sexta-feira, 17 de agosto de 2018

LULA CÁ!




GRELHADAS AO VINHO

Ingredientes

 
* 700 g de lulas limpas
* Sal, limão e pimenta do reino
* Azeite para grelhar
* 2 colheres de sopa de alho picado e frito
 * 1/2 xícara de café de vinho branco
* Salsinha picada
* Outras ervas (se quiser)


 Modo de Preparo
1 - Tempera as lulas e grelhe-as numa chapa pré-aquecida ou numa frigideira de fundo grosso.
 2 - Coloque as lulas e não mexa até que estejam douradas de um lado.
3 - Vire-as então, uma a uma, para que não soltem muito líquido (se isso acontecer, elas podem ficar duras).
 4 - Se necessário, retire este líquido assim que formar.
 5 - Quando estiverem grelhadas, acrescente o alho, o vinho e a salsinha.

MEMÓRIA DAS ÁGUAS


 OS RANCHOS E A PESCA DE ARRASTÃO NA PRAIA DE CANASVIEIRAS 

Por José Luiz Sardá 

Fico a imaginar nas primeiras décadas do século passado, na pesca da tainha, em que os pescadores de Canasvieiras e das freguesias de Ratones, Vargem Pequena, Vargem do Bom Jesus, Vargem Grande e Cachoeira do Bom Jesus e localidades vizinhas, deixavam os afazeres da lida doméstica e da lavoura a cargo das mulheres, e seguiam em direção aos diversos ranchos de pesca da orla da praia de Canasvieiras. Para chegar à praia, passavam pelos verdejantes e frutíferos campos de araçás e cajus, entre caminhos, trilhas, e picadas.
Os donos dos ranchos e patrões eram todos nativos da região: Seo Vida, Evaldo Brasil, Nicanor dos Santos, Manoel Sardá, Joaquim da Ilhota, Zilico, Joca Rufino, João Firme, Timóteo Siqueira, Deca do Belo, Dezinho Pacheco, Leôncio e Manoel Schroeder. 

O vigia da pesca de arrastão tinha de ser um pescador com boa visão e experiência. Sua missão era avistar o cardume, observar a mudança de coloração d’água de vermelho escuro ou roxo e o saltar alto dos peixes. Com chapéu ou casaco, quando avistava o cardume saia abanando alertando os camaradas na orla, que aflitos esperavam o lançar da rede ao mar. O camarada mais rápido corre e segura o calão e então na cadência das remadas a rede é lançada ao mar, descrevendo um semicírculo.
 Dentro dela o patrão, quatro remadores e o chumbeiro. Na cadência e no avanço da canoa a rede é jogada ao mar, retornando na outra ponta. O patrão com sua experiência aos poucos solta a rede, dando equilíbrio à canoa. Ao retorno, uma ponta do cabo é amarada no assento e o chumbeiro com agilidade faz o equilíbrio da embarcação. Em terra os camaradas aflitos esperam a ordem do patrão para iniciar o arrastão e aos poucos a rede é puxada e deixada na areia e somente é recolhida ao final. 
Terminado o arrastão, os pescadores felizes fazem a partilha do pescado. A metade fica para o dono da rede, a outra para os pescadores. O proeiro tem direito a quatro quinhões, o patrão ganha três, o remador dois e os camaradas ganham um. Naquela época a fartura era tanta que ninguém voltava para casa de mãos vazias. Os donos das redes sempre davam tainhas para os amigos e parentes.

Mergulhe fundo e veja mais no
https://www.facebook.com/joseluiz.sarda

MAR DE HASSIS

"Baleeira" , de 1958 - Hiedy Hassis - (1958 / 2001)

MAR DE BALEIAS

Foto Marcos Pinho Horn

MAR NEGRO

Foto Marc Ferrez
A única foto existente de um navio negreiro, que fazia tráfico de escravos negros. A imagem, feita de forma clandestina é de um navio francês e atribuída ao fotógrafo Marc Ferrez.

AS PEDRAS FALAM DE PASSADO

Adnir em uma das pedras estudadas na trilha da GalhetaFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense
Rafael Thomé

Pescador e antropólogo mostra os mistérios arqueológicos da Ilha de Santa Catarina

Pescador da Fortaleza da Barra decidiu ir atrás das histórias das inscrições registradas nas pedras de parte do litoral catarinense

rafael.thome@somosnsc.com.br

Pescar das gravuras rupestres e dos monumentos megalíticos uma mensagem para a vida. Este é o propósito de Adnir Antonio Ramos, pescador da Fortaleza da Barra, em Florianópolis, que em 1986 decidiu estudar biblioteconomia e antropologia para tentar entender o que significavam aquelas inscrições nas pedras que tanto via quando saía para fisgar peixes. Agora, ele se prepara para lançar o livro Divino Gênese sobre a história destas misteriosas mensagens que remontam a cerca de 10 mil anos atrás.

Conta Adnir que os morros e costões do litoral de SC escondem desenhos rupestres e observatórios astronômicos que podem conter uma mensagem sobre o ciclo da vida e o futuro da humanidade. Milhares de anos antes da chegada do bandeirante paulista Francisco Dias Velho, em 1673, quando se deu início ao povoamento moderno da Ilha de SC, o Homem do Sambaqui habitava este pedacinho de terra perdido no mar e procurava entender-se como parte da natureza e do universo.

– Podem ter sido os homens do sambaqui, mas não sabemos exatamente quando e quem colocou essas gravuras e esses observatórios. O que importa mesmo é a mensagem que deixaram – afirma Adnir.

Registros entre 8 mil e 13 mil anos de história

De acordo com o antropólogo, calcula-se que esses monumentos arqueológicos tenham entre 8 mil e 13 mil anos de idade. Antes disso, o nível do mar era mais alto e não seria possível colocá-los onde estão. Para Adnir, uma das interpretações possíveis diz respeito ao final do ciclo de vida da humanidade.

– Eu acho que a mensagem é esta: a humanidade precisa reconhecer que existiram sociedades inteligentes que trabalharam para que a humanidade sobreviva quando a Terra passe por processos geológicos que podem nos levar à extinção. Acredito que esses processos aconteçam em ciclos de 12 ou 13 mil anos, que é o tempo corrido desde o último degelo – comenta, em referência ao fim da última era glacial cerca de 12 mil anos atrás.

Pouco se sabe sobre os hábitos, a cultura e a rotina do Homem do Sambaqui. Objetos deixados para trás e agora encontrados por arqueólogos dão pistas sobre a vida social naquela época, mas há mistérios que a ciência moderna ainda não desvendou. Um deles, em Florianópolis, são os observatórios astronômicos construídos com pedras de dezenas de toneladas.

Na trilha da Galheta, no leste da Ilha, há um observatório de onde se pode ver o alinhamento do sol com as pedras em algumas datas do ano – equinócios de primavera e do outono, quando o dia e a noite têm duração igual (exatamente 12 horas), e solstícios de verão e inverno, quando os dias têm a maior (no verão) ou a menor (no inverno) duração ao longo do ano. O próximo acontecerá no dia 22 de setembro, data do equinócio de primavera.

– Eu não sabia que o sol, a lua e as estrelas faziam esses movimentos aparentes (aparentes porque, na verdade, os movimentos que mais influenciam esses fenômenos são os da própria Terra – rotação, translação e precessão). Comecei a perceber isso à medida que comecei a vir para cá. Posso dizer que fui iluminado pelo conhecimento – afirma Adnir.
Formato das pedras na trilha da Galheta intriga o pesquisadorFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Pedras misteriosas

No observatório da Galheta há dois tipos de monumentos: os dólmens (no bretão, dol = mesa e men = pedra), como aqueles famosos de Stonehenge, na Inglaterra, e os menires (no bretão, men = pedra e hir = longa), geralmente associados ao culto da fecundidade. São pedras aparentemente colocadas em uma certa disposição, com o intuito de aproximar os homens das divindades e dos ciclos universais.

– Essas pedras estão espalhadas pelo mundo inteiro. Evidentemente, não são formações naturais, elas foram colocadas nesses lugares. Geralmente estão apoiadas em três bases, como a Pedra Virada, aqui na Galheta, ou a Pedra do Frade, em Laguna. Pelas “frestas” das pedras, se enxerga o nascer do sol nas datas importantes para os ciclos da vida – comenta o antropólogo.

Ao longo da pesquisa, Adnir chegou à conclusão de que os observatórios astronômicos e as gravuras rupestres que estão espalhados por quase todo o litoral catarinense tratam de um calendário da fecundidade, que também pode estar relacionado aos ciclos de plantio e colheita de alimentos.

– Esses povos que viveram na pré-história utilizaram esse calendário para gerar as famílias na época certa e ter filhos saudáveis. Se a mulher é fecundada no inverno, ela vai passar o verão inteiro na gestação, com calor em excesso. O incômodo passa para o filho. Por outro lado, se você planta alguma coisa no inverno, custa para se desenvolver. Se plantar na primavera, vai se desenvolver com força. Tal qual funciona o ciclo das plantas, o nosso também – explica. 
Adnir mostra as inscriçõesFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Saiba onde estão localizados os observatórios

Quem ficou curioso e quer ver de perto todos esses monumentos pode conferir diretamente nos locais. As gravuras rupestres em baixo relevo estão em boa parte do litoral catarinense: Ilha de Porto Belo, Ilha do Arvoredo, Ponta das Canas, Ingleses, Santinho, Ilha das Aranhas, Barra da Lagoa, Galheta, Praia Mole, Joaquina, Campeche, Ilha do Campeche, Armação, Pântano do Sul, Ilha das Irmãs, Ilha do Papagaio, Pinheira, Guarda do Embaú, Garopaba e Ilha dos Corais.

Quanto aos observatórios arqueoastronômicos, o mais significativo fica no morro da Galheta, em Florianópolis. Para chegar até lá pode-se ir pela trilha pública que se inicia no final da Fortaleza da Barra ou pela trilha do Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia (Imma), no começo da Fortaleza da Barra.

No Imma, além da trilha, há um museu com uma coleção de arte rupestre com a reprodução de quase todos os painéis que existem na Ilha de Santa Catarina, além de artefatos cotidianos como pontas de machado e relógios solares. Se marcar com antecedência, é possível combinar uma visita guiada com o antropólogo Adnir Ramos. A entrada custa R$ 10. Mais informações pelos telefones: (48) 99607-2201 e (48) 99621-8298.

(Do http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br)

MAR-CAIS



Foto Fernando Alexandre

nuvens brancas
passam
em brancas nuvens

  (Paulo Leminski)
Foto Manjuba Dacosta
Se tens sardinha não andes à cata de peru!
(Dito popular praieiro português)

FAZENDO FARINHA

Nenhum texto alternativo automático disponível.


Estr. Caminho dos Açores, 1180 - Santo Antônio de Lisboa 


♦ PROGRAMAÇÃO DA FARINHADA ♦

◘ SÁBADO - 01 de Setembro

Lançamento oficial da festa.

19:30h - Início da 21ª Farinhada do Divino.
20:15h – Novena do Divino Espírito Santo rezada em Latim
21:30h – Show: Trio Tons de Sambaqui
(Serviço de bar e gastronomia típica de engenho com:
pirão com linguiça e feijão, escondidinho, farinha orgânica feita na hora, cuscuz, biju, rosca de massa e outros).

◘ DOMINGO - 02 de Setembro
11:00h – Continuação da “Farinhada do Divino”, no Engenho dos Andrade e almoço com a culinária típica do engenho.
Das 13:00h ao fim do evento:
– Show Musical. 
– 7ª Concurso de forneiro (chef´s dos restaurantes locais irão analisar a melhor farinha e apontar o melhor forneiro).
– Apresentação do Boi de Mamão de Santo Antônio.
– Premiação do 7º Concurso de Forneiro (o concurso acontece durante a farinhada de sábado e de domingo).

• Endereço: Estrada Caminho dos Açores, 1180, Sto. Antônio de Lisboa.
• Maiores informações: (48) 3235-2572 e (48) 9 9615-4080 (whats)
Venha participar, aguardamos sua presença, a entrada é franca!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre

O BACALHAU DA CASA


Bolinho de bacalhau (ou abrótea) e mandioquinha

Rendimento: 40 unidades.Tempo de preparo: 2 horas, mais aproximadamente 12 horas para dessalgar o bacalhau. A abrotéa, por ser menos salgada, demora menos tempo para dessalgar.

Ingredientes
:: 1 cebola média em cubinhos:: 1 dente de alho bem picadinho:: 300 g de lasquinhas de bacalhau bem limpas e dessalgadas por aproximadamente 12 horas:: 400 g de mandioquinha sem casca em rodelas finas:: 1 ovo:: 1 colher (sopa) de farinha de trigo:: 1/2 xícara de salsinha, cebolinha e coentro picadinhos:: azeite de oliva:: sal e pimenta-do-reino moída:: 1 litro de óleo vegetal para fritar.

Modo de preparo

- Numa panela média, aqueça um fio de azeite e doure a cebola. Junte o alho, espere perfumar e adicione o bacalhau. Misture bem e deixe no fogo por uns cinco minutos, até a carne esbranquiçar.

Enquanto isso, coloque a mandioquinha numa panela com água fria e cozinhe até amaciar (espete com um garfo para testar). Depois escorra, descasque, esprema e coloque numa tigela.

- Misture a mandioquinha, o bacalhau, o ovo, a farinha e as ervas picadas até obter uma massa homogênea, acerte o sal e a pimenta e leve à geladeira por 30 minutos para firmar.
- Para moldar os bolinhos, unte ligeiramente com óleo a palma das mãos, pegue uma porção de massa com uma colher de sopa e enrole como um croquete ou uma bolinha, ou, se preferir bolinhos alongados e com cantos bem marcados, pegue uma porção de massa com uma colher de sopa, passe a massa de uma colher para outra raspando bem na borda para marcar o primeiro canto, então passe o bolinho de volta para a primeira colher para conseguir o segundo canto e depois passe de novo para a outra colher, fazendo o terceiro canto (se quiser, prepare os bolinhos com até 24 horas de antecedência, espalhe numa assadeira, cubra com filme plástico e guarde na geladeira, ou congele por até uma semana e frite ainda congelados).

- Para o bolinho não encharcar, aqueça o óleo numa frigideira grande, frite uns seis de cada vez, banhando sempre com uma escumadeira até dourar, então escorra e seque sobre papel absorvente (se preferir, asse numa assadeira untada com azeite por uns 20 minutos, no forno a 200º C, médio-alto, até que os bolinhos estejam dourados e crocantes).

*

("Bacalhau", livro de Heloisa Bacellar - Editora: DBA)

NA ILHA POR VEZES...


Na ilha por vezes habitada
Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste
José Saramago

ÁGUAS DE MEDO E PODER

Na gravura do século XVI, representação mítica e aterrorizante do mar e de suas narrativas

Eternizado nos livros como assustador celeiro de monstros, 
o Atlântico 
é palco de disputas geopolíticas
 há séculos

//Por Karl Schurster e José Maria Gomes Neto

Milênios a fio, até onde a literatura pode nos transportar, o Oceano Atlântico foi concebido como espaço do medo, contraponto à segurança da terra seca, e mesmo aqueles que dependiam de suas águas para sobreviver desconfiavam delas. Um cidadão do Velho Mundo que observasse o horizonte azul via-se diante de um interminável reino do temor, famoso pela instabilidade, relação bem estabelecida já na mitologia, pois os gregos criam que Posídon (nome grego para Netuno), o deus das águas salgadas, podia chacoalhar a terra desde as suas fundações. Seus animais só eram vistos quando retirados de seu elemento e, portanto, muito pouco se sabia de sua biologia, estimulando o surgimento de relatos fantásticos de monstros abissais, tão comuns às narrativas antigas. Para o poeta latino Avieno, por exemplo, esses animais singravam violentamente as águas, enquanto a Bíblia diz que os dentes do Leviatã (um monstro marinho) inspiravam tanto horror que ao vê-los mesmo os mais corajosos se atemorizavam.

Além disso, o Atlântico situava-se no mais sinistro ponto cardeal, o Oeste. Enquanto o Leste evocava o nascer do sol, portanto a vida, e, no Ocidente, o astro-rei se punha e a Terra era engolfada pela escuridão, situação que remontava a gregos e egípcios o mundo dos mortos: Osíris e sua barca mergulhavam no submundo, e Ulisses, em sua odisseia marítima, encontrou lá a entrada para as regiões abissais onde residiam as almas dos finados.

Em que pesem tais temores atávicos, vários marinheiros antigos navegaram as águas atlânticas, chegando ao extremo Norte (talvez até à Islândia) e toda a costa da África Ocidental até a Guiné. Em suas aventuras, a realidade e o maravilhoso com frequência se misturavam, mas alguns elementos são perceptivelmente reais: as longas distâncias (três, quatro meses de viagem), os perigos em quantidade, representados pelos monstros marinhos que acompanhavam as naves (cetáceos, possivelmente), calmarias, algas em quantidade, nevoeiros.

O Atlântico não convidava à segurança e não se prestava à diversão, diferentemente do que hoje ocorre. Seu aspecto era aterrorizante, evocativo de animais selvagens dispostos a levar à morte numa só bocada. Era um espaço imenso e nada conhecido – logo, extremamente temido.

Disputas em alto-mar

Embora tais medos fossem, de fato, sentidos, seguidas vezes homens do mar enfrentaram essas temeridades e cruzaram as águas. Pescadores europeus foram explorar os ricos cardumes do Mar do Norte, e para, além disso, os barcos tornaram-se máquinas militares: os vikings, possivelmente os primeiros conquistadores de oceano aberto, navegaram até as terras longínquas da Inglaterra, da Irlanda, da França e da Ibéria com vistas ao saque e à conquista, e mais ao Norte, das Ilhas Órcades até a Groenlândia, incorporaram novas áreas à esfera cultural europeia. As tecnologias inventadas e melhoradas nesse processo estimularam populações mais ao Sul às aventuras oceânicas, dentre os quais os portugueses, uns dentre muitos que seguiram até as águas piscosas do Norte em busca do sustento – neste caso, o peixe salgado. Séculos se passaram, as naves pesqueiras tornaram-se caravelas, e por mares nunca dantes navegados foram muito além da Taprobana, até a China, e em direção ao Ocidente, tocando terras americanas.

O Atlântico tornou-se, então, um local de disputa para as grandes potências marítimas. Suas rotas, regime de ventos e correntes representavam o segredo político-militar mais precioso do século XV, e os litorais americanos e africanos transformaram-se em pontos de disputa imperial e trampolins para a dominação política: lusitanos, espanhóis, holandeses e franceses, ingleses, dentre outros, cruzaram as vastidões aquáticas no intuito de conquistar terras, homens e riquezas.

Do século XVIII até 1914, a história das relações internacionais quase se confunde com a história das relações políticas entre as potências europeias e sua associação com o mar. O fim da Grande Guerra, como a Primeira Guerra Mundial fora chamada antes do conflito posterior, de 1939-1945, configurou a criação de um novo sistema internacional baseado nas alianças coletivas e referendado pela Liga das Nações, ou Sociedade das Nações. Esse projeto ganhou corpo a partir de 1919 e objetivava manter a paz e o respeito pelos direitos e pela soberania de cada Estado. Os anos do entreguerras tiveram diversas rotas comerciais e civis com o objetivo de manutenção do mercado internacional. O Oceano Atlântico tornou-se fundamental e atuou como palco do comércio mundial no período do pós-Guerra e durante a chamada Grande Depressão de 1929. Em setembro de 1939, começaria outra guerra. Todos os tratados e acordos internacionais seriam revistos mediante o desenrolar do conflito. O imperialismo nipônico e o expansionismo alemão, com a imposição da política externa italiana, pautariam parte dessa disputa reordenadora do cenário internacional. Os Estados Unidos, por trás da suposta neutralidade e da “política de boa vizinhança”, pouco depois decretariam o rainbow plan (plano de defesa do Hemisfério Ocidental decretado pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, que fundamentou a presença norte-americana no Brasil, em especial no Nordeste, durante a Segunda Guerra Mundial) e tomariam para si a defesa do continente. As águas do Atlântico transformavam o seu corrente diálogo com o vento em briga.

Nova geopolítica das águas

Quando estudamos a história do mar, neste caso do Oceano Atlântico, estamos tratando de sua relação civilizacional com entorno que o envolve, dando a ele um sentido, transformando-o numa prática social e política. Nesse aspecto, estudar a história de um oceano é também estudar a geopolítica que o cerca com toda sua complexidade e profundidade. O novo século, que emergiu há 14 anos, trouxe uma nova dinâmica para o entendimento entre a civilização e o mar, em especial na América do Sul. Com a emergência no cenário internacional das nações sul-americanas e suas questões regionais/mundiais, o Atlântico volta ao centro do debate, agora como denominado pela Marinha Brasileira metaforicamente, a Amazônia Azul.

Superada a Guerra Fria, sua geopolítica e as implicações da bipolaridade (EUA vs. URSS) para a segurança e a defesa nacional das nações, principalmente no caso dos Estados emergentes, os interesses tornaram-se cada vez maiores nos grandes fluxos comerciais e na internacionalização das suas ações. Assim, começamos a perceber uma nova dinâmica nas relações entre as decisões políticas dos Estados no sistema internacional e sua associação com o Oceano Atlântico.

Nos últimos 20 anos, o sistemático enriquecimento e crescimento do Brasil, hoje a sexta economia global, ao lado do processo de explorações e precificação da riqueza natural, como no caso das descobertas de valiosas jazidas de gás e petróleo no offshore (no mar, em inglês), permitiram a irrupção de uma consciência nacional da urgência de defesa do nosso patrimônio oceânico. Esse tem sido, sem dúvida, um dos mais debatidos e controversos temas da nossa agenda política. De um lado, pelo âmbito nacional, o que fazer com os royalties do pré-sal e como se dará sua partilha entre os Estados da Federação e, de outro, no caráter internacional, colocar em prática a Convenção Internacional sobre o Direito do Mar, acordo multilateral dirigido pela ONU em 1982 e ratificado pelo Brasil em 1988. 

*Karl Schurster é professor de História do Tempo Presente da Universidade de Pernambuco

*José Maria Gomes Neto é professor de História Antiga da Universidade de Pernambuco

(Do http://www.cartafundamental.com.br/)

BAHIA BALEIA




(Guilherme Mansur, da série Bahia Baleia, do site www.cronopios.com.br )
 

Guilherme Mansur é poeta e tipógrafo. Publicou HAICAVALÍGRAFOS, BANDEIRAS - TERRITÓRIOS IMAGINÁRIOS, BENÉ BLAKE, BARROCOBEAT, BICHOS TIPOGRÁFICOS e GATIMANHAS & FELINURAS (em parceria com Haroldo de Campos). Vive e trabalha em Ouro Preto, Minas Gerais. E-mail: guimamba@gmail.com
Foto Fernando Alexandre
Lua deitada
Marinheiro em pé
(Sabedoria praieira)

DE VIKINGS & GÊNEROS

Envoltos em capacetes de ferro, coletes de corrente e couraças, encenadores vikings dão uma ótima noção de como esses antigos corsários aterrorizam as vítimas.
FOTO DE DAVID GUTTENFELDER, NATIONAL GEOGRAPHIC

DNA revela que famoso guerreiro viking era, na verdade, uma guerreira

Novas evidências obrigam arqueólogos a reinterpretar um conhecido túmulo, e podem lançar luz em papéis de gênero nas sociedades vikings. 

Por Michael Greshko

Há mais de um milênio, onde hoje é o sudeste da Suécia, um abastado guerreiro viking descansou pela última vez. Em sua homenagem, um túmulo resplandecente foi preenchido com espadas, pontas de lança e dois cavalos sacrificados. A sepultura refletia a vida ideal de um guerreiro viking macho – pelo menos era o que pensavam vários arqueólogos.

No entanto, novos exames de DNA em ossos confirmaram uma descoberta reveladora: o túmulo pertenceu a uma mulher.

O estudo, publicado recentemente no periódico American Journal of Physical Anthropology, coloca em xeque o entendimento que arqueólogos construíram sobre os vikings – marinheiros medievais que, durante séculos, fizeram comércio e pilhagens por toda Europa.

COMO ERA A VIDA DOS VIKINGS?
Os Vikings dominaram os mares do norte da Europa por quase 300 anos. Saiba mais sobre esses grandes navegadores.

“Antes, o local era conhecido quase como o túmulo de um guerreiro viking macho ‘exemplar’”, disse o arqueólogo da Universidade Baylor Davide Zori, que não esteve envolvido na pesquisa. “[O novo estudo] atinge o coração da interpretação arqueológica: sempre analisamos com nossa própria ideia do que papéis de gênero são”.

Os conhecimentos sobre vikings sempre deram pistas de que nem todos guerreiros eram homens. Um antigo texto irlandês do século 10 conta a história de Inghen Ruaidh (“Garota vermelha”), uma guerreira, mulher, que liderou uma esquadra viking até a Irlanda. Davide aponta que inúmeras sagas vikings, como a Saga dos Volsungos, do século 13, falam das ‘donzelas-de-escudo’ que lutavam ao lado dos homens.

Mas alguns arqueólogos consideravam as guerreiras mulheres meros ornamentos mitológicos – uma crença apoiada em expectativas modernas sobre os papéis de gênero. 
Susposto macho

Desde o fim da década de 1880, cientistas enxergavam o “Guerreiro Bika” por essas lentes. Os estudos sempre indicavam que o túmulo pertencia a um homem, mesmo sem análises detalhadas das ossadas.

Como descrito na reportagem de capa de março de 2017 da revista National Geographic, tudo isso mudou quando a bioarqueóloga da Universidade de Stockholm Anna Kjellström examinou com mais atenção os ossos pélvicos e mandibulares do guerreiro pela primeira vez. As dimensões levavam a crer que os restos eram de uma mulher.

Brandindo lanças e espadas, encenadores vikings e eslavos se enfrentam em uma batalha fictícia em festival na Polônia. O que começou como pequenos grupos de ladrões se tornou exércitos que conquistaram grandes parcelas da Europa.
FOTO DE DAVID GUTTENFELDER, NATIONAL GEOGRAPHIC

A análise de Anna, apresentada em conferência de 2014 e publicada em 2016, não fez muito estardalhaço, e alguns arqueólogos retrucaram. Talvez as ossadas foram confundidas com as de túmulos vizinhos, afinal, as escavações foram feitas há mais de um século. Quem sabe os ossos não foram misturados aos de outras pessoas?

Em reposta, uma equipe liderada pela arqueóloga da Universidade de Uppsala Charlotte Hedenstierna-Jonson retornou às ossadas e extraiu dois tipos de DNA. O mitocondrial, repassado de mãe para filha, determinaria se os ossos eram de um ou de vários indivíduos. Já o nuclear, revelaria o sexo biológico.

Os resultados foram claros: a equipe não encontrou nenhum cromossomo Y e o DNA mitocondrial de todos os ossos eram equivalentes. Os restos eram de uma única pessoa – uma mulher.

Charlotte e seus colegas dizem que a mulher era, provavelmente, uma guerreira – aliás, uma respeitada estrategista. “Em seu colo, ela segurava peças de jogos”, disse Charlotte em entrevista. “Isso sugere que ela planejava as táticas e liderava o grupo”.
Vida viking

Davide ainda está fascinado pelo que a descoberta diz sobre Birka, o assentamento da era viking onde a mulher foi enterrada. Abrigando um dos maiores e mais conhecidos cemitérios vikings, o sítio também foi um próspero eixo de comércio que recebia prata árabe e bizantina trocada por peles e escravos enviados pelos rios Dniepre e Volga.

Ilustração de Evald Hansen baseada no plano original do túmulo do escavador Hjalmar Stolpe, publicado em 1889.
FOTO DE ILUSTRAÇÃO CORTESIA DE UPPSALA UNIVERSITY

Talvez como resultado do fluxo de mercadorias e pessoas, o cemitério de Birka possui um ar especialmente internacional, diz Davide. Rituais de sepultamento são diversos, vão desde queimar os cadáveres a posicioná-los sentados em cadeiras.

“[Birka] costurava o mundo viking – de comércio, trocas e pessoas se movimentando não somente para matar umas as outras”, ele acrescenta. “Revelar o tipo de ética marcial nas sepulturas também é importante: trata-se de juntar duas partes importantes do mundo viking.”

“Isso é algo que gerou muito interesse ao longo dos anos porque alguns textos mencionavam as guerreiras vikings. Agora, novas tecnologias podem nos aproximar desses textos e desses estudos”, diz ele.

(Do http://www.nationalgeographicbrasil.com/)

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

CAMINHOS DO MAR

Foto Daqui

O CAMINHO DO PEABIRU PASSAVA POR AQUI

Um ramal costeiro do Caminho de Peabiru, até agora desconhecido pelos estudiosos, percorria diversas praias de Florianópolis, inclusive as de Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui. A novidade histórica faz parte do livro da jornalista e pesquisadora Rosana Bond.

A obra "História do Caminho de Peabiru – O milenar, “desprezado” e pouco estudado ramal litorâneo, da Editora Aimberê (RJ), é a 16ª publicada pela jornalista.
Nela a autora incluiu um mapa militar português, dos anos 1700, mostrando um caminho passando pelas duas localidades. “Naquela época, fora algumas ruas do centro de Desterro e do pequeno trecho das pontes da Avenida da Saudade, o governo de Portugal ainda não abrira estrada nenhuma na Ilha. Assim, tudo indica que a trilha de Santo Antônio e Sambaqui era remanescente dos velhos caminhos dos índios, existentes nas bordas de quase toda a Ilha, muitos deles reaproveitados depois pelos moradores brancos. Essas vias indígenas ilhoas faziam parte do ramal peabiruano”, esclarece Rosana.
O Peabiru era um caminho que unia o Atlântico ao Pacífico, penetrando o interior por Barra Velha e vale do rio Itapocu, e alcançando o oceano no Chile e Peru. “O que não se sabia, até agora, é que ele possuía um ramal que beirava a orla catarinense, incluindo Florianópolis. Na realidade, beirava praias brasileiras desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, por 1500 quilômetros sem qualquer interrupção”, informa.
Sobre o título do livro, ela explica: “Digo que o caminho praiano é milenar porque foi usado pelos índios desde pelo menos 1500 anos atrás. Que foi “desprezado” porque os portugueses só reconheceram oficialmente sua existência e importância dois séculos após terem desembarcado no Brasil. E finalmente, falo que foi pouco estudado porque, num equívoco, foi visto pelos estudiosos como um caminho “natural”, sem interferência da mão do homem. Ou, no máximo, como uma rude trilha indígena presente apenas em trechos descontínuos do litoral, do sul ao Rio de Janeiro.”

Sustentada em velhos documentos, mapas e relatos indígenas, a obra apresenta um traçado do ramal, município por município. A jornalista acredita que esse traçado poderá ser útil a várias cidades litorâneas catarinenses na prática do turismo cultural-histórico.
“Todos sabemos que há praias do nosso litoral que só têm movimento econômico no verão, quase ‘morrendo’ no resto do ano. São localidades que buscam atrativos extratemporada que evitem seu empobrecimento sazonal. Será que organizar peregrinações por esse ramal do sagrado Peabiru, nos moldes do Caminho de Santiago de Compostela, não seria um atrativo suficiente para trazer turistas/caminhantes a essas cidades fora do verão?”, indaga a pesquisadora.

(Do portal "Daqui" - http://daquinarede.com.br)

NOTURNA

Foto Fernando Alexandre

Sem fotochope e sem corte!

OS ARGONAUTAS

MAR-CAIS


Foto Andrea Ramos


rotina
todo esse azul
relaxando a retina
(Fernando Alexandre)

TODO DIA É DIA!

Nascida no Espírito Santo, Dora pertencia a uma família de intelectuais e políticos, que realizava em sua residência reuniões literárias com a presença de relevantes personalidades do modernismo brasileiro, em Belo Horizonte, onde se estabeleceu em 1920.
 Bacharelada em Ciências e Letras, optou por seguir a carreira artística em meados de 1942. Amestrou serpentes e, dois anos mais tarde, estreou nos teatros de revista do Rio de Janeiro sob o pseudônimo Luz del Fuego, com espetáculos de dança em que aparecia com um casal de ofídios enrolado em seu corpo quase sempre nu. 
As apresentações da moça logo provocaram furor por todo o país e transformaram-na em uma das principais atrações do teatro nacional. Embora repudiada pelos mais conservadores, que a consideravam "uma ameaça aos bons costumes"...

EM BUSCA DA CABEÇA PERDIDA



Você já viu uma cabeça de bacalhau?

A cabeça de bacalhau existe sim, olha a foto de um ainda vivo, aí em cima. O bacalhau não é um peixe, é um processo de salgamento. O peixe, pelo menos o original, que foi o primeiro usado e ainda é o melhor do mundo para fazer bacalhau, chama-se Cod Gadus Mohua, é um primo da abrotéa e vive lá no Mar do Norte, no Atlântico Norte, não tem por aqui. A gente não vê a cabeça dele porque ela é descartada no processo de salgamento. E isso é antigo, começou com os vikings, no século 8. Não é uma invenção portuguesa como se pensa. Podemos dizer, para simplificar essa história, que o bacalhau é uma invenção sueca, norueguesa. Mas é conhecida como a mais tradicional iguaria da culinária lusitana, porque foi Portugal quem popularizou o bacalhau no mundo, com as grandes rotas marítimas dos descobrimentos.
Mas antes dos portugueses, quem popularizou o bacalhau na Europa foram os bascos. Existem registros de fábricas para processamento do bacalhau na Islândia e na Noruega, lá no século 9, nos anos 800. Os Vikings são considerados os pioneiros na descoberta do Cod Gadus Morhua, que é o peixe considerado como bacalhau autêntico. Obviamente, o Gadus Morhua não é salgado, o preparo dele chamado de bacalhau é que é.
Os vikings não tinham sal, então eles encharcavam o peixe com água do mar e o secavam ao ar livre. Assim, conseguiam que o peixe perdesse muito peso, ficasse duro como uma tábua de madeira e aí conseguiam levar nas longas viagens marítimas pelos oceanos. Ou seja, os vikings "inventaram" a técnica que os nossos tropeiros utilizaram séculos depois na carne seca e no charque.
A população européia só começou a comer bacalhau, bem mais tarde. No século 9, o vikings eram chamados de bárbaros pelos mouros que dominavam boa parte da Europa e toda a Penínsla Ibérica. Portugal surgiu em 1.300, cinco séculos depois disso. Mas quando os bárbaros desembarcavam na costa espanhola, lá no nordeste da Espanha, eles trocavam bacalhau por outros produtos.
Então os bascos se interessaram pelo peixe salgado. Os bascos já conheciam o sal e existem registros de que no ano 1000, eles vendiam o bacalhau curado, o salgado e o seco. Então, esse bacalhau que a gente come hoje é uma versão surgida na costa da Espanha.
No começo, eles salgavam e depois secavam nas rochas, ao ar livre, para que o peixe fosse melhor conservado e aí é que se tirava a cabeça do peixe, porque a técnica criada pelos vinkings consiste em abrir o peixe ao meio e deixá-lo reto. Com cabeça isso não era possível. Então eles eliminavam essa parte e é por isso que você não vê a cabeça do bacalhau exposta lá no supermercado.

(Texto e imagem enviados anonimamente ao Tainhanarede)

terça-feira, 14 de agosto de 2018

MAR DE TUDO

Foto Fernando Alexandre

JACK O MARUJO

- O sr já foi humilhado alguma vez, capitão?
-Só quando me fazem esta pergunta, disse Jack o Marujo.

(Do Nei Duclós)

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre
Bandeiras colorindo o vento nas ondas calmas do Pântano do Sul 

MAR DE POETA

Resultado de imagem para Murmúrio do mar

Nostalgia panteísta

Um dia, interrogando o níveo seio
De uma concha voltada contra o ouvido,
Um longínquo rumor, como um gemido,
Ouvi plangente e de saudades cheio.

Esse rumor tristíssimo, escutei-o:
É a música das ondas, é o bramido,
Que ela guarda por tempo indefinido,
Das solidões marinhas de onde veio.

Homem, concha exilada, igual lamento
Em ti mesmo ouvirás, se ouvido atento
Aos recessos do espírito volveres.

É de saudade, esse lamento humano,
De uma vida anterior, pátrio oceano,
Da unidade concêntrica dos seres.

 (Augusto de Lima - "Nostalgia panteísta" - Poesias. Rio de Janeiro e Paris: Garnier, 1909.)

QUEM ME NAVEGA É O MAR...

MAR DE BALEIAS




Número de baleias já supera
média dos últimos três anos

Pelo menos 59 baleias franca fazem da região da APA berçário dos filhotes neste meado de agosto. Em 2012 foram registradas 103 baleias no mês de julho. Mas a média caiu bastante de lá para cá. Nos últimos 3 anos ficou abaixo do número já contabilizado pelo Projeto Baleia Franca/Instituto Australis. (Fotos e vídeo de Eduardo Renault, Instituto Australis)

A temporada reprodutiva da espécie começa com a chegada das primeiras baleias, mas a maioria dos indivíduos se fixam nas enseadas para cuidar dos filhotes a partir de da segunda quinzena de julho, sendo as avistagens iniciais de fêmeas grávidas a procura de enseadas para parir seus filhotes.

Este ano, no entanto, elas chegaram quase um mês mais cedo, e em grande número. Já no primeiro sobrevoo de monitoramento, realizado no dia 15 de julho, foram registradas 35 baleias. De lá para cá, o número praticamente dobrou. Segundo Karina Groch, Diretora de Pesquisa do Instituto Australis “neste domingo (12) registramos 57 baleias na APA da Baleia Franca (APABF)/ICMBIO, e 2 baleias em Florianópolis, sendo a grande maioria pares de mãe e filhote”.

MONITORAMENTO POR TERRA 
Os dados na APABF são do monitoramento a partir de terra realizado pelo Instituto Australis, que desde o início de agosto monitora sistematicamente a região central da APABF, totalizando 22 praias entre a Pinheira (Palhoça, SC) e o Cabo de Santa Marta (Laguna, SC), além reunir informações do público e parceiros provenientes das outras áreas. Ao longo dos últimos dias também foram registradas baleias-franca no litoral do Paraná e em Abrolhos, na Bahia.

Algumas enseadas têm se destacado na presença das baleias, como Ribanceira/Ibiraquera e Itapirubá Norte, ambas em Imbituba, onde nas duas juntas, esta semana, foram avistadas mais de 40 baleias. Em Garopaba, a concentração ocorre entra as praias cerntral e do Siriú, com cinco grupos. Essa grande quantidade de baleias atrai moradores, visitantes, e também chama a atenção de surfistas.

MOLESTAR É CRIME 
Mas Karina faz um alerta: “é importante ressaltar que as baleia franca estão em um período muito importante da sua etapa de vida: as fêmeas estão amamentando e cuidando dos filhotes que acabaram de nascer, e estão passando seus primeiros 2 a 3 meses de vida aqui na região. Esta etapa é fundamental para a sobrevivência dos filhotes. As mães são protetoras e durante os cuidados, a aproximação humana pode não só interferir no comportamento das baleias, mas também representar um risco para quem se aproxima, pois são animais muito grandes, apesar de não serem agressivos”.

A legislação Brasileira, através da Portaria IBAMA 117/1996, determina que é proibido mergulhar com qualquer espécie de cetáceo (baleias e golfinhos) a uma distância inferior a 50 metros. Segundo o chefe da Apa da baleia franca, Cecil Barros, o desrespeito a esta portaria é caracterizado como atividade de molestamento e os responsáveis estarão sujeitos a multa e poderão ser responsabilizados criminalmente.

É difícil estimar o total de baleias-franca que ainda virão para o Brasil este ano, mas os números já estão de similares às temporadas consideradas mais típicas, quando no pico da temporada, em setembro, eram registradas uma média de 120 baleias desde Florianópolis (SC) até o Norte do Rio Grande do Sul.

AQUECIMENTO GLOBAL 
Um estudo conduzido pelo Instituto Australis em parceria com o Laboratório ECOMEGA da FURG (Fundação Universidade de Rio Grande, RS) apontou que alterações climáticas globais podem estar influenciando o sucesso reprodutivo das baleias-franca no Brasil, uma vez que estas alterações interferem na quantidade de alimento disponível para as baleias, e, portanto, é mais difícil elas migrarem para o Brasil para terem seus filhotes, consequentemente observamos flutuações na ocorrência da espécie.

O monitoramento das baleias franca será realizado pelo Instituto Australis até novembro, final da temporada reprodutiva da espécie. Desde 2015 o Australis é a instituição mantenedora do Programa de Pesquisa em Conservação da Baleia Franca (Projeto Baleia Franca).

(Via Mais Garopaba)

PRETO NO BRANCO!

Foto Fernando Alexandre

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

MAREGRAFIAS


Foto Fernando Alexandre

BADEJO NA MESA

Foto Alfredo Franco

CROCANTE COM ERVAS

Ingredientes
. 1 filé de badejo sem pele e cortado em quatro pedaços
. Sal a gosto
. 2 colheres (sopa) de salsa picada
. 1 colher (sopa) de orégano
. 1/2 colher (sopa) de tomilho picado
. 1 colher (chá) de alecrim picado
. 1 colher (chá) de sálvia picada
. 2 colheres (sopa) de manteiga
Modo de preparo
Tempere o peixe com sal e reserve.
Numa tigela pequena, misture a salsa, o orégano, o tomilho, o alecrim e a sálvia.
Cubra a parte de cima de cada pedaço de badejo com a mistura de ervas e pressione bem.
Numa frigideira grande, aqueça a manteiga em fogo baixo.
Disponha os filés na frigideira com o lado recoberto para baixo e frite até formar uma crosta de ervas.
Vire os filés e frite até dourar o outro lado. Transfira para uma travessa e sirva.

NA PRAIA...

Foto sem crédito alguém sabe o autor?
Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, num merecido repouso!

DENTRO DA CATEDRAL



Fotos de Clark Little, ex-surfista americano, que utiliza uma câmera capaz de obter até dez fotos por segundo, de dentro de ondas que variam entre 90 cm e 4,5m. 

MULHERES DO MAR

Maria Santa da Lapa, moradora da praia do Pântano do Sul, Ilha de Santa Catarina, é filha e mulher de pescador . Ela conta, com exclusividade para o Tainhanarede como era a pesca antigamente e como as mulheres participavam das atividades pesqueiras na pequena comunidade.

ESCALANDO O PEIXE


domingo, 12 de agosto de 2018

AO MOLHO DE CERVEJA


 

Ingredientes:
1 kg de marisco com casca(s) 
2 lata(s) de cerveja 
180 gr de extrato de tomates 
1 unidade(s) de cebola 
1 dente(s) de alho amassado(s) 
1 maço(s) de cheiro-verde 
quanto baste de sal
quanto baste de pimenta-do-reino branca moída

Preparação:
Limpe bem a casca dos mariscos esfregando-os com uma buchinha. Elimine os que estiverem com a casca quebrada. Lave-os com água fria e reserve-os. Numa panela alta, refogue no azeite a cebola picada em rodelas finas e o alho amassado, até dourar. Em seguida, adicione o purê de tomate, o sal e a pimenta do reino. Cozinhe o molho por 5 minutos, adicionando água de vez em quando para não secar. Em seguida, coloque as duas latas de cerveja, a salsinha e a cebolinha picadas. Cozinhe o molho em fogo alto até levantar fervura, depois diminua o fogo. Experimente o molho e corrija o sal se necessário. Coloque os mariscos na panela e cozinhe-os até as cascas se abrirem (isso leva de 3 a 5 minutos). Em seguida, retire-os do caldo e coloque-os num recipiente. Coloque então, uma concha do molho que ficou na panela por cima dos mariscos e sirva-os quentes. Dica: aproveite o restante do molho que sobrou na panela e adicione farinha de mandioca para mexer um pirão. Sirva com arroz branco.