terça-feira, 7 de maio de 2013

FIM DA TAINHA II


Foto Marco Santiago/ND
Na praia das Capivaras, em São José do Norte, onde postos de compra e venda funcionam em palafitas, pescaria deixou de ser bom negócio
Escassez de cardumes de tainha na Lagoa dos Patos força migração
Novo porto substitui a pesca no Rio Grande do Sul

por Edson Rosa

Ainda em ritmo de lua de mel, Maicon Santos ferreira, 24 anos, aprendeu na infância a acordar cedo. O costume herdou do avô Laudelino Bento dos Santos, 73, o Bolinha, pescador mais antigo da praia de Marambaia, na Ilha dos Marinheiros, uma das pequenas comunidades pesqueiras de Rio Grande localizadas na costa Oeste da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.

Às 5h, o rapaz já está no velho trapiche de madeira onde desatraca o caíco e navega durante meia hora até o cais do mercado público, no centro histórico da cidade. O destino do jovem gaúcho, no entanto, não é um dos pesqueiros da maior lagoa costeira do Brasil, nem a boca da barra, onde cardumes de tainhas encontram a água salgada do oceano atlântico, e nadam litoral acima  em busca de temperatura mais alta para desovar.

Maicon não vai pescar. No centro, ele procura o fim da fila e se junta à legião de trabalhadores, a maioria de migrantes nordestinos, que esperam os ônibus para levá-los ao pólo naval no novo porto de Rio Grande. Com segundo grau apenas iniciado, o neto do pescador Bolinha há três semanas é um dos montadores no estaleiro da Petrobras, onde recebe R$ 1.300 mensais para ajudar na montagem da P-74, plataforma de petróleo que depois de pronta será transferida para a bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

Trabalha oito horas por dia, folga nos feriados e fins de semana, e pensa em crescer na profissão. “Daqui a pouco a família cresce, é preciso pensar na família”, emenda. O entusiasmo de Maicon contagiou o irmão mais moço, Dener, 18, que concluiu o segundo grau no fim do ano passado e agora pretende fazer curso, provavelmente também de montador, para também procurar emprego no porto. “Ainda não sei exatamente o que vou fazer. Mas não vou ficar aqui esperando, a pesca não dá mais futuro”, ressalta.

Foto Marco Santiago/ND
Barco de pesca com capacidade de 30 toneladas fica pequeno al lado da plataforma P63 da Petrobrás

Avô doa redes e embarcações e agora é carpinteiro

Discreto, Laudelino Bolinha cansou de voltar com as redes vazias e despista a ponta de amargura ao ouvir que o ciclo da pesca está chegando ao fim. E apóia a iniciativa dos netos. Ele mesmo não sai para pescar desde 2000, quando decidiu dedicar-se exclusivamente à carpintaria naval. Hoje ganha a vida com fabricação e reforma de canoas, caícos e botes que levam pescadores cada vez mais longe em busca dos cardumes. “O bagre já acabou de vez. Restaram só o camarão, que ainda dá o ano todo, e a corrida da tainha em maio, cada vez mais fraca”, resume.

Redes e embarcações que ele mesmo fabricou para sustentar a família já mudaram de mãos. Foram doadas ao filho e ao genro, que diariamente voltam da lagoa com a mesma sensação do vizinho João Nelson, 50. “Não é só a tainha que está desaparecendo. Acabou tudo”, diz, meia hora depois de desmalhar cinco tainhas e três chavelhas (espécie de sardinha sem valor comercial) de 20 redes de malha 50  fundeadas na noite anterior.

A pescaria na Lagoa dos Patos está liberada até o  fim de maio, quando o estuário é fechado para defeso. De junho a setembro,pescadores cadastrados nas colônias  gaúchas recebem salário mínimo de seguro desemprego. Enquanto desliza a enxó na nova quilha do bote em reforma, o velho pescador reclama da falta de política pesqueira no Brasil. Critica o governo federal, que financia a compra de barcos e redes pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). “Ao mesmo tempo que não controla a produção industrial, aperta a fiscalização contra os artesanais. Pescaria hoje em dia só para comer”, acrescenta.
Foto Marco Santiago/ND
Pescaria deixou de ser um bom negócio
Indústria petrolífera movimenta polo naval

O barco de pesca com capacidade de transportar 30 toneladas de carga no porão parece de brinquedo ao navegar ao lado de navios e plataformas petrolíferas atracadas no super porto de Rio Grande. O crescimento do polo naval gerou no último ano pouco mais de 25 mil vagas diretas em Rio Grande. Outros seis mil postos de trabalho estão previstos para a vizinha São José do Norte, onde outro estaleiro, ainda em fase de terraplenagem no caminho da vila da Barra, terá investimentos de R$ 1,2 bilhão.

A mudança no perfil das duas cidades outrora pesqueiras é perceptível nas ruas, no comércio, em particular nas áreas de gastronomia. A demanda exigiu também modernização e ampliação na hotelaria, com aumento da oferta de serviços direcionados a diferentes classes sociais, exatamente para atender a demanda portuária. Sem lugar para todos no pólo industrial e sem novas perspectivas na pesca, as duas cidades começam a perceber os efeitos negativos dos novos tempos: grande número de desempregos, além de moradores de rua peramb lando pelas ruas históricas do cais do velho porto.

A decadência pesqueira constatada em Marambaia se repete nas outras praias da Ilha dos Marinheiros – Porto do Rei, Coréia, Bandeirinhas e Fundos. Ali, a agricultura familiar ameniza os sinais de pobreza observados nas comunidades vizinhas de Turotama e Leonídio, na costa Oeste da lagoa, em Rio Grande. O mesmo não ocorre nas terras menos férteis das vilas da Barra, Capivaras, Várzea e Passinhos, a Leste do estuário, em São José do Norte, onde plantar cebola deixou de ser bom negócio faz tempo.

Antigas "repúblicas catarinas" enfrentam decadência econômica

O rebojo que começou a soprar no fim da tarde de sábado era tudo que esperavam Manuel Hercílio da Silva, 60, e seus colegas do Canto das Pedras, um dos pesqueiros da praia de Capivaras, na parte da Lagoa dos Patos pertencente a São José do Norte. Filho de pescador, o “catarina” de Ponta das Canas, em Florianópolis, formou a própria família no Rio Grande do Sul e adquiriu respeito dos colegas gaúchos.

“Aqui todo mundo se ajuda, principalmente nestas épocas de crise”, diz Manuel, que há pelo menos três anos não revê os parentes do Norte da Ilha. “Mas não perdemos o contato. Quando não dá para ir, nos falamos por telefone”, observa. A exemplo do que ocorre nas praias de Rio Grande, na lagoa ou no mar, os pescadores de Capivaras não estão otimistas. “Além de a concorrência com as traineiras ser cada vez mais desigual, alguns pescadores estão usando caicos motorizados e equipados com sonar para localizar os cardumes.

Manuel tinha 15 anos quando foi pescar na Lagoa dos Patos, levado pelo pai. No dia 3 de junho completará 45 anos longe de Ponta das Canas. A expectativa dele neste início de safra é a mesma dos colegas catarinenses, apesar de os indícios não serem alentadores. “Vamos esperar os três próximos dias de vento sul, para ver se os cardumes estão subindo”, reforça Lenoir de Souza, 33, pescador artesanal em Itapirubá do Norte, Laguna. No Sul do Estado, parelhas de arrasto com canoas a remo estão em, vigília e com redes a postos para cercar desde a semana passada.

( Do Notícias do Dia - www.ndonline.com.br

DA COR DO OUTONO

Pântano do Sul - 10,30 desta manhã clara e colorida!

ATLÂNTIDA BRASILEIRA

FotoServiço Geológico do Brasil (CPRM) / Divulgação
Geólogos divulgam imagens de possível continente submerso a 1,3 mil quilômetros da costa brasileira

Grupo pretende realizar perfurações na região para encontrar mais amostras do local

Geólogos brasileiros divulgaram, na tarde desta segunda-feira, imagens daquele que seria um pedaço de continente que submergiu durante a separação da África e da América do Sul. Localizado a 1,3 mil quilômetros da costa brasileira, ele teria se desprendido na época em que surgiu o Oceano Atlântico, há cerca de 200 milhões de anos.

Através de uma parceria entre Brasil e Japão, a expedição realizada em abril deste ano levou cientistas dos dois países, a bordo do equipamento submersível Shinkai 6.500, para coletar imagens da cordilheira submersa que está em frente à costa brasileira, a Elevação do Rio Grande do Sul. A partir de uma análise inicial, eles indicaram que a região pode conter um pedaço de continente que ficou perdido no mar por milhões de anos.

Conforme Roberto Ventura Santos, diretor de geologia de recursos minerais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), um grupo de pesquisadores está desenvolvendo estudos na área internacional do Atlântico Sul há quatro anos. Em 2011, durante um serviço de dragagem (coleta de fragmentos do solo oceânico para análise) na região da Elevação do Rio Grande, foram encontradas amostras de granito, que é considerado um tipo de rocha continental.

— Inicialmente não se sabia qual a procedência exata dessas amostras. Elas poderiam ter sido jogadas na região por outros navios, ou poderiam pertencer ao local — explica Ventura.

Com as imagens coletadas na missão do navio japonês, os pesquisadores conseguiram captar fotos de grandes blocos dessa rocha granítica no meio do Atlântico, o que representa um forte indício de que se trata mesmo de um pedaço do continente que foi separado há milhões de anos.

A certificação deve vir no final do ano, quando o grupo pretende realizar perfurações na região para encontrar mais amostras.

— A nova missão deste ano será fazer a perfuração no local, e esperamos que até setembro isso já tenha se concretizado — explica Ventura.

Ainda de acordo com Ventura, o grupo pretende enviar ao governo brasileiro uma solicitação para que o país reclame uma área de 3 mil km² da Elevação do Rio Grande, que está em águas internacionais, junto à Autoridade Internacional de Fundos Marítimos (ISBA), um organismo ligado à Organização das Nações Unidas. A ideia do CPRM é conseguir uma permissão para realizar estudos no local.

(Do Diário Catarinense - www.clicrbs.com.br)

A ESPERA DAS TAINHAS


Documentário sobre a vida de pescadores do litoral norte de Santa Catarina que sobrevivem da pesca da tainha. O vídeo retrata um pouco da preocupação destas pessoas sobre a temporada e a sua preservação.
Curta produzido por Pena Filho, Cleber Gomes e Marcus Carvalheiro, pelo jornal a Notícia.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

FIM DA TAINHA I

Foto Marco Santiago/ND
Frota pesqueira se prepara para captura no mar, a partir da boca da barra
 Supervalorização da ova e falta de política pesqueira acentuam redução dos cardumes de tainha

A pesca indiscriminada praticamente o ano todo é a causa mais óbvia do fim da fartura nas redes

por Edson Rosa
Estão matando as tainhas das ovas de ouro. Aparentemente infame, o trocadilho resume o que ocorre ano a ano nos criadouros salobros da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, ou nas águas salgadas do litoral catarinense, onde as espécies Mugil liza e Mugil platanus, cada vez mais escassas, são caçadas. Exatamente quando deveriam completar o ciclo de reprodução.

A pesca indiscriminada praticamente o ano todo na maior lagoa costeira do país, intensificada no oceano durante a corrida para desova, de maio a julho, é a causa mais óbvia do fim da fartura nas redes. Mas não é a única.

A maior delas, segundo pesquisadores da Fundação Universitária do Rio Grande, é a inexistência de política de governo para o setor pesqueiro. Também não existem estatísticas confiáveis do que é capturado, seja pelos artesanais ou pela frota industrial cada vez mais sofisticada. “Não há sequer comunicação entre os ministérios”, diz o professor de oceanografia Jorge Castello, 71 anos, considerado o “papa da tainha” pelos colegas da Furg.

No caso específico do peixe, falta controle periódico da safra. Em 2007, por exemplo, o pico de captura declarado aos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente, no Sul do Brasil, foi de 7.600 toneladas. No Ministério de Indústria e Comércio Exterior, no entanto, o volume declarado de ovas que viraram caviar ou a bottarga italiana, iguarias apreciadas no mundo todo, corresponde a 30 mil toneladas de fêmeas em plena época de reprodução.

“É uma diferença brutal entre os dados do próprio governo”, observa Castello, que não acredita em desinformação deliberada para estimular a exportação. “Creio que é desorganização mesmo”, diz desconfiado.

A redução dos estoques e o desaparecimento gradativo de uma das vedetes da culinária tradicional açoriana é consequência da supervalorização da ova no mercado internacional a partir de 2004. Hoje, o quilo da iguaria custa R$ 60, em média, e os maiores compradores são China, Espanha e Estados Unidos. Nas vilas da Lagoa dos Patos, no Rio Grande ou em São José do Norte, o peixe inteiro custa R$ 3,50 o quilo, com ou sem ova. Nas bancas do mercado público, na beira do cais, o preço dobra. Mesmo assim, a freguesia prefere linguado, burriquete ou peixe-rei, 30% mais caros.

Sem estatística e fiscalização, não há controle

Pessimista, mas sem alarmismo, o professor Jorge Castello diz que entre os pescadores todos são culpados pelo desaparecimento da tainha - industriais e artesanais. E não vislumbra alternativas para recuperação dos estoques, nem como normatizar o período de captura por cotas, como sugere o sinduicato da Indústria Pesqueira de Santa Catarina.

“Assim como não há como quantificar o volume capturado, também é impossível dimensionar a reserva de matrizes disponíveis nos estuários. Nem em que proporção os cardumes estão diminuindo”, explica Castello, que mostra o litoral catarinense recortado por enseadas e baías como uma das dificuldades para controle da safra artesanal. Na outra ponta da rede, armadores fazem questão de sonegar informação e não declarar o que a frota industrial efetivamente captura.


Foto Marco Santiago/ND
João do Celso foi pioneiro no uso de redes de arrasto de praia

Sardinha desaparece, e indústria direciona frota em busca de ovas

O interesse da indústria pesqueira pela tainha cresceu a partir de 2001, depois do colapso dos estoques da sardinha verdadeira, que ocorre basicamente do cabo de Santa Marta acima, e praticamente desapareceu da costa brasileira. Sem matéria-prima para as conservas enlatadas, a frota ociosa dos armadores catarinenses foi deslocada mais ao sul, e passou a cercar os cardumes a partir da boca da barra do Rio Grande, na saída para a corrida da desova no mar.

O bom preço no mercado internacional estimulou a captura da tainha ovada, no período de migração até o Norte do Paraná, de maio a agosto. O potencial de pesca de uma traineira, com porão com capacidade para transportar até 30 toneladas e equipada com tecnologia moderna para apressar a localização de cardumes, além de tornar desigual a concorrência com as parelhas tradicionais da pesca artesanal, acelerou o processo predatório.

Para os cientistas, os dois segmentos são predatórios. “Se caça, não se cultiva o peixe. A pesca é uma atividade predatória”, compara o professor Jorge Castello, que diz ser mito acreditar na preocupação preservacionista do setor artesanal. “Há dois diabos nesta história”, diz. Segundo pesquisadores da Furg, na Lagoa dos Patos há duas taxas de mortalidade de cardumes, uma natural e outra relacionada à atividade humana.

Dos peixes mortos a cada ano no maior estuário do Sul do Brasil, 20% têm causas naturais, enquanto os outros 30% são mitivados pela pesca indiscriminada. “A pesca aqui é artesanal, salvo casos de traineiras clandestinas. Então, o percentual de tainha morta por este segmento é muito superior à industrial, que atua no oceano”, argumenta Castello.

Pescador experiente percebe na prática

Pescador mais velho da vila da Barra, o lagunense João do Celso, 71, não é só mais um entre os tantos que foram para a corrida da tainha e não voltaram das praias gaúchas. Pioneiro no uso de redes de arrasto de praia e caças de malha, ele procura ser modesto quando é apontado pelos vizinhos como o “rei da pesca” em São José do Norte, cidadezinha vizinha a Rio Grande considerada a “república Catarina”. Experiente, ele confirma todos os dias na prática, as teses defendidas pelos pesquisadores da Furg.

“A safra da tainha diminui pelo menos 40% ao ano”, diz João do Celso. Ele fala com a experiência adquirida em 60 anos de pescaria nas praias de Rio Grande e São José do Norte. Aos 12 anos, o rapaz subiu na carroceria de um dos caminhões que desciam com mão-de-obra barata. foi ajudante de parelha nas praias do Cassino e da Barra, virou proeiro, comprou a primeira parelha para garantir o conforto da família – são três filhos, 12 netos e duas bisnetas.

Em dois galpões de madeira onde guarda dois caminhões e as embarcações, João Celso amontoa as redes para todos os tipos de pesca. Tem malhas para corvina, papa-terra, peixe-rei, e só as de tainha estão embarcadas à espera do rebojo - como o vento sul é apelidado pelos pescadores do Rio Grande. “Pela previsão, o tempo deve começar a virar a partir deste fim de semana, vai esfriar. E, pouco ou muito, algum peixe todo mundo sempre pega”, observa.

Nas vilas de entorno à Lagoa dos Patos, a temporada de pesca permanecerá aberta até o fim de maio para tainha, corvina, bagre e camarão. Durante o período de defeso, entre junho e setembro, pescadores recebem salário mínimo pelo seguro desemprego. Mas a exemplo dos colegas em vigília nas praias de Santa Catarina, o que querem mesmo é sentir a primeira onda de frio do outono e seguir mais uma corrida para o corso.


Foto Marco Santiago/ND
João Nelson deixou 20 redes fundeadas a noite inteira,e voltou com apenas cinco tainhas malhadas

Redes voltam vazias

As redes voltam do mar cada vez mais vazias um pouco também pelas condições climáticas adversas, ou seja, falta de vento sul e elevação da temperatura da água nos próprios estuários. O frio é o gatilho que aciona a corrida do corso. “Os cardumes sobem desde a bacia do prata em busca de águas mais quentes para desovar”, enfatiza o professor de ictologia João Vieira Sobrinho, 59, também da Furg, que desde 1978 estuda o comportamento de tainhas em fase juvenil na Lagoa dos Patos.

Tainha não é exclusiva do Brasil. As que criam também na bacia do prata, começam a corrida em busca de águas quentes para desovar em março, quando o esfriamento no Norte da Argentina e no Uruguai aciona o gatilho da migração em busca, também, de índices mais elevados de salinidade. Até o fim de julho, o ocorre a corrida do corso, quando os cardumes que saem dos estuários do Sul se juntam e, “formam espécie de trem”, como compara o professor Jorge Castello.

No mar, a grande maternidade das espécies Mugil liza e Mugil platanus é o litoral catarinense, onde a temperatura média da água é de 19 graus centígrados. “Ainda não sabemos os motivos, mas os cardumes que saem do Sul não chegam ao Paraná. As que ocorrem dali em diante, no Sudeste e até no Nordeste, são oriundas de outras populações, saem de estuários mais acima”, acrescenta Sobrinho.

Depois da desova, o alevino alcança 25 milímetros e fica de 30 a 50 dias no mar, onde se alimenta de plânctons e microalgas encrustradas em minúsculos grãos de areia. Em seguida e “por mistério da natureza”, como diz o pesquisador, são levados pelo vento e pelas correntes martítimas à costa, onde ocorre o pré-recrutamento de tainhotas com dois centímetros e meio à quebra-mar, em busca dos estuários.

Apesar das evidências científicas, o professor João Vieira também não despreza lendas que se espalham entre pescadores. Alguns dizem, por exemplo, que os ovos deixados na água salgada são devolvidos aos estuários na boca ou sob as escamas da própria matriz. “Eles têm os conhecimentos deles, e não podemos ignorar. Se dizem, devemos pesquisar”, afirma.

A volta à água salobra do ambiente lagunar ocorre entre 15 e 30 dias. Os peixes juvenis permanecem de cinco a seis anos até atingirem a fase de maturação sexual nos estuários. Lá se juntam às raras fêmeas que conseguem escapar das redes e, no ano seguinte, reiniciam mais um ciclo para escapar da morte.

Cautela é conselho de cientistas

Sem ferramentas para medir o que é capturado e a reserva de estoques, pesquisadores da Furg estão apreensivos quanto ao futuro da tainha no Sul do Brasil. E sugerem cautela. E questionam a liberação da pesca de espécie em extinção exatamente no período de desova. A tendência, de acordo com os pesquisadores e as redes de pescadores cada vez mais vazias, é o fim dos estoques em período que ainda é impossível precisar.

“Então, uma alternativa é não aumentar o número de licenças e esperar que haja bom senso econômico e ecológico”, ressalta Valéria Lemos, 30, orientada pelo professor João Vieira na tese de doutorado em oceanografia, na Furb, para desvendar o ciclo de vida da tainha. Uma ova, segundo cálculos de Valéria, representa 5% do valor total do peixe e despeja pelo menos 10 milhões de ovos no mar. Destes, apenas 1% vira alevinos, e nem todos completam o ciclo de retorno ao ambiente estuarino.

Na Lagoa dos Patos, onde a pesca artesanal é permitida até fim de maio, o rebojo não veio na primeira minguante do mês que deflagra a corrida da tainha no Sul do Brasil. As redes dos irmãos Moacir, 52, e Antônio Silva Santos, 59, mais uma vez voltaram vazias e eles ficaram sem fazer negócio no histórico cais do Mercado Público de Rio Grande. “Faz tempo que não pegamos, ela anda fugindo de nós”, diz Moacir, enquanto retira do bote “Leco”, de 8,60 metros, as 14 tainhas malhadas na mejuada depois de 12 horas de espera.

A rede de cercar, nem usamos. Não passou cardume a noite toda”, completou o irmão mais velho. Antes de zarparem em direção à Ilha dos Marinheiros, Moacir disse que ainda há esperança. “Até a segunda minguante de maio, se o rebojo vier, vai ter corrida da tainha”, prevê.

Pescadores artesanais à espera do vento sul

Nas comunidades do entorno da Lagoa dos Patos, pescadores artesanais esperam que o rebojo anunciado para este fim de semana não dê para trás. É com a força do vento sul que os cardumes saem ao mar em busca de salinidade e águas mais quentes para desovar, e viram presas fáceis.

Lá, eles podem pescar até o fim de maio, quando a lagoa entra em defeso geral. Em Santa Catarina, parelhas de praia que utilizam redes de arrasto e canoas a remo estão divididas e indecisas. As do Sul já estão com vigias e apetrechos a postos, à espera do mesmo rebojo e da passagem dos cardumes. “Temos documento do ministro da Pesca antecipando a safra para 1º de maio, e o próprio Ministério do Meio Ambiente já reconheceu”, garante o presidente da Federação das Associações de Pescadores de Santa Catarina, Pedro Guerreiro.

O presidente da Federação Catarinense dos Pescadores, Ivo Silva, orienta a esperar até dia 15. “A fiscalização vai atuar. Ainda bem que não tem peixe. Se o pessoal do arrasto cercar, os pescadores de caça de malha vão chiar. O conflito seria mais grave.”

Espécie com potencial econômico esgotado

O oceanógrafo Paulo Ricardo Schwingel, 51, do Grupo de Estudos Pesqueiros da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), descarta a extinção da espécie. Mas, faz a mesma recomendação que os colegas gaúchos para que a tainha não perca importância econômica por escassez de oferta: “É preciso ter cautela”, repete. A espécie ocupa a quarta posição na escala econômica no litoral brasileiro, atrás da lagosta, do camarão e do atum. Mesmo assim, não existe gestão do governo sobre o que é capturado nos mares e nas lagoas costeiras. “O governo não faz a parte dele, enquanto o esforço de pesca é cada vez maior”, critica.

Como o país utiliza a mesma legislação de 20 anos atrás, enquanto cada vez se gasta mais para produzir menos, sem tempo para recomposição dos cardumes, Schwingel reforça o alerta dos pesquisadores Jorge Castello e Paulo Vieira, da Furg (Fundação Universitária de Rio Grande). “É preciso reduzir o esforço e o excesso de pesca, pelos artesanais e pela indústria”, diz.

Segundo Paulo Schwingel, apesar da maior capacidade da indústria pesqueira, a falta de controle sobre o segmento artesanal é mais grave. “Não se sabe quantos pescadores são, nem a quantidade de redes e embarcações envolvidas. Não há como controlar esta produção”, diz. A pesca amadora e de lazer não escapa da analise do oceanógrafo. Afinal, no litoral gaúcho ou de Santa Catarina muita gente tem tarrafa ou uma redinha em casa. “É uma forma de subsistência também sem controle”, diz.

Otimista, o professor espera para este ano a criação do Comitê Permanente de Gestão Pesqueira, que deverá elaborar a estatística da tainha. Sem aquela defasagem entre a quantidade declarada aos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente e ao Ministério de Comércio Exterior.

(Do ND - www.ndonline.com.br)

OUTONO AO VIVO

Oito da manhã no Pântano do Sul

MATADORES DE PEIXE


sábado, 4 de maio de 2013

LÁ NO FUNDO...

Foto Divulgação
Pesquisador da Univali mergulha a 1,2 mil metros de profundidade
José Angel Alvarez Perez usou submersível tripulado para explorar a região do Jardim dos Corais

Em alto mar desde o dia 13 de abril, chegou a vez do professor e pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), José Angel Alvarez Perez fazer o primeiro mergulho pela expedição Iata-Piuna. O feito ocorreu às 8 horas (horário brasileiro) de terça-feira.

A  bordo do submersível Shinkai 6.500, Perez participou da primeira exploração da Elevação do Rio Grande, uma montanha no fundo do Atlântico Sul, na altura do Estado do Rio de Janeiro, com profundidade entre 1 mil e 4 mil metros. O professor de Itajaí explorou o chamado Jardim dos Corais devido à expectativa que havia de se encontrar concentrações de corais de águas profundas nessa área.

Duas horas depois da partida, o submersível tocou o fundo do cânion, a 1,2 mil metros de profundidade e numa temperatura ambiente de 3,2ºC.

Durante o mergulho foram coletados amostras de água e sedimentos. Cumprida a primeira missão, o Shinkai realizou a subida pela encosta do cânion onde paredes rochosas, quase verticais, recobertas por corais reluzentes, se elevam formando grandes precipícios. O espaço, habitat de muitas outras espécies, forma um verdadeiro jardim sustentado pela corrente que traz alimento para todas as formas de vida.

— A riqueza de vida desse ambiente é, realmente, inacreditável. Nossa expectativa é que o estudo do que pudemos observar e a análise das amostras possam revelar mais sobre a diversidade e sobre como a vida é possível no topo dessa grande montanha submersa do Atlântico Sul — relata José Angel.

O professor e pesquisador da Univali, André Oliveira de Souza Lima também participa da expedição, mas ainda não mergulhou. A Iata-Piuna também tem um diário de bordo na internet onde pode ser conferido todo o trabalho feito em alto mar pelos pesquisadores.

No endereço são postadas atualizações diárias do grupo que realiza a primeira exploração da margem continental brasileira e oceano adjacente utilizando um submersível tripulado. Além disso, na página, também está disponível, no link coordenadas, um sistema que permite o monitoramento do deslocamento do navio japonês Yokosuka, responsável pelo transporte do grupo.

A expedição

A expedição continua até dia 27. Durante o trabalho o grupo da Univali realiza estudos biológicos e geológicos de mar profundo na Bacia de Santos, Elevação do Rio Grande e Dorsal de São Paulo. A iniciativa é a primeira exploração da margem continental brasileira utilizando um submersível tripulado, o Shinkai 6.500.

Atualmente, este é um dos poucos equipamentos, no mundo, capaz de levar até três tripulantes 6 mil metros abaixo da superfície do oceano, produzir imagens em alta resolução das áreas pesquisadas, além de coletar, por meio de braços robotizados, organismos de diferentes tamanhos e amostras de água e solo marinho.

Os resultados obtidos vão alimentar o conjunto de informações já publicadas pelo grupo da Univali na área do projeto Mar-Eco Atlântico Sul, que têm atividades apoiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

O projeto fortalece, ainda, o grupo de pesquisa estabelecido como produto do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre os governos japonês e brasileiro em 1985 e ocorre por meio de Acordo de Implementação entre o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) e a Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology (Jamstec), coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores e sob a interveniência do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) e Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm).

(Do O SOL DIÁRIO - www.clicrbs.com.br)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

PARATYS PARA TODOS

 
Fotos Fernando Alexandre
 Os Paratys, que vêm na frente anunciando que as Tainhas já estão se aproximando, continuam chegando nas nossas praias. Ontem eles deram o ar de sua graça desde cedo no Pântano do Sul, jogando um pouco de ânimo na camaradagem que já está impaciente com a demora das Tainhas!
Pouco depois das 8 da manhã, inaugurando esta esplêndida quinta- feira outonal de muito sol, Capitão Aldemir cerca e arrasta nada menos que 5 mil peixes!
No começo da tarde, com o outono quase se transformando em verão, de novo o experiente capitão volta a cercar uma grande manta!
Desta vez não teve a mesma sorte: um dos remos da batera quebrou e o cerco foi totalmente prejudicado, trazendo para a praia pouco mais de 50 peixes.
Mas a camaradagem continua esperando!


Esperando que mais Paratys e Tainhotas apareçam amanhã e que o Ministério do Meio-Ambiente libere a pesca das tainhas antes do dia 15!

AO VIVO! E COM CORES...

Pântano do Sul - 8 horas da manhã: sem carros, praia é das gaivotas e dos pescadores!

MINISTÉRIOS DISCORDAM! PESCADORES ESPERAM...

Foto Fernando Alexandre
Desencontro entre ministérios divide os pescadores, que esperam pelas tainhas
Pastas do Meio Ambiente e da Pesca não se entendem, deixando as canoas à beira-mar

por  Maurício Frighetto

O desencontro de informações sobre a antecipação da pesca artesanal da tainha gerou duas situações: alguns pescadores vão esperar a data oficial, dia 15, enquanto outros estão com as canoas à beira-mar, preparadas para a chegada das tainhas. “Só faltou o peixe”, disse Lenoir de Souza, o Lenon, 33 anos, da praia de Itapirubá, em Imbituba.

Segundo Lenoir, as canoas Cláudia Odete e Luana estão à beira do mar. Perto delas, 40 homens esperam pelos cardumes. Só falta o vento sul para trazê-las para a costa de Santa Catarina. Mas o superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura em Santa Catarina, Horst Doering, não recomenda a pesca. Disse que, embora o entendimento da sua pasta seja pela antecipação da data para a pesca artesanal com a rede de arrasto, faltou a anuência do Ministério do Meio Ambiente.

Mas o ofício 265/2013, enviado pelo ministro da Pesca Marcelo Crivella ao governador Raimundo Colombo diz outra coisa. Ressaltando que a pesca da tainha é patrimônio cultural, Crivella solicitou que o Estado informasse aos órgãos de fiscalização que a pesca artesanal estaria liberada a partir de quarta-feira (1º/5). 

No Campeche, durante a cerimônia simbólica que abre a safra da tainha, o discurso foi outro. “O ordenamento da pesca, como ela deve ser feita e quando, é compartilhado pelos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente. O ministro Marcelo Crivella fez um aviso ministerial à ministra Izabella Teixeira [do Meio Ambiente] mostrando nossa posição, mas até agora não houve resposta. Então a pesca não está liberada”, declarou Horst. 

O presidente da Federação dos Pescadores de Santa Catarina, Ivo Silva, diz que está que nem marisco, “entre a pedra e o mar”. “Eu queria que fosse antecipada, mas não foi. O que vale é a normativa 171 do Ibama. E a data da liberação é 15 de maio. Essa celeuma vai colocar pescador contra pescador, pescador contra fiscalização”, declarou.

E QUE VENHAM AS "SAGRADAS"!

Foto Guto Kuertem/Agência RBS
 Pescadores do Sul da Ilha cumprem tradição de cem anos com missa de abertura da safra da tainha
Comunidade do Campeche também fez procissão pela praia à espera do pescado

Com pouca chance, mas com muita fé, pescadores de Florianópolis marcaram a abertura da temporada de pesca artesanal da tainha com a tradicional missa no Campeche, Sul da Ilha, na manhã desta quarta-feira, feriado do Dia do Trabalhador.

Como acontece há cerca de 100 anos, a comunidade participou de café da manhã comunitário, depois seguiu em uma procissão pela Avenida Pequeno Príncipe em direção ao Rancho da Canoa, onde a safra foi abençoada com uma missa.

A queda dos números da safra da tainha nos últimos cinco anos é uma preocupação recorrente dos pescadores e neste ano não será diferente. A pesca começa oficialmente no dia 15 de maio e se estende até 31 de julho.

Os pescadores rezaram pela chegada do frio que precisa vir na primeira lua minguante de maio para que as tainhas saiam da Lagoa dos Patos e passem ao lado da Ilha de Santa Catarina em junho. Ali os pescadores colocam suas redes a postos e conseguem sustento por alguns meses.

A possível safra ruim das tainhas é tratada com um conformismo triste. O pescador Dinalto Santos Junior explica o porquê.

— Não foi a toa que Jesus escolheu pescadores para serem apóstolos: ô bicho de fé — diz, emendando que, quem tem barcos grandes, agora aposta também em outras temporadas, como a da lula (no verão) e a da anchova (na primavera).

(Do DIÁRIO CATARINENSE - www.clicrbs.com.br)




FALSO CAMARÃO

Foto Celso Martins / www.daquinarede.com.br
Crustáceos semelhantes a camarões são encontrados mortos em balneários de SC
Desde segunda-feira, milhares de animais foram vistos em quatro praias da Capital e em Itapema

Eles medem cerca de três centímetros e pesam menos que um moeda de um real. Parecem camarões, mas não são. Os Peisos Petrunkevitchi são crustáceos com aparência extremamente similar ao camarão e nesta semana chamaram a atenção de moradores das praias de Canasvieiras, Jurerê, Sambaqui e Armação, em Florianópolis, e também na Meia Praia, em Itapema. 
Uma mancha deles foi vista morta nas faixas de areia, como ocorreu no Chile, em março, porém em maior quantidade. Segundo especialistas, por enquanto, não há com que se preocupar. A mortalidade seria um fenômeno natural causada por correntes marítimas.

No início desta semana técnicos da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina ( Fatma) colheram amostras dos crustáceos e da água onde foram vistos. O material foi encaminhado para pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que constataram a espécie e a causa provável da morte. 

De acordo com a professora de ecologia e zoologia, Andrea Freire, que analisou o material, os animais tinham aparência normal, sem alterações morfológicas, o que indica um encalhe natural do crustáceo devido ao vento forte que veio do Norte, confirmado pela central de meteorologia Epagri/Ciram.

A hipótese de contaminação da água ou ainda um arrastão foi descartada pelo técnico da Fatma Haroldo Tavares por causa da presença de apenas uma espécie morta.
— Se fosse poluição, por exemplo, teríamos a presença de outras espécies na areia e não apenas uma — informou.

Mortalidade é frequente desde 2011

A ocorrência, segundo o pesquisador e professor do Centro de Estudos Pesqueiros da Univali, Paulo Ricardo Shwingel, tem sido frequente desde 2011. As manchas destes crustáceos em faixas de areia podem ocorrer desde Laguna até o Rio de Janeiro e ainda não indicam dano ambiental.

— Há dois anos, por conta de um aquecimento das águas, esta espécie está aumentando e de acordo com nossos monitoramentos eles vieram junto às redes de pesca e acabaram morrendo por asfixia — explica.
De acordo com o especialista, somente em uma coleta de cinco minutos apareceram mais de 60 mil deles e que apesar da abundância vista em faixa de areia, não deve faltar Peisos Petrunkevitchi para o meio ambiente.
— Eles não são voltados para o consumo humano em razão do pequeno tamanho, mas servem de alimento para muitos peixes e mesmo com a mortalidade, há uma infinidade deles no mar — conta.

Conheça o "clone" do camarão

Peisos petrunkevitchi

- crustácio com aparência similar aos camarões que vivem na meia água (não ao fundo do mar) nadando em cardumes, em locais com até 50 metros de profundidade;
- é uma espécie costeira que tem como habitat a costa da Argentina, Uruguai, Sul e Sudeste do Brasil;
- não vive no fundo como os camarões rosa, branco, ferrinho, sete barbas e outros pescados comercialmente;
- serve de alimento para os peixes como pampo, espada, entre outros;
- gostam de águas quentes;
- podem ser consumidos como os camarões.

(Do DIÁRIO CATARINENSE - www.clicrbs.com.br)


quarta-feira, 1 de maio de 2013

À ESPERA DA TAINHA


Foto Fernando Alexandre

Foto Andrea Ramos
Antecipação da temporada de pesca de tainha é aguardada no litoral catarinense


Ministério do Meio Ambiente não se posicionou sobre pedido de liberação 15 dias antes da abertura oficial da safra 2013 para redes de arrasto e canoas a remo


por Aline Rebequi

As malhas de pesca já estão prontas no litoral catarinense para receber a tainha. E os pescadores artesanais esperam duas boas notícias: uma da natureza, outra dos gabinetes do governo. Da natureza, os homens do mar aguardam que o frio traga uma boa safra. Do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, contam com uma possível antecipação em 15 dias da temporada do pescado só para redes de arrasto e canoas a remo. 

Era para valer a partir desta quarta-feira, mas a recomendação dada em abril pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, a favor dos trabalhadores da beira das praias catarinenses, ainda não contou com o amparo da pasta do Meio Ambiente. A assessoria de imprensa do ministério comunicou que, por enquanto, o que vale é que as redes só poderão ser lançadas ao mar no dia 15 de maio, abertura oficial da temporada da tainha. Cerca de seis mil pescadores esperam pela mudança da data.

O fim do defeso duas semanas antes serviria para beneficiar 600 embarcações como botes de até nove metros, a serviço dos pescadores artesanais de SC. Eles podem cercar a tainha somente até 800 metros da costa. A pesca industrial faz a captura a mais de cinco quilômetros. Com a espera pelo posicionamento do ministério, segue a instrução normativa 171/2008 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que permite a pesca somente de 15 de maio a 31 de julho.

Federação diz que data igual evita conflitos

Para o presidente da Federação Catarinense dos Pescadores, Ivo Silva, a medida poderia até beneficiar os pescadores de praia, mas também causaria conflito com donos de barcos de mais de nove metros, como as traineiras.

— Muita gente iria se sentir no direito de se antecipar também. Por isso, já que é assim, igual para todos, nosso conselho é que ninguém se arrisque antes da data e descumpra a norma, porque vai cair na fiscalização — alertou Silva.

O presidente da federação calcula que mais de 10 mil pessoas estão diretamente ligadas à pesca artesanal no Estado, além do setor industrial, que conta com 54 empresas e 60 barcos licenciados. A expectativa é de aumento da safra em 40%. 

Surfistas também pedem liberação

Outro ponto de discussão, as praias liberadas para a pesca e o surfe, será levado ao Ministério Público. No dia 7 de maio, pescadores e surfistas devem se reunir na sede do Ministério Público Estadual, na tentativa de entrar em acordo quanto à restrição das praias para a prática do esporte durante a temporada da tainha. No último mês, já houve tentativa de acordo para a liberação das praias da Lagoinha do Leste, Matadeiro, Morro das Pedras, Moçambique, Santinho, Ingleses e Praia Brava, porém, sem aceitação.

(Do DIÁRIO CATARINENSE - www.clicrbs.com.br)

CELEBRANDO AS TAINHAS!

Foto Andrea Ramos
Festa no Campeche, Sul da Ilha, celebra abertura da pesca artesanal da tainha
Comemorações terão café da manhã comunitário, procissão, missa campal e atrações culturais

por  Edinara Kley
O feriado do Dia do Trabalhador, nesta quarta-feira (1º/5) também marca a abertura da temporada de pesca artesanal da tainha que terá festa na praia do Campeche, Sul da Ilha. As festividades celebradas há mais de cem anos no litoral catarinense e há oito na Ilha começam cedo e se estendem por todo o dia.


Um café da manhã comunitário abre as comemorações. Em seguida está prevista uma procissão que sai às 9h45min da rótula da Avenida Pequeno Príncipe em direção ao Rancho da Canoa, onde a safra será abençoada com uma missa campal. Além das celebrações religiosas, haverá apresentação da banda Gente da Terra, dos alunos do projeto Rancho da Canoa, Dona Bilica, roda de capoeira, cabo de guerra e queima de fogos.





“Amanhã é dia de festa, dia de alegria e de ninguém ficar de cara feia”, destacou o pescador Getúlio Manoel Inácio, representante da Associação de Pesca Artesanal do Campeche, e idealizador do evento. Ele também é proprietário do Rancho de Canoa, local que sedia o encontro de pescadores e moradores da Ilha e de outras cidades que ainda mantém a pesca artesanal da tainha, como Garopaba e São Francisco do Sul. Se o tempo colaborar, ele espera reunir cerca de 2.000 pessoas na praia do Campeche.



O Rancho da Canoa é um tradicional rancho de pesca que foi adaptado para abrigar projetos culturais, entre eles o Cineclube Dona Chica, uma homenagem à mãe de Getúlio, Francisca Paulina Inácio.

terça-feira, 30 de abril de 2013

FISCALIZAÇÃO


Foto Marcos Porto / Agencia RBS
PF apreende 85 quilos de camarão entre Navegantes e Penha

Captura do camarão está proibida pelo defeso até 31 de maio

Policiais Federais da delegacia de Itajaí apreenderam 85 quilos de camarão sete barba nesta terça-feira. A apreensão ocorreu em alto mar, entre as cidades de Navegantes e Penha. A pesca do camarão está proibida, devido ao período de defeso, até 31 de maio.
Os camarões estavam em dois barcos que foram localizados na região conhecida como Ponta do Vigia. Redes de pesca e outros utensílios também foram apreendidos, bem como as duas embarcações.

Os proprietários foram encaminhados para a delegacia da PF, onde foram autuados em flagrante por crime ambiental. O Ibama ainda aplicará uma multa a cada um deles. O valor da multa varia de R$ 700 a R$ 100 mil, além de R$ 20 por quilo de camarão apreendido.

O pescado foi refrigerado e doado para a Apae de Navegantes, uma das 50 instituições cadastradas com no Ibama. Fiscal do Ibama, Márcio Burgonovo explica que a pesca do camarão é proibida de 1º de março até 31 de maio. Pescadores especializados podem pedir uma licença especial para a pesca de outro pescado nesse período ou ainda optar por receber o seguro defeso.

— Vamos verificar se eles já foram autuados outras vezes. Em caso de reincidência a multa triplica — diz.

Desde quinta-feira da semana passada, a Polícia federal intensificou a fiscalização de embarcações em toda a região. A operação, que visa impedir crimes ambientais e verificar a situação dos barcos, conta com seis embarcações. A apreensão desta quinta-feira ocorreu porque equipes estavam na água desde 5h.

(Do O SOL DIÁRIO -www.osoldiario.clicrbs.com.br)


segunda-feira, 29 de abril de 2013

PARATY PARA TODOS!

Fotos Fernando Alexandre

 Logo que o vento sul começou a soprar com maior intensidade no começo da tarde, Mestre Aldemir e sua camaradagem cercaram um dos primeiros "lanços" de Paratys desta temporada.
Os Paratys e Tainhotas costumam encostar na praia antes dos grandes cardumes de Tainhas chegarem!
 O peixe foi dividido entre todos que participaram do cerco!

domingo, 28 de abril de 2013

SAFRA ANTECIPADA

Foto Débora Klempous/ND
Pescadores de Laguna retiram tainhas da Lagoa Santo Antônio
 Pescadores esperam portaria ministerial para antecipar safra artesanal da tainha em 15 dias

Antecipação do fim do defeso é reivindicação das colônias de pescadores do Sul do Estado, mas federação teme mais conflitos na temporada

 por Edson Rosa

A antecipação da temporada da tainha, apenas para redes de arrasto com canoas a remo, deve ser confirmada até quarta-feira. Quem garante é o superintendente do Ministério da Pesca em Santa Catarina, Horst Broering, 47 anos. O fim do defeso em 1º de maio, no entanto, não beneficiará outras modalidades de pesca utilizadas no litoral catarinense, como redes de cabo e caças de malha. Para estes, segue valendo 15 de maio, data determinada pela portaria 171/2008 do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que permite a pesca oceânica da espécie até 30 de julho.
No setor industrial, 60 barcos de empresas catarinenses serão licenciados para a safra deste ano – mesmo número de licenças emitidas nos últimos cinco anos. A partir de 15 de maio, a frota poderá pescar em todo o litoral brasileiro, da saída da boca da barra entre Rio Grande e São José do Norte, no Rio Grande do Sul, ao Espírito Santo. O limite estabelecido pela portaria 171 é de cinco milhas da costa, o que corresponde a 5.160 metros.

Segundo Broering, o ministro Marcelo Crivella, da Pesca e Aquicultura, já deu parecer favorável ao fim do defeso para a pesca tradicional a remo, e encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente. “Trata-se de gestão compartilhada entre os dois ministérios. Então, a questão deve ficar esclarecida em mais dois ou três dias”, garantiu o superintendente da Pesca em Santa Catarina.

Questionado pelas associações do Sul do Estado, o presidente da Federação Catarinense dos Pescadores, Ivo Silva, diz que a medida faz justiça aos pescadores de praia, mas está preocupado com a reação dos demais. “O pessoal que pesca com caça de malha não vai querer esperar mais 15 dias, e vai se sentir no direito de antecipar também. Vai dar mais conflito”, prevê. Silva alerta, também, que a antecipação deve ser oficializada por portaria ministerial, para evitar confrontos com a fiscalização. “Os pescadores não devem se aventurar e cercar, se não houver garantia legal”, diz.

A Federação, que integra o GTT (Grupo Técnico da Tainha), junto com Ibama, ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade), Univali e ministérios da Pesca e do Meio Ambiente,  propõe outras mudanças na instrução normativa da tainha. Sugere, por exemplo, que o limite da frota industrial passe de cinco milhas para 10 milhas náuticas, e que a pesca seja proibida de novembro a maio no estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.

No Sul do Estado, as redes de arrasto estão prontas para cercar. Segundo pescadores das praias de Itapirubá Norte, em Laguna, e do Silveira, em Garopaba, os cardumes já estão passando para o Norte. Na semana passada, por exemplo, uma das redes de parati dos irmãos Anastácio, 82, e Vergínio Silveira, 72, arrastou cerva de mil tainha, quase todas com ovas.

“É triste ver o peixe passar, e não poder cercar. Daqui a pouco, quando liberarem para as canoas a remo, os maiores cardumes já estarão longe”, teme. Silveira é neto dos pioneiros na pesca de arrastão em Garopaba. A expectativa dos pescadores catarinenses é que a temperatura caia e faça vento sul nos próximos dias, para os cardumes continuarem subindo o litoral em busca de águas quentes para desovar. “Se não esfriar, ela desova lá embaixo mesmo, e poucas farão o curso”, prevê o pescador.


(Do  ND - www.ndonline.com.br)