terça-feira, 22 de maio de 2018

NA LISTA DA PESCA...

Célio

Seo Aurino  Bruno  Valdir Nhan-nhan


Camaradagem do Pântano do Sul! Na espera das tainhas!

TAINHAS URBANAS

Foto Milton Ostetto
Veja mais no http://miltonostetto.blogspot.com.br/

OUTRAS ILHAS - ONDE O VIGIA É ESPIA!

Pescando tainhas na Ilha do Mel, Paraná, com cerco de praia e onde o "vigia" chama-se "Espia"!

AS TAINHAS DOS FARAÓS


Pescadores egípcios, gravura de aproximadamente 2000 anos AC.

A pesca sempre fez parte das culturas humanas, não só como fonte de alimento, mas também como modo de vida, fornecendo identidade a inúmeras comunidades e como objeto artístico. A Bíblia tem várias referências à pesca e o peixe tornou-se um símbolo dos cristãos desde os primeiros tempos. Uma das atividades com uma história mais longa é o comércio de bacalhau seco entre o norte e o sul da Europa, que começou no tempo dos vikings há mais de 1000 anos.

Embora em algumas localidades egípcias fosse proibido consumir certas espécies de peixe em datas específicas, a maior parte da população comia peixe normalmente. Os habitantes da região do Delta e os que moravam às margens do lago Fayum eram pescadores por profissão. Quanto aos peixes, Heródoto informa que alguns eram comidos crus e secos ao sol ou postos em salmoura.
Entretanto, várias outras espécies eram comidas assadas ou cozidas. Uma vez pescados, os peixes eram estendidos no solo, abertos e postos a secar. Visando a preparação do escabeche, eram separadas as ovas dos mugens (tainhas). Mais uma vez um papiro cita a quantidade de peixes doados a três templos: 441 mil. Os templos recebiam não apenas peixes frescos, mas também secos.

E A TAINHA VIROU PIZZA...

ATÉ TU, TAINHA!
Tainha assada na brasa
(pizza de tainha)

Receita enviada por Cláudio Siegel, de Brasília
Ingredientes
1 tainha aberta por cima ou pela barriga sem a espinha ( fazer um filé)
 1 cebola grande picada; 
1 tomate grande picado; 
Alcaparras a gosto 
Sal a gosto 
Maionese 
Preparo
Temperar a tainha com sal
 Passar a maionese hellmans sobre a tainha 
Colocar a cebola, o tomate e as alcaparras 
Montar como uma pizza sendo a massa da pizza a tainha 
Em um grill colocar a tainha aberta com a escama para baixo 
Assar em uma altura de 30 a 40 cm da brasa, por uns 45 minutos.

VAMOS CHAMAR O VENTO...

Vento que leva o barco
Vento que traz o peixe
Peixe que dá dinheiro
é CURIMÃ!!!
Ê Curimã!!!

CURIMÃ na Bahia e alguns estados do nordeste é a TAINHA

UM RITUAL...


...O vigia dá o sinal
e, logo, feita a tocaia,
pula tainha na praia.

É assim... um ritual...
Cada uma das contendas
guarda as suas oferendas....
(Fragmento de coroa de sonetos de Luís Ernesto Heilborn, em "Jardim do Brasil", Ed. Insular)

REUNIÃO DE PAUTA

Foto Fernando Alexandre

Pântano do Sul

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

segunda-feira, 21 de maio de 2018

A SORTE E O AZAR NA PESCA DA TAINHA

Rede caçoal - Desenho de franklin Cascaes- detalhe

BENZENDO AS REDES
" ...O problema da sorte e do azar sempre existiu. Quando um pescador, quando uma rede pega muito peixe e a outra não, eles começam já a calcular que é azar. Não, foi fulano que botou quebranto, que botou mau olhado, botou olho grande, aquela coisa. O interessante aí é chamar as benzedoras para benzer as redes, colocar água benta em cima das redes, das embarcações: é o exorcismo, não é? Vão exorcisar as redes e os pescadores, dentro dos ranchos. Aquela turma, os camaradas de uma determinada embarcação que acham que é azar, que botaram azar e que por isso eles não estão capturando peixe, chamam então um benzedor que benze todo mundo junto, tira o azar de toda a gente..."

(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997)



  Ilda Martinha Vieira, a tia Ilda, do Pântano do Sul, é uma das últimas benzedeiras da Ilha de Santa Catarina. Aqui ela conta como benze as redes para garantir uma boa pesca, num depoimento a Andrea Ramos.

NA LISTA DA PESCA...



Vairan do Dijo

Fotos Andrea Ramos
Mazinho


Tia Maria - em memória!

SEO LECA E AS TAINHAS - UM DEPOIMENTO!

Manoel José de Campos nasceu em 1938, no Pântano do Sul. Pesca desde os 12 anos de idade - ele acha -  porque não sabe direito quando começou com as lidas do mar. 
Hoje, aos 77 anos, o Seo Leca é sempre presente na praia. Todos os dias ele tá lá, olhando os peixes, o mar e trocando uma conversa em todos os barcos que chegam. 
Sabe de tudo: quem foi pro mar, quem já voltou, quem tá demorando e quem vai chegar mais tarde! 
Tudo que acontece, ele sabe!
Nesse depoimento pra Andrea Ramos, ele conta histórias e estórias da praia e da pesca da tainha naqueles tempos. Um belo depoimento!

CAMINHOS...

Foto Geraldo Cunha
Praia dos Açores

PEIXE DE DEVOÇÃO

"O ilhéu sempre teve um peixe de seu gosto e do seu agrado e, até mesmo de sua devoção: a tainha."

(A. Seixas Netto, meteorologista, cronista e um dos "bruxos" da ilha de Santa Catarina, em cronica no Jornal "O Estado", em 1971.)

TEMPO DE VENTOS


Noroeste na costa
Sul por resposta
(Dito popular praieiro)

PESCANDO TAINHAS NO PÂNTANO, EM 1956!

Pântano do Sul, por volta de 1940
"No dia 13 de maio do corrente ano, tomei o ônibus de Ribeirão da Ilha que faz linha para o Pântano do Sul e fui assistir os pescadores do referido lugar lancearem tainhas. Entre as mil e uma maravilhas que Deus criou nesta Ilha de Santa Catarina, as tradicional pesca da tainha ocupa, sem nenhum favor, o seu lugar de destaque. Pântano do Sul é um recanto aprazível, possui uma pequena capela, dedicada ao grande pescador São Pedro e um regular número de casas. A única indústria que possui é a da pesca, executada ainda dentro de métodos primitivos.

Existem em Pântano do Sul, atualmente uma sociedade entre seis pessoas, que possui seis redes, bem equipadas para a pesca da tainha, tendo cada uma dessas redes 300 braças de comprimento por 12 de largura e todas confeccionadas com fio barbante. A parte superior é entralhada com corda de fibra e cortiça, pequenos pedaços de madeira leve, o que faz flutuar, enquanto que a parte inferior é também entralhada com corda de fibra e chumbo, pequenos saquinhos cheios com areia que, pensado, a levam para o fundo do mar, conservando assim o pano da rede verticalmente.

Em cada extremidade das redes são amarrados cabos de fibra com mais ou menos 200 metros de comprimento cada um, os quais servem para puxar as redes para a praia, depois de feito o cerco ao peixe. São necessários 20 homens para trabalhar em cada rede. A tripulação da canoa é composta de sete camaradas, que são: o patrão, o chumbereiro, o corticeiro e quatro remeiros. Quando se aproxima o tempo da pesca da tainha, as redes são colocadas dentro das canoas com seus respectivos equipamentos e toda a “camaradagem” fica alerta, inclusive os moradores do lugar.

VIGIA
Além dos 20 homens que trabalham com as redes há os “camaradas vigias”. Estes são escolhidos e considerados entre a tripulação como verdadeiros técnicos na arte de enxergar o peixe nadando em direção dos lanços, isto é, lugares onde podem ser cercados com as redes. O número de vigias em Pântano do Sul é de um 20 homens, que se distribuem em volta da praia sobre cômoros e penhascos, permanecendo aí dias inteiros, vigiando com muita atenção o aparecimento dos peixes no lanço. Esses homens têm grande responsabilidade no êxito ou fracasso da pesca.

Quando um deles avista o peixe vindo em direção aos lanços, entra imediatamente “em conselho” com outros vigias para ver se convém ou não dar sinal à tripulação que está na praia aguardando ansiosamente a ordem de cercar. O peixe aparece, às vezes, em “magotes” (pequena quantidade) “fuzilando” (virado de barriga para cima), em “cano” (uma fila em direção ao lanço), em “manta” (quantidade regular), em “cardume” (quantidade maior) e finalmente, um “encarnado”, que são justamente muitos milhares de peixes. Quando o peixe entra no lanço e a quantidade é compensadora para uma boa pesca, os vigias iniciam o sinal e a tripulação que está na praia começa a correr em direção ao povoado, soltando uma espécie de clamor ou “apupo”, que ecoa pelos ares, alertando toda a população, que corre em disparada a caminho da praia para trabalhar ou assistir o espetáculo tradicional e maravilhoso que é a pesca da tainha, presente que o “Creador” vem lhes dando ano após ano desde o tempo dos seus antepassados.

SINAIS E POSIÇÕES DOS VIGIAS 
EM RELAÇÃO À SITUAÇÃO GEOGRÁFICA DA PRAIA

Combinada a ordem do sinal, os vigias entram em ação. Para dar os sinais, isto é, “abanar”, usam paletós, panos ou chapéus. Para a embarcação com a rede sair do rancho, até a “pancada da maré”, os vigias abanam à frente; para iniciar o cerco da praia até alcançar o lanço, abanam para o lado do Sul; para fazer o cerco, abanam para o lado Leste ou Oeste, conforme a posição do vigia; para fechar o cerco, abanam para o lado Norte. Para sair só uma embarcação com a rede, o vigia conserva-se no lugar onde está colocado.

Se eles calcularem o cardume que entrou no lanço em muitos milhares, então o sinal é dado da seguinte maneira: para sair outra canoa com rede o vigia desce do cômoro ou penhasco e vem colocar-se na praia junto ao mar; para duas redes, desce outro vigia e coloca-se ao lado do primeiro; para três redes, desce o terceiro e coloca-se ao lado do segundo e assim até completar o número de seis, se for preciso, e que é justamente o número de redes que eles possuem em Pântano do Sul. Quando o peixe aparece à noite, os sinais são dados dos mesmos lugares, cômoros ou penhascos, com fachos de bambus secos ou com tições, obedecendo o mesmo ritmo anterior, que é a tradição do lugar.

O CERCO

Quando o cerco é feito por mais de uma rede, acontece o seguinte: a primeira fica mais próxima da praia; a segunda contorna a primeira; a terceira contorna a segunda; e assim sucessivamente, formando uma espécie de semicircunferência concêntrica. A tainha ao sentindo-se cercada vai pulando por cima da rede, passando de um cerco para outro. Por essa razão é que a última rede consegue prender maior quantidade de peixe.

PUXAMENTO DAS REDES 
PARA A PRAIA APÓS O CERCO

Terminando o cerco, encalham a canoa na praia e sua tripulação corre para auxiliar os camaradas encarregados de puxar a rede. À medida que a rede vai se aproximando da praia, eles a vão contornando com os pés sobre a tralha inferior e com as mãos suspendendo a tralha superior acima da superfície do mar para evitar que grande quantidade do peixe cercado consiga passar por baixo ou saltar para cima da rede. Ao chegarem com a rede na praia, jogam todo o peixe que conseguiram pescar, num monte, recolhem a rede na canoa e voltam para ajudar os camaradas da outra rede que está em segundo lugar e assim vão fazendo até terminar de recolher a última rede que está no cerco. Quando não há mais peixe para lancear, recolhem as canoas para os ranchos e estendem as redes nos varais para secar.

DISTRIBUIÇÃO DO PESCADO

O peixe é dividido em duas partes, em quantidade e tamanho iguais. Uma parte pertence aos seis donos das redes que formam a sociedade. A outra pertence aos 120 camaradas e é dividida entre os mesmos em quantidade e tamanho iguais. Além do quinhão de camaradas, cada remeiro tem direito a uma tainha por mil e o vigia tem direito a 28 por mil, que corresponde ao quinhão de sete camaradas."

(De " Crônicas de Cascaes" – primeiro volume
Fundação FRANKLIN CASCAES 
No dia 13 de junho de 1956 foi publicado a primeira crônica de Franklin Cascaes no Jornal A Gazeta, intitulada A PESCA DA TAINHA NO PÂNTANO DO SUL”.
Acervo: Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral/UFSC
Pesquisa do José Luiz Sardá.)

domingo, 20 de maio de 2018

DANDO NOME AS TAINHAS



Foto Fernando Alexandre


Curumari – Como são chamadas as tainhas que vivem na Lagoa do Peri, em Florianópolis.
Tainha Facão – É a tainha que já desovou e está bastante magra. O mesmo que tainha Pau.
Tainha Pau - É a tainha que já desovou e está bastante magra. O mesmo que tainha facão.
Curimã – Nome que é dado às tainhas na Bahia.
Cambira – Como são chamadas as tainhas secas – escaladas – em São Francisco do Sul e região.

PEIXE DE DEVOÇÃO!

Comentário de agora ha pouco no facebook

Claudia De Macedo Soares Tô indo prá Floripa e vou comer tainha até estribuchar. Kakakakaka

Quando o urubu dobra,
boa coisa não vem...
(Dito popular)

MAR DO PAULO GOETH


SEM VENTO

Resultado de imagem para farol de santa marta

Só se corria notícia
De Santa Marta para lá
O peixe tava em cardume
Sem vento pra viajar



(Verso de pescador de tainhas da Ponta do Papagaio, inverno de 1957, quando os peixes também  rarearam)

D. BILICA, AS TAINHAS E O FRIO...

AS NOVAS TAINHAS...

Arte Andrea Ramos
Como as tainhas verdadeiras ainda não começaram a "urrar nas praias" da ilha, como dizia o bruxo-mor Franklin Cascaes, diversos outros tipos estão surgindo nas "mídias" e nos papos dos botecos e peixarias.

Na Joaquina, os minguados e pequenos peixes que cercaram eram as "Tainhas Migueli", assim batizadas em homenagem ao Miguel Livramento, que costuma afirmar que "é baixinho mas é bom"!
Na serra, com os fortes ventos da semana passada e a baixa temperatura, não deu outra: cercaram em uma cachoeira, "lá no Urubici", uma manta de "Ovinhas", tipo de peixe muito comum por lá nesta época do ano, um cruzamento de ovelhas com tainhas.
E no "Pantu Súli", na " Petiscaria Capitão Ademir", já estão vendendo as "Tainhas Fashion", especiais para quem gosta de desfilar e andar sobre as águas.

sábado, 19 de maio de 2018

NA TORCIDA

O Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste é um dos espaços que ganhará conselho consultivo - Flávio Tin/ND

Parques Naturais das Dunas da Lagoa da Conceição e Lagoinha do Leste são readequados

Com aprovação de projetos de lei na Câmara de Vereadores, as áreas podem agora ter um conselho e implementar um plano de manejo 

FELIPE ALVES, FLORIANÓPOLIS

Após três anos tramitando na Câmara de Vereadores, foram aprovados na última quarta-feira (16) os projetos de lei que regularizam dois parques naturais de Florianópolis para adequá-los ao Snuc (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza). Com as mudanças, as áreas ganham novos nomes: Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição e Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste. Os próximos passos, sob orientação da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), serão a criação de conselhos consultivos e a construção dos planos de manejo de cada área para definir o que será permitido ou não em cada local.


Entre as mudanças nos parques estão a redefinição das áreas e também a retirada de algumas áreas de conflito por uso consolidado de moradores. De acordo com Mauro Manoel da Costa, chefe do departamento de unidades de conservação da Floram, a aprovação das leis é importante para adequar os parques à nova realidade, já que eles foram criados em épocas que não existiam procedimentos, regras e limites claros para a implantação de parques. “O município criou muitas unidades antes do ano 2000 que têm que passar pelo mesmo procedimento de reavaliação para se adequarem ao sistema”, afirma.

Mas ainda deve demorar para que os dois parques tenham seus planos de manejo finalizados e implementados. Em 2016, a Câmara aprovou o Parque Lagoa do Jacaré das Dunas, no Santinho, e o Monumento Natural Municipal da Galheta. Somente agora é que a Floram conseguirá implementar os conselhos dessas áreas para discutir o plano de manejo. “Conversamos com eles e vamos criar um conselho conjunto, isso vai agilizar todo o processo. Nada impede que para os próximos parques nós façamos dessa forma”, diz Costa, que precisa enfrentar os gargalos burocráticos para conseguir implementar as mudanças.

Novas mudanças em parques

Florianópolis tem nove unidades de conservação no formato de parques. Somente um deles, o Parque Municipal Natural do Morro da Cruz, tem plano de manejo, o que permitiu criar sede administrativa, áreas de lazer e dar mais estrutura. A Floram está finalizando os estudos para o Manguezal do Itacorubi e da Lagoa do Peri para encaminhar ao Legislativo e readequar estas áreas também. De acordo com Mauro da Costa, da Floram, uma unidade de conservação permite uma gestão mais próxima da área, com maior contato com a comunidade e a possibilidade de a área ser autossustentável.
A lei 16.176/2015, que criou o Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição , delimita a área da unidade em 729,82 hectares, e inclui a Lagoa da Chica, a Lagoa Pequena, a região da Joaquina e da avenida das Rendeiras. A lei 16.586/2016, que criou o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste, delimita a área da unidade em 920,54 hectares.
A área do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição tem área de 729 hectares - Flávio Tin/ND
(Do https://ndonline.com.br/)

MAR DE TAINHAS


A surpreendente "corrida da tainha"

Tainhas realizam imensas agregações durante o período reprodutivo. Essas agregações podem ocorrer bem próximas à costa, como no vídeo, ou em mar aberto, depende de correntes marinhas e outros fatores. A extensão dessas agregações ou o tamanho da "corrida da tainha" depende das condições climáticas e oceanográficas de cada ano.
O fenômeno chamado de hiperestabilidade, que pode mascarar a diminuição do estoque da espécie pelo fato de que as grandes agregações garantem, sempre, grande potencial de captura. Esse fenômeno é uma das razões da fragilidade da espécie e explica o grande cuidado que se deve ter no manejo desta pescaria. 
É impressionante, não?

(Do Oceana Brasil)

AS TAINHAS?

Foto Stephan Kerkhofs/Shutterstock
Você sabe onde tem mais tainha no Brasil?

A tainha (Mugil liza) é um peixe encontrado ao longo de toda a costa brasileira. Não se sabe quantas populações existem ao Norte do Rio de Janeiro, mas, o "estoque sul de tainha" é o mais abundante e se distribui entre São Paulo e o norte da Argentina.

Esse estoque, ou população, é também o mais explorado e representa em torno de 95% dos desembarques, por isso, ele tem extrema relevância econômica, socioeconômica e cultural, já que sua pesca é uma das mais tradicionais do país.
Além de sua importância econômica, a tainha também possui grande importância ecológica, porque serve de alimento para outras espécies de peixes, além de transportar energia e nutrientes entre ecossistemas marinhos e estuarinos. Portanto, a manutenção dessa população em patamares saudáveis é extremamente importante para o pais e para a região.

MAR DE POETA


O VENTO QUE O SUL TRAZ

Vento sul, velho marujo:
Nada é mais forte ou presente
em dias assim. Não é só a luz.
urge
De repente, como se diz,
Depois de uma calada estranha.
Abril é o mês das melhores manhãs.
A Terra gira em torno de seu eixo
(acelerando o tempo)
E continuamos aqui.
O outono na ilha em seu apogeu.
Peixes são limpos
Perto das canoas.
O horizonte foge, leva as montanhas,
Deixa só o mar.
A vida prossegue.

As ondas,
Os siris,
Os pescadores,
Carregam este filme nas costas.

***
(Do Rodrigo Garcia Lopes, em  "Experiências Extrardinárias" (Kan Editora, 2014))

sexta-feira, 18 de maio de 2018

APRENDENDO COM O PATRÃO


E o peixe "abriu..."
Tarde de 15 de maio de 2012 na praia do Pântano do Sul, dia da abertura oficial da pesca da tainha na ilha de Sata Catarina. Os vigias abanam de cima das dunas,
a comunidade apupa na praia e Sêo Vadinho, experiente pescador de praia e mar, patrão dos bons da pesca da tainha - hoje proprietário do "Bar e Restaurante do Vadinho" - explica como
se dá o cerco na praia.
Os peixes "abriram" e este lanço acabou não se realizando, mas menos de 1 hora depois foram
cercadas e arrastadas para a praia 1.137 tainhas.

ONDE ESTÃO AS OVAS DAS TAINHAS?

Foto: Reprodução / Instagram @alexatala

Empresa de Itajaí exporta ovas de tainha para os Estados Unidos

A Bottarga Gold, empresa de Itajaí especializada no processamento de ovas de tainha _ o caviar brasileiro _ acaba de dar um passo importante rumo ao mercado internacional. A iguaria, que é amplamente consumida nos melhores restaurantes do país (chefs como Alex Atala e Claude Troisgros são alguns dos clientes famosos), está sendo exportada para os Estados Unidos.

Além de ampliar o mercado, a exportação trouxe um upgrade ao volume de produção da empresa, que passou de 100 para 400 toneladas de bottarga ao mês. Detalhe: 300 toneladas só para o mercado externo.

Para quadruplicar a quantidade de produtos produzidos, a Bottarga Gold adquiriu mais equipamentos e está pronta para novas expansões. A empresa está de olho, agora, no mercado europeu _ a expectativa é começar a exportar para o Velho Mundo no início do ano que vem.
O que faz da ova de tainha um sucesso tão grande é o sabor diferenciado, a versatilidade de uso (diferente do tradicional caviar de estrujão) e o preço. A saborosíssima bottarga é vendida a em média R$ 500 o quilo, enquanto o caviar não sai por menos de
R$ 10 mil.

Na verdade, chamá-la de caviar é “maneira de dizer”, já que o preparo é totalmente diferente. O caviar tradicional sai das vísceras da fêmea direto para a latinha, enquanto que a bottarga passa por um processo de secagem antes de ser embalada.

É vendida de várias formas diferentes _ inteira, ralada ou granulada, envolta ou não em cera de abelha. A iguaria é típica do nosso litoral, que aprecia muito as tainhas, mas costuma ser feita de maneira artesanal. A empresa de Itajaí é pioneira na produção e a única a possuir o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) no país.

(http://wp.clicrbs.com.br/guarda-sol/)

GOVERNANDO O PEIXE

Foto Fernando Alexandre

RÁPIDA,TAINHA VIRA RAP!


MAR DA LILA FIGUEIREDO

Celacanto Ostentatorius

ATUM E OVAS DE TAINHA


União Europeia anuncia embargo ao pescado brasileiro

Por Dagmara Spautz

O impasse entre o Ministério da Agricultura e os países europeus em relação à exportação de frango respingou na pesca. A União Europeia avisou o governo brasileiro, na quarta-feira, a decisão de embargar o pescado nacional.

As exportações do setor pesqueiro já estavam suspensas desde janeiro, por decisão do Ministério de Agricultura brasileiro. Na época, a União Europeia havia emitido um relatório em que alertava o Brasil sobre a inadequação às regras impostas para o envio de pescado aos países que integram o acordo.
A decisão do Ministério foi uma tentativa de evitar o embargo unilateral. Agora, a avaliação de pessoas ligadas ao governo e ao setor pesqueiro é de que o novo embargo torna a possibilidade de voltar a exportar para a Europa ainda mais difícil.
A decisão atinge em cheio a pesca catarinense. Só no ano passado o Estado enviou o equivalente a US$ 2,49 milhões em produtos do setor pesqueiro aos países que fazem parte da União Europeia. Nossos principais produtos de exportação são o atum e as ovas de tainha, que têm na Europa seu principal mercado consumidor.

Inadequação

Três pontos apareceram no relatório da União Europeia, após auditoria feita no ano passado, como problemas no pescado brasileiro. Nas embarcações visitadas, algumas precisavam melhor o controle de temperatura e de maior cuidado com a qualidade da água dos barcos. Há pedido para verificar a regulamentação dos locais de desembarque. E, por fim, para melhorar o controle de metais pesados, como cádmio e estrôncio, no peixe que é exportado. Essa última questão foi considerada parcialmente corrigida desde 2012, quando foi feita a penúltima vistoria. Mas os europeus pedem que as indústrias realizem mais testes.

Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, seis empresas tiveram irregularidades identificadas pela auditoria — por isso o restante dos empresários se sentiu "punido" injustamente com a suspensão das exportações.

Uma parceria entre o Estado e o governo federal tentou criar uma autorização provisória para retomada das exportações, através de vistorias nos barcos de pesca e locais de desembarque. Apenas um barco catarinense teria passado pela inspeção, devido a um desentendimento sobre as regras de armazenagem do pescado entre o setor produtivo e a fiscalização.

O SEXO DAS TAINHAS


Existe um equilíbrio entre machos e fêmeas na constituição dos cardumes de tainhas. A fecundação é externa. Óvulos e espermatozóides são lançados no mar e se encontram ao acaso.

PEIXE INTELIGENTE

Foto Andrea Ramos
"...A tainha é um peixe muito inteligente. Ela procura se salvar por debaixo da "tralha" da rede ou por cima, saltando. Ela tanto salta como mete a cabeça na terra e foge. Por isso, quando a rede está perto da terra e o pescador pode chegar com água pelo pescoço, ele vai com os pés por cima do chumbo, vai apertando para o peixe não passar por baixo. Mas ele salta muito, perde-se muito peixe. Ele é muito inteligente. As vezes as canoas ficam por fora e a tainha pula para dentro das embarcações..."
m(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997)

ESQUEÇAM DA TAINHA...


Se inté dia di São Pêdru
Nau houvé um corso fórti
Esqueçam todus tainha
Pôs u anu foi sem sorti

(Quadra popular registrada pelo prof. A. Seixas Netto, século passado, na ilha)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

DE OLHO NO PEIXE!...


A LÍNGUA DA PESCA

APUPO – Grito que é dado e vai sendo repetido pelos pescadores e camaradas que estão na praia para avisar que um cardume de tainhas foi avistado e vai ser cercado. O apupo corre de boca em boca por toda a comunidade, levando centenas de pessoas para a praia para ajudar na pesca, ganhar alguns peixes ou mesmo festejar. O apupo varia de praia para praia. No Pântano do Sul, por exemplo, o grito repetido de boca em boca é ÚÚÚÚÚ!!! Na Barra da Lagoa o aviso é Fora! Fora! Fora! Na Armação, é Tão Abanaannnndo! Tão Abanaannndo!

ÚÚÚÚÚ!!!!!
– Grito que avisa aos pescadores e a comunidade do Pântano do Sul que uma manta de tainhas foi avistada próxima a praia e que pode ser cercada. O apupo – grito - começa logo após os vigias sinalizarem com suas camisas a existência de peixes.

A TAINHA E O PÂNTANO DO SUL


A percepção de estarem rodeados por uma forma de vida simples, cheia de valores humanos, e que é regida por um cultura sob risco de extinção, promoveu em três amigos argentinos o desejo de retratar o cotidiano dos pescadores artesanais de tainha do Pântano do Sul, em Florianópolis. A comunidade, de cerca de 500 pessoas, recebeu Sergio, Alberto e Guillermo no verão de 2010, como turistas. Naquele verão na praia do sul da Ilha de Santa Catarina, Sergio Stocchero, premiado cineasta argentino, saiu instigado pela peculiaridade e valores do modo de vida dos pescadores de tainha.

Assim nascia a proposta do documentário “Tainha”. Dirigido por Sergio Stocchero, produzido por Alberto Bonafé e com assistência de produção de Guillermo Alonso, a película retrata a vida desta comunidade, composta, em sua maioria, por pessoas mais velhas, algumas com mais de 80 anos e até por uma pessoa com mais de um século de vida nesta lida.

Tainha
“Tainha” é o título do longa metragem documental que estreia no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) de 2019. Com apoio do Departamento Artístico Cultural da UFSC (DAC) e 

da Universidad Nacional de Villa María, de Córdoba (Argentina). Do tecer as redes a pintar e benzer canoas, as diversas atividades que compõem o trabalho social da pesca de tainha da comunidade são narradas pelos próprios sujeitos.


Os depoimentos são captados sem iluminação artificial. Durante o dia e no decorrer da noite, as tomadas externas e internas expõem o dia-a-dia dos pescadores em uma fotografia que prima pelo enquadramento narrativo e dramático da paisagem como uma pintura. O recurso da animação, no entanto, entra em cena quando a película retrata o trajeto das tainhas em sua desova no mar, percurso esse que os olhos treinados dos nativos captam e que também retrata as atividades da comunidade. A trilha sonora do filme é ilhéu também, com duas canções de músicos catarinenses.

A pesca artesanal de tainha

A tainha é um peixe que vive em água doce na maior parte do ano. Com a chegada o inverno no hemisfério sul, a espécie migra da bacia do Rio da Prata (Argentina e Uruguai) e da Lagoa do Patos (Rio Grande do Sul) para as praias catarinenses. No litoral de Santa Catarina, a tainha desova em águas salgadas, entre os meses de maio e julho.


Já em 1577, Hans Staden (1525-1579) relatou a prática da pesca desse peixe realizada pelos povos Carijós. A tradição indígena foi adaptada pelos colonizadores açorianos, que introduziram modificações técnicas no manuseio da canoa fabricada a partir de um único tronco. A pesca da tainha tem conservado, assim, uma prática que remete à produção da vida dos povos originários de Florianópolis, e que se modificou e foi incorporada à tradição açoriana ilhéu, como elemento agregador social e constitutivo da cultural local.
Esta tradição, entretanto, tem se reduzido gradativamente. Hoje são poucas as comunidades que têm sua vida organizada a partir da pesca artesanal de tainha. No Pântano do Sul, os pescadores artesanais têm relatado a dificuldade de inserir as novas gerações nesta cultura. A crescente imigração, o aumento demográfico e populacional e as alterações climáticas são alguns dos fatores que têm influenciado contrariamente à transmissão desses saberes.

A preservação da cultura local: do encantamento à obra de arte


“Uma mirada sobre a vida”. Assim Sergio Stocchero sintetiza a obra que dirige. Filmada na vasta área, que abrange 10% do território de Florianópolis, mas habitada por somente 0,5% dos moradores do município, o filme é resultado de um longo e cuidadoso processo de pesquisa. Para retratar esse “símbolo da esperança, que é a tainha, este peixe que viaja por três países, integrando povos e que nunca se sabe se será abundante”, como afirmou Sergio, a equipe que realiza o documentário tem feito diversas viagens da Argentina ao Pântano do Sul há quatro anos consecutivos.

Nesse percurso, foi coletado material desde fevereiro de 2015, o que permitiu a aproximação com os pescadores locais e possibilitou à equipe conhecer toda a cultura que gira em torno da pesca artesanal da tainha. Entre 2016 e 2017 foram realizadas quatro viagens de trabalho e, durante o mês de maio de 2018, são gravados os últimos depoimentos, capturando o cotidiano, as pescas, as confraternizações e as crenças que compõem e permeiam a realidade exibida no longa metragem.

A partir de 20 de maio, os três amigos que vieram ao Pântano do Sul para passar despreocupadas férias, passam à busca por apoio para finalizar a produção e pós-produção do material. A finalização do documentário será realizada na Argentina, onde residem e refletem com empatia sobre a pequena parcela de sujeitos que carrega consigo séculos de uma tradição que constitui o modo de vida de todos os que habitam a Ilha de Santa Catarina.

Texto: Equipe Agecom/UFSC
Fotos: divulgação