quarta-feira, 3 de junho de 2020

MAR DE BALEIAS

Foto R3 Animal, divulgação

Baleia de 9 metros fica encalhada por 18 horas em praia de Florianópolis

Animal pode estar em mau estado de saúde, diz especialista

Por Juliana Gomes
juliana.gomes@somosnsc.com.br


No início da tarde desta quarta-feira (3), uma baleia jubarte de 9 metros de comprimento foi desencalhada em Florianópolis. O animal estava na areia da praia da Lagoinha do Norte há 18 horas. A operação que o devolveu ao mar teve participação de ambientalistas e voluntários.

Segundo a R3 Animal e o Instituto Australis, executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), a tentativa de desencalhe ocorreu durante a maré cheia, com o auxílio de uma embarcação. Agora, a baleia passa a ser monitorada pelas equipes de proteção animal. 

Conforme a R3 Animal, a baleia chegou à praia no fim da tarde dessa terça (2), já a PM Ambiental informou que foi às 21h. 

De acordo com a veterinária Cristiane Kolesnikovas, o animal é juvenil e pode estar com a saúde comprometida, já que está magro e com piolhos de baleia.

Pescadores relataram à R3 Animal que a baleia parecia desorientada quando encalhou no costão Sul da praia. Eles conseguiram que ela voltasse para o mar, mas minutos depois retornou para a areia.

A retirada da praia seguiu um Protocolo de Encalhes da APA da Baleia Franca, para prestar assistência aos mamíferos marinhos em situações deste tipo, coforme a R3 Animal. 

Ao avistar animais marinhos debilitados ou mortos, a população deve ligar no 0800 642 3341.

O PEIXE D' EÇA DE QUEIRÓS


Foto acervo do Museu Nacional Português

O escritor e diplomata português Eça de Queirós (25/11/1845 – 16/08/1900) sempre teve um pé na cozinha e duas mãos à mesa. Em toda sua vasta e importante obra, são constantes as alusões, referências, descrições e citações gastronômicas, seja através de seus personagens ou mesmo em ensaios. Considerado um dos mais importantes escritores da língua portuguesa, em sua produção literária podem ser encontradas mais de 600 citações sobre o jantar, mais de 200 sobre o almoço e outras tantas sobre a ceia, seja em “O Crime do Padre Amaro”, “O Primo Basílio”, “A capital”, “Os Maias” ou mesmo em “A Cidade e as Serras”. Em 1893, pouco antes de sua morte, em “Notas Contemporâneas”, mestre Eça pesquisou e descobriu como era um jantar Greco-latino na antiguidade. 
120 anos depois, a historiadora e gourmet Tupá Guerra Guimarães da Silva, nova colaboradora do “tainha na rede”, revisita a obra e a cozinha do escritor e divide conosco os aromas e sabores de uma dessas receitas.

"O peixe, por exemplo pode ser uma tainha. E aqui está como ela se prepara, ó estudiosos. Tomai essa tainha. Escamai e esvaziai. Preparai uma massa bem batida, com queijo (que hoje pode ser parmesão), azeite, gema de ovo, salsa e ervas fragrantes, e recheai com ela a vossa tainha. Untai-a então de azeite e salpicai-a de sal. Em seguida assai-a num lume forte. Logo depois de bem assada e alourada, umedecei-a com vinagre superfino. Servi e louvai Netuno, deus dos peixes...."

(Eça de Queirós, Notas Contemporâneas, 1893)

"Inspirada por Netuno, resolvi desvendar a receita de Eça de Queirós e provar esse curioso peixe com ovo e queijo. O resultado foi espetacular! Além de muito saboroso, ele é bem facil de preparar. Segue o detalhamento da receita!

Ingredientes: 1 tainha (pelo planalto não haviam tainhas disponíveis, então uma boa anchova resolveu a questão)

Para o recheio: 5 colheres de sopa de queijo parmesão 2 colheres de sopa de azeite 1 gema Salsa a gosto Ervas Fragrantes frescas a gosto (aqui vale qualquer erva aromática, eu usei cebolinha, coentro e alecrim pois era o que tinha disponivel no mercado. Caso não tenha ervas frescas, servem as secas mesmo)
Modo de preparo: Pegue o peixe, abra e limpe as entranhas. Reserve.

Para o recheio: Em uma travessa coloque a gema do ovo, o queijo, o azeite e as ervas picadinhas. A quantidade de cada erva vai do gosto de cada um, mas vale lembrar que o alecrim é muito forte, por isso, use com cuidado. Bata bem. Na minha versão ficou uma massa grossa, como a da foto:

Unte uma forma com azeite e coloque sobre ela o peixe, também untado com azeite. Recheie o peixe com a massa e feche.
Por fora do peixe passe sal e mais azeite e leve ao forno com fogo alto. No meu ficou cerca de 40 minutos, deixe até o peixe estar “alourado”. Pronto. Agora é só se deliciar! Servi acompanhado de arroz e de um creminho de alho-poró. Delicia!

Ps: preparei a receita para um peixe pequeno, basta aumentar as quantidades e fazer para peixes maiores. Ah, se você preparar em casa, me conte depois aqui nos comentários!"

CONVERSA DE PESCADOR

Venceslau Manoel Martins, o "Big Lai", é morador da Praia do Saquinho, Ilha de Santa Catarina. Desde pequeno gosta de pescar no costão e neste vídeo conta uma de suas histórias.
E é tudo verdade!

E DE OLHO NO PEIXE...


Fotos Luiz Carlos Pacheco








Na vigia Seo Domingos, no alto das dunas do Pântano do Sul é assim: não tem peixe no mar, tem galinha caipira na panela!
Os vigias Roberto do João das Areias e Sérgio do Odi, entre outros especialistas em avistar as cabeçudas, estão ali  de "sóli parido a soli murrido" com os olhos fixos no infinito!
Aflita, a camaradagem se refestela da comida preparada no fogão à lenha e joga conversa fora até o sol se pôr!
Mascarados e não tanto, discutem e conversam sobre o vento, o tempo e os peixes que estão chegando nas outras praias!
As informações e as fotos são do correspondente exclusivo e avançado do Tainhanarede Luiz Carlos Pacheco, o Luizinho! 

EM SÃO PAULO


É TAINHA A DAR COM PAU!

Como as tainhas estavam procurando mais as praias do Norte da ilha pra encostar, Naufragados, Pântano do Sul e Campeche vinham cercando poucos peixes!
No Pântano, em 5 lanços, menos de 5 mil cabeçudas. No Campeche também nada muito significativo.
 Em Naufragados, extremo Sul, quase nada.
Mas ontem, terça-feira, dia 2, as coisas mudaram um pouco: final da tarde, escurecendo, a camaradagem da praia mais isolada da ilha cercou seu maior lanço até agora: 3.400 tainhas.
Que foram transportadas por mar e desembarcadas na pequena prainha da Caieira - no Paraíso das Ostras - quando o calendário trocava de dia.
A foto é do Vinícius Marcos Ramos!

ENQUANTO O PEIXE NÃO VEM...

Foto Fernando Alexandre

Camaradagem da pesca da tainha no Pântano do Sul!

terça-feira, 2 de junho de 2020

É TAINHA A DAR COM PAU

Na segunda-feira, deu tainha na Praia de Cima, Pinheira, em Palhoça(Foto: Grupo Informações da Pesca, Divulgação)

Pesca da tainha em Santa Catarina ultrapassa 500 toneladas em maio

Arrasto de praia e barcos de pesca artesanal tiveram resultados acima do esperado

Por Lariane Cagnini
lariane.cagnini@somosnsc.com.br

A pesca da tainha em Santa Catarina terminou o mês de maio com mais de 557 toneladas de peixe capturados no Estado. O levantamento é da Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), com dados atualizados na manhã desta terça-feira (2). Para a safra deste ano, a expectativa é capturar entre 1,8 mil e 2 mil toneladas de tainha.

O montante inclui a pesca com rede de caceio, tarrafa, rede de arrasto de praia, além das embarcações motorizadas de pesca artesanal, segundo o presidente da Fepesc Ivo da Silva. Depois de um início de temporada fraco, o frio trouxe a tainha para o Estado nas últimas semanas de maio, onde foram registradas as pescas mais expressivas até o momento.


Na quinta-feira (28), foram capturadas mais de 10 mil tainhas na Praia da Vigia em Garopaba, no Litoral Sul. No sábado (30), foram mais de 6 mil na Praia do Santinho, no Norte da Ilha em Florianópolis. 

A pesca artesanal embarcada, que começou dia 15 de maio, também teve números melhores mais ao final do mês, explica o gerente de Pesca e Aquicultura da Secretaria da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina Sergio Winckler da Costa. 

Até a manhã desta terça-feira, a produção de tainha na modalidade emalhe anilhado registrava 366.154 kg pescados. Esses dados são registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), pois esse produto vai para a indústria.

a pesca industrial, que começou dia 1º de junho, terá 10 barcos nessa temporada. A cota é de até 50 toneladas por embarcação, e 627,8 toneladas por frota. Por enquanto, ainda não há resultado do primeiro dia de pesca no controle do Mapa. 

Para o presidente da Fepesc, ainda é cedo para dizer se safra irá superar as 1.157 toneladas registradas no ano passado, Porém, a expectativa é positiva, desde que os fatores essenciais para a pesca artesanal se mantenham. Entre eles, o frio, que faz as tainhas virem para Santa Catarina, e depois o vento para que elas encostem na praia.

- Com o vento sul e o frio, a tainha vem à procura de água mais quente para desovar. É o corso do peixe, o caminho do peixe, como a gente chama. Quando ele chega em Santa Catarina, se acalma o vento Sul e o frio, a tainha estaciona em alguns lugares - explica Silva.
Cuidados em relação ao coronavírus

Com as medidas de tomadas em Santa Catarina em função do coronavírus, a pesca também deve ocorrer dentro de algumas regras. O distanciamento mínimo, a máscara e o uso de álcool gel 70% passaram a fazer parte do dia a dia dos pescadores. 

TODO DIA É DIA...


HOJE É DIA DO MANÉ DA ILHA.
E O PESCADOR É UM SÍMBOLO


"Fedoca sentiu o dia mais quente às 6 horas da manhã e se arriscou em pisar a sola do pé escamado sem o temor de constipar. Já havia mais 11 colegas espiando com dedos cruzados para a tainha dar as caras. Já passava das 7 horas quando o sol começou a bater e tudo indicava que pelo menos uma centena do peixe da lagoa dos patos passasse por ali.
Marialda, uma senhora de 82 anos, sem dispensar a metade de um lençol com que embrulha a cabeça, não hesitou: “ ô, rapaz, se não veio ontem e nem dantonte, com certeza não vai vir hoje, né? Manoel, impaciente: “por que, mulher, qual a diferença?
- Ora, ora, maneca, o vento é quase o mesmo, replicou dona Marialda.
Manoel chutou o braço pra cima com um nó de irritação, na torcida para que um cardume não frustrasse mais um dia a cambada de madrugadores.
- Fedoca, Fedoca, tá lá, tá lá. Olha só que cosa linda.......gritou Maneca ao perceber um movimento parecido de um cardume. Dois barcos logo foram lançados n’água e cerca de uma hora depois um arrastão jogava, na areia, mais de 150 tainhas.
Maneca, com sorriso largo esbanjando a ausência de dentes, não se conteve ao fitar Marialda:
- Como é, o que diz agora, quirida?
Dona Marialda retirou a cobertura da cabeça, respirou fundo, olhou para o sol e arrematou:
- Tolo. Vai, te contentá, vai. Se o vento muda tavam aqui mais de 500 tainhas. Tanso!
Maneca brecou a irritação e sorriu: “Vem cá, vem, vou te dar duas tainhas com ovas”.
Hoje é dia do mané da Ilha. Em qualquer dia, é só sorriso. Nada irrita Marialva, Maneca, Fedoca e nem os que bocejam desde às 5 horas da madrugada.
Floripa é uma Ilha de lições. Embora recheada de problemas, o sorriso, a gargalhada, a ironia e os atropelos são sempre ingredientes que constroem a felicidade no dia a dia, mesmo sob a ameaça do coronavírus."

CAMARADAGEM DO PÂNTANO DO SUL



Ademir da Gorette

Beto
Juan

Mário e Mauro


Fotos Andrea Ramos

HOJE SEM SURF


Campeche em tempos de pesca da tainha...

MOTOR NO CERCO DE PRAIA?

Barcos pequenos podem ter motor de baixa potência, segundo decisão – Foto: Divulgação/Nd

Decisão de juiz federal de Florianópolis beneficia pescadores artesanais

FABIO GADOTTI

O juiz Marcelo Krás Borges, da 6a Vara Federal de Florianópolis, deu liminar permitindo que os pescadores artesanais usem motores de baixa potência nas canoas pequenas de até 18hp. A ação foi movida pela advogada Anna Luisa da Luz Brueckheimer.

“É algo inédito para nós, representa uma grande vitória, proporcionará maior segurança e facilitará a passagem pela arrebentação”, fala o presente da Associação de Pescadores do Retiro da Lagoa, Lourival Manoel Teixeira, sobre a decisão de sexta-feira.

ESCALANDO O PEIXE!

Foto grupos zap-zap

Ao sol e ao vento por três dias!
Foto Kaiunome Nomar
 Mar calmo não faz bom marinheiro
(Dito popular praieiro)

O CALDO DE TAINHA DO BRUXO

Ilustração Andrea Ramos
CALDO DE TAINHA À MANEIRA DO SÍTIO
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Nesta receita, A. Seixas Netto, o "bruxo" do tempo, nos ensina a forma mais simples e antiga de se preparar um legítmo caldo de tainha na Ilha de Santa Catarina.
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"...Mas as festas da pesca da tainha está por terminar. Os barcos de alto mar pescam as mantas antes que cheguem às redes dos tradicionais, valorosos e históricos pescadores ilhéus. É o progresso, sem dúvida, mas é pena. E muitas vezes a gente torce para comer um caldo de peixe à maneira do sítio, gostoso, natural, e vai dar com os costados num restaurante onde o caldo de peixe é vermelho de colorau e temperos que escapam à razão do bom comedor de peixe.

E como é bom o caldo de tainhas à maneira da ilha. Sua receita é assim: Numa panela grande de barro, água à ferver e cebolinhas verdes picadas, tomates bem maduros, salsinha, algumas folhas de orégano e alfavaca, sal a gosto. Após a fervura, dentro algumas lascas de gordura da tainha, emana um perfume que é maravilhoso, e o caldo assume um colorido típico branco esverdeado. Em plena fervura são lançados ao caldo postas de tainha, ovas, moelas e fígado do peixe. Uns quatro a cinco minutos, serve-se, fazendo pirão do caldo. Pimenta verde, da redondinha que arde como o fogo do inferno, à parte. Alguns vão de vinho branco mas é esnobada.
O bom mesmo é batida de limão. E isso atrai todo mundo para as praias, casa de amigos, restaurantes praieiros.

Mas o caso é que no ano passado levei alguns visitantes a comer caldo de tainha e o restaurante praieiro — (praieiro hein?) — apresentou um caldo vermelho de colorau, e feito com mistura de farinha de trigo.

Resultado: Fizemos que comíamos e depois compramos tainha e viemos fazer o caldo em casa. Mas é assim, o comércio exagerado estraga tudo. E as festas da pesca da tainha vai deixando saudade. Ora se vai... "

(A. Seixas Netto, em "Os festejos das pescas da tainha", crônica publicada oroginalmente em "O Estado". Florianópolis, 28 de março de 1971)

DANDO NOMES...

Foto Fernando Alexandre

DE OLHO NO VIGIA!

Olheiro observa o mar na pedra da vigia na prainha na Barra da lagoa. Guto Kuerten/DC

O olheiro que pescou uma tainha de nove quilos

Hoje o amanhecer foi na companhia do olheiro Ailson Felício, 55 anos, na pedra da vigia na prainha da Barra da Lagoa. O sol amanheceu limpo no horizonte enquanto conversávamos sobre pesca, família e claro, tainha. Enquanto observa atentamente o mar, lembra de belas pescarias e do dia em que pescou uma tainha de nove quilos e que não é história de pescador.

Lua ainda estava presente no amanhecer. Guto Kuerten/DC

Nativo com orgulho, resgata um lanço de 60 mil tainhas que presenciou quando era criança, enquanto conversa pelo rádio com outros olheiros espalhados pela praia.

_Eu era criança e tinha muito peixe. Foi aqui na prainha. Lindo de ver. Era tanta tainha que a prainha chegou a sumir de tanto peixe. Hoje não se vê mais um lanço deste. Na semana passada, um barco industrial conseguiu capturar num lanço 150 toneladas. O poder de pesca é muito maior que antigamente. Não tem nem como comparar_ diz o pescador.


Olheiro durante observação da tainha. Guto Kuerten/DC

De repente para de falar e começa a ficar agitado. _Olha ali. Viu pular?_ me pergunta enquanto busco no horizonte e sinceramente não vi nem a sombra dela. De onde ele está a posição é privilegiada com uma visão geral da prainha e da praia da Barra da Lagoa.

Olheiro durante observação da tainha. Guto Kuerten/DC

Enquanto vai para casa para tomar um café, como diz ele para aguentar a puxada até a hora do almoço, lembra do dia em que pescou uma tainha de aproximadamente nove quilos. Chegou a ser colocada viva num aquário durante décima segunda festa da tainha na comunidade da Barra da Lagoa. Na mesma tarrafada ainda peguei mais quatro. Um leilão chegou a ser feito. _Com o dinheiro ainda deu para eu comprar quatro sacas de cimento para continuar a obra que fazia na minha casa. O gosto pela pesca foi herdado do pai. O maior lanço feito enquanto os seis anos como olheiro foi de três mil peixes. Espera e sonha com algo ainda maior. _Quem sabe um dia podemos fazer um lanço maior do que o meu pai participou_.

(Do http://wp.clicrbs.com.br/deolhonasruas/)

A "VIGIA" SÊO DOMINGOS

Foto Fernando Alexandre

Da parte mais alta das dunas, os vigias do Pântano do Sul passam todo o dia de olho no mar e nos peixes. De frente para o infinito, atentos a qualquer movimento que denuncie a existência de uma manta. E a tainha pode aparecer no arrepio, no amarelo, no vermelhão, no pulo, na aguada, na onda ou mesmo espanando. Quem sabia muito bem disso tudo era o Sêo Domingos, que por muitos anos foi o melhor dos vigias do Pântano do Sul. Os camaradas de pesca dizem que ele continua olhando o peixe lá de cima, da grande vigia. E em sua homenagem a “vigia” principal recebeu o seu nome.

Morando no "rancho"

“Na ilha nós temos várias modalidades de pesca. Agora, nesta oportunidade, maio, junho, é a pesca da tainha. Os pescadores, como eu falei, eles deixam as suas pequenas lavouras e vão para a praia. Se estabelecem nos ranchos das canoas, aguardando o momento em que o vigia dá o sinal de que tem peixe manteado perto da praia. Eles ficam nos ranchos os dois meses, comem e dormem lá, eles fazem tudo no rancho.”


(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997


No Pântano do Sul, os pescadores não se mudam mais para os ranchos de canoa, mas passam todo o dia na praia. Alguns chegam a tirar férias de seus empregos na cidade nesta época do ano para participar da pesca da tainha. Na Vigia Sêo Domingos, eles ficam acampados "de soli parido a soli murrido".

segunda-feira, 1 de junho de 2020

INCLUSIVE!

ÚÚÚÚ!!!!!!

É TAINHA A DAR COM PAU!

No domingo 1.683 tainhas foram capturadas no Campeche – Foto: Anderson Coelho/ND

Safra da tainha em 2020 pode superar a temporada do ano passado

Na manhã do domingo (31) foram pescadas quase cinco mil tainhas na Lagoinha, na Ponta das Canas e na Praia do Gravatá
por
MARCELA XIMENES

Se depender do resultado desses primeiros 30 dias de pesca da tainha em Florianópolis, é possível afirmar que a safra deste ano vai superar a do ano passado. Pescadores de todas as regiões da Ilha de Santa Catarina têm registrado grandes pescas nos últimos dias. Na manhã do domingo (31) foram pescadas quase cinco mil tainhas na Lagoinha, na Ponta das Canas e na Praia do Gravatá. No sábado (30), foram pegos cerca de 27 mil peixes na Praia dos Ingleses.

A fartura é comemorada em todos os ranchos de pesca. No Campeche, o pescador Amilton Damásio de Andrade, patrão do Racho Fada, puxou no domingo 1.683 tainhas com a ajuda de cerca de 50 pescadores. Para ele o resultado é uma vitória e sinal de que as coisas vão melhorar muito até o final da safra.

O motivo da euforia é que durante todo o período de pesca do ano passado, seu Amilton pescou num único dia 1,2 mil tainhas e só. A experiência deixou tristeza, mas que já foi esquecida. Além dessas mais de 1,6 mil tainhas do domingo, se Amilton havia pescado 220 dias atrás.

“Tem peixe chegando a todas as praias, tem tainha para todo mundo”, afirmou o experiente pescador nativo do Campeche.

No Norte da Ilha

Na Praia do Santinho também teve comemoração. No sábado (30), Ademar Luiz Jorge, o Mazo, arrastou 6,5 mil tainhas. Até o domingo, ele e os companheiros do Rancho Costão do Santinho somavam 14 mil tainhas pescadas. O número é o mesmo da safra de 2019.

“A tendência é melhorar. Estamos sabendo que o vento Sul está em Imbituba então logo vai chegar por aqui. O vento Sul traz o frio e o frio traz a tainha”, observou.

Seu Mazo, manezinho do Santinho, disse que a tainha é muito imprevisível. “A gente não sabe onde ela vai aparecer nem quando. Temos que esperar”, afirmou. Ele contou que em 2016 pescou cinco mil tainhas e em 2017 “30 mil e poucas”. Em 2018 e 2019 o resultado foi 14 mil tainhas em cada ano. O otimismo do pescador é ancorado em experiência.

Meta em 2020 é de 1,8 toneladas

Em 2019 eram esperadas 2,5 mil toneladas de tainhas nas praias catarinenses, mas foram pescadas menos de 1,2 mil toneladas. Para esse ano, ficou estabelecida a meta de 1,8 mil toneladas de tainhas. A pesca artesanal começou no dia 1º de maio e será encerrada no dia 10 de julho.

Máscaras e redes

A busca pelas esperadas tainha não deixa os pescadores descuidarem da segurança. Seja na terra ou no mar, o uso de máscara é obrigatório, assim como a higienização das mãos e a distância de dois metros entre os trabalhadores. Seu Amilton Damásio disse que isso não tem sido problema no rancho Fada. “Aqui está tranquilo, os camaradas estão usando a máscara o tempo todo. Estamos nos cuidando”, garantiu o pescador de 62 anos.
A pesca artesanal começou no dia 1º de maio e será encerrada no dia 10 de julho – Foto: Anderson Coelho/ND

No rancho do seu Mazo os cuidados também são observados. “A gente está se cuidando. Se chega alguém aqui sem máscara, não entra mesmo. Ou coloca a máscara ou vai embora”, afirmou. Ele contou que nos primeiros dias a máscara causou incômodo, mas que agora já está acostumado com o item de segurança.

Surfe e pesca

Desde 1995 a prática de surfe é limitada proibida em algumas praias de Florianópolis durante a pesca da tainha, entre 1º de maio e 10 de julho. Os 25 anos da lei ainda não resultaram em entendimento entre pescadores e surfistas que têm no mar as suas atividades.

Para Adriano Weickert, assessor da Prefeitura de Florianópolis para assuntos relacionados à pesca, é preciso que seja estabelecido um diálogo entre as duas categorias, afinal, o mar é de todos. “São dois meses e meio de pesca e o restante do tempo todas as praias estão livres para o surfe. Além disso, nesse período de safra da tainha tem praias liberadas, como a Mole e a Joaquina”, ponderou.

De acordo com a lei, o surfe pode ser praticado durante a pesca da tainha em toda a extensão da Joaquina e da Praia Mole. Com restrição em até 500 metros do canto esquerdo da praia da Lagoinha do Leste; até 500 metros do canto esquerdo da praia do Matadeiro; até 500 metros do canto esquerdo da praia da Armação e até 500 metros para a direita da entrada da praia do Moçambique.

Segundo Adriano, a Prefeitura de Florianópolis deve realizar uma ação nos próximos dias com o objetivo de buscar uma pacificação entre pescadores e surfistas. “Com o diálogo é possível acabar com as histórias de ‘bambu nas costas’. Tem mar para todo mundo”, comentou.

(Do ND)

ÚÚÚÚ!!!!!! - É FESTA NA PRAIA!!!


 Fotos de Fabiana Marisa Martins


Gradas & Ovadas são as 2.138 tainhas que foram cercadas e arrastadas na manhã de hoje na praia do Pântano do Sul!

ÚÚÚÚ!!!!

Eram 10 horas desta manhã anuviada e fria quando os vigias abanaram e o grito correu rápido pelos ranchos, becos e vielas!
Mascarados e nem tanto, os camaradas lotaram rapidamente a praia, sem ligar a minima pras normas estipuladas para a pesca nestes tempos de vírus!
"Terezinha" e "Osmarina", canoas bordadas da pesca da tainha deslizaram nas estivas e cercaram o peixe que foi arrastado próximo ao posto do salva-vidas!

ÚÚÚÚ!!!!

Hoje está tendo festa na praia!

O MELHOR DA TAINHA

Da Andrea Ramos

MANEMÓRIAS


Peixe bom é o peixe daqui!

"Tainha tem no mundo inteiro, mas, o melhor peixe é quando pescado aqui defronte nossa ilha. Sai da lagoa dos patos de barriga preta, portanto, pouco saborosa,

Quando faz o ¨corso¨, isto é, adentra o oceano ela vai se purificando, comendo outro tipo de alimento e branqueando a carne , então, justamente aqui na ilha que ela está no ponto exato , mas para o norte já começa outro ciclo e já não é mais o mesmo peixe.

Tenho recordações muitas, tanto como puxador de redes, comedor voraz, e espectador, na maioria das vezes.

Me lembro lá pela década de 70 quando tinha lanço grande de tainha aqui no Campeche bem lá para o norte perto da cruz do Rio Tavares a tainha tinha que ser transportada até o rancho do Seo Chico uma distância de aproximadamente 1 km e meio A tainha na época era transportada ou de carroça ou em balaios feitos de baraço de São João ou de tiras de Bambu . Balaio grande de duas alças onde cada um pegava de uma lado , enchia e vinha trazendo pela praia.

A gente se escondia atrás dos combros lá pelo meio da praia e ficava espiando os rapazis trazendo o peixe se os dois fossem nossos amigos e de preferência que jogassem no Pingo de Ouro(time de futebol) a gente assobiava e fazia sinal eles davam uma cambada para mais perto de nós e pá, jogavam algumas tainhas e carcávão.

Nos amoitava de novo e acrocado ali esperava nova leva, gente amiga, assobio e eles descambavam prá perto de nós e mais algumas tainhas.

Momentos lúdicos de distribuição dos peixes que a noite no boteco ao som de uma viola nervosa e uma braseiro as meninas eram saboreadas e para achar o caminho de casa confesso que havia dificuldades. Onde é que moro mesmo?

Tempo que o lanço era avisado no abano do paletó, hoje é no celular, zap, e vídeo em tempo real.

Memórias,é assim que a cultura permanece!"

EMPROADA

Foto Fernando Alexandre