sexta-feira, 9 de março de 2018

MAR DE OLHARES


Puxada de Rede, de Carybé - [Pinacoteca ©Carybé] 

Hector Julio Páride Bernabó (Lanús, Argentina 1911 - Salvador BA 1997).



LIMITE DAS ÁGUAS


Oitavo álbum da carreira do compositor, arranjador e cantor, lançado em 1976. O disco contou com a participação de Joyce Moreno, Jacques Morelenbaum, Danilo Caymmi, Toninho Horta, dentre outros grandes instrumentistas.

VENTOS, VENTOS...

Foto Fernando Alexandre

De cara pro Sul - Pântano do Sul

quarta-feira, 7 de março de 2018

MAR DE OLHARES

Canoeiros, de Carybé - [Pinacoteca ©Carybé]

(Hector Julio Páride Bernabó (Lanús, Argentina 1911 - Salvador BA 1997).

A ILHA DE HANS STADEN


Desenho da viagem de Hans Staden, que mostra a Ilha de Santa Catarina. 
O desenho mostra a Ilha de Santa Catarina e seus habitantes da época, barcos e atividades agrícolas.


LÁ NO FUNDO...


Tesouro valioso é encontrado em Naufrágio do séc. XIX

Publicado por João Lara Mesquita 

Pepitas de ouro e moedas antigas são encontradas em navio naufragado em 1857.

Um navio recheado de tesouros jaz no leito do oceano Atlântico há mais de 150 anos. O casco afundado, na costa da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, rendeu até agora 45 barras de ouro, 47 joias, mais de duas mil moedas de ouro e perto de 11.500 moedas de prata.

Outros itens foram recuperados, como um par de óculos e 60 fotografias antigas feitas em placas de vidro.

O navio, o SS Central America, partiu de Nova York em setembro de 1857 quando um furacão o afundou com 425 pessoas e toneladas de ouro californiano a bordo.

Depois que o descobridor original tornou-se fugitivo da lei em 2012, um tribunal de Ohio determinou um depositário judicial, Ira O. Kane, advogado e empresário de Columbus, encarregado de recuperar o máximo possível do tesouro para os credores e investidores. O depositário contratou uma empresa para revisitar o naufrágio.

Desde abril, a companhia Odyssey Marine Exploration, de Tampa, na Flórida, vem utilizando um robô no local e já trouxe cinco barras de ouro pesando 30 quilos.

Até agora, a Odyssey já apresentou três relatórios mensais sobre suas tentativas de recuperação.

Os relatórios da Odyssey têm fotos coloridas do naufrágio e do tesouro. A maior barra de ouro recuperada até agora mede cerca de 25 centímetros, pesando dez quilos – somando US$ 415 mil pela cotação atual do ouro.

Entre as jóias encontradas está um anel de ouro com seis espirais entrelaçadas – criação comum de joalheiros séculos atrás, geralmente como alianças de casamento.

Uma grande descoberta ainda enterrada no fundo do mar é um enorme cofre de ferro, cuja porta foi corroída depois de mais de um século na água salgada. A equipe exploradora dirigiu o grande robô, equipado com braço manipulador, para abrir a porta.

O cofre continha vários itens. Dois pacotes menores, amarrados com barbante cheios de papéis que serão estudados num laboratório de conservação adequada. Uma pistola e duas bolsas de tecido de algodão muito bem embaladas, contendo moedas e pepitas de ouro.

Uma bolsa de tecido foi aberta revelando uma pequena fortuna em moedas de ouro conhecidas como águias duplas, cujo valor era de US$ 20 no século XIX. Hoje, moedas de procedência similar são vendidas entre US$ 9.500 e US$ 110 mil o exemplar. A bolsa continha 134 delas.
Outro achado foi um sextante, equipamento de navegação utilizado para determinar o ângulo entre um objeto celestial e o horizonte.

(Do https://www.facebook.com/marsemfim)

MAR DE ILHAS


AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A ILHA DO CAMPECHE

Promovida pela Comissão de Turismo e Assuntos Internacionais, acontece na próxima terça, 13 de março, às 14h, audiência pública na Câmara Municipal de Florianópolis para debater o descumprimento da regulação federal relativa à Ilha do Campeche.

O principal problema é a inércia da Superintendência do IPHAN em Santa Catarina no exercício do seu poder de polícia para garantir o cumprimento da sua própria portaria de tombamento e do TAC que firmou com o MPF, causando, assim, a proliferação de desembarques clandestinos na ilha e a extrapolação da sua capacidade de carga, em prejuízo do meio ambiente, do patrimônio histórico e natural e das comunidades tradicionais da pesca artesanal, algumas nossas clientes através de associações que aderiram ao TAC, as quais preservam a ilha e têm no transporte turístico náutico fonte de grande parte do sustento de dezenas de famílias.

Também será debatido a contratação pela Superintendência do IPHAN em Santa Catarina de um "Plano de Uso Turístico e de viabilidade econômica para a Ilha do Campeche", a ser elaborado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no estado - SEBRAE/SC, pelo valor global de R$73.000 e sem licitação.

terça-feira, 6 de março de 2018

MANEMÓRIAS

Aquarela do marinheiro Hermann C. Raebel Jr. mostra a Ilha de Anhatomirim e foi descoberta por Marli Cristina Scomazzon, pesquisadora e colecionadora.

JACK O MARUJO






Resultado de imagem para Boné de capitão desenho

- O sr fala sozinho, capitão?
- Sim, mas raramente me escuto, disse Jack o Marujo.


O DIVINO EM FESTA!



Sábado, 31/03, véspera da Páscoa, venha jantar e se divertir em mais um jantar dançante com a banda Embalo da Ilha, em prol da Festa do Divino 2018.
A sua presença é muito importante para nos ajudar na realização da festa.
Convites a venda com o CPC da capela e pelo 98456 6820...Festa Do Divino Espírito Santo 2018 Pântano Do Sul

NA MESA


Polvo à lagareiro

Ingredientes

1 polvo
1 cebola
Azeite
Sal
pimenta
1 folha de louro
1 kg de batatas pequenas para assar
6 dentes de alho
Salsa

Preparação

Coza o polvo com água (cerca de 750 ml - não precisa por muita água) a cebola inteira e com casca, a folha de louro, um bom fio de azeite, sal e pimenta. deixe cozinhar até o polvo estar bem cozido. Na panela de pressão 30 minutos será suficiente depois de começar a ferver.

Lave as batatas, dê-lhe um golpe e coloque num tabuleiro de ir ao forno. Regue com azeite e 3 alhos picados e sal e leve ao forno a assar. Depois do polvo cozido, escorra e frite-o numa frigideira com os restantes alhos picados (está é uma óptima opção para quem não o pode grelhar). Num tabuleiro de ir ao forno disponha as batatas assadas com o polvo, regue com o azeite de cada um e leve ao forno quente durante cerca de 15 a 20 minutos. Polvilhe com salsa picada e sirva quente.

(Do https://pt.petitchef.com/)

segunda-feira, 5 de março de 2018

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

1
Foto do Paulo Goeth

Ilha do Xavier com cores suaves!

SOLIDÃO E DESESPERO À DERIVA!


Homens que passaram meses à deriva ensinam como enfrentar a solidão, a falta de provisões e o desespero.

 Texto Erica Montenegro

Alain Bombard sempre foi aficionado pelas histórias de vítimas de desastres marítimos – histórias em que o desfecho é muitas vezes o suicídio para evitar a agonia de esperar por socorro. E, exatamente por isso, decidiu virar um náufrago. No dia 22 de outubro de 1952, o médico francês partiu das ilhas Canárias, na costa da Espanha, para passar quantos dias fossem necessários no mar. Seu objetivo era provar que dá para sobreviver no oceano e que as mortes em alto-mar são quase sempre desnecessárias, provocadas mais pela ignorância e pelo desespero do que pela falência física. Depois de 62 dias à deriva, Bombard desembarcou nas ilhas Barbados, no Caribe. Durante a jornada, alimentou-se dos peixes que pescava e do plâncton que coletava (a lancha pneumática que usou estava equipada com varas e redes de pescar). Emagreceu 24 quilos, teve problemas de visão e delírios de consciência. No fim, concluiu que resistir havia sido bem mais difícil do que imaginava: “Quando se está à deriva, a metade do tempo se passa temendo a morte. A outra metade, a desejando.”

Mas não foi só isso que Bombard aprendeu. Sua experiência provou que a vida à deriva é suportável desde que o náufrago se valha dos recursos que o próprio oceano oferece. Ele, por exemplo, livrou-se do escorbuto (carência de vitamina C) da mesma forma que as baleias: comendo plâncton. Seus registros minuciosos foram úteis para dezenas de marinheiros. Até agosto deste ano, quando morreu, Bombard recebia numerosas cartas agradecendo suas dicas.

Como o médico francês, os sobreviventes de naufrágios costumam escrever testemunhos detalhados do que viveram. A Super reuniu as experiências mais impressionantes desses heróis da resistência – homens que tiveram que enfrentar situações tão limites quanto o canibalismo – e conta o que é preciso fazer na metade do tempo em que você estiver lutando contra a morte.

1. Conseguir alimentos

Embora rodeados de água e peixes por todos os lados, matar a sede e a fome são tarefas árduas para náufragos. A água do mar não é adequada para o consumo humano já que o sal altera a composição química do sangue e leva a uma série de problemas físicos – o quadro começa com alterações da consciência e evolui para delírios, convulsões, coma e, finalmente, a morte.

Mas durante sua experiência, Alain Bombard conseguiu driblar a dificuldade usando um expediente comum aos pescadores polinésios: espremer água dos peixes. Embora pouco atrativa, a água retirada da carne dos peixes tem uma concentração de sal baixíssima, bastante semelhante à que está em nosso corpo. Os peixes disponíveis, no entanto, não eram muito numerosos e a quantidade de água espremida era pouca para garantir a sobrevivência de Bombard. Assim, o médico francês decidiu usar o líquido doce para diluir a água do mar e fixou meio litro dessa água diluída por dia como uma quantidade segura para náufragos. Bombard também determinou que essa água deveria ser bebida em pequenas quantidades, continuamente. A teoria do médico era de que, na maior parte das vezes, homens à deriva se abstinham de beber qualquer coisa por muito tempo. Quando, desesperados, recorriam à água do mar, ingeriam uma quantidade muito grande e acabavam causando a inflamação dos rins. A conseqüência, pouco tempo demais, era uma morte bastante dolorosa.

Já os peixes, apesar de abundantes no oceano, nem sempre são fáceis de pegar. Afinal, na maioria das vezes, homens e mulheres atirados ao mar acabam totalmente desprevenidos, sem um anzol ou um canivete que seja. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o marinheiro colombiano Luis Alejandro Velasco em uma noite de fevereiro de 1955.

Uma tormenta, no mar do Caribe, arrancou Velasco do convés do Caldas, navio em que viajava. Por sorte, a ventania também lançou ao mar um bote salva-vidas onde o marinheiro pôde se abrigar. Sem água, comida ou socorro à vista, Velasco comprovou que qualquer coisa mastigável vira um manjar dos deuses quando se está à deriva.

No 6º dos 10 dias que duraram seu infortúnio, estava esfomeado ao ponto de tentar comer a roupa que usava no corpo. “Eu parecia uma fera, tentando despedaçar os sapatos, o cinto e a camisa com os dentes”, contou no livro Relato de um Náufrago, escrito por Gabriel García Márquez. Foi quando achou 3 cartões de visita no bolso da calça e fez deles seu banquete. Apesar de não lá muito nutritiva, a “refeição” lhe deu coragem para continuar lutando por sua vida. “Quando senti aquele montinho de papel molhado chegar ao estômago, percebi que sobreviveria.”

2. Enfrentar um dos maiores tabus da humanidade: canibalismo

Há de se ter em conta que situações extremas requerem medidas extremas. “Resistem os que estão dispostos a fazer qualquer coisa para sobreviver”, diz o jornalista americano Laurence Gonzales, autor de Deep Survival: Who Lives, Who Dies and Why (“Sobrevivência Profunda: Quem Vive, Quem Morre e Por Quê”, sem versão para o português). E quando Gonzales fala qualquer coisa, é literalmente isso que ele quer dizer. Canibalismo, por exemplo, é uma opção real de sobrevivência entre náufragos. Real e recorrente. No mar, o costume de decidir no palitinho quem alimentará os demais é aceito faz tempo e aparece em diversos relatos.

Um dos primeiros casos documentados aconteceu na primeira metade do século 17. Sete marujos ingleses que partiram da ilha de St. Kitts, no Caribe, foram arrastados para o mar aberto. Após 17 dias sem comer um peixe sequer, um dos tripulantes sugeriu que sorteassem quem seria a refeição dos demais. Calhou de a sorte apontar o próprio autor da idéia e, depois de novo sorteio para ver quem o executaria, ele foi morto e comido.

Os sobreviventes do naufrágio do baleeiro Essex, episódio que inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick, passaram pela mesmíssima situação em 1820. Sua história, uma das mais aterradoras do não pouco aterrador gênero “relatos de naufrágio”, tem surpreendentes componentes de ironia. Primeiro porque o navio, que caçava baleias, naufragou tombado justamente por uma delas. Depois porque em vez de seguir para as ilhas Marquesas, que eram o destino mais próximo de onde estavam, os 20 tripulantes preferiram tentar chegar à América do Sul. Optaram pelo caminho mais longo porque supunham que nas Marquesas havia índios antropófagos – ou seja, adeptos de humanos como prato do dia.

Depois de quase 3 meses vagando em pequenos barcos pelo oceano Pacífico, e prestes a morrer de inanição, os marinheiros americanos perceberam que não havia outro jeito de escapar da morte a não ser encarar a realidade e comer um dos companheiros. O premiado com o dever do sacrifício foi Owen Coffin, de 18 anos, que acabou assassinado pelo melhor amigo, Charles Ramsdell, de 16. “O rapaz foi liquidado rapidamente”, lembraria, mais tarde, o capitão do Essex, George Pollard Jr., primo do “almoço”. “E não sobrou nada dele.” Coffin foi só o primeiro.

Quando foram encontrados, 93 dias depois, os 8 sobreviventes do Essex lambiam os ossos dos companheiros e temiam que seus salvadores lhes roubassem a pouca reserva de carne humana de que ainda dispunham. Será que seria exagero dizer que eles se transformaram nos mesmos canibais que tanto medo lhes inspiravam?

3. Acreditar na divina providência

Pesquisador de uma área chamada psicologia da sobrevivência, o britânico John Leach afirma que situações extremas empurram os protagonistas a descobrir dentro de si forças que jamais imaginaram. Isso vale para a disposição de comer carne humana, mas também para a vontade de sobreviver mesmo diante de situações que parecem lhes dizer que não há saída. O que fazer, por exemplo, quando se está em uma nau quebrada, no meio do oceano Atlântico, cercado por piratas sanguinários e acompanhado por 50 almas sedentas e famintas?

Rezar, rezar e rezar, responderia o português Jorge de Albuquerque Coelho, que sobreviveu a este infortúnio em 1565. A maior parte dos relatos sobre esse português – que acabou se tornando donatário da capitania de Pernambuco, no Brasil Colônia – o descrevem como um homem firme, justo e temente a Deus e contam que ele enfrentou o naufrágio da nau Santo Antônio como quem passa por uma provação divina.

Enquanto a desesperançada tripulação corria ao único padre a bordo para a última confissão, Albuquerque Coelho repetia a seus companheiros de tragédia: “Confiemos na misericórdia daquele Senhor cuja bondade é infinita, que se compadecerá de nós e nos livrará deste trabalho. Nunca ninguém pediu misericórdia com pureza de coração que lhe fosse negada.”

Não há como provar que Deus tenha sido mesmo o responsável pelo ocorrido, mas o fato é que 22 dias depois da tormenta que deixou a Santo Antônio “qual um pedaço de pau velho”, o português Albuquerque Coelho desembarcou são e salvo em Portugal. Além dele, havia outros 30 sobreviventes – entre eles, o padre.

4. Apreciar as pequenas coisas

Para combater a loucura provocada pela solidão, o pescador taitiano Tavae Raioaoa aproveitou seu naufrágio, em 2002, no Pacífico, como um momento de pausa na vida para fazer reflexões existenciais. Durante os 118 dias que passou à deriva, em seu barco de pesca, Tavae fez um balanço de sua história pessoal. Ou seja, embarcou em uma espécie de retiro espiritual gratuito – prática pela qual muita gente anda pagando as maiores fortunas hoje em dia.

O balanço lhe deu forças para continuar vivo. “Pessoas que têm compromissos firmes com a vida enxergam tragédias como meros obstáculos a serem ultrapassados”, diz John Leach. Foi exatamente o que salvou Tavae. Ele encarou o naufrágio como uma conseqüência de seu povo ter trocado o mar pelas tentações hedonistas oferecidas pelos colonizadores e resolveu pagar a penitência de cabeça erguida.

A monotonia de não ter nada a fazer a não ser esperar por socorro obrigou Tavae a entrar em contato profundo consigo mesmo e com a natureza que o rodeava. “Cada nascer do dia me dava esperanças”, escreveu no livro Tão longe do Mundo, em que conta sua experiência. O momento mais difícil foi quando acabou o estoque de água doce (ele não conhecia as dicas de Bombard). Estava morrendo quando uma chuva o salvou.

Alternando momentos de sanidade com delírios de consciência, Tavae passava o tempo conversando com os peixes, com Deus, com seu passado e até com as partes de seu corpo. “Eu falava sem parar, negociava comigo mesmo para sentir menos dor.” De volta à terra firme, quase 4 meses depois, o pescador era um outro homem: estava menos amargo e mais sábio.

5. Tirar proveito das companhias

Tubarões são companheiros tão indesejáveis quanto constantes nas viagens sem rumo dos náufragos. E sua presença é quase sempre anúncio de tragédia. Em 1960, quando o navio americano Albatross foi a pique, no Caribe, o capitão e alguns membros da tripulação conseguiram se salvar em botes. Mas o sangue dos feridos atraiu dezenas de tubarões que, excitados pelo cheiro, cercaram as embarcações e tentaram virá-las com seus focinhos. Os homens do Albatross defenderam-se golpeando as feras com remos e, na falta destes, usando os próprios punhos. Foi uma batalha encarniçada em que 4 náufragos acabaram devorados.

Mas há casos em que a presença dos tubarões não é de todo ruim. Durante os dias em que passou no mar, o bote salva-vidas de Luis Alejandro Velasco era cercado por eles pontualmente às 5 da tarde (um dos poucos bens do colombiano durante o tempo à deriva era um relógio de pulso). É claro que Velasco aguardava este momento com extremo pavor, mas, no 7º dia à deriva, ele foi a salvação do marujo. Os predadores involuntariamente colaboraram para a sobrevivência do colombiano ao perseguir um peixe que acabou pulando para dentro do bote dele. Resultado: quem poderia comê-lo, acabou lhe dando comida.

6. Estabelecer rotinas

Em pleno século 20, o americano Steve Callahan cruzava sozinho o Atlântico, quando uma onda gigante empurrou o barco em que estava para o fundo do oceano. Apesar de todo o preparo da embarcação para situações de emergência, Callahan não teve tempo sequer de mandar um SOS. Em 1982, ele se viu tão vulnerável quanto os homens que se perdiam nos mares na época dos descobrimentos. Passou 76 dias à deriva em um bote e, para manter-se firme, resolveu contar com a ajuda de um “capitão” imaginário. O “capitão” dava ordens como pescar, comer, arranjar o que beber, proteger-se do sol e do frio, cuidar da própria segurança e da manutenção do bote. Também dava broncas na “tripulação” quando Callahan se mostrava desanimado. “Eu podia ouvir a voz dele”, declarou em entrevistas, já em terra firme. Com este truque da própria cabeça, Callahan controlou a si mesmo e evitou a pior das agonias dos homens à deriva: a vontade de interromper o sofrimento, afogando-se no mar.

(Da Revista Superinteressante)

MANEMÓRIAS

"Veduta della cittá di Nuestra Senhora Del Destero, Nell'Isola di S. Caterina" (Vista da cidade de Nossa Senhora do Desterro, na Ilha de Santa Catarina), século 18, edição italiana - Coleção Marli Cristina Scomazzon/Reprodução ND

Retratos da cidade marítima que se perdeu no tempo

Florianópolis foi um dos três portos mais importantes do litoral brasileiro entre os séculos 18 e 19

por CARLOS DAMIÃO

No mês em que Florianópolis comemora 345 anos de fundação e 292 anos de emancipação (dia 23), ressurgem questões importantes sobre a cidade, provocadas pelos pesquisadores Marcondes Marchetti e Marli Cristina Scomazzon. Uma delas foi apontada durante longa entrevista no dia 22 de fevereiro, cuja primeira parte saiu na edição dos dias 24 e 25 de fevereiro do ND: por que existem milhares de aquarelas, gravuras e desenhos sobre Desterro, elaborados por navegantes estrangeiros durante os séculos 18 e 19? Sendo que pelo menos três colecionadores acumulam a maior parte dessa iconografia no Brasil – a própria Marli Cristina, o médico catarinense Ylmar Corrêa Neto e o casal Paschoal e Ruth Grecco, de São Paulo. Podem existir, ainda, conforme avaliação dos pesquisadores, pelo menos mais três mil documentos do gênero espalhados pelo mundo, em galerias e arquivos públicos ou particulares.

Uma explicação básica – e pouco valorizada – para tantos navegadores terem documentado visualmente aspectos de Desterro/Florianópolis está no fato de que a Ilha de Santa Catarina foi, durante o período colonial, um ponto estratégico da ocupação portuguesa e o terceiro porto mais importante da costa brasileira (os outros eram Salvador e Rio), uma espécie de parada obrigatória dos navios que cumpriam itinerários rumo ao extremo-Sul da América e vice-versa. Estima-se que mais de três mil embarcações cumpriram essa rota durante mais de dois séculos, de onde a conclusão sobre a existência de pelo menos igual número de registros visuais. Como não havia fotografia à época, as expedições em geral tinham pelo menos um desenhista ou aquarelista a bordo, que reproduzia paisagens, edificações, tipos humanos e elementos da flora e da fauna.
Tucano existente na Ilha de Santa Catarina, registro de 1803 - Coleção Marli Cristina Scomazzon/Reprodução ND


Aterro enterrou Desterro
Florianópolis é uma cidade marítima histórica, embora tenha perdido esse valor nos últimos 92 anos. Primeiro, pela construção da Ponte Hercílio Luz, que praticamente extinguiu o transporte marítimo entre Ilha e Continente; segundo, pela desativação do porto localizado na região central (Rita Maria/Arataca); depois, pelo efeito destruidor causado pelo aterro da baía Sul, que afastou o mar para bem longe da Praça Fernando Machado e do Mercado Público. Como disse na década de 1970 o vereador Valdemar da Silva Filho (Caruso), o aterro representou “o enterro do Desterro”. A simbologia dessa frase é muito forte até hoje, porque, de fato, a cidade marítima sucumbiu naquele período (1971-1975).

A volta dos cruzeiros
Sobre o porto central, tanto Marli Cristina Scomazzon quanto Marcondes Marchetti observam que “na verdade, não era o porto principal de Desterro, ali predominavam embarcações de pequeno e médio porte”. As grandes embarcações ancoravam na região de Anhatomirim, que tinha calado maior; de lá partiam lanchas e barcos levando os tripulantes em direção às áreas povoadas da ilha, inclusive o Centro. Os chamados “pombeiros” navegavam entre a ilha e os navios, levando mantimentos em suas pequenas embarcações. “Na verdade, a Rita Maria/Arataca era um grande atracadouro, que serviu durante muito tempo aos navios da Hoepcke. Os maiores navios atracavam na área de Anhatomirim”, confirma o especialista Leandro Mané Ferrari, empresário do setor náutico, fundador da Acatmar (Associação Náutica) e gerente aquaviário da Secretaria Estadual de Infraestrutura.

Tal situação histórica se repete no presente: na semana passada, autoridades estaduais e do município anunciaram a volta dos cruzeiros marítimos, depois de nove anos, com uma escala-teste prevista para o dia 24 deste mês. O gigante Preziosa, da MSC, com capacidade para 4.500 passageiros, será o primeiro transatlântico a chegar à região da Ilha de Santa Catarina, fundeando em área específica de Canasvieiras, onde a profundidade mínima de segurança é de 11 metros.

Leituras indispensáveis
“Ilha de Santa Catarina – Relatos de Viajantes Estrangeiros nos séculos XVIII e XIX” é a melhor referência bibliográfica sobre as visitas de navegadores a Desterro/Florianópolis. A histórica primeira edição (1979) foi coordenada por Marcondes Marchetti, atual presidente do Conselho Estadual de Cultura, e Martim Afonso de Haro. A produção ficou a cargo de Gilberto Gerlach, outro pesquisador incansável, autor de duas obras mais recentes sobre a capital catarinense – “Desterro – Ilha de Santa Catarina” e “Ilha de Santa Catarina – Florianópolis”, com centenas de reproduções de documentos, desenhos, gravuras, pinturas e aquarelas.

[Colaborou, na revisão de tradução do francês, a professora Fedra Rodriguez. Merci].

(Da coluna do Carlos Damião, domingo no https://ndonline.com.br/)

domingo, 4 de março de 2018

LONTRAS EM CATIVEIRO

As lontras se alimentam 70% de peixes - Marco Santiago/ND

Primeiras lontras nascidas em cativeiro têm ótima evolução na Armação, em Florianópolis

Dois filhotes nasceram em cativeiro e completaram cinco e dois meses, respectivamente, pela primeira vez no Brasil. Próximo passo é implantar o projeto de reintrodução das lontras órfãs

por MICHAEL GONÇALVES, FLORIANÓPOLIS 

Tímidas, solitárias e de hábitos noturnos, as lontras dificilmente são vistas em seu habitat na Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, porque também é uma espécie em extinção. Graças ao trabalho do Projeto Lontras, que é uma iniciativa do Instituto Ekko Brasil há mais de 30 anos, na Armação do Pântano do Sul, dois filhotes nasceram em cativeiro e completaram cinco e dois meses, respectivamente, pela primeira vez no Brasil. Para o gerente de projeto e pesquisa do projeto, oceanógrafo Oldemar Carvalho Júnior, o próximo passo é implantar um projeto de reintrodução ao meio ambiente das lontras órfãs.

Atualmente, apenas os mamíferos adultos encontrados doentes ou machucados são devolvidos a natureza. O filhote Iru, de cinco meses, foi a primeira lontra a se desenvolver após nascer em cativeiro. Ele é herdeiro do casal Boni e Iara, que são órfãs criadas em cativeiro há 10 anos. Já o filhote mais novo, de dois meses, ainda não ganhou um nome.

Durante uma pesquisa em 22 ilhas no litoral catarinense, as lontras deixaram vestígios em nove delas. Destaque para as ilhas do Arvoredo e do Campeche. ”O nascimento em cativeiro é uma importante conquista para entender melhor o comportamento da espécie, porque nossos estudos estão mais concentrados na dieta. Sabemos também que elas utilizam um corredor ecológico por rios, lagoas e também passando pelo mar, porque ela fica entre as pedras e tocas naturais”, afirmou o pesquisador.

A dieta de peixes corresponde a 70% da alimentação, com 20% de crustáceos e os 10% restantes de pequenos mamíferos, aves e répteis. Em cativeiro elas vivem de 13 anos a 15 anos e na natureza de nove anos a 10 anos.

“Nosso objetivo é introduzir o projeto até o final do ano ou início de 2019, porque é preciso conscientizar a população, principalmente, de pescadores e ribeirinhos. Ela é um animal muito inteligente que precisa ser estimulado a todo o momento”, completou.

Com peso médio oito quilos e 11 quilos, eles chegam a medir 1,40 metro de comprimento até a ponta da cauda.
Projeto Lontras está aberto a visitação - Marco Santiago/ND

Nove animais mortos foram encontradas nos últimos três anos

A descoberta de mais duas lontras mortas no Rio Sangradouro, na Armação do Pântano do Sul, no mês de fevereiro, acendeu o sinal amarelo para a preservação da espécie na Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis. Segundo a equipe do Projeto Lontras, nove lontras foram encontradas mortas nos últimos três anos.

“Temos vários casos de lontras mortas em covas, mas também existem registros de atropelamentos e de até envenenamento. Aqui no Sul da Ilha temos uma rodovia que corta um parque estadual e não existem passagens de fauna, por onde os animais poderiam cruzar a estrada em segurança”, lamentou o gerente de projeto e pesquisa do Projeto Lontras, oceanógrafo Oldemar Carvalho Júnior.

Neste último caso, as lontras (adulto e filhote) foram encontradas em covas de pescador, que é um tipo de armadilha. Segundo o gerente de projeto e pesquisa, não há registro de ataques de lontras ao ser humano.

“É importante alertar a população para a utilização deste tipo de equipamento pesqueiro em locais como este, que são corredores ecológicos e de passagens dos mustelídeos. Além disso, a espécie está na lista de animais ameaçados de extinção”, explicou a presidente do Instituto Ekko Brasil, Alessandra Bez Birolo.

O projeto encaminhou uma denúncia ao Ministério Público de Santa Catarina sobre as mortes desses animais.
A dieta de peixes das lontras corresponde a 70% da alimentação - Marco Santiago/ND

Saiba mais
As lontras são da família das ariranhas, das iraras e dos furões;
São mamíferos e tem em média um filhote por vez;
A gestação dura 70 dias;
Começam a reprodução a partir dos três anos;
Vivem 10 anos em média na natureza;
Conseguem ficar submersa por quase um minuto;
Pesam em média de oito quilos a 11 quilos.

Fonte: Projeto Lontras

(Do https://ndonline.com.br/)

sábado, 3 de março de 2018

MARES DE PORTUGAL

Um dos lindos capítulos da Revolução dos Cravos, em Portugal, a história da comunidade de pescadores da Meia Praia.
Enquanto os homens estavam no mar, as mulheres construíram as casas. Quando se encontravam, entoavam uma orquestra de vozes. José Veloso decidiu realizar o projeto arquitetônico das moradias. António da Cunha Telles decidiu fazer um documentário sobre essa história. Zeca Afonso escolheu fazer uma música sobre o bairro e essa história, logo após assistir ao documentário. 
Décadas depois, o documentarista e o arquiteto se reencontram na comunidade de pescadores. O bairro corre o risco de ser "desativado", desabrigando as comunidades que vivem na Meia Praia, em decorrência da existência de um campo de golfe e da zona ter se tornado próspera para o turismo.

PINGUINS DE ADÉLIA


Os pinguins de Adélia se mantiveram ‘escondidos’ num arquipélago remoto da Antártica - Louisiana State University / Michael Polito

Supercolônia com 1,5 milhão de pinguins é descoberta na Antártica

Animais foram identificados em arquipélago remoto por meio de imagens de satélite

POR O GLOBO

NOVA YORK — Nas últimas quatro décadas, o número de pinguins de Adélia (Pygoscelis adeliae), um dos mais comuns da Península Antártica, estava em declínio, ao menos era o que os cientistas pensavam. Em 2012, a espécie chegou a ser incluída na lista de “quase ameaçada” da União Internacional para a Conservação da Natureza, mas agora uma descoberta aumenta exponencialmente o tamanho da população desses animais. Com auxílio de imagens de satélite, pesquisadores do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, em Massachusetts, encontraram uma supercolônia com 1,5 milhão de pinguins.

Mas em 2014, Heather Lynch, professora associada da Universidade Stony Brook, em Nova York, com o colega Mathew Schwaller, da Nasa, identificou manchas de guano em imagens de satélite, sugerindo a existência de uma colônia relativamente grande de pinguins. Para investigar o local, Heather organizou uma expedição para o arquipélago com Stephanie Jenouvrier, ecologista de aves marinhas na Woods Hole; Mike Polito, da Universidade Estadual da Louisiana; e Tom Hart, da Universidade de Oxford.

— Até recentemente, as Ilhas do Perigo não eram conhecidas por serem um habitat importante de pinguins — comentou Heather, líder do estudo publicado nesta sexta-feira no periódico “Scientific Reports”. — A princípio, pensei que fosse um erro. Mas, quando vimos as imagens de satélite de alta resolução, nós nos demos conta de que era uma descoberta maior.

Os resultados indicaram a existência de 751.527 casais de pinguins de Adélia - Louisiana State University / Michael Polito

Quando o grupo chegou ao local, em dezembro de 2015, encontraram centenas de milhares de pinguins em ninhos em solo rochoso. A contagem visual era inviável, então os cientistas usaram um drone para tomar imagens aéreas. Com um sistema de navegação e de imagem especial, o equipamento sobrevoou a ilha em grids, tirando uma fotografia por segundo. Reunidas, elas formaram um mapa preciso da colônia. Um software de inteligência artificial analisou a imagem para contar o número de ninhos. E os resultados surpreenderam.

— As Ilhas do Perigo não apenas possuem a maior população de pinguins de Adélia da Península Antártica, como parecem não ter sofrido os declínios populacionais registrados ao longo do lado oeste da península que estão associados com as recentes mudanças no clima — apontou Polito.

Os pesquisadores utilizaram um drone para mapear os ninhos na ilha - Stony Brook University / Casey Youngflesh

Para essa conclusão, os pesquisadores analisaram antigas imagens aéreas da região, algumas em preto e branco, de 1957
— Sempre estiveram ali — comentou Hart. — Foi uma experiência incrível encontrar e contar tantos pinguins.
A descoberta da supercolônia fortalece a proposta de criação de Áreas Marinhas Protegidas na costa da Península Antártica.
— Dado que as propostas de Áreas Marinhas Protegidas são baseadas na melhor ciência disponível, esta publicação ajuda a destacar a importância desta área para proteção — afirmou Mercedes Santos, do Instituto Antártico Argentino, que não participou da pesquisa, mas apresentou o pedido de proteção à Comissão para a Conservação dos Recursos Marinhos Vivos da Antártica.

quinta-feira, 1 de março de 2018

MAR DE PESCADOR

Foto Fernando Alexandre
Capitão Aldemir, que está sempre de olho no mar, já embarcou a rede pra esperar as tainhotas, que chegam sempre antes das tainhas!
No Pântano do Sul!

TARDE INDO...

Foto Fernando Alexandre

Noite sendo...
Pântano do Sul

MANEMÓRIAS

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, oceano, praia, montanha, céu, atividades ao ar livre, natureza e água

Pantano do Sul, década de 70

(Olhar e clique do Ademir Nenem Damasco)

MAR DE ILHAS

Agora, o poder público quer construir um terceiro porto, no Pontal do Paraná, a apenas 4 kms de distância. Ambientalistas entraram na briga.


Ilha do Mel: mais um porto em Pontal do Paraná é a nova ameaça



A ilha do Mel tem riquezas demais, e problemas demais. Mas o pior é a geografia, a Ilha do Mel fica na embocadura baía de Paranaguá, uma das portas do ‘Lagamar‘, um dos mais importantes berçários de vida marinha do Atlântico Sul já, também, cheio… de problemas.

A região já tem dois portos, agora querem mais um?

Há o porto de Paranaguá, e, mais ao fundo na baía de mesmo nome, o porto de Antonina. Portos são bem- vindos, e extremamente importantes para a economia. Mas são obras, inevitavelmente, de forte impacto ambiental. Será que o Paraná precisa mesmo um terceiro porto?
A beleza da Praia de Fora

A contaminação gerada pelos portos do Paraná

Os dois já instalados geraram uma série de problemas constatados pelo Mar Sem Fim desde a primeira expedição pela costa brasileira, entre 2005 – 2007. Na ocasião conversamos com Fabian Sá, doutorando em Geoquímica Ambiental (UFPR). Ele contou da contaminação da baía de Paranaguá por metais pesados, arsênico e níquel. As duas substâncias, constatou, apresentaram níveis acima dos da Resolução do Conama que trata a questão.
Acidentes frequentes nos portos e a falta de visão do poder público

Perguntei como o porto de Paranaguá estaria preparado para lidar com acidentes, que são possíveis, e normalmente graves nesta atividade. Ele sorriu e respondeu o esperado: eles não têm planos, equipamentos, nada.

O Vicuña em chamas (Foto: Gazeta do Povo)

E contou que quando explodiu o navio Vicuña, carregado de metanol, em novembro de 2004, o combustível se extinguiu pelo fogo mesmo, quase dois dias depois do início das chamas. Durante o acidente muito pouco foi feito pelas autoridades portuárias a não ser observar, impotentes, o desenrolar da ação. Segundo o jornal Gazeta do Povo, “dez anos depois, o Litoral do Paraná ainda se ressentia dos danos do seu maior desastre ambiental. A pesca não havia sido de todo restabelecida.”

A bioinvasão provocada pela água de lastro

Perguntei aos professores da UFPR sobre a bioinvasão na baía de Paranaguá, um dos grandes problemas do litoral brasileiro. Todos, sem exceção, confirmaram casos.
Navio desmastreando no porto de Paranaguá

Entre eles, um mexilhão exótico que está tomando o lugar dos nativos nos costões da Ilha do Mel; a proliferação de algas na baía, e até certos peixes estranhos que passaram a ser pescados e ainda não foram identificados.

A riqueza da ilha do Mel

Além da beleza natural, a ilha abriga a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, do século 18, com paredes com um metro e meio de largura, e o belíssimo Farol das Conchas, mandado construir por D. Pedro II em 1870, com materiais importados da Escócia.
Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres

Mas sua maior riqueza está na biodiversidade: a ilha abriga ecossistemas variados como pequenas dunas, praias, uma linda e exuberante restinga, além de rios e lagos. Mas, se todos são importantes, um deles é dominante…
O Farol das Conchas
A restinga da Ilha do Mel

Na ilha do Mel 70% da área é de planícies com formação de restinga, neste caso, protegidas desde 1982, quando ela se tornou Estação Ecológica Estadual.
A exuberante restinga da Ilha do Mel

Márcia Marques, do curso de ecologia da UFPR, autora do livro “História Natural e Conservação da Ilha do Mel”, se empolgou ao contar que a maior parte das restingas da costa brasileira tem formações vegetais rasteiras, com arbustos e moitas, no máximo. Mas, as da Ilha do Mel, ao contrário, têm formação florestal mais desenvolvida com árvores que chegam aos 20 metros de altura.

O turismo desordenado na Ilha do Mel

O turismo desordenado ameaça sua integridade faz tempo. A ilha foi “redescoberta” pelos hippies, nos anos 70. Depois, na década de 80, vieram os mochileiros e campistas que se hospedavam na casa dos nativos. Em seguida chegou a especulação. Mais uma vez as posses foram vendidas por preço de banana. Novos hotéis e pousadas foram feitos, hoje, quase todos nas mãos de gente de fora.
Em cima do morro do Saco do Limoeiro é possível ver a quantidade de telhados entre a restinga. São parte das pousadas e hotéis que a ilha abriga.

À época de nossa visita havia nove mil leitos à disposição, um número que, para a fragilidade natural de um ilha, é exagerado. É muito difícil para um ambiente insular suportar um impacto diário deste tamanho. Durante nossa vista conversei com o biólogo Claro (UFPR), que também estuda a Ilha do Mel. Ele concorda que é demais a quantidade de turistas que freqüentam a ilha. E diz que o número foi “limitado” em sete mil por dia, mas no pico do verão chega a dez mil! A Ilha do Mel é a segunda área natural mais visitada no Paraná, atrás apenas do Parque Nacional do Iguaçu. Hoje, parece que o limite de visitantes é de cinco mil por dia, o que continua sendo gente demais.
O novo porto

Segundo o Gazeta do Povo “a região encontra-se na iminência de ser severamente impactada pela construção de novos empreendimentos portuários e de uma gama de obras acessórias em Pontal do Paraná.” E prossegue: “a implantação desses empreendimentos ainda não ocorreu pela resistência de pesquisadores e da sociedade civil, mas certamente deverá ser consumada em breve, especialmente neste momento de novo governo federal.”

O articulista, Emerson Antonio de Oliveira, coordenador do Observatório de Conservação Costeira do Paraná, conclui: “resta saber se, ao fim desse processo, haverá interesse pela visitação à Ilha do Mel, recursos pesqueiros à população e se os poucos fragmentos de Mata Atlântica da região resistirão à pressão da operação dos novos empreendimentos.”
Reação de ambientalistas e da academia

Até um site foi criado por ambientalistas e professores da Academia, o salveailhadomel.com.br, conta que “o Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral do Paraná (COLIT) induzido por um representante do governo do Estado – aprovou ao fim da reunião o licenciamento de uma Faixa de Infraestrutura – que prevê a construção de uma nova rodovia de pista simples de 20 km de extensão e um canal de drenagem ligando praia de Leste à zona portuária e industrial de Pontal do Paraná, em frente à Ilha do Mel. Isso foi feito mesmo diante de ressalvas e protestos de organizações ambientais e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que integram o conselho.”

Se você também prefere que o Governo do Paraná melhore os dois portos existentes, antes de construir um terceiro, clique aqui, e mande sua carta de protesto. Mais de 101.000 mil pessoas já assinaram.

Fontes: 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_do_Mel_(Paran%C3%A1); http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/o-tragico-destino-da-ilha-do-mel-68acd3nxi2p892hm2ud8m16el; http://salveailhadomel.com.br/.

(Do https://marsemfim.com.br/)

APRONTADAS E AO VENTO!

Foto Fernando Alexandre

Pântano do Sul

CÔSA LINDA!

Emojis do manezinho

👍= Dazumbanho
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