segunda-feira, 6 de abril de 2020

DANDO NOME...

Fotos Fernando Alexandre
 "
"Elisa" do Pântano do Sul!

SOSSOBRANDO...

Foto Fernando Alexandre
Na praia, o que sossobra das tempestades...

HAVER MAR


arribar

sê em cada dia
amigo do amigo

deixa que seja o tempo
esse outro amigo mais íntimo
a dizer-te quando acabou
o que parecia ter sido

não cuides do que poderia ser
lembra o que foi
procura outros rumos
noutras praias
há outra gente
com o mesmo destino

ser homem
e
haver mar

é tudo muito rápido e perigoso

(arribar; torreira; 2013)

domingo, 5 de abril de 2020

TARDE INDO...

Foto Fernando Alexandre 
Noite sendo...

"ELES SÃO MAIS FELIZES QUE OS EUROPEUS"


Mapa e relevo da Ilha de Santa Catarina produzido por M. Frézier em 1712
 Em fins de 1711 partiram de Saint Malo, França, os navios "Saint Joseph" de 36 canhões, 350 t. de deslocamento e 135 homens de guarnição, comandado pelo Capitão Duchênne Battas e "Marie" de 120 t. sob o comando do Capitão Jardais Damel. Em 30 de março de 1712 eles chegaram a Ilha de Santa Catarina.

O engenheiro militar francês Amadée M. Frézier fazia parte desta expedição e fez um estudo detalhado da "Meimbipe" dos Cariós -  já chamada de ilha de Santa Catarina - e de seus habitantes.


Abaixo, alguns trechos de seu relato que inicia  na página 16 de seu diário de bordo:

"Na terça-feira 30 de março (1712), como estivéssemos perto da terra, sondamos às 6 horas da tarde e encontramos 90 braças d'água fundo de areia, vasa e concha (...)
(...) continuamos a prumar de distância em distância, diminuindo o fundo de maneira uniforme, até 6 braças de fundo vasa cinzenta, onde fundeamos entre a Ilha de Santa Catarina e a terra firme (...)
Na manhã do dia 1o. de abril, o capitão destacou a nossa lancha e a da "Marie", com uma guarnição armada, para ir a procura de um sítio apropriado para fazer aguada e às habitações dos portuguêses, a fim de conseguir alguns refrescos(...)

Costeamos muitas e belas enseadas da ilha, ate que, detidos pela escuridão da noite fomos obrigados a pôr-nos em terra: o acaso nos levou a uma pequena enseada onde encontramos água e um pouco de peixe que muito a propósito pescamos e que um grande apetite o condimentou admiravelmente; passamos a noite vigiando os tigres que povoam as florestas cujas pegadas recentes acabáramos de ver sobre a areia; ao romper do dia avançamos ainda uma meia légua para verificar se não havia algum navio fundeado em Arazatiba
(Ilha de Araçatuba - Naufragados), o que não foi visto ( ...)
Os portuguêses que nos haviam visto passar com a bandeira inglesa no escaler (...) vieram em suas pirogas para nos oferecer refrescos; recebemos suas ofertas e em troca demos-lhes aguardente, licor que muito apreciam, ainda que ordinariamente costumem só beber água (...)

(...) A Ilha de Santa Catarina (...) é uma floresta contínua de árvores verdes o ano inteiro, não se encontrando nela outros sítios praticáveis a não ser os desbravados em torno das habitações (...) 12 ou 15 sítios dispersos aqui e acolá à beira mar nas pequenas enseadas fronteiras à terra firme; os moradores (...) são portugueses, uma parte de europeus fugitivos e alguns negros; vê-se também índios, alguns servindo voluntariamente aos portugueses, outros que são aprisionados de guerra (...)

Encontram-se eles em tão grande carência de todas as comodidades da vida que, em troca dos víveres (...) não aceitavam dinheiro, dando mais importância a um pedaço de pano ou fazenda para se cobrir (...) satisfazem-se com uma camisa e um par de calças; os mais distintos usam um paletó de côr e um chapéu; quase ninguem usa meia e sapatos; quando entram no mato utilizam-se da pele da perna de um tigre como perneira.
Não são mais exigentes com a alimentação do que com o vestuário; um pouco de milho, batatas, alguns frutos, peixe e caça, quase sempre o macaco, os satisfaz.

Essa gente, a primeira vista, parece miserável, mas eles são efetivamente mais felizes que os européus, ignorando as curiosidades e as comodidades supérfluas que na Europa se adquirem com tanto trabalho (...)"

Frézier: estudo minucioso da ilha e seu povo


Amedée Françoise Frézier, este famoso engenheiro militar francês nasceu em 1682 e morreu em 1773 com 91 anos. Foi contratado para construir fortes nas possessões espanholas na América do Sul, para defesa contra ingleses e holandeses. Serviu-se dessa viagem para inspecionar vários portos do continente, coletando outras informações científicas. Em sua viagem para o Pacífico, Frézier aportou na Ilha de Santa Catarina (1712), onde encontrou uma população bastante chocada pelo então recente ataque de Dugay-Trouin, no Rio de Janeiro. Tão logo eles avistaram o navio francês, toda a população fugiu para o interior. Contudo, acalmado o excitamento e a situação esclarecida, Frézier foi muito bem recebido pelo Governador Manoel Manso de Avellar, a quem se refere como Emanuel Mansa. Fez um estudo para um mapa da ilha e descreveu o estado primitivo em que viviam os 147 brancos ali. Em sua viagem de retorno do Pacífico, Frézier aportou também na Bahia (1714).

(Textos extraidos de "Ilha de Santa Catarina - Relato de viajantes estrangeiros nos Séculos XVIII e XIX" - Editora da UFSC e Editora Lunardelli - Terceira Edição - 1990)

NA PRAIA...

Foto Fernando Alexandre


SE ALEMBRAM DAQUELE "LANÇO"?

Vinte e quatro de maio de 2011, tainhas e festa no Pântano do Sul!

BANHO DE MAR

Foto Reprodução
Era assim que as pessoas iam à praia em Santos, São Paulo, no começo do século 20. O acesso era difícil porque não havia estradas: Itanhaém, Praia Grande e outras praias eram lugares quase desertos.
Veja mais em http://migre.me/ahrlB

MINHA PRAIA É MINHA PÁTRIA!

Foto Fernando Alexandre
Hasteiem velas e bandeiras, desfilem na pancada da maré!

sábado, 4 de abril de 2020

MAR DE POETA


Quinta-feira terá chuva forte e ventos que podem chegar a 100 km/h ...
Que nome leva o vento?

Que nome leva o vento
Que ergue dentro de mim
As ondas de um mar revolto
E com rugido de mil leões
Rasgam as águas nos rochedos ?

Que nome leva o vento
Que deitou por extenso
Na praia branca da minha alma
O corpo heróico vencido
Desse barco mutilado?

Que vento ouviu
Cantos risos e lamentos
Dos homens perdidos
Náufragos mortos dissolvidos
Na fria substancia cristalina
Do variado corpo universal?

Que nome leva o vento
Que levou para longe ,
não devolveu
O barco azul das velas brancas
Que vão delírio e louca empresa
Sonhavam antes da morte

Os homens que iam no mar?

(Marcelo Weber Macedo)

MANEMÓRIAS


OS BOIS DA LAGOINHA DO LESTE

Por Kiko Bungus

Quem foi pra Lagoinha do Leste até início dos anos 90 lembra bem de como a praia era cheia de bois vagando por todo lado.

Um cuidado especial que se tinha que ter ao pegar a trilha, especialmente depois de uma chuva, era não acabar sendo abalroado por um boi pelo caminho.

Já nos dias quentes as mutucas que atormentavam o gado também atormentavam quem cruzasse o caminho delas e fazíamos competição pra ver quem matava mais mutuca na ida e volta da trilha. Era uma chacina!

Alguns moradores do Pântano simplesmente soltavam seus bois lá no mato e eles eram criados assim, então eles faziam parte da paisagem mas geralmente não causavam problema, a não ser um ou outro atraso na trilha ou pisada numa bosta no caminho.

Falando em bosta, a presença das vacas lá fazia a alegria dos mais doidos, pois onde tem bosta de vaca tem cogumelo e aí já viu né?

Bom, mas essa historinha aqui é sobre o dia que a raça foi cedão pra Lagoinha dar aquele surf o dia inteiro e só voltar no fim de tarde, então levamos todo o suprimento pra sobreviver a um dia extremamente cansativo e se tudo desse certo, de exaustão e cabeça feita.

Cada um levou um mochilão de rango e água, com muitas frutas, X-mico (pão com banana), bolachas e muita água, afinal a gente sabia que ia ter onda boa e não voltaríamos tão cedo.

Chegando do outro lado do morro, no ponto da trilha onde vimos o mar, a galera pirou com a qualidade das ondas pela praia toda e dessemos o morro como loucos ou como uma manada desgovernada, aos berros como animais em transe.

Já na praia só tomamos água, deixamos nossas coisas na areia na sombra da vegetação da duna e fomos pro surf.

Foram horas e horas de puro êxtase em direitas e esquerda perfeitas, com água transparente, quente e praticamente só nós. O sonho de qualquer surfista.

Mas então quando resolvemos sair da água pra recompor as energias, tomar água e fugir do sol escaldante do meio dia encontramos nossas coisas todas reviradas, pisoteadas e quase todo o rango comido com papel, plástico e tudo. Os bois e vacas tinham avacalhado com a gente. Praticamente só sobrou água e um pouco de rango escondido em uma mochila menor que ficou bem fechada.

Nosso desânimo foi do tamanho da nossa fome e dava vontade de sair mordendo os bois que a essas alturas estavam deitados na areia muito calmos e só olhando pras nossas caras de trochas.

Nunca vi um boi sorrindo mas certamente eles deveriam estar muito felizes com aquela dieta saborosa de frutas, bolachas, sanduíches e outras cositas. É, eles comeram até o bagulho da raça.

Como não adiantava ficar chorando sobre o leite na teta da vaca a gente bebeu toda a água, distribuiu o rango que sobrou e voltou pro mar pra surfar até a fome ficar insuportável, depois subimos o morro como náufragos moribundos e chegando no bar do Alemão, lá no comecinho da trilha, gastamos o que tínhamos e não tínhamos pra comer o que estivesse disponível na hora.

A gente nem lembrou que precisava ter deixado uma grana pra completar a gastrol pra voltar pra casa e isso acabou gerando mais um perrengue mais pra frente, mas aí já é outra história.

Jovens são assim muito intempestivos e insensatos.

Aquela foi a última vez que deixamos nossas coisas jogadas na praia, então a lição serviu pra alguma coisa.

(Do https://inparadise.com.br/)

MAR DO NERI ANDRADE

Do Neri Andrade

MUITOS MARES...


Foto Andrea Ramos

MAR CHÃO - Mar manso.
MAR DE LAVADIO - Mar forte, que lava. Ex: "A pesar da calmaria do vento, o mar tava de lavadio”.
MAR DE LEITE - Mar parado, quase sem movimentos.
MAR DE LEVA - Mar de tempestade, agitado.
MAR DE RASGÁ CÚ - Mar forte, perigoso.
MAR DE VAGA CURTA - Mar com ondas poucas e pequenas.
MAR DE VAGA LARGA - Mar agitado, com ondas grandes e freqüentes.
MAR EMARETADO - Mar remexido, agitado, que dá enjôo.
MAR ENCAPELADO - Mar agitado, bravo.
MAR ENCARNEIRADO - Mar agitado, com vento.

(Dicionário da Ilha - Falar & Falares da Ilha de Santa Catarina)
Mergulhe mais fundo no

DE BICICLETAS, PEIXES & RELIGIÕES


MAR DE NAVEGADORES

James Cook foi um explorador e oficial da Marinha Real inglesa

Encontrado navio de James Cook: após buscas no Atlântico Norte foi achado o navio britânico que deu a volta ao mundo há 250 anos

O Projeto de Arqueologia Marinha de Rhode Island (RIMAP) acredita que foi encontrado navio de James Cook. O barco foi usado para completar sua volta ao mundo no século XVIII. O navio foi encontrado por arqueólogos no fundo do mar do Atlântico Norte. Perto do estado de Rhode Island, na costa Nordeste dos Estados Unidos.

O britânico James Cook foi um explorador e oficial da Marinha Real inglesa. Em 1768, assumiu o comando da HMS Endeavour, navio no qual daria a volta ao mundo, explorando partes desconhecidas do Oceano Pacífico.

Em 1771 Cook estabeleceu o primeiro contato com a costa leste da Austrália. Fez a primeira visita à Nova Zelândia, descobriu inúmeras ilhas no Pacífico e visitou o Taiti.

O navegador ainda faria mais duas viagens para explorar o Pacífico. Numa delas (1779), morreu ao entrar em conflito com nativos do Havaí. Foi um dos maiores navegadores de todos os tempos.
HMS Endeavour é transformado em navio de carga

Historiadores já sabiam que após voltar ao Reino Unido o navio HMS Endeavour havia sido convertido em navio de transporte. Ele fazia a ligação entre o Reino Unido e as ilhas Malvinas. A embarcação ficou tão danificada na viagem de exploração de Cook que, mesmo após reparos, só pôde assumir esse tipo de serviço.

O Endeavour fez três viagens de ida e volta até as Malvinas. Até que foi vendido a um empresário, J. Mather, por £ 645 (cerca de £ 80 mil, ou R$ 411 mil) em 1.175. Ele tentou revender, ou alugar, para a marinha inglesa durante a Guerra da Independência dos EUA. O almirantado não aceitou.
O desaparecimento do Endeavour dos registros oficiais

O Endeavour desaparece dos registros oficiais até que, em 2007, pesquisadores do Projeto de Arqueologia Marinha de Rhode Island descobriram que Mather enganou o governo.

O magnata dos transportes tentou vender outro navio à Marinha: o Lord Sandwich. Descobrindo isso, sabiam onde o navio estava: muito danificado, foi afundado de propósito no litoral de Rhode Island em 1778, durante um bloqueio naval da costa americana.

Depois de nove anos de buscas os pesquisadores acreditam que encontraram os restos do navio, entre “80% e 100% intactos”.
Outros tesouros no fundo do mar…

Recentemente, canadenses encontraram um navio lendário desaparecido no século 19. A Embarcação ficou presa no gelo do Ártico em 1845. E outro navio que estava desaparecido há 60 anos também foi encontrado a quase um quilômetro de profundidade, perto da ilha havaiana de Oahu.

(Do https://marsemfim.com.br/)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

TEM CAMARÃO NO FEIJÃO


Feijoada de camarão

Ingredientes
Número de doses: 4
800 g Feijão branco cozido
150 g de miolo de camarão
20 camarões
1/2 chouriço de carne
3 dentes de alho
3 tomates bem maduros
1 ramo de coentros
piri-piri q.b.
sal q.b.
azeite q.b.

Preparação
Coza o camarão+miolo em água temperada de sal. Depois de cozido descasque os camarões preservando a cauda e a cabeça e reserve. Reserve também a água de cozer o camarão. Pique a cebola e os alhos e leve ao lume a refogar ligeiramente, acrescente o tomate picado, o chouriço cortado em rodelas finas e a cenoura também cortada em rodelas e deixe cozinhar.
Se achar que esta muito seco acrescente um pouco de água de cozer o camarão. Acrescente o feijão cozido, o camarão e o piri-piri . Rectifique os temperos, acrescente mais liquido se necessário e para finalizar, após apagar o fogão pique um molho de coentros envolva na feijoada e sirva acompanhado de Arroz branco.

(Do https://pt.petitchef.com/)

MALHEIRAS

Foto Geraldo Cunha



Se o galo, na madrugada
Canta longo e sonoroso
Vem muito clara a manhã
E um dia de sol radioso
(Quadra popular registrada por A. Seixas Neto no séc. passado)

JACK O MARUJO

Imagem relacionada

- O sr. deve ter feito muita coisa na vida, capitão. Como é seu currículo?
- Assustador, disse Jack o Marujo.



MANEMÓRIAS

Foto Misquicy Diveis

Praia do Bom Abrigo, no tempo em que ainda se descutia o sexo!

É HORA DE IR PARA O MAR...

Ilustração de autor desconhecido
"Chamai-me Ismael. Faz alguns anos - não importa quantos, precisamente-, tendo na bolsa escasso ou nenhum dinheiro e nada que particularmente me interessasse em terra, achei que devia velejar um pouco e ver a parte aquosa do mundo.
É um hábido que eu tenho, para acabar com o esplim e regular a circulação. Sempre que começo a ficar austero; sempre que é um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que dou comigo a parar involuntariamente diante de empresas funerárias e a cerrar fila em cada enterro que encontro; e especialmente sempre que minha hipocondria adquire tal domínio sobre mim que é preciso um sólido princípio moral para impedir-me de sair deliberadamente para a rua e metodicamente surrar as pessoas - então acho que está na hora de ir para o mar o mais depressa possível.Este é o meu sucedâneo para a pistola carregada. Com um floreio filosófico Catão se atira sobre a espada; eu calmamente vou para o navio.
Não há nada de surpreendente nisso. Quase todos os homens (soubessem eles), qualquer que seja a sua classe, uma vez ou outra compartilham comigo quase que os mesmos sentimentos para com o oceano..."

 (Parágrafo inicial de Moby Dick, de Herman Melville)

MOBY DICK, o filme

"Moby Dick", um clássico da literaura mundial, escrito em 1851 por Herman Melville e transformado em filme em 1956 por John Huston, com Gregory Peck no papel do Capitão Ahab. 
Sem legendas, em inglês - original
.

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MAR DE POETA

Resultado de imagem para peixe voador

pássaro

peixe fora d'água
precisei de asas
e nadei no ar

(Da líria porto)

TEMPO DE SARDINHAS


Sardinhas grelhadas com batatas e cebolas

Ingredientes

3 sardinhas por pessoa
1/2 cebola cortada
1/3 de pimentão cortado em tiras
1/2 tomate sem semente cortado em tiras
Salsa picada
2 ramos de alecrim (só as folhas
Sal a gosto
Vinagre de vinho branco a gosto
3 batatas cozidas por pessoa
Pimenta-do-reino a gosto

Modo de Preparo

Retire as escamas das sardinhas passando as costas da faca no sentido do rabo para a cabeça. Faça um corte na barriga da sardinha para retirar as vísceras. Lave, enxugue e tempere com o sal, a pimenta e as folhas de alecrim.
Deixe descansar por 15 minutos. Numa frigideira antiaderente, refogue as cebolas e o pimentão em azeite.
Quando estiverem macias acrescente o tomate e tempere com sal e pimenta.
Quando o tomate estiver quente, mas ainda firme, regue com um bom vinagre e deixe reduzir por alguns instantes. Retire do fogo, salpicando salsinha. Mantenha aquecido.
Limpe a frigideira e grelhe as sardinhas por três minutos de cada lado. Sirva com batatas cozidas e a cebola para acompanhar.

(Do http://gnt.globo.com/)

DROPANDO NAS PALAVRAS




Osmar Gonçalves, um dos primeiros surfistas brasileiros,
deslizando nas ondas com uma legitma "madeirite" no Rio de Janeiro, em 1938.

Local - Surfista do lugar, nativo, que além de conhecer o pico também é conhecido e respeitado nele.
Localismo - Espécie de xenofobia existente entre os surfistas locais – moradores – que se sentem donos do pico e das ondas e tentam impedir que os de fora surfem. O localismo tem sido responsável por muitas brigas, confusões e muita violência nas águas e praias de quase todo o mundo.
Maca - Cama.
Maçaroca – Ondas grandes, encorpadas. Ex: “Dropar umas maçaroca na Silveira”.
Macaronis – Famosa onda que quebra para a esquerda sobre um reef break – fundo de coral – na Ilha de Mentawai, Indonésia, com águas sempre quentes e tamanho variando entre 3 e 8 pés. Seus melhores meses para o surf são os que vão de maio a outubro.
Madeirites – Como eram chamadas as primeiras pranchas fabricadas no Brasil nos anos 50, feitas de madeira compensada. Fabricadas inicialmente na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, por um carpinteiro chamado Moacyr, em seguida elas passaram a ser confeccionadas também por uma carpintaria localizada no Arpoador. O mesmo que portas de igreja.

"AVISA O DORÓ !"


Foto de Nomar Prasempre


"Um estranho tuc-tuc-tuc...tuc-tuc-tuc...surgiu por trás. Infalível barulho que eu conhecia muito bem. Um antigo e persistente motor diesel de um cilindro, o mesmo que eu tinha no Rosa, se aproximava. Era um sofrido e minúsculo saveirinho com dois pescadores em cima e mais limo no casco do que uma plataforma submarina. Tonho das Neves e Tonho de Oliveira eram seus nomes. Chegaram perto, a uns quinze metros. O primeiro, segurando-se no toco que restara de um outrora mastro, e me olhando com um ar curioso e alegre, enquanto o segundo, enfurnado no motor fumacento, controlava a marcha lenta, berrou com força:
-Como foi a pescaria?
-Não estou pescando!-respondi, admirado com as rodelas de fumaça que subiam inteiras.
-De onde vem vindo, então? - insistiu.
-Venho da África! - exclamei.
-E onde fica essa praia?
Expliquei que era mais ou menos longe dali. O homem sorriu sem entender, com todos os dentes à mostra, e após me orientar sobre como encontrar a passagem nos recifes, pediu-me:
-Avisa o Doró que a gente só volta na sexta!
E eu parti na mais importante missão da minha vida: após cem dias completos, sem falar com alguém cara a cara, subitamente estava incumbio de levar um recado, em pessoa, para outro pescador que tampouco conhecia."

ANOS ATRÁS


Em 18 de setembro de 1984,  o navegador Amyr Klink, então com 29 anos chegava à Praia da Espera, na Bahia, completando a sua solitária travessia do Oceano Atlântico - de Luderitz, na África do Sul, a Salvador, na Bahia - realizada a remo no pequeno barco Paraty, de apenas seis metros de comprimento. Era o primeiro homem a atravessar a remo a imensidão, os mistérios e os perigos do Oceano Atlântico. A extraordinária façanha é relatada no livro "Cem Dias Entre a Terra e o Mar," do qual faz parte o trecho acima dos seus últimos minutos no mar, antes de chegar à Praia da Espera e encontrar o pescador Doró.
O pequeno Paraty, companheiro de Klink na travessia, foi doado pelo navegador e encontra-se em exposição no Museu do Mar, na cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

A OSTRA NOSSA DE CADA DIA


Maiores cultivadores de ostras e mexilhões do país, maricultores de Florianópolis se sentem isolados

JOANA ZANOTTO SABBÁ - 30 DE MARÇO, 2020

Uma porção de gente vive da ostra no Ribeirão da Ilha. O mar tranquilo da baía bem ao sul da cidade comporta a maior produção de ostras no Brasil. As fazendas marinhas, como são chamadas, demandam manejo continuado ao longo do cultivo. Por estes dias as sementes foram colocadas no mar para a temporada de ostras daqui a uns oito meses. Nas diferentes fases do cultivo, as ostras são retiradas do mar, peneiradas, separadas e instaladas novamente em espaços maiores. O crescimento é muito rápido. As sementes vão no berçário miúdas, do tamanho da cabeça de um alfinete, e em dez dias medem o tanto da unha de um mindinho. Os maricultores, que acabaram de instalar as sementes no mar, estão aflitos, sem perspectiva de conseguirem se recuperar tão cedo do impacto sentido de imediato em suas atividades.

Enquanto cuidam do crescimento das milhões de sementes, que foram compradas por um custo alto do laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as vendas de ostras permanecem paradas, e devem continuar assim. Apesar da relevância da produção dos moluscos em Florianópolis, a cadeia produtiva essencialmente artesanal não conta com o amparo do estado. Cultivadores encontram dificuldades de acessar as linhas de crédito nos programas de financiamento disponíveis. A carência de políticas públicas se evidencia neste momento, em que as comunidades juntam esforços se isolando para a contenção da doença viral que se alastra pelo mundo.

“Na maricultura é cada um por si”, lamenta Rita Cassia, que há vinte anos abandonou a carreira de farmacêutica para se dedicar à maricultura. “Me envolvi de uma tal maneira que não tinha mais como sair. No início era só eu, a Gioconda, a dona Eva. Tinham pouquíssimas mulheres e o preconceito era muito grande.” Ainda que integrando a associação de Maricultores do Sul da Ilha (Amasi), Rita não vê uma saída coletiva iminente. Segundo informações da prefeitura, os produtores na capital estão organizados em 5 associações e 1 cooperativa, totalizando 90 maricultores em atividade na cidade. “A gente não tem reconhecida a atividade, apesar da maricultura ser responsável por 30% da arrecadação do município. Quantos restaurantes ela fomenta, essa iguaria?”, lamenta Rita. Ela comenta que é muito raro financiamento no setor. “Às vezes tem pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), mas é muito raro de se conseguir”
Rita Cassia se orgulha de ter começado a cultivar e vender ostras nativas na dianteira dos demais produtores / Foto de arquivo pessoal

A fazenda marinha de ostras, mexilhões e vieiras de Rita tem porte médio. Divide a localidade com o restaurante Empório Sul do Mar, um dos tantos de portas fechadas durante a quarentena, ao longo dos vinte quilômetros na rodovia Baldicero Filomeno, na ponta da ilha. “A gente tem que ter calma”, pondera Rita. Ela pretende manter o restaurante fechado mesmo que acabe o decreto nos próximos dias. Antecipou as férias remuneradas dos funcionários. Apenas dois de seus maricultores continuam trabalhando duas vezes por semana para dar seguimento ao manejo dos cultivos. Nesta temporada, por sorte, alojou 600 mil sementes no mar, 400 a menos do que de costume.

Os moluscos cultivados na fazenda são vendidos no próprio estabelecimento, em outros restaurantes e em uma peixaria. “Já estou sentindo o impacto. Eu creio que a gente só vai se refazer lá pra setembro”, calcula com esperança.

Dono do famoso restaurante Ostradamus, na Freguesia do Ribeirão, Jaime José de Barcelos é cauteloso. Aos 54 anos, não pensa em reabrir o restaurante tão cedo. “A gente tem que pensar na vida e saúde primeiramente. A gente tem que se preservar independente da idade. Não somos números.” Ele deve bancar o restaurante fechado de dois a três meses, pagando os funcionários. “O setor produtivo da maricultura vai ser afetado. Não tenha dúvida disso. A partir do momento que não conseguimos colocar na mesa e vender as ostras ao turista, temos um problema gigantesco. Queira Deus que isso passe logo”, roga Jaime.

Ele se mostra bastante consternado com a situação em que as pessoas se encontram e a postura do governo. “O governo tenta passar a bola pra gente. A gente não tem como arcar com o salário das pessoas por meses. A gente já tem a conta alta por sustentar essa máquina”, reclama, em alusão ao pagamento de impostos. “Eu estou procurando me manter ocupado para não dar nó na mente e deixar a criatividade em ordem. Se eles garantissem o básico seria suficiente.” Ostradamus é um restaurante luxuoso de ostras e cerca de um milhão e 200 mil sementes foram colocadas no mar para a próxima safra.

O abandono não é de agora

Mais pro final da Baldicero Filomeno, na Caieira da Barra do Sul, Felipe Ricardo Malagoli e a companheira Gabriela Ivonesia de Almeida são sócios da fazenda marinha Bela Ostra desde 2013. O pai de Gabriela trabalha há vinte anos com os mariscos. A maricultura tem o caráter predominantemente familiar. Felipe é vice-presidente da associação de Maricultores do Sul da Ilha (Amasi), que representa aproximadamente a comercialização de 60 a 70% das ostras no Brasil todo. De acordo com ele, a demanda histórica dos maricultores é ampliar o acesso às linhas de crédito, que são muito limitadas. O programa de financiamento pede como garantia para a adesão a comprovação de um bem, e assim muitos não conseguem acessar os benefícios pois o principal bem dos produtores, a fazenda marinha, é por cessão de uso.

“A gente até conseguiu um fundo do estado bem interessante: tu pegas um determinado valor parcelado em cinco anos, e se em quatro anos for pago certinho, o quinto ano não precisa pagar. Então teoricamente aquilo que a gente for comprar sai mais barato, ainda que se comprássemos à vista. Porém é bem trabalhoso conseguir essa linha de crédito, o valor é muito limitado e ainda tem de dar como garantia um imóvel em Florianópolis para conseguir o crédito, o que é bem complicado.” O maricultor avalia que o Pronaf tem piorado muito nos últimos três anos, e agora, mais ainda. “Uma linha de crédito é muito importante pra gente investir e conseguir avançar, fazer uma linha de produção maior, ofertar mais produtos e popularizar mais o valor. Seria bem interessante.”

Felipe diz que dentro do grupo da associação tem se fomentado um debate sobre como sobreviver na pandemia, mas que, até agora, não chegou a conclusão nenhuma. “É uma situação muito grande, que exige um trabalho do governo municipal, estadual e federal”, cobra o maricultor. Em sua situação particular, ele avalia que a “gordurinha” das vendas de boa parte de sua safra no verão não dura dois meses. “Como não há continuidade de venda, a retomada pós-pandemia – que não tem nem data – eu acredito que vai ser bem complicada porque o nosso produto não é tão barato quanto os produtos básicos como arroz, feijão e macarrão.”

O casal proprietário da Bela Ostra colocou 400 mil sementes no mar – são nano produtores, o que os torna vulneráveis na cadeia produtiva. “A gente até consegue fazer o manejo das lanternas de ostras na fazenda marinha, mas a gente não consegue efetuar venda porque a indústria está parada. Os parceiros fundamentais são as indústrias que vendem para restaurantes, que estão fechados. Ou que vendem para algumas peixarias, que praticamente estão paradas também. Até algumas peixarias que abriram não querem pegar ostra porque não tem tempo de prateleira. A ostra é vendida viva e fica no máximo cinco dias fora d’água. As peixarias preferem focar nos produtos que são congelados ou resfriados e conseguem ter um tempo maior. A gente vai ter que trabalhar de forma colaborativa daqui pra frente, mas a gente vai vender pra qual consumidor?”, questiona Felipe.

Difícil para os produtores, pior para os funcionários

A estabilidade não é uma garantia para os funcionários dos produtores de moluscos no elo mais fraco da linha. Os maricultores que trabalham por dia via contrato ou sem nenhum contrato podem ficar em uma situação complicada daqui pra frente. Na sexta-feira da semana de início da quarentena em Santa Catarina (20/3), Diolei, de 32 anos, e seu colega arrumavam as boias para o mar. Morador do Ribeirão, o maricultor trabalha na fazenda marinha Marítimo e, quando sai, continua o expediente na fábrica de embalagens do mesmo proprietário. “As embalagens são pra mandar as ostras para fora. Tá tudo fechado.” Na fábrica, recebeu férias remuneradas logo de cara, mas no rancho ainda desconhecia o rumo nos dias seguintes. A incerteza é grande.
O maricultor Diolei pegou férias na fábrica de embalagens. Na fazenda trabalha nas boias que vão ao mar / Joana Zanotto

O movimento nas peixarias à beira da Semana Santa

Rodrigo Oliveira, 47 anos, sócio da peixaria que leva o nome da família, sente tristeza ao contar o que tem visto no Mercado Público, em pleno centro da cidade. O mercado está totalmente vazio na quarentena. E como se quisesse se assegurar de não ter exagerado no tom da sentença, o comerciante enviou uma fotografia de prova pelo whatsapp mostrando as peixarias sem viva alma. Rodrigo, que tem íntima relação com o mercado, onde anda desde os doze anos, se comove. A peixaria Oliveira pertencia ao seu pai, dono de uma “saúde esplêndida” aos 82 anos.

As saídas de mercadoria da peixaria Oliveira tem sido principalmente para os clientes conhecidos que pedem por telefone. Ostras, ninguém nem está comprando. O vendedor, que já vinha ouvindo notícias ruins sobre a pandemia, foi se controlando, comprando pouco, para não ter de jogar nada fora. “Talvez eu tenha que jogar fora peixes, sardinha, que aguentam pouco gelo. Ostras e mariscos não dá nem para comprar porque chegando ao mercado aguentam apenas 60 horas. Elas não podem pegar gelo senão morrem, a friagem mata.”
Mercado Público praticamente vazio na quarentena / Foto pessoal

As peixarias em Florianópolis ficaram fechadas por pouco tempo. Quando o governador Carlos Moisés (PSL) decretou os serviços essenciais com permissão de funcionamento durante o período de isolamento social, houve a compreensão da prefeitura de que as peixarias não faziam parte do grupo liberado. O advogado atuante no direito da orla, da pesca e do pescador, Ernesto São Thiago, explica: “A prefeitura da capital interpretou restritivamente o decreto estadual, na minha visão jurídica, de forma correta, porque em se tratando de vigilância sanitária os termos tem de ser mesmo restritivos”. Portanto, o prefeito Gean Loureiro (DEM) decretou uma norma com a determinação de fechamento das peixarias acompanhando o governo estadual. Na segunda-feira que sucedeu o decreto (23/3), no entanto, ajustes foram oficializados no Diário Oficial do Estado da data, especificando as peixarias, entre outros serviços, como serviços essenciais.

A secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina esclarece que a recomendação é a de que “as peixarias, assim como açougues e mercearias, consideradas serviços essenciais podem permanecer em funcionamento, desde que evitem a aglomeração de clientes e reforcem os cuidados de higiene. Os maricultores também continuam trabalhando, alguns comercializam a produção em sistema de entregas e outros para peixarias.”

Mesmo reabertas, muitas peixarias estão receosas vendo a Semana Santa chegar. Conhecedor do mercado da pesca e maricultura, Ernesto acompanha as notícias e avalia que as vendas estão muito baixas. “Se as peixarias não vendem, não compram do pescador. Depende muito do perfil da clientela.” Na peixaria de um de seus clientes, que não faz venda direta ao consumidores, as vendas caíram 50%, porque, além de não estar vendendo para os restaurantes, não tem suficiente entrega domiciliar. “Os gastos com delivery não têm sido a prioridade das pessoas em situação de crise econômica. Muita gente foi afetada, e não se tem uma articulação conjunta.” Os clientes de Ernesto o consultam sobre os acontecimentos em busca de maiores informações.

Pro sul da ilha, no início da Baldicero Filomeno, ao lado da organização comunitária Canto do Rio, o estabelecimento de outra família não sente os mesmos efeitos do isolamento social das peixarias no mercado público. “Apareceu bem mais gente na semana. O pessoal está se preparando porque sabe que o tempo vai fechar.” Eduarda Correia de Barros, 28 anos, relata o aumento do movimento na peixaria desde o período de quarentena. De acordo com ela, estão vendendo bem todos os produtos. Na ocasião do primeiro decreto estadual, a Pedacinho de Mar deu um jeito de permanecer aberta, efetuando as vendas pela porta gradeada.
Diferente do que acontece no mercado público, a clientela está alta em peixaria no sul da ilha / Joana Zanotto

Restaurante de ostra se transforma em pizzaria

No norte da Ilha, o restaurante de classe média alta e fazenda marinha Freguesia, na praia de Santo Antônio de Lisboa, passou por transformações severas na quarentena. Os proprietários decidiram utilizar a cozinha industrial para produzir algo que fosse mais acessível e de fácil entrega domicilar. Portanto, agora trabalham com pizzas e porções congeladas. “Em tempos de crise as pessoas gastam menos e percebemos que caiu drasticamente a compra da ostra, vendemos também nos Supermercados Imperatriz”, diz Carla Cabral Costa, 43 anos, sócia do Freguesia com Leonardo Cabral Costa, 42 anos.

A proprietária dispensou dez de seus funcionários, ficando com uma equipe de 30 pessoas – 5% da equipe trabalha no financeiro e administração e os sócios na operação das entregas. O restante dos trabalhadores está de férias coletivas por dez dias. Segundo a empresária, o “caixa está zerado”. Ela acredita que vai perder 70% da safra de 20 mil dúzias prontas para o consumo. Para a próxima temporada estão com seis milhões de sementes no mar fazendo o manejo diariamente.

Posicionamento do Governo 

No âmbito federal, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina Correa, endereçou carta na quinta-feira (26/3) ao ministro de Estado da Cidadania solicitando que aproximadamente 1,2 milhão de pescadores profissionais artesanais e aquicultores sejam contemplados com o auxílio pecuniário (voucher) previsto pelo governo federal para mitigar os efeitos do confinamento social, que reduziu demasiadamente o comércio de pescado. Na carta, a ministra escreve que “a medida proposta se reveste de elevada importância pela magnitude de seu objetivo socioeconômico, posto que abrange uma camada sensível da sociedade brasileira, concedendo apoio para subsistência do setor durante o período que perdurar o estado de calamidade pública em nosso país”.

Sobre os incentivos e a relação do governo com os maricultores, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina respondeu que, para dar suporte à comercialização de moluscos em Santa Catarina, através da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola do estado (Cidasc), “manteve o monitoramento microbiológico e de algas tóxicas mesmo nesse período de quarentena”. Além disso, em parceria com a Secretaria Nacional da Pesca e o Ministério da Agricultura, “criou grupos de Whatsapp para facilitar o contato entre proprietários de peixarias e pescadores.”

Sobre as possibilidades de linhas de crédito para os maricultores, a secretaria informou que “criou projeto de apoio para pequenos empreendimentos rurais e pesqueiros”. A intenção é injetar R$ 60 milhões na economia catarinense em três anos. A medida, segundo a secretaria, faz parte do Plano de Enfrentamento e Recuperação Econômica, desenvolvido pela Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) do Governo do Estado. O projeto da Agricultura prevê o investimento de R$ 1,5 milhão, via Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), para subvenção aos juros de financiamentos adquiridos por agricultores e pescadores, num limite de 2,5% ao ano. Os financiamentos seguirão as regras de contrato feito com o agente bancário, podendo ter até 36 meses para pagar, com 12 meses de carência. Além disso, segundo a resposta enviada à Folha da Cidade, os pescadores têm acesso aos programas de financiamento ou subvenção ao juros já em funcionamento no estado.

Segundo a secretaria, não há previsão do impacto financeiro sobre o setor. A informação é que a pasta tem programas abertos para pescadores artesanais se eles preencherem alguns requisitos (cada programa tem sua especificação).Sobre o contato da secretaria com os pescadores e maricultores, a resposta é que a relação é muito próxima, via Câmaras Setoriais da Pesca e da Maricultora, onde representantes do setor são ouvidos e auxiliam na construção de políticas públicas, além de debater temas de interesse: “A Epagri possui um Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap), com pesquisas voltadas ao setor também. Além disso, os escritórios municipais da Epagri dão todo apoio técnico aos pescadores e maricultores.”