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terça-feira, 17 de março de 2020

O MAR E SUAS CURIOSIDADES


O Ponto Nemo. Ilustração: padi.com

 Curiosidades sobre os Oceanos, conheça 
A matéria original saiu pelo site padi.com. Ela mostra aspectos fascinantes e interessantes sobre o mais importante ecossistema da Terra, sem o qual não haveria vida no planeta. Mas, apesar de sua importância, ele é ainda muito pouco explorado e conhecido. O Mar Sem Fim escolheu algumas curiosidades sobre os oceanos, dentre os 50 fatos interessantes, apresentados pelo site. Vamos a eles:
O Ponto Nemo: saiba o que é

É o ponto mais remoto e isolado da Terra. Por anos os cientistas o procuraram até que, em 1992, com os avanços da tecnologia, o engenheiro e pesquisador Hrvoje Lukatela utilizou um programa de computador com coordenadas geográficas e espaciais e o encontrou. Onde ele fica? Nos oceanos, claro.

O Ponto Nemo está localizado a mais de 1.000 milhas (1.600 km) equidistantes das costas de três ilhas longínquas: a Ilha de Ducie (uma das ilhas de Pitcairn) ao norte; Motu Nui (da cadeia da Ilha de Páscoa), ao nordeste; e Ilha de Maher (ao largo da costa da Antártida), ao sul. O nome Nemo, que significa ‘ninguém’ em Latim, foi uma homenagem ao famoso Capitão Nemo, o marinheiro anti-herói de Júlio Verne. Portanto, se você estiver de saco cheio das pessoas, e quiser se isolar, é pra lá que deve ir.

Curiosidades sobre os oceanos, saiba o porquê da cor azul do mar e do céu

Quem explica é o Scientific American:

O oceano parece azul porque as cores vermelha, laranja e amarela (luz de comprimento de onda longo) são absorvidas mais fortemente pela água do que a cor azul (luz de curto comprimento de onda). Assim, quando a luz branca do sol entra no oceano, a cor azul é a mais refletida. Esta é a mesma razão pela qual o céu é azul
A maior cadeia de montanhas do planeta tem 65.000 km de comprimento

Mais uma vez ela fica nos Oceanos. Seu nome é “cordilheira mesoatlântica“. A cadeia de montanhas que se une ao redor do globo como uma costura em uma bola.


Ilustração: padi.com

Neste mapa do Woods Hole Oceanographic Institution a maior cadeia de montanhas do planeta fica mais evidente

Curiosidades sobre os oceanos: espécies marinhas conhecidas

O padi.com informa que:

230 mil espécies marinhas são conhecidas da ciência. Os pesquisadores estimam que haja mais de 2 milhões de espécies ainda não identificadas.
A mais longa migração de um mamífero: 22.511 mil km

Aconteceu no mar outra vez. A façanha foi de uma baleia-cinza, mamífero marinho que pode atingir cerca de 15 metros de comprimento e pesar cerca de 35 toneladas. De acordo com o padi.com “a baleia-cinza percorreu 22,511 km, em 172 dias”. As migrações acontecem pela necessidade de encontrar áreas mais produtivas para alimentação ou reprodução. No inverno elas se alimentam nas regiões polares. No verão migram à procura de locais mais quentes, próximos aos trópicos, para a reprodução. As baleias são extremamente importantes para o ecossistema marinho.


curiosidades sobre os oceanos

Corais e os fundos oceânicos

O padi.com informa que

1% do fundo dos oceanos é coberto por corais. E 25% de todas as espécies marinhas chamam estes corais de seu lar, ou habitat. Os corais são o mais produtivo ecossistema marinho
Por que amamos os Oceanos, pergunta o Padi.com?

É cativante conhecer fatos científicos sobre este mundo mágico. No entanto, também é humilhante perceber o quão pouco sabemos sobre os oceanos. É tentador pensar em quanto mais há para descobrir. Da fascinante vida marinha às próprias águas, parece que nunca conheceremos todos os segredos do mar

E o padi vai além

A maior parte da superfície da Terra, 71%, é coberta pelos oceanos. Eles contêm quase toda a água na Terra. Isso significa que os oceanos são de suma importância quando se trata de nossa sobrevivência. No entanto, sabemos que apenas conhecemos e registramos uma pequena porcentagem desse mundo subaquático

O padi pergunta

O que vale a pena salvar?

E ele mesmo responde:
Se nada mais, isso nos dá alguma perspectiva sobre nosso papel na Terra. A terra seca que tendemos a pensar como nosso planeta empalidece em comparação com os oceanos. A vastidão e a diversidade de nossos mares testa nossos limites em termos de imaginação, conhecimento e habilidade. É isso que atrai os mergulhadores para explorar as profundezas. É apenas quando você está debaixo d’água que você pode imaginar – mesmo que seja pouco – o milagre que são os nossos oceanos.
O Mar Sem Fim também divulga curiosidades sobre os oceanos

O Mar Sem Fim fica feliz por esta declaração de amor aos Oceanos. É bom saber que não estamos sozinhos. Só protegemos e valorizamos aquilo que conhecemos. Por não conhecer a importância dos Oceanos a vasta maioria da população brasileira é indiferente ao que se passa na zona costeira onde começa a cadeia de vida de mais de 90% das espécies marinhas. E não se importa, reclama ou protesta, com o que se passa com nosso mar territorial. Para contribuir, minimizando esta ignorância, nasceu o Projeto Mar Sem Fim.


” A Terra é Azul”! Esta frase imortalizou Yuri Gagarin, primeiro ser humano a viajar ao espaço sideral para descobrir que a Terra… era azul. Azul de vida. Proteja!

A indiferença da população brasileira em relação aos Oceanos e Zona Costeira

Resultado da indiferença? O poder público não age. Não cria novas áreas marinhas protegidascomo se comprometeu a fazer. Não protege nosso maior ativo: a biodiversidade. Leis não são cumpridas. Enquanto isso a especulação imobiliária destrói os ecossistemas de nosso litoral. Matamos a vida marinha antes mesmo de conhecê-la. É esta a herança que nossa geração quer deixar para as próximas?

Pense sobre isso e faça sua parte. Divulgue, espalhe conhecimento, compartilhe. Pressione o poder público. A ignorância é parceira da omissão. Não temos o direito de fazer isso. Democracia exige participação.

Fontes: http://www2.padi.com/blog/2015/12/11/50-fascinating-facts-about-the-ocean-infographic/?utm_campaign=coned&utm_medium=social&utm_source=twitter#sf50668133; http://www.bbc.com/earth/story/20161004-the-place-furthest-from-land-is-known-as-point-nemo; https://www.scientificamerican.com/article/why-does-the-ocean-appear/.

(Do https://marsemfim.com.br/)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O PADRE, A CRUZ E O MAR

Resultado de imagem para Crux do Padre Florianópolis
A história da Cruz do Padre

Entre a praia do Campeche e a Joaquina existe uma cruz que até pouco tempo atrás era de madeira e que foi substituída por uma de concreto, fincada em cima das dunas, que se encontra nos fundos da Igreja de Pedra do Rio Tavares, e marca a denominada Picada da Cruz do Padre.

No dia 26 de dezembro de 1961, um dia após o natal, o padre Alfredo Dullius estava passeando na chácara dos padres do Colégio Catarinense onde hoje se encontra a Igreja mencionada acima. Naquela manhã ensolarada o padre resolveu, juntamente com um grupo de *frateres ( seminaristas jesuítas), tomar banho de mar. Seu primeiro mergulho foi fatal. O mar estava muito revolto e o padre caiu em uma corrente de repuxo não conseguindo mais tomar pé. Os frateres Santini e Sewald tentaram salvá-lo, mas quase foram vítimas do mesmo destino. O padre acenava em desespero pedindo por socorro, mas não restava mais nada a fazer, a não ser rezar.

Alguns frateres tomaram o caminhão da congregação, dirigindo-se a base aérea em busca de ajuda. Deslocou-se um avião de treinamento militar que localizou o corpo boiando a uma distância de aproximadamente um quilômetro da costa. Os pescadores do Campeche foram acionados e a canoa da família Rafael, conseguiu boiar (passar a arrebentação) e sair com muita dificuldade partindo em direção ao corpo. O mar continuava muito revolto não sendo possível erguer o corpo do padre para dentro da embarcação. O mesmo foi amarrado com uma corda e arrastado até o pico da praia do Campeche, denominado de Pontal, único lugar possível de entrada e saída de embarcação. Isso já era sete e meia da noite, pois o resgate, devido a distância e as condições adversas do mar, levou mais de três horas. A praia estava lotada, pois a notícia se espalhara pela cidade através das rádios.

Padre Alfredo Dullius era muito querido. Exercia a função de professor do Colégio Catarinense nos últimos três anos e ainda era capelão auxiliar da Escola de Aprendizes Marinheiros no Estreito.

Foto sem crédito
Foi sepultado com honras militares. Este gaucho, da cidade de Bom Jardim, havia completado naquele ano dez anos de sacerdócio. Morreu jovem com apenas 45 anos de idade. Naquele mesmo ano os marinheiros, alunos do colégio catarinense e muita gente da comunidade fincaram a cruz no local de sua morte, homenageando assim o Padre Alfredo Dullius.

Quando criança/adolescente ouvia os pescadores comentarem que tinham medo de passar na picada da cruz, pois o fantasma do padre aparecia. Coisas do folclore ilhéu.

Duas curiosidades: Os pescadores relatam que quando resgataram o corpo, o padre estava com as mãos postas ao peito, em uma atitude de oração. Outra curiosidade é que o Padre em nenhum momento teve o corpo submerso. O mesmo boiou o tempo todo e numa crendice popular acreditavam que tal fenômeno se deu por tratar-se de um padre, “homem de Deus”.

( *Frateres deriva do latim que em português significa irmãos ).
Se vivo fosse o padre Alfredo Dullius completaria 100 anos em 02/06/2016
Sua morte completará cinquenta e cinco anos em 26/12/2016.

Hugo Adriano Daniel Professor/Historiador

(Via TV Vento Sul)

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

OS CINCO VENTOS

Éolo
A RAÇA DOS VENTOS!

Os Ventos, na mitologia grega, são cinco deuses: Éolo – O Rei dos Ventos, Bóreas – O Vento Norte, Nótus – O Vento Sul, Eurus – O Vento Leste e Zéfiro – O Vento Oeste. Os Ventos sempre tiveram importância fundamental, porém secundária, na mitologia. Sendo que é pelos ventos que os deuses se teleportam. Neste post, eles serão retratados um por vez. Seguindo a ordem na qual foram apresentados.

Éolo

Éolo é o deus dos ventos; o Senhor dos 4 Ventos. É filho de Poseidon e habitava a ilha de Éolia com seus seis filhos e suas seis filhas.
A sua maior participação foi na Odisséia. Poseidon estava furioso com Odisseu porque este havia cegado o ciclope Polifemo, filho de Poseidon; então o Senhor dos Mares lançou Odisseu em Éolia. Éolo compadeceu-se e resolveu ajudar ao herói prendendo os ventos em um saco de couro de boi. Prendeu todos os ventos, exceto Zéfiro – O Vento Oeste, pois este levaria Ulisses (um outro nome de Odisseu) de volta à Ítaca, sua pátria. Tudo prosseguia calmamente, até que os homens de Odisseu, curiosos, resolveram abrir o saco; os ventos foram libertados e toda a tripulação perdeu-se novamente, voltando para Éolia. O deus ficou enfurecido com a situação e expulsou os homens de sua ilha.

Bóreas


Bóreas era forte e de temperamento violento. É descrito como um homem velho, alado, com cabelos longos e revoltos, segurando uma concha e vestindo uma capa. É filho da Aurora (Eos) e Astreu, tendo como irmãos Zéfiro, Nótus e Eurus. Os quatro são Titãs.
O Vento Norte apaixonou-se perdidamente por uma princesa ateniense, Orítia. Ele a cortejou, mas sem sucesso. Então, raptou-a e uniram-se. Desta união nasceram os Boréades: Zetes,Calais, Aura e Quione. Inicialmente humanos, mas depois dotados de lindas asas douradas.
Conta-se também que Bóreas transmutou-se em um corcel negro, a fim de cruzar com um rebanho de éguas. Desta “união” nasceram uma dúzia de cavalos, que quando corriam, diziam estar este voando sobre o solo.

Nótus


Nótus é o Vento Sul. Ao contrário dos irmãos não teve nenhum filho. Era o Vento responsável por trazer o calor, e por isso, era associado ao verão.

Eurus


Eurus é o Vento Leste. É responsável por trazer a chuva.
Zéfiro

Zéfiro, o Vento Oeste, é o mais doce dentre todos. Brisa suave e agradável, é considerado o mensageiro da Primavera.
Foi Zéfiro quem levou Psiquê até o Palácio de Eros.
Também foi Zéfiro quem levou Afrodite para a ilha de Chipre.
O episódio que mais destaca o Vento Oeste é o de Jacinto. Ora, Zéfiro e Apolo disputaram o amor do mortal Jacinto, pois os dois deuses haviam enamorado-se do rapaz. Jacinto escolheu Apolo, o que deixou o deus-vento louco de ciúmes. Ocorreu que um dia, Apolo e Jacinto brincavam de lançamento de disco e Apolo atirou um disco. O impiedoso Zéfiro soprou uma brisa que fez com que o disco batesse na testa de Jacinto e o matasse. Apolo, desconsolado pelo ocorrido, criou uma flor do sangue do amado, flor esta que leva o seu nome, o jacinto.

Parece que os ventos, hoje em dia, estão muito enfurecidos. Porque quando há tempestade os ventos estão a cada dia mais cruéis. Destelham casas, derrubam árvores e causam muitas desgraças. Devemos precavermo-nos para com esses acidentes e incidentes!

ERAM OS MACACOS NAVEGADORES?

Image copyrightYury Barsukov Alamy Stock PhotoImage captionEnsopado após um mergulho: jornada primata pelo oceano pode ter ocorrido há 40 milhões de anos

Macacos 'marinheiros': Teoria indica que animais cruzaram Atlântico para chegar à América do Sul

Josh Gabbatiss
Da BBC Earth

"Em 1492, Colombo navegou o oceano azul”, diz o poema. Essa história é conhecida.
Exploradores transatlânticos mais antigos já haviam deixado Colombo para trás: é quase certo que vikings fizeram a travessia. Egípcios e outros grupos também teriam conseguido.
Se essas viagens pré-colombianas parecem incríveis, em nada se comparam a uma jornada que parece ter ocorrido há 40 milhões de anos.

No meio do período Eoceno, um grupo de macacos navegou um oceano... verde.
E essa turma intrépida também buscava glória e riqueza do outro lado do oceano. Bem, ou quase isso.

A história evolutiva dos primatas vem recebendo ampla atenção da ciência ao longo dos anos. Nada surpreendente: a história deles é a nossa, e a trajetória da pesquisa das raízes da humanidade acaba revelando muito sobre nossos ancestrais.

Sabemos, por exemplo, que os primatas provavelmente se originaram na Ásia, e graças a novos e sofisticados estudos é possível estimar com precisão a data de aparecimento de diferentes grupos e espécies. 
Image copyrightAlamy Stock PhotoImage captionVikings cruzaram o Atlântico antes de Cristóvão Colombo

Mistério

Um assunto que sempre intrigou pesquisadores, contudo, é como os primatas chegaram à América do Sul.
Avanços na geologia nos anos 1950 e 1960 pareciam ter apontado pistas. Era o período de refinamento dos conceitos de deriva continental e placas tectônicas, ideias que logo se tornariam uma explicação "guarda-chuva" para distribuições estranhas de espécies pelo planeta.

No caso do "enigma do macaco", a argumentação era simples. Não havia oceano Atlântico no passado remoto - África e América do Sul formavam uma massa terrestre chamada Gondwana.

O ancestral primitivo dos macacos do Novo Mundo e do Velho Mundo poderia então literalmente ter caminhado – ou se balançado – até a atual costa leste da América do Sul.

Técnicas de relógio molecular estimam hoje a data de existência do último ancestral comum entre macacos dos mundos Novo e Velho em cerca de 100 milhões de anos após a divisão dos continentes. Então, essa ideia de travessia terrestre caiu por terra.

Cientistas estabeleceram teorias alternativas. Talvez os macacos tivessem feito a travessia a partir de fora da África – via América do Norte ou pela Antártida. Mas não há fósseis para sustentar essas ideias. 

Image copyrightStocktrek Images Inc Alamy Stock PhotoImage captionHá milhões de anos, a África e a América do Sul eram unidas

Descoberta

Embora pareça estranho, o mais provável é que os macacos tenham tido que cruzar o Atlântico. Novas evidências vieram à tona recentemente, reacenderam o debate e colocaram em alta a hipótese da travessia transatlântica.

Uma equipe coordenada por Mariano Bond, da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, desenterrou amostras de dentes de macaco surpreendentemente familiares durante escavações na Amazônia peruana.

"Um dente é muito, muito parecido com um fóssil de dente da África", anima-se Ken Campbell, membro da equipe e curador no Museu de História Natural de Los Angeles.

A partir dali os pesquisadores puderam identificar uma nova espécie, pequena e parecida com os saguis atuais, que denominaram Perupithecus ucayaliensis. A semelhança com o Talahpithecus, um gênero de macaco que viveu no norte da África no Euoceno, é impressionante.

A origem do Perupithecus é o periodo final do Euoceno, há cerca de 36 milhões de anos, o que faz essa espécie o macaco do Novo Mundo mais antigo já identificado. E mais importante ainda: a descoberta fornece pela primeira vez um vínculo direto entre os ancestrais dos atuais macacos do Novo Mundo e os ancestrais primatas da África. 

Quebra-cabeça

Com o consenso sobre o papel da África como uma espécie de berço original a partir do qual os macacos do Novo Mundo se espalharam em algum ponto entre 40 e 44 milhões de anos atrás, o que sobra é uma questão: o oceano Atlântico.

O Atlântico se expande um pouco a cada ano. No Euoceno, ele certamente era menor do que hoje, mas ainda era bem grande – tinha ao menos 1,4 mil km de largura. E como esses macacos primitivos cruzaram essa distância aparentemente insuperável? 

Em geral, há duas explicações possíveis.

Uma é o island hopping, ato de atravessar um oceano em jornadas menores de ilha a ilha. Os níveis dos oceanos oscilaram ao longo da história terrestre. Terras emergiram e foram cobertas pelas ondas.

Image copyrightArctic Images Alamy Stock PhotoImage captionO oceano Atlântico pode ser bem perigoso

Em tese, quando os níveis dos mares estiveram mais baixos, cadeias de ilhas vulcânicas podem ter ligado de alguma maneira a África e a América do Sul, facilitando a travessia.

No entanto, mesmo se houvesse uma cadeia de ilhas à mão, nossos precursores primatas ainda precisariam de transporte entre as ilhas. Aqui é onde os "macacos marinheiros" entram na história.
Navegação

A segunda ideia é a dispersão oceânica por rafting, um conceito que pode parecer lunático, mas conta com uma boa bagagem de precedentes na biologia. Quem o sugeriu primeiro foi um dos pais da biologia da evolução, Alfred Russell Wallace, e desde então ele já foi empregado para explicar tudo, de cobras garter no México à fauna de mamíferos de Madagascar.

Antes do aparecimento da teoria das placas tectônicas e da deriva continental, o processo do rafting era a explicação para qualquer distribuição geográfica intrigante de espécies.

Como a hipótese das placas tectônicas não explica como os macacos chegaram à América do Sul, o rafting deve ter tido um papel. Na verdade já foi até sugerido que esses processos também tenham sido responsáveis pela chegada dos ancestrais de roedores e aves como o jacu-cigano. O Atlântico no Euoceno foi uma verdadeira rota para criaturas náuticas.
Image copyrightChris Mattison Alamy Stock PhotoImage captionUma cobra (Thamnophis hammondi) no México; as serpentes desse gênero podem ter navegado até as Américas

E o que era o rafting na prática? Claro que as pequenas criaturas identificadas por Bond e sua equipe no Peru não eram capazes de construir uma canoa. A tarefa seria ainda mais difícil para uma cobra. Na verdade, a "canoa" em questão é algo mais parecido com uma ilha flutuante.

Se isso começa a soar estranho, você está em boa companhia. Em uma longa análise sobre o assunto, Alain Houle, da Universidade de Montreal, adverte seus colegas para o perigo de usar a hipótese do rafting como explicação para tudo, sem considerar aspectos práticos.

Precaução

Mesmo o influente paleontologista George Gaylord Simpson, que defendeu a teoria do rafting já nos anos 1940, reconheceu que "esse tipo de migração acidental é aventada sempre que é preciso explicar fatos que contradizem a tese principal".

Com essa precaução em mente, Houle procurou antes quantificar a chance de uma ilha como essa se formar. Depois, a possibilidade de transportar uma população saudável de mamíferos ao longo de metade do planeta. 

O primeiro passo é definir a aparência dessas chamadas "ilhas flutuantes". A imagem que vem à mente é a de uma porção de terra, ao menos uma grande massa de vegetação, sendo arrastada pelo mar durante tempestades violentas.

Tais eventos já foram documentados, embora raramente. Também já houve registros de tapetes de vegetação carregados pela corrente Sul Equatorial entre os rios Níger e Congo, na África, até a costa brasileira – exatamente o tipo de ocorrência necessário à odisseia ancestral dos macacos.
Image copyrightWorldFoto Alamy Stock PhotoImage captionUm pouco de madeira certamente não suportaria muitos macacos em uma travessia oceânica

Se esses supostos botes naturais tinham árvores em pé – como formações semelhantes no passado – Russell Ciochon, da Universidade de Iowa, e Brunetto Chiarelli, da Universidade de Florença, sugerem que seria possível a realização desse tipo de navegação.

Pesquisa sobre o fluxo ancestral de correntes oceânicas (examinando aspectos geológicos como estruturas sedimentares) indicou que correntes fortes em direção oeste, vindas do oeste da África, existiram no período Eoceno, como hoje.

Apesar disso, estimativas básicas feitas pelo paleontologista Elwyn Simons indicaram que uma jornada transatlântica que dependesse apenas das correntes levaria, no mínimo, 60 dias – talvez mais do que o mais resistente dos macacos possa aguentar.

Por isso, diz Houle, a ideia da navegação é crucial para toda a teoria. Em sua análise, ele considera efeitos do vento nesses "barcos" hipotéticos, a partir de velocidades eólicas modernas no Atlântico. Estima que, há 40 milhões de anos, o Atlântico poderia ter sido atravessado em bote em 14,7 dias.

Vale mencionar que Houle, como outros pesquisadores que analisaram a ideia em detalhes, tende a apostar na hipótese de uma longa travessia, mais do que pequenas jornadas por cadeias de ilhas vulcânicas.

Considere a probabilidade de um bote se formar uma vez e fazer contato com a terra e a chance de isso ocorrer várias vezes com a mesma população de criaturas. Talvez a última ideia seja forçar demais a imaginação.

Image copyrightRoland Seitre naturepl.comImage captionO macaco-barrigudo (Lagothrix cana) é encontrado principalmente em florestas densas da América do Sul

Resistência

O próximo enigma é o bem-estar dos passageiros a bordo da ilha flutuante. Se os macacos hipotéticos estiveram nessas estruturas por muito tempo, é importante considerar se tinham as características fisiológicas necessárias para a sobrevivência.

O prazo de 14 dias estimado por Houle torna a possibilidade de cruzamento mais plausível do que estimativas anteriores, mas os macacos ainda teriam que enfrentar desidratação, fome e exposição ao sol.

Por motivos óbvios, é impossível afirmar com certeza como esses animais teriam respondido a um novo estilo de vida náutico, e é eticamente questionável buscar a resposta enchendo jangadas com macacos e enviando-as à deriva. Mas podemos inferir as chances de sobrevivência a partir de um entendimento mais geral da fisiologia dos mamíferos.

Campbell, um dos membros da equipe que descobriu o dente na Amazônia e defensor ardoroso da hipótese da jangada, destaca que esses animais eram pequenos – quase do tamanho de esquilos – e teriam exigências simples de comida e água.

Image copyrightblickwinkel Alamy Stock PhotoImage captionO degu (Octodon degus), roedor de origem chilena, pode passar dias sem água

Dito isso, estudos comparativos de resistência à privação de água têm indicado que mamíferos menores tendem a ser bem menos capazes de lidar com a desidratação.

Mas alguns mamíferos conseguem se dar bem com a desidratação, como aqueles provenientes de regiões áridas. Se esses primatas fossem da safra do oeste da África, há boa chance de que estivessem bem adaptados à sobrevivência em ambientes duros e imprevisíveis.

Um estudo comparativo realizado por Arturo Cortes e uma equipe da Universidade do Chile demonstrou que degus – roedores do tamanho de pequenos macacos que habitam regiões semiáridas do Chile – podem sobreviver por quase duas semanas sem água.

É difícil encontrar prova concreta para uma ocorrência tão rara. Mas tendo em conta a viabilidade da formação de ilhas flutuantes e sua capacidade de transportar uma população saudável de macacos, pelo menos é possível dizer que a façanha poderia, em tese, ter ocorrido.

A teoria do rafting oceânico tem recebido uma boa porção de críticas ao longo dos anos, mas quanto mais seus efeitos podem ser devidamente quantificados, ela gradativamente passa de uma ideia conveniente a uma hipótese bem testada e legítima.

A ideia do "macaco marinheiro", embora bizarra, já não parece tão absurda como no passado.

Image copyrightBoaz Rottem Alamy Stock PhotoImage captionUm mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), espécie exclusiva da Mata Atlântica brasileira

Autor de The Monkeys’ Voyage, o biólogo Alan de Queiroz diz que há uma "contrarrevolução" em curso contra explicações simples de distribuição animal pela deriva continental. Ele sugere um modelo mais complexo no qual biólogos evolucionistas aderem a ideias aparentemente malucas sobre dispersão oceânica para explicar nosso entendimento da natureza.

Hoje, as florestas tropicais da América do Sul são tomadas por gritos e sons de tudo, de pequenos micos a bugios estridentes, escondendo-se em buracos e balançando em árvores.

É incrível pensar que esses animais diversos e carismáticos podem ser rastreados até alguns ensopados pioneiros, tropeçando fora de um barco acidental há milhões de anos rumo a um novo mundo.

Eles podem não ser tão conhecidos como Colombo e seus companheiros primatas sem pelos, mas esses "macacos marinheiros" merecem seu próprio lugar na história. 

Leia a versão original em inglês desta reportagem no site da BBC Earth

segunda-feira, 16 de julho de 2018

BALEIAS COM CHIFRES

Foto Semcré Dito
O narval é um cetáceo que vive nas águas geladas em torno do Círculo Polar Ártico. Mede de 4 a 5 metros de comprimento e tem cerca 1,5 toneladas de peso. O dimorfismo sexual na espécie é bastante pronunciado e manifesta-se no dente incisivo superior esquerdo dos machos, que se encontra enrolado em espiral e que se projeta como um chifre. Este dente é feito de marfim e pode atingir até 3 metros de comprimento, quase a metade do tamnho do animal. Por causa dele os narvais foram e continuam a ser caçados. Na Idade Média, a espécie foi explorada pelos vikings que colonizaram a Groelândia e que faziam do marfim de narval uma das principais exportações da colonia para a Europa. Com o desaparecimento da colonia da Groelândia, o narval passou a ser caçado apenas pelas tribos de inuit, que continuam com esta prática por métodos artesanais nos dias de hoje. Com a colonização do Canadá e o advento dos navios baleeiros, os narvais passaram a ser caçados em massa. Atualmente, a caça é permitida com restrições.
As presas de narvais capturados nas águas do Ártico circulavam por toda a Europa medieval como prova da existência do unicórnio, animail mitológico e tema de notável recorrência nas artes medievais e renascentistas.
Leonardo da Vinci escreveu o seguinte sobre o unicórnio:
"O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvajaria. Ele põe de parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece no seu regaço. Assim os caçadores conseguem caçá-lo."

sábado, 7 de julho de 2018

SEREIAS NÃO EXISTEM?

Reprodução/Discovery
Administração Nacional de Oceanos
dos EUA nega existência das sereias

Órgão ambiental foi obrigado a emitir comunicado após programa do Discovery Channel levantar a teoria que os seres mitológicos podem realmente existir
  

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (na sigla em inglês, NOAA) precisou negar, em comunicado, a existência das sereias, depois que um documentário de televisão causou confusão entre alguns telespectadores.

"Não temos evidência alguma de que se tenham encontrado humanoides aquáticos", informa a NOAA no site do Serviço Nacional Oceanográfico (NOS), que se encarrega de enfrentar problemas como a mudança climática e a poluição nas áreas litorâneas.

Desta vez, no entanto, as autoridades tiveram que esclarecer outro tipo de dúvida dos cidadãos, já que a veiculação do documentário de ficção "Sereias: O corpo achado", no Discovery Channel, em maio nos Estados Unidos, gerou dúvidas entre os espectadores, que consultaram a agência federal sobre os seres mitológicos.

O canal de TV a cabo afirma, na apresentação do documentário em seu site, que o programa traz "uma imagem extremamente convincente da existência das sereias, a aparência que têm e por quê permaneceram ocultas... até agora".

O programa mescla fatos reais e fenômenos não explicados com a história de dois cientistas que dizem ter encontrado os restos de uma criatura marinha nunca antes identificada; analisando como as sereias podem ter evoluído a partir da árvore genealógica humana primitiva.

Em sua nota sobre "Fatos sobre o Oceano", o órgão oficial afirma, por outro lado, que os seres metade humanos, metade peixes, são "lendárias criaturas marinhas" que fazem parte da cultura marinha oral desde tempos imemoráveis.

Em uma retrospectiva histórica, a NOAA lembra que na "Odisseia" o poeta grego Homero já falava das sereias e, na cultura do Extremo Oriente imaginava-se que eram as mulheres de grandes dragões marítimos, enquanto os aborígines da Austrália se referiam a seu canto hipnótico.

Diante da falta de evidências de sua existência "por que, então, ocupam o inconsciente coletivo de quase todos os povos litorâneos?", se pergunta o serviço oceanográfico, que considera que "é melhor deixar a questão para historiadores, filósofos e antropólogos."

(Da agencia EFE)

domingo, 24 de dezembro de 2017

NA TRILHA DO SOL

Expedição científica pela praia do Saquinho nesta sexta-feira - Divulgação/ND

Pesquisador faz expedição científica em grupo por oito praias de Florianópolis

A proposta é conhecer as inscrições rupestres milenares e precisos alinhamentos das pedras com o sol espalhados pela Ilha

KARIN BARROS, FLORIANÓPOLIS 

Começou nesta sexta-feira (22) e segue até o dia 30 de dezembro a primeira expedição científica pelas inscrições rupestres milenares e precisos alinhamentos das pedras espalhadas por Florianópolis. A proposta é acompanhar o cientista Adnir Antônio Ramos em campo, nativo pescador e antropólogo, que estuda há 30 anos o assunto e é referência em Santa Catarina. 

A primeira trilha feita pelo grupo formado pelo número limitado de até 20 pessoas foi a do Saquinho, um caminho inédito, onde foi observado pela primeira vez o alinhamento das pedras ao nascer do sol. A organizadora Juliana Jeremias Capistrano explica que os lugares escolhidos - ao todo oito -, são especiais para quem tem interesse em conhecer a história dos povos de mais de seis mil anos atrás e fazer experimentos científicos. 

As partidas acontecem às 5h para que o grupo esteja próximo das pedras no horário que o sol nascer, perto das 6h20. “O solstício de verão é o momento em que o sol está mais próximo da terra, e quando ele nasce os raios fazem um alinhamento perfeito com as inscrições rupestres. Embora seja uma pesquisa que existe a muito tempo, muita gente não conhece esses calendários solares e, para mim, os verdadeiros mistérios da Ilha”, diz Juliana.
Mapa das trilhas previstas para a expedição - Divulgação/ND

Além das questões astronômicas citadas no bate-papo que ocorre na trilha com o cientista, também é levado em consideração o lado espiritual. Segundo o organizadora, as comunidades dos povos antigos utilizavam esses locais para rituais sexuais, religiosos e de colheita de alimento, por exemplo, e esse pontos eram apropriados para ocorrer o alinhamento de todas as tribos da Ilha e do país em pontos distantes e ao mesmo tempo. 

O estudo de Adnir ainda está em fase de conclusão, mas essa expedição é um mote mais forte para o trabalho ser encaminhado a Unesco e ser reconhecido como patrimônio histórico do mundo. “O acervo rupestre do litoral de Florianópolis é algo diferente no mundo, não existe nada igual”, afirma ela. 

A jornada Expedições Científicas nas Montanhas Sagradas da Ilha de SC contempla ainda as trilhas da Barra da Lagoa, Pedra do Frade, Lagoinha do Leste, Santinho, Praia Brava e Ponta do Gravatá. Cada uma possui extensão média de 3,5 quilômetros de desafio moderado à difícil em alguns trechos. Indicadas para todas as pessoas que gostem de caminhar e contemplar a natureza, e crianças a partir de oito anos acompanhadas de um adulto. As expedições dependem das condições climáticas pela manhã. O investimento por adulto é de R$ 50 e criança de 8 a 12 anos é de R$ 30. 

Informações pelo telefone (48) 99142-0603 - Juliana Jeremias Capistrano

(Do https://ndonline.com.br/)

sábado, 3 de outubro de 2015

O MISTÉRIO DO SANTINHO!

Foto Piero Ragazzi/ND
Pesquisadores usam pedra retirada do fundo do mar para tentar desvendar mistério do Santinho
Imagem de homenzinho desenhado no costão norte, venerado por pescadores artesanais de Ingleses até a década de 1948, continua desaparecida

por Edson Rosa

FLORIANÓPOLIS

Algas, cracas marinhas e mariscos incrustados na pedra retirada parcialmente do mar, na última sexta-feira (12), começaram a ser raspados pelo pesquisador Adnir Ramos, 50, e equipe da coordenadoria de meio ambiente do Costão do Santinho Resort. Minucioso, o trabalho é feito lentamente para evitar ranhuras.

Há suspeitas que a lasca contenha o desenho do homenzinho cultuado por pescadores da colônia de Aranhas, em Ingleses, e que tenha sido jogada ao mar pelo arqueólogo padre João Alfredo Rohr, em 1948. Ramos explica que a hipótese foi levantada depois que o professor Paulo Rocha, ex-estagiário de Rohr, teria dito que a pedra retirada do costão norte da praia continha uma pegada humana, não a inscrição rupestre.

“Vamos tentar limpar ao máximo a superfície da pedra que, aparentemente, se encaixa no bloco de onde o santinho foi retirado por Rohr”, diz Ramos. Outros pesquisadores, no entanto, acreditam que a pedra com a imagem do Santinho tenha sido levada para São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em 1970.

“Rohr teria deixado a peça sob cuidados da direção de convento daquela cidade, onde seria mantido em sala fechada por ser considerado demoníaco”, supõe o pesquisador Vitor Cabral Espíndola.

(Do ND - www.ndonline.com.br)

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PELO MAR...


Há 28 anos, “Verão da Lata” trouxe maconha flutuando para o litoral brasileiro


Em setembro de 1987, um inesperado carregamento de latas de maconha foi despejado no litoral brasileiro, espalhando-se por praias cariocas e paulistas. Foi o que bastou para que a galera da época passasse a consumir o “presente divino” durante vários meses, virando o ano e batizando o verão de 1988 como o “verão da lata”.

O insólito verão completa agora 28 anos e é imortalizado no documentário Verão da Lata, dirigido por Tocha Alves e Haná Vaisman, e que estreou no canal a cabo History Channel em dezembro do ano passado. Virgula conversou com Tocha, que conta mais sobre aquele inesquecível verão.

Como surgiu o projeto de fazer o documentário Verão da Lata?
A ideia surgiu de vários lugares ao mesmo tempo. Primeiro, foi um amigo, Ricardo Ortiz, fotógrafo e produtor do documentário, que me apareceu com um roteiro de ficção sobre o assunto. Na época achei que fazer uma ficção seria “muita areia para o meu caminhãozinho” (risos), mas que um documentário eu poderia dar conta.

Na mesma época apareceu um pitching de ideias para documentários do History Channel, no 10º Fórum Brasil de TV. Participei e ganhamos. E para completar conheci a Haná Vaisman, roterista e co-diretora do filme, mais ou menos na mesma época também. Ela já tinha uma pesquisa. Foi uma conjunção de fatores eu diria.




Por que é usado o termo Verão da Lata se o fato ocorreu em setembro de 87? Seria porque as latas continuaram aparecendo até o início de 88?
É usado Verão da Lata porque foi uma coisa tão surreal que precisava de um nome. Além do fato de que as latas chegaram aos pouco. Primeiro no litoral norte de São Paulo e depois no Rio. Já era meio de outubro quando chegou no Rio, e continuou chegando pelo menos até janeiro.

Quais fatos bizarros ou engraçados vocês descobriram sobre o caso ao fazer o filme?
Vários fatos bizarros apareceram; um deles está no filme e é o desfecho da história. Não vou contar (risos). Outros fatos bizarros engraçados: em Ilha Bela (litoral norte de São Paulo) um motorista de ônibus de linha encostou o ônibus num ponto, desceu, foi até o mar, tirou a roupa, entrou na água e pegou uma lata. Ele tinha visto a lata enquanto estava dirigindo na orla da cidade. Ilha Bela foi dos lugares onde mais chegou lata.

Outro fato bizarro: muita gente “famosa” que procuramos para entrevistar para o filme se esquivaram de falar. De três formas basicamente: a) marcavam a entrevista e não apareciam; b) davam a entrevista e depois desistiam de autorizar a entrar no filme; c) diziam que não queriam participar de um filme sobre maconha.
Nossa, quanta ignorância, o filme não é sobre maconha. É uma história policial sobre uma operação mal sucedida de tráfico de drogas que gerou um fato pop.


Você tinha que idade na época? Chegou a viver essa fase,ou ouviu falar? Chegou a fumar um baseado da lata?
Eu era muito jovem nessa época; não fumei da lata. Mas claro que ouvi muito falar do assunto com todos os meus amigos mais velhos da época. Mas o que mais me incentivou a fazer o filme foi a ideia de desvendar uma lenda. Muitas pessoas entre 15 e 35 anos hoje em dia acham que isso era uma lenda, que não tinha acontecido. Eu quis fazer o filme para provar que aconteceu e foi muito divertido!


Qual o impacto dessas latas na cultura jovem brasileira da época?
O impacto foi em vários níveis. Acho que a droga em si deve ter influenciado muita gente criativamente. Naquela época, o Brasil estava entrando na redemocratização, primeiros anos sem ditadura. Com certeza a maconha ajudou. Mas também a lata virou gíria “da lata” quando algo era bom, virou camiseta, quadro, música (da Fernanda Abreu inclusive, Veneno da Lata).

O filme tem 60 minutos. Vocês pretendem fazer uma versão maior ou voltar ao assunto em outros projetos?
O filme tem este tempo porque foi feito para ser um especial de TV, com uma hora de duração. Até pensamos em voltar a este assunto transformando-o num longa, mas desistimos. Pelo menos por enquanto. Na época em que estávamos produzindo o documentário, não conseguimos captar nenhum centavo com as empresas brasileiras. Todas acabavam por declinar por não quererem ter seu nome envolvido num filme sobre maconha. Santa ignorância, Batman!

(Do http://virgula.uol.com.br/)