terça-feira, 19 de junho de 2018

NA LIDA...

Foto Fernando Alexandre

A CAMARADAGEM DA MARIPOSA

Didi Grande ou Didi da Maria Jovita, o Delmi Elpídio Correia, experiente pescador da praia do Pântano do Sul e patrão da canoa Mariposa faz a chamada, um a um, de todos os 54 camaradas que fazem parte da lista da pesca de sua canoa.

NA PRAIA...

Foto Robert Capa
PICASSO E FILHO NA PRAIA

TAINHA EMBUSTEIRA!

Banda "Pedra do Urubú" - Praia do Campeche

DA TERRA...


Foto Andrea Ramos


"Tainha é como curió,
tem que ser da terra."
(Dito praieiro "psicografado" pelo cronista Sérgio da Costa Ramos)

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

TAINHA CRÔNICA

Arte Felipe Parucci
Submarinos Escamados

"De repente, no hálito de um frio moderado, chegam as tainhas, como submarinos escamados. O mar se encrespa e um tapete de nervosas espumas risca a linha d’água. Do alto de um costão, o olheiro espreita os cardumes, atento às rugas do mar, a mão transformada em aba, os olhos em luneta de longo alcance. 
Tostados pelo sol, pele curtida pelo vento, esses radares humanos seguem os cardumes com o faro de perdigueiros marítimos, sentinelas da guerra do abastecimento. São como o velho pescador Santiago, criatura de Hemingway. Dão a vida pelo seu peixe de cada dia. 
E as tainhas chegam, como se brotassem de uma prodigiosa maré de escamas, a Armação ou o Campeche tocados por algum milagre do Senhor. — “Tora, Tora, Tora!” — poderia ter gritado o olheiro, como se fosse um tardio radar de Pearl Harbour, anunciando a repentina invasão dos peixes na guerra pela alimentação. 
Mas esses torpedos ovados são pacíficos, flechas submarinas que deixaram a Lagoa dos Patos e subiram as correntes atlânticas, abraçando a Ilha e a Barra da saia da Conceição. Projeção bíblica: as canoas bordadas da Barra da Lagoa se pareciam com as embarcações das Escrituras, como a Arca, ou como os “batelões” dos Doze da Galileia. 
Depois da pobre pescaria, só havia dois peixes no cesto. Dois peixes e cinco pães. Ao desembarcarem, uma multidão aguardava por proteínas do mar. Assustado, o pescador Pedro suplicou ao Senhor: — Manda embora essa gente para que se alimente em suas povoações! Cristo respondeu, placidamente, aos seus apóstolos: — Não será preciso. Dai-lhes vós mesmos o que de comer. — Mas não temos aqui mais do que cinco pães e dois peixes! — Tragam-nos aqui… 
E ordenou à multidão que se sentasse à relva, tocando com as mãos os cinco pães e os dois peixes. Ergueu então os olhos para os céus e os abençoou. Partiu os pães e mandou que aqueles rudes pescadores dividissem os pedaços com todos os acampados, assim como as postas de peixe. Todos se saciaram e ainda restaram 12 cestos, repletos de pães e peixes. 

A cena se repetiu na Barra da Lagoa, numa luminosa manhã de maio. As tainhas pulavam nos cestos ainda forrados de areia molhada, os homens se sentiam solidários com os outros homens. 
Houve festa e partilha — e sobrou peixe para os embarcados e para os olheiros. Na verdade, olhos de pouca valia nessa bíblica multiplicação. As tainhas “atacaram” as embarcações, lembrando os grandes lances de 1997, na Pinheira, quando 15 mil tainhas foram capturadas pelos Pedros pescadores. E o lance recorde de 1977, nas praias do Sul e do Norte da Ilha, quando o “milagre” chegou a inacreditáveis 54 mil tainhas! 

A festa da tainha acontecia, antigamente, ao natural, sem que fosse preciso importar o produto em caminhões frigorificados ou sem que a cobiça dos atravessadores prevalecesse nos balcões e nos tabuleiros. 
Vento sul encanado, friáz, tainha de corso… No mercado, as tainhas estão em decúbito ventral, guelras abertas, a barriga prenha de duas ovas, expostas à cupidez do “fregueis”. 
Neste domingo de suposto céu azul, ou de lestada — nunca se sabe — dedico estas linhas a esses homens do mar, que ainda vivem de sua antiga faina. Como aqueles pobres pescadores de Homens e Algas, manés humildes que Othon Gama D’Eça amou, cultivou e compreendeu."

do Sérgio da Costa Ramos

(A imperdível crônica do Sérgio, "cercada" e "arrastada" do Diário Catarinense de 16-05-2010.)

MSC - 0 MOVIMENTO DOS SEM CONCHA!

Foto Alcides Dutra
O paguro é um crustáceo, mas habita uma concha que herdou de algum molusco. No mar como em terra, casas são preciosas e logo ocupadas. A diferença aqui é que não dá para chamar de imóvel, pois ele a carrega por onde anda.
Local: Ilha Moleques do Sul
Curta a página do INSTITUTO LARUS.

MANEMÓRIAS

Foto Amnésio Agudo dos Santos
Fim de tarde, anos 50: a noite chega de leve no Miramar e outros trapiches do centro da cidade que ainda era de frente para o mar.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

E A TAINHA COMO A SEREIA...

Foto Fernando Alexandre

A Sereia, a Tainha e a Tintureira

De madrugada quando a lua é cheia
Não se presta pra piraquerá
E a tainha como a sereia
Só são pescadas se tarrafiá

Te esconde, ó lua cheia
Te esconde, ó lua cheia
Pra pescar a Tainha e a Sereia

A tintureira é o cação cantador
Mesmo vivendo no fundo do mar
Até parece que ele tem amor
Por isso mesmo vive a cantar

Te esconde, ó lua cheia
Te esconde, ó lua cheia
Pra pescar a Tainha e a Sereia

(Letra de música de Agripino de Almeida da Conceição - "Mestre Agripino" e Nilson Chaves, músicos do Norte do Brasil e "pescadores" dos "mares amazônicos")

TAINHA CRÔNICA


Foto Fernando Alexandre

"Olho a tainha cara a cara, numa banca de peixe do Mercado. Ela pisca um olho e produz um sorriso escamado, quase um esgar. Parece querer sussurrar alguma coisa. Chego mais perto. E a tainha fala: – Cheguei de caminhão. Não sou tão fresquinha assim... Eu, que já me preparava para examinar-lhe as guelras, apalpar-lhe a barriga, avaliar-lhe as ovas, chego à conclusão de que ainda é cedo para comprar tainha, melhor esperar o primeiro lance. 

Pelas manhãs do Mercado Público evolam-se cheiros da Provence, terra que trata os prazeres da mesa, do prato e do copo com a devoção digna de um sacramento. Todo o sul da França é considerado um “mercado ao ar livre”, o próprio ar recende a orégano, alecrim, funcho e alfazema. Nosso Mercado deveria zelar por esses cheiros e por esse colorido provençal. Tomara que, a pretexto de organizar um novo mix e de promover uma democracia licitatória, não acabem estragando o que já está bom. 
E que não encontremos ali, no futuro, algo antinatural, como alguma filial de muambas do Paraguai. Boxes que não se destinem à natural vocação da velha casa amarela: tabuleiros de legumes, verduras, frutas, peixes, carnes, víveres, bistrôs para se viver a vida, consumindo umas e “ostras”. 
Neste outono que se desenha promissor à temporada das tainhas ovadas, mas que ainda não “inaugurou” a primeira rede premiada, vale a pena repetir a sugestão de mestre Eça de Queirós – colhida da Ilustre Casa de Ramires – uma receita de tainha bem assada: “Aqui está como se prepara, ó estudiosos! Tomai uma tainha. Escamai e esvaziai. Preparai uma massa bem batida com queijo (que pode ser parmesão), azeite, gema de ovo, salsa e ervas fragrantes, e recheai com ela a vossa tainha. Untai-a então de azeite e salpicai-a de sal. Em seguida, assai-a num lume forte. Logo depois de bem passada e alourada, umedecei-a com vinagre superfino. Servi – e louvai Netuno, deus dos peixes...” 

Essa ova “manufaturada” por Eça perde para as nossas ovas naturais, gêmeas, geradas no ventre das nossas tainhas Manés. Mas – vinda de quem vem – não custa nada reconhecer que a receita tem lá o seu estilo... Vejo minha avó espremendo a barriga das tainhas, examinando as ovas, regateando o preço. Sinto o cheiro das ovas fritas e a boca “embuchada” pela ingestão de duas grandes rodelas. Quando deparo com uma “tagenias”, ou “boa para fritar”, do grego antigo, sinto vontade de repetir o ritual de minha avó. Aperto o peito oliváceo de uma delas, duplamente ovada, a boca semiaberta na última careta da morte. São raros, hoje, os cardumes que chegam à costa, observados pelo olhar vigilante do olheiro, acocorado numa pedra, palheiro nos lábios, olho de lince. 
As tainhas chegam do Rio Grande, pescadas ainda miúdas na garganta da Lagoa dos Patos, antes que ganhem o oceano, o “mar alto”. Chegam à Ilha catarina de “carona” num caminhão-frigorífico, depois de quase uma dezena de dias na câmara fria. Quando são empilhadas nos tabuleiros do Mercado, sua “expressão” já conduz o freguês à desconfiança da “sensaboria”. 

Tainha que é tainha não vem de geladeira. Mas da rede puxada nos Ingleses, em Canasvieiras, na Armação. Melancólica, a tainha ainda tenta me seduzir: – Me leva! Sou gostosa, assada ou frita! Aliás, meu nome diz que sou boa para fritar, mas também para ser tostada num braseiro. E às minhas ovas, então, quem resiste? Elas humilham até o caviar... Fritas. As ovas e as postas. Terei que adiar o momento de voltar a degustar essa iguaria? 
Ovas de tainha são “prêmios”, especiarias inigualadas por qualquer outro fruto do mar, aí incluídas outras espécies de fina estirpe, como as de esturjão, muito salgadas, transformadas em caviar. Entre as ovas da nossa tainha mané e as ovas dos esturjões do Báltico, meu palato é mané e não abre – ou, por outra, a única coisa que abre é a boca. Pra comer mais."

(Sérgio da Costa Ramos - crônica publicada na edição de 19/5/11, do DC - www.diario.com.br )

LINHAS D'ÁGUA

Foto Fernando Alexandre

MAR - CAIS

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Foto Alexandre Akio
Tainhas, tanhotas, gaivotas
Quando em vez
Pinguins, gambás, bergamotas

(Ivan Messiano)

TÁ NA BOCA!

Hóspede e pescada aos três dias enfada...
(Dito popular)

E O SARGENTO TAINHA?



Sargento Tainha (Sgt. Orville Snorkel) é um dos personagens da historia em quadrinhos e desenho animado Recruta Zero, criado por Mort Walker, em 1923. O Recruta Zero é um recruta do exército americano, lotado no quartel Camp Swampy.
Sempre cultivando sua preguiça e bom-humor, Zero é implacavelmente perseguido pelo adiposo e volátil Sargento Tainha, que não admite nenhuma insubordinação. O Zero é um dos divertimentos favoritos dos militares norte-americanos, por sua irreverência em relação ao sistema militar e por exaltar a esperteza de um soldado r
aso face a seus superiores.
No Brasil, a tirinha ainda é editada em vários jornais. Não sabemos o porque do nome, "tainha", em portugues. Quem souber, por favor avise. Sabemos apenas que entre tantos outros defeitos, o sargento era guloso demais.

CAMINHOS...

Foto Andrea Ramos

TUDO MACONHEIRO

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Sempre atentos! Mesmo em cardumes, os vermelhos olho-de-cão mantém seus olhos bem abertos! 
Na ilha de Santa Catarina, são também conhecidos como "olho de boi" e "maconheiro"!

domingo, 17 de junho de 2018

A TAINHA É MiNHA PRAIA!


"Esporão de Bagre" na Tainha!

Guitarra Solo, Violão e Coro: Helinho Calandrini / Bateria: Matheus Passos / Baixo e Guitarra Base: Tiago Alves / Voz: Mirela Carpes
Participação Especial: Capitã Zenaide (Bar e Restaurante Pedacinho do Céu)
Funk da Tainha e Apupus: gravações cedidas gentilmente por Fernando Alexandre Tainha na Rede
produção: Tiago Alves
Música autoral da banda catarinense Esporão de Bagre, uma composição de Tiago Alves

FORÇA DE VENTO


"Pela força de vento de tresontonte,
vai incostá tainha inté no Urubici!"
(Frase "ouvista" agora pouco no Rio das Pacas)

DE CAMARADAS & CANOAS - A LÍNGUA DA PESCA!

Foto Fernando Alexandre
"Ze Gancheiro", canoa-bordada reserva no Pântano do Sul em ação ano passado.

Camaradagem
– Relação de pessoas que fazem partre da lista da pesca.
Camaradas – Pessoas que participam das listas na pesca da tainha. Aos camaradas cabe ajudar em toda a pesca, principalmente na puxada da rede e do peixe para a praia. Na divisão do peixe cabe a cada camarada um quinhão.
Canoa borda alta – São as canoas feitas de um só pau e que têm suas bordas aumentadas com tábuas. O mesmo que bordada ou borda falsa.
Canoa borda falsa – São as canoas feitas de um só pau e que têm suas bordas aumentadas com tábuas. O mesmo que bordada ou borda alta.
Canoa borda lisa – São as canoas feitas de um só pau e que não tem suas bordas aumentadas com tábuas.
Canoa bordada – São as canoas feitas de um só pau e que têm suas bordas aumentadas com tábuas. O mesmo que borda falsa e borda alta.

Clic aqui e saiba mais
http://dicionariodailha.blogspot.com

A BRUXA DO SAQUINHO!

Desenho de Franklin Cascaes
"O Senhor Rosalino Oliveira gostava muito de contar estórias de assombrações e outras. Certa ocasião, estávamos sentados na linda praia de Pântano Sul, Ilha de Santa Catarina, quando ele se lembrou dessa estória...
... Meus pais contavam que no (praia) Saquinho existiu um casal que ganhou como presente do trabalho sexual oito filhas, sem nenhum varão entremeado. Depois do nascimento da sexta filha, nasceram duas gêmeas. O casal ficou muito preocupado com a dádiva lá de riba do alto, isso porque sabiam de antemão que, ao nascer a sétima filha de um casal de gente de argila humana, a mais velha tem obrigação espiritual de batizar a mais moça, para afugentar o triste fado bruxólico que ela recebe naturalmente ao nascer neste mundo de Nosso Senhor, como também os pais devem aplicar-lhe o nome de Benta. Meio confusos e apavorados com a presença do caso bruxólico natural que sabiam envolver suas duas filhas, a sétima e a oitava, gêmeas, resolveram consurtar a sinhá Candinha Miringa, velha e tradicional médica benzedeira e curandeira lá das bandas do Sertão do Peri, mó de tomar conselhos e ouvir suas sábias e firmes palavras com relação às coisas do mundo dos deuses ocultos. - Sim, sinhá Candinha, - falou seu Manoel Braseiro, o pai das gêmeas, - eu confio muito na senhora e sempre ouvi falar que o seu saber espiritual com relação às coisas do outro mundo é verdadeiro e consolador(...)

(Fragmento de Bruxas Gêmeas, conto de Franklin Cascaes em "O Fantástico na Ilha de Santa Catarina" - Volume II - Editora da UFSC - 1992.)

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

"Vó Pequena" - Pântano do Sul

COMO OS ÍNDIOS BRASILEIROS COMIAM A TAINHA?


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Piracuí, a farofa de Tainha

Uma receita original de quem provou a iguaria!

"...Recolhem grande porção de peixes, torram-nos sobre o fogo, esmagam-nos, fazendo deles farinha, a que chamam piracuí, que secam bem afim de que se conserve por muito tempo. Levam-na para casa e comem-na juntamente com a mandioca.”

(Do Hans Staden)

*Viajante e cronista alemão que esteve por aqui na década de 1540, logo depois da chegada dos portugueses, Hans Staden provavelmente pescou e comeu tainhas no litoral de São Paulo. Em uma de suas viagens, ficou por nove meses prisioneiro dos índios Tupinambás. Enquanto tentava não ser comido por eles, que tinham por hábito saborear seus prisioneiros, observou como viviam e, depois de voltar para a Europa escreveu, em 1557, “Viagem ao Brasil”. É dele este relato, o primeiro que se tem notícia da pesca da tainha por aqui e como ela era comida.

MAREGRAFIAS

Foto do Geraldo Cunha

TODOS OS TEMPOS

Foto Fernando Alexandre

"...Eles ficam nas praias olhando para o mar, olhando para o céu. Está passando aí uma nuvem, ela dá sinal que vai ser bom o tempo. A lua está com um círculo em volta, é tempo bom. A lua se apresentou em pé, é marinheiro deitado, é tempo bom. E ficam olhando. Eles abrem a água do mar com as mãos e se surgem ardentias, a fosforescência, é bom tempo; senão é mau tempo..."

(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997)

SE ALEMBRA DAQUELE LANÇO?

Foto Seperdeu Notempo
Pesca da tainha nos Inglêses, anos 80.


sábado, 16 de junho de 2018

PESCANDO TAINHAS COM FLECHAS, EM 1540!


Gravuras do livro de Hans Staden
Pescavam com rede e flechas.
E faziam farinha de tainha


Nesse tempo (agosto) procuram uma espécie de peixes que emigram do mar para as correntes de água doce, para aí desovar. Esses peixes se chamam em sua língua piratís e em espanhol “lisas” (tainhas).
Pescam grande número de peixes com pequenas redes. O fio com que as emalham, obtem-no de folhas longas e pontudas, quem chamam tucum. Quando querem pescar com estas redes, juntam-se alguns deles e colocam-se em círculo na água rasa, de modo que a cada um cabe um determinado pedaço da rede. Vão então uns poucos no centro da roda e batem na água. Se algum peixe quer fugir para o fundo, fica preso à rede.
Aquele que apanha muito peixe reparte com os outros que pescam pouco. Também os atiram com flechas. Têm a vista aguçada. Quando algures vem um peixe à tona, atiram-no, e poucas setas falham.
Recolhem grande porção de peixes, torram-nos sobre o fogo, esmagam-nos, fazendo deles farinha, a que chamam piracuí, que secam bem afim de que se conserve por muito tempo. Levam-na para casa e comem-na juntamente com a mandioca.”

(Do Hans Staden)

*Viajante e cronista alemão que esteve por aqui na década de 1540, logo depois da chegada dos portugueses, Hans Staden provavelmente pescou e comeu tainhas no litoral de São Paulo. Em uma de suas viagens, ficou por nove meses prisioneiro dos índios Tupinambás. Enquanto tentava não ser comido por eles, que tinham por hábito saborear seus prisioneiros, observou como viviam e, depois de voltar para a Europa escreveu, em 1557, “Viagem ao Brasil”. É dele este relato, o primeiro que se tem notícia da pesca da tainha por aqui e como ela era comida.

JACK O MARUJO

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- Muito oficial marinheiro não gosta das suas frases, capitão. Acham poéticas. Preferem a sabedoria empírica dos navegantes e não as sacadas que deslumbram as sereias.
- Não sabem que a técnica, quando se apaixona, vira poema, disse Jack o Marujo.

(Do Nei Duclós)

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre

TAINHA PORTUGUESA, COM CERTEZA...


Tainhas da Roca em Forno a Lenha

Ingredientes: Para 4 pessoas

* 1 tainha de kg ;
* 1,5 dl de azeite ;
* 750 g de batatas pequenas ;
* 2 cebolas grandes ;
* 2 dentes de alho ;
* 300 g de tomate ;
* vinho branco ;
* sal ;
* pimenta

*coentros


Num tabuleiro de barro de ir ao forno deita-se o azeite e as cebolas cortadas ás rodelas.Sobre as cebolas coloca-se a tainha escalada sem cabeça e sem a espinha central. Numa tigela deitam-se os alhos picados, o tomate sem pele e sem grainhas, os coentros e a pimenta. Mistura-se bem para fazer uma massa e barra-se a tainha interior e exteriormente com o preparado.
À volta do peixe colocam-se as batatinhas previamente polvilhadas com sal . Leva-se a assar em forno quente, regando o peixe de vez em quando com o molho que se vai formando e com o vinho branco.

DE OLHO NO VIGIA!

Olheiro observa o mar na pedra da vigia na prainha na Barra da lagoa. Guto Kuerten/DC

O olheiro que pescou uma tainha de nove quilos

Hoje o amanhecer foi na companhia do olheiro Ailson Felício, 55 anos, na pedra da vigia na prainha da Barra da Lagoa. O sol amanheceu limpo no horizonte enquanto conversávamos sobre pesca, família e claro, tainha. Enquanto observa atentamente o mar, lembra de belas pescarias e do dia em que pescou uma tainha de nove quilos e que não é história de pescador.

Lua ainda estava presente no amanhecer. Guto Kuerten/DC

Nativo com orgulho, resgata um lanço de 60 mil tainhas que presenciou quando era criança, enquanto conversa pelo rádio com outros olheiros espalhados pela praia.

_Eu era criança e tinha muito peixe. Foi aqui na prainha. Lindo de ver. Era tanta tainha que a prainha chegou a sumir de tanto peixe. Hoje não se vê mais um lanço deste. Na semana passada, um barco industrial conseguiu capturar num lanço 150 toneladas. O poder de pesca é muito maior que antigamente. Não tem nem como comparar_ diz o pescador.


Olheiro durante observação da tainha. Guto Kuerten/DC

De repente para de falar e começa a ficar agitado. _Olha ali. Viu pular?_ me pergunta enquanto busco no horizonte e sinceramente não vi nem a sombra dela. De onde ele está a posição é privilegiada com uma visão geral da prainha e da praia da Barra da Lagoa.

Olheiro durante observação da tainha. Guto Kuerten/DC

Enquanto vai para casa para tomar um café, como diz ele para aguentar a puxada até a hora do almoço, lembra do dia em que pescou uma tainha de aproximadamente nove quilos. Chegou a ser colocada viva num aquário durante décima segunda festa da tainha na comunidade da Barra da Lagoa. Na mesma tarrafada ainda peguei mais quatro. Um leilão chegou a ser feito. _Com o dinheiro ainda deu para eu comprar quatro sacas de cimento para continuar a obra que fazia na minha casa. O gosto pela pesca foi herdado do pai. O maior lanço feito enquanto os seis anos como olheiro foi de três mil peixes. Espera e sonha com algo ainda maior. _Quem sabe um dia podemos fazer um lanço maior do que o meu pai participou_.

(Do http://wp.clicrbs.com.br/deolhonasruas/)

AMAR É...

Do Solda!

GENTE DO MAR

UM ESCRITOR EMBARCADO
(...) A praia dos Ingleses, a das Aranhas, Lagoa, Campeche, Armação da Lagoinha, Pântano do Sul e a Dos Frades, constituem outros tantos seios recurvos e brancos que, posto desabrigados, são também fundeadouros, a oferecerem repouso e refresco aos transeuntes errantes do Atlântico, esses barcos de vela saudosos que aí costumam aportar, uma ou outra vez, e cujas companhas cansadas das fadigas do mar encontram por breves instantes, um consolo e um conforto aos sacrifícios de sua vida aventurosa e amara, nesses risonhos povoados suspensos de colinas e outeiros, onde em cada lar obscuro se abrem sorrisos de afeto, carinhos hospitalares (...)
(Fragmento de “Santa Catarina: A Ilha”, Virgílio Várzea, em 1900.)

DO MAR
Poeta, jornalista, marinheiro, escritor e ativista político, Virgílio dos Reis Várzea, “concebido no mar” e nascido na freguesia de São Francisco de Paula de Canasvieiras, norte da Ilha de Santa Catarina no dia 6 de fevereiro de 1863, é considerado o criador do marinhismo entre os latino-americanos. ”Embarcado”, aos 16 anos, conheceu Montevidéu, Buenos Aires e a costa da Patagônia até a boca do Estreito de Magalhães. Em outras viagens esteve nas Antilhas, Cuba, Havana, Venezuela, Colômbia, arquipélago de Cabo Verde, Cabo da Boa Esperança, portos da África Oriental e do Sul da Ásia. Em terra, produziu uma vasta obra literária, sendo editado em diversos países europeus. Em 1884 publica os poemas Traços Azuis. No ano seguinte, em parceria com o amigo Cruz e Sousa, lança Tropos e Fantasias. Escreveu e editou diversos jornais em Florianópolis e liderou, de 1883 a 1887, a "Guerrilha Literária Catarinense" contra o conservadorismo romântico, visando a implantar a "Idéia Nova", ou seja, a renovação estética do Realismo- Naturalismo. Entre suas obras estão ainda “Mares e Campos” (1895), “Rose Castle” (1895), “Santa Catarina: A Ilha” (1900), “George Marcial” (1901), “O Brigue Flibusteiro” (1904) e “Nas Ondas”. Virgílio Várzea morreu em 28 de dezembro de 1941, no Rio de Janeiro.

REUNIÃO DE PAUTA

Foto Fernando Alexandre

Pântano do Sul, na hora de ir pro mar!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

PESCA EMBARCADA

Pesca tainha - Divulgação/ND

Safra da tainha já rendeu 793 toneladas este ano em Santa Catarina

Número representa 66% da cota definida pelo Ministério do Meio Ambiente para o Estado

ANDRÉA DA LUZ, FLORIANÓPOLIS 

A temporada da pesca da tainha, que começou no dia 1º de maio, começa a encher os olhos de quem frequenta as praias catarinenses. A grande quantidade e a qualidade dos peixes compensou a espera pela aparição dos cardumes no Estado.

De acordo com o "tainhômetro" do MMA (Ministério do Meio Ambiente), até às 18h33 desta quinta-feira (14), 793,1 toneladas haviam sido capturadas por pescadores artesanais em Santa Catarina. O número representa 66,3% da cota definida pelo ministério, que é de 1.196 toneladas.


O frio e o vento sul ajudam a trazer as tainhas em direção à região costeira, mas este ano as temperaturas demoraram a cair, retardando a aparição dos cardumes. Com a baixa nos termômetros, vieram também os bons prognósticos de uma safra com excelentes resultados. Tanto que os barcos pesqueiros industriais, que só foram autorizados a pescar as tainhas a partir do dia 1º de junho, já encerraram a temporada no dia 11. Enquanto isso, os pescadores artesanais continuam lançando suas redes na expectativa de que muitos peixes ainda serão pegos nesta safra.

Na Barra da Lagoa, em Florianópolis, por exemplo, a espera durou cerca de um mês e meio. Até que um lanço na última semana trouxe três toneladas do peixe, o maior desta temporada no local. Ainda na Capital, a comunidade da praia da Lagoinha comemorou a chegada de 2,7 mil tainhas, também o maior lanço deste ano, por enquanto.

No Sul do Estado, outra grande captura no começo de junho chegou a 32 toneladas, somados os lanços de Porto Novo, Praia do Rosa, Praia Vermelha e praia do Porto.

Segundo o conselheiro da Fepesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina), José Frutuoso Góes, o Zequinha, a temporada está boa, embora a do ano passado tenha sido melhor. Mas os pescadores não perdem a esperança, especialmente com a previsão de novas ondas de frio no Estado. "O vento sul forte atrapalha um pouco, mas assim que ele acalmar deve dar mais tainha", aposta Zequinha. 

O conselheiro afirma que este ano os grandes pesqueiros conseguiram capturar tainhas a uma profundidade de quase 70 metros, na área entre Tramandaí (RS) e o litoral sul catarinense. "Isso nunca tinha sido feito, não nessa profundidade", conta. E não há reclamações em relação à pesca industrial. "Foi até boa, porque eles acabaram achando os cardumes pra nós", conta Zequinha.

Entenda a pesca por cotas

A publicação da Portaria Interministerial nº24/2018 do MMA trouxe novidades para a safra deste ano. O documento estabelece cotas para os barcos pesqueiros industriais (traineiras) e para os pescadores artesanais (pesca de emalhe anilhado). Essa é uma forma de controlar a captura e garantir a preservação da espécie, evitando o esgotamento dos cardumes nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Ao todo, 50 embarcações industriais foram autorizadas a capturar o peixe em alto mar em todos os estados da região Sul e Sudeste.

As embarcações de Santa Catarina ficaram limitadas a uma cota de 2.221 toneladas. Em pouco mais de uma semana, as traineiras obtiveram uma grande produção e os registros de desembarque ultrapassaram, na manhã do dia 11 de junho, a marca de 80% da cota estabelecida (1.777 toneladas). Com isso, o Comitê de acompanhamento do uso das cotas do MMA resolveu encerrar a temporada industrial.

Já a pesca artesanal, que utiliza o emalhe anilhado, teve autorização para levar 130 embarcações para o mar, em todos os estados da região Sul e Sudeste.

Em Santa Catarina, a cota estabelecida foi de 1.196 toneladas. O encerramento da temporada de pesca acontece quando for atingido 90% das cotas de captura, ou 1.076 toneladas. Até o momento 66,3% da cota foi alcançada.

(Do https://ndonline.com.br/)

COPA? NÃO, TAINHAS!

A imagem pode conter: grama e atividades ao ar livre
Ontem, no Pântano do Sul, no lanço que arrastou 2.601 cabeçudas!
Do camarada Luiz Alberto Brinhosa

DE TAINHAS, PÁSSAROS E PALHAÇOS


Olhando tainhas
o pássaro palhaço
Tira o nariz do bico

Do "Pássaro Palhaço," livro de Marcelo Baptista, onde tarrafiei tainhas entre poemas, traços e histórias!
Uma honra!

Mirando lisas
El pásaro payaso
se saca la nariz del pico


NA ESPERA E NA ESPREITA!

Fotos Fernando Alexandre
 

Depois do lanço de ontem, camaradagem se animou e desde cedo tá todo mundo na praia, de olho no mar, nos vigias, lá em cima das dunas, e com ouvidos bem abertos para ouvir o

 ÚÚÚÚ!!!! 

PESCANDO TAINHAS NA ILHA, EM 1587

Gravura de Theodore de Bry - 1592 Gravura de Hans Staden - 1557
OS PARATIS DE XERIMERIM

"...O nome de ilha de Santa Catarina foi dado pelos castelhanos da armada de Gabeto, em 1526. Antes, chamavam-lhe Ilha dos Patos, e já lemos que os indígenas a denominavam Xerimerim. À boca deste rio está situada a ilha de Santa Catarina, que vai fazendo abrigo à terra até junto de Itapucuru, que fica à maneira de enseada...

...Além dos peixes que morrem nas redes, de que fica dito atrás, se toma nelas o que se contém neste capítulo, que não morre à linha. E comecemos logo do principal, que são as tainhas, a que os índios chamam paratis, do que há infinidade delas na baía; com as quais secas se mantêm os engenhos, e a gente dos navios do Reino, de que fazem matalotagem para o mar.

Estas tainhas se tomam em redes, porque andam sempre em cardumes; e andam na baía ordinariamente a elas mais de cincoenta redes de pescar; e são estas tainhas, nem mais nem menos como as da Espanha, mas muito mais gostosas e gordas, das quais saem logo, num lanço, três quatro mil tainhas, que também têm boas ovas.
E de noite, com águas vivas, as tomam os índios com umas redinhas de mão, que chamam puçás, que vão atadas numa vara arcada; e ajuntam-se muitos índios, e tapam a boca de um esteiro com varas e ramas, e como a maré está cheia tapam-lhe a porta; e põem-lhe as redinhas ao longo da tapagem, quando a maré vaza, e outros batem no cabo do esteiro, para que se venham todas abaixo a meter nas redes; e desta maneira carregam uma canoa de tainhas, e de outro peixe que entra no esteiro.

Há outro peixe que morre nas redes, a que os índios chamam zabucaí, e os portugueses galo, o qual é alvacento, muito delgado e largo, com uma bôca pequena, e faz na cabeça uma feição como crista, e nada de peralto; este peixe é muito leve e saboroso.
Tareira quer dizer “enxada”, que é o nome que tem outro peixe que morre nas redes, que é quase quadrado, muito delgado pela banda da barriga e grosso pelo lombo, o qual também nada de peralto, e é muito saboroso e leve.

Chamam os índios coirimás a outros peixes da feição das tainhas, que morrem nas redes e que têm o mesmo sabor, mas são muito maiores; e quando estão gordos estão cheios de banhas, e são muito gostosos, e têm grandes ovas; os quais morrem nas enseadas.

Arabori é outro peixe de arribação, da feição das savelhas de Lisboa, e assim cheias de espinhas, as quais salpresas arremedam às sardinhas de Portugal no sabor; e tomam-se em redes. Carapebas são uns peixes que morrem nas redes em todo o ano, que são baixos e largos, do tamanho dos sarguetes, em todo o ano são gordos, saborosos e leves".

( Gabriel Soares de Sousa, em "Tratado Descritivo do Brasil em 1587" -Companhia Editora Nacional, Sao Paulo, 1974.)

O MAIOR LANÇO DESSA SAFRA


ÚÚÚÚ!!!!

Camaradagem do Retiro dos Padres, em Bombinhas, realizaram ontem, ao amanhecer de quinta (14) o maior lanço dessa safra que começou dia primeiro de maio: 17.800 tainhas gradas e ovadas!

D. BILICA, AS TAINHAS E O FRIO...

ÁGUAS PASSADAS

Foto Fernando Alexandre