quarta-feira, 28 de setembro de 2016

MAR DE POETA

 Ponta da PIta / Antonina
imenso bonsai
natureza faz taishi
penso samurai


MAR DE VAN GOGH



 The Beach of Scheveningen, August 1882. Oil on paper on panel, 35.5 x 49.5 cm. Minnesota Marine Art Museum, Winona.

CABOTO NA ILHA


Expedição Cabotina, com a bandeira da Armada de Castela, fundeada nas águas da pequena praia da Ilha do Sol, na baía de Santos, por onde Caboto também esteve. Ilustração de José Coriolano Carrião Garcia.

Em 19 de outubro de 1526  aportava na Ilha dos Patos (ou Porto dos Patos), denominação européia na época, ou Yjuriré-Mirim (denominação de seus habitantes indígenas), o navegador veneziano a serviço da Espanha Sebastião Caboto. Ancorado no Sul da Ilha, entre a praia de Naufragados e o Ribeirão da Ilha, Caboto fez "aguada" ( se abasteceu de água e víveres) e seguiu viagem em direção ao Rio da Prata, retornando pouco tempo depois.

O povoamento do território catarinense e principalmente da Ilha está intimamente ligado, nos seus primórdios, aos interesses de navegações portuguesas e espanholas que tiveram o litoral de Santa Catarina como ponto de apoio para atingir a região do Rio do Prata (sem mencionar as expedições de outras nacionalidades).Pelo fato de o litoral catarinense servir como ponto de apoio, os primeiros povoadores foram náufragos, como os sobreviventes de uma embarcação da expedição de João Dias Solis; ou desertores, do "San Gabriel", navio que fazia parte da expedição espanhola comandada por D. Rodrigo de Acuña. Da expedição de Sebastião Caboto, em 1526, também apareceram desertores.
Para alguns historiadores, baseados em relatos antigos, foi Caboto que renomeou a até então Ilha dos Patos com o nome de Santa Catarina, em homenagem a sua esposa Catarina Medrano. Outros atribuem o novo nome como sendo uma homenagem a Santa Catarina de Alexandria, festejada pela igreja em 25 de novembro.
Em sua passagem por aqui, Sebastião Caboto perdeu próximo da praia de Naufragados uma de suas naus, a Santa Maria de La Concepcion.

NAUFRÁGIO

Alguns anos atrás, mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul localizaram restos de um navio que pode ser de um dos mais antigos naufrágios que se tem registro: a nau Santa Maria de La Concepcion, de Sebastião Caboto, que foi a pique em 1526. Agora, encontrar o sino ou os canhões de sinalização, que trazem o nome da embarcação marcado nas peças, é o objetivo imediato dos mergulhadores que descobriram vestígios de um navio do século 16 afundado próximo à Praia de Naufragados, no Sul da Ilha de Santa Catarina. Os objetos procurados poderão comprovar a suspeita de que a embarcação pertenceu realmente a Sebastião Caboto.
Nesta reportagem do programa Educação & Cidadania da Tv Barriga Verde, de Florianópolis, às buscas pela nau de Francisco Caboto que estão sendo realizadas pelos mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul.

Descobertas e Saques em nome de muitos Reis


Sebastião Caboto (Veneza, 1476Londres, 1557) foi um navegador do século XVI que explorou a costa da América do Norte ao margeá-la, da Flórida à foz do rio São Lourenço, no atual Canadá.
Por causa disso e em sua homenagem, a estratégia de navegação costeando o litoral recebeu o nome de cabotagem. Em 1497, acompanhou provavelmente o pai, João Caboto, na primeira expedição inglesa à América do Norte, que resultou no descobrimento do Labrador, da Groenlândia e da Nova Inglaterra. Só se volta a ter notícias dele em 1512, como cartógrafo do rei Henrique VIII, acompanhando as tropas que ajudaram Fernando II de Aragão na guerra contra os franceses. Após o cancelamento da viagem que comandaria como capitão da Marinha espanhola em 1516, foi contratado por Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, que o nomeou piloto-mor em 1518, função que exerceu por cerca de três décadas, examinando e instruindo novos pilotos, organizando expedições e elaborando mapas que incorporavam o resultado dos descobrimentos.
No comando de uma expedição espanhola de três navios destinada ao Oriente, Caboto a desviou, em 1525, para explorar o rio da Prata e seus tributários, o Paraguai e o Uruguai, seduzido por notícias de riquezas fabulosas. Foi nesta viagem que Caboto aportou por duas vezes aqui na Ilha dos Patos ou Yjuriré-Mirim (como a chamavam seus habitantes). De volta à Europa, foi preso e desterrado para a África, mas foi depois reabilitado pelo rei de Espanha. No fim da vida, a serviço da coroa inglesa, organizou uma expedição para buscar um caminho mais curto para o Oriente, pelo norte da Europa.

DANDO NOME

Foto Fernando Alexandre


NO RIO E NO MAR


Documentário retrata a luta de pescadores e pescadoras de Ilha de Maré contra a poluição química causada pela Petrobras

“Eu tinha doze anos quando meu pai apresentou esse monstro pra gente”, fala Marizélia Lopes, pescadora de Ilha de Maré e uma das líderes do Movimento dos Pescadores e Pescadoras (MPP), apontando para a refinaria da Petrobras em Madre de Deus, na Baía de Todos os Santos. 

O episódio narrado é uma das cenas do documentário “No Rio e no Mar”, dos diretores holandeses Jan Willem Den Bok e Floor Koomen, que foi lançado ontem (26/09), na internet. O documentário foi lançado em 2016 e concorreu em março, desse mesmo ano, na 18a edição do Festival de Cinema da Anistia Internacional, “Movies that matter”, na cidade de Haia, na Holanda. A obra cinematográfica não ganhou o prêmio principal, mas recebeu uma menção honrosa, ficando com o segundo lugar, entre os dez documentários que concorriam na categoria. 

As filmagens foram feitas nos anos de 2014 e 2015 e mostram o embate travado pelos pescadores e pescadoras de Ilha de Maré contra a Petrobras e outros empreendimentos petroquímicos que poluem a baía de Todos os Santos e prejudicam o modo de vida das comunidades pesqueiras locais.

MAR DE POETA

Do Luiz Rettamozo, o Retta!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

MAR-CAIS


Foto Fernando Alexandre
 Palavras ao mar
Rôtas rotas
Qualquer lugar
(Fernando Alexandre)

NA PRAIA...

 Sigmund Freud e Carl Young

FINDE INVERNO!

Foto Fernando Alexandre

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

Povos Navegadores - OS VIKINGS

Com conhecimentos de astronomia e detentores de uma tecnologia que os permitia romper limites e viajar para lugares distantes de sua terra natal - Noruega, Suécia e Dinamarca - Os Vikings, os povos guerreiros da Escandinávia, eram também exímios navegadores.
Durante a "era viking", que vai do século VI ao XI, em seus longos e rápidos navios chamados de drakkars (dragão) atacaram e conquistaram a costa do Mar Báltico, na Rússia, a Normandia, ao norte da França , a Escócia e a Inglaterra. Exerceram também seu poder atacando a costa de vários outros países europeus, como Portugal, Espanha e Itália.
Na Groelândia chegaram a criar colônias e alcançaram a América antes da descoberta de Cristóvão Colombo, empreendendo ainda uma fracassada tentativa de colonização na costa sudeste do Canadá. Há também indícios de que chegaram até a Palestina.
Belicosos, inquietos e conhecidos principalmente por seu vandalismo, a imagem histórica dos vikings mudou um pouco ao longo dos tempos. Hoje adimite-se a sua importância e são reconhecidos pela grande contribuição que deram à tecnologia marítima e construção de cidades. Também faziam comércio pacificamente.
Os vikings costumavam usar lanças (como o deus Odin) e machados. Seus capacetes eram cônicos, como se vê na imagem do timoneiro (foto lá em cima), e não possuiam chifres (como são apresentados).
"The Pursuit of Vikings", música do album "Fate of Norns" da banda sueca Amon Amarth.

ITAGUAÇU DE HASSIS

Pedras da praia de Itaguaçu, 1969
Hassis - Hiedy de Assis Corrêa ( Curitiba, 27/7/1926 - Ilha de Santa Catarina, 20/1/2001)

DE BENZEDEIRAS & PARTEIRAS

Foto Andrea Ramos
Tia Ilda, benzedeira do Pântano do Sul, benzendo redes para a pesca da tainha
BENZEDEIRAS E AS PARTEIRAS
DA ILHA DE SANTA CATARINA

por José Luiz Sardá

Na antiga Europa durante o período da Inquisição, as mulheres que praticavam curas, atendiam a partos e que tinham conhecimento sobre o uso de ervas e plantas medicinais, foram acusadas de bruxas e feiticeiras.

Os açorianos trouxeram uma bagagem cultural repleta de crendices e religiosidade. Essa herança cultural está baseada e enriquecida pela miscigenação das culturas indígenas e africanas, através das manifestações culturais e religiosas. Dentre elas, a sabedoria das mulheres benzedeiras do interior da Ilha de Santa Catarina com suas rezas, crendices, conhecimento da homeopatia e das ervas medicinais.

Nos tempos idos, nos arrebaldes do interior da ilha, muitas mulheres se destacaram como parteiras, benzedeiras, ou no preparo de homeopatia. Este trabalho representava para elas o seu reconhecimento e todas eram respeitadas.

As benzedeiras eram consideradas mulheres que tinham o poder e o conhecimento de curar e afastar os males físicos e espirituais. A prática da benzedura faz parte da cultura açoriana e ainda persiste em algumas regiões da Ilha. São muitas as benzeduras: de arca caída, de cobreiro, de susto, de afogado, de sangue, de pontada, de bucho virado, de espinhela, de sapo, de zipra, zipela e zipelão, de embruxado, de olho grande, de inveja, de umbigo quebrado, de mau jeito e mau olhado.

Tinham conhecimento de rezas, benzeduras e simpatias. Ensinavam remédios homeopáticos e chás caseiros. Em casa num canto da sala, tinham sempre a vista uma bíblia, o crucifixo e imagens de santos. As benzeduras eram recomendadas e compartilhadas entre elas, de acordo com o grau de conhecimento de cada. Ganhavam presentes das pessoas que a procuravam, mas diziam não cobravam em dinheiro, pois era seu dever usar o dom que ganharam de Deus.

As orações de benzeduras foram passadas de boca em boca por gerações. As benzedeiras não se preocupavam com as palavras corretas, mas sim como se falava. Com frases repetidas três vezes, ênfase nos sinais e gestos, na simbologia dos números, na força das palavras e no poder dos elementos da natureza, animais e vegetais.

Para elas, a benzedura é uma forma de esconjurar o mal, se apegando na crença, no poder de Deus, da Virgem Maria, e dos Santos e das palavras certas para pedir a cura. Para o ritual, usam o crucifixo, ervas ou ramos verdes, e com gestos em forma de cruz traçada, fala cantada e de olhos fechados, a voz em sussurros era rezada a benzedura: “Eu te benzo com as três pessoas da Santíssima Trindade. É o Pai, é o Filho é o Espírito Santo acompanhando as cinco chagas de nosso Senhor Jesus Cristo. Tens quebranto, pegasse. No teu comeu, no teu bebeu, no teu dormir ou no teu serviço, ou nos teus negócios. Nas rezas carrega nas tuas mãos, nos passos de tua vida, pras ondas do mar teu mal será levado. Em nome de Jesus”. Ou “Pedro Paulo vai a Roma encontrar com Jesus Cristo. Jesus Cristo perguntou: - onde vais, Paulo? - Eu vou em Roma. - E o que há por lá, Paulo? - Muita zipra e zipela, muita gente morre dela! Com isso eu te curaria em nome de Deus e da Virgem Maria” ou ainda “Treze raio tem o sóli, treze raio tem a lua, sarta diabo pro inferno, que esta alma não é tua. Tosca marosca, rabo e rosca, vassoura na tua mão, relho na tua bunda, e argulhão nos teus pés, por riba do silvado e por baixo do telhado, São Pedro, São Paulo, São Fontista, por riba da casa de São João Batista, bruxa tatara-bruxa, tu não me entre nesta casa, nem nesta comarca toda. Por todos os santos dos santos. Amém”.

Quando uma doença muito grave ou um mal que não era doença, mas de quebranto ou mal olhado atingia alguém, essa pessoa precisava ser benzida. A benzedura também era feita em animais, principalmente em bezerros.

Contavam que muitas vezes o mau olhado pode não ser intencional, mas aquela força maligna sai da forma do olhar da pessoa. O mau olhado pode atingir até plantas e animais. Contra as feiticeiras havia benzeduras e orações especiais, com a tesoura.

Nas primeiras décadas do século XX as mulheres que estavam para dar a “luz” ou os enfermos, eram tratadas na própria casa. As mulheres pariam com a ajuda das parteiras-benzedeiras. Geralmente, depois do primeiro parto era sempre a mesma parteira que realizava os partos seguintes da mesma mulher. A parteira-benzedeira era responsável pela criança recém-nascida e cuidava da mãe até a quarentena pós-parto e não cobravam pelos serviços, pois era preciso retribuir fazendo o bem a outras mulheres.

Veja mais no 
José Luiz Sardá

MANEMÓRIAS

Foto Amnésio Kronico
Pântano do Sul - Verão 1967: no tempo em que ainda se discutia o sexo dos mariscos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

MUDO DE IMENSIDÃO

Foto Andrea Ramos

"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kavadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:


- Me ajuda a olhar!"


(Eduardo Galeano, no "Livro dos Abraços")



Eduardo Hughes Galeano (Montevideo, dia 3 de setembro de 1940 - 13 de abril de 2015), jornalista e escritor uruguaio. Com dezenas de títulos publicados, é autor, entre outros, de clássicos como "Las Vienas Abiertas de Latino América".

MAR GRANDE

Fotograma Murilo Mariano
"O mar dá,
O mar tira"
(Dito Popular)

"ELES SÃO MAIS FELIZES QUE OS EUROPEUS"


Mapa e relevo da Ilha de Santa Catarina produzido por M. Frézier em 1712
 Em fins de 1711 partiram de Saint Malo, França, os navios "Saint Joseph" de 36 canhões, 350 t. de deslocamento e 135 homens de guarnição, comandado pelo Capitão Duchênne Battas e "Marie" de 120 t. sob o comando do Capitão Jardais Damel. Em 30 de março de 1712 eles chegaram a Ilha de Santa Catarina.

O engenheiro militar francês Amadée M. Frézier fazia parte desta expedição e fez um estudo detalhado da "Meimbipe" dos Cariós -  já chamada de ilha de Santa Catarina - e de seus habitantes.


Abaixo, alguns trechos de seu relato que inicia  na página 16 de seu diário de bordo:

"Na terça-feira 30 de março (1712), como estivéssemos perto da terra, sondamos às 6 horas da tarde e encontramos 90 braças d'água fundo de areia, vasa e concha (...)
(...) continuamos a prumar de distância em distância, diminuindo o fundo de maneira uniforme, até 6 braças de fundo vasa cinzenta, onde fundeamos entre a Ilha de Santa Catarina e a terra firme (...)
Na manhã do dia 1o. de abril, o capitão destacou a nossa lancha e a da "Marie", com uma guarnição armada, para ir a procura de um sítio apropriado para fazer aguada e às habitações dos portuguêses, a fim de conseguir alguns refrescos(...)

Costeamos muitas e belas enseadas da ilha, ate que, detidos pela escuridão da noite fomos obrigados a pôr-nos em terra: o acaso nos levou a uma pequena enseada onde encontramos água e um pouco de peixe que muito a propósito pescamos e que um grande apetite o condimentou admiravelmente; passamos a noite vigiando os tigres que povoam as florestas cujas pegadas recentes acabáramos de ver sobre a areia; ao romper do dia avançamos ainda uma meia légua para verificar se não havia algum navio fundeado em Arazatiba
(Ilha de Araçatuba - Naufragados), o que não foi visto ( ...)
Os portuguêses que nos haviam visto passar com a bandeira inglesa no escaler (...) vieram em suas pirogas para nos oferecer refrescos; recebemos suas ofertas e em troca demos-lhes aguardente, licor que muito apreciam, ainda que ordinariamente costumem só beber água (...)

(...) A Ilha de Santa Catarina (...) é uma floresta contínua de árvores verdes o ano inteiro, não se encontrando nela outros sítios praticáveis a não ser os desbravados em torno das habitações (...) 12 ou 15 sítios dispersos aqui e acolá à beira mar nas pequenas enseadas fronteiras à terra firme; os moradores (...) são portugueses, uma parte de europeus fugitivos e alguns negros; vê-se também índios, alguns servindo voluntariamente aos portugueses, outros que são aprisionados de guerra (...)

Encontram-se eles em tão grande carência de todas as comodidades da vida que, em troca dos víveres (...) não aceitavam dinheiro, dando mais importância a um pedaço de pano ou fazenda para se cobrir (...) satisfazem-se com uma camisa e um par de calças; os mais distintos usam um paletó de côr e um chapéu; quase ninguem usa meia e sapatos; quando entram no mato utilizam-se da pele da perna de um tigre como perneira.
Não são mais exigentes com a alimentação do que com o vestuário; um pouco de milho, batatas, alguns frutos, peixe e caça, quase sempre o macaco, os satisfaz.

Essa gente, a primeira vista, parece miserável, mas eles são efetivamente mais felizes que os européus, ignorando as curiosidades e as comodidades supérfluas que na Europa se adquirem com tanto trabalho (...)"

Frézier: estudo minucioso da ilha e seu povo


Amedée Françoise Frézier, este famoso engenheiro militar francês nasceu em 1682 e morreu em 1773 com 91 anos. Foi contratado para construir fortes nas possessões espanholas na América do Sul, para defesa contra ingleses e holandeses. Serviu-se dessa viagem para inspecionar vários portos do continente, coletando outras informações científicas. Em sua viagem para o Pacífico, Frézier aportou na Ilha de Santa Catarina (1712), onde encontrou uma população bastante chocada pelo então recente ataque de Dugay-Trouin, no Rio de Janeiro. Tão logo eles avistaram o navio francês, toda a população fugiu para o interior. Contudo, acalmado o excitamento e a situação esclarecida, Frézier foi muito bem recebido pelo Governador Manoel Manso de Avellar, a quem se refere como Emanuel Mansa. Fez um estudo para um mapa da ilha e descreveu o estado primitivo em que viviam os 147 brancos ali. Em sua viagem de retorno do Pacífico, Frézier aportou também na Bahia (1714).

(Textos extraidos de "Ilha de Santa Catarina - Relato de viajantes estrangeiros nos Séculos XVIII e XIX" - Editora da UFSC e Editora Lunardelli - Terceira Edição - 1990)

BALEIAS! BLEEEIIAS!

"Quando o Mar Galgou a Terra" , longa-metragem português de Henrique Campos, rodado em 1954 no arquipélago dos Açores, na ilha de São Miguel, e baseado na obra de mesmo nome de Armando Cortes Rodrigues, mostra cenas documentais da caça à baleia no arquipélago. Uma raridade que na época foi um grande sucesso popular.

TODOS OS TEMPOS

Foto Fernando Alexandre

"...Eles ficam nas praias olhando para o mar, olhando para o céu. Está passando aí uma nuvem, ela dá sinal que vai ser bom o tempo. A lua está com um círculo em volta, é tempo bom. A lua se apresentou em pé, é marinheiro deitado, é tempo bom. E ficam olhando. Eles abrem a água do mar com as mãos e se surgem ardentias, a fosforescência, é bom tempo; senão é mau tempo..."

(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997)

CÉU - E MAR - DO ORLANDO AZEVEDO


Oh céus!

MARISCADA

 

Além de ser nativo e existir em boa quantidade nos costões de Santa Catarina, este animal também é bastante cultivado. Os mexilhões de cultivo são tão bons quanto os selvagens, e tem uma grande vantagem: tem menos casca e mais carne. Portanto quando quiser mexilhões, compre os de cultivo e poupe os selvagens, assim teremos sempre.
Curta a página do Instituto Larus

domingo, 25 de setembro de 2016

OSTRAS NA MESA

Estrogonofe de Ostras

Ingredientes:

-2 cebolas médias
-2 tomates sem pele e sem sementes
- Alho, tempero verde e sal a gosto
-3 colheres (sopa) de azeite
-200 gramas de creme de leite
-½ xícara de água das ostras
- 36 ostras frescas desconchadas

Modo de Preparo:

Refogue com azeite os tomates, as cebolas, o alho, os temperos verdes e o sal. Acrescente as ostras e a água das conchas e cozinhe por 5 minutos. Acrescente o creme de leite e sirva com arroz branco.

(Receita do Paraíso das Ostras - http://www.paraisodasostras.com/)

COMO O MAR...

Renato Godá, do album "Canções Para Embalar Marujos",  de 2010.

MARES DE PORTUGAL

crónicas da xávega (31)

o abraço

desenhar as palavras
à altura da vaga vencida
será tarefa árdua

chegar onde estes homens
dizer deles o que
sem saber como chegar até

escaldante como a areia
o pensar ser

morrer na praia é desejo
viver no mar é urgente

o abraço

(foto e poema do ahcravo gorim)
(torreira; companha do marco; 2014)

ao calão, o delmar viola

NA PRAIA...

 Venice Beach - .1924 

TRABALHADORES DO MAR

Foto Andrea Ramos

Fabrício e Aldemir - Pântano do Sul

BAHIA BALEIA



(Guilherme Mansur, da série Bahia Baleia, do site www.cronopios.com.br

  Guilherme Mansur é poeta e tipógrafo.
Publicou HAICAVALÍGRAFOS, BANDEIRAS - TERRITÓRIOS IMAGINÁRIOS, BENÉ BLAKE, BARROCOBEAT, BICHOS TIPOGRÁFICOS e GATIMANHAS & FELINURAS (em parceria com Haroldo de Campos). Vive e trabalha em Ouro Preto, Minas Gerais.
 E-mail: guimamba@gmail.com

MANEMÓRIAS

Foto sem crédito
Trapiche da Beira-mar Norte, junto a Pracinha da Esteves Junior, próxima ao Colégio Catarinense.

sábado, 24 de setembro de 2016

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

MAR DE POETA


Que nome leva o vento?

Que nome leva o vento
Que ergue dentro de mim
As ondas de um mar revolto
E com rugido de mil leões
Rasgam as águas nos rochedos ?

Que nome leva o vento
Que deitou por extenso
Na praia branca da minha alma
O corpo heróico vencido
Desse barco mutilado?

Que vento ouviu
Cantos risos e lamentos
Dos homens perdidos
Náufragos mortos dissolvidos
Na fria substancia cristalina
Do variado corpo universal?

Que nome leva o vento
Que levou para longe ,
não devolveu
O barco azul das velas brancas
Que vão delírio e louca empresa
Sonhavam antes da morte

Os homens que iam no mar?

(Marcelo Weber Macedo)
Perco a pomba mas não perco a cabeça!

(Dito popular ilhéu)

AL MARE...

Imagem Andre de Dienes - Transilvânia, 1913 / Califórnia, 1985

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

MAR DE COURBET

Gustave Courbet - Calm Sea, 1866


NA PRAIA

Sem crédito, tarrafeado da grande rede

TEMPO DE ANCHOVAS


Anchova assada com banana

Ingredientes:

- 1 anchova média espalmada 
- 1 cebola grande picada
- 6 dentes de alho picados
- 1 banana verde descascada picada
- suco de 2 limões 
- Sal, pimenta, azeite, alfavaca e açafrão a gosto

Preparação:

Passo 1: Tempere a anchova com sal, pimenta e açafrão. Jogue o suco dos limões por cima.
Passo 2: Então cubra com a mistura de cebola e tomate e, finalmente, cubra com folhas de alfavaca.
Passo 3: Cubra com papel alumínio ou filme plástico e leve à geladeira por uma noite, de preferência, já no refratário que vai usar para assar.
Passo 4: No dia seguinte, tire as folhas de alfavaca, regue com azeite.
Passo 5: Logo após, cubra com pedacinhos de banana e leve ao forno médio (200 a 220 graus) envolto no papel alumínio por cerca de 40 minutos.
Passo 6: Retire o papel alumínio e deixe no forno, na mesma temperaturo por mais meia hora, ou até o peixe ficar bem firme.

MAR DE HANSVONDOEHREN


PLACA LINO COM IMPRESSÃO 5 Passos, 40 x35cm

DANDO NOMES...

Foto Fernando Alexandre

O OUTRO FAROL DE SANTA MARTA


Foto Stefen de Maddalena
Transformado museu a partir de 2006 o Farol de Santa Marta faz parte do Forte de Santa Marta, cuja construção remonta ao século XVII. O farol foi inaugurado em Março de 1868 e classificado como Imóvel de Interesse Público em 1977, sendo uma referência na sinalização costeira da barra do Tejo, em Cascais, Portugal. No ano passado, a Câmara de Cascais e a Marinha, que ainda hoje apoia a navegação a partir da torre de 20 metros, iniciaram a remodelação do espaço transformando as antigas residências dos faroleiros em um museu, onde são mostrados os seus instrumentos de trabalho e modo de vida. O resultado é um espaço de exposição de peças recuperadas pela Marinha, amplas plataformas com vista para o mar, um centro de documentação e uma cafetaria.

DE GAROUPAS E GAROPETAS!

As pequenas, conhecidas como garopetas, são as mais atrevidas. Veja a pescaria do ponto de vista dos peixes.
(Do https://www.facebook.com/InstitutoLarus)

PESCANDO COM POTES


São poucas as pescarias que conseguem capturar peixes, crustáceos ou moluscos sem utilizar iscas ou redes. A pesca do polvo-comum (Octopus vulgaris) é uma delas. Nessa pescaria, espinhéis com centenas de potes são deixados alguns dias no mar.

Porque os polvos tem o habito de esconder-se e viver a maior parte de sua vida em tocas, eles acabam por alojar-se nesses potes, que passam a ser usados como abrigo. Quando os potes são recolhidos, a reação do polvo é fixar-se ainda mais na sua "toca" e, dessa forma, são levados à superfície, e retirados no convés da embarcação.

Esta técnica foi inventada há milhares de anos, quando eram utilizados potes de cerâmica. Hoje, os potes são sintéticos, mas a pesca de potes ainda é usada em pescarias artesanais e industriais.

(Do https://www.facebook.com/oceanabrasil/)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

NA PRAIA...

JACK KEROUAC NA PRAIA

ÓLEO E SANGUE NOS MARES DE SC

Foto Arquivo - Não faz parte da matéria do ND
Abate de baleias para extração do óleo ocorreu até 1960 em praias de Florianópolis
Sul da Ilha de Santa Catarina foi palco de caçadas sangrentas

por Edson Rosa
FLORIANÓPOLIS

Hoje são fotografias ou o simples avistamento, mas até 1960, era o óleo de baleia o que mais interessava aos caçadores do mar. Tataraneto do capitão Izidoro Pires, açoriano que veio a Desterro no século 18 com a missão de fundar a primeira armação, o pescador e bombeiro aposentado Aldo Corrêa de Souza, 73, se lembra com detalhes das caçadas na ponta sul da Ilha. Enquanto conserta a rede de anchova, de costas para o rio Sangradouro, conta que o arpão era um cano de ferro com mais ou menos 1,20 de comprimento e que em uma das pontas era soldada uma lança de uma polegada muito bem afiada.

Foto Flávio Tin/ND
baleia observação Santa Catarina
Impactos ambientais do tráfego intenso de navios cargueiros a caminho do porto de Imbituba, na zona de amortecimento da APA, também nunca foram estudados, apesar do constante alerta de ecologistas da região
Na outra ponta, um pedaço de madeira era embutido e parafusado, formando uma espécie de cabo para facilitar o manuseio. Na parte oca, o arpoador colocava estopim com espoleta, duas bananas de dinamite e papel picado, tudo socado em pedacinhos. “O cano era fechado com tijolo maciço, para a carga não sair pela culatra”, diz. 

Para completar o ritual sangrento, eram colocadas cabeças de fósforos, enquanto a ponta do estopim era descascada. Lentamente, a embarcação a remo se aproximava da baleia, sempre pela cabeça para evitar golpes com a cauda. O arpoador esperava o melhor momento de lançar, mirando do respirador para trás ou embaixo das barbatanas. Quando a franca era atingida, mergulhava para tentar se livrar da lança. Porém, conforme sacudia o corpanzil, mais o ferro o penetrava. 

Nesse momento, o estopim acionava a espoleta, e havia a explosão. O esguicho de sangue subia pelo menos dez metros, e deixava enorme mancha avermelhada no mar. Abatida, a baleia era arrastada à praia em meio à euforia de caçadores e curiosos em terra, onde começava a segunda parte do massacre.

Engenho de azeite é primeiro emprego
Com facões afiados, os homens se encarregavam de carnear a franca, cortando grossas camas de gordura. O toucinho de até meio metro de espessura era fervido em grandes tonéis de cobre, de onde o óleo era repassado a latões de 200 litros. O produto, que no período colonial era usado na iluminação pública e na construção de casas, até 1960, era exportado para lubrificar o maquinário da indústria japonesa. 

O aposentado Darci Brasiliano Vieira, 70, que reforça a aposentadoria como guia turístico na Armação, nunca foi para o mar, mas na adolescência ganhou seu primeiro dinheiro com as caçadas às baleias. “Quando eu era garoto, trabalhava cortando e fervendo toicinho para fazer óleo. Cheguei a comer, mas a carne é muito forte”, recorda.

Darci e Aldo Corrêa, que trabalharam entre 1957 e 1960, representam a última geração de caçadores da Armação vinculados à Pesqueira Pioneira da Costa. “Esta enseada, do Matadeiro ao Pântano do Sul, é um grande cemitério de baleias. Tudo tombado pelo patrimônio histórico [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]”, diz Darci. 

Dependente da sazonalidade do turismo e das incertezas da pesca, Darci usa a história da Armação para cativar visitantes, mas lamenta a falta de iniciativa do poder público e da iniciativa privada para resgatar a baleia como fonte de renda não letal para a comunidade local de pescadores. “Seria bom, por exemplo, se criassem um centro cultural e projeto para turismo de observação, embarcado ou pelas trilhas”, sugere.

Marcas do passado sangrento
Uma das atrações turísticas de Imbituba, a 90 km de Florianópolis, o Museu da Baleia, ocupa antigo casarão onde, entre o século 18 e 1973, a carne e a gordura de cerca de 400 baleias eram processadas por ano. A finalidade do local agora é outra: contribuir para a preservação da espécie e na educação ambiental. 

Inaugurado em 2003, o museu não serve apenas para reconstituir a história econômica da região a partir do século 17, quando foi criada a armação austral de caça da baleia de Imbituba. Mas alertar para o bom negócio que é preservação dos mamíferos do mar. O acervo tem cópias de documentos, como o contrato que o marquês de Pombal usou para deflagrar a pesca da baleia no Sul do Brasil em 1796. Preserva contratos de compra e venda de óleo de baleia, usado para iluminar cidades como Rio e São Paulo, e na argamassa e reboco de construções históricas, como igrejas e casarões coloniais. Também expõe fotos e utensílios que marcaram esse ciclo econômico da cidade. 

Com população de 35 mil habitantes, Imbituba vive da renda do porto privado e do turismo. No inverno, são as baleias-francas que, de julho a outubro, ajudam a girar a economia local, movimentando pousadas e restaurantes também de Garopaba e Laguna. 

A condutora ambiental Maria Aparecida Ferreira acredita que a proibição do turismo embarcado para observação reduzirá, também, o interesse de visitantes pelo acervo do museu. “O importante é aproveitarmos este momento para discussão ampla sobre o impasse e o futuro da APA”, diz.

BALEIA-FRANCA - APA (Área de Proteção Ambiental)
O que é: Unidade de Conservação Federal criada por decreto em 14  de setembro de 2000, para proteger a espécie Eubalaena australis, a baleia-franca austral, que vem ao Sul do Brasil para ter seus filhotes e amamentá-los nos meses de junho a novembro. Define normas de conduta e manejo das atividades humanas a fim de preservar os atributos naturais relevantes e assegurar a qualidade de vida das pessoas.
Artigo 15 da Lei Federal 9.985: APA é área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais, especialmente importantes para a qualidade e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.
Objetivo: Proteger, em águas brasileiras, a baleia-franca austral, ordenar e garantir o uso racional dos recursos naturais da região, ordenar a ocupação e utilização do solo e das águas, ordenar o uso turístico e recreativo, as atividades de pesquisa e o tráfego local de embarcações e aeronaves.
Onde fica: Abrange 156.100 hectares, com aproximadamente 130 quilômetros de extensão com manguezais, restingas, dunas, florestas de planície quaternárias, praias, promontórios e ambientes lagunares. Estende-se da ponta Sul da praia da Lagoinha do Leste, no Sul de Florianópolis, ao Balneário do Rincão, ao Sul do Cabo de Santa Marta.
Municípios: Florianópolis, Palhoça, Paulo Lopes, Garopaba, Imbituba, Laguna, Tubarão, Jaguaruna e Içara.
Órgãos Similares (Não confunda)
Projeto Baleia Franca: Criado em 1982, anterior ao decreto de criação da APA, o Projeto Baleia Franca iniciou suas atividades de pesquisa e monitoramento, além de educação e conscientização públicas para monitorar e garantir a sobrevivência em longo prazo da população remanescente de baleias-francas no Sul do Brasil. Com sede no Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca, na Praia de Itapirubá, Imbituba, é mantido por parceria entre a IWC/Brasil (Coalizão Internacional da Vida Silvestre) e Petrobras, desenvolvendo atividades de pesquisa e conservação em longo prazo.
Instituto Baleia Franca: Por meio da ciência e educação, busca o desenvolvimento econômico e sustentável da região, servindo como agente facilitador do acesso ao conhecimento ás comunidades da APA da Baleia Franca. Com monitoramento dos animais, o Instituto Baleia Franca visa à preservação da espécie Eubalaena australis, em Santa Catarina, auxiliado pelo levantamento de dados científicos sobre os comportamentos, locais de ocorrência e número estimado de indivíduos na região Colabora na elaboração e no cumprimento de normas para turismo de observação, mergulhos e aproximações.
(Publicado em 17/08/13-16:53 por: Redação ND - www.ndonline.com.br).