segunda-feira, 13 de maio de 2019

"NÃO DEIXAM O TARRAFEIRO PESCAR!"

Comentário Anônimo recebido agora há pouco!

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Assunto [úúúú !!!] Novo comentário em TEM TAINHA NO FEIJÃO!.
Hoje 17:22
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "TEM TAINHA NO FEIJÃO!": 

"Hoje com a tarrafinha passava fome no Pantano do Sul, pois não deixam o tarrafeiro pescar ! "


Postado por Anônimo no blog úúúú !!! em 12 de maio de 2016 17:22

PELAÍ...

MAR DE TAINHAS


Raimundo Isauro, um dos vigias da praia do Campeche – Anderson Coelho/ND

Pescadores do Campeche falam sobre o dia a dia da tradição que virou patrimônio imaterial de SC

ANDRÉA DA LUZ

Com ou sem sol, todos os olhos se voltam para o mar. Pelo menos essa é a rotina entre os pescadores da praia do Campeche, no sul da Ilha de Santa Catarina, que esperam ansiosamente a chegada das tainhas. A prática passada de geração em geração na comunidade, há centenas de anos, foi declarada patrimônio imaterial do Estado em 1º de maio, dia da abertura oficial da pesca artesanal de tainha.

Mas os trabalhos começam no mês de abril, com o conserto das redes e canoas centenárias, feitas com um pau só (garapuvu ou figueira). A safraacontece de maio a julho.

De acordo com Pedro Aparício Inácio, 53 anos, dono do Rancho do Aparício, os peixes mais bonitos costumam chegar entre 20 de maio e 30 de junho. “São as tainhas mais gordas, com ovas. Em julho, elas não se deslocam tanto e, quando chegam, estão mais magras e com pouco sabor”, explica. Segundo ele, o melhor horário para a captura é próximo às cinco da manhã, quando os cardumes estão mais parados, ou depois das 17 horas.
Pedro Aparício Inácio teme pela manutenção da pesca artesanal como tradição – Anderson Coelho/ND

O grupo total de pescadores artesanais no Campeche é de aproximadamente 40 homens. “Mas na hora de puxar a rede, tem cem. Vem gente de todo lado, é ‘a turma da gaivota’ [risos]”. São pessoas da comunidade e até mesmo turistas que ajudam a tirar os peixes do mar. “É bom porque tira a rede mais rápido e a galera ganha peixe também”, diz o pescador e cozinheiro, José Volnei Heerdt, 68 anos.
A agonia da espera

Com redes e canoas prontas, resta aguardar a chegada dos cardumes. “A espera é uma agonia. A gente sai do barracão no fim do dia já pensando no amanhecer do dia seguinte”, diz Volnei.
O cozinheiro José Volnei Heerdt não acredita nas lendas da pesca – Anderson Coelho/ND

A função começa cedo, por volta das cinco da manhã, quando os primeiros pescadores começam a chegar nos ranchos e os vigias ficam a postos, de olho no mar e nas condições do tempo. São quatro ou cinco pessoas, posicionadas em pontos altos e estratégicos da praia, que avisam por celular quando avistam os cardumes.

Para ajudar a passar o tempo enquanto a tainha não vem, o grupo joga partidas de dominó, conversa e se diverte. Mas o clima é de ansiedade. E quando tem peixe, é uma correria danada. A canoa sai com seis pessoas a bordo: “são quatro remeiros, o chumbeiro e o patrão, que é o piloto”, explica Volnei. Se o cardume for muito grande e uma canoa não der conta de cercar, eles põem o outro barco no mar.
Vento sul é bom presságio

“Também dependemos muito do clima, se tiver peixe mas o mar não estiver calmo o suficiente para entrar com a canoa, a gente não pode sair. Precisa ter peixe e mar bom, e ainda assim às vezes a gente conta com a sorte, porque se o cardume passar muito rápido, podemos não ter tempo de lançar as redes e perdemos a captura. Mas a gente não desanima, no outro dia vamos de novo”, conta Adão Siciliano Libair, 66 anos.
Adão Libair vem do Porto da Lagoa para a pesca da tainha no Campeche – Anderson Coelho/ND

Morador do Porto da Lagoa, há três anos Adão se desloca até a praia do Campeche para pescar com a turma do Aparício. “A gente fica na espera, daqui a pouco dá um vento Sul e a gente já fica de prontidão”, afirma.

Adão começou a pescar com dez anos de idade. “Minha primeira tarrafa era feita com castela [concha retirada de uma espécie de molusco] porque eu não tinha condições de comprar os chumbinhos para fazer a rede”, relembra. Mais tarde, pescou em Gravatá e no Rio Grande do Sul, mas acabou se tornando caminhoneiro. Agora, aposentado, voltou a se dedicar à pesca da tainha. “É um passatempo muito gostoso, a gente se mantém em atividade e ainda fica com os amigos”, diz.
Lendas e causos

E as lendas da pesca? Ah, isso é coisa antiga, inventada, garantem os pescadores. “Falavam de uma tal luz que aparecia e sumia nos combros [dunas], dava para ver lá do mar, mas era o pessoal que passava com as pombocas [luz de querosene] subindo e descendo”, conta Volnei. “Era tanta história! Diziam que não podia comer banana que não dava peixe. Mas a gente tomava café com leite, pão e banana bem madura e parece que vinha era mais peixe ainda”.

Volnei conta que certa vez apareceram uns pesquisadores para conferir um sambaqui encontrado na região. “Era lá na casa do seo Manezinho. Eles jogavam cascas de mariscos e ostras atrás de um pé de aroeira, aquilo lá tinha uns 70 anos, da época que se trazia marisco em sacas da Ilha do Campeche, e o pessoal achava que era sambaqui”, diz Volnei.

Pedro lembra que era proibido bater as estivas [madeiras sobre as quais a canoa é empurrada até o mar” ou jogá-las no chão. “Tudo era feito com cuidado, sem barulho, para não espantar os peixes”. Mas tem uma lenda em que ele acredita: são os grandes lanços nos dias de São João e São Pedro (24 e 29 de junho, respectivamente). “No ano passado, pegamos 2 mil tainhas aqui no Campeche no dia de São Pedro, que também é meu aniversário”, comemora.
Futuro incerto

Dá para ver no olhar dos pescadores um certo pesar, quando o assunto é o futuro da tradição. Mesmo sendo um patrimônio cultural, há incertezas sobre o futuro da pesca artesanal como prática regular na comunidade.

Isso porque, além de os ganhos oscilarem muito e de não haver incentivos (os pescadores reclamam, por exemplo, da morosidade para definição das regras, necessidade de revisão das cotas e excesso de burocracia para tirar a carteira de pescador), a maioria dos jovens perdeu o interesse pela atividade.

Nesse aspecto, os entrevistados concordam totalmente. “A gente sabe que não dá mais pra viver só da pesca, mas queremos manter a tradição da nossa comunidade, senão vamos perder a nossa cultura”, diz Pedro Inácio. “A pesca está no nosso sangue, temos muito carinho por essa atividade. Fico triste porque gostaríamos de ter uma pessoa da família que pudesse dar continuidade à tradição”, desabafa.

Para Volnei, que desde criança ia pescar com o pai e dois irmãos, parte da tristeza vai embora quando conta que um dos netos, de 14 anos, gosta da atividade. “Quando ele está de férias, vem comigo aqui para o rancho. Gosta de comer um peixe frito com arroz e pirão e de estar no meio da gente, tem que incentivar”, conta, sorrindo. Mas é fato raro. A grande maioria dos pescadores tem mais de 40 anos.

Ainda há a disputa de ‘terreno’ com a pesca industrial, que dispõe de novas tecnologias para a captura. “Nossos vigias usam celular, mas os barcos grandes já utilizam sonares e drones, que não só mapeiam o local exato como informam até a quantidade estimada de peixes. Isso prejudica a pesca artesanal”, opina Pedro.

E o hábito alimentar sofreu mudanças, também. De prato habitual na mesa dos manezinhos, o peixe passou a raridade nas refeições da juventude. “Os mais antigos comiam muito peixe, de todos os jeitos: em caldos, assados, fritos ou no feijão. Hoje, muitos jovens nem querem experimentar”, afirma Adão.

domingo, 12 de maio de 2019

MC ZÊ E O FUNK DAS TAINHAS!


Aos 71 anos, moradora cria 'Funk 
da tainha' em Florianópolis; assista

Vídeo foi gravado por um cliente do restaurante de Zenaide, no Sul da Ilha.
'Se os jovens podem, por que os velhos não podem?', brinca a idosa.

Mariana FaracoDo G1 SC


Ela não sabe bem se é funk ou rap. “Acho que é rap”, diz dona Zenaide de Souza, 72 anos vividos na beira do mar em Florianópolis. Mas o ritmo como ela canta a letra, sob uma batida imaginária, não deixa dúvidas: Anitta e Ludmilla que se cuidem, “MC Zê” compôs um funk . “Se os jovens podem, por que os velhos não podem?”

O “Funk da tainha” foi batizado por um cliente do restaurante que Zenaide mantém há 25 anos na praia do Pântano do Sul, no Sul da Ilha.

“Sempre vou lá, um dia ela sentou comigo e começou a cantar. A música saiu espontaneamente, na hora, como um bom rap ou funk”, conta o cirurgião-dentista Erlon Charles Fernandes, de 39 anos, que filmou a performance de Zenaide com o celular e colocou na internet.
saiba mais

O vídeo (veja acima) foi gravado no último dia 3 de maio, logo após a abertura da temporada de pesca da tainha, uma das atividades mais tradicionais de Florianópolis.
Zenaide fala com conhecimento de causa: filha de pescadores, por muito tempo foi a única mulher a pescar na região.

Por conta disso, tinha até uma certa rivalidade com seu Arante, já falecido, dono de um famoso bar na mesma praia. “Era meu amigo, mas não aceitava muito que eu pescasse no meio de 200 homens. Era uma farra”, conta Zenaide.

Os últimos dias, porém, não foram bons para a pesca. “Deu uma ‘tribuzana’ [tempestade, no falar dos nativos da ilha] que virou os barcos e destelhou casas”, conta Zenaide, em um dos poucos momentos de seriedade. “Não sei se tenho um parafuso a mais ou a menos”, costuma dizer, às gargalhadas.

Sempre de chapéu

MC das tainhas, capitã de suas panelas, Zenaide está sempre com seu chapeuzinho naval. As tainhas pescadas, muitas vezes por ela mesma, são transformadas em receitas inusitadas, como a tainha no feijão, carro-chefe do restaurante. “Quando criei o prato, esse bar aqui encheu”, conta ela.

Foi assim que ela terminou de criar os oito filhos sozinha. Zenaide conta ter enfrentado preconceito e dificuldades financeiras por ter sido a primeira mulher de sua comunidade a se divorciar, depois de 20 anos de casada.
“Queria que meus filhos estudassem”. Agora, graças a suas tainhas, está prestes a ver a última filha se formar na faculdade.
Zenaide diz que nunca saiu de Florianópolis para conhecer o mundo. “Nem quero. Todo mundo querendo vir pra cá e eu vou sair daqui pra quê?”


Veja a letra do “Funk da tainha”

Vou pedir aos surfistas
Com toda consideração
Chegando mês de maio e junho
Eles não surfam, não

É a pesca da tainha
Pesca de tradição
Os vigias vão pra duna
Pra ver o caldeirão

E começa a abanar
A canoa faz cercar
E vamos puxar a rede
Só levanta essa cortiça
Que é pro peixe não pular

 O peixe chega na praia
Vai fazer a divisão
Tainha pro remeiro
Tainha pro vigia
Tainha pro patrão

E depois, o que sobra
Vamos fazer um quinhão
Cada um leva pra casa
Pra comer tainha assada
Tainha frita, tainha no feijão

E depois, pra terminar
Vão tomar nossa iguaria
A cachaça do sertão

(Do G1 - http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2015/05/aos-71-anos-moradora-cria-funk-da-tainha-em-florianopolis-assista.html)

O VENTO SUL É QUEM TRAZ O PEIXE...

Foto Fernando Alexandre
"Osmarina", canoa da família Arante, recebe os aprontos finais do "patrão" Armando Monteiro!

sexta-feira, 10 de maio de 2019

DE OLHO NO PEIXE!

Foto Fernando Alexandre
Camaradagem do Pântano do Sul, impaciente com o peixe que não encosta, apostando no vento Sul que já tá encrespando o mar e trazendo as "cabeçudas" pra praia.

NA PRAIA...



SERÁ?

Despoluição do mar em Florianópolis. Avenida Beira- mar Norte, Floripa. Imagem Floripa Hub.

Despoluição do mar em Florianópolis, será que funciona? 

Por

Quem acompanha a qualidade de vida nas cidades brasileiras sabe que um dos maiores problemas é a falta de saneamento básico. Segundo a ONG TrataBrasil, “mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto. Só 50,3% da população tem acesso à coleta de esgoto e mesmo assim, apenas 42,6% do esgoto coletado recebe tratamento. O custo para universalizar o acesso aos quatro serviços do saneamento (água, esgotos, resíduos e drenagem) é de R$ 508 bilhões, no período de 2014 a 2033.” Por isso é importante acompanhar as obras de despoluição do mar em Florianópolis.

Por ano são 340 mil internações provocadas por falta de saneamento básico

Milhares de crianças morrem todos os anos no País, por falhas inaceitáveis como esta. Estimativas do Instituto Trata Brasil apontam que 340 mil internações anuais são causadas por infecções decorrentes da falta de saneamento básico. Entre as dez cidades brasileiras onde há menor cobertura, a média de internações é quatro vezes maior do que entre as dez cidades mais bem atendidas. Milhares de mortes ocorrem como consequência dessas enfermidades.” Santos, em São Paulo, que melhorou os índices de saneamento, conseguiu a diminuição da mortalidade infantil. E qual o projeto de Floripa?

A despoluição do mar em Florianópolis foi inspirada em ações da Califórnia

O trecho escolhido foi a Avenida Beira-mar Norte, no trecho em frente à orla da avenida. A prefeitura promete limpar 3,5 km da baía até o próximo verão. Desejo, mais uma promessa, ou possibilidade real? Tomara que seja pra valer. O verão 2019 mostrou que o litoral do Brasil está em frangalhos.

Segundo o G1, “Um dos modelos no qual a Casan, Companhia Catarinense de Águas e Saneamento, se baseou é o sistema de reciclagem do escoamento urbano na Califórnia, Estados Unidos. Para diminuir a poluição na Baía de Santa Mônica, desde 2001 a água da chuva misturada com esgoto é tratada, eliminando 95% dos poluentes.” Alexandre Trevisan, engenheiro químico da Casan, disse ao G1, “a água pluvial vai ser gerenciada de forma que não chegue mais na beira da praia, que ela consiga ser bombeada, tratada e lançada num ponto adequado.”
O custo e prazos do projeto


O site horadesantacatarina.com.br, informa que “conforme o contrato prevê, o prazo de execução das obras é de oito meses. Depois disso, segundo o prefeito Gean Loureiro (MDB), será preciso esperar de quatro a seis meses até que a orla esteja despoluída e balneável. Orçado em R$ 24,5 milhões, o projeto deverá custar 30% a menos, já que o consórcio vencedor da licitação (Fast-CFO) apresentou proposta de R$ 17 milhões. O presidente da Casan, Valter Gallina, afirmou que, ao contrário do que muitos pensam, não será preciso despoluir toda a Baía Norte para que o trecho em frente à Beira-Mar Norte seja balneável. Acredito piamente no que os técnicos projetaram. Não é necessário tratar toda a área continental. A bactéria, o coliforme fecal, não tem nadadeira nem jet ski, e anda no máximo a 200 metros (do ponto de despejo). Hoje, a Baía Norte já é própria para banho a 200 metros da orla.”

Obras do projeto

Quem informa é o….”Para levar adiante a ideia de despoluir a orla da Beira-Mar Norte, será instalada junto à Estação Elevatória da Casan (área conhecida como Bolsão) uma Unidade Complementar de Recuperação Ambiental (URA), que vai tratar a água contaminada da rede de drenagem antes de lançá-la ao mar.

Os locais onde ficarão as estações de tratamento de água misturada ao esgoto.

De acordo com a Casan, a URA terá capacidade de tratar quase 13 milhões de litros por dia. Para isso, cada uma das saídas da rede de drenagem (aquelas tubulações de cimento) receberá um sistema próprio de captação e bombeamento. Assim, serão de 15 a 20 pequenas estações elevatórias conduzindo a mistura de chuva com esgoto até a URA.”

Será possível?

Sei não…Já ouvimos falar de projetos mirabolantes que limparam algumas baías mundo afora. Um deles, que despoluiu a baía de Tokio, foi o modelo escolhido para a despoluição da baía de Guanabara. O projeto, como se sabe, não deu em nada. Nosso maior cartão postal segue moribundo, saiba porquê. Além do mais, porque só a orla da principal avenida de Florianópolis? Também dá pra desconfiar de um modelo que prevê ‘limpar a orla’, em tão curto espaço de tempo, um ano. De qualquer maneira, a iniciativa merece ser replicada. Quem sabe influencia outras cidades costeiras. Enquanto isso o Mar Sem Fim vai acompanhar as obras. Voltaremos ao tema em breve.

Fontes para Despoluição do mar em Florianópolis: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/especial-publicitario/prefeitura-municipal-de-florianopolis/florianopolis-uma-cidade-para-todos/noticia/2019/04/12/entenda-o-processo-de-despoluicao-do-mar-em-florianopolis-que-foi-inspirado-em-sistema-da-california.ghtml; https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/experiencias-em-despoluicao-de-mares-em-outros-paises-sao-modelo-para-casan-para-a-beira-mar-norte.ghtml; https://www.nsctotal.com.br/noticias/entra-em-funcionamento-estacao-de-tratamento-que-dara-balneabilidade-a-beira-mar-norte-em; http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2018/03/comecam-as-obras-de-despoluicao-da-beira-mar-norte-no-verao-estara-balneavel-10190649.html.

NA ESPERA E NA ESPREITA

Olhar e clique do Milton Ostetto
No Campeche, esperando o dia e as tainhas...

MAR DE TAINHAS

Pesca da tainha 
Foto Diorgenes Pandini)

Governo federal autoriza safra industrial da tainha com redução de cota de captura

Por Dagmara Spautz

A Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca (SAP) publicou no Diário Oficial da União, nesta quinta-feira (09), as regras para a pesca de tainha industrial e de emalhe anilhado, modalidades que desde o ano passado têm cotas de captura. O governo liberou uma captura total de 2.788 toneladas, um pouco menor do que a de 2018. 

A diferença está na cota autorizada para a pesca industrial, que foi reduzida em 28% para compensar a pesca excessiva da safra anterior, quando os barcos capturaram mais do que o dobro do que era permitido. 

Com a medida, o governo federal encontrou um meio termo entre a suspensão total da frota industrial como medida compensatória – conforme determinavam as regras do sistema de cotas – e acalmou os ânimos do setor produtivo, que alegava ter havido falta de controle por parte do próprio Ministério da Agricultura na contagem do que foi capturado em 2018.

Cotas por barcos

A SAP vai licenciar 32 barcos da frota de cerco (industrial), e 130 de emalhe anilhado para toda a região Sul e Sudeste do país. Diferente do ano passado, quando a cota era global, desta vez ela será dividida por embarcação – o que também deve melhorar o controle. A preferência, para o licenciamento, será dos barcos que foram classificados na safra 2018 mas não receberam autorização devido à limitação de licenças. Barcos de menor capacidade de captura também terão prioridade.

Cada armador pode inscrever apenas uma embarcação, e quem tiver condenação na Justiça por pesca ilegal, transitada em julgado, será desclassificado. O prazo para fazer o cadastro junto ao Ministério da Agricultura é de três dias. Depois disso, será feita a seleção e abrem-se os prazos para recursos. 

Agnaldo Hilton dos Santos, presidente da Câmara de Cerco no Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), disse que as regras não agradaram totalmente o setor, que esperava uma cota de pelo menos 2 mil toneladas para esta safra.

- Faltam estudos claros para que sejam avaliadas o estoque ou tamanho da biomassa (quantidade de tainhas no mar) – avaliou.

O secretário nacional de pesca, Jorge Seif Júnior, disse que o governo está em busca de parceiros para fazer uma nova avaliação de biomassa e “não depender de achismos nem pesquisas independentes”.

Ova é principal produto

O controle da cota da tainha será feito, novamente, por meio do controle de inspeção do Ministério da Agricultura nas indústrias (SIGSIF), e dos dados dos mapas de bordo, que indicam quando e onde cada embarcação pescou. Ambos devem ser entregues até 24 horas após o desembarque. 

O principal produto da pesca industrial da tainha é a ova, que chega à indústria com uma melhor qualidade do que na pesca de arrasto de praia. Desde janeiro do ano passado a Europa, que é o principal mercado consumidor da ova de tainha catarinense, embargou o pescado brasileiro. O governo vem tentando meios de reverter a suspensão das exportações, mas ainda não obteve sucesso. 



​

quinta-feira, 9 de maio de 2019

PREPARANDO AS REDES

Fotos Fernando Alexandre
 

Quase tudo pronto para a pesca da tainha embarcada, que começa dia 15 para os botes caça-de-malha e rede anilhada. 
No Pântano do Sul, camaradagem prepara as redes nos pastos!

“TÁS VENDO, COISA LINDA NÉ?"

AS SAGRADAS CHEGARAM!
Foto Andrea Ramos

Por Arante José Monteiro Filho

"Para mim a tainha é o peixe mais sagrado, mais abençoado do mar. É nesta época que todos comem peixe. É só ajudar a puxar a rede, seu mandrião.

Quando menino, observando um lanço de tainhas dado pelo meu avô Zé Gancheiro, famoso patrão da canoa do Seu Dionísio, ele me disse: “Tás vendo, coisa linda né? Óia, essa aqui é a tainha maricá, pequeninha , gordinha e cabecinha bem redonda. Essa outra é um facão, magra e comprida como um facão.” Apertou o “umbigo” de uma tainha grande, saiu um pouquinho de ova amarela e disse: “Essa é da ova boa.” Apertou outra e saiu uma aguinha branca: “Essa é ova leiteira, não é boa para se comer. Essa grandona aqui nós chamamos de tainha maranhão, é a maior de todas. Dizem que ela é criada em lagoas. Na Lagoinha do Peri existem muitas dessas.”
Disse ainda: “Acho que essas tainhas não vem todas lá da Lagoa dos Patos, do Rio Grande do Sul. Acho que algumas vem de mais longe. Veja o tamanho daquela de lá, é grande e diferente.”

Agora, com meus cinqüenta e poucos anos, já há alguns anos também na lida da pesca da tainha, venho percebendo que não são só “os hermanos” uruguaios e argentinos que nos visitam no verão. A maior quantidade de tainhas que pescamos no nosso litoral vem mesmo é do Rio da Prata, daquele grande rio que divide o Uruguai e a Argentina. Lá eles chamam a tainha de “lisa” e não há pesca e nem consumo dela por lá. Graças a Deus! O motivo: gosto ruim de óleo e de barro. É nessa grande viagem para o Brasil que ela se limpa e sua carne fica gostosa e apetitosa. Até as que vem da Lagoa dos Patos perdem o gosto de barro nessa viagem.

Ainda vem muita tainha maricá da Lagoa dos Patos. Mas a pesca predatória durante o ano todo naquela lagoa tem diminuído ano após ano a quantidade de tainhas.

O nome científico da “sagrada” é mugil brasiliensis. Elas vem em cardumes para alegria dos pescadores de todo o nosso litoral. Dizem que vai até Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Depois volta para o mesmo lugar de onde saiu. Mas ninguém explica direito como ela volta para esse mesmo lugar de onde saiu. A verdade é que sabe-se muito pouco sobre essa migração. Se sabem não é divulgado. E o pouco que se sabe é devido a experiência dos próprios pescadores mais antigos.

Argentinas, uruguaias ou brasileiras, elas são gostosas de todo jeito. Frita, assada escalada na brasa ou na folha da bananeira, cozida no feijão, no caldo com alfavaca, grelhada na chapa, recheada ao forno ou até seca desfiada ensopadinha. Sua ova é uma iguaria que equivale ao nosso caviar manezinho. A moela é a única que nós saboreamos dos peixes que consumimos. Por isso que se diz que a tainha é a galinha do mar. Não tem dente e tem moela, igual galinha.

Diz um velho pescador que para se saber se a tainha é brasileira ou “hermana” é só olhar no movimento da boca na hora que é pescada. A brasileira mexe a boca em português. Já as “hermanas” argentinas e uruguaias mexem de um jeito tão “portunhol” que nenhum pescador entende direito. Tu me compreendes?"

*Arante José Monteiro Filho, o Arantinho, do Pântano do Sul, é pescador de tainhas, historiador e um dos proprietários do tradicional "Bar do Arante".

segunda-feira, 6 de maio de 2019

UÚÚÚ!!!!!



Primeiro lanço de tainhas da safra 2019 no Pântano do Sul!!!
Pra alegrar a companheirada que andava meio triste!

ÚÚÚÚ!!!!

TAINHAS & SURF

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

MAR - CAIS

Foto Andrea Ramos
Sempre ali. 
Eu que olho pra ele?
Ou é ele que look at me?
(Andrea Ramos)

CUIDANDO DAS LONTRAS

Projeto voluntário visa garantir a preservação da Lontra em Florianópolis

Projeto em Florianópolis busca preservação das lontras

Oceanógrafo se encantou com espécie e tomou iniciativa na Lagoa do Peri.

Por NSC TV

Um projeto em Florianópolis busca preservar as lontras. A iniciativa é de um oceanógrafo que se encantou com a espécie na Lagoa do Peri. O local, cercado pela Mata Atlântica, é o santuário desses animais.

A lontra é um mamífero curioso, ligeiro e misterioso. A história do projeto começa com o oceanógrafo Carvalho Júnior, que encontrou o animal na Lagoa do Peri. "Primeiro foi paixão à primeira vista. Pela lontra e pelo lugar porque logo de início eu percebi que não dava para dissociar o animal do local", explicou.

Lagoa do Peri é água doce e limpa cercada de morros com vegetação preservada. Ela fica no Sul da Ilha de Santa Catarina.

A atração do oceanógrafo pela lontra foi tão forte que ele pediu a ajuda do pai para comprar um velho engenho na beira da lagoa e ficar perto dos bichos. Foi assim que o projeto nasceu, 33 anos atrás.

Lontras na Lagoa do Peri

Quase nada se sabia da lontra neotropical, de nome científico Lontra longicaudis, também chamada de lontra brasileira, apesar de a espécie ter como habitat uma área que vai desde o México até o Uruguai e o Norte da Argentina.

Lontra na Lagoa do Peri, em Florianópolis — Foto: Reprodução/NSC TV

A lontra é uma animal de hábitos crepusculares. Isso quer dizer que ela fica mais ativa antes do sol nascer e depois do sol se pôr. Os pesquisadores encontraram sete tocas na Lagoa do Peri e monitoram as vidas das lontras nelas.

O oceanógrafo localizou os animais pelo odor. "O cheiro do excremento da lontra tem um quê de almíscar, que é um indicativo da toca. É onde pode haver uma toca", explicou ele.

O pesquisador se arrastou debaixo das pedras e dormiu nas tocas também. Para não ser expulso pelos animais, ele precisou cheirar como eles. "Eu tinha um camisa branca, aquelas camisas de botão, que era do meu nono. Eu pegava essa camisa, esfregava excremento fresco na camisa e vestia. Porque daí eu ficava com o cheiro dela", disse.

Com a pesquisa, ele descobriu que as lontras, além da água doce, viviam também no mar. "Ela sai daqui da Lagoa do Peri vai às praias e costões rochosos", afirmou.

A população de lontras na Lagoa do Peri é estimada em até 11 animais. "A lontra é um animal raro na natureza, ela está no topo da cadeia alimentar. Ela é a onça da água. Então o número de lontras que estão dentro do sistema aqui da Lagoa do Peri, é um número correto", explicou Carvalho Júnior.

Criadouro

Seis lontras vivem atualmente no criadouro científico do projeto. Os alojamentos procuram reproduzir o ambiente natural, com muita água corrente e esconderijos. As lontras ganham para comer aquilo que encontrariam na lagoa: peixes.

Com todos esses cuidados, o projeto foi o primeiro no mundo, e único até agora, a ter sucesso na reprodução da lontra neotropical em cativeiro. "Isso para nós foi uma enorme satisfação, foi uma vitória, foi nos mostrar que realmente a gente está trilhando o caminho certo", afirmou o oceanógrafo.
Lontra na Lagoa do Peri, em Florianópolis — Foto: Reprodução/NSC TV

O projeto também é o lar de outras duas espécies da família da lontra, como a irara, também chamada de papa-mel, de nome científico Eira barbara. E tem o furão-pequeno, como a Chape.

Ela foi a última a chegar, mais um órfão. O nome é porque ela veio da cidade de Chapecó, no Oeste catarinense. O furão-pequeno tem nome científico Galictis cuja.

Como todos os animais no projeto, a Chape foi vacinada e ganhou um chip, sua identidade digital. "Vai ser colocado no computador, onde todo dia esse animal é pesado para ver a curva de crescimento dele e também para ver a quantidade de comida que nós damos para ele. Também junto com esse acompanhamento vai a ficha clínica de cada animal", explicou o veterinário do projeto, Luís Carlos Stein.

Voluntários e custos

Tudo isso tem sido possível graças à colaboração dos ecovoluntários, gente apaixonada pela causa e que vem trabalhar sem ganhar dinheiro. Mariana Tamagusko é uma delas. Ela é estudante de veterinária.

"Para mim, é uma aula prática. Eu vou ter aula teórica na universidade e aqui eu tenho a prática. Vou conhecer toda a rotina dos animais", afirmou.
As pesquisas cientificas são custeadas pela Petrobras. O projeto também se mantém com o ingresso pago pelos visitantes e com a venda dos produtos da loja. Outro pilar do projeto é a educação ambiental.

Próximo passo
Na Lagoa do Peri, Júnior espera dar ainda este ano o próximo e mais importante passo do projeto lontra. "É o que vai dar sentido a tudo isso que nós estamos fazendo. É pegar essas lontrinhas órfãs que nós temos, que não vão deixar de chegar, e poder reintroduzi-las no ambiente natural. Vai ser, talvez, o momento mais emocionante da minha vida. Poder abrir as portas e dizer 'vai pra vida, minha filha'", disse o oceanógrafo.

(Do G1 SC)

sábado, 4 de maio de 2019

MAR DE FALARES


O quadro ‘Já é Mané’ da última sexta-feira (3) falou sobre o sotaque do manezinho. Para quem vem de fora de Santa Catarina, compreender o que um manezinho fala pode ser complicado. A reportagem do Balanço Geral, da Rede Record,  foi atrás de buscas e respostas.

TEM TAINHA NO COSTÃO!



Música de Raul Ellwanger, com Adriana Deffenti

E muito peixe! Garantem as informações que estão chegando dos mares do Sul! 

quinta-feira, 2 de maio de 2019

PREVISÃO DE SAFRA

Foto Edaterra Pimenta
Muito fruto na Aroeira,
Tainha de muntuêra!
(Sabedoria praieira)

NA LISTA DA PESCA - A CAMARADAGEM

Foto Fernando Alexandre

Enquanto esperam as tainhas encostarem para o cerco, na porta do rancho o patrão Didi Grande confere a lista dos camaradas que pescam na canoa "Mariposa"!
No Pântano do Sul




RÁPIDA,TAINHA VIRA RAP!


E AS TAINHAS, SEO PEDRINHO?


Pedro Nascimento, o Pedrinho da Garopaba, em 2015 com 73 anos de pescarias no litoral catarinense e gaiteiro dos mais conhecidos fez suas previsões para a pesca da tainha em 2013 em SC!

E a esperança continua...
Os espinheiros floriram e as aroeiras estão carregadas de frutos!
Esse ano vai dar peixe...

O QUE DEU NA MÍDIA...


Missa abriu a safra da tainha 2019(Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense)

Missa no Campeche marca abertura da safra da tainha em Florianópolis

Evento ocorre no rancho do Seu Getúlio, na Praia do Campeche. Pesca artesanal da comunidade recebeu o certificado de patrimônio imaterial de Santa Catarina 

Por Dayane Bazzo
dayane.bazzo@somosnsc.com.br

Há 14 anos o pescador Getúlio Manoel Inácio decidiu realizar uma missa em frente ao seu rancho, na Praia do Campeche, no sul da Ilha, para pedir a Deus bênçãos para a pesca da tainha, que se inicia todos os anos em 1° de maio. Desde então, a pequena cerimônia foi ganhando a comunidade e se transformou em uma festa religiosa e cultural. Mais do que abrir a safra, o festejo mantém a tradição da pesca artesanal.

Nesta quarta-feira (1°), um ano e três meses após a morte de seu Getúlio, pescadores da Capital e de outras cidades de Santa Catarina e a comunidade do Campeche se reuniram para mais uma abertura da temporada de pesca e, como no ano anterior, homenagearam o idealizador e pescador mais querido do sul da Ilha.

— Ele foi quem deu origem a esse evento, começou sozinho e foi juntando pessoas e organizando um evento cada vez maior. Hoje é um dia inteiro de atividades que envolve a pesca, a religião, a cultura, o lazer e o espírito de comunidade. É algo que a comunidade acredita, é a cultura da nossa cidade, é importante para manter aquilo que tem a ver com a história de Floripa e o Campeche é protagonista dessa história — comenta Carla Inácio da Cunha, de 44 anos, uma das filhas de seu Getúlio.
Carla Inácio da Cunha, uma das filhas de seu Getúlio(Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinese)

A festividade começou cedo, às 8h, com café da manhã e seguiu com uma procissão desde a Praça da Estátua do Pescador até o rancho do Seu Getúlio. O cortejo foi aberto pelos casais festeiros carregando as bandeiras do Divino Espírito Santos e as imagens de São Pedro, padroeiro dos pescadores, e São José, padroeiro das igrejas. A missa foi organizada pela capela São Sebastião, do Campeche.

Desde o falecimento de seu Getúlio, quem assumiu o legado foi o sobrinho Pedro Aparício Inácio, de 53 anos. Ele cresceu em meio as redes, barcos e peixes e aprendeu o ofício ainda novo, mas não pensa em parar tão cedo.

— Peço sempre muita saúde a Deus para continuar esse legado que é muito importante para a cultura da nossa região — diz.

E para a safra deste ano, a expectativa é positiva entre os pescadores. Pedrinho, como é chamado pela comunidade, explica que o resultado da pesca depende de vários fatores, se o mar está agitado, se há frente fria e condições do tempo. No caso do Campeche, que tem o mar mais agitado, a espera é por calmaria.

— A expectativa do pescador sempre é muito grande e esse ano já deu muito vento sul, o que vem trazendo o peixe mais cedo para cá, vai ser uma safra boa — acredita.
Procissão contou com a presença dos festeiros do Divino (Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense)
Patrimônio cultural

Nesta quarta-feira, a Associação de Pescadores Artesanais do Campeche também recebeu o certificado que registra a pesca da tainha na comunidade como patrimônio imaterial de Santa Catarina. Claudia Hickenbick, professora do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), explica que o processo começou em 2018, com um projeto de pesquisa, coordenado por ela, sobre a pesca artesanal do Campeche, uma pratica centenária e que passa de geração para geração.

Em novembro, o IFSC solicitou o registro à Fundação Catarinense de Cultura e no mês seguinte saiu oficialmente o certificado, que foi entregue de forma simbólica após a missa desta quarta. 

— Com isso, o Estado reconhece a pesca da tainha como patrimônio imaterial catarinense por 10 anos. Após esta data, se a pratica seguir como ela é hoje, na sua essência e importância, esse título é renovado — explica.

A pesca realizada no Campeche tem peculiaridades que só se encontra por lá. O pescador Hugo Adriano Daniel, 57 anos, que também participou do projeto de pesquisa, conta que, por conta das condições do mar, o tipo de rede utilizada pelos pescadores é diferente das outras regiões.

— Aqui precisamos usar a rede de três panos. Nas outras praias o mar não é tão sinuoso, então o fundo é reto e quando se puxa a rede o peixe vai junto. A tainha é muito rápida e sempre procura se esconder num buraco. Aqui utilizamos a rede para malhar o peixe, ou seja, ele não fica solto na rede, fica malhado primeiro, depois puxamos a rede, isso é uma característica da pesca do Campeche por causa da característica do mar — explica Hugo.

Para ele, que é pescador, o certificado traz segurança para os pescadores para manterem seus ranchos e a pesca.

— Hoje, muitos pescadores ainda pescam para complementar a renda, mas já não é para o sustento. O mais importante agora é manter a questão cultural, quando começa a pesca o pescador não vive mais em casa, ele vive no rancho, mesmo quando não tem peixe, ele vem pra cá cedinho, almoça no rancho e fica na espera, porque a tainha não avisa quando vai chegar, então tem que ficar sempre de prontidão — diz Hugo.
(Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense)

A preocupação dos pescadores em manter a tradição vai além. Pedro Aparício Inácio comenta que as novas gerações já não têm o mesmo apreço pela pesca e não sabe como vai ser quando os atuais homens do mar partirem desta terra. 

— Hoje os jovens só querem ficar na internet, no celular, é outro mundo, eu tenho um filho de 16 anos e vejo o quanto é difícil ele vir para cá e acompanhar a pesca. É complicado, tentamos cativar as pessoas para trazer para perto, para aprender e tomar gosto pela tradição, tentar fortalecer, porque senão vamos perder com o tempo — comenta.

Programação

A abertura da safra da tainha no rancho do seu Getúlio segue durante a tarde desta quarta-feira. Confira a programação:

* 12h – Apresentação de composições musicais sobre a pesca, com Elenir Inácio

* 14h – Atrações recreativas e culturais (corrida de canoa, cabo de guerra, capoeira)

* 15h – Exposição e soltura de tartaruga marinha do Projeto Tamar

* 16h – Apresentação do Boi de Mamão do Campeche 

* 18h – Encerramento

quarta-feira, 1 de maio de 2019

VAI COMEÇAR A PESCA

DESDE 2009, A TRILHA SONORA DO BLOG

Valdir Agostinho trazendo tainhas e muito mais para todos nós!
Pra comemorar os peixes e os afetos!

TAINHA CERTIFICADA

Foto James Tavares


Duas comunidades pesqueiras do litoral catarinense que praticam a pesca artesanal de tainhas receberão o registro de patrimônio imaterial catarinense nesta semana. A primeira delas, que recebe o certificado nesta quarta-feira, 01, é a Praia do Campeche, em Florianópolis. Na sequência, na sexta, 05, é a vez do município de Bombinhas receber a certificação de reconhecimento. O registro de patrimônio imaterial será entregue pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), conforme o Decreto 2.504/2004, como parte das comemorações por seus 40 anos. 

Campeche

O processo de registro teve início em 2017 quando uma equipe de pesquisadores do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC/Continente) reportou à FCC a intenção da comunidade do Campeche que, por meio da Associação dos Pescadores Artesanais, gostaria de ter formalmente reconhecida sua tradição como patrimônio catarinense. A pesca artesanal da tainha no Campeche ocupará o registro de número três, no livro I, Dos Saberes, sendo a segunda comunidade pesqueira em Santa Catarina a ter seus costumes formalmente registrados pela FCC, órgão gestor do patrimônio no âmbito estadual.

A cerim^mia para entrega do certificado será realizada no Rancho do Senhor Getúlio, às 11h.

Bombinhas

A pesca artesanal da tainha praticada no município de Bombinhas, cuja comunidade pesqueira reconhece essa manifestação cultural como "Pesca Artesanal da Tainha com Canoas de um Pau Só", teve seu processo de registro iniciado em 2017 quando a Fundação Municipal de Cultura do Município de Bombinhas entregou à FCC um ofício, endossado pelo Conselho Municipal de Cultura, dando ciência à Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural do órgão sobre a intenção da comunidade de Bombinhas em ter reconhecida sua tradição como patrimônio catarinense. Assim, foi elaborado um dossiê - com a anuência e acompanhamento dos pescadores artesanais - até a conclusão no trâmite de registros de patrimônios culturais. A "Pesca Artesanal da Tainha com Canoas de um Pau Só" ocupará o registro de número quatro, no livro I, Dos Saberes, sendo a terceira comunidade pesqueira em Santa Catarina a ter sua tradição formalmente registrada pela FCC.

O certificado será entregue em cerimônia na Praia de Bombas (acesso pela Rua Tucano), às 10h.

(Via Ascom FCC - http://www.cultura.sc.gov.br/)