sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto e olhar do Luiz Alberto Brinhosa

TENTANDO ENTENDER...





ABESPINHAR - Picar, beliscar.
DIGERINHO - Ligeiro, rápido.
DISCONFORME - Como o combinado, correto.
FALQUEJAR – Trabalhar uma madeira bruta com enxó ou machado, deixando-a plana, com ângulos. O mesmo que fraquejar.
NÃO ISTROVA! - Não atrapalha, não complica.
NEM TE LIGO, FERRO ANTIGO! - Não te levo a sério, nem dou bola pra você!
REMÔIO – Diz-se quando uma pessoa ou animal adoece, perde o apetite, fica de cama.
TÁ COM A TICA! - Estar bravo, com raiva, impliquenta. Ex: "Quirino hoje ta com a tica".
ZABANERA - Mulher desavergonhada, puta.

JUNTOS & SEPARADOS

Foto Fernando Alexandre
"O mar aproxima as regiões que ele separa"
(Dito praieiro)

domingo, 4 de dezembro de 2016

NENHUMA TERRA...


Foto Andrea Ramos
NENHUMA TERRA AINDA

Mar demorado, como é fugaz,
De aguidéia a aguidéia
Tão rápida em sentir surpresa e vergonha.
Onde momentos não são tempo
Mas tempo são momentos.
Tanto nem sim nem não,
Tanto único amor, ter o amanhã
Por um fracasso inevitável de agora e já.


Deitados na água barcos e homens fortes,
Mestres em fraqueza, partem para algum lugar:
O mais poderoso dorminhoco em sua cama
É incapaz de conhecer lugares nobres assim.
Então a fé embarcou na terra do marinheiro
Em busca de absurdos em nome do céu –
Descobrimento, uma fonte sem fonte,
Lenda de neblina e paciência perdida.
O corpo nadando em si mesmo
É o querido da dissolução.
Com gotejante boca diz uma verdade
Que não pode mentir, em palavras ainda não nascidas
Da primeira imortalidade,
Onissábia impermanência.
E o olho empoeirado cujas agudezas
Tornam-se aguadas na mente
Onde ondas de probabilidade
Escrevem a visão com letra de maré
Que só o tempo pode ler.
E a terra seca ainda não,
Salvação e solidão absolutas –
Ostentando sua constância
Como uma ilha sem água ao redor
Numa água sem terra alguma.


(Laura Riding, tradução de Rodrigo Garcia Lopes, em "Mindscaps", Editora Iluminuras/ 2005)

MAR DE RAINHAS


A última “Rainha”

Nasceu na beira da praia e passou a infância dentro de um estaleiro de baleeiras. Desde cedo aprendeu a apontar pregos de cobre imitando o Tio Cyde, “ajudou" a pintar as obras de arte que o Mestre Alécio produzia (não entendia o motivo de colaborar somente na primeira demão) e carregava um cheiro de serragem e cavaco entranhados na alma. Acompanhar o processo de construção, passo a passo, aos olhos do franzino manezinho, parecia algo mágico. Em questão de dias, o tronco de peroba entalhada se transformava em quilha. A seguir, proa e popa erguiam-se altivas. Então, o verdugo passado entre uma e outra, dependendo do projeto desejado, mais cargueira ou veloz... Vê-la tomar forma, o cavername alinhado – que lembrava as costelas de uma baleia de verdade – simplesmente o encantava. Depois era arcar, calafetar, pregar, repuxar e colocar massa em todas as tábuas do costado. Por fim, o interior; bancos, forro e paneiros, instalação do motor e... Mais uma Rainha ganhava as águas tranquilas da baia sul, navegando majestosa rumo ao horizonte.
Infelizmente, apesar de toda admiração e orgulho, o menino não aprendeu a técnica consagrada pelos seus antepassados. Seu pai acreditava que ser carpinteiro naval não lhe traria um futuro promissor e preferia que estudasse para ser “Doutor” em Direito, Medicina ou Engenharia. Quem sabe, enxergava faltarem talento e determinação ao aprendiz. Talvez o advento das lanchas de fibra e barcos de alumínio, o encarecimento da matéria prima e a falta de valorização do trabalho artesanal também tenham sido decisivos para que ele assim pensasse. O fato é que, depois de quase cem anos, o estaleiro não fabrica mais o sonho de todo pescador. Produz ostras... Mas essa, já é outra história...


Em dezembro comemoramos o octagésimo sexto aniversário do último Panda do Ribeirão. Então, nesse mês o texto no Jornal Ladosul foi em homenagem ao velhinho. Felicidades mô quirido! Um bjão no coração mô sagrado! Te amo mais que tudo cara!!!

• Esta é a última embarcação produzida pelo meu ídolo, Seu Alécio Heidenreich. Foi adquirida pelo navegador Amyr Klink e doada ao Museu Nacional do Mar em São Francisco do Sul. Encontra-se exposta no Salão das Baleeiras.

É TEMPO DE MARISCOS


Foto sem crédito 
Lambendo os Beiços..
O delicioso Lambe-lambe!

Ingredientes

1 quilo de mariscos na concha
200 gramas de arroz
1 cebola ralada
1 colher (sopa) de sal
1 colher (sopa) de colorau
Orégano, alfavaca ou manjericão, cebolinha e salsa.

Modo de preparo

- Ralar a cebola, picar os temperos em pequenos pedaços e refogar tudo.
- Limpar os mariscos na concha, raspando e escovando as impurezas da casca. Eles devem estar bem limpos, pois serão cozidos com a concha.
- Juntar ao refogado o arroz já lavado e os mariscos.
- Misturar tudo, acrescentar dois copos de água e deixar cozinhando de 15 a 20 minutos.
- Sirva o prato acompanhado com salada de alface.

Dicas

- Ao comprar marisco fresco, certifique-se que está vivo.
- Se os mariscos estiverem com as conchas abertas, dê um leve toque. Se a concha não fechar, rejeite.
- Ao comprar marisco congelado, verifique se não apresenta sinais de queimaduras pelo frio e se não tem um odor desagradável.
- Não congele marisco que já tenha sido descongelado.
- Descongele o marisco no frigorífico, nunca em temperatura ambiente.
- Mantenha o marisco sempre frio. Utilize um saco isotérmico para transportar o marisco da loja para casa.

NA LIDA...

Foto Fernando Alexandre

MAR DE ILHAS


Fotos sem crédito
 


Conheça a cidade fantasma que fica no meio do oceano

   Valerie Scavonepor Valerie Scavone
@valeriescavone cidade fantasmailhaoceano

No século XVIII, uma cidade foi montada no meio do mar com o único objetivo de ser uma base para fazer extração de carvão e alojar operários e trabalhadores. Hoje, depois de 39 anos, o local é carinhosamente chamado de Ilha Fantasma.

Construída pela Mitsubishi em 1890, a Ilha de Hashima foi um projeto ambicioso da montadora de carros que visava transformar o pedaço de terra em um espaço exclusivo para a moradia e extração de carvão submarino. O local, que em seu ápice chegou a abrigar 5.259 moradores, é localizado na província de Nagasaki e está completamente abandonado em alto mar. A evacuação começou a ocorrer quando, na década de 1960, o carvão começou a perder espaço para o petróleo.

A maioria das minas japonesas começaram a encerrar suas atividades até chegar a vez da Ilha de Hashima (também conhecida por Gunkanjima ou Gunkanshima, que significa Ilha Encouraçado), que em 1974 ficou completamente vazia.

Em abril de 2009, o acesso à Hashima foi restabelecido. A Ilha, que fica à 15 km da costa, serviu de inspiração para os criadores de 007 – Operação Skyfall (2012) que estabeleceram por ali a casa do personagem Raoul Silva – criminoso interpretado por Javier Bardem.

Depois disso, foi a vez do Google: a empresa recebeu autorização para mapear a Ilha Fantasma para o Google Street View, nos dando a oportunidade de fazer um tour virtual e até instigar a vontade de visitas por turistas do mundo todo.

CAMINHOS...

Foto João Alberto Ganzo

TRADUZINDO A LÍNGUA DAS ONDAS

James Cook desembarca no Hawaii
J
Jaca - Surfista iniciante, mole, que não pega quase nenhuma onda. O mesmo que cabaço e prego.
Jacaré – Como se chamava o surfe de peito nos seus primórdios no Brasil. Ele também era praticado com pequenas pranchas de madeira de fabricação caseira. Pode ser considerado o precursor do bodyboard. O mesmo que expresso.
Jack London – Escritor norte-americano que em 1907, juntamente com sua mulher Charmian e a bordo do veleiro “Snark”, chegaram ao Hawaii onde ficaram deslumbrados ao presenciarem alguns nativos surfando. É de sua autoria um dos mais contundentes textos sobre o ato de deslizar sobre as ondas, publicado na edição de outubro de 1907 da revista “A Woman’s Home Companion” e posteriormente no livro “A Travessia do Snark” com o título de “Um Esporte Real”. London - que em sua época foi o autor americano mais vendido, mais bem pago e mais popular - é considerado um dos responsáveis pelo ressurgimento do surf no começo do século passado por ter sido um de seus maiores divulgadores mundo afora. London morreu em 22/11/1916 aos 40 anos de uma dose letal de morfina.
Jailbreaks - Conhecida onda que quebra com tamanho entre 3 e 6 pés para a direita sobre um fundo de coral – reef break – nas Maldivas, Oceano Índico. Com águas quentes, seus melhores meses para o surf vão de maio a agosto.
James Cook – Capitão inglês que entre 1768 e 1779 desbravou o triângulo polinésio e documentou os costumes, idiomas, manifestações religiosas e culturais destes povos. No Hawaii, Cook chegou em 18 de janeiro de 1778 na baia de Kealakekua, ilha de Oahu, com uma frota de dois navios – o “Resolution”e o “Discovey”- e conheceu o surf. É dele um dos primeiros relatos escrito que se tem notícia sobre o ato de andar sobre as ondas. Em um de seus relatos de viagem, dizia o capitão inglês: “...é curioso o exercício aquático que os nativos realizam sobre pranchas de madeira.” James Cook acabou sendo morto em 14/12/1779, em Kealakekua Bay, na ilha do Hawai, após matar alguns ilhéus acusados de roubo e ameaças.
James King - Tenente inglês que chegou ao Hawaii em 1777 como integrante da esquadra do navegador James Cook (considerado o “descobridor” do Hawaii) e que ao presenciar a prática do surf, escreveu um dos primeiros relatos conhecidos até hoje. Segundo King, “a bravura e a extrema habilidade desses nativos ao desenvolver as difíceis e perigosas manobras sobre as ondas só pode ser classificada de estonteante e é algo realmente difícil de acreditar quando presenciado de fato”.


( Verbetes do "Dicionário do Surf - A Língua das Ondas" - Fernando Alexandre/ Ilustrações de Andrea Ramos - Cobra Coralina Edições - Mergulhe fundo e saiba mais no www.dicionariodosurf.blogspot.com )

sábado, 3 de dezembro de 2016

PREVISÃO DOS VENTOS



Foto Fernando Alexandre 
Urubú voando em circulo
Dando volta pra direita
É vento sul a espreita

(Dito popular registrado na ilha por A. Seixas Neto no século passado)

A AREIA E O MAR

Entre a Areia e o Mar mistura música e cinema para apresentar uma visão sobre o passado, presente e futuro da pesca artesanal catarinense. Produzido em parceria pela Tac Filmes e Tarrafa Elétrica, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Patrocínio: Localfrio

MAR-CAIS


chuva na praia
na água salgada
mergulha a lágrima
)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

AMEAÇA NO CAMPECHE



RANCHO DE PESCA DO SEU GETÚLIO AMEAÇADO DE DEMOLIÇÃO

O ataque ao Campeche - bairro tradicionalmente guerreiro e lutador - continua de forma sistemática. Dário Berger derrubou o Bar do Chico, que era patrimônio imaterial da comunidade. Agora, a Floran encaminha uma notificação ao histórico pescador Getúlio Inácio, aplicando uma multa e avisando que o rancho de canoa será demolido por estar irregular. Ora, o rancho de canoa é um espaço para guardar os barcos e a cultura local. Ali viceja a comunidade, as tradições, a música, o encontro, a cultura litorânea, nativa. É nele que se realiza, a cada ano, a tradicional missa dos pescadores, no início da pesca da Tainha. Diz a notificação que o rancho fere a lei. Seu Getúlio terá 20 dias para se apresentar e explicar. É tempo de a comunidade do Campeche se levantar. Não podemos permitir que mais uma parte da nossa história seja apagada do mapa. O rancho é nosso! Vamos defender.

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

"Vó Pequena" - Pântano do Sul

DA COZINHA CAIÇARA

O Surpreendente Azul Marinho

O Caiçara absorveu muito da cultura indígena como o hábito de utilizar a banana em sua alimentação. O curioso e delicioso Azul Marinho nasceu da necessidade de se alimentar bem e da abundância dos ingredientes utilizados em seu preparo. O prato é um clássico da Cozinha Caiçara apreciadíssimo dentro e fora das regiões caiçaras tradicionais e é um dos bons exemplos da criatividade e da capacidade do Caiçara em utilizar tudo que tem disponível em seu entorno para desenvolver uma culinária autentica e saborosíssima. 

Dificuldade média | 1 hora de preparo | 4 porções

INGREDIENTES

1 kg de um peixe salgado/seco (tainha, bagre, etc.) ou de um peixe fresco e firme comogaroupa, robalo ou pescada amarela cortado em postas largas de cerca de 3 cm.
5 bananas nanicas ou da terra bem verdes.
2 colheres de sopa de azeite.
½ xícara de chá de cebola picada.
3 dentes de alho picados.
1 xícara de tomate sem pele e sem sementes cortados grosseiramente.
2 colheres de sopa de coentro picado. Se tiver, prefira sempre o coentro de folha.
2 colheres de sopa de cheiro verde picado.
10 folhas de alfavaca.
¼ de xícara de farinha de mandioca.
Sal a gosto.
Pimenta malagueta ou aquela que você tem aí, a gosto.

Dica 1: Se você quiser incrementar pode acrescentar 400 g de camarão.
Dica 2: Se for utilizar peixe seco/salgado, fica a dica do nosso amigo Cesar "Periquito": - "...O peixe seco era a base da alimentação dos pescadores por conta da ausência de gelo nos tempos passados e o que dá o toque é o processamento da "secura" do peixe. Se o peixe for um bagre seco fica melhor ainda e mais azul..." 

Você vai Precisar

1 Panela de ferro grande com tampa.

Nota: Você também pode fazer o Azul Marinho em uma panela de barro, mas há que diga que o verdadeiro Azul Marinho é feito em panela de ferro, pois propicia a formação de mais pigmentos azulados, já que os taninos se ligam fortemente aos derivados do ferro.

PREPARO

Tempere o peixe com sal e reserve.

Descasque a bananas e corte-as de comprido, ao meio. Alguns preferem manter as bananas com a casca e cozinhá-las cortadas em quatro, no sentido do comprimento e depois na metade. Defendem que são as cascas que liberam mais tanino aumentam assim a coloração azulada que dá o nome ao prato.

Dica: Se descascar as bananas, coloque-as de molho em água fria para que não escureçam. Se não for descascar, lave bem as bananas.

Coloque a panela de ferro no fogo e aqueça o azeite. Refogue a cebola e o alho. Junte os tomates, adicione o sal e metade do coentro. Misture bem.

Fazendo o Azul Brotar das Bananas Verdes

Retire as bananas da água fria, acrescente-as ao refogado e cubra tudo com a água onde estavam as bananas. Verifique o sal e cozinhe até as bananas ficarem macias. Retire as bananas da panela e reserve-as.

Nota: O caldo do peixe, bem como todos os componentes do cozido, apresentam um tom azulado, por conta da banana verde. Neste estágio, a banana é rica em uma substância chamada tanino. O tanino, ao ser liberado durante o cozimento se associa às proteínas do peixe formando um composto de cor azul.
Preparando o Peixe

Se você está utilizando o peixe seco/salgado. Dessalgue-o com antecedência. Se estive usando peixe fresco, coloque as postas de peixe na panela e, se estiver meio seco, adicione mais de água. Junte metade do cheiro verde, as folhas de alfavaca e cozinhe por uns 10 minutos ou até o peixe ficar macio. Separe os peixes e o caldo do cozimento e reserve-os em vasilhas separadas mantendo, principalmente o peixe, aquecido.

Nota: Pode parecer que separar as partes principais (banana, peixe e caldo) do prato é trabalhoso e até desnecessário, mas talvez não seja. O peixe e a banana tem tempos diferentes de cozimento e, ainda por cima, este tempo varia conforme o tipo de peixe utilizado, a espessura da posta, o tamanho e o quão verde está a banana. Sendo assim, se forem preparados juntos, eles correm o risco de cozinharem demais ou de menos e a coisa toda desandar, por exemplo, a banana ficar dura e o peixe desmanchar.

Com mais prática você saberá avaliar os ingredientes e saber o momento certo de acrescentar o peixe e a banana para cozinharem juntos, podendo fazer este prato numa toada só e terminar o cozimento correto dos dois ao mesmo tempo. Quase um estado de arte, mas chegaremos todos lá!

Fazendo o Pirão

 Foto: Receitas IG

Com um garfo amasse a maioria das bananas na panela (guarde algumas para a montagem final do prato) e vá acrescentando parte do caldo do cozimento do peixe (guarde um tanto de caldo para a montagem final do prato) até conseguir um pirão cremoso. Adicione o restante do coentro e do cheiro verde e misture. Leve a panela ao fogo e vá acrescentando a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre para não empelotar e para não grudar no fundo da panela, até conseguir uma consistência um pouco mais mole do que você gosta (leia a dica abaixo). Retire do fogo e corrija o sal.

Dica: A farinha de mandioca continua absorvendo o líquido mesmo depois de você ter finalizado o pirão deixando-o um pouco mais consistente.

Montando o Prato

Em uma travessa ou panela de barro, coloque o pirão, cubra-o com as postas de peixe, junte as bananas restantes (corte-as em pedações ou coloque-as inteiras, você é quem manda) e acrescente o restante do caldo. Está pronto!

Sirva com arroz branco e aquela sua pimentinha!

Divirta-se!

http://cozinhatradicionalcaicara.blogspot.com.br/

JACK O MARUJO


- O senhor leu algum livro, capitão?
- Nenhum, disse Jack o Marujo. As páginas não sobrevivem em alto mar. Borram tudo. Só leio meu diário de bordo, quando consigo decifrar os garranchos.
- E tem muitas histórias no seu diário?
- Só informações sobre o clima, as marés, as correntes e as estrelas. Houve um tempo que perdi o calhamaço e acharam numa praia distante.
- E ele estava inteiro?
- Nada. Estava incompreensível. Eu adivinhei as letras pela memória.
- Mas aí não dá para confirmar nas informações técnicas, não?
- O diário não da confiança para ninguém. Existe porque viajei e quando viajei anotei. Tenho boa caligrafia, mas uso tinta vagabunda e isso põe tudo a perder.
- Assim mesmo gostaria de ler um trecho do seu diário capitão.
- Lembro de um que diz: Galeão espanhol se aproxima a trinta nós vindo do leste. E ainda estou azeitando a garrucha.
- Isso foi quando, no século 18?
- Não, foi ontem. O tempo é o único fantasma.

MANÉ-CAIS

Foto Alcides Dutra
Bucicas no cio
lua cheia reinando
no meio da minha cozinha
(Fernando Alexandre)

MAR DE CARLOS RUGGI

Foto Carlos Ruggi
"O Gigante Dorme"
Baía de Guaraqueçaba, PR.

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Ivan Bueno
Ilha do Mel, olhada e clicada pelo Ivan Bueno Bueno 

O PAI DO CRUZEIRO DO SUL


Em 27 de abril de 1500, mestre João, astrônomo da frota de Pedro Álvares Cabral, determinou a latitude da futura Baía de Cabrália medindo a altura do sol: aproximadamente 17 graus. Medida exata: 16¼. 
O resultado do trabalho é o documento cartográfico mais antigo do Brasil, transmitido ao rei Manuel I, junto com a carta de Pero Vaz de Caminha.

O espanhol Joam Farás nasceu na Galícia e mudou para Lisboa por volta de 1485. Astrônomo, astrólogo, cosmógrafo e médico, foi cirurgião particular de D. Manuel. Conta-se que, antes de tratar alguém, fazia seu mapa astral. O próprio rei, estivesse doente ou não, mandava ver diariamente como andavam os astros. 
Mestre João entrou para a História como primeiro cientista a estudar o Brasil. Em sua homenagem, a Sociedade Brasileira de Cartografia (SBC) instituiu o Dia do Cartógrafo. A data de 27 de abril de 1500 foi determinada pelo Calendário Juliano, usado na época. Corrigida para o atual Calendário Gregoriano, a data passou a ser 6 de maio. Ao observar as estrelas que brilhavam sobre a baía, mestre João vislumbrou uma constelação. Embora já fosse conhecida desde a Antigüidade e servisse para ajudar navegantes a cruzar a linha do Equador, o conjunto ainda não tinha nome. Mestre João, ao ver o desenho no céu, comparou a uma cruz e batizou: Cruzeiro do Sul.

(Janaina Abreu, no Almanaque Brasil)
Mergulhe mais fundo na cultura popular brasileira no http://www.almanaquebrasil.com.br/

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

MAR DE POETA

Foto Fernando Alexandre
vai passar
       ouça
             o murmúrio do mar

(Ademir Assunção - em "até nenhum lugar" - Editora Patuá)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

FIM DO DEFESO?



Jornal GGN - O governo de Michel Temer quer cortar gastos com o pagamento de benefício para pescadores artesanais no período de proibição da atividade, chamado de seguro-defeso. A ideia é proibir o pagamento para profissionais em regiões em que há pesca alternativa.

O benefício é de um salário mínimo mensal e é pago por até cinco meses no período em que a pesca de determinadas espécies é interrompida. O governo lançará um decreto que cancela o benefício em regiões onde existem alternativas, com a expectativa de reduzir o gasto pela metade.

O gasto previsto para o ano que vem com o benefício é de R$ 3,1 bilhões. 5 dos 50 tipos de defesos que existem hoje deverão ser atingidos, nos estados do Amazonas, Bahia, Maranhão e Pará, representando desembolsos de R$ 1,5 bilhão.

O governo, que crê em uma economia de R$ 2 bilhões, decidiu alterar o programa depois de aumentos de gastos considerados elevados nos últimos anos.

Em 2003, foram desembolsados R$ 131 milhões, chegando a R$ 2,7 bilhões em 2015. O governo Temer acha que o aumento foi provocado por falta de controle no cadastro de pescadores e também por irregularidades.

Outras medidas para o benefício também são estudadas, como permitir a pesca com restrição ao tamanho do peixe pescado. Também pode ser incluída a exigência de que o Ministério da Agricultura avalie a eficiência do defeso como proteção ao meio ambiente.

O governo também quer que os pescadores comecem a declarar renda, o que ainda não é exigido.

Para a Defensoria Pública da União, o corte do benefício pode prejudicar o meio ambiente e também deixar os pescadores desamparados, além de não resolver irregularidades.

Yuri Costa, defensor público que trabalha no Maranhã, acredita que haverá uma grande margem para o desrespeito à lei ambiental, e que a fiscalização ficará ainda mais difícil.

Desde que assumiu o poder, o governo de Michel Temer vem realizando medidas de cortes em programas sociais. No caso do Bolsa Família, alterações nas regras deverão dificultar o acesso ao programa federal que hoje atende em torno de 50 milhões de pessoas.

(Do http://jornalggn.com.br/)

JACK O MARUJO


- O que faz um capitão de navio?
- Nada, disse Jack o Marujo. Posa de perfil olhando o horizonte e de vez em quando aponta para o infinito.
(Do  Nei Duclós)

MAR -CAIS



luzes no mar 
estrelas errantes 
cansadas de navegar

(Fernando Alexandre)

TEMPO, TEMPO...

Foto Fernando Alexandre
"Lestada
Mar de rebojo
Três dias de chuva de nojo!"
(Quadra praieira)

MAR IMPERIAL


 A GALEOTA DOM JOÃO VI, UMA EMBARCAÇÃO MARÍTIMA QUE SERVIU A FAMÍLIA REAL NO BRASIL E TESTEMUNHOU INÚMEROS FATOS HISTÓRICOS

Considerada uma das mais importantes relíquias históricas que marcam o período da monarquia no Brasil, a Galeota Real ou Dom João VI, foi a primeira e única embarcação a ter esse nome em homenagem a Príncipe Regente e depois Rei de Portugal Dom João VI. Com a chegada do Príncipe Regente à Bahia, em 1808, o Conde da Ponte mandou construir essa embarcação no Arsenal da Capitania para o serviço particular do Príncipe. 

Sem similar no continente americano, tem o casco construído com madeiras nobres e dourado a folha de ouro e externamente, é ornado com frisos, figuras marinhas e outros temas em estilo barroco entalhados em madeira dourada. Tinha um belo camarim e na proa a carranca de um dragão, símbolo da família Bragança.
Depois de transportada para o Rio de Janeiro em 1809, atendeu aos deslocamentos da Família Real pela baía de Guanabara, tendo recebido a Princesa D. Leopoldina em sua chegada da Áustria para casar-se com Dom Pedro I e posteriormente conduziu a Família Real à embarcação que a transportou de volta a Portugal, em 25 de abril de 1821.

Em 1829, transportou a segunda imperatriz do Brasil, D. Amélia Augusta de Leuchtenberg. Em 1843, foi a vez da galeota participar da chegada ao Brasil da imperatriz D. Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II, além de ter transportado, em outubro de 1864, a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II.

A galeota esteve ainda presente no episódio que marcou o fim do regime monárquico no Brasil, o grande (e último) baile imperial que se realizou na Ilha Fiscal. 

Foi utilizada até aos primeiros governos da República Velha e entre outros personagens, transportou o então Presidente da República Argentina, Dr. Julio Roca, quando de sua visita ao Rio de Janeiro (1899) e o Presidente eleito da República Argentina, Dr. Roque Sãens Peña e sua comitiva em visita ao Brasil em 1910 e participou ainda com destaque das festividades de comemoração do centenário de independência do Brasil, ocorrido em 1922.

Realizou a sua última viagem em Setembro de 1920, no desembarque da família real da Bélgica, que chegou ao Rio de Janeiro a bordo do Encouraçado São Paulo.
Passou muitos anos conservada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro até a criação do Centro Cultural da Marinha onde se encontra-se atualmente em exposição permanente e se constitui em uma das principais atrações da instituição.

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

MORTE NO MAR

Equipe da R3 Animal atuou durante três dias em Florianópolis para necropsia, coleta de dados biológicos e conhecimento da espécie
Foto: OMUNICAÇÃO/PMP-BS

Baleia morre encalhada em praia de Florianópolis
Aconteceu na última sexta-feira, na Galheta

Do Deolhonailha

Este foi um fim de semana movimentado para a R3 Animal, responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) em Florianópolis. Na sexta-feira, 25, turistas e guarda-vidas da Praia Mole entraram em contato com a entidade e avisaram que havia uma baleia encalhada na praia da Galheta. Uma equipe foi enviada até o local e constatou que era um animal da espécie Balaenoptera edeni, a Baleia de Bryde. Quando a equipe chegou ao local a baleia já estava morta, em avançado estado de decomposição. 

Esta é uma baleia ainda pouco conhecida em todo o mundo, apesar de sua distribuição ser ampla. A espécie é típica de águas tropicais e temperadas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. A Bryde que encalhou na Galheta era um macho juvenil com 11 metros de comprimento. A necropsia não identificou a causa da morte, que será apontada após os resultados dos exames laboratoriais, uma vez que a carcaça estava em avançado estado de decomposição.

Muito pouco se sabe sobre a Baleia de Bryde, motivo pelo qual a coleta de material biológico realizada pelo PMP-BS, contribui para determinar a causa da morte e entender o comportamento desta espécie, tamanho das populações, área de vida, padrões de deslocamento e longevidade.

Colaboração da comunidade

Todos os dias uma equipe da Associação R3 Animal, que atuam no Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, percorrem as praias de Florianópolis a fim de monitorarem tartarugas, aves e mamíferos marinhos que estão debilitados ou mortos. A população ribeirinha é a principal aliada do projeto! Uma vez que pode acionar a equipe do PMP-BS através de ligação gratuita pelo 0800.642.3341.

O projeto

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos dessas atividades sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos mortos.

(Do http://www.deolhonailha.com.br/)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CHUVA, RAIOS E VENTO

Imagens de satélite divulgadas pela Defesa Civil na manhã desta segunda-feira
Foto: Defesa Civil Santa Catarina / Divulgação

Defesa Civil alerta para chance de pancadas de chuva, raios e rajadas fortes de vento em Santa Catarina

Após cidades do Sul de Santa Catarina serem atingidas por ventos fortes na última noite, permanecem as chances de pancadas de chuva, raios e rajadas de vento esta segunda e terça-feira no Estado. Quem faz o alerta e monitora as condições climáticas, que também podem ser acompanhadas pelas redes sociais, é a Defesa Civil. 

Nesta segunda-feira, a instabilidade será acentuada no início do dia do Oeste ao Sul de Santa Catarina. Depois, a condição será espalhada pelo Estado. Haverá pancadas de chuva com descargas elétricas. As temperaturas diminuem um pouco, mas a sensação de abafamento será constante. 

Amanhã, na terça-feira, os ventos ficarão mais fortes no Estado. As rajadas, na direção Sul/Sudeste, poderão atingir entre 50 e 70 km/h. As nuvens, que não descartarão a possibilidade de chuva em todas as regiões, vão se afastando gradativamente no fim do dia. 

O tempo volta a melhorar somente na quarta-feira, quando o sol voltará a brilhar em todas as partes de Santa Catarina.

TEMPO DE GORDINHOS

Foto Luciane Daux
Gordinho frito com pirão d’água 

1kg de gordinhos pequenos, limpos e sem cabeça
Suco de limão e sal
Farinha de mandioca
Óleo para fritar 
Cebolinha verde

1. Tempere os gordinhos com sal e suco de limão. 
2. Passe-os na farinha de mandioca, retirando o excesso. Frite-os em óleo quente abundante, até que se forme uma casquinha crocante e dourada nos peixes. Retire e deixe secar sobre papel toalha.
3. Para o pirão, aqueça 400ml de água.  À parte, desmanche bem uma xícara (chá) de farinha de mandioca, em 2 xícaras (chá) de água fria. Em seguida incorpore ao caldo fervente. Mantenha a panela no fogo médio-baixo, mexendo sempre, até que esteja bem cozido e soltando do fundo. Acerte o sal, salpique com cebolinha verde e sirva com o peixe frito.

(Receitinha mané da Luciane Daux, no "Cozinha de Estar", do ND - www.ndonline.com.br)


PRETO NO BRANCO!

Foto Fernando Alexandre

MAREGRAFIAS

João Paulo!


MEMÓRIA DAS ÁGUAS

Nsa Sra do Desterro, imagem de 1880 tendo ao fundo o Prédio da Alfandega. 

BRILHANDO NO ESCURO!


BOCA DE CERDAS (FOTO: PHYS ORG)

O vertebrado mais numeroso do mundo? É um peixe que brilha no escuro


Saiba mais sobre o peixe-boca-de-cerdas com as 9 curiosidades que reunimos sobre esse rei das profundezas

Os oceanos cobrem 70% da Terra e têm uma enorme diversidade biológica que, os próprios cientistas admitem, é muito inexplorada. Tanto que, só recentemente, ficamos sabendo que a espécie de vertebrado com a maior população é a dopeixe-boca-de-cerdas - que vive em grandes profundezas e brilha no escuro. 

Quantos deles existem por aí? Ah, só 24 bilhões.

Resolvemos juntar algumas informações bacanas sobre esses verdadeiros reis das profundezas - confira:

1. O nome, como você pode imaginar, tem a ver com a boca do bicho, cheia de dentes finos e protuberantes que são deixados à mostra pela extrema elasticidade que o peixe tem em sua mandíbula.

2. Mas, apesar da imagem assustadora em close, o boca-de-cerdas é do tamanho de um dedo. 

3. Todos eles começam a vida como machos, mas podem 'trocar' para fêmeas dependendo do equilíbrio entre gêneros no habitat, algo que os cientistas chamam de 'protrandria'. O mesmo fenômeno é observado em alguns vermes e espécies de borboletas.

4. O macho adulto é menor do que a fêmea e também tem um olfato mais aguçado - acredita-se que seja uma adaptação para encontrar parceiras nas profundidades escuras do oceano.

5. Como seu habitat é difícil de ser acessado, cientistas obtêm informações sobre esse peixe com uma técnica diferente: eles analisam o conteúdo do estômago de peixes maiores mortos, identificando restos de bocas-de-cerdas.

6. Os primeiros peixes da espécie foram encontrados em 1872, quando uma expedição baixou redes em grandes profundidades (até 5km!) em vários locais de diferentes oceanos. Boa parte delas voltou com exemplares de boca-de-cerdas.

7. Mas o primeiro cientista a ver os peixes em ação no seu habitat foi William Beebe, que desceu às profundezas do oceano em uma cápsula preparada especialmente para a missão, no início dos anos 1930. 

8. Eles têm olhos muito pequenos, que provavelmente não os ajudam a caçar. Mas, assim como outros peixes das profundezas, eles possuem um 'sensor' natural na lateral de seus corpos, que permite que eles sintam vibrações e identifiquem presas. 

9. E a bioluminescência? É uma estratégia esperta para se livrar de predadores. À noite, é difícil que peixes maiores consigam ver as profundezas do oceano. Mas de dia é fácil ver silhuetas na região. Então os boca-de-cerdas usam seus pontos bioluminescentes para brilhar durante o dia - 

com a luz sendo enviada de cima e de baixo, eles ficam praticamente invisíveis para predadores.

Via NYTimes