domingo, 28 de agosto de 2016

O HOMEM DO FAROL

Foto sem nenhum crédito
RUBEM BRAGA E O HOMEM DO FAROL 

É necessário vocação
na carreira de faroleiro.
Consta do serviço civil,
tem obrigação e direitos.
Porém não se entra nela como
em qualquer outra profissão:
entrar para ser faroleiro
é como entrar em religião.
É como entrar-se para a Igreja
num ordem contemplativa,
pois no alto cargo se cavalgam
vazios propícios à mística.
Na torre só, mais: isolado
de tudo o que faz transeunte,
habita a linha de fronteira
onde espaço e tempo se fundem.
O mar em volta do farol
é qual relógio sem ponteiros.
O faroleiro é só em si,
sem companhia nem do espelho.
O faroleiro é como nu,
ser devassado por janelas
que o cercam de todos os lados
e para o nada sempre abertas,
sobretudo para esse nada
que há na fronteira espaço-tempo:
o silêncio, que abafa como
almofada de algodão denso.
Ora o nada aberto ao redor
leva-o à posição uterina,
fechando-o ainda mais em si,
habitando a moela mais íntima,
ora dissolve o faroleiro,
que embora desperto se anula:
as vias da contemplação,
qualquer das duas se quer, usa.
Rubem Braga uma vez tentou
salvá-lo do não metafísico:
foi visitar um faroleiro
titular de uma ilha do Rio.
Rubem Braga logo decide:
não é homem de introspecção.
Vê que precisa de diálogo
esse afogado em tanto não.
De volta ao Rio, nos jornais,
lança um apelo: que doassem
vitrolas, rádios, qualquer voz
ao navegante sem navegagens.

(João Cabral de Melo Neto)

João Cabral de Melo Neto (Recife, 9 de janeiro de 1920 - Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999) - Além de poeta, foi um diplomata brasileiro. Classificado como poeta da geração 45, terceira geração do modernismo, foi agraciado com diversos prêmios ao longo de sua carreira de escritor. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana de Letras.

O CAMARÃO DE CARMEM MIRANDA


Foto Tocumfome Pereira 
Ensopadinho com chuchu
Camarão ensopado com chuchu é um prato que faz parte das mesas de quase todo o litoral brasileiro.
Cantado em versos por Carmem Miranda.
Um clássico da culinária praieira!


Ingredientes
500 gramas de camarões médios descascados, limpos, lavados e escorridos.
Sal e  Pimenta do reino
2 colheres (sopa) de salsa
1 colher de manjericão ou alfavaca picada
2 colheres (sopa) de manteiga ou azeite
1 cebola média picada
4 dentes de alho picados
2 tomates grandes picados
2 chuchus médios cortados em cubinhos

Preparando
Salgue os camarões e acrescente uma pitada de pimenta do reino. Aqueça uma panela, coloque a manteiga, junte a cebola, o alho e doure levemente. Acrescente os tomates e os chuchus. Reduza o fogo para brando, tampe a panela e cozinhe mexendo de vez em quando, até os chuchus ficarem macios, mas não desfeitos. Acrescente os camarões e cozinhe-os de três a cinco minutos. Desligue o fogo, acrescente a salsa e o manjericão. Sirva com arroz branco acompanhado de farinha de mandioca.

DE SOSLAIO!

Foto Fernando Alexandre

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

URUBUSANDO

Foto Fernando Alexandre
Destes tempos sombrios...


TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Governando o peixe - Pântano do Sul

OBEDECER JAMAIS!

Desobediência canina!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

ESSE PEIXE...


DANDO NOME

Foto Fernando Alexandre

Nomes e linhas d'água do Pântano do Sul

IMPREVISÕES TEMPORÁRIAS


Foto Fernando Alexandre
Tantos outonos no chão
primaveram invernos
nesse verão
(Fernando Alexandre)

NO TOM DAS ÁGUAS

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim e Ellis Regina

MANEMÓRIAS

Foto Ninguemsabe Onome
Morro das Pedras, no tempo em que ainda se discutia o sexo dos mariscos!

NA PRAIA

Imagem Andre de Dienes
 O fotógrafo Andre de Dienes nasceu na Romênia em 1913, mas foi na Turquia, aos 15 anos de idade, que aprendeu a pintar e comprou sua primeira câmera fotográfica.
Em Paris, a partir de 1933, trabalhou como fotógrafo free lance para o jornal comunista “L’Humanite” e para a agência “Associated Press”. Tres anos depois, convencido pelo modista Molyneux, começou a fotografar moda.
Em 1938 foi para a América, com a ajuda da revista “Esquire” e em Nova Iorque se consagrou no mundo da moda. Passou também a fotografar os bairros nova-iorquinos e a viajar pelas estradas do oeste do país, quando conheceu e ficou íntimo amigo da então desconhecida Norma Jeane Baker, que mais tarde se transformou na Marilyn Monroe.
A foto acima é de 1944, ano em que se mudou para a Califórnia, onde realizou diversos ensaios de nus ao ar livre, incorporando inovadoras técnicas de montagem às suas fotografias. Passou a trabalhar para os estúdios de cinema e virou o fotógrafo favorito de grandes estrelas hollywoodianas como Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Henry Fonda, Fred Astaire, Ingrid Bergman, Jane Russel e Anita Ekberg. André Dienes faleceu na Califórnia, em 1985.

CONVERSA DE PESCADOR

Alan Arante Monteiro, primogênito da família de Seo Arante e pescador de tainhas nas horas vagas do inverno, também gosta de contar histórias e estórias de pescador. E é tudo verdade!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MAR DE POETA


O MAR
Antes que o sonho (ou o terror) tecesse
Mitologias e cosmogonias,
Antes que o tempo se cunhasse em dias,
O mar, sempre mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é aquele violento
E antigo ser que rói os pilares
Da terra e é um e muitos mares
E abismo e resplendor e acaso e vento?
Quem o olha o vê pela primeira vez.
Sempre. Com o assombro que as coisas
Elementares deixam, as charmosas
tardes, a lua, ou fogo de uma fogueira.
Quem é o mar, quem sou? Isso saberei
No dia seguinte da minha agonia.
Jorge Luis Borges
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

MAR DE ANDRE DE DIENES

Imagem Andre de Dienes
O fotógrafo Andre de Dienes nasceu na Romênia em 1913, mas foi na Turquia, aos 15 anos de idade, que aprendeu a pintar e comprou sua primeira câmera fotográfica.

Em Paris, a partir de 1933, trabalhou como fotógrafo free lance para o jornal comunista “L’Humanite” e para a agência “Associated Press”. Tres anos depois, convencido pelo modista Molyneux, começou a fotografar moda.

Em 1938 foi para a América, com a ajuda da revista “Esquire” e em Nova Iorque se consagrou no mundo da moda. Passou também a fotografar os bairros nova-iorquinos e a viajar pelas estradas do oeste do país, quando conheceu e ficou íntimo amigo da então desconhecida Norma Jeane Baker, que mais tarde se transformou na Marilyn Monroe.

A foto acima é de 1944, ano em que se mudou para a Califórnia, onde realizou diversos ensaios de nus ao ar livre, incorporando inovadoras técnicas de montagem às suas fotografias. Passou a trabalhar para os estúdios de cinema e virou o fotógrafo favorito de grandes estrelas hollywoodianas como Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Henry Fonda, Fred Astaire, Ingrid Bergman, Jane Russel e Anita Ekberg. André Dienes faleceu na Califórnia, em 1985.

A ARMAÇÃO, AS BALEIAS E O TURISMO


PRAIA DA ARMAÇÃO

Antes do petróleo e do cimento, a iluminação e o concreto eram feitos usando óleo retirado da gordura, principalmente da baleia-franca. Aqui no sul da Ilha de Santa Catarina, a Praia da Armação, como o próprio nome sugere, foi um dos locais onde isto acontecia.
Quando finalmente a era da caça à baleia terminou, esta região viu-se a beira da ruína. Mas hoje prospera, explorando o turismo baseado em critérios de sustentabilidade.
Isto demonstra que sempre podemos abrir mão de um recurso econômico baseado na destruição e morte, pois em substituição, sempre haverá outro baseado na preservação da vida. Além disso, a geração de renda baseada em atividades sustentáveis é para sempre.

A principal atividade turistica baseia-se no manejo, fundamentado em capacidade de suporte, do transporte de visitantes para a Ilha do Campeche. É um exemplo a ser seguido em toda orla costeira, principalmente em ilhas.
Mas boa parte da população não está ainda sintonizada neste estilo e pratica verdadeiras atrocidades com os atributos naturais. Esperamos que a valorização de práticas sustentáveis e a repercussão de um estilo adequado de crescimento econômico, ajude a nortear o comportamento destas pessoas.

(Curta a página do INSTITUTO LARUS.)

NA BOCA DA PRAIA

Foto Fernando Alexandre

MAR DO PAULO GOETH


Asas em baixa velocidade!


DE VOLTA AO ACONCHEGO!

Pinguins voltam à natureza

Fortes, bem alimentados e loucos para voltar ao mar. Assim estavam os onze pinguins devolvidos à natureza nesta quarta-feira, 24, na Praia do Moçambique, em Florianópolis. Os animais estavam no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), no Parque do Rio Vermelho, há cerca de 45 dias. O trabalho de reabilitação é feito pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma), ONG R3 Animal e Polícia Militar Ambiental. 

Os pinguins-de-magalhães são originários da Argentina e do Chile e com a chegada do inverno no Hemisfério Sul deslocam-se por águas brasileiras em busca de alimentos. Os que chegam às praias catarinenses geralmente estão debilitados pela viagem ou doentes. Após serem recolhidos, são tratados e quando adquirem cerca de 3,5 kg, são libertados em grupo. “Pela primeira vez no País, os pinguins estão recebendo microchip, em vez da anilha, aquela argola amarela que era colocada na asa. Isso dá mais conforto ao animal e também guarda os dados de quando foi atendido aqui no Rio Vermelho”, conta a veterinária e gestora da R3 Animal, Cristiane Kolesnikovas.

Em média, por ano, o Cetas recebe cerca de 50 pinguins. “Esse trabalho é o cumprimento da missão da Fatma e uma parceria entre os órgãos e a comunidade nos cuidados dos nossos bichos e dos que vem de longe”, explica o diretor de Proteção de Ecosssistemas da Fatma, Rogério Rodrigues.

Preservação e educação

O Centro de Triagem do Parque do Rio Vermelho recebe cerca de 2,5 mil animais silvestres por ano vítimas de tráfico ou maus-tratos. Além de abrigar e tratar os animais, o local disponibiliza uma trilha ecológica usada para educação ambiental. “Os visitantes aprendem que o animal silvestre não é brinquedo e que é nocivo retirá-lo do habitat natural. Todo o trabalho executado no local é um exemplo de responsabilidade com o meio ambiente e uma forma de ensinar respeito a todas as espécies”, afirma o presidente da Fatma, Alexandre Waltrick. Como o objetivo do tratamento dos pinguins é devolvê-los à natureza, os animais não estão à disposição do público.

(Do http://www.fatma.sc.gov.br/)

VAI DAR VIRAÇÃO!



Foto Fernando Alexandre

Vento norte duro
vento sul seguro
(Dito popular ilhéu)

MAR DE BALEIAS

Resultado de imagem para Caçando baleias paraíba

Ruínas contam história cruel 

Durante 75 anos, companhia de pesca caçou mais de 22 mil baleias no Litoral da Paraíba. Vestígios da matança estão em Costinha. 

por VALÉRIA SINÉSIO

As ruínas que resistem à ação do tempo, em Costinha, no município de Lucena, guardam uma história que poucos paraibanos conhecem: a da caça das baleias. Durante quase 75 anos, o local sediou uma das mais importantes empresas de caça de baleias do século 20, a Companhia de Pesca Norte do Brasil. Os historiadores estimam que em Costinha mais de 22 mil baleias foram mortas, sujando o mar com o vermelho do sangue dos animais, em uma luta desigual entre o homem e a natureza.

A visita à antiga base de pesca de baleias na beira-mar de Costinha representa uma viagem amarga ao tempo, mais precisamente ao ano de 1911, quando o empresário Julius von Söhsten decidiu investir no ramo. Um forte motivo para a escolha de Costinha se deu porque era lá que várias baleias se concentravam anualmente entre junho e dezembro para o acasalamento. As principais espécies encontradas eram jubarte, espadarte, bryde, cachaclotes, minke-austrais e baleias-fin. A caça das baleias foi proibida no Brasil no ano de 1985, através da Lei Gastone.

O que hoje é um enorme terreno abandonado foi, por muitas décadas, palco do esquartejamento de baleias, que depois de caçadas eram arrastadas até a plataforma de corte, onde dezenas de homens tinham a missão de retirar toda a carne existente. Havia também uma arquibancada, para a qual a companhia vendia ingressos aos interessados em acompanhar o processo, conforme lembrou Romilson Costa, presidente do Instituto do Meio Ambiente e Ações Sociais de Costinha (Imaas).

Ele contou que as lembranças do corte da baleia ainda estão presentes em sua memória. Nos últimos anos de funcionamento da companhia (que veio a fechar em 1985 com a proibição da caça no país), Romilson ainda era um menino, que vendia picolé e pastel para os trabalhadores do local.

“Lembro bem daquele tempo. Era muita movimentação, todos queriam ver como acontecia o corte da baleia”, afirmou.

Os arpões e correntes enferrujados, utilizados para matar e puxar os animais, estão guardados na sede da Imaas. Após o fechamento da companhia, em 2000, o local passou a funcionar como um parque temático, chamado Baleia Magic Park, virando atração de final de semana para as famílias que visitavam Costinha. Em seguida foi acrescentada uma pousada. Mas o parque veio a fechar no ano de 2005.

Sem manutenção e abandonado à própria sorte, o local se deteriorou rapidamente ao longo dos últimos anos, embora ainda preserve uma baleia de cimento, que chama a atenção de quem se atreve a entrar, guinchos e outros vestígios do negócio baleeiro que ali se firmou. Onde antes eram as piscinas, hoje são depósitos de água suja e parada. A vegetação toma conta de parte considerável do terreno, no qual se recomenda não entrar desacompanhado.

Há dois meses famílias sem-teto invadiram o antigo estaleiro. A luta da Imaas é pela reativação do local como museu. “Estamos em um processo de recolhimento de fotografias e ossos de baleias que estão em poder de moradores da comunidade.

Nosso intuito é reunir o máximo possível de material para preservar e mostrar a história que se passou em Costinha.

Mesmo cruel, é história, e deve ser preservada”, declarou.

A ONG vai entrar com um pedido de tombamento da área no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep-PB). A Imaas enfrenta uma queda de braço com os proprietários do terreno, que aceitaram doar o acervo existente, mas pretendem fazer um estaleiro no local, segundo explicou Romilson.

Pesca como negócio rentável

O historiador William Edmundson, um dos autores do livro ‘A História da Caça de Baleias no Brasil: de peixe real à iguaria portuguesa’ (Disal editora, 2014, R$ 49,00), conhece como poucos a história que se passou entre os anos de 1911 a 1985 em Costinha. Segundo ele, uma das vantagens da instalação da estação baleeira naquele local foi o fato de que a praia era afastada da área residencial “onde os odores causados pelo processamento das carcaças da baleia e os resíduos industriais teriam tornado essa iniciativa bastante mal recebida”.

Em sua obra, Edmundson destaca a fase moderna da caça da baleia, com o uso do canhão arpão e do navio a vapor. Diferente da era colonial, quando se utilizavam barcos a remo e arpão manual. “O empresário Julius percebeu a presença de baleias naquela área e viu aquilo como uma grande oportunidade de negócio”, frisou. Julius von Söhsten se afastou do negócio em 1929, data na qual a companhia passou para as mãos dos sócios dele (Mendes Lima & Companhia) e posteriormente a empresários noruegueses e por fim japoneses. Foi no ano de 1957 que a companhia passa a ser chamada de Copesbra. 
De acordo com o historiador, na fase mais recente, com os japoneses, a caça das baleias se dava a cerca de 30 quilômetros de Costinha. O interesse principal era pelo óleo de baleia e a carne para a fabricação de charque. No depósito abandonado ainda é possível encontrar a inscrição ‘câmara de estocagem’, local onde a carne era armazenada. Edmundson disse que dez técnicos do Japão estiveram em Costinha para demonstrar a técnica de corte da baleia, que tinha de ser feito em no máximo 33 horas. Depois de aplicada a técnica, o corte da baleia se dava em apenas 20 minutos.

Iguarias congeladas eram exportadas para o Japão, onde a carne de baleia era muito cobiçada, segundo o historiador. Nas décadas de 70 e 80, o estoque de baleia estava sendo muito explorado em outras regiões do mundo, enquanto em Costinha ainda era abundante. Moradores da comunidade eram contemplados com pequenos cortes da carne de baleia, que não eram nobres como os destinados à exportação. Para torná-la mais apetitosa acrescentavam sal, conforme informou Edmundson. Na comunidade, essas pessoas eram chamadas de urubus.

Matança foi considerada 'atração turística'

Durante a caça das baleias, Costinha foi um local de constante visitação turística, conforme explicou William Edmundson, sobretudo entre os anos de 1972 e 1981. “Muitas pessoas foram para Costinha com o objetivo de presenciar a chegada dos navios com as baleias abatidas. Não resta dúvida que foi um dos maiores focos de turismo na Paraíba”, explicou Edmundson.

Ele citou um fato curioso de um grupo de São Paulo que fretou um avião para participar do ‘evento’, mas que não teve como fazer pouso em João Pessoa, o que só foi possível em Recife. Os turistas, então, passaram a noite toda viajando até chegar a Costinha. Como por vingança da natureza, exatamente nesse dia nenhuma baleia foi capturada e o grupo voltou para casa desapontado – mesmo quando deveria estar feliz.

Segundo o historiador, o que aconteceu em Costinha contribuiu muito para o risco de extinção das baleias no Brasil. Depois de quase 30 anos de proibição, o estoque da baleia-jubarte está se recuperando. “Estima-se que hoje existam cerca de 17 mil baleias dessa espécie, o que representa quase 70% da população original”, declarou. Em relação à espécie franca, que nunca foi vista na Paraíba, mas foi muito explorada no Sul e Sudeste do país, a recuperação é bem mais lenta, conforme explicou o historiador. “Hoje temos mais ou menos 500 indivíduos dessa espécie na costa brasileira”, frisou.

A obra de William Edmundson, que há oito anos escolheu João Pessoa para morar, e Ian Hart conta essa história da caça de baleias em Costinha com riqueza de detalhes. Os autores trazem, por exemplo, informações a respeito da captura de baleias e produção de óleo em Costinha e apontam para 68 baleias e 3,3 mil barris de óleo no ano de 1916. Contam ainda sobre a produção de farinha a partir da carne e do osso da baleia.

O livro traz o resultado de uma investigação minuciosa sobre como aconteceu a caça dos mamíferos em Costinha, pontuando, inclusive, as possíveis interrupções no negócio baleeiro durante a Segunda Guerra Mundial. Com a obra em mãos, o leitor tem a oportunidade de conhecer também a história da caça das baleias no país e os principais tratados e acordos para o fim da atividade.

Sobre a época que a caça ficou com os japoneses, os autores contam que uma das metas principais era melhorar a qualidade dos produtos saindo da fábrica. Segundo os autores, “a baleia era dividida basicamente em duas partes: o toucinho e a carne, ambos levados a um lado da plataforma de corte, e os ossos, pele com gordura, vísceras e a cabeça para outro lado”. O livro é considerado o mais abrangente sobre a história da caça de baleias no Brasil. O autor vai fazer uma noite de autógrafos na Livraria Leitura (Manaíra Shopping) no próximo dia 5, no horário das 17h às 19h.

(Do http://www.jornaldaparaiba.com.br/noticia/139254_ruinas-contam-historia-cruel)

MANEMÓRIAS

Foto Amnésio Perpétuo

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

TARDE INDO, NOITE SENDO

Foto Fernando Alexandre

BALEIAS DO FUTURO

É preciso dar asas à imaginação para projetar o mundo daqui a 100 anos. Para as mentes de 100 anos atrás talvez fosse ainda mais difícil, já que naquele tempo não existiam tecnologias que hoje fazem parte de nossa vida cotidiana. Isso fica bem evidente com a descoberta de uma coleção de desenhos futuristas de grande valor histórico de Jean-Marc Côté, entre outros artistas franceses, realizados entre 1899 e 1910, sob o título “França no ano 2000”.

BALEIAS DE ONTEM!

Na praia da Gamboa -  Garopaba -  e no Rio das Pacas - na Ilha - SC - Brasil 
Ontem, 23.08.2016

GENTE DO MAR - LÁ E CÁ!

O filme, produzido por jovens caiçaras do município de Cananéia- SP, evidencia importantes aspectos da cultura caiçara com um olhar crítico e motivador. Faz um registro do diálogo entre gerações que contam como as mudanças socioambientais, culturais e econômicas afetaram e afetam os modos de vida dessa população tradicional, além de mostrar as adaptações que as comunidades desenvolveram para manter vivo e presente os saberes e fazeres caiçaras.

DE SOSLAIO E PARA TRÁS...

Foto Fernando Alexandre


MAR DE PICASSO

"Duas Mulheres Correndo na Praia" - Pablo Picasso - 1922 - Reprodução

2,9 MILHÕES DE BALEIAS jÁ FORAM MORTAS!


VAMOS RECUPERAR AS POPULAÇÕES DE BALEIAS DO ATLÂNTICO SUL!

Você sabia? Durante o século XX cerca de 2.9 milhões de baleias foram mortas em todo o mundo o que constitui o a maior caça em termos de biomassa, levando a diminuição dos estoques de baleias em todos os oceanos. Aproximadamente 71% das baleias caçadas no mundo foram mortas no hemisfério sul. Baleias fin, cachalote, azul, jubarte, sei, franca e minke foram de longe as espécies mais caçadas no Oceano Austral (Atlântico Sul e a Antártida).

Para manter ou aumentar os níveis dos estoques das diferentes espécies de baleias que ocorrem na região, o Brasil, a Argentina, a África do Sul, o Uruguai e o Gabão estão propondo a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul.

Essa medida visa mitigar ameaças identificadas para essas populações de baleias bem como para outras ameaças potenciais. O Santuário também pretende estimular a pesquisa não-letal e não-extrativa coordenada na região, especialmente pelos países em desenvolvimento. Para ser criado é preciso que ele seja aprovado pela Comissão Internacional Baleeira (CIB ou IWC), composta atualmente por 80 países.

Você também pode ajudar a criar o Santuário: basta aderir à nossa campanha e divulgar essa iniciativa em suas redes com a hashtag #SantuarioEuApoio. A sua mobilização vai colaborar para recuperar as populações de baleias do Atlântico Sul. Participe!

APOIADORES DA CAMPANHA

terça-feira, 23 de agosto de 2016

BAHIA BALEIA




(Guilherme Mansur, da série Bahia Baleia, do site www.cronopios.com.br )
 

Guilherme Mansur é poeta e tipógrafo. Publicou HAICAVALÍGRAFOS, BANDEIRAS - TERRITÓRIOS IMAGINÁRIOS, BENÉ BLAKE, BARROCOBEAT, BICHOS TIPOGRÁFICOS e GATIMANHAS & FELINURAS (em parceria com Haroldo de Campos). Vive e trabalha em Ouro Preto, Minas Gerais. E-mail: guimamba@gmail.com

EMPROADA

Foto Fernando Alexandre

RECICLANDO SABORES DO MAR

Foto: Mathias Netto

Existem alimentos que a gente prepara em grandes quantidades para aproveitar as sobras durante a correria da semana. Este, definitivamente, não é o caso dos peixes. Quem já reaqueceu sobras de peixe no microondas sabe do que estou falando. Mas isto não quer dizer que peixes são casos de uma noite só, cujos vestígios devem ser apagados na manhã seguinte. É possível aproveitar sobras de peixe de várias maneiras, mas é preciso seguir algumas regras. A primeira é não tentar reviver o prato que passou. Sobras de peixe devem ser transformadas, e num prazo máximo de dois dias após o primeiro cozimento.

A forma mais prática de separar a carne e os espinhos de um peixe assado é fazer isso logo após o final da refeição. Fazer isso depois que o peixe tiver ido para a geladeira é um suplício. Quanto mais cedo você fizer isso, mais fácil será. Atenção com os espinhos. O segundo grande truque é ter muito cuidado ao reaquecer. Esqueça microondas e frigideiras muito quentes. Isso só resseca o peixe. O reaquecimento deve ser breve e suave. O melhor é tirar a geladeira e deixar chegar em temperatura ambiente antes de usar. Para incrementar o macarrão, misture a massa e o molho antes, e só depois adicione o peixe. O mesmo vale para a sopa - adicione o peixe nos minutos finais e mexa muito pouco. Para bolinhos, junte maionese, ovos, panko e ervas de sua escolha. Depois é só fritar. Para um patê, misture com iogurte, nata, queijo cottage, ervas, suco de limão ou vinagre, sal e pimenta (receita da foto - Blog Food52). Sirva sobre pão como aperitivo. Ou então experimente a receita abaixo (que vale para tainhas, anchovas, corvinas, etc):


PÃO DE TAINHA COM SEMENTE DE AROEIRA

Misture 2 xícaras de farinha, 1 colher de fermento em pó e 1 colher de chá de sal. Reserve. Bata 3 ovos, 1/3 de xícara de leite e 1/3 de xícara de azeite de oliva. Coloque coentro e salsinha picados, e semente de aroeira (pimenta rosa). Coloque a mistura de ovos sobre a mistura de farinha e mexa somente até combinar. Coloque duas xícaras de sobras de peixe e mexa delicadamente até incorporar. Coloque a mistura numa forma de pão untada com manteiga. Enfeite com mais sementes de aroeira. Asse em forno a 180 graus. Sirva com um fio de azeite de oliva e salada.

http://www.observasc.net.br/

Fonte: Food52

TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS PERANTE A ....

Foto Alcides Dutra
  Todos os homens são iguais perante a Lua 
(Manoel de Barros)

MANEMÓRIAS

Foto Ninguem Sabonome
Tainhas no Pântano do Sul! Em 1984...

MAR DO NEGO MIRANDA

Foto Nego Miranda

Antonina


O SILÊNCIO DAS BALEIAS

Foto BBC

Cientistas que pesquisam as baleias-de-bico-de-Blainville concluíram que esses mamíferos ficam em silêncio em águas rasas para evitar o ataque de predadores.


A pesquisa, publicada na revista científica "Marine Mammal Science", é uma das primeiras a registrar a comunicação entre essas baleias.

Os pesquisadores também gravaram sons produzidos por elas quando nadavam em regiões profundas do oceano, onde costumam viver.

A espécie Mesoplodon densirostris se reúne em grupos pequenos que não ultrapassam dez indivíduos. Além do bico característico, ela possui dentes, alcança até cinco metros de comprimento e pesa, quando adulta, cerca de 800 kg.

Tímidos e discretos, os cetáceos evitam embarcações, o que dificulta seu estudo e lhes dá um caráter enigmático.

ESCUTA

A pesquisadora Natacha Aguilar, da Universidade de La Laguna, em Tenerife (Espanha), e seus colegas da Woods Hole Oceanographic Institution, em Massachusetts (EUA), e da Universidade Aarhus, na Dinamarca, conectaram dispositivos de escuta em oito baleias-de-bico-de-Blainville.

Os animais foram monitorados durante 102 horas. Os aparelhos gravaram sons produzidos pelas baleias quando vinham à tona para respirar ou nadavam próximo da superfície e quando os mamíferos mergulhavam em profundidades de até 900 metros.

Os resultados mostram que a espécie fica silenciosa ao nadar a profundidades perto dos 170 metros.

As baleias também permanecem silenciosas quando estão subindo à tona após seus mergulhos, uma jornada que pode levar até 19 minutos.

A equipe acredita que este comportamento tenha a função de evitar que as baleias sejam detectadas por seu predador, as temidas orcas (Orcinus orca), conhecidas como "baleias assassinas".

As orcas tendem a circular em águas rasas e se alimentam de várias espécies de baleias. Ao se "esconder" dessa maneira, a baleia-de-bico-de-Blainville adotaria uma estratégia efetiva de evitar sua predadora, já que a espécie não é capaz de nadar mais rápido do que a orca e não possui outras defesas contra ela.

Ainda assim, o comportamento surpreendeu os cientistas, que imaginavam que os animais continuariam em contato para manter seus vínculos sociais, especialmente porque tendem a nadar em grupos coesos.

"Para um grupo que vive em sociedades tão coesas e coordena suas atividades, ficar em silêncio perto da superfície é um comportamento inesperado que contrasta bastante com o de outras baleias", afirmaram os pesquisadores em seu artigo.

SONS

Quando nadavam a mais de 450 metros de profundidade, as baleias emitiam diversos tipos de sons que permitiam não apenas que se comunicassem, mas se orientar no espaço e localizar suas presas, afirma a pesquisa.

Segundo os cientistas, alguns dos sons registrados, que eles descrevem como apitos e uma série de sons estridentes, nunca haviam sido gravados antes.

A equipe acredita que os sons em série tenham o papel de coordenar os movimentos dos membros do grupo à medida que se dispersa no final do mergulho, para caçar. 

(Da BBC Brasil)