que comprovarem o impacto com o vazamento de petróleo.

A ministra afirmou que o governo vai monitorar a situação e, se necessário, poderá estender o pagamento do seguro no ano que vem. "É uma antecipação e depois a gente vai ter que monitorar porque isso não é 'liberou geral'. Onde tem problema o governo vai entrar fazendo essa antecipação", afirmou Tereza Cristina após uma reunião com senadores do Nordeste, que pediram a liberação do recurso.

O benefício garante ao pescador artesanal um salário mínimo por mês durante o período de proibição da atividade de pesca - o chamado defeso. Para que o pagamento seja adiantado, os governos estaduais precisarão informar ao Ministério da Agricultura a relação de comunidades atingidas.

A pasta então, em cruzamento de dados com o Ministério do Meio Ambiente, vai pedir ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) o pagamento antecipado "imediatamente", de acordo com a ministra. A titular da Agricultura afirmou que não é possível, no momento, saber o impacto econômico do vazamento de petróleo nas praias do Nordeste e nem o custo da antecipação do seguro-defeso nas contas do governo.

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Pântano do Sul

NO VENTO SULI...

Foto Fernando Alexandre

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

MAR-CAIS


Foto Andrea Ramos
quando vou 
voo
quando chego
até riso

(Fernando Alexandre - inverno 87)

MANEMÓRIAS


Este documentário é parte integrante do livro A Ilha de Santa Catarina no século das grandes navegações, e conta a incrível história do navegador Sebastião Caboto. 
Documentário inspirado no livro Porto dos Patos, do Historiador João Mosimann 
A minha única intenção ao disponibilizar o vídeo no youtube é para que mais pessoas tenham acesso a este conteúdo que estava restrito somente a quem tinha posse do livro.
 Desenvolvido pelo grupo de pesquisadores e mergulhadores do “Projeto Barra Sul”. Documentário cedido gentilmente pelo Projeto Barra Sul e encartado gratuitamente no livro hora lançado. A intenção foi a de produzir um material de consulta e estudo para o público leigo sem perder a profundidade e a análise crítica do processo histórico do período estudado. Um material que viesse a contribuir com o ensino da história de Santa Catarina no século XVI.
 Assim, livro e documentário se complementam na medida em que abordam esse rico período da nossa história de forma inusitada e pouco convencional.

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

SABORES DO MAR


Arroz de polvo no forno

Prato Principal
4 porções

Ingredientes

1 polvo grande cortado aos bocados
450 gr de arroz
1 1/5 dl de azeite
50 gr de manteiga
2 cebolas médias
1 dente de alho
3 tomates sem pele e sem sementes
sal
pimenta moída na hora
piripíri
1 colher de sopa de vinagre vinho tinto
1 molhinho de coentros
1 molho de alecrim
azeitonas

Preparação 
Num tacho coloque,o azeite e a manteiga, junte a cebola picada e o alho. 
Quando a cebola começar a amolecer, junte o ramo de cheiros os coentros e o alecrim, tempere de pimenta e piripíri. 
Deixe refogar por 2 minuto e,de seguida,adicione o vinagre, o tomate e o polvo cortado com espessura de 1 cm, com o tacho tapado deixe ferver durante 15 minutos, tempere com sal e adicione 4 dl de água a ferver, tape novamente o tacho e deixe ferver durante 30 a 40 minutos, dependo do tamanho do polvo e qualidade em lume médio, acrescentando mais água a ferver sempre que necessário para substituir a que se evapora. 
Terminando esse tempo, verifie se o polvo está cozido e complete com água até perfazer duas vezes o volume do arroz. Rectifique os temperos de sal,e mais uma pitada de vinagre. Quando levantar fervura,introduza o arroz,
envolvendo bem. 
Em recomeçando a ferver,leve o tacho ao forno pré-quente até cozer o arroz. Sirva salpicado de coentros e azeitonas. 

TRIBUZANAS À VISTA!



Áreas com mais riscos de temporais, segundo a Defesa Civil de SC – Foto: Foto: Defesa Civil/Reprodução

Defesa Civil emite alerta de temporais e ressaca em Santa Catarina

Temporais acompanhados de ventos fortes, raios e granizo podem ocorrer em todo o Estado; Litoral Sul poderá sofrer com ressacas

A Defesa Civil do Estado emitiu alerta para temporais isolados em Santa Catarina, nesta quarta-feira (16).

O período vai do meio-dia desta quinta-feira (17), às 23h59 do mesmo dia. São cerca de 12 horas de possíveis temporais, principalmente nas regiões do Oeste, Meio-Oeste, Planalto Sul e Litoral Sul.

Ventos fortes e granizo

Ainda de acordo com a Defesa Civil, a atuação de áreas de instabilidade ganham força e favorecem a ocorrência de temporais isolados.

Até o final desta quarta-feira não está descartada a ocorrência destes temporais nas demais regiões do Estado também. A previsão é de pancadas de chuva moderadas a pontualmente fortes, acompanhadas de raios, ventos fortes e queda de granizo

Agitação marítima

Também foi emitido um alerta de agitação marítima que teve início às 9h desta quarta-feira (16) e pode se estender até às 23h de quinta-feira (17).

A aproximação de um sistema de alta pressão pelo Rio Grande do Sul combinado com áreas de baixa pressão em superfície sobre Santa Catarina, favorece a condição de mar agitado a muito agitado.

A agitação poderá provocar ondas de sudeste/leste com picos de altura entre 2 e 3 metros em toda a costa catarinense.

Na quinta-feira, a condição de mar agitado passa a ser apenas para o Litoral Sul, com ondas de 2 a 2,5 metros e direção leste. Nesta região, não se descarta a possibilidade de ressaca nestes dois dias até a localidade de Laguna.

HAVER MAR


arribar

sê em cada dia
amigo do amigo

deixa que seja o tempo
esse outro amigo mais íntimo
a dizer-te quando acabou
o que parecia ter sido

não cuides do que poderia ser
lembra o que foi
procura outros rumos
noutras praias
há outra gente
com o mesmo destino

ser homem
e
haver mar

é tudo muito rápido e perigoso

(arribar; torreira; 2013)

BOM PRA CACHORRO...

Comandante Zenaide, pilota exclusiva do restaurante "Pedacinho do Céu", no Pântano do Sul, agora diversificando a  carreira com o Marley!
Ave, Comandante!

VOCÊS VERÃO

Aqui estaremos Adão
até que chegue o verão
(Dito popular registrado por Lucas Boiteux na Ilha, começo do século passado)

terça-feira, 15 de outubro de 2019

CAMINHOS...

Foto Anilda Jaeger

OLHANDO ILHAS, ESPERAMOS...


Do Tasso Claudio Scherer, que olhou e fez a foto!

MORTE NO MAR

Foto via whats
 Boto na praia:hoje, em frente a Ilha do Campeche!

MAR DE PESCADOR

Ranchos foram demolidos na manhã desta terça-feira (15) – Foto: Osvaldo Sagaz/RICTV/ND

Seis ranchos de pesca são demolidos por decisão judicial em Florianópolis

Mapeamento permitiu identificar quem eram os verdadeiros pescadores; decisão foi restrita aos ranchos que não tinham destino adequado

Seis ranchos de pesca foram demolidos na manhã desta terça-feira no bairro Saco dos Limões, próximo ao túnel Antonieta de Barros, em Florianópolis. Segundo o superintendente de Pesca, Maricultura e Agricultura, Adriano Weickert, a prefeitura cumpriu decisão da Justiça Federal.

De acordo com Weickert, a decisão inicial era para derrubar os 12 ranchos de pesca que estão no local, porém, no curso do processo, a secretaria conseguiu identificar quem de fato exercia a função de pescador no local. A partir do mapeamento, foi possível manter os pescadores e só retirar os ranchos que não eram usados para tal finalidade.

A denúncia investigada era de que parte desses ranchos estava sendo usado de forma irregular, inclusive para realização de festas.

O trabalho de demolição começou na segunda-feira (14) com a retirada da cobertura e encerrou nesta terça com a demolição do que restou das estruturas.

O terreno onde os ranchos foram construídos é, segundo a prefeitura, do Deinfra. Os ranchos teriam sido levantados na época da construção do túnel Antonieta de Barros. “Foi feito sem muito critério e documentação, acabou ficando uma terra sem dono”, explicou o superintendente.
Comunicado da prefeitura sobre demolições – Foto: Osvaldo Sagaz/RICTV/ND

A ação civil pública movimentada pelo Ministério Público Federal em junho de 2014 contra a União e a Prefeitura de Florianópolis teve por objetivo “condenar os entes públicos em obrigações de fazer” que consistente na “demolição e remoção das estruturas de pretensos ranchos de pesca”.

Segundo o MPF, esses ranchos estão irregularmente ocupando “área pública de preservação permanente e de uso comum do povo”. A ação também prevê o cumprimento de recuperação ambiental da área e sua destinação ao uso público/comum.

Segundo o presidente da Associação de Pescadores do Saco dos Limões, Moacir Xavier, o cumprimento da decisão não prejudicou os pescadores que já estavam cientes do mapeamento e da retirada dos ranchos inutilizados.

PÂNTANO DO SUL, EM 1900

Pântano do Sul - década de 40

Pântano,  segundo Virgílio Várzea

"O arraial do Pântano ou Pântano do Sul fica na enseada de igual designação, na costa de leste da Ilha, sobre uma faixa arenosa apertada entre a corda de montes que vem de Naufragados até Caiacanga-açu e os outeiros ou cabeços escarpados da Lagoinha.

Com poucas terras cultiváveis, e desconhecendo por completo os processos agrícolas modernos de as fertilizar, os habitantes são mais pescadores que lavradores.

Muitas redes de arrastão lanceiam por toda a costa, principalmente no tempo do peixe de corso, que é excelente e coalha essa enseada, em mantas ou magotes enormes, de maio a outubro de cada ano."

(De "Santa Catarina: a ilha", de Virgílio Várzea - publicado em 1900)

OUTROS MARES...

Foto Rachel Verano
Os pescadores da costa sul do Sri Lanka, na baía de Kogalla pescam equilibrados em pernas-de-pau - estacas fincadas nos corais -bem perto da arrebentação. As estacas são passadas de pai pra filho, assim como a perseverança. Em dias bons, quatro horas no começo e no fim do dia garantem umas 500, 600 unidades, normalmente sardinhas – e um salário mais digno no bolso.

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

MAR-CAIS


 foto www.poetaeusou.blogspot.com

o sol esconde
na memória das águas
tudo que não sei onde

(Fernando Alexandre)

O PETRÓLEO E O MAR

Lagoa do Pau, Coururipe, Alagoas. Imagem, Carlos Ezequiel Vannoni. Agência Peixel. Conteúdo Estadão.

Manchas de óleo no litoral do Nordeste há um mês: governo ainda busca os culpados

É crime e a multa pode chegar a R$ 50 milhões. Essa é uma das poucas certezas que se tem até o momento. E já se vai mais de um mês do início do aparecimento das manchas de óleo no litoral nordestino. Uma descoberta é que se trata de petróleo cru, não produzido no país.
Confirmada origem do óleo: foi produzido na Venezuela

Segundo testes realizados pela Petrobras, a origem é a Venezuela. Testes da Universidade Federal da Bahia, em 10 de outubro, confirmaram a procedência. E não se tem mais informações importantes sobre o crime. Como aconteceu? Tampouco existe um balanço dos prejuízos aos ecossistemas. Sabe-se que são imensos, prejudicando centenas, talvez milhares de pescadores artesanais, e o turismo em todo o Nordeste. A área afetada é enorme e cresce mais a cada dia. Já é considerada “sem precedente histórico recente”. Até o início de outubro mais de 139 praias de 63 municípios nordestinos haviam sido atingidos.
100 toneladas de borra de petróleo recolhidas

Segundo o UOL, “O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que equipes dos órgãos ambientais Ibama e ICMBio recolheram mais de 100 toneladas de borra de petróleo no litoral do Nordeste desde o início de setembro. O comentário, no Twitter, foi publicado após o ministro ter ido a Sergipe para vistoriar regiões impactadas pelo óleo, que tem se espalhado pelo litoral do Nordeste. Ele ainda publicou na rede social fotos nas quais acompanha técnicos do Ibama em uma praia repleta de manchas de petróleo.”

Litoral da Bahia é atingido

“Em 3 de outubro as manchas de óleo chegaram à Bahia , segundo confirmação do Ibama e da Marinha. O ponto de contaminação é no distrito de Mangue Seco, na cidade de Jandaíra, no Litoral Norte. Não há detalhes sobre o tamanho da área atingida nem outros impactos causados pela mancha. Em nota, a Marinha diz que as manchas de óleo estão em área de sua jurisdicação e o Comando do 2º Distrito Naval encaminhou ao local uma equipe de Inspeção Naval (IN).”
Manchas de óleo em praias de oito estados do Nordeste. E ninguém sabe de onde veio!
Manchas de óleo no litoral atingem 63 cidades nordestinas, e 139 localidades

As manchas de óleo atingem todo o litoral do Nordeste brasileiro. “Um derramamento com esse alcance e essas características, nunca vimos antes. É instigante”, diz Fernanda Pirillo, coordenadora geral de emergência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão criado há 30 anos. Até 30 de setembro, eram 139 localidades afetadas em 63 cidades dos oito estados – Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará, Maranhão, Sergipe, Piauí, por ordem de registro da contaminação da costa. Mas, em 3 de outubro, as manchas chegaram à Bahia.

Mais de 2 mil quilômetros contaminados pelas manchas

Já são mais de 2 mil quilômetros de praias, costões, manguezais e estuários como o do São Francisco, além de ilhas e arquipélagos, atingidos ou ameaçados. Sem contar o prejuízo para as comunidades e economias locais, que dependem do turismo e da pesca de subsistência. Algumas das localidades atingidas são áreas de proteção ambiental e reservas extrativistas. São refúgios para aves nativas e migratórias, tartarugas, golfinhos e uma infinidade de espécies marinhas. Várias dessas regiões abrigam espécies ameaçadas de extinção. Uma ave e sete tartarugas marinhas foram encontradas mortas, encobertas por óleo. Outras, não se sabe quantas, foram lavadas e lançadas novamente ao mar pela população. Um erro. Deveriam ter sido encaminhadas para centros de tratamento.

Ilustração, Ibama.

Pernambuco, os primeiros vestígios do crime ambiental

Os primeiros vestígios desse crime ambiental foram identificados, oficialmente, em Pernambuco, no dia 2 de setembro. As manchas de petróleo apareceram na praia de Boa Viagem, no Recife, capital pernambucana. E rapidamente foram registrados novos casos em várias cidades da costa do estado. Olinda, Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão de Guararapes, Ilha de Itamaracá. Estes são alguns dos cartões postais pernambucanos afetados. Da noite para o dia, ficaram polvilhados por manchas escuras, pegajosas e com forte odor.
Em Pernambuco, 120 quilômetros atingidos pelas manchas

“De um total de 187 quilômetros de extensão do litoral pernambucano, localidades em torno de 120 quilômetros, em linha reta, foram atingidas de alguma maneira”, diz Eduardo Elvino, diretor de controle de fontes poluidoras da Agência Estadual do Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH). A CPRH faz parte da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas), o primeiro órgão em âmbito estadual a iniciar investigações sobre o problema e a tentar identificar os responsáveis.

Manchas têm cor, textura e cheiro de piche

Cheiro, viscosidade e cor das manchas trouxeram lembranças de uma época em que as praias brasileiras eram infestadas por rejeitos de lavagem de tanques e casas de máquinas de navios em alto mar, incluindo petroleiros, lembra Elvino. As marés levavam todo esse óleo para as praias. Misturado à areia e aquecido pelo sol, torna-se uma substância grossa, escura, malcheirosa e grudenta, difícil de limpar. Substância que ficou popularmente conhecida como piche. Essas operações são ilegais há muitos anos no Brasil. Por lei, os petroleiros só podem fazer essa limpeza nos portos. E por empresas especializadas, que podem reciclar e reaproveitar a maior parte desses resíduos.
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Lagoa do Pau, Coururipe, Alagoas. Imagem, Carlos Ezequiel Vannoni. Agência Peixel. Conteúdo Estadão.

Origem pode ser a limpeza ilegal de tanques de navio

Mas o piche procedente de lavagem ilegal de tanque de navio foi uma das primeiras linhas de investigação seguidas por Pernambuco. “A característica é muito semelhante a piche, o que nos surpreendeu muito porque não temos registro desse tipo de material aqui há muito anos. Ainda não descartamos que seja lavagem de lastro e de casa de máquinas de cargueiro. Que pode ter sido feita em um ponto ou em vários pontos da costa nordestina”, afirma Elvino. O Mar Sem Fim não acredita nesta hipótese dada a quantidade de óleo vazado. É muito óleo para um só navio. A ver…
Mancha em praia vizinha à foz do São Francisco. Imagem, Simone Santos, Projeto Praia Limpa.

Origem do petróleo cru é estrangeira

“O petróleo pode não ser daqui (brasileiro), mas passou por aqui”, diz o diretor da CPRH. O grupo de estudos, ele informa, tem investigado as correntes marítimas. E também vem coletando e analisando imagens de satélite para tentar identificar a origem. Eles estão verificando quadro a quadro, imagens a partir de um mês antes de 2 de setembro. O objetivo é encontrar manchas de óleo em alto-mar e, assim, a embarcação responsável. “Estamos tentando fechar um diagnóstico, focar no mais provável, mas até agora não encontramos nada suspeito. Está bem difícil de achar o responsável”, afirma Elvino.

Até agora sete tartarugas foram achadas mortas, cobertas de piche.Imagem, Instituto Verdeluz/Divulgação.

Petrobras e Transpetro foram intimadas pelo Ibama

O diretor da CPRH informa que inicialmente o Ibama intimou a Petrobras e a Transpetro, seu braço de logística e transporte, a dar esclarecimentos sobre a poluição. A empresa tem algumas plataformas de prospecção de óleo na costa nordestina: Bacia de Sergipe e Alagoas, Bacia Potiguar, que envolvem os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará; Bacia de Camamu-Almada e Bacia do Jequitinhonha, ambas na Bahia. Seu histórico de vazamentos este ano também é preocupante. Já foram quatro acidentes com prejuízos ao meio ambiente; três deles em alto-mar.
Ibama monta base de emergência no Maranhão

A operação de emergência do Ibama, atualmente baseada no Maranhão, envolve a Marinha brasileira e várias organizações públicas e não governamentais. “Acreditamos que é muito óleo para apenas uma lavagem de tanque, mas não descartamos. Isso a Marinha está investigando.” O Ibama, ela afirma, já fez sobrevoos em vários pontos da costa nordestina, sem encontrar manchas de óleo na superfície do mar. Também tem analisado imagens de radar. “Nada suspeito foi observado até o momento.”
O mistério das manchas de óleo continua, o que dizem os especialistas

Monica Costa, professora de Oceanografia Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), engrossa o coro dos que não acreditam que a poluição tenha sido causada por lavagem de tanque de navio. “Pode ter sido acidente em plataforma, num duto submarino ou mesmo em um navio de transporte de óleo. Não deve ter sido explosão ou naufrágio. Um acidente sem vítimas humanas, pois, se tivesse (vítima), todos saberiam”, opina, observando que tem acompanhado o caso apenas pela imprensa. “Não sabemos nem ao certo se essas manchas estão conectadas.”
As manchas misteriosas no litoral do Sergipe.

Derramamento de óleo envolto em mistérios

“É prematuro falar em lavagem (de tanque de navio). Mas uma lavagem é algo pontual para essa vasta área atingida”, diz o professor dos cursos de Biologia e Engenharia da Pesca da Universidade Federal de Alagoas, Cláudio Sampaio. “Considerando essa abrangência, acredito que seja inviável uma lavagem de tanque ter esse alcance, embora nada seja impossível”, também arrisca o oceanógrafo Jonas Ricardo dos Santos, doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal de Sergipe. O oceanógrafo também tem acompanhado a contaminação apenas pela imprensa. No entanto, está intrigado com o fato de Sergipe ser um dos últimos estados atingidos, ao lado do Piauí e Maranhão, por causa da direção das correntes.

Correntes podem ajudar a descobrir a origem

Vamos analisar as correntes marinhas do litoral do Nordeste para tentarmos descobrir a origem do acidente, garante Santos. Sergipe, vale ressaltar, é o segundo estado do Nordeste no sentido Sul-Norte. Antes, está a Bahia e depois, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, nessa ordem. O Piauí, também no sentido Sul-Norte, também está antes do Maranhão, e sua costa só foi afetada depois, segundo os registros de avistamentos de manchas do Ibama.

Manguezais atingidos pelo óleo no Rio Grande do Norte

A coordenadora geral de emergência do Ibama afirma que ainda não é possível calcular todo o impacto ambiental e socioeconômico. Mas ressalta que a instituição só tem constatado impactos mais severos na areia das praias. “A exceção é o Rio Grande do Norte, onde observamos manguezais atingidos pelo óleo. Fizemos mergulhos também nas áreas de corais no estado, mas eles não foram afetados”, diz. As áreas mais atingidas ficam no Rio Grande do Norte, segundo o Ibama. São 44 localidades, em 14 cidades. Pernambuco vem em seguida, com 19 avistamentos de manchas em dez municípios.

Praia dos Artistas, Aracaju. Imagem, André Moreira.

Rio Grande do Norte é o estado mais afetado

No Rio Grande do Norte, as manchas chegaram primeiro em Natal, a capital. Depois se espalharam nas praias de Camurupim, em Nísia Floresta, e em Pipa, no município de Tibau do Sul. “As áreas mais afetadas estão neste estado: praias de Pirambúzios e Barra de Tabatinga, em Nísia Floresta, e na foz dos rios Pirangi do Sul e Pium.” A praia de Pipa é berçário de tartarugas marinhas e golfinhos. E sofre mais um baque. Como Mar Sem Fim já mostrou, há mais de 20 anos o turismo desordenado vem destruindo Pipa, bem como outros lugares paradisíacos do Nordeste.
Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais ameaçada

Na Paraíba, onde o óleo chegou à costa ao mesmo tempo em que poluía as praias pernambucanas, foram avistadas manchas em 15 locais. São seis cidades afetadas, incluindo a capital João Pessoa. Em Alagoas, são onze localidades em nove cidades, incluindo a capital, Maceió. Uma área relevante para a vida marinha atingida pelas manchas em Alagoas é a praia de Japaratinga, na cidade com o mesmo nome. Ela fica na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, em Alagoas. “É uma região de recifes de corais, de abrigo para tartarugas marinhas e peixe-boi, entre muitas espécies Está todo mundo preocupado e muito assustado com tudo isso”, afirma Sampaio, da Universidade Federal de Alagoas.

Apa Costa dos Corais em perigo devido às manchas de óleo

Mas, o mais importante: é no litoral que fica a APA Costa dos Corais, a maior unidade de conservação federal marinha, criada para proteger uma faixa de corais (o mais importante ecossistema marinho) com nada menos que 3 mil km de corais da costa nordestina.
Unidades de Conservação já atingidas

As unidades de conservação, federais, estaduais, ou municipais, são as áreas de maior importância seja pela biodiversidade, seja pela beleza cênica, seja ainda pela existência de colônias de pescadores artesanais. Algumas são habitats de peixes-boi, em outras, tartarugas marinhas desovam. Mas todas são importantes para a biodiversidade marinha. O vazamento de óleo no Nordeste atingiu 12 delas, segundo o G1. Abaixo, a lista das atingidas.
Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (PE)
Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba (PI)
Área de Relevante Interesse Ecológico manguezais da Foz do Rio Mamanguape (PB)
Reserva Extrativista Marinha Lagoa do Jequiá (AL)

Manchas de óleo chegam ao Parque Natural das Dunas de Sabiaguaba

Já no Ceará a destruição atinge oito localidades, em seis cidades, entre as quais Fortaleza. Jijoca de Jericoacoara, um dos três municípios que abrigam o Parque Nacional de Jericoacoara (conheça), é outro local atingido pelas manchas no Ceará. “Em Fortaleza, o óleo já poluiu o Parque Natural das Dunas de Sabiaguaba, atingindo a areia onde as tartarugas depositam os ovos e também colocando em risco a cadeia alimentar das demais espécies, incluindo a de aves migratórias”, explica o biólogo Jeovah Meireles, professor de Geomorfologia Litorânea da Universidade Federal do Ceará. A Região Metropolitana de Fortaleza tem 160 quilômetros de extensão de litoral e as manchas atingiram vários pontos, incluindo manguezais, lençóis freáticos, arrecifes e a costa rochosa, afirma o geólogo, que coordenou o plano de manejo do Parque Nacional de Jericoacoara.

Dois barris com este foram achados nas praias de Sergipe.

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ameaçado

No Maranhão, as manchas foram avistadas em 11 localidades. Além da capital São Luís, seis municípios foram atingidos, incluindo Alcântara, onde fica a base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira. E também Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão, duas das três cidades que abrigam o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (conheça). “Não foi encontrado apenas óleo nas praias, mas também uma caixa de borracha porosa. Dizem que são usadas no momento da atracagem, para amortecimento de navios”, diz Larissa Barreto, bióloga do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão. Em algumas praias sergipanas, também foram encontrados barris de óleo. Mas não se sabe se caixas e barris têm relação com a origem do derramamento. Tudo está sendo investigado.

Manchas de óleo atingem Alcântara, no Maranhão

Larissa Barreto verificou pessoalmente as condições de Alcântara. “Havia muitas manchas, coletamos amostras e estamos investigando.” Especialista em tartarugas, ela alerta que elas não podem ser devolvidas ao mar, quando encontradas cobertas de óleo. “Aqui, tivemos um caso, em Alcântara, e devolveram ao mar. O certo é encaminhar para os órgãos públicos. Elas são muito sensíveis. Na tentativa de tirar o óleo, podem se sufocar. Ao inalar esse óleo, ele também ataca o fígado e rins, que param de funcionar, e o sistema reprodutivo. Mas não são apenas as tartarugas (afetadas). Peixe-boi, peixes em geral, cetáceos e boa parte da vida marinha podem estar contaminados por esse óleo, que é difícil de tirar”, explica, acrescentando que o impacto é de grande dimensão.

Sete tartarugas marinhas mortas pelas manchas de óleo

Além da tartaruga devolvida ao mar, outra foi encontrada morta no Maranhão, na Ilha dos Poldos, em Aroises. Das sete que morreram, as demais foram localizadas em Jijoca de Jericoacoara e em Fortaleza, no Ceará; Extremoz, no Rio Grande do Norte; Ilha Grande, Piauí; e duas em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. A ave morta foi encontrada em Caucaia, no Ceará. “A poluição das praias e os animais mortos são a parte visível desse impacto nos ecossistemas. Mas tem muita coisa que não se enxerga. O óleo é muito tóxico para a vida marinha. O contato com ele pode ser mortal, especialmente para microrganismos, base de alimentação da cadeia. Isso provoca um efeito letal em cascata”, explica Bruno Pralon, professor de Zoologia da Universidade Federal do Piauí.

Tartarugas morrem sufocadas pelo óleo

Pralon lembra ainda que, ao ficarem impregnadas de óleo, as aves perdem primeiro a capacidade de voar. “Em função das penas que ficam pesadas e grudadas. Mas são as penas que regulam a temperatura corporal. Assim, toda a saúde da ave fica seriamente comprometida”, diz. O litoral do Piauí é um dos poucos lugares do país frequentados pelas cinco espécies de tartarugas que visitam as águas brasileiras, afirma Pralon. “Incluindo a bela tartaruga-de-couro, a maior espécie e também a mais rara. E agora estão todas ameaçadas de morreram sufocadas por óleo.”
Centro Aquasis de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, Caucaia, Ceará. Imagem, Mika.

Delta do Parnaíba, paisagem ameaçada pelas manchas de óleo

Segundo o Ibama, apenas uma localidade no Piauí, a Praia do Arrombado, na cidade de Luís Correia, foi atingida. No entanto, não apresenta oleosidade. O Delta do Parnaíba, uma das mais belas paisagens do mundo, fica na foz do rio Parnaíba, divisa do Piauí com o Maranhão. É lá que se pode apreciar a revoada vermelha dos guarás. Entretanto, está ameaçado. Luís Correia fica a apenas 23 quilômetros do Delta e 18 quilômetros de Parnaíba. “Eu vi vídeos em redes sociais de muitos surfistas saindo da Praia do Sal, em Parnaíba, cobertos de óleo”, afirma Pralon.
Como é possível atingir oito estados, e não saberem a origem do desastre?

Manchas de óleo afetam estuários, manguezais e costões

No estado de Sergipe, o óleo atingiu quatro localidades de três cidades. O oceanógrafo Jonas Ricardo dos Santos diz ser difícil mensurar todos os impactos. Ainda mais porque o problema cresce a cada dia. Ele lembra, contudo, que o óleo flutua na água, por ser mais leve. Dessa maneira, além de atingir as praias, afeta estuários, costões e manguezais. “A praia é o lado exposto dessa tragédia. Quando chega aos costões, estuários e mangues, o impacto é direto também no ser humano. Esses são lugares onde vivem o que chamamos de organismos filtrantes, como mexilhões e ostras, ou sururus, como são mais conhecidos no Nordeste. Eles retêm em seus tecidos boa parte dos contaminantes. Por meio deles, se consegue medir como está a poluição desses lugares. E o ser humano vai consumir mexilhões e ostras contaminadas por óleo, além de peixes.”

Manchas de óleo: litoral nordestino sofre agressões há muitos anos

“Tem que ter monitoramento sério e multidisciplinar para se conhecer o real impacto nos ecossistemas ao longo de toda a costa nordestina”, ressalta Larissa Barreto. O que, na opinião do biólogo Jeovah Meireles, ainda está distante de acontecer. “Com tudo isso e essa grande extensão, não temos conhecimento de uma articulação das esferas públicas para conter o problema e tentar reduzir os impactos. Atrás do derramamento de óleo e da inoperância dos órgãos ambientais, até mesmo para monitorar, o litoral nordestino e cearense já vem sofrendo várias agressões há muito tempo, como invasões e crescimento desordenado, além de outras espécies de poluição. É uma confissão completa de ineficiência para gerir sistemas ambientais complexos, como as unidades de conservação”, ressalta Meireles.

Contaminação por óleo é destrutiva

Monica Costa, da Universidade Federal de Pernambuco, lembra que quanto mais tempo passa menos se pode fazer pelas áreas atingidas. “Contaminação por óleo tem que ser combatida rapidamente. Destrói muita vida e depois leva décadas, muitas décadas, para se recuperar os ecossistemas. Esses que já são atingidos por esgotos, nutrientes (agrotóxicos) de lavouras, entre outras agressões cotidianas. Esse óleo é mais um agravante”, diz.
Lagoa do Pau, Coururipe, Alagoas. Imagem, Carlos Ezequiel Vannoni. Agência Peixel. Conteúdo Estadão.

Prejuízos às comunidades locais provocado pelas manchas de óleo 

Cláudio Sampaio, da Universidade Federal de Alagoas, chama a atenção ainda para os prejuízos às comunidades locais. “Além da fauna e da flora afetadas, esses são lugares turísticos. Tem muita gente dependendo deles estarem aptos para receber turistas, como comerciantes, prestadores variados de serviços, agências e guias turísticos e até mesmo os pescadores artesanais, que sobrevivem da pesca, mas vendem nos comércios locais e restaurantes. Todos são afetados diretamente”, afirma. Ele observa ainda que as redes sociais foram determinantes para se detectar as manchas e alertar as autoridades sobre a evolução do problema.

Custos precisam ser repassados aos responsáveis

Segundo Eduardo Elvino, da CPRH, é preciso colocar na conta dos prejuízos também todo o pessoal dos vários órgãos públicos ambientais, ou não, de todas as esferas envolvido na operação de detecção de manchas e limpeza das praias. Além do preço de descarte e reciclagem do material recolhido, custos que estão entrando nas contas dos municípios. “Tem muita gente envolvida, e pessoal muito técnico. Tem deslocamentos, enfim os custos são pesados e chegarão aos responsáveis, além da multa.”

Lagoa do Pau, Coururipe, Alagoas. Imagem, Carlos Ezequiel Vannoni. Agência Peixel. Conteúdo Estadão.

Manchas de óleo no litoral do Nordeste: últimas notícias falam sobre possibilidade de óleo venezuelano

Em 30/09/2019 surge a primeira possibilidade de identificação do vazamento de óleo. De acordo com a revista Época, “A Petrobras encaminhou um laudo sigiloso ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ( Ibama ) em que aponta a hipótese de ser venezuelano o petróleo que contaminou o litoral nordestino. ÉPOCA apurou a informação com três fontes distintas. Além disso, apesar de o Ibama ter informado em nota à imprensa há cinco dias que o óleo que contamina diferentes praias é o mesmo, o órgão trabalha com a hipótese de que existe mais de uma fonte de contaminação.” Nos primeiros dias de outubro a Petrobras confirmou a origem do óleo: veio da Venezuela, como, ainda não se sabe.
Assista ao vídeo do vazamento e saiba mais



Fontes: https://www.ibama.gov.br/notas/2047-manchas-de-oleo-no-litoral-do-nordeste: https://www.ibama.gov.br/phocadownload/notas/2019/2019-09-29_LOCALIDADES_AFETADAS_sem_OBS_geral.pdf; https://www.ibama.gov.br/phocadownload/notas/2019/2019-09-29_FAUNA_AFETADA.pdf; https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,mancha-de-oleo-que-atinge-43-praias-do-nordeste-chega-a-sergipe,70003025338; https://www.terra.com.br/economia/plataformas-da-petrobras-comecam-a-se-tornar-sucata,b77cb0d099c82a64c8d22d954843f298f6vc3itz.html; https://oglobo.globo.com/sociedade/petrobras-falha-em-contencao-de-dois-vazamentos-esconde-acidente-do-mercado-23898780; http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/esclarecemos-que-oleo-encontrado-em-praias-do-nordeste-nao-e-da-petrobras.htm; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9605.htm;https://www.gazetaonline.com.br/noticias/economia/2019/08/trinca-em-plataforma-provoca-vazamento-de-petroleo-e-navio-e-evacuado-1014195976.html; https://epoca.globo.com/sociedade/laudo-sinaliza-que-mancha-de-oleo-no-nordeste-pode-ser-petroleo-da-venezuela-23985741; https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/manchas-de-oleo-que-atingem-litoral-nordestino-chegam-a-bahia/; https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2019/10/07/salles-diz-que-mais-de-100-t-de-borra-de-petroleo-foram-recolhidas-no-nordeste.htm; https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/10/11/manchas-de-oleo-atingem-reserva-extrativista-no-maranhao.ghtml;


domingo, 13 de outubro de 2019

ENTENDENDO VENTOS


"Calada estranha! Num demora
vai dá viração."
Amainá - Acalmar, diminuir. Mais utilizado para definir o vento. Ex: "O vento vai amainá".
Cabeça de Vento - A primeira rajada de vento quando ele vira de direção.
Calada Estranha - Tempo estranho, sem ventos, sem definição.
Calada Podre - Calmaria de vento com sol forte.
Ramo de Ar - Vento frio e inesperado que pode causar alguns problemas de saúde. O mesmo que golpe de ar.
Viração - Mudança de vento e de tempo. Ex: "Num demora vai dá viração".

Mergulhe mais fundo no http://dicionariodailha.blogspot.com/

A NOITE SENDO...

Foto Fernando Alexandre

Tarde Indo...

O PETRÓLEO E A MORTE!

Golfinho é encontrado morto em praia no município de Feliz Deserto, no litoral sul de Alagoas
Imagem: Instituto Biota

Golfinho é 1º mamífero atingido por óleo a surgir morto em praia de Alagoas 
Carlos Madeiro

Um golfinho com manchas de óleo foi achado morto hoje no município de Feliz Deserto, no litoral sul de Alagoas. A informação é do Instituto Biota de Conservação, que está fazendo o recolhimento do animal para necropsia.

Foi o primeiro mamífero a surgir morto desde a aparição das manchas de óleo no Nordeste, no início de setembro. Segundo relatório do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), 13 tartarugas e uma ave já morreram oleadas no litoral nordestino até ontem.

Segundo o coordenador do instituto, Bruno Stefanis, ainda não dá para saber a causa da morte do golfinho. "Somente com a necropsia podemos saber, se ela for conclusiva", afirma.

O professor Cláudio Sampaio, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), diz que, pela foto, se trata de um boto cinza, mas confirma que somente uma necropsia poderá afirmar se há relação do óleo com a morte.

"Aparentemente estava em boas condições físicas, sem sinais de baixo peso, por exemplo. Como a carcaça está fresca, será possível inferir se o animal morreu por conta do óleo ou ficou sujo depois de sua morte."

Mais de 2 toneladas de óleo são removidas de praias no Rio Grande do Norte AFP

Tmbém ontem, novas manchas de óleo apareceram no litoral sul do estado, na Barra de São Miguel, o que levantou a suspeita de que o vazamento permanece ativo em algum local no mar.

"A situação é complexa, o governo pouco informa, dificultando os trabalhos de limpeza das praias petrolizadas e a prevenção de outras. A chegada de novas manchas hoje pode sugerir um outro vazamento de petróleo, mas somente a análise desse material poderá indicar que seja de um petróleo distinto daquele que já chegou às praias", disse Sampaio.

Segundo o Ibama, até ontem foram 161 praias atingidas em 72 municípios dos nove estados da região.


TRIBUZANAS À VISTA!


Árvore foi arrancada em Concórdia – Foto: Rural FM/Reprodução/ND

Tempo vira neste domingo e provoca temporais em Santa Catarina

Chuva e rajadas de vento atingiram cidades do Oeste; alerta de temporais localizados com granizo se estende para as outras regiões

WILLIAN RICARDO

O calor que dominou o fim de semana em Santa Catarina tem reviravolta neste domingo (13) com a chegada de uma frente fria. O alerta de risco para temporais localizados com granizo da Defesa Civil, com base na previsão da Epagri/Ciram, já se concretizou na região Oeste e se aproxima das outras regiões até o fim do dia.

Temporal causou destelhamentos e quedas de árvores no período da tarde. A Defesa Civil ainda contabiliza os estragos. 

Em Concórdia, o vento forte arrancou árvores, derrubou placas de publicidade e destelhou casas em pelo menos oito bairros do município, são eles: Floresta, Nações, Nazaré, Guilherme Reich, Catarina Fontana, Industriários, Morro no Merlo e Centro. Segundo a Defesa Civil, ainda não há o número de imóveis atingidos.

Os Bombeiros Voluntários de Concórdia entregaram lonas aos atingidos pelo temporal. Não houve feridos. 

Quase 20 mil unidades consumidoras ficaram sem energia elétrica no município, por conta de galhos de árvores que atingiram cabos e postes. Até a metade da tarde cerca de nove mil ainda permaneciam sem luz, segundo dados da Celesc. 

Outros municípios 

Também houve estragos em outros municípios do Oeste. Segundo levantamento preliminar da Defesa Civil, Ipumirim, Arabutã e Guatambu também foram atingidos pelo vento forte e granizo. Até às 16h o órgão não tinha o número de imóveis destelhados. 

De acordo com a Epagri/Ciram, o temporal foi provocado pela entrada da frente fria. O risco de granizo, raios e ventania acima de 60 Km/h segue até a noite de segunda-feira (14) em todas a regiões.