sábado, 27 de janeiro de 2018

NA COSTA DE DENTRO

Água do bairro é captada e tratada pelos moradores - Daniel Queiroz/ND

Projeto vai diagnosticar o saneamento básico da Costa de Dentro, em Florianópolis

Sem rede coletora de esgoto, a localidade foi contemplada com o projeto Escola de Verão, da Acesa 

MICHAEL GONÇALVES, FLORIANÓPOLIS 

Pequena no tamanho, mas grande na consciência do desenvolvimento sustentável. Essa é a comunidade da Costa de Dentro, no Extremo Sul da Ilha de Santa Catarina, onde 184 famílias fazem a gestão da água captada no lençol freático. Sem rede coletora e muito menos uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), a localidade foi contemplada com o projeto Escola de Verão, da Acesa (Associação Catarinense dos Engenheiros Sanitaristas e Ambientais), que tem o objetivo de diagnosticar o saneamento básico e desenvolver ações sustentáveis.

O funcionário público aposentado Eugênio Luiz Gonçalves, 58 anos, um dos integrantes do Coden (Conselho Comunitário da Costa de Dentro), pretende despertar a consciência ecológica entre os moradores. “Temos uma água de qualidade e queremos alternativas para que o nosso sistema sanitário não polua o lençol freático e nem a praia. O Coden faz a gestão da água com a desinfecção com cloro e cobra mensalmente R$ 30 por 15 m³. Em função disso, o Coden tem R$ 94 mil em caixa”, comentou.

A presidente da Acesa, engenheira sanitarista Thaianna Cardoso, informou que a maioria das 500 casas na comunidade tem tanque séptico e/ou sumidouro. O problema é que o lençol freático na região é “alto” e poderá ser contaminado. Em função disso, oito alunos universitários e dois professores (da Udesc, UFSC e UFCG – Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba) estão conhecendo a região e desenvolvendo soluções.

Thaianna informou que a comunidade escolheu quatro temas que serão desenvolvidos em conjunto. “A Escola de Verão contribui para a formação acadêmica com oficinas práticas por meio do mapeamento e do diagnóstico da situação do saneamento básico da Costa de Dentro. Com a produção do relatório queremos despertar a consciência dos moradores e encaminhar sugestões de melhorias ao poder público”, disse. O projeto começou no dia 17 e segue até a próxima terça-feira (30) na Escola Desdobrada da Costa de Dentro.

Estudantes aproveitam para colocar em prática a teoria

O estudante Rodrigo Porto Santos, 21 anos, do curso de engenharia sanitária da Udesc de Ibirama, também está ampliando os conhecimentos nas oficinas e aulas práticas. O aluno da 8ª fase contou integrantes do projeto também coletaram lixo sólido na praia. “Já tinha estudado sobre compostagem, mas o tema ainda não estava claro na minha cabeça. A didática utilizada por um professor, que demonstrou as camadas de uma composteira, facilitou o aprendizado”, informou.

Os alunos estão abrigados na unidade escolar e recebem a alimentação do Coden. Normalmente, eles têm atividades nos três turnos e a comunidade também participa dos eventos noturnos. A estudante Mônica Fernandes, 25, explicou que o objetivo é proporcionar economia à comunidade. “Com a compostagem dos resíduos orgânicos, os moradores poderão aproveitar o produto final em pequenas hortas e, assim, evitam a poluição e a destruição da natureza”, disse.

O projeto escola de verão é realizado por integrantes da Associação Catarinense dos Engenheiros Sanitaristas e Ambientais - Daniel Queiroz/ND

Prefeitura reconhece possibilidade de implantação de sistemas sanitários alternativos

Para o superintendente de Saneamento e Habitação de Florianópolis, engenheiro Lucas Arruda, legalmente apenas a Casan pode explorar o sistema de abastecimento de água no município. Tecnicamente, o engenheiro lembrou que é viável a gestão do fornecimento, mas alguns cuidados devem ser observados. “Mais de 100 pequenas comunidades fazem a gestão da água em Florianópolis. A maior delas é Jurerê Internacional. Existe uma comissão na prefeitura que estuda essa situação pela preocupação com a qualidade da água, além de critérios administrativos e de protocolo”, afirmou.

Em relação às ações de saneamento básico, Arruda acredita que é viável a implantação de sistemas sanitários alternativos. “A Costa de Dentro é uma comunidade com pequena densidade demográfica em uma grande área e uma rede de coleta não compensaria o investimento. Assim, estamos desenvolvendo ações para um sistema alternativo com filtros, banheiros secos, além de outras propostas. Hoje, a prefeitura reconhece que sistemas sanitários alternativos podem ser bem aplicados, desde que a sua viabilidade seja comprovada tecnicamente”, ressaltou.

Os temas escolhidos pela comunidade

- Levantamento das nascentes, indo aos locais após a identificação pelo geoprocessamento
- Elaboração de um termo de referência para o saneamento descentralizado, que também é conhecido como ecológico, porque atua com filtros de raízes, de areia ou círculos de bananeiras
- Módulo de compostagem comunitária, no estilo da revolução dos baldinhos
- Mapeamento dos problemas de drenagens.

(Do https://ndonline.com.br/)


LÁ & CÁ - MAR DE PESCADORES


Deserto Verde - os monocultivos de eucalipto - controlado pela Fibria S.A ameaça sobrevivência de pescadores tradicionais da região Sul da Bahia, que são criminalizados por defender seus direitos territoriais e a RESEX Cassurubá. 
Confira reportagem: https://goo.gl/EXLzwf

MAR DE MERDA

Apenas 43,7% dos pontos analisados pela Fatma estão próprios para banho
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Balneabilidade em SC volta a ter o pior resultado semanal das últimas cinco temporadas 

Por

O relatório de balneabilidade das praias divulgado nesta sexta-feira pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) trouxe mais uma notícia negativa para Santa Catarina. Apenas 43,7% dos pontos analisados estavam próprios para banho nesta semana, o que representa 94 de um total de 215. Com isso, o Estado tem, pela segunda semana seguida, o seu pior resultado das últimas cinco temporadas. O último relatório havia apontado 49,3% de pontos próprios.

A situação é especialmente crítica em Florianópolis. Na Capital, apenas 36% dos locais, ou 27 de 75, tinham condições para banho. No Norte da Ilha, as praias de Canasvieiras, Pontas das Canas e Cachoeira do Bom Jesus estavam com todos os pontos impróprios. Em Jurerê, apenas um ponto de seis analisados tinha boas condições. Na parte internacional, os dois pontos não estavam próprios. Outra praia bastante conhecida, Ingleses tem um ponto próprio para banho (no canto esquerdo da praia) e seis sem balneabilidade.

Em Balneário Camboriú, nove dos dez pontos localizados entre a Barra Norte e Barra Sul, incluindo a praia Central, estavam impróprios. Na região de Itapema e Porto Belo, eram 12 pontos impróprios de 14. No mapa abaixo, você pode ver a condição de todos os 215 analisados pela Fatma.

Para o gerente de balneabilidade da Fatma, Oscar Vasquez Filho, este provavelmente deve ser o relatório com mais pontos impróprios de toda a temporada de verão. Ele lembra que as últimas semanas foram extremamente chuvosas no litoral catarinense, embora a chuva, por si só, não devesse ser um fator que leva à falta de balneabilidade.

— Não podemos culpar a chuva. Ela apenas conduz as matérias inadequadas para o mar. O principal problema são as pessoas que insistem em não fazer o tratamento de maneira correta. É preciso aumentar a fiscalização, a nossa capacidade de tratamento e o nosso sistema de drenagem —diz Vasquez Filho.

A expectativa, agora, é que o tempo esteja mais seco em fevereiro, o que deve ajudar a melhorar os resultados. Além disso, conta Vasquez, o número de turistas no litoral será menor, diminuindo também a produção de dejetos:

— O que a chuva tinha de levar, ela já levou. A tendência é que os resultados melhorem nos próximos relatórios. Mas não há como negar que os resultados de janeiro foram muito ruins. Os piores desde a temporada de 2013/2014, quando assumi a gerência. 

Para o professor de biologia pesqueira Rodrigo de Freitas, da Unisul, o sistema catarinense de esgotamento sanitário não é preparado para receber um contingente tão grande de gente, como ocorre durante o verão. Com isso, todos os anos acabam acontecendo problemas no litoral.

— Em alguns anos, eles são mais leves. Em outros, mais graves — diz.

O professor conta ainda que os oceanos estão perdendo a capacidade de absorver tantos detritos, em especial material plástico. Isso faz com que surjam cada vez mais problemas ambientais e também econômicos, como nos setores pesqueiros, da maricultura e do próprio turismo. 

Diante desse quadro, ele diz que é necessário que o tema se torne prioritário para os governantes, mesmo não sendo popular. Como exemplo, Freitas cita obras de saneamento que ocorreram em Laguna e provocaram reações da população por conta de engarrafamentos.

Sobre conexões ilegais nas galerias pluviais, o acadêmico sugere aumento da fiscalização e a aplicação de multas mais pesadas:

— Detectar o problema e resolver é muito simples. A grande questão é o governo assumir isso como prioridade. 

Entenda como é feita a análise da Fatma

A Fatma segue as normas da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Dessa maneira, é levado em consideração o conjunto das últimas cinco análises. Para que um ponto seja considerado impróprio, duas dessas cinco análises precisam ter resultados negativos — com mais de 800 coliformes por 100 mililitros de água. Outra possibilidade de o ponto não estar banhável é se em apenas uma coleta forem localizados mais de 2 mil coliformes por 100 mililitros de água.
(Do http://dc.clicrbs.com.br/)

TAINHAS DE VERÃO


Em Laguna

(Via Silézio Sabino)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

MAR DE OLHARES


Tela de marek ruzyk

A ARMAÇÃO, AS BALEIAS E O TURISMO


PRAIA DA ARMAÇÃO



Antes do petróleo e do cimento, a iluminação e o concreto eram feitos usando óleo retirado da gordura, principalmente da baleia-franca. Aqui no sul da Ilha de Santa Catarina, a Praia da Armação, como o próprio nome sugere, foi um dos locais onde isto acontecia.

Quando finalmente a era da caça à baleia terminou, esta região viu-se a beira da ruína. Mas hoje prospera, explorando o turismo baseado em critérios de sustentabilidade.
Isto demonstra que sempre podemos abrir mão de um recurso econômico baseado na destruição e morte, pois em substituição, sempre haverá outro baseado na preservação da vida. Além disso, a geração de renda baseada em atividades sustentáveis é para sempre.

A principal atividade turistica baseia-se no manejo, fundamentado em capacidade de suporte, do transporte de visitantes para a Ilha do Campeche. É um exemplo a ser seguido em toda orla costeira, principalmente em ilhas.
Mas boa parte da população não está ainda sintonizada neste estilo e pratica verdadeiras atrocidades com os atributos naturais. Esperamos que a valorização de práticas sustentáveis e a repercussão de um estilo adequado de crescimento econômico, ajude a nortear o comportamento destas pessoas.

(Curta a página do INSTITUTO LARUS.)

FIM DAS REDES FANTASMA?



 Postado por Manuela Luiza

É comum a morte de animais marinhos devido a pesca fantasma, que nada mais é que o lixo derivado em grande parte da pesca que é perdido no mar e continua a pescar por enroscamento. Mamíferos , peixes e tartarugas são as vítimas mais comuns por se tratarem de alvos maiores, e , em alguns casos mais curiosos. Um estudante de engenharia de Barcelona pode ter encontrado uma solução inteligente para essa questão. Alejandro Plasencia criou um protótipo de uma rede de pesca biodegradável e rastreável.

O projeto se chama Remora, o nome é inspirado nos peixes rêmora, que se fixam em tubarões e tartarugas realizando uma verdadeira faxina nestes animais aocomerem parasitas e restos de sua alimentação. Este é o objetivo de Remora, limpeza dos oceanos. O projeto possui duas vertentes que juntas poderiam solucionar grande parte do problema de poluição derivada da pesca. O sistema de identificação por rádio freqüência e uma aplicativo disponível aos smartphones e tablets modernos, poderá ajudar os pescadores a encontrarem as suas redes espalhadas pelo mar, recuperando-as antes que se tornem "redes fantasma", o que geraria uma grande economia na cadeia produtiva e maior sustentabilidade do setor futuramente. O rastreamento funciona através de uma etiqueta plástica laranja e amarela, com o chip RFID integrado, que pode ser ligada às redes já existentes. O leitor, em combinação com a aplicação, permite aos pescadores detectar, recuperar e consertar as redes de forma mais eficiente, ou declará-las perdidas, informando às ONGs sobre a perda para a proteção da biodiversidade marinha. A segunda vertente é a rede biodegradável que é capaz de se desintegrar totalmente em quatro anos. A rede projetada por Plasencia além de ser biodegradável já possui os sensores de rastreio, que ajudam pescadores a localizá-la através do aplicativo, caso percam-na no mar. A inovação tem como objetivo não só a mitigação da pesca fantasma, mais também do acúmulo de toxinas no oceano, que formam a conhecida " sopa plástica".

O projeto Remora foi finalista no James Dyson Foundation Award.


(Do http://www.observasc.net.br/pesca/index.php/noticias/2014-10-10-18-59-45/1526-2015-02-09-22-30-00)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

NO DESPENQUE DO DROP

Arrastão – Quando o surfista durante a remada para o inside, não consegue ultrapassar a arrebentação e é arrastado com sua prancha pelas ondas. O mesmo que arrastada.
Arrebentação –
É à distância que vai da praia até onde quebram as ondas. O mesmo que inside ou zona de impacto.
Arrebentar – Ser o melhor, fazer determinada coisa com muito talento.
Arrega haoles –
São os surfistas locais que não são agressivos com os surfistas de fora, que dão arrego aos haoles.
Babar água salgada –
Expressão usada para dizer que uma pessoa ficou com inveja de determinada situação ou coisa acontecida no mar, que ficou babando, mas só que babando água salgada.
Bacalhau – Mulher feia, seca e salgada. O mesmo que fubanga.
Cabaço – Surfista iniciante. O mesmo que jojolão, vacilão ou prego.
Caballos de Tottora – Pequenas e rústicas embarcações feitas de junco utilizadas pelos peruanos para pescar e deslizar nas ondas. Provavelmente uma das mais primitivas das pranchas de surf. Também conhecidas como caballitos. 
D + - Demais.
Da casa –
Surfista que nasceu ou mora no lugar onde surfa. O mesmo que local.
Da Cat –
Apelido de Mickey Dora, um dos mais lendários surfistas das últimas décadas. Também chamado de Rei de Malibu nos anos 60 e 70, é considerado um dos mais inovadores em sua época. Colaborou em diversas revistas de surf e foi sempre um severo crítico dos mandos e desmandos do esporte. Irreverente, contraditório e polêmico, desprezava não só a indústria do surf, mas também toda a mídia. Morreu em 3 de janeiro de 2002, na Califórnia, aos 67 anos, de um câncer no pâncreas.

O lendário Mickey Dora, Rei de Malibu: irreverente, crítico e polêmico. Um inovador.

MAR DE PLÁSTICO


Até TV já foi encontrada nas praias brasileiras | Foto: Divulgação

Mais de 95% do lixo nas praias brasileiras é plástico, indica estudo

Evanildo da Silveira
De São Paulo para a BBC Brasil

Mais de 95% do lixo encontrado nas praias brasileiras é composto por itens feitos de plástico, como garrafas, copos descartáveis, canudos, cotonetes, embalagens de sorvete e redes de pesca.

Esta é uma das principais conclusões de um trabalho de monitoramento realizado desde 2012, em 12 delas, pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), em parceria com o Instituto Socioambiental dos Plásticos (Plastivida), uma associação que reúne entidades e empresas do setor.

As pesquisas sobre a questão do lixo no mar ainda são escassas e incipientes, tanto no Brasil como no exterior. Mas, em termos mundiais, sabe-se que os resíduos sólidos nos oceanos possuem diversas proveniências. 

Estima-se que 80% deles tenham origem terrestre. Entre as causas disso estão a gestão inadequada do lixo urbano e as atividades econômicas (indústria, comércio e serviços), portuárias e de turismo. A população também tem parte da responsabilidade pelo problema, devido principalmente à destinação incorreta de seus resíduos que, muitas vezes, são lançados deliberadamente na rua e nos rios, gerando a chamada poluição difusa.

Os 20% restantes têm origem nos próprios oceanos, gerados pelas atividades pesqueiras, mergulho recreativo, pesca submarina e turismo, como os cruzeiros, por exemplo.

No ranking dos países mais poluidores dos mares, o Brasil ocupa a 16ª posição, segundo estudo americano | Foto: Elisa Van Sluys Menck

No ranking dos países mais poluidores dos mares, o Brasil ocupa a 16ª posição, segundo um estudo realizado por pesquisadores americanos e divulgado em 2015.

Eles estimaram a quantidade de resíduos sólidos de origem terrestre que entram nos oceanos em países costeiros de todo o mundo. Aqui, todos os anos são lançados nas praias entre 70 mil e 190 mil toneladas de materiais plásticos descartados. 

Ainda de acordo com o mesmo levantamento, a China, a Indonésia e as Filipinas são as nações que mais jogam lixo nos oceanos, com até 3,5 milhões de toneladas de plásticos por ano. Esses três países também aparecem nos primeiros lugares de outro estudo, realizado pela ONG americana Ocean Conservancy. Ao lado da Tailândia e do Vietnã, são responsáveis pelo descarte de 60% dos resíduos plásticos encontrados nos mares do mundo.

Privada também foi encontrada na areia em uma das praias | Foto: Divulgação

Resultados

O IO-USP e Plastivida realizaram o levantamento no litoral brasileiro para conhecer em mais detalhes a situação do Brasil.

Ele foi feito em seis praias do Estado de São Paulo (Ubatumirim, Boraceia, Itaguaré, do Uma, Jureia e Ilha Comprida), três da Bahia (Taquari, Jauá e Imbassaí) e três de Alagoas (do Francês, Ipioca e do Toco). No total, foram realizadas seis coletas, inicialmente com intervalos de seis meses e depois de um ano.

"Dessas, as mais poluídas são Boraceia e Itaguaré, Praia do Francês e Taquari", conta o biólogo Alexander Turra, do IO-USP, coordenador do trabalho.

Ele explica que as coletas foram realizadas seguindo um protocolo estabelecido pelo programa das Nações Unidas para o meio ambiente (ONU Meio Ambiente).

"Primeiro, nós limpamos uma área de 500 metros da areia seca, onde a maré não alcança, e das dunas ou restinga, atrás da praia", diz. "Depois, voltamos ao local de seis em seis em seis meses para recolher, identificar e quantificar o lixo nos 100 metros centrais dessa área."

O monitoramento constatou que, em São Paulo, o maior volume se acumula nas dunas ou restingas e é proveniente das atividades de pesca. No Nordeste, o grosso do material é encontrado na areia seca e vem do turismo.

A história que levou à assinatura do convênio entre o IO-USP e a Plastivida começou em 2011, quando foi criado o Compromisso de Honolulu, para discutir a questão de resíduos nos mares em nível global.

Dirigido a governos, indústrias, organizações não governamentais e demais interessados, o documento tem como objetivo servir como instrumento de gestão para a redução da entrada de lixo nos oceanos e praias, bem como retirar o que já existe.
Levantamento foi feito em seis praias paulistas, três baianas e três alagoanas | Foto: Elisa Van Sluys Menck

Como consequência desse documento, no mesmo ano, foi assinada a Declaração Global Conjunta da Indústria dos Plásticos, da qual a Plastivida é signatária. Foi para implementar aqui esse compromisso mundial que a associação, como uma das entidades representantes da cadeia produtiva dos plásticos no país, e o IO-USP assinaram o convênio em 2012. A meta é se capacitar e desenvolver estudos científicos para embasar as discussões sobre o tema no Brasil.

Desde então, além do levantamento do resíduos nas praias, a parceria resultou em vários outros trabalhos. "O convênio é um arranjo inovador, que junta a universidade com a iniciativa privada para resolver questões importantes para a sociedade", diz Turra. "Ele visa entender o problema, ver onde ele é mais crítico e verificar se as medidas para combater o lixo no mar estão surtindo efeito."

Além disso, foi criado o Fórum Setorial dos Plásticos Online - Por Um Mar Limpo, para ampliar os debates sobre os caminhos e as alternativas de mitigação para o problema dos resíduos nas praias e nos oceanos.

Trata-se de uma plataforma online, que reúne todas as informações e o conhecimento obtidos desde 2012, além das propostas de educação ambiental, prevenção, coleta e reciclagem. Desse Fórum resultou a Declaração de Intenções, um documento que estabelece os compromissos da cadeia produtiva dos plásticos no Brasil sobre o tema.

Combatendo o problema

Os participantes do Fórum pretendem pesquisar alternativas para que o setor industrial e a população possam combater o lixo no mar.

"O Instituto Oceanográfico é um moderador desse diálogo", diz Turra. "Nós auxiliamos as empresas a canalizarem as informações científicas corretas e a realizar as melhores ações concretas possíveis."

De acordo com ele, os principais objetivos do IO-USP nesses projetos são a educação ambiental em relação ao consumo consciente e à destinação correta do material descartado. A ideia é que, bem informadas sobre o tema, as pessoas possam ajudar a manter os oceanos e as praias limpas.

Segundo o presidente da Plastivida, Miguel Bahiense, o conhecimento gerado durante os anos de existência da parceria é de que se trata de um problema que só será resolvido em conjunto pelos vários setores relacionados ao problema.

"Estamos realizando um trabalho de educação, informação e coordenação de ações como campanhas de descarte adequado, conscientização, entre outras, que vão demandar o envolvimento compartilhado de toda a sociedade - poder público, indústria de diversos setores, varejo e a população de forma geral -, para o mesmo fim, que é a preservação dos oceanos e do meio ambiente", diz.
Pesquisador defende trabalho conjunto entre vários setores para combater o problema | Foto: Lab Manejo

"Todo o estudo reunido nos fez entender que a questão do lixo nos mares vai além dos municípios costeiros", avalia Turra.
"Ela envolve todas as cidades, Estados, a gestão dos resíduos sólidos, o saneamento básico, a educação ambiental e toda uma cultura social que deve ser estruturada. Acreditamos que o Fórum será um marco transformador da sociedade, por envolver diferentes setores na busca do desenvolvimento sustentável."

(Da  ttp://www.bbc.com/)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

NO PARANÁ

Veranistas em praia de Pontal do Sul. Ao fundo Terminal da Techint, cenário que poderá ser ainda pior com a viabilização do Porto de Pontal. Foto: Daiana Lopes

Não se deixe enganar: uma bomba relógio foi lançada sobre o litoral paranaense

Estrada que ligará a PR 407 à Pontal do Sul abre caminho para um Complexo industrial e portuário, que destruirá comunidades, áreas de preservação ambiental e põe em risco o segundo mais importante ponto turístico do estado: a Ilha do Mel.

O governo do estado na última semana anunciou uma série de obras visando melhorias para o litoral paranaense: obras de saneamento em Matinhos e Pontal do Paraná – há muito tempo adiadas – e uma série de ações de mobilidade para “garantir melhor fluidez ao tráfego, que beneficiarão motoristas, ciclistas e pedestres, tanto das cidades com praia quanto da área portuária”, segundo o secretário José Richa Filho.

A declaração do secretário deixa evidente interesses maiores que estão por dentro do anúncio das obras: criar uma agenda positiva de ações no litoral para dissimular interesses empresariais, que representam riscos evidentes ao desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável de Pontal do Paraná – e, por consequência, do litoral do estado como um todo.

Além da construção de um binário de acesso à Pontal do Paraná, foram anunciadas as seguintes obras: Ponte, calçadas e ciclovia em Guaratuba, duplicação da AV JK em Matinhos, acostamentos em Pontal do Paraná, novo viaduto e reforma da Avenida Bento Rocha em Paranaguá – e ali em meio a essas “adequações” que parecem muito bem vindas, está o mega projeto de construção da chamada Faixa de Infraestrutura – um corredor rodoviário, de cerca de 20 km de extensão, que ligará a PR 407 (ligação da BR 277 à Praia de Leste) à zona portuária de Pontal. O edital para licitação da obra deve ser lançado em breve.

Quem ganha com isso?

Um processo de desinformação está claramente sendo desenhado pelo governo do estado para maquiar os verdadeiros beneficiários da obra pública. A história vendida a comerciantes e prefeitos do litoral, e que custará ao estado cerca de R$ 370 milhões, é que a estrada irá beneficiar o turismo e o comércio da região. E foi assim, sob um trâmite questionável e opressivo, amparado por dezenas de comerciantes com camisetas “Estrada Já”, que o Conselho do Litoral (Colit) aprovou o licenciamento prévio da obra em dezembro, mesmo com todas ressalvas apontadas por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e os questionamentos de organizações ambientais que compõem o Conselho. 

“É evidente que tal estrada não trará benefício a moradores e turistas da região, uma vez que se tratará de estrada de pista simples, para atender ao grande fluxo de veículos que será gerado pelo Complexo Industrial e Portuário. Projeto que incluirá um terminal de óleo e gás e uma termelétrica, no entorno do terminal já existente da Techint”, alerta Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas da 350.org Brasil.

Para alguns poucos comerciantes e moradores de Pontal, que não se deixaram enganar, está claro que a estrada não trará benefícios aos moradores, comerciantes e turistas e atenderá apenas ao porto. “Uma solução séria, que vise nos beneficiar passa pela melhoria de estruturas urbanas já existentes, criar melhores vias internas. Esta estrada a quilômetros daqui, passando por cima da Mata Atlântica, não ajudará aos moradores, que circulam muito entre os balneários”, defende Evelyn Krelling, comerciante de Pontal do sul.

Para a servidora pública Silvana Borges que percorre diariamente a PR 412 e conhece bem os congestionamentos em períodos de temporada, para ir de sua casa em Praia de Leste até o trabalho em Pontal do Sul, a solução para o problema seria bem diferente. “Se eu quero uma nova estrada? Sim, com certeza eu quero. Mas sonho com algo diferente, penso numa orla bem feita, uma acessibilidade garantida de Praia de Leste a Pontal do Sul e não ter de enfrentar uma rodovia com maior percurso e cheia de caminhões”, defende.
PR 412 que liga Praia de Leste à Ponta. A falsa justificativa para construção da nova estrada é desafogar o trânsito entre balneários. Foto: Daiana Lopes

É bem pior do que você pensa

A faixa de infraestrutura terá 175 metros de largura e, embora o governo anuncie num primeiro momento a construção de uma estrada de faixa simples e de um canal de drenagem, o projeto completo inclui a construção de um gasoduto, uma ferrovia e uma linha de transmissão – mais uma evidência de que o projeto visa atender unicamente a interesses do futuro Complexo Portuário. Conforme protocolo de intenções assinado entre Copel, Governo do Estado e a Shell, o projeto prevê a instalação de uma termelétrica a gás, e de um terminal de gás no porto. A empresa Compagás cita, inclusive, em seu Relatório Anual de 2016, no parágrafo “Perspectivas para 2017”, o investimento de aproximadamente R$ 1 milhão para estudos de viabilização do terminal.

“Estamos falando de uma das formas mais retrógradas e caras de produção de energia, que gera poluição atmosférica, consumo excessivo de água e que terá impacto direto sobre o bioma marinho, uma vez que a água utilizada para resfriamento de turbinas será despejada em alta temperatura sobre o mar. E o que dizer sobre um terminal de gás operando em meio a áreas de preservação ambiental? Qualquer acidente pode representar o fim da diversidade e da vocação natural da região”, alerta Nicole Figueiredo de Olivera, diretora da 350.org Brasil.

O projeto irá concluir o processo de violência e expulsão de comunidades tradicionais pesqueiras que ocupam há mais de séculos áreas do entorno – como a Comunidade do Maciel – e acabará com a pesca artesanal, responsável hoje pelo sustento de quase 100 famílias de Pontal do Sul e proximidades. Famílias que hoje ainda vivem nessas comunidades relatam ameaças e pressões diversas para que saiam do local por parte do grupo que planeja o porto. Todas as atividades acontecendo à beira de uma das preciosidades naturais do Paraná, a Ilha do Mel.

Enfim, não haverá porto, termelétrica e terminal de gás sem a polêmica estrada, que é condição para viabilização dos projetos. Estrada esta, que só ela, derrubará 500 hectares de Mata Atlântica preservada, afetará aldeias indígenas da região e um patrimônio natural e histórico de milhares de anos: os únicos sambaquis ainda existentes no estado.

É este o desenvolvimento que queremos para nosso litoral?

Saiba mais sobre os projetos, acompanhado as redes da 350.org Brasil. Junte-se a nós neste movimento. Salve a Ilha, salve pontal… Salve o Litoral!

(Do https://350.org/)

DEPOIS DA CHUVA


Dunas do Pântano do Sul ou os Lençóis Pataneiros 

MAR SEM COCA?


Coca-Cola assume compromisso mundial de dar destino correto a 100% de suas embalagens até 2030


3.400 garrafas de plástico por segundo. Este número impressionante foi estimado pela organização Greenpeace sobre a quantidade de PETs fabricadas, em 2016, pela gigante multinacional de refrigerantes Coca-Cola. A empresa divulgou que houve crescimento da produção e com isso, em 2016, ela despejou no mercado 110 bilhões de garrafas, um aumento de 1 bilhão de unidades, em relação ao ano anterior.

Estes dados divulgados pelo Greenpeace faziam parte da campanha Choke para pressionar a empresa a agir de maneira mais consciente e responsável ambientalmente, como noticiamos neste outro post.

Agora, a Coca-Cola acaba de anunciar que pretende (finalmente) ajudar a recolher, até 2030, o equivalente a 100% das embalagens que coloca no mercado. A meta vale para todos as bebidas produzidas pela marca e para todas as filiais, inclusive, a brasileira.

O programa “Mundo sem resíduos” prevê um investimento de R$ 1,6 bilhão no Brasil até 2020. Segundo a companhia, em nosso país, a destinação correta das embalagens beira os 50%, em comparação a 36% em 2016. O objetivo é que esta porcentagem chegue a 66% nos próximos quatro anos.

Todavia, de acordo com o Greenpeace, globalmente, menos de 50% das garrafas da Coca-Cola teriam destinação correta, como centros de reciclagem, e somente 7% delas seriam transformadas em novas garrafas.

A Coca-Cola Brasil informa que, para atingir a meta de 100% das garrafas com destinação correta, irá investir em três frentes: design, coleta e parceria. Por design, entenda-se o desenvolvimento de embalagens que tentem reduzir ao máximo a utilização de insumos na fabricação das mesmas e aumentar o uso de matéria-prima reciclada.

Atualmente 20% do portfólio da marca no país é composto por garrafas retornáveis: vidro ou as chamadas de RefPET (feitas com um plástico mais duro, que pode ser reutilizado até 25 vezes). Com custo mais baixo do que as PETs tradicionais, ambas podem ser devolvidas aos pontos de venda. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, as retornáveis são encontradas em todo o Brasil, mas em maior número em pequenos mercados e mercearias, não nos grandes supermercados.

Outra ação para que o compromisso assumido seja alcançado está baseada nas parcerias com cooperativas de reciclagem de lixo. No ano passado, a Coca-Cola Brasil já havia anunciado o lançamento do programa “Reciclar pelo Brasil”, em parceria com a Ambev, para reduzir o volume de embalagens em aterros sanitários.

A iniciativa fez com que as duas concorrentes aplicassem seus recursos de maneira mais eficiente nas cooperativas de catadores, melhorando assim a gestão de resíduos e os resultados das mesmas.

Indagada sobre a possibilidade da implantação no país de pontos de coleta de garrafas PETS nas lojas e nos supermercados, como já acontece em diversos países do mundo, entre eles, a Suíça, onde o consumidor descarta em qualquer supermercado as embalagens, a assessoria de imprensa da Coca-Cola Brasil enviou a seguinte resposta por e-mail:

“O novo compromisso é muito desafiador em todos os países do mundo. E por isso é essencial que cada país tenha sua estratégia baseada no contexto de cada um. No caso do Brasil, assim como a maior parte dos países em desenvolvimento, o plano tem uma parte muito relevante de aprofundamento e desenvolvimento da cadeia informal.

Hoje no Brasil há cerca de 1.000 cooperativas que se encontram em níveis distintos de desenvolvimento e requerem atuações distintas por parte dos apoiadores, o que torna mais complexo realizar um impacto social relevante. A reciclagem de forma geral ainda é muito baixa. O cenário brasileiro de resíduos sólidos enfrenta enormes desafios desde a separação de materiais nos domicílios, até esse material voltar para a indústria.

Devido a um complexo contexto social, elas enfrentam pouca infraestrutura, falta de equipamentos de segurança, ambiente insalubre, informalidade, entre outras questões. Com o apoio às cooperativas, nós queremos desenvolver o elo inicial da cadeia da reciclagem: a etapa da triagem e revenda dos materiais coletados. Esse papel, exercido pelas cooperativas, precisa crescer em infraestrutura e formalização para garantir uma maior produtividade e renda mais justa aos seus membros e menos intermediários no processo de venda. 

A Coca-Cola do Brasil tem trabalhado o tema de forma consistente especialmente nos últimos 10 anos, o que permite que as bases estejam preparadas para planejar o alcance dos novos objetivos globais de forma consciente e estruturada. O desafio é bastante grande, mas o histórico que construímos contribui muito para o que estamos vislumbrando”.

Certamente o desafio é gigantesco, principalmente porque é de conhecimento público que a coletiva seletivanão é uma realidade ainda em todos os municípios brasileiros. Mesmo na maior capital do país, São Paulo, há lugares onde ainda não se faz a coleta de resíduos recicláveis.

O papel da sociedade brasileira agora é cobrar para que o compromisso assumido pela multinacional de bebidas seja cumprido. Os oceanos não podem mais continuar sendo usados como lata de lixo.

Em um cenário perfeito, o ideal seria mesmo que a Coca-Cola produzisse apenas embalagens retornáveis. A PET pode ter parecido como uma grande invenção no passado, mas hoje sabemos que se tornou um problema gigantesco para o meio ambiente.


Metas estipuladas pela Coca-Cola Brasil

(http://conexaoplaneta.com.br/)

FORMAS DO MAR


FORMAS MARINHAS
30 e 31 de janeiro (terça e quarta), das 9 às 12h, carga 6 horas, 6 vagas
Marcelo Mello

RESUMO

O escultor transcorrerá sobre o seu processo de criação com referência à exposição “De todas as coisas do mar”, trabalho apresentado em 2016 no Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul.

A partir desta apresentação, os participantes vão criar suas próprios formas.

Orientação sobre técnicas de modelagem, ocagem e queima .

METODOLOGIA

A forma marinha como referência

A observação da imagem

A desconstrução buscando sua própria linguagem

A referência regional, figuras do mar, colônias de pescadores, praias, costões.

A modelagem , técnica de ocagem, acabamentos e queima .

VALOR
R$ 150,00

NÚMERO MÍNIMO
3 inscritos

NÚMERO MÁXIMO
6 inscritos

PRÉ-REQUISITOS
Iniciantes em modelagem, escultura ou simplesmente interessados no tema e na técnica da cerâmica com olhar escultórico.

MATERIAL

Argila: 5 kilos e um avental (a ser adquirido pelo aluno)

Estecos de cerâmica, bases e sacos plásticos para embalagem dos trabalhos serão fornecidos pela oficina.

QUEM É O MINISTRANTE

Marcelo Pereira de Mello cursou o Atelier Livre de Porto Alegre na década de 80. Na década de 90 transfere seu atelier para a cidade de São Paulo.

Lá desenvolve seu trabalho como escultor durante 10 anos. Ministra cursos de escultura em ferro e modelagem em seu atelier particular e em unidades do SESC , Museu de Arte Moderna (MAM), e Museu Brasileiro da Escultura . Participa de várias exposições coletivas. Realiza sua primeira individual na galeria da CEF da av. Paulista em 2002. Sua mais recente mostra foi no Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul em 2016 .

MATRÍCULA

Pode ser realizada de três maneiras

– Pessoalmente, na Faferia, em dinheiro, cheque ou cartão de crédito/débito. Aceitamos todas as bandeiras.

– Por depósito bancário enviando um e-mail para faferiadnadearte@gmail.com.

– Ou por meio do PagSeguro do UOL, um ambiente seguro para compra online, aceitando todas as bandeiras de cartão de crédito com a condição de parcelar em até 18 vezes. Clique na imagem abaixo. Há opção de boleto bancário. Não é necessário ter cadastro no pagseguro para efetuar o pagamento. É rápido e seguro.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

MAR DE POETA

Foto Murilo Mariano.

ACORDAR, ÚNICO SUSTO,

e ver a chuva sobre o pântano
a primeira chuva do ano
dunas resistindo a todo custo

Eliminar todo pensamento
De dor. Ficar um momento
Isopor, em silêncio, meditando
sobre as qualidades do branco.

Minha alma, mesmo fora
dessa chuva, se curva
às qualidades do agora;
Está lavada por dentro.

De "Visibilia" (7Letras 1996, Travessa dos Editores 2004)

MAR DO MILTON OSTETTO


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

NA PRAIA...

Foto Fernando Alexandre

Banho de mar

QUER MUDAR O NOME DO BARCO? CUIDADO!

Este O'Day23 foi fotografado na Marina do Lessa.
Depois andou uns tempos pelo Iate Clube Guaíba,
em Porto Alegre. 

Cerimônia para Mudar o Nome do Seu Barco
Nem os mais céticos navegantes atrevem-se a trocar o nome de seus barcos.
Saiba o porquê e, mais importante, saiba como trocar "de maneira segura".

Todo mundo sabe que mudar o nome de um barco dá um azar danado e fará você querer esquecer tudo que diz respeito a náutica em geral. Mas e quando você, após meses de procura, encontra o seu sonho em forma de barco batizado com um nome insuportável para as suas convicções ou que será motivo de risos ao pronunciá-lo no rádio; ou pior ainda, com o mesmo nome da sua ex-mulher, com a qual a sua atual desconfia que você "anda tendo um caso"?

Mudar o nome de um barco deve ser encarado como um processo doloroso. Desde os tempos antigos, os navegantes sabem que existem "barcos azarados" e, entre esses, os mais azarados são os que desafiaram os deuses e trocaram de nome.

De acordo com a lenda, todo barco é "inscrito" pelo nome no Livro das Profundezas, uma espécie de registro de nascimento, e é conhecido pessoalmente por Poseidon e Netuno, os deuses do mar. É natural portanto que, se queremos mudar o nome de um barco a primeira coisa que deveremos fazer é excluí-lo do Livro das Profundezas e da memória de Poseidon. Este é um processo trabalhoso que começa pela remoção de qualquer traço do antigo nome. Isto é essencial é deve ser conduzido escrupulosamente.

No processo de remoção do nome, é aceitável que se use algum tipo de tinta corretora, muito usada nas máquinas de escrever de antigamente, para apagar o antigo nome dos livros de bordo e outros registros escritos. É recomendável, no entanto, a simples eliminação dos livros e papéis que contenham o nome antigo. Não se esqueça das bóias e do nome gravado no costado. Em nenhuma hipótese carregue a bordo qualquer coisa que exiba o novo nome até que todo o processo de purificação esteja terminado.

Quando você estiver certo de ter eliminado todos os vestígios do nome antigo, prepare uma chapa de metal com o antigo nome escrito com caneta hidrocor (tinta solúvel em água). Você irá necessitar também de uma garrafa de champagne de boa qualidade. Como se trata de uma ocasião solene, convide seus amigos para servirem de testemunhas.

Comece o ritual invocando o nome do soberano das profundezas como a seguir:

"Oh poderoso soberano dos mares e oceanos, a quem todos os barcos e nós que nos aventuramos em seus vastos domínios somos obrigados a prestar homenagens, lhe imploramos na sua imensa graça que elimine definitivamente de seus registros o nome (insira aqui o antigo nome do barco) o qual deixou de ser uma entidade em seus domínios. Como prova disso, nós submetemos esta chapa que o ostenta para ser corroída por seus poderes e, para sempre, banida dos mares (Nesse momento, jogue a chapa com o nome antigo no mar, pela proa do barco). Em agradecimento por sua generosidade, nós oferecemos este brinde a sua majestade e a sua corte (derrame pelo menos metade da garrafa de champagne no mar, observando o sentido de leste para oeste; o restante pode ser oferecido aos amigos que serviram de testemunhas)"

É usual que a cerimônia de batismo do novo nome seja executada imediatamente após o ato de purificação. Pode, no entanto, ser executada a qualquer tempo após esta cerimônia. Para o batismo, você irá necessitar mais champagne. Na verdade muito mais por que você terá mais alguns deuses para agradar.

Continue o batismo clamando por Poseidon como a seguir:

"Oh poderoso soberano dos mares e oceanos, a quem todos os barcos e nós que nos aventuramos em seus vastos domínios somos obrigados a prestar homenagens, lhe imploramos na sua imensa graça que registre nos seus livros esse valoroso barco, daqui em diante e para sempre chamado (insira o novo nome), guardando-o nos seus poderosos braços e tridente e garantindo sua segurança e breves singraduras através do seu reino. Em agradecimento por sua generosidade e grandeza, nós oferecemos este brinde a sua majestade e a sua corte (Nesse momento, derrame o conteúdo da garrafa de champagne menos uma taça para o capitão e uma taça para sua companheira, no mar, observando o sentido de oeste para leste)"

O próximo passo na cerimônia é para acalmar os deuses dos ventos. Isto lhe garantirá ventos favoráveis e mares calmos. Como os quatro ventos são irmãos, é razoável invocá-los ao mesmo tempo sem deixar de citá-los pelo nome.

Proceda conforme abaixo:

"Oh poderoso soberano dos ventos, sob cujo poder os nossos barcos atravessam indefesos a superfície dos mares, nós lhe imploramos que permita a este valoroso barco (insira o novo nome) os benefícios da sua generosidade, garantindo ventos de acordo com as nossas necessidades".

Olhando para o norte, derrame uma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o norte declame: Oh Grande Boreas, soberano do vento norte, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro gelado (N.T.: aqui obviamente, o autor se refere ao vento norte gelado do hemisfério norte. Nós, no hemisfério sul, deveremos trocar os dizeres finais pelos do vento sul)

Olhando para o oeste, derrame a mesma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o oeste declame: Oh Grande Zephyrus, soberano do vento oeste, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro selvagem

Olhando para o leste, derrame a mesma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o leste declame: Oh Grande Eurus, soberano do vento leste, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro poderoso

Olhando para o sul, derrame a mesma generosa porção de champagne em uma taça apropriada e, apontando para o sul declame: Oh Grande Notus, soberano do vento sul, conceda-nos permissão para usar seus enormes poderes nas nossas singraduras, nunca nos submetendo ao açoite de seu sopro escaldante (N.T.: aqui obviamente, o autor se refere ao vento sul quente do hemisfério norte. Nós, no hemisfério sul, deveremos trocar os dizeres finais pelos do vento norte)

Use o restante da champagne para iniciar a celebração em honra da ocasião. Uma vez encerrada a cerimônia, você poderá trazer para bordo todos os itens que contenham o novo nome do barco. Se você tiver que pintar o novo nome no casco antes da cerimônia, assegure-se que este somente seja descoberto/revelado depois de encerrado o procedimento.

*Este artigo foi originalmente publicado em inglês, em boatsafe.com. Catado na Internet pelo Comandante Roberto Gruner, Pretexto/CDJ,
sua publicação no popa.com.br foi autorizada pelo tradutor do artigo, João Carlos, Yahgan, do veleiro.net, em maio/2004.

MAR DO MILTON OSTETTO

Foto Milton Ostetto

Boa Tarde Campeche...

domingo, 21 de janeiro de 2018

JACK O MARUJO


- O que é a vida no mar, capitão?
-Desapego, disse Jack o Marujo. A felicidade de ser invisível. 

MAR DE VERÃO? MAIS DO MESMO!

Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

Moradores e turistas se preocupam com poluição de rio que deságua em Canasvieiras 

Moradores e turistas que frequentam a Praia de Canasvieiras, no Norte da Ilha, estavam preocupados com o mau cheiro vindo do Rio do Bráz (que deságua no mar), na manhã deste sábado. Um banco de areia que impedia a entrada da água na praia foi retirado na quinta-feira (18) pela comunidade por causa dos alagamentos. 

Alguns moradores relataram que o banco de areia se forma naturalmente, mas que pela força d'água é normal que deságue no mar. O problema, na avaliação deles, não é o encontro do rio com o mar e sim o esgoto que pode estar sendo despejado no rio, uma vez que o odor tem sido perceptível.

— Pelo cheiro a gente acha que tem esgoto aí, não dá para pisar nessa água, eu não tenho coragem — disse um morador de 52 anos.

Uma turista de Brasília arriscou a atravessar pela parte mais rasa, perto da areia da praia, mas não tem certeza se a água é tratada. 

— Fui para o outro lado tomar banho porque lá a água do mar está mais limpa, só que dá receio de passar pelo rio — comentou Tatiana Ximendes, de 44 anos.

O casal de turistas gaúchos Raul Schultz, 56, e Dolores Estrasulas, 50, que costuma veranear na Ilha, preferiu não visitar a praia vizinha, pois estava sentindo o mau cheiro a uma longa distância. 

— Aquele esgoto ali está estranho, a água está com cheiro ruim. Nós caminhamos até lá e não atravessamos, hoje nem tentamos — disse Schultz.

Os banhistas ouvidos pelo DC também não encontraram placas que indicassem falta de balneabilidade na praia. Segundo a Fundação do Meio Ambiente (Fatma), havia sinalização e o único ponto próprio para banho no trecho é na praia de Cachoeira do Bom Jesus. 

O superintendente de Habitação e Saneamento da prefeitura, Lucas Arruda, disse ao DC que a barreira de areira retirada por moradores havia se formado naturalmente ao longo dos últimos dois anos e considerou o ato ilegal. Ele acredita que a barreira deve se formar naturalmente nos próximos dias.

— O rio já está trabalhando sobre a influência da maré, o que a comunidade fez não teve resultado, já havia desaguado a água daquela região. Estamos fazendo analise e monitorament. Porém, depois que abre um rio para a praia, sempre há problema de balneabilidade — ressaltou Arruda. 

A Fatma disse, por meio da assessoria, que o monitoramento é mensal e que o órgão não foi acionado após a abertura do rio. No entanto, reforça que o local não é próprio para banho. 

(Do http://dc.clicrbs.com.br/)