domingo, 26 de maio de 2013

TAINHA NO FEIJÃO

A receita da tradicional "Tainha no feijão" muito apreciada pelos moradores da Ilha de Santa Catarina, foi registrada por Franklin Cascaes , artista, folclorista e pesquisador da cultura local (1908-1983). No vídeo abaixo a comandante Zenaide diz como faz este saboroso prato , tipicamente mané, em seu restaurante Pedacinho do Céu, na praia do Pântano do Sul. Um bom programa para este fim-de-semana azul e ensolarado!
Bom apetite.
A Receita de Franklin Cascaes
"...Naquela época, nessa época agora de maio, quando as tainhas urravam na praia, tainha desse tamanho, de dois quilos e meio, três quilos, gordas, eles faziam feijoada.
Um bruto pedaço de toucinho, cebola verde e alho, e depois pegavam aquelas postas de peixe, botavam dentro do feijão para cozinhar. O peixe dentro do feijão cozinha em dez minutos e já está pronto. E depois ficavam ai controlando, e quando o peixe estava cozido, tiravam para comer com pirão de farinha.
É uma comida ótima, não faz mal para o organismo. Não é como essas comidas enlatadas, são veneno...Ah, meu amigo, eu ví coisas boas da época. O peixe era em quantidade. Só passava fome, mesmo, quem não queria pelo menos ter uma tarrafa. Quem tinha uma tarrafa, era rico..."

(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997)

sábado, 25 de maio de 2013

Foto Alcides Dutra
Uma trabalha, as outras vão atrás. Parece familiar?
(Via Alcides Dutra)

Vamos chamar o vento!


A Tainha baiana de Mestre Caymmi 
Agora, é esperar que o tempo esfrie e que o vento súli sopre com força e vontade pra encostar o peixe, afinal...
. O vento é que traz o Peixe O peixe que dá dinheiro é CURIMÃ...
. Na Bahia, Curimã é tainha.

Na lista da pesca...


Alan, camarada fashion
Piranha, vigia Vadinho, camarada Seo Leca, camarada
Fotos Andrea Ramos/Fernando Alexandre
Seo Anísio, camarada

OS LIMÕES JÁ ESTÃO MADUROS!

Foto Fernando Alexandre
AGORA, SÓ FALTAM AS TAINHAS!

LÁ NO FUNDO... com Alcides Dutra

Foto Alcides Dutra
Num costão bem conservado, a disputa por espaço é tão intensa que nem os mexilhões conseguem imperar. Eles disputam com esponjas, cnidários e mais uma enorme variedade de organismos. É o retrato da alta biodiversidade dos costões voltados para o mar aberto, na ilha Moleques do Sul.
(Do Alcides Dutra - Instituto Laros)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

TROCANDO O ONTEM POR HOJE!

No Pântano do Sul, são 24 horas!

Foto sem crédito
Hoje no Canto Sul da Praia dos Ingleses -  600 Tainhas..............que venham outras mais!

TAINHA A R$ 6 O QUILO!


Peixe barato


Acredite: tainha fresca a R$ 6 o quilo. O preço justo para o pescado está sendo praticado no Caminhão do Peixe, que segue passando pelos bairros de Florianópolis. O caminhão oferece peixes e outros frutos do mar a preços acessíveis para a população. Roteiros: Canasvieiras (segunda, 27), Saco dos LImões (terça, 28), Capoeiras (quarta, 29) e Vila Aparecida (1/6, sábado).

(Da coluna "Ponto Final", do Carlos Damião no ND de hoje - www.ndonline.com.br)

A TRADICIONAL TAINHA DO MANDALA

Criado no Pântano do Sul em 1987 pelos pescadores Carlos e Osmar Costa, o restaurante "Mandala" tornou-se um dos ícones da tradicional cozinha da ilha. Carlos Alberto é quem nos passa a receita da deliciosa tainha recheada que é servida no restaurante.

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

A triste previsão do "bruxo"

Foto Fernando Alexandre
"...Mas as festas da pesca da tainha está por terminar. Os barcos de alto mar pescam as mantas antes que cheguem às redes dos tradicionais, valorosos e históricos pescadores ilhéus. 
É o progresso, sem dúvida, mas é pena..."
(A. Seixas Netto, em 1971)

A turma da plancha e os pescador...

Darci, um "manezinho" irreverente, personagem criado e interpretado pelo compositor e músico da banda Dazaranha, Moriel Adriano da Costa é apresentado diariamente em pequenos programetes na Rádio Atlântica FM.
Nesse programa ele fala dos surfistas e da pesca da tainha.

DE OLHO NO MAR - OS VIGIAS

Foto Fernando Alexandre

Sempre colocados nos pontos mais altos das praias, os vigias batem o olho nos cardumes e acenam com seus casacos para que os camaradas cerquem o peixe. São eles também que orientam o cerco e dizem quantas canoas e redes são necessárias, de acordo com a quantidade de tainhas que se aproximam da praia.
No Pântano do Sul, a observação é feita de dois pontos fixos no alto dos comoros - as dunas - e de bicicletas que circulam com os vigias por toda a praia. Na vigia principal, chamada de Sêo Domingos (em homenagem a um dos melhores e mais antigos vigias já falecido), fazem plantão o Piranha, o Sérgio, Sêo Carlinhos, Mamão, Arantinho, Nequinha, o Bá, e o Ninico, entre outros. Na vigia dois, o Amarildo, Vadinho, Zequinha e Toninho do Alécio. Pela praia, circulando de bicicletas estão o Roberto, Sêo Odi e o Amaro.

Na pesca da tainha, os vigias são peças fundamentais. São eles que avistam os peixes e orientam os camaradas na praia para realizarem o cerco. Pescador desde pequeno, historiador, dono de restaurante e também vigia, Arante Monteiro Filho, o Arantinho, fala da importância dos vigias na pesca da tainha.
José Ercílio Gonçalves, o Piranha, é um dos mais experiêntes vigias do Pântano do Sul. Nascido no Campeche há 57 anos , ele está na pesca desde os quatorze. De sóli parido a sóli murrido ele está lá na vigia, concentrado nos cardumes e de olhos fixos no infinito. Hoje, é um dos poucos camaradas que vivem exclusivamente da pesca. É um pescador profissional. Sem descuidar do mar, ele explica como é que vê os peixes.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

AS RAINHAS BORDADAS

Fotos Fernando Alexandre

A CENTENÁRIA "ESPÍRITO SANTO"

A canoa Espírito Santo tem muita história para contar. É a mais velha do Pântano do Sul.
Só com a família do Dário Coelho ela já está há quatro gerações, mais de 100 anos. E sempre na lida da pesca da tainha.

Mas antes de vir para cá, ela já tinha cortado muito mar na Caieira da Barra do Sul, do outro lado da ilha, onde provavelmente tomou forma no tronco de uma frondosa Figueira.

É uma "canoa bordada". "Canoa de borda alta". Já teve outros donos e outros nomes. O de Espírito Santo ganhou de Sêo Manoel Vicente, o Vidoca. Ele era avô do Dário e foi quem realizou a primeira Festa do Divino Espírito Santo no Pântano.

Hoje quem "patroneia" a canoa é o próprio Dário que, aos 48 anos, nem lembra quando foi que começou a pescar. Sempre esteve no mar, de frente para ele. Como a Espírito Santo, que passa todo o ano dentro do rancho na praia, esperando as tainhas chegarem...


 Lá no restaurante da família que, desde 1995, leva o nome de Restaurante Canoa Grande. Em sua homenagem.

MEMÓRIA DAS ÁGUAS


A caravela "Speedwell", da frota de Shelvocke, que visitou a ilha em 1719

BEM PROVIDOS DE TAINHAS...
"...com respeito a pesca, eles têm uma grande abundância de diversas espécies de bons peixes e não lhes faltam ótimos lugares para lançar as redes de arrastão. Todas as suas baías e regatos estão bem providos de tainhas, grandes arraias, bagres, cavalinhas, peixes-tambor (que são assim chamados por causa do ruido que fazem, por meio do qual são seguidos até as águas rasas e lá capturados), alguns com 20 ou trinta libras de peso, sendo suas escamas do tamanho de uma moeda de libra. Os portugueses os chamam de meros..."

 
(Relato do Capitão George Shelvocke, navegador inglês que visitou a ilha de Santa Catarina em 1719)

TAINHA EMBUSTEIRA

Banda "Pedra do Urubú" - Praia do Campeche

MAR DE CARYBÉ

"PUXADA DE REDE" - do Carybé

FISCALIZAÇÃO DA PESCA

Foto Marco Santiago/ND
Soldado Nathan Costa (E), participa de operação com o colega Diego Miranda
Modelo em Laguna, Programa de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras é subaproveitado no Brasil

Guarnição responsável pelo patrulhamento no Sul de Santa Catarina repassa conhecimentos teóricos e práticos para evitar conflitos da tainha

por Edson Rosa

Eles também utilizam velhos revólveres calibre 38, pistolas automáticas de repetição e potentes fuzis 762. Mas é o computador a arma mais eficaz da Polícia Militar Ambiental para patrulhamento oceânico contra a pesca ilegal de tainhas nos 561 quilômetros do litoral catarinense. A bordo ou em terra, é no nootebook que começa o trabalho dos policiais.

De olho na telinha ou na imagem projetada na sala de instruções, antes de saírem ao mar as guarnições abrem o Preps (Programa de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras) de onde monitoram o posicionamento da frota industrial brasileira. Acompanham minunciosamente as operações de pesca e navegação,  espécie e quantidade capturadas, local do cerco, destino da carga e documentação de embarcações, armadores e tripulação de barcos acima de 15 metros de comprimento e capacidade para transportar até 50 toneladas.

Até 31 de julho, as atenções estarão voltadas a 60 traineiras licenciadas para pesca fora do limite de cinco milhas náuticas – ou 9.260 metros – definidos pela portaria 171 do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovávesis). No Rio Grande do Sul, a área de exclusão da frota industrial aumenta para dez milhas, enquanto no Rio de Janeiro é de apenas três.

Um a um, os barcos aparecem na tela. Com alerta de vento sul, atingindo 60 quilômetros por hora e ondas de até seis metros, nos dois últimos dias a maioria das embarcações permaneceu atracada nos portos ou fundeadas em áreas de abrigo de enseadas e ilhotas da costa.

 “Neste meio tempo, aproveitam para fazer manutenção nas redes”, observa o soldado Robson Vieira, 42, um dos pilotos da Guarnição Seap 01, da 3ª Companhia, com sede el Laguna. Estudante de engenharia da pesca no campus de Laguna da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), ele abastece colegas de farda com as informações trazidas também da sala de aula.

Estrutura subaproveitada na fiscalização

Das 28 lanchas oceânicas equipadas com o programa de rastreamento entregues pelo Ministério da Aquicultura e Pesca entre 2009 e 2010, apenas quatro estão aptas para operações de patrulhamento marítimo em Santa Catarina. Três ficaram com a Polícia Ambiental, nas companhias de Laguna, Florianópolis e Joinville, e a outra com a Delegacia Marítima da Polícia Federal, também na Capital.

Do restante da frota comprada com suspeita de superfaturamento, por R$ 1,6 milhão a unidade, quatro estão avariadas, e das 16 repassadas à Marinha do Brasil, nenhuma é utilizada para fiscalização da pesca no litoral brasileiro.  “Existe a tecnologia do Preps, mas falta pessoal capacitado”, diz o major Jefer Fernandes, comandante da 3ª Cia, com sede em laguna e jurisdição no litoral sul, de Imbituba a Passos de Torres. Segundo o oficial, o controle do esforço de pesca, com investimento em tecnologia e fiscalização, é fundamental para garantir o futuro dos estoques marinhos. “A presença física da Polícia é importante para preservar cardumes com valor econômico”, acrescenta o major Jefer.

No caso específico da tainha, a ampliação do período de defeso, com suspensão das operações de pesca ano sim e ano não, seria uma alternativa para recomposição temporária dos cardumes. “O rodízio é fundamental”, diz. “Nossa missão é preventiva, evitar conflitos e a pesca predatória. Seja com tecnologia ou com a preparação peculiar da Polícia Militar para agir de acordo com cada situação”, diz o sargento Robson Maximiano, comandante de uma das guarnições em Laguna.

Menos impactante, pesca artesanal de arrastões de praia é fiscalizada também de acordo com a portaria 171/2008 do Ibama. Considerada mais ecológica, representantes da modalidade mais tradicional no litoral catarinense, se sentem discriminados.

Panela de alumínio para burlar sistema

O programa de rastreamento por satélite instalado nas lanchas das Polícias Ambiental e Federal é como a caixa preta da frota pesqueira. Um clic no mouse é o bastante para guarnições de plantão fazer o monitoramento, em tempo real, de cada um dos barcos industriais.

Estejam no mar ou atracados para manutenção. “A velocidade média adotada e as manobras, indicam se estão pescando ou não em áreas ilegais”, explica o soldado Robson Vieira, um dos pilotos da Seap 01, da 3ª Cia da Polícia Ambiental. Em caso de suspeita de irregularidades, a guarnição sai ao mar para abordagem e o mestre do barco fiscalizado é obrigado a apresentar o mapa de bordo. “Com base no relatório das atividades de pesca, o barco flagrado terá restrições na renovação da licença, além de estar sujeito a penalidades administrativas e criminais.

Mesmo rastreadas pelo Preps, algumas embarcações tentam burlar o programa da fiscalização. Um dos métodos para fraudar o sistema está a colocação de objetos de alumínio, como panelas, sobre o equipamento rastreador.

É o que deve ter ocorrido no início da semana pela traineira Mar de Cortez, rastreada em navegação no limite das cinco milhas náuticas da área de exclusão da frota industrial. “O programa prevê emissão de sinais por satélite a cada hora navegada. Eles ficaram cerca de duas horas no escuro, fora do sistema”, diz o cabo Luiz Paulo Davi, 45, piloto da Seap 01.

Experiência compartilhada pela Polícia Ambiental

Responsável pelo litoral sul, a 3ª Cia da Polícia Ambiental, é referência na fiscalização da pesca oceânica. Também atua no complexo lagunar, mas de maio a julho volta todas as atenções à safra da tainha. Por estar mais próxima dos principais estuários, a Bacia do Prata, entre Uruguai e Argentina, e a Lagoa dos Patos/RS, a região concentra o maior número de embarcações no mar.

“Trata-se de atividade econômica importante, e que também garante a subsistência de centenas de famílias no litoral, sejam pescadores embarcados ou artesanais. Então, precisamos agir preventivamente para conter conflitos”, diz o major Jefer Fernando.

A tecnologia, a experiência e o conhecimento da equipe serão usados também no litoral norte. Quatro policiais da 2ª Cia, de Joinville, passaram a semana em Laguna, com aulas teóricas e práticas.

Com  a incumbência de patrulhar de Navegantes a Itapoã, a guarnição do sargento Rinaldo Vicenti, 40, e dos soldados Nathan Costa, 42, e Juan Carlos Bittencourt, 33, está pronta para navegar com a Seap 56. A bordo da lancha de Laguna, eles passaram pelo teste no mar na última quinta-feira, quando participaram de patrulha de rotina no entorno da Ilha dos Lobos. Enfrentaram ondas entre cinco e seis metros a bordo da lancha pilotada pelo cabo Davi. Nenhum deles voltou tão mareado ao porto como o soldado Diego Miranda, 31.
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Corrida da tainha

Indústria
Traineiras

Cadastradas para vários tipos de pesca - 1.554
Licenças disponíveis para atual safra - 60
Licenças solicitadas – entre 80 e 120
Liberadas -51
Pendentes – 9

Estrutura de fiscalização

Polícia MilitarAmbiental – três embarcações
Delegacia Marítima da Polícia Federal  - uma embarcação

Lancha Seap 01 - especificações
Comprimento: 36 pés (11 metros)
Potência: Dois motores de popa penta Volvo, eletrônicos, com 370 HPs cada
Horas de navegação: 120
Equipamentos auxiliares: Sonar, sonda, radar, carta náutica digital, rádios UHF, VHF, USB, AM e FM
Cabine: camarote com quatro beliches, chuveiro, dispensa com alimentos de fácil preparo, forno microondas, frigobar, cafeteira
Tripulação: Sargento Robson Maximiano Machado, cabo Rogério Silva (monitoramento virtual), soldado Luiz Paulo David (piloto) e Diego Miranda (autuante)
Porto de partida: 3ª Companhia da Polícia Ambiental, Laguna
Boca: 3,68 m
Calado extremo: 1,30 m
Contorno: 5,75 m
Capacidade de água doce: 250 litros
Combustível: 1.200 litros
Deslocamento leve: 7500 kg
Deslocamento carregado: 9500 Kg
Capacidade de lotação: nove tripulantes

quarta-feira, 22 de maio de 2013

DEU TAINHA NO RICARDINHO MACHADO


"Muque
Pescadores do sul do estado estão reclamando da portaria que não permite barcos a motor na pesca artesanal da tainha. Os velhos pescadores dizem que estão ficando sem renovação e que a juventude abandonou a pescaria. Pois ali na Barra da Lagoa os remadores do grupo de pesca Saragaço já estão de prontidão a dias para enfrentar a fúria do mar e cercar as tainhas no muque.

Aliás
Vamos ver se a comissão que acompanha os lanços pelas praias da Ilha para entrega do troféu no mês de julho, na praia do Costão do Santinho, este ano confere tudo bem direitinho no campeonato de quem mais pesca. A contagem dos quinhões e do número de tainhas precisa ser igual pra todas as praias. Tem reclamação de que pra uns contam em toneladas e pra outros em número de peixe. Como geralmente uma tainha ovada pesa de 1,2 a 1,5 quilos, vai lá uma diferença."

(Da coluna do Ricardinho Machado - www.ndonline.com.br)

NO RINCÃO

 Foto Gilberto Custódio
Mais dez toneladas de tainha no Rincão
Pesca na noite desta terça-feira movimentou a orla da praia

Mais uma vez a orla do Balneário Rincão esteve movimentada por pescadores e curiosos. Dez toneladas de tainha foram retiradas do mar, em mais uma pescaria bem sucedida. A grande quantidade de peixes mobilizou dezenas de pescadores e confirmou a boa safra que tem marcado o início da pesca liberada da tainha na costa catarinense.

(Informações da Rádio Eldorado -http://www.am570.com.br)

MANEMÓRIAS

Canoas e Velas - Anos 30

TRILHA SONORA

"Reggae da Tainha (Sereia Manezinha)", de Júlio César Cruz, interpretada pelo menestrel Valdir Agostinho lá da Barra da Lagoa, Florianópolis. É a trilha sonora do blog desde maio de 2009.

DEU TAINHA NO JORNAL!

A charge do André, no Hora de Santa Catarina, em 2010 

Pé-do-ouvido...

Foto Epistolero Calado
“Se é segredo não me contes,
se é intriga, não me digas”


(Dito popular da Ilha de Sta. Catarina)

PESCANDO TAINHAS NA ILHA, EM 1587

Gravura de Theodore de Bry - 1592 Gravura de Hans Staden - 1557
OS PARATIS DE XERIMERIM

"...O nome de ilha de Santa Catarina foi dado pelos castelhanos da armada de Gabeto, em 1526. Antes, chamavam-lhe Ilha dos Patos, e já lemos que os indígenas a denominavam Xerimerim. À boca deste rio está situada a ilha de Santa Catarina, que vai fazendo abrigo à terra até junto de Itapucuru, que fica à maneira de enseada...

...Além dos peixes que morrem nas redes, de que fica dito atrás, se toma nelas o que se contém neste capítulo, que não morre à linha. E comecemos logo do principal, que são as tainhas, a que os índios chamam paratis, do que há infinidade delas na baía; com as quais secas se mantêm os engenhos, e a gente dos navios do Reino, de que fazem matalotagem para o mar.

Estas tainhas se tomam em redes, porque andam sempre em cardumes; e andam na baía ordinariamente a elas mais de cincoenta redes de pescar; e são estas tainhas, nem mais nem menos como as da Espanha, mas muito mais gostosas e gordas, das quais saem logo, num lanço, três quatro mil tainhas, que também têm boas ovas.
E de noite, com águas vivas, as tomam os índios com umas redinhas de mão, que chamam puçás, que vão atadas numa vara arcada; e ajuntam-se muitos índios, e tapam a boca de um esteiro com varas e ramas, e como a maré está cheia tapam-lhe a porta; e põem-lhe as redinhas ao longo da tapagem, quando a maré vaza, e outros batem no cabo do esteiro, para que se venham todas abaixo a meter nas redes; e desta maneira carregam uma canoa de tainhas, e de outro peixe que entra no esteiro.

Há outro peixe que morre nas redes, a que os índios chamam zabucaí, e os portugueses galo, o qual é alvacento, muito delgado e largo, com uma bôca pequena, e faz na cabeça uma feição como crista, e nada de peralto; este peixe é muito leve e saboroso.
Tareira quer dizer “enxada”, que é o nome que tem outro peixe que morre nas redes, que é quase quadrado, muito delgado pela banda da barriga e grosso pelo lombo, o qual também nada de peralto, e é muito saboroso e leve.

Chamam os índios coirimás a outros peixes da feição das tainhas, que morrem nas redes e que têm o mesmo sabor, mas são muito maiores; e quando estão gordos estão cheios de banhas, e são muito gostosos, e têm grandes ovas; os quais morrem nas enseadas.

Arabori é outro peixe de arribação, da feição das savelhas de Lisboa, e assim cheias de espinhas, as quais salpresas arremedam às sardinhas de Portugal no sabor; e tomam-se em redes. Carapebas são uns peixes que morrem nas redes em todo o ano, que são baixos e largos, do tamanho dos sarguetes, em todo o ano são gordos, saborosos e leves".

( Gabriel Soares de Sousa, em "Tratado Descritivo do Brasil em 1587" -Companhia Editora Nacional, Sao Paulo, 1974.)

GABRIEL SOARES, CRONISTA DO BRASIL

A ilha de Amadeus Frezier, em 1712

Colonizador, dono de engenho, comerciante, sertanista e navegador português nascido em Ribatejo, Gabriel Soares de Sousa ficou conhecido por ter escrito o "Tratado descritivo do Brasil em 1587", um dos primeiros e mais extraordinários relatos sobre o Brasil colonial, que contém importantes dados geográficos, botânicos, etnográficos e lingüísticos, publicado postumamente por Varnhagen (1879), em Lisboa.

Membro da expedição naval de Francisco Barreto, que partira com destino à África, mas acabou por chegar ao Brasil. Estabelecido na Bahia (1569), montou o engenho Jaguaripe. Voltou a Portugal (1584) para obter da corte o privilégio de exploração de minérios e pedras preciosas ao longo do rio São Francisco.

Enquanto aguardava a permissão régia escreveu seu famoso tratado, dividido em duas partes: Roteiro geral e Memorial das grandezas da Bahia, descrevendo informações sobre geografia, costumes dos índios, agricultura, animais e plantas brasileiros.
Nomeado governador e capitão-mor da conquista das Minas, regressou ao Brasil com 360 colonos, quatro freiras carmelitas e o governador-geral do Brasil, D. Francisco de Sousa. Chegando à Bahia, empreendeu uma expedição que percorreu mais de cem léguas do rio São Francisco, mas morreu de uma febre em pleno sertão, após atingir as nascentes do rio Paraguaçu.

FESTA DO DIVINO


LÁ NO FUNDO...

Foto G.O. Longo / Divulgação
 Pesquisa liderada por UFSC dá um panorama de vida marinha no país

Resultados de Rede Nacional de Biodiversidade Marinha serão apresentados nesta semana
Estudos em todo o litoral brasileiro começaram em 2011 e envolveram 10 instituições

por Gabrielle Bittelbrun
gabrielle.bittelbrun@diario.com.br
Retratos da vida marinha brasileira elaborados por pesquisadores de todo o país serão apresentados ao longo desta semana, em Florianópolis. Os trabalhos da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, a Sisbiota-Mar, capitaneados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), serão apresentados no Congresso Brasileiro de Biologia Marinha até o próximo dia 23. No último final de semana, reuniões na UFSC elencaram algumas conclusões e apontaram que o mar catarinense já esteve melhor em diversidade de espécies.

A Sisbiota-Mar reúne projetos de pesquisadores de pelo menos 10 instituições do Brasil desde 2011, com o objetivo de se elaborar um panorama inédito e integrado dos seres que vivem no mar do litoral do país. Expedições evidenciaram regiões que ainda apresentam as mesmas formações de corais denunciadas em registros da década de 1960 e outras que requerem mais cuidados.

O professor do Departamento de Zoologia e Ecologia da UFSC e um dos coordenadores da rede, Sergio Floeter, considera que, no levantamento geral, Santa Catarina está entre as intermediárias em preservação. Mas o cenário já foi melhor, como complementa o professor Alberto Lindner, do mesmo Departamento da UFSC.

— Registros da década de 1960 apontam que, em um dia, se pegou três meros e dois tubarões magona na Ilha da Galé (que integra a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo). Hoje, eles são encontrados longe da costa ou somente em mar aberto — relata.

A pesca e a poluição são os principais motivos apontados para o desaparecimento dessas espécies maiores em praticamente toda a costa do país, por terem atingido peixes menores que serviam de fontes de alimento. O quadro pode ser revertido caso haja o aumento da preservação, contribuindo para o aumento de populações.

Entre as boas surpresas dos estudos no país estão a Ilha de Alcatrazes (SP) e Parcel de Manuel Luís (AL), que revelam uma grande quantidade de espécies variadas, de tubarões a garoupas. De acordo com os especialistas, são esses locais que dão as pistas da abundância de peixes que existia provavelmente na maior parte da costa brasileira.

Já foram investidos na Sisbiota-Mar cerca de R$ 1 milhão de órgãos de fomento à pesquisa. Metade veio do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o restante da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

O projeto foi inicialmente previsto para ter duração de três anos, mas os estudiosos preveem a continuidade da rede, em prol do compartilhamento de dados entre as instituições.

Necessidade de áreas de proteção

Ao promover o conhecimento da riqueza marinha no Brasil, a rede Sisbiota-Mar também evidencia a importância de áreas de preservação no litoral. As duas Rebios do país, a de Atol das Rocas (RN) e do Arvoredo, entre Bombinhas e Florianópolis, em comparação com outras áreas do país, ainda se destacam em quantidade de peixes.

De acordo com levantamento dos pesquisadores, apenas 2% dos 3,6 milhões de quilômetros quadrados de mar do país está em área marinha protegida. Destes, só 0,14% estão em áreas de proteção integral.

Dados devem ser passo para outras pesquisas

As informações coletadas e compartilhadas na rede são o ponto de partida para comparações entre populações entre países e até para o desenvolvimento de medicamentos. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, que também integram a rede, analisam o potencial de substâncias de bactérias encontradas em corais ao longo do litoral. Informações preliminares apontam que o coral baba de boi pode ajudar no tratamento contra o câncer de próstata e leucemia.

As coletas de material são feitas no Ceará, na Bahia, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, na região da Ilha do Arvoredo. A mestranda em Farmacologia da Federal do Ceará, Bianca Del Bianco Sahm, explica que ainda há um longo percurso até se comprovar a eficácia das substâncias. Porém, para ela, o intercâmbio de informações entre as universidades pela Sisbiota-Mar ajuda bastante.

— Ainda é tudo muito inicial. A cada 5 mil substâncias descobertas, só uma entra no mercado. Mas os trabalhos continuam e essa interação com outros trabalhos na rede é bem importante — relata.

Outra integrante da rede é a mestranda em Ecologia na UFSC, Júlia Nunes de Souza. A estudante faz parte da equipe que percebeu que os corais de fogo encontrados no Brasil, entre o Maranhão e o Rio de Janeiro, têm uma diversidade genética menor do que aqueles encontrados do Caribe. Na prática, isso os torna mais vulneráveis aos impactos ambientais, reforçando a importância de preservação da espécie.

 — Por serem formações mais recentes, eles acabam sendo mais suscetíveis aos impactos — ponta a estudante.

terça-feira, 21 de maio de 2013

EM JAGUARUNA

Foto Luis Reis
 QUATRO TONELADAS EM JAGUARUNA HOJE!
A tainha tá chegando!

AS TAINHAS E A TRIBO DO CAMPECHE

Sêo Chico

SALADA DE TAINHA

Ana Maria Oliveira Domingues, a "Donana", 60 anos, é dona do Restaurante Ana Maria, no Pântano do Sul, onde nasceu e se criou. Seu pai, Antonio Francelino Guimarães era um dos moradores mais antigos da praia. Esta receita, de salada de tainha, é uma de suas favoritas.

O QUINHÃO ROUBADO

Ilda Martinha Vieira , a tia Ilda do Pântano do Sul , é uma das últimas benzedeiras da Ilha de Santa Catarina. Todos os anos   ela benze as redes para garantir  uma boa safra para os pescadores da praia.  No dia 15 de maio de 2012, enquanto a comunidade toda comemorava a captura das primeiras tainhas da nova safra, ela nos contou uma história do tempo em que era pequena e roubou e escondeu,  junto com os irmãos,  uma porção de tainhas do cerco capturado por seu pai.

O QUE PODE E O QUE NÃO PODE NA PESCA DA TAINHA

Foto Fernando Alexandre
O que diz a Instrução Normativa 171, de 9 de maio de 2008, do Ibama

Proibir, anualmente, no período de 1º de maio a 30 de julho, no litoral do Estado de Santa Catarina, a menos de uma milha náutica (1MN) das praias licenciadas para a prática de arrastão de praia usando canoa a remo, e a menos de 300 m dos costões rochosos, o exercício da pesca com o emprego dos aparelhos e/ou modalidades abaixo discriminadas:

a) redes de cerco;
b) captura de isca viva;
c) redes de caça e malha;
d) redes de trolha;
e) redes de emalhar fixas;
f) cercos flutuantes;
g) fisgas;
h) garateias;
i) farol manual;
j) pesca de espada;
l) tarrafas.

Art. 19o. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:

Multa de R$ 700 a R$ 100 mil com acréscimo de R$ 10 por quilo do produto da pescaria.

ACORDES DA ILHA

Banda DasAntigas

TENTANDO SALVAR A PESCA

Foto Marco Santiago/ND
Sebastião, da prainha do Farol, sugere que o prazo de defeso seja reduzido
Mudanças para safra da tainha serão discutidas dia 10 de junho em Itajaí
Pescadores artesanais sugerem readequações na instrução normativa 171/2008 do Ibama para disciplinar pesca e conter conflitos

por Edson Rosa
Como nos anos anteriores, os primeiros dias da atual safra da tainha revelaram falta de sintonia entre órgãos de fiscalização e pescadores. Também faltaram critérios na liberação de licenças de pesca. Conflitos, denúncias e reclamações, segundo o presidente da Federação Catarinense de Pescadores, Ivo Silva, servirão de subsídio para prováveis mudanças nas regras, provavelmente já a partir da próxima temporada, com readequações na Instrução Normativa 171/2008 do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

As propostas serão discutidas durante a próxima reunião do Grupo Técnico da Tainha, marcado para 10 de junho, em Itajaí. Para o setor industrial, por exemplo, a Federação Catarinense dos Pescadores, vai propor a redução do número de traineiras licenciadas – atualmente são 60 - e a ampliação da zona de exclusão para 10 milhas náuticas (18.520 metros) em todo o litoral brasileiro, como já ocorre no Rio Grande do Sul. O grupo é formado por representantes dos pescadores, dos Ministérios da pesca e do Meio Ambiente e do Cepsul (Centro de Estudos Pesqueiros do Sul, da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)

Na área artesanal, pelo menos três modalidades precisam de nova regulamentação: arrastão de praia com redes de malhas e canoas motorizadas, cerco em botes de caça de malha, e redes de cabo com âncora.

A expectativa de pescadores como João Ramos, de Jaguaruna, é que sejam definidos limites para cada uma delas. “Quem pesca com arrastão é obrigado a usar canoa a motor. E, neste caso, os cabos esticados na arrebentação, são armadilhas perigosas”, diz. Segundo Ramos, além de espantarem os cardumes no momento de encostar e inviabilizar o arrastão da praia, as redes de cabo atravessadas são usadas por amadores. “É gente que não vive da pesca, mas tem força política”, conclui.

Motor supre falta de mão de obra

Aos 51 anos, João Pereira Ramos começou na infância e ainda pesca da mesma forma que o pai e o avô faziam. Conquistou respeito e patrimônio de classe média na praia do Camacho, em Jaguaruna, mas não quer a mesma vida para os dois filhos, incentivados a estudar e escolher outra profissão. “Está cada vez mais perigoso e incerto viver do mar. Já passei muito frio e fome nestas dunas”, argumenta.
Nem a safra da tainha estimula o pescador, que critica a falta de conhecimento prático de quem libera as licenças de pesca. “Sempre fui pescador, estou com minhas taxas e hoje em dia preciso pagar advogado para garantir o direito de trabalhar”, acrescenta. A instrução normativa 171, segundo João Ramos, precisa ser revista, e aplicada de acordo com a realidade de cada colônia.

No Camacho, por exemplo, há cinco anos os pescadores artesanais utilizam canoas de fibra, similares as de um pau só, mas equipadas com motor de centro ou popa. A adaptação é a maneira de suprir a falta de mão de obra e viabilizar a saída sem risco de acidentes. “Neste mar é impossível sair a remo, não querem liberar as licenças. Estamos trabalhando com mandado de segurança”, explica.

Com 17 camaradas fixos, João Ramos investiu R$ 38 mil na embarcação, incluindo o motor de 24 hps, e R$ 50 mil no arrastão de malhas. “Não sei se conseguirei cobrir as despesas deste ano. Está passando peixe, mas o mar não ajudou nos primeiros dias de safra”, observa.

Outras quatro parelhas, todas administradas pela família Ramos, utilizam canoas motorizadas e redes de mil metros de comprimento. Percorrem do Camacho ao Chuí, no Rio Grande do Sul, a caça dos cardumes.

Pescador sugere defeso diferenciado

Na Prainha, no Farol de Santa Marta, Laguna, as canoas ainda são movidas a remo e as redes de arrasto têm copo, não apenas malhas. Mas o sentimento dos pescadores artesanais da pequena enseada é o mesmo do Camacho.

“O ideal é mudar o período do defeso. Liberar a pesca artesanal mais cedo”, sugere Sebastião Manoel Albino, 62, remador da canoa Maria Maré, de oito metros.

A proposta da Federação das Associações de pescadores de Santa Catarina de antecipar o fim do defeso para 1º de maio, respaldada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, para este ano foi rejeitada pelo Ibama e Ministério do Meio Ambiiente.

Foto Marco Santiago/ND
João Ramos depende da canoa motorizada para pescar na praia do Camacho

Mãos calejadas no remo para enfrentar mar grosso

É nítido o envelhecimento das tripulações das centenárias canoas de um pau só, de oito ou nove metros, ainda utilizadas na maioria das colônias de pesca artesanal de tainha no litoral catarinense. Na praia da Ribanceira, Vila Boa Esperança, pequena comunidade quase escondida entre o porto e o balneário de Ibiraquera, em Imbituba, sobram exemplos.

Remeiro dos melhores, Valdomiro Manoel da Silva, 70 anos, o Valdo do Pacheco, é um deles. No alvoroço do lance, quando ouve o apito do vigia precisa de ajuda dos mais jovens para embarcar e, sincronizado com os outros três, remar com força para enfrentar o mar grosso e não perder o cardume.

“Precisa ser rápido, elas estão cada vez mais escassas por aqui. Os barcos matam tudo”, diz. Em seguida, cai na gargalhada com os colegas quando jura que a perda de habilidade não influencia na disposição para outros prazeres da vida. “Ainda me sinto um garotão”, emenda.

Como o bom humor, a persistência é outra característica comum em quem sobrevive da pesca. Na Ribanceira, 20 famílias dependem diretamente da produção da sociedade que mantém três canoas – Terezinha, Rei do Oceano e Danielle – com redes embarcadas e prontas para cercar.

Abrigado por pequena ponta de morro, apenas o canto sul permite saídas a remo e cerco com redes de copo, ou de enxuga. Quando o cardume é avistado em pontos da praia aonde a ondulação chega a dois metros e o fundo é esburacado, entra em cena a canoa Danielle, a maior de todas e a única equipada com motor de popa. “Se não for assim, é muito arriscado. Não tem mais mão de obra para formar nova tripulação”, explica Manoel Silveira Albino, 60, o Dedé.

Neste caso são utilizadas redes de malha, sem copo, mas o método é semelhante ao arrastão de praia praticado em Florianópolis. Uma extremidade fica na praia e o patrão, que navega na popa com remo auxiliar para conduzir a canoa de acordo com a orientação do vigia, faz o cerco de aproximadamente 600 metros antes de retornar com a outra ponta.

Em seguida, camaradas e pessoas da comunidade que aparecem para ajudar se dividem e começam a puxar simultaneamente. Aos poucos, as tainhas aparecem malhadas pela cabeça. “Pelas condições do mar, o perigo é maior, é muito mais trabalhoso”, completa Adão Vieira, 77, um dos sócios da parelha.

Foto Marco Santiago/ND
Maria Baron garante o ambiente familiar no rancho de pescadores

Clima familiar anima espera no rancho

Na safra da tainha rancho de pesca é como casa de família. E na Ribanceira, o toque feminino chama a atenção não só pelo cheiro bom do café matinal ou do almoço bem temperado. Mas, acima de tudo, pela organização e higiene.
A responsável pela ordem é Maria Baron, 63, que faz compras no mercado para não deixar a dispensa em falta, cozinha, limpa e, para não ficar sobrecarregada, exige que cada um lave a própria louça. “Quando é preciso, também boto a mão na rede”, emenda a futura avó.

Simples, o rancho que na entressafra abriga as canoas nesta época  é também centro de convivência dos pescadores. Uma das paredes serve para pendurar remos, coletes salva vidas e puxadores, enquanto na outra lateral o trocador de roupas, oito beliches e banheiro permitem algum conforto na hora do descanso. “Mais do que garantir meu quinhão de peixe, é aqui que curo minha depressão”, diz Maria Baron.

As refeições preparadas por ela são servidas em duas mesas coletivas, uma delas usada como altar nas missas de 1º de maio para abençoar a safra. Católicos em maioria, os pescadores da Ribanceira reservam também um quinhão do que pescam à capela de Nossa Senhora de Fátima, a padroeira da comunidade.
Dois fogões, a lenha e a gás, e a geladeira cheia proporcionam cardápio variado. Só não podem faltar arroz, feijão, salada e, é claro, peixe. “Às vezes sai um churrasquinho. Mas o dono do mercado sabe que dependemos da tainha para pagar a conta da carne. Se não der nada, a conta caduca até o ano que vem”, brinca o patrão Lindomar Martins Vieira, 45, o Vando, o mais jovem da parelha.

Quando o mar não está para peixe na Ribanceira os pescadores do lugar viram nômades. Colocam Danielle na carroceria de um velho ônibus adaptado, e percorrem a pé os 30 quilômetros de extensão da praia, de Ibiraquera a Itapirubá do Sul. E, mesmo que nem sempre voltem com as redes cheias de peixes, estão sempre prontos para recomeçar no dia seguinte.

(Do ND -Publicado em 20/05/13 - www.ndonline.com.br.com.br)