sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Deu no Carlos Damião

Capital ganha Curso de Trabalhos Náuticos

Empresário Ronaldo Daux aposta no futuro da atividade náutica na Capital com a preparação de mão de obra especializada, hoje escassa na região

imgCarlos Damião
@Damiao_ND
FLORIANÓPOLIS
O Projeto do Clube Náutico, aprovado e licenciado na Ponta da Palhocinha, em Coqueiros, vai ganhar, por iniciativa do empresário Ronaldo Daux, o Curso de Iniciação aos Trabalhos Náuticos, habilitado pelo MEC, com caráter profissionalizante e destinado aos alunos da rede pública, na faixa dos 15 anos. O objetivo, conforme Daux, é habilitar profissionais para a navegação, especialmente para consertar, conservar e conduzir embarcações, com conhecimentos sobre materiais de construção. Os alunos deverão dominar a legislação náutica, receberão os conhecimentos necessários de idioma náutico para prestar exames e obter a carteira de habilitação de arrais amador da Marinha do Brasil. Eles ainda terão treinamento quanto à parte prática, por meio de parceria com entidade de ensino profissionalizante. O projeto vai seguir a metodologia adotada pela Escola de Fábrica, originada na Lei 11.180, o que garante proporcionar conhecimentos e capacitação aos alunos com qualidade compatível ao que lhes será exigido nas atividades de marinharia em clubes e marinas. Daux entende que essa será uma grande contribuição para o desenvolvimento de Florianópolis, gerando conhecimento e emprego e podendo servir de exemplo para outros Estados, uma vez que é uma iniciativa com características pioneiras no país. “Hoje há uma grande dificuldade de se encontrar profissionais preparados para as mais diversas funções existentes desde um pequeno barco até grandes embarcações", completa.

(Da coluna "Ponto Final", do Carlos Damião no ND de hoje - www.ndonline.com.br)

DE OLHO NA LUA - HOJE TEM ECLÍPSE

Foto Charles Guerra/RBS
Para começar bem o final de semana, aproveite para olhar para o céu nesta sexta-feira. A noite vai registrar um eclipse lunar penumbral, quando parte da Lua ficará coberta pela penumbra da Terra. 

A Lua irá perder levemente sua cor prateada, apresentando um leve e tom de cinza. Os eclipses acontecem quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua. 

Em Santa Catarina, o fenômeno será visível entre 18h51min e 22h50min, segundo a Epagri/Ciram. O pico do eclipse será às 20h50min. O fenômeno poderá ser visto também no leste das Américas, na Europa, na África e em algumas partes da Ásia.

(Do DC e Epagri/Ciram)

ÓLEO E SANGUE NA BAIA DE GUANABARA

Assassinato de pescadores, ocupação da Baia de Guanabara e inúmeros crimes ambientais são apenas uma parte das ações das grandes empresas Brasileiras na corrida pelo capital, destruindo a vida de centenas de pescadores e manchando o mar de óleo e sangue em uma luta desigual onde os fins justificam os meios.
 Documentário tem a direção e produção de Leandro Arci.

DE OLHO NO MAR

Pesquisadores da UFSC começam trabalho interno do veleiro construído para pesquisa oceanográfica

A primeira movimentação da embarcação com casco de alumínio ocorreu na segunda-feira e o projeto deve ser concluído em setembro do próximo ano

imgLetícia Mathias
@leticiam_ND
FLORIANÓPOLIS
A enorme estrutura de 13 toneladas transformou-se na motivação de estudantes e professores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). O veleiro de 60 pés, construído em alumínio, foi virado ontem pela primeira vez para a posição definitiva. A construção começou em 2010, no Inpetro (Instituto do Petróleo, Gás e Energia), dentro do Sapiens Park, no Norte de Florianópolis. De lá o barco sairá em setembro do ano que vem, diretamente para o mar de Canasvieiras.

Marco Santiago/ND
O veleiro levou duas horas para ser movimentado
Os pesquisadores levaram duas horas para terminar a operação de giro do veleiro. Para garantir segurança, o casco foi segurado por cabos ultrarresistentes. O engenheiro e consultor do projeto, José Oscar Benitini, dava os comandos e quatro integrantes do Labsolda (Laboratório de Soldagem) da Universidade, operavam as máquinas. O investimento é de R$ 1,8 milhão, financiado pelo Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
Foi a primeira vez que a estrutura se moveu desde o término do casco. A partir de agora, começam os trabalhos internos. O professor de técnica de soldagem, Jair Carlos Dutra, um dos idealizadores do projeto, explicou que devido ao peso e tamanho da embarcação o trabalho foi delicado. “Se o casco for amassado toda a operação está perdida”, salientou.
O projeto é assinado pelo arquiteto naval Olivier Petit. Ele desenhou outros veleiros de exploração e pesquisa importantes como o Parati 2, para a volta ao mundo de Amir Klink, e o Antarctica-TARA, criado para estudar as mudanças climáticas em regiões polares.
Primeira viagem para a reserva do Arvoredo
O veleiro construído pela UFSC é o primeiro equipamento de pesquisa do país construído por uma universidade com autonomia para expedições científicas de longo percurso. Além das quatro cabines e estrutura para a tripulação, de até dez pessoas, a embarcação terá um laboratório.
Parte do material usado na construção também foi produzida pelos pesquisadores. Entre eles está o técnico em automação industrial, Cleber Marques, 30, que começou o trabalho no início das pesquisas.  “Durante esse tempo observamos que estaleiros nacionais não usam automação na soldagem, tecnologia que trabalhamos desde o começo. Praticamente toda parte externa deste veleiro foi automatizada e os manipuladores também foram fabricados por nós”.
Depois de pronto, quando for levado ao mar, o veleiro irá para uma expedição na reserva do Arvoredo, ao Norte de Florianópolis. Um dos objetivos é avaliar o impacto das plataformas de petróleo que ficam a 90 milhas do local. “Serão analisados diversos aspectos como impacto ambiental, poluição e biodiversidade”, detalhou o professor Orestes Alarcon.
Proposta de navegar até a Antártida
Paralelo à construção da embarcação, os pesquisadores desenvolveram dois robôs subaquáticos com sensores e diferentes níveis de profundidade para captar informações e coletar materiais debaixo d’água.  A ideia é colocá-los em funcionamento durante a expedição.
As ações após o fim do projeto dependem de recursos. Uma das propostas é levar o veleiro até o continente Antártico. Para isso, será necessário mais apoio, afinal, segundo o professor Jair Carlos Dutra o custo de manutenção será de R$ 5.000 mensais. Valor que a universidade não dispõe atualmente.
Outro desejo dos pesquisadores é concluir o veleiro com um sistema híbrido, sustentável, com energia solar e eólica e regeneração da água, o que também depende outras parcerias. Isso acontece porque o dinheiro recebido pelo Finpe é usado para compra de equipamentos, materiais e pagamento das bolsas para alunos. “Estamos fazendo e conquistando apoios ao longo do trabalho”, explicou.
Dez pessoas participam do desenvolvimento do projeto, dois professores coordenadores da UFSC e oito estudantes de graduação, mestrado e doutorado do departamento de engenharia. O IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) e duas universidades privadas também são parceiros.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

MAR DE OSTRAS

Fenaostra 2013 é recebida com elogios do público na abertura

Organização espera 30 mil pessoas nos cinco dias do evento que celebra a cultura açoriana

imgAline Torres
@alinetorres_ND
FLORIANÓPOLIS
Impossível não bater o pé com as cantigas da Associação Folclórica Boi de Mamão, do bairro Pantanal, que embalou o público da Fenaostra (Festa Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana), na noite de abertura, nesta quarta-feira (16). Enquanto isso, a bernúncia ondulava sua ginga e a maricota estabanava cada giro.
O pavilhão estava lotado de devoradores de ostra: ao bafo, gratinada ou in natura. Mas lá, a arte não é só na cozinha. Há espaço para artistas como Leda Rosa, que mantém a tradição do tear e o bilro de Sílvia Maria Vieira, que produz agilmente um xale vermelho, parecido com o modelo à mostra que despertou atenção das garotas coroadas como rainhas e princesas da festa. E, se umas brincam de princesa, Rafaela Deggerone, 3, se divertiu sendo uma ostra, dentro de uma concha de plástico que decorava o ambiente.
Marco Santiago/ND
Fenaostra em Florianópolis
Ostra gratinada é uma das formas de preparo da iguaria
As médicas Ana Magda Buzatto, 44, e Sara Menezes, 46, e a psicóloga Fátima Mendes aproveitaram para quebrar a rotina. Como todos os dias trabalham cedinho, normalmente estariam naquela hora em casa, descansando. Porém, com a Fenaostra marcaram o encontro regado à gargalhadas.
No CentroSul estão distribuídos 12 espaços gastronômicos com pratos a preços populares. Tem paejada, bacalhau, risotos de frutos do mar. Também há 45 tendas de artesanato no segundo salão, logo atrás da praça de alimentação.
História
Para estimular as comunidades da Ilha que vivem da maricultura, foi criada há 15 anos a Fenaostra. O evento aquece a produção de Florianópolis, que representa 69% das ostras e mariscos vendidos no Brasil. O festejo também incrementa o turismo durante as festas de outubro, tradicionais em Santa Catarina.
Para realizar a Fenaostra 2013 foram investidos R$ 400 mil da Prefeitura, R$ 300 mil do Funturismo e R$ 185 mil do Ministério da Pesca. A expectativa é receber 30 mil pessoas em cinco dias: o evento termina no domingo.
O prefeito Cesar Souza Júnior e parte do secretariado municipal aproveitaram a ocasião para salientar que a Fenaostra é uma celebração acessível à comunidade. A entrada custa R$ 5.
Programação 
Quinta-feira - 17/10
10h às 17h – Seminário técnico para profissionais do setor, empresários e produtores
18h – Abertura dos portões, artesanato, pavilhão gastronômico, espaço kids, caminhão do peixe
18h30 – Ginga do Mané
19h30 – Pau de Fitas
20h – Maria Helena e Banda
21h – Stand up com Seu Maneca
21h30 – Seu Baldecir
22h30 – Wagner Kachaça e Banda
0h – Encerramento

Sexta-feira - 18/10
10h às 17h – Seminário técnico para profissionais do setor, empresários e produtores
18h – Abertura dos portões, artesanato, pavilhão gastronômico, espaço kids, caminhão do peixe
18h30 – Violas da Ilha
19h30 – Associação Folclórica Boi de Mamão de Jurerê
20h15 – Stand up com Darci
21h – Grupo Engenho
22h – Dazaranha
1h – Encerramento

Sábado - 19/10
10h – Abertura dos portões, artesanato, pavilhão gastronômico, espaço kids e caminhão do peixe
10h30 – Grupo de Ratoeira de Sambaqui
11h – Coral da Guarda Municipal
11h30 – Carvalinho
12h30 – Bruna Müller
13h30 – Ney Platt
14h30 – Banda de Pífanos
15h30 – Banda da Lapa
16h30 – Cortejo com a Corte Imperial do Divino acompanhado por integrantes do Grupo Arcos e Raízes Açorianas
17h30 – Grupo de Seresta
18h30 – Associação Folclórica Boi de Mamão do Itacorubi
19h30 – Stand up com Maricotinha
20h – Luiz Meira e Banda
21h30 – Quinteto Samba Aí
1h – Encerramento

Domingo - 20/10
 10h – Abertura dos portões, artesanato, pavilhão gastronômico, espaço kids e caminhão do peixe
10h30 – Silvio Mansani – No Dorso do Rinoceronte
11h30 – Associação Folclórica Boi de Mamão Alevanta Meu Boi
12h15 – Jeovanny de Luch
13h30 – Wagner Segura
14h30 – Banda Compasso Aberto
15h30 – Guinha Ramires
16h30 – Grupo de Dança da Apae
17h – Cia Almaire – Dança Flamenca
17h30 – Grupo Abayomi
18h – Grupo Mulheres Wambui
18h30 – Telinho e Banda
19h45 – Grupo Entre Elas
21h – Grupo Sambarah
0h – Encerramento
 Restaurantes 
- Crepes Mania
- Tapioca da Terra
- Fratelli Sorvetes
- Bacalhau do Sassa
- Rancho Açoriano
- Freguesia Bar e Restaurante
- Imigrantes Buffet
- Fratellanza
- Sabor e Paladar Brasileiro Restaurante
- Bar e Restaurante Açores
- Associação Maricultores
 Serviço
O que: 14ª Fenaostra (Festa Nacional da Ostra e da Cultura Açoriana)
Onde: Centrosul (Avenida Gustavo Richard, 850, Centro, Florianópolis)
Quando: de 16 a 20 de outubro
Quanto: R$ 5 (ingresso) e R$ 5 (estacionamento). Os preços das ostras são tabelados: meia dúzia de ostra natural por R$ 9; meia dúzia ao bafo por R$ 8; e meia dúzia de gratinadas por R$ 14.

TENTANDO PRESERVAR O SUL DA ILHA!

Foto sem crédito
 Mudança de zoneamento no Plano Diretor preocupa moradores da praia do Matadeiro, Sul da Ilha

Criação de Área de Preservação Permanente exclui gleba onde empreendedor estaria interessado em construir resort de luxo

imgEdson Rosa

FLORIANÓPOLIS

Enseada estratégica para caçadores de baleias até o começo da década de 1960, atual reduto de surfistas e turistas que preferem o contato direto com a natureza intocada, o Matadeiro, no Sul da Ilha de Santa Catarina, é exemplo emblemático das dúvidas deixadas pelo Plano Diretor de Florianópolis. 
Mesmo na reta final dos debates comunitários que antecedem à tramitação na Câmara de Vereadores, o excesso de letras – APP, APL, APC – e a falta de informações concretas sobre as mudanças propostas pela Prefeitura deixam moradores e comerciantes desconfiados. Tanto que na terça-feira (15) uma manifestação ocorreu no Centro de Florianópolis pedindo por mais tempo para debate. Ainda assim, a prefeitura está irredutível e vai enviar o documento sexta-feira para a câmara.
Marco Santiago/ND
Comunidade protestou para pedir tempo sobre discussões do Plano Diretor
“O pessoal está com a pulga atrás da orelha”, disse Andréia Vieira, 43, dona do primeiro restaurante da praia. Desinformada sobre as mudanças de zoneamento em discussão, ela teme a construção de estrada e ponte para acesso de carros e abertura da praia a outros empreendimentos.
As amigas Marlete Oliveira, 22, e Camila Gomes, 24, estudantes de terapia ocupacional na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), concordaram com Andréia. “Escolhemos o Matadeiro exatamente por causa da natureza preservada”, completou Marlete.
Segundo o presidente da Associação dos Moradores da Praia do Matadeiro, Ezinar Rodrigues, o Plano Diretor transforma a atual APL (Área de Preservação Limitada) em APP (Área de Preservação Permanente), com ameaça de despejo dos atuais 40 proprietários. A entidade denuncia que parte da encosta foi excluída do novo zoneamento proposto pela prefeitura, para viabilizar empreendimento turístico de grande porte.  O mapa do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) classifica a gleba em questão como APC (Área de Proteção Cultural).
Natureza é o que atrai
A trilha de lajotas e concreto em trechos intercalados e, apesar da farta sinalização em português, espanhol e inglês, a proibição a ciclistas e cães não é seguida à risca. A rampa pavimentada foi obstáculo para Kellen Ferreira, 20, também estudante de terapia ocupacional na UFSM, sobrevivente do incêndio na boate Kiss, na madrugada de 27 de janeiro. “Se fosse escadaria eu conseguiria”, lamentou. Mesmo com a mobilidade limitada, ela não concorda com abertura de estrada até a praia. “A beleza está na natureza”, diz. 
Bem conservada, a ponte com base e piso de concreto e madeira de lei nas proteções laterais, é o único acesso para quem não quer correr o risco de atravessar a foz do rio Sangradouro, poluída por ligações clandestinas de esgoto na Armação, no Pântano do Sul e Costa de Dentro e de Cima.
Na praia, são dois restaurantes, uma barraca de livros usados e milho verde e, aparentemente, 40 casas de veraneio, algumas com placas de aluguel ou venda. Bem cuidado, o único posto salva vidas em 850 metros de orla permanece fechado nesta pré-temporada, e serve de mirante para fotografias e brincadeiras de turistas.
Com predominância do vento sul e ondulação de Leste com até um metro, na terça à tarde, o mar estava à feição dos surfistas. Um deles era Fernando Antunes Beck Filho, nativo que estuda para curso de solda naval na Petrobras e não abre mão de pelo menos duas horas de esporte no Matadeiro. “Temos de proteger a praia. Não se sabe direito o que está acontecendo, mas como na Ilha tudo é feito sem planejamento e visando o lucro, é preciso ficar atento”, diz.
Manifestação para pedir tempo
As dúvidas sobre o destino do Plano Diretor levaram representantes de associações comunitárias e moradores dos 13 distritos do Núcleo Gestor Municipal do Plano Diretor Participativo à frente da Prefeitura de Florianópolis. Eles se manifestaram contra a intenção do governo em acelerar a aprovação do novo Plano na câmara. Além da questão do Matadeiro, outros questionamentos apareceram durante o protesto.
A comunidade do Pântano do Sul alegou que havia deliberado ainda em 2007, quando começou o debate do Plano Diretor, a construção do parque natural, aprovado pela Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis). “No documento, a área aparece como de proteção limitada, e permite edificação”, declarou o representante da região,  Gert Schink. A comunidade da Lagoa da Conceição reclama da construção de loteamentos habitacionais em dois pontos de área verde, no ponto sul e no retiro da Lagoa.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano não falou sobre o protesto. Alegou que a discussão sobre o Plano aconteceu nas comunidades e será aprofundada na audiência pública marcada para hoje, quinta-feira, às 19h na Assembleia Legislativa.
(Do ND - www.ndonline.com.br)

ASTRONOMIA INDÍGENA

Foto Mariado da Costa
 "Em 1612, o monge capuchinho francês Claude d'Abbeville passou quatro meses entre os tupinambás do Maranhão, da família tupi-guarani, localizados perto da linha do Equador. Já em Paris, publicou HISTÓRIA DA MISSÃO DOS PADRES CAPUCHINHOS NA ILHA DO MARANHÃO, em que relatou:

 'Os tupinambás atribuem à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua-cheia e na lua nova ou poucos dias depois.'
 A teoria do astrônomo italiano Galileu Galilei, publicada dezoito anos depois do livro de d'Abbeville, falava de uma relação das marés com os movimentos de rotação e translação da Terra, sem considerar a Lua. Só em 1687, setenta e cinco anos após a publicação da obra sobre os capuchinhos no Maranhão, é que o astrônomo inglês Isaac Newton demonstrou que as marés eram causadas pela atração gravitacional do Sol e, em especial, da Lua sobre a superfície da Terra."


(Revista de História da Biblioteca Nacional/outubro/2010/ASTRONOMIA INDÍGENA/Germano Bruno Afonso.)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

MAR SUJO!


Falta de saneamento ameaça o mar, a cidade e as praias de Governador Celso Ramos

Rede de esgoto é alvo de disputa entre município e Ministério Público Federal

Daniel Queiroz/ND
Paisagem paradisíaca é contaminada por esgoto sem tratamento
 TEXTOS: MAURÍCIO FRIGHETTO E LÚCIO LAMBRANHO
FOTOS: DANIEL QUEIROZ

Mesmo depois de uma disputa que já se arrasta há mais de sete anos na Justiça Federal, os moradores de Governador Celso Ramos ainda não têm nem ao menos uma previsão de quando a cidade terá um sistema de coleta e tratamento de esgoto. Nas praias do município, o descrédito em relação a qualquer possibilidade de mudança se mistura com o medo de alguns moradores de falar sobre o assunto e uma resignação que também atingiu até mesmo os funcionários do Samae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).
A reportagem do ND encontrou em pelo menos seis praias (veja arte), entre as mais de 20 de toda a cidade, canais que acumulam lixo, recebem esgoto sem tratamento e desaguam diretamente no mar. Ao chegar na frente do canal Olaria, perto do centro da cidade, constatou que o tema já não interfere no dia a dia da população e dos servidores da prefeitura. Ali o lixo acumulado está perto da água do mar. E o cheiro do córrego que canaliza o esgoto é fétido. Logo depois da nossa chegada, para uma Kombi com funcionários da Samae.
“Cheiro ruim”, diz o repórter. “Que nada. Lá perto do bar está pior ainda”, rebate o funcionário. A reportagem vai lá e comprova. No Centro, a situação é mesmo pior.
A contaminação por esgoto domésticotambém atinge as praias e a área de proteção ambiental de Anhatomirim (APA de Anhatomirim), criada em 1992 para proteger o boto-cinza (Sotalia fluviatilis), os remanescentes da floresta Atlântica e os recursos hídricos da cidade. O decreto que a criou também considera que os rios e o mar são relevantes para a sobrevivência das comunidades de pescadores artesanais da região.
Mas em maio deste ano, a desembargadora federal Marga Inge, do TRF4(Tribunal Regional Federal da 4ª Região), negou uma apelação do Ministério Público Federal em Santa Catarina e deu ganho de causa à atual administração contra uma decisão em primeira instância que obrigava o Executivo local a criar em um prazo de dois anos uma rede de saneamento básico.
Sentença com o mesmo teor e com o mesmo prazo condenou o município de Palhoça a criar um sistema para a praia da Guarda do Embaú, como mostrou o jornal na quinta-feira (10). Assim como o outro município da Grande Florianópolis, a prefeitura também recorreu da decisão. No caso de Governador Celso Ramos,esta última decisão ratificou a posição da 3ª Turma do TRF4 que, por unanimidade, reconheceu em fevereiro de 2012 a apelação do município e anulou do processo, ao considerar que houve cerceamento de defesa. Na prática, sem julgar o mérito do pedido feito pelo MPF, a Justiça Federal deixou apenas a cargo da prefeitura local a decisão de realizar ou não, o que ainda não foi feito na última década para proteger a saúde dos moradores e a APA federal.
A Fatma (Fundação Estadual de Meio Ambiente) foi ré nesta mesma ação e tem a obrigação, pela sentença de setembro de 2010, de identificar e controlar a degradação dos rios e controlar a balneabilidade de todas as praias. Atualmente,a fundação ainda faz a análise de balneabilidade em apenas 11 pontos.
Nas últimas cinco amostras, por exemplo, os dois pontos da praia da Fazenda da Armação estavam impróprias para banho. Praia da Gamboa, Armação da Piedade, e Praia do Antenor também tiveram amostras negativas para o banho (veja gráfico).
A ação do MPF ajuizada em 2006 (leia o histórico de problemas no quadro ao lado) já informava por laudos e fotos que "a maioria das praias existentes no município de Governador Celso Ramos estão sendo seriamente contaminadas por conta da ausência de saneamento básico". Em relatório publicado em novembro de 2012, a Aris (Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento) comprova que grande parte do esgoto acaba no mar e que os problemas "decorrem da inexistência de investimentos no setor e da ineficiência na gestão e no controle dos serviços" realizados pela Samae. 
Outro lado
A Prefeitura de Governador Celso Ramos atribuiu à gestão anterior os problemas relacionados à falta  de saneamento básico no município. Para tentar resolver a questão, a nova gestão busca parcerias com empresários do setor imobiliário. O prefeito Juliano Duarte informa que cinco empreendimentos em fase de licenciamento deverão criar redes coletoras e estações de tratamento de esgoto para atender, além das novas moradias, as comunidades próximas já instaladas como medida compensatória.
Segundo Duarte, essas ações deverão deixar a cidade com 70% das casas atendidas por saneamento básico. "Só vamos liberar o funcionamento desses novos condomínios quando fizeram o saneamento básico para essas comunidades", avisa. A parceria com a iniciativa privada, segundo a prefeitura, deve beneficiar as comunidades de Ganchos de Fora, Jardim das Palmeiras, Vila de Palmas, Tingá e Praia Grande. Atualmente, de acordo com Duarte, entre 2% e 3% das comunidades são atendidas por redes de esgoto.
Em paralelo, a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) prepara um edital para a contração de uma empresa queirá criaro primeiro projeto de saneamento básico de Governador Celso Ramos. Segundo o Superintendente Estadual da Funasa, Adenor Piovesan, um edital deverá ser lançado nos próximos dias para o serviço orçado em cerca de R$ 500 mil.A Fatma enviou apenas os dados sobre a balneabilidade das praias da cidade, mas não informou porque não ampliou os pontos de coleta na cidade, conforme determinava a decisão da Justiça Federal, mas que depois vou revertida pelos desembargadores do TR4.
Entenda o caso
- Em 2006, o MPF (Ministério Público Federal) entrou com uma ação contra o município de Governador Celso Ramos, Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) e Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente). Pedia medidas para sanar o problema da emissão de esgoto no município, ainda mais que grande parte do esgoto que acaba no mar na área de proteção ambiental de Anhatomirim (APA de Anhatomirim).
- O documento informava que há anos o MPF vem abrindo processos administrativos, geralmente chamados por associações preservacionistas, contra ocupações irregulares, ocupações de áreas protegidas e lançamento de esgoto.
- Uma primeira análise do Ibama, de 2002, destacava afalta de uma rede de esgoto, estação de tratamento e que não existiaa fiscalização das ligações domésticas.Em outra vistoria de 2003, o órgão federal informava que praia de Calheiros já recebia grande quantidade de esgoto in natura.
- Em 2003, o MPF pede informações para a Fatma. A Fundação diz que nada mudou desde 1999. “Podemos observar o esgoto escorrendo das residências para os riachos, através de canos, as fotos e as análises laboratoriais demonstram claramente o problema: os riachos são línguas negras e fétidas drenando para o mar”, informa a fundação estadual. A Fatma diz aindaque nas localidades de Ganchos do Meio, Ganchos de Fora, Ganchos do Canto e Calheiros precisam de saneamento básico porque podem trazer problemas para as saúde das pessoas e à aquicultura (camarão e mariscos).
- Em 2004, a Vigilância Sanitária fez um teste no Rio Agripino Monteiro, na Fazenda da Armação, em sete imóveis. Em quatro constatou-se que esgoto era jogado de forma indevida no rio. Em 2005, a Fatma analisou o mesmo rio, situado na APA. E chegou à conclusão de que há lançamento de esgoto de forma indevida.
Na sua defesa na ação proposta pela MPF, o município alegou que a arrecadação municipal era pequena para implementar o tratamento de esgoto. Informou que tinha projeto aprovado junto ao  Ministério das Cidades, mas a quantia não foi liberada. E assegurou que a questão extrapolava a obrigação do município  “uma  vez que atinge rios, o mar e a APA de Anhatomirim, sem contar que os municípios vizinhos contam com os mesmos problemas sanitários”.
O juiz Sergio Eduardo Cardozo chegou à conclusão em setembro de 2010 que: “deste modo, resta patente nos autos de que há necessidade premente de um sistema de tratamento de esgoto”. Ele decidiu que o município teria dois anos para implementar um sistema de tratamento de esgoto. Quanto à Fatma, mandou que ela cooperasse na solução do problema, controlando a balneabilidade de todas as praias e os cursos mais importantes.O município recorreu ao Tribunal Federal. Em fevereiro de 2012, o tribunal reconheceu a nulidade do processo por cerceamento de defesa. Em maio deste ano, o mesmo tribunal negou a apelação feita pelo MPF contra esse decisão colegiada do TRF4 .

sábado, 12 de outubro de 2013

Os franceses - Outros Olhares

Foto Fernando Alexandre
Conhecemos Catherine e Bernard próximo à nossa casa,  na praia do Pântano do Sul, Ilha de Santa Catarina,  lugar que escolheram para passar alguns dos muitos dias que ainda vão percorrer para conhecer a costa brasileira.  Junto com a pastora belga Douchka e a filha Annabel, temporariamente ausente da comitiva, os  "Catannabeilles" já estão na metade de sua  aventura, que é conhecer a costa da  América do Sul e África, em um confortável moto home que trouxeram de casa: a  cidade de Marseille,  um dos principais portos do Mediterrâneo, na França.
Bernard , Anabelle e o moto home embarcaram em 25 de outubro   de 2012,  no porto de Havre  e chegaram em Montevideu em 23 de novembro, onde encontraram Catherine e Douchka, que viajaram de avião.De lá foram para Patagônia e começaram o seu caminho em direção ao norte,    buscando as  pequenas vilas de pescadores, onde podem encostar sua casa ,viver o dia a dia da praia, fazer amigos e trocar refeições por fotos  aéreas, tiradas por Bernard em seu parapente a motor e impressas na pequena impressora que carregam a bordo, junto com outras tecnologias.
Na verdade, antes de conhecê-los pessoalmente já os tínhamos  percebido, pois  não é  sempre que  vemos alguem voando sobre a baía ou dunas do Pântano do Sul, não é mesmo? Antes de termos tido o prazer de conversar com eles lá na peixaria do Fábio e do Fabrício, os franceses viajantes e voadores já faziam parte de nossa paisagem. E vejam que lindas fotos eles tiraram de nossa praia!

(Andrea Ramos)

Foto Andrea Ramos
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Para acompanhar a sua viagem: http://www.catannabeilles.blogspot.com.br/

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

BOTANDO MAIS FOGO NESSE INFERNO!

Foto Fr Antunes/Creative Commons
Oceanos estão mais ameaçados do que se imaginava, advertem cientistas

Cientistas marinhos alertaram, na semana passada, que nossos oceanos estão declinando mais rápido do que se pensava: estão cada vez mais quentes e ácidos, e perdendo oxigênio em uma taxa alarmante.

“Estamos expondo organismos a uma pressão evolucionária intolerável,” disseram no estudo científico do Programa Internacional Estado do Oceano (IPSO, em inglês) e da União Internacional de Conservação da Natureza. “A próxima extinção em massa pode já ter começado”.

O relatório destaca uma acidificação sem precedente dos oceanos, com a queima contínua de petróleo e carvão e a emissão de CO2 – quase um terço da qual é absorvida pelo mar.

A taxa atual de liberação de CO2, em torno de 35 gigatoneladas por ano, é pelo menos dez vezes mais rápida do que aquela que precedeu a última extinção importante de espécies da Terra, há 55 milhões de anos.

O nível de acidificação dos oceanos não tem paralelo em, pelo menos, 300 milhões de anos, afirma o trabalho, publicado no Marine Pollution Bulletin.

O novo relatório diz que a temperatura oceânica média subiu 0,6ºC nos últimos 100 anos. Mais aquecimento provavelmente vai fazer desaparecer o gelo de verão do mar Ártico, acelerar a depleção de oxigênio e a liberação de metano, armazenado no fundo do oceano.

O estudo também advertiu sobre uma rápida queda do oxigênio dissolvido na água do mar – com previsão de um declínio de 1 a 7%, causado pelos efeitos do aquecimento global e o despejo no oceano de fertilizantes agrícolas e esgoto.

“É a ocorrência simultânea do ‘trio mortal’ de acidificação, aquecimento e falta de oxigênio que afeta seriamente a produtividade e a eficiência do oceano,” destaca o sumário do trabalho.


PAGANDO O PREÇO!



Nova demarcação ampliará cobrança de taxa a moradores da Ilha de Santa Catarina
Sâmia Frantz
samia.frantz@diario.com.br
Uma nova demarcação das áreas de Marinha na Ilha de Santa Catarina irá rever a situação de todos os imóveis situados próximos ao mar, mangues, rios e lagoas. O estudo técnico da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) deve entrar em vigor até o fim de 2014. Quem passar a integrar a área terá que pagar ao governo federal a taxa obrigatória de ocupação do terreno – como já ocorre com a Avenida Beira-Mar Norte.

Hoje, menos de 10% da Ilha são demarcados oficialmente – o trecho entre o Saco dos Limões e a Casa d’Agronômica, homologado em 1979. O restante era definido por uma linha presumida, espécie de acordo feito a olho entre o próprio ocupante e a União. É o caso de mais de 2 mil imóveis que poderão ter os contratos revistos. Atualmente, cerca de 5 mil imóveis da Ilha pagam as taxas à União, número que será ampliado.

O trabalho de campo começou em 2007. Durante dois anos, técnicos mergulharam em documentos históricos e mapas antigos que mostram a evolução das marés para definir o limite da área que, de fato, pertence à União. Os terrenos de Marinha são aqueles situados até 33 metros de distância do ponto exato onde o mar tocava o solo em 1831. Para chegar a ele, o grupo usou como base o mais antigo registro aéreo feita na região: imagem de 1938 captada pela marinha americana, que ajudou a apontar onde houve mudança de curso de rio e retração do mar, por exemplo.

Agora, o desafio será identificar e cadastrar todos os imóveis que passaram a integrar a nova demarcação. A partir de 2014 todos serão notificados para que possam contestar com estudos técnicos, caso não concordem com o trabalho da SPU.

Para a superintendente adjunta do Instituto de Planejamento Urbano, Vanessa Pereira, a demarcação oferecerá segurança jurídica aos moradores e ajudará a organizar toda a costa.

— Vai garantir os direitos de acesso às praias e evitar casos como o de Ingleses, onde há construções que impedem a chegada à areia. 

:: As taxas de ocupação

A lei atribui valores diferenciados ao terreno de marinha, que varia conforme o tamanho da área.

Baixa renda: Gratuito para quem recebe até cinco salários mínimos

Aforamento: Paga 0,6% do valor do terreno, cobrado a quem mantém um contrato diferenciado com a SPU, como os pescadores

Ocupação anterior a 1988: 2% do valor do terreno

Ocupação depois de 1988: 5% do valor do terreno
(Do DIÁRIO CATARINENSE - www.clicrbs.com.br)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013


Foto James Tavares
Ministro da Pesca e Aquicultura lança nove parques para cultivo de ostras e mexilhões em SC

Marcelo Crivella também entregará registros a pescadores, em Itajaí
Nove parques para o cultivo de ostras e mexilhões, que abrigam 64 áreas sob domínio da União, no litoral de Santa Catarina, serão lançados pelo ministro da Pesca e Aquicultura, 
Os cerca de 92 hectares têm capacidade para produzir 8,5 mil toneladas de mariscos por ano. O lançamento acontece no auditório do Centro de Eventos de Itajaí, às 10h. No mesmo ato o ministro recebe pescadores para a entrega das primeiras carteirinhas do novo Registro Geral da Pesca no Estado. Ato todo devem ser entregues pelo menos 300 documentos. Crivella ainda visita, pela primeira vez, a sede do Sindicato dos Armadores e Indústrias de Pesca de Itajaí e Região.

As 64 áreas não-onerosas (não empresariais) destinadas ao cultivo de pescado serão cedidas a maricultores da região por meio de oferta pública, de acordo com a Lei 8.666/93. Os vencedores terão prazo de seis meses para a conclusão de todo o sistema de sinalização náutica da área cedida e o início da implementação do respectivo projeto. A autorização/cessão de uso das áreas vigora por 20 anos.

— A estimativa é que cerca de 200 empregos imediatos sejam criados a partir da oferta pública destas áreas — afirma a secretária Maria Fernanda Nince.

A meta do Ministério da Pesca e Aquicultura é incentivar a produção nacional para que, em 2030, o Brasil alcance a expectativa da FAO: se torne um dos maiores produtores do mundo, com 20 milhões de toneladas de pescado por ano.

As 64 áreas aquícolas estão localizadas em Biguaçu, Bombinas, Florianópolis, Penha, Porto Belo, Barra do Sul, Palhoça e São Francisco do Sul (onde serão implementados dois parques). Nestes locais, as espécies autorizadas para produção são o mexilhão e a ostra do Mangue e do Pacífico.

(O SOL DIÁRIO - www.clicrbs.com.br)

CHEIA DE ENERGIA!

Foto Alcides Dutra
Esta é uma arraia-elétrica (Narcine sp.). Ela tem este nome porque consegue dar choques em quem toca. Normalmente gera apenas um fraco campo elétrico, que permite interagir com o das presas escondidas na areia e localizá-las com mais facilidade. Mas na hora que decide comer, esta arraia produz descargas bem mais intensas, que podem atordoar a presa, facilitando a captura. Imagem obtida na Ilha do Arvoredo.
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ESTRADA D'ÁGUA

Empresa espera licença para operação experimental do transporte marítimo em Florianópolis

Linha entre Beira Mar Norte e Canasvieiras é o primeiro itinerário definido. Barco chega hoje ao Iate Clube e deve começar a navegar antes do verão

imgEdson Rosa

FLORIANÓPOLIS
Flávio Tin/ND
Acquabus está em testes no rio Biguaçu e nesta quarta-feira aportará no Iate Clube de Santa Catarina
A licença para operação da primeira linha experimental de transporte marítimo em Florianópolis, entre o Centro e Canasvieiras, Norte da Ilha, depende apenas do parecer final da Procuradoria Geral do Município. Todas as demais etapas burocráticas do processo administrativo para viabilização do sistema alternativo já foram completadas, inclusive a vistoria técnica da Capitania dos Portos de Santa Catarina para liberação do  Acquabus 1, que aportará no início da tarde de hoje no cais do Iate Clube de Santa Catarina, na baía Sul.
Defensor do transporte marítimo como alternativa viável para reduzir a carga de automóveis nas ruas da cidade, o secretário municipal da Mobilidade Urbana de Florianópolis, Valmir Piacentini, argumenta que a Lei 034/1938 dispensa licitação pública para casos de licenciamento experimental de serviços públicos por até seis meses. “Depois deste prazo, se aprovado o sistema e se houver empresas interessadas, será aberta licitação pública”, explica. Se apenas uma empresa continuar interessada, continuará operando com concessão pública.;
A prefeitura, no entanto, não pretende investir em melhorias nos atuais trapiches da cidade. Caberá ao empresário interessado em assumir os riscos do negócio oferecer segurança e conforto nos terminais de embarque e desembarque de passageiros. “Neste primeiro momento, cabe à administração municipal facilitar as etapas burocráticas do processo e estimular as pessoas a usarem o serviço”, avisa.
Segundo Piacentini, as atuais condições dos trapiches serão vistoriadas por técnicos da prefeitura, que farão levantamento das melhorias necessárias. Inicialmente, serão priorizadas as estruturas existentes na Beira Mar Norte; no flutuante dos clubes de remo da prainha Rita Maria (entre as pontes Hercílio Luz e Colombo Salles) e em Canasvieiras. “Temos outro, nos fundos do centro de convenções, na baía Sul, que também precisa ser readequado”, cita o secretário.
Preocupado em resgatar a mobilidade, o secretário lembra que o marítimo foi o primeiro modal de transporte em Florianópolis, até pelas características geográficas da cidade. “Tudo começou a mudar em 1922, com a construção da ponte Hercílio Luz. A partir daí, a Ilha abriu-se também às indústrias dos carros e das pontes.”
Curiosidade e aprovação na beira do rio
Basta um teste rápido no rio Biguaçu, no trecho de menos de um quilômetro entre a foz e a BR-101, para a aprovação de quem conhece de perto as dificuldades de chegar à Ilha. O pintor residencial Flávio Rita, 40, estava fazendo o acabamento em um muro nas proximidades da margem, na área central da cidade, parou por instantes o serviço e gritou: “É disso que a gente está precisando, tomara que agora saia do papel.”
Mais tarde, Rita confirmou que nos horários de pico costuma demorar até uma hora e meia para ir de Biguaçu ao Centro de Florianópolis, o que torna cansativa uma viagem de apenas 22 quilômetros. “As pessoas só querem carro, e as estradas ficam cada vez mais congestionadas”, diz.
Pelo mar, em dias sem vento como ontem a travessia da baía norte, do Centro de Biguaçu ao trapiche da Beira Mar Norte ou ao cais do Iate Clube Veleiros da Ilha, na Prainha, pode ser feita em 30 minutos pelo aquabus. “Sem contar que os passageiros substituem o estresse do trânsito urbano pelo relaxamento da navegação, diante da natureza exuberante”, compara o comandante Carlos Otávio Santos Oliveira, 49 anos.
Acostumado a iates de luxo de U$ 2 milhões, o empresário Édio Vieira, da Armada, um dos estaleiros à margem do Biguaçu, não descarta a fabricação de barcos semelhantes ao aquabus. Matrizes (formas) e plantas pertencem ao empresário Aldo Maciel, o “Nonô”, 57,  dono da empresa Florimar Transportes Marítimos, que já propôs parceria.
 “O problema aqui é falta de espaço, mas seria interessante”, argumenta Vieira. Outro modelo encomendado por Nonô Maciel, com capacidade para 100 passageiros, está em construção no mesmo estaleiro do rio Tigre, na Argentina, mas no próximo ele pretende substituir a fibra pelo alumínio.  “É mais leve, mais resistente e, por deslizar melhor na lâmina d’água, é mais rápido. Também é mais caro”, acrescenta.
Futurista, Nonô já escolheu também o modelo para o projeto mais ousado da carreira de navegador. O super barco com capacidade para 400 passageiros para viagens entre Florianópolis, Porto Belo, Balneário Camboriú e Navegantes.
Conforto e segurança a bordo
Fabricado no delta do rio Tigre, Argentina, o Acquabus 1 da Florimar Linhas Marítimas tem monocasco de fibra, estanque, com 13 metros de comprimento e totalmente adaptado à legislação nacional. Tem banheiro unissex, capacidade para 45 passageiros sentados, mais quatro opcionais na parte externa da popa, e três tripulantes – o capitão e dois marinheiros de convés.
Equipado com dois potentes motores de popa independentes e cada um com 200 cavalos de força (HPs), a gasolina, mantém velocidade média de 23 nós, ou seja, cerca de 50 km/h. É revestido com material antichama e foi projetado também contra naufrágios, mesmo com rompimento de casco. O tanque tem capacidade para 500 litros, consumo de 70 litros por hora, com autonomia para seis horas de navegação.
Trapiches atuais serão readequados
O trajeto da linha experimental, entre a Beira Mar Norte e a praia de Canasvieiras, não foi escolhido por acaso. O empresário Aldo Nonô explica que a intenção é utilizar as estruturas dos trapiches já existentes e aproveitar as boas condições de navegabilidade naquele trecho da baía Norte. O preço da passagem individual deve ficar entre R$ 10 e R$ 12, para uma viagem de aproximadamente 30 minutos sem congestionamentos.
O trajeto previsto costeia as enseadas de Saco Grande, Cacupé, Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui, passa ao lado das ilhas de Ratones Grande e Pequena e Anhatomirim, em frente ao pontal  da Daniela e Jurerê, contorna a ilhota do Francês e termina no trapiche ao lado da foz do rio do Brás, entre Canasvieiras e Cachoeira do Bom Jesus.
Os testes em andamento incluem aspectos operacionais como predominância de ventos, dinâmica de marés, velocidade média, custos operacionais e de manutenção e expectativa de demanda de passageiros. “A idéia é, se possível, começar a navegar já na semana que quem, aproveitar esta temporada de clima bom mostrar o serviço à população”, diz Nonô Maciel. Turistas, moradores dispostos a navegar a lazer e executivos formam o perfil do usuário na mira do empresário.
Tecnologia e habilidade para superar obstáculos
Não faltam obstáculos ao transporte marítimo na Grande Florianópolis, apesar do potencial das duas baías. Além do histórico desinteresse político e empresarial e da falta de hábito de navegar entre a maioria da população, sobram efeitos da ação do homem no meio ambiente. Derrubada da mata ciliar, aterramentos e despejo de esgotos domésticos agravam os níveis de assoreamento dos canais, tornando a navegação impraticável em períodos de maré baixa.
É o caso específico do rio Biguaçu, onde na mesma margem oficinas náuticas, marinas e estaleiros que fabricam iates milionários contrastam com a pobreza e a falta de saneamento básico. Com calado de 40 centímetros, o Acquabus 1 foi projetado para navegar em baixa profundidade, mas só na preamar consegue sair da boca da barra e entrar na baía norte sem o risco de encalhar.
Outros obstáculos são fazendas marinhas de cultivo de ostras e mariscos, nem todas reordenadas pelo novo Plano de Gerenciamento Costeiro, e as redes feiticeiras deixadas à deriva para pesca artesanal no canal da baía.
“É complicado navegar nestas condições, mas este barco tem equipamentos para superar estas adversidades”, garante o comandante Otávio. Entre as novidades tecnológicas a bordo, o marinheiro aponta o Plotter, espécie de GPS e piloto automático que memoriza os trajetos navegados nos últimos 15 dias. “É fundamental, por exemplo, para evitar acidentes  à noite ou em dias de nevoeiro denso”, explica Otávio.

(Do ND - www.ndonline.com.br)