terça-feira, 22 de janeiro de 2019

IMPREVISÕES TEMPORÁRIAS


Foto Fernando Alexandre
Tantos outonos no chão
primaveram invernos
nesse verão
(Fernando Alexandre)

CAMINHOS...

Foto Fernando Alexandre

Todos levam...
Alguns levam a memórias...

RESTOLHOS...

Foto Fernando Alexandre
 O que sossobra da fúria das marés...

JACK O MARUJO


- Quando acaba o amor? perguntou a passageira.
- Quando toda a memória dos tempos felizes é jogada no lixo, disse Jack o Marujo.

MAR DE OLHARES

Stéphane Mahé, depois de dedicar 15 anos à fotografia de 360˚ e a mostrar localizações específicas em detalhe, volta-se para um mundo mais pessoal, no qual ele minimiza a variação de locais e abre as emoções.
Os personagens enigmáticos de Stéphane Mahé

CONVERSA DE PESCADOR

Venceslau Manoel Martins, o "Big Lai", é morador da Praia do Saquinho, na Ilha de  Santa Catarina. Desde pequeno gosta de pescar no costão e neste vídeo conta uma de suas histórias.

A LATA DE ATUM E A ESCRAVIDÃO

Captura de atum. PIXABAY

A conexão entre a sua lata de atum e a mão de obra escrava

A Tailândia é o principal exportador mundial do peixe, com uma indústria pesqueira marinha que se presta especialmente à escravidão moderna

Qual é a chance de que a última lata de atum que você comeu tenha sido produzida com mão de obra escrava? Se a origem for tailandesa, isso é mais provável do que você imagina. Rastreamos a viagem realizada pelo atum dos mares que rodeiam o país asiático até as prateleiras dos supermercados australianos. Após entrevistar mais de 50 pessoas, algumas delas obrigadas a fazer trabalhos forçados, conseguimos avaliar se as marcas podem dizer que suas cadeias de abastecimento estão livres de mão de obra escrava.

Acreditamos que apenas uma das marcas de atum em conserva que operam no país pode afirmar, com absoluta certeza, que entre seus provedores não se esconde nenhum escravo.

Embora não possamos mencioná-la, por causa dos princípios éticos que garantiram que nossa investigação tenha sido feita independentemente de qualquer questão comercial, nossos resultados reforçam a necessidade da Lei sobre Escravidão Moderna, aprovada pelo Parlamento australiano no final de 2018, para conscientizar as empresas sobre a importância de acabar com a escravidão nas redes de abastecimento em escala global.
A exploração dos trabalhadores migrantes

A Tailândia é o principal exportador mundial de atum e um dos maiores exportadores de todo tipo de peixe. Sua indústria pesqueira marinha se presta especialmente à escravidão moderna devido ao seu tamanho, à falta de regulação, à grande capacidade de operações ilegais realizadas sob seu manto e à exploração dos trabalhadores imigrantes.

Há mais de 50.000 embarcações pesqueiras e cerca de 500.000 trabalhadores na indústria. Investigações realizadas por grupos como Greenpeace e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) advertem que a maioria das pessoas que sobem nesses barcos cumprem todos os requisitos para serem consideradas escravos modernos: são forçados a trabalhar sob ameaça, são controladas ou diretamente são propriedade de seus chefes, são tratadas como mercadoria e não podem abandonar seu posto de trabalho.

Qualquer pessoa enganada ou traficada para trabalhar em localidades distantes de seu lugar de origem e que não tenha liberdade de circulação, seja ela física ou financeira, é um escravo moderno.


Em 2014, 82% dos 172.430 pescadores distribuídos em 42.512 barcos tailandeses eram imigrantes, bem como a maioria dos empregados de plantas de processamento

As estatísticas compiladas pelo Departamento de Pesca da Tailândia revelam dados chocantes: em 2014, 82% dos 172.430 pescadores distribuídos em 42.512 barcos eram imigrantes, assim como a maioria dos empregados das usinas de processamento. Os traficantes convencem migrantes do Camboja e de Mianmar, principalmente, com promessas de trabalho bem remunerado. Ao chegar à Tailândia, porém, essas pessoas descobrem que a história é bem diferente.

Os imigrantes não têm direito às proteções concedidas aos trabalhadores tailandeses, cobrando em geral 25% menos que o salário mínimo do país. Tampouco podem integrar os sindicatos, um direito que os locais têm.

Portanto, por serem estrangeiros e não terem recebido educação nem contarem com a habilidade de se comunicar em tailandês, eles se encontram numa situação de especial vulnerabilidade à exploração, numa indústria em que as frotas rebeldes se movem à margem da lei com operações de pesca ilegais. E onde a segurança e as condições de trabalho são aplicadas de maneira deficiente.
Falta de transparência

As práticas na indústria pesqueira tailandesa (e em outros lugares do Sudeste Asiático) se tornaram conhecidas no mundo todo em 2015, graças ao trabalho de investigação dos jornalistas da agência Associated Press (que lhes valeu o Prêmio Pulitzer por Serviço Público). Desde então, as respostas emitidas pelos governos e as empresas mostram a insuficiência do marco legal e de gestão existente para acabar com o problema de uma vez por todas.

A transparência é um tema central. As práticas ilegais são ocultadas deliberadamente por sua própria natureza, e os métodos que os varejistas poderiam utilizar para averiguar como trabalham suas cadeias de abastecimento, como o envio de pesquisas aos fornecedores (e aos provedores destes), não dão nenhum resultado.

O que dificulta a transparência na indústria pesqueira é que não basta conhecer o provedor ou o atacadista. Nem sequer a origem geográfica do peixe. Os varejistas precisam conhecer os detalhes de cada jornada de pesca e a mão de obra empregada. No entanto, mesmo tendo acesso a essas informações, não é possível saber se a mercadoria foi transferida de um barco a outro em alto mar. Ou seja: o problema continua existindo apesar dos certificados emitidos pelo Marine Stewardship Council (organização internacional que estabelece um padrão para a pesca sustentável) – que, em qualquer caso, não se encarrega de supervisionar as condições trabalhistas.

São necessários uma melhor coordenação e mecanismos mais efetivos para vigiar o risco a que os trabalhadores se expõem do barco de pesca ao supermercado, passando pela fábrica.


São necessários uma melhor coordenação e mecanismos mais efetivos para vigiar o risco ao que se expõem os trabalhadores desde o barco de pesca até o supermercado, passando pela fábrica
Há muito a fazer, mas é um começo

Reside aí a necessidade de criar leis que levem ao fim da escravização moderna. De acordo com a Lei sobre Escravidão Moderna da Austrália, as empresas que tenham registrado prejuízos de mais de 100 milhões de dólares australianos (260 milhões de reais) deverão informar o que estão fazendo para evitar o uso de mão de obra escrava na elaboração de seus produtos.

A partir de 2020, as companhias serão obrigadas a apresentar “declarações de escravidão moderna”, detalhando a fonte da qual obtêm seus produtos e as ações que realizaram para garantir que não existe mão de obra escrava em sua cadeia de abastecimento.

Ainda há um longo caminho a percorrer. A lei não inclui sanções pelo não cumprimento das ações. E não existe um órgão estatutário que ofereça orientação e supervisão, como estabelece uma norma similar promulgada no Reino Unido em 2015.

Mas já é um começo. A lei pelo menos exerce pressão sobre as marcas para que sejam mais transparentes em relação às suas cadeias de abastecimento e para que melhorem as condições de trabalho. Até agora, os resultados foram díspares: algumas marcas investiram na limpeza de suas cadeias de abastecimento após serem colocadas em evidência, enquanto outras se fazem de desentendidas.

Esperamos que os consumidores sejam conscientes dos riscos envolvidos na escravidão moderna e, com o tempo, possam investigar a informação compartilhada publicamente por suas marcas favoritas.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês em The Conversation.
(Via https://brasil.elpais.com/)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

OLHANDO INFINITOS

Foto Fernando Alexandre

BOTANDO MAIS FOGO NESSE INFERNO!

Ondas atingem barreira em porto de Aki, província de Kochi, enquanto tufão Jebi se aproxima do Japão na terça feira, 4 de setembro de 2018. — Foto: Ichiro Banno/Kyodo News via AP

Aquecimento dos oceanos bateu recorde em 2018, dizem cientistas

Em estudo publicado nesta quarta (16), pesquisadores chineses e americanos afirmam que as águas do planeta atingiram as temperaturas mais altas nos últimos 60 anos.

Por Lara Pinheiro, G1

Pesquisadores chineses e americanos constataram que a temperatura dos oceanos em 2018 foi a mais quente já registrada nos últimos 60 anos. O estudo, com base nos dados mais recentes do Instituto de Física Atmosférica, na China, foi publicado nesta quarta (16) na revista científica "Advances in Atmospheric Sciences".

A conclusão está de acordo com a tendência de aquecimento dos oceanos registrada nos últimos cinco anos — que já eram os cinco mais quentes desde a década de 1950, dizem os cientistas. O aumento na temperatura oceânica acontece desde então e se acelerou a partir da década de 1990.

“A tendência de longo prazo de aquecimento do oceano é uma grande preocupação tanto para a comunidade científica quanto para o público em geral. As temperaturas mais altas causam a expansão térmica da água e um aumento do nível do mar — o que expõe a água doce costeira à intrusão de água salgada e torna comunidades mais suscetíveis ao aparecimento de tempestades”, dizem os pesquisadores no estudo.

Além do Instituto de Física Atmosférica, ligado à Academia de Ciências da China, a pesquisa envolveu especialistas do Ministério de Recursos Naturais e da Universidade Hohai, também no país asiático, e do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica e da Universidade St. Thomas, nos Estados Unidos.
O aquecimento visto nos oceanos em 2018 resultou em um aumento médio de 1,4 mm no nível do mar ao redor do globo em comparação à média de nível registrada em 2017. Os padrões associados ao nível do mar atual devem continuar no futuro, segundo a pesquisa.

O aumento de calor no oceano também eleva as temperaturas e a umidade do ar — o que, por sua vez, intensifica as tempestades e as chuvas fortes. Em 2018, foram registradas várias tempestades tropicais no mundo, como os furacões Florence e Michael e os tufões Jebi, Maria, Mangkhut e Trami.

Entre outras consequências listadas pelos cientistas como decorrentes do aquecimento dos oceanos, estão a diminuição no nível de oxigênio presente neles, o branqueamento e a morte de corais e o derretimento de geleiras. Há também efeitos indiretos, como a intensidade de secas, ondas de calor, e risco de incêndios.

“O aquecimento global é consequência do aprisionamento de gases de efeito estufa — que mantêm a radiação do calor dentro do sistema terrestre. Devido à longevidade do dióxido de carbono e outros gases desse tipo, mitigar as mudanças e os riscos de consequências socioeconômicas causadas pelo aquecimento global e dos oceanos depende de adotar medidas para reduzir imediatamente as emissões de gases estufa”, concluem os pesquisadores.

(Do https://g1.globo.com/)

ÁGUAS PASSADAS...

Foto Fernando Alexandre
Águas passam, e se passam...

NA PRAIA

Elizabeth Taylor

JACK O MARUJO


- Sente saudade de algum lugar, capitão?
- Certa vez naufraguei na costa da Grécia,.disse Jack o Marujo..Trabalhei num porto de pescadores. Fui sóbrio e solidário. Quando vim embora, entoaram canções do mar.

)

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre
ANÔNIMA

SE TU DISX!

Temos dicionário próprio com 2,5 mil palavras
Foto / Agencia RBS
Os Manés: 5 dicas pra ti aprendê o manezês
Nativos Jorge Jr. e Rodrigo Stüpp escrevem todas as terças e sextas-feiras na contracapa do jornal e no site da Hora de Santa Catarina
do Rodrigo Stüpp e Jorge Jr.

Recebemos informaçõnsh de gente adulando a coluna, dízi que adóro, talicôza, mash não entende metade. Só pode sê pirú de fora, né? Tão, então... Déro a ideia de a gente fazê um glossário com as palavras usadas no dia. Tá bom, môsagrado. Nósh vamo fazê unsh texte. Mash tu fashfavô, não dá uma de mandrião. Bota essa cabeça de porongo pra funcioná e tenta entendê antes de lê as letra miudinha no ladinho da coluna.

OLHA AQUI, Ó!

Tu que tásh lendo, môquirido, fash favô: bota o bagão do olho: sh = a mistura de s e x, assobiado, que nem o Miguel Livramento, tásh compreendendo? Então, ônsh e o lugar onde a gente pega, o pondiôsh. Mas em português é Másh em manezês. Baba né, ó?
Ôtra dica: tens que falá bem dijerinho aliásh, o mané usa muito o diminutivo: miudinho, peixinho, degavarinho...

DICIONÁRIO

As duas últimas dicas: na internet tem umas dica de pronúncia pra tu arrombá no manezês.Ixpia lá na Wikipedia. Se tu quisésh, tem também o Dicionário da Ilha do Fernando Alexandre, que já teve algumas ediçõnsh e tem uma carrada de palavras, quase 2,5 mil. Tem em livraria, mas se tu der uma fuçada em uns sebos de Flonópsh acha a partir de cinco, sete reásh. Miudinho, cabe no bolso dereitinho pra tu levá em todo lugar. Quem quisésh um novo, tá uns 15 conto.



Os Manés: Foto: Betina Humares

GOELUDO

Umas trêsh coluna atrás, falamos aqui do Argel, treinador do Figueira, que tava todo siachão reclamando da grama da Ressacada. No domingo, o goeludo veio falar que não perde pra dirigente? Môsagrado, tu não pode perdê é dentro de campo com teush soldado. Dissetôlo, gaúncho, e te concentra no time que tá na boca pra final otra vêsh!

TÁSH LEMBRADO?

Rapázi, lembra da porrada de côza dos anos 1980/90 que lembramo aqui trezontônti? Aqui vão mais alguns que os quiridus mandaram pro whatapp (48) 9169-9096 e por e-mail. O Maurício, do Morro das Pedras, lembrou de quando era raro o cara í pro Centro, aí era sagrado comer um pastel do Japonês com Laranjinha na Felipe Schmidt. A raça também lembrou da Modelar, altos lugar pra comprá uma calça dínsh.


GLOSSÁRIO
sh no final = som de x, como os números: dôsh, trêsh
mandrião = preguiçoso
talicôza = tal e coisa
degavarinho = devagarinho
Baba = fácil
Carrada = muitas, várias
Arrombá = se sair bem, dar um show
Altos = ótimo
Dínsh = jeans
Dissetôlo = deixe de ser tolo
Gaúncho = gaúcho
Siachão = confiado, se achando o cara


QUE COLUNA EXCANGALHADA É ESSA?

A coluna Os Manés é publicada às terças e sextas-feiras na Hora. É produzida pelos manés legítimos Jorge Jr. e Rodrigo Stüpp, editores de Esporte da Hora. Os termos que não entendesh, bocamóli, são da linguagem popular dos manezinhos da Ilha, o manezês.

(Do HORA DE SANTA CATARINA - www.clicrbs.com.br)

domingo, 20 de janeiro de 2019

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre

CANÇÕES PARA EMBALAR MARUJOS


NA MESA

Imagem ilustrativa
RISOTO DE CAMARÃO COM ARROZ ARBÓREO

INGREDIENTES:

500 g de arroz arbóreo sem lavar (próprio para risoto)
500 g de camarão médio
2 ou 3 tomates picados
1 maço de cheiro verde picado (cebolinha e coentro)
3 cebolas raladas
Pimenta malagueta
Azeite
Sal a gosto

MODO DE PREPARO:

Cozinhe os camarões na água e sal
Quando estiverem rosados, tire do fogo, escorra e reserve a água (será usada para cozinhar o arroz)
Limpe os camarões e reserve
Pegue uma panela grande e coloque azeite suficiente para refogar a cebola
Quando a cebola estiver dourando, acrescente o tomate e o cheiro verde e continue mexendo para não grudar
Acrescente os camarões
Acrescente algumas gotas de pimenta
Apenas tome cuidado para não exagerar, pois a pimenta deve dar um gosto sutil ao prato
Acrescente o arroz arbóreo
Misture bem e em seguida acrescente a água em que os camarões foram cozidos
Coloque sal a gosto
Após uns 5 minutos de cozimento, mexa a panela de vez em quando, pois há uma tendência da água ficar na parte de cima e fundo secar
Quando os grãos estiverem bem cozidos, coloque o risoto em um refratário e sirva acompanhado de um peixe de sua preferência e salada verde
Informações Adicionais

Obs.: O risoto deve ser consumido no mesmo momento em que é preparado. No máximo, pode ser consumido no dia seguinte, se muito bem conservado.

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Visite a FanPage da "Tribuzanas, Tainhas & Rabos de Galo", acessando o Link: https://www.facebook.com/tribuza

NAVEGAR É PRECISO. E VIVER ?

Imortalizada por Fernando Pessoa no poema "Mensagem", popularizada por Caetano Veloso em "Os Argonautas", a oração "Navegar é preciso, viver não é preciso" tem origens antigas.

Em 1434, D. Henrique usou-a para repreender o navegador Gil Eanes, após 15 expedições fracassadas. Mas quem teve o crédito pela invenção foi o general Pompeu (106 a.C. -48a.C.).

Devido a fome que assolava Roma, Pompeu queria convencer seus marinheiros a zarpar das colônias sob tempestades, com navios cheios de comida. O historiador Plutarco relata que o general concitou: "Navigare necesse, vivere non necesse."

(Do Almanaque Brasil de Cultura Popular - Edição agosto 1999)

JANELA DE BANHEIRO

Foto Andrea Ramos
Janela de Banheiro - Bar do Quirino - Praia do Saquinho - Ilha de Santa Catarina

O VENTO QUE MUDA!



Foto Fernando Alexandre

"Vento sul suja,
vento sul limpa"
(Dito Popular)

OUTROS MARES...

Foto ‎من ذاكرة فلسطين
 ‎Pescadores no mar de Jaffa, na Palestina, em 1904

VACANDO NA MÔRRA...

Foto Brian Bielmann
O fotógrafo Brian Bielmann viaja o mundo registrando os melhores surfistas em ação. Suas imagens mostram não só manobras bem executadas, mas também momentos em que os surfistas despencam de algumas das maiores ondas do mundo. Ou seja: "vacam na morra!"
(Da BBC Brasil)

MAR DE VAN GOGH

Vincent van Gogh (1853-1890), Seascape near Les Saintes-Maries-de-la-Mer, 1888. Van Gogh Museum, Amsterdam (Vincent van Gogh Foundation).

sábado, 19 de janeiro de 2019

MAR RECICLADO

Fotos: Leo Munhoz

Artesã de Florianópolis é reconhecida internacionalmente com projeto de reciclagem de rede de pesca 

Recentemente, na Bienal de Design em Madrid, o projeto Águas Limpas, desenvolvido pela artesã, recebeu uma menção honrosa 


Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aproximadamente 10% do lixo marítimo é proveniente da pesca — algo equivalente a 640 mil toneladas de resíduos. Atenta às questões ambientais, a artesã e designer Nara Guichon, moradora de Florianópolis, há mais de 20 anos trabalha com a reutilização das redes de pesca industriais na confecção de utilitários, acessórios e tapeçaria.

— Como sou ambientalista e naturalista, desde a adolescência sempre tive essa ânsia de criar produtos que são “amigos” do meio ambiente, uma forma de dar o descarte correto para o que seria depositado na natureza — conta Nara, que é natural do Rio Grande do Sul.

A artesã calcula que, por ano, reutiliza cerca de uma tonelada de redes de poliamida, material que ela compra de pescadores locais, mas a maior parte adquire em Itajaí com as grandes empresas de pesca. Ainda não existe um estudo conclusivo para apontar o tempo de decomposição deste material no mar, mas supõe-se que cerca de 6 mil anos.

— O que eu consigo reciclar, em números, é quase nada, mas esse trabalho já despertou a atenção de outras pessoas e muitas já estão reaproveitando rede de pesca (…) O importante é dar o recado.

Recentemente, na Bienal de Design em Madrid, o projeto Águas Limpas, desenvolvido pela artesã, recebeu uma menção honrosa. Desde 2014, Nara produz esponjas de limpeza com as redes de pesca. O projeto surgiu quando ela identificou que ainda tinha rejeito do material que utilizava na confecção de tapetes, bolsas, mantas e acessórios. Foi então que criou um modelo de esponja que é produzido com os pedaços menores das redes.

— Ainda assim existe um descarte, infelizmente, porque as redes vêm às vezes muito furada, com pontos mais desgastados. Tenho esse resíduo que ainda não inventamos o que fazer — aponta a designer.

As esponjas que servem para limpeza pesada e também de louça e alimentos têm durabilidade muito maior que as esponjas convencionais, que duram em média 15 dias e depois acabam parando em aterros sanitários. A confecção das esponjas também é fonte de renda para mulheres da comunidade do Frei Damião, em Palhoça, uma das mais carentes da região da Grande Florianópolis.


Foto Cristiano Estrela

— Eu desenvolvi o produto, mas hoje a produção mensal é feita pelo grupo Mulheres do Frei. Penso em toda uma cadeia de produção, que valoriza os produtos e a mão de obra local — finaliza.

As esponjas são comercializadas por uma empresa de São Paulo que fabrica uma linha de produtos de limpeza consciente, naturais e biodegradáveis e que se baseia nos princípios da economia circular, bem como o apoio à agricultura familiar.

Confira a entrevista com Nara Guichon


Serviço
Ateliê Nara Guichon
Rodovia Rozália Paulina Ferreira, 4343, Costa de Dentro
Pântano do Sul – Florianópolis – Santa Catarina – Brasil 

(PorJanaina LaurindoRepórter Jornalista e especialista em mídias digitais. Tem atuação multimídia nos veículos da NSC Comunicação há 7 anos.)


MAR DE POETA

Resultado de imagem para Murmúrio do mar

Nostalgia panteísta

Um dia, interrogando o níveo seio
De uma concha voltada contra o ouvido,
Um longínquo rumor, como um gemido,
Ouvi plangente e de saudades cheio.

Esse rumor tristíssimo, escutei-o:
É a música das ondas, é o bramido,
Que ela guarda por tempo indefinido,
Das solidões marinhas de onde veio.

Homem, concha exilada, igual lamento
Em ti mesmo ouvirás, se ouvido atento
Aos recessos do espírito volveres.

É de saudade, esse lamento humano,
De uma vida anterior, pátrio oceano,
Da unidade concêntrica dos seres.

 (Augusto de Lima - "Nostalgia panteísta" - Poesias. Rio de Janeiro e Paris: Garnier, 1909.)

MAR DE MERDA

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense)

Aumenta número de pontos impróprios para banho nas praias de SC

Dos 229 pontos analisados semanalmente pelo IMA, 77 estão poluídos

Aumentou o número de pontos impróprios para o banho nas praias catarinenses. É o que aponta o relatório semanal do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). Dos 229 locais avaliados no litoral do Estado, 77 estão contaminados. Isso significa que praticamente um a cada três pontos está poluído, ou 33,6% do total analisado. Na semana passada, eram 60 pontos.

Essa contaminação por esgoto doméstico é verificada pela contagem da bactéria Escherichia coli (E.c.) presente nas fezes de animais e que podem colocar em risco a saúde dos banhistas, explica o IMA. 


Só na Capital, dos 85 locais avaliados, 23 estão impróprios para o banho, o que representa 27% dos pontos poluídos. Uma das situações mais críticas aparece em Balneário Camboriú: dos 15 pontos avaliados, 12 estão impróprios (80%). Em Porto Belo cinco dos seis pontos da análise estão impróprios, já em Bombinhas, são nove locais avaliados e cinco impróprios. 

Araranguá, Jaguaruna, Passo de Torres e Imbituba são os únicos municípios englobados pelo relatório onde todos os locais estão próprios. As coletas foram realizadas de 14 a 16 de janeiro nos municípios de Araranguá, Bal. Arroio do Silva, Bal. Gaivota, Bal. Camboriú, Bal. Rincão, Barra Velha, Biguaçú, Bombinhas, Florianópolis, Garopaba, Gov. Celso Ramos, Imbituba, Itajaí, Itapema, Itapoá, Jaguaruna, Joinville, Laguna, Navegantes, Palhoça, Passo de Torres, Penha, Piçarras, Porto Belo e São José.

No início das análises semanais feitas pelo IMA nesta temporada, em 7 de dezembro de 2018, eram 49 pontos impróprios.

Como é feita a análise de balneabilidade
A análise considera a presença de bactérias que podem ser nocivas à saúde dos banhistas e leva em consideração o conjunto das últimas cinco análises. Para que um ponto seja considerado impróprio, duas dessas cinco análises precisam ter resultados negativos — com mais de 800 coliformes por 100 mililitros de água. Outra possibilidade de o ponto não estar banhável é se em apenas uma coleta forem localizados mais de 2 mil coliformes por 100 mililitros de água. 
Coleta é feita desde 1976

O boletim de balneabilidade é divulgado pelo governo desde 1976. O objetivo é mostrar quais áreas estão contaminadas ou não por esgoto doméstico. Para que a análise determine um resultado, os técnicos do IMA verificam a contagem da bactéria Escherichia coli (E.c.) presente nas fezes de animais de sangue quente. As coletas são realizadas nos pontos que recebem maior incidência de banhistas durante a temporada e também nos locais mais suscetíveis à poluição. 

(Do https://www.nsctotal.com.br/)

MAR DO TASSO CLAUDIO SCHERER

Foto Tasso Claudio Scherer

COMO OS ÍNDIOS BRASILEIROS COMIAM A TAINHA?


Resultado de imagem para Hans Staden


Piracuí, a farofa de Tainha

Uma receita original de quem provou a iguaria!

"...Recolhem grande porção de peixes, torram-nos sobre o fogo, esmagam-nos, fazendo deles farinha, a que chamam piracuí, que secam bem afim de que se conserve por muito tempo. Levam-na para casa e comem-na juntamente com a mandioca.”

(Do Hans Staden)

*Viajante e cronista alemão que esteve por aqui na década de 1540, logo depois da chegada dos portugueses, Hans Staden provavelmente pescou e comeu tainhas no litoral de São Paulo. Em uma de suas viagens, ficou por nove meses prisioneiro dos índios Tupinambás. Enquanto tentava não ser comido por eles, que tinham por hábito saborear seus prisioneiros, observou como viviam e, depois de voltar para a Europa escreveu, em 1557, “Viagem ao Brasil”. É dele este relato, o primeiro que se tem notícia da pesca da tainha por aqui e como ela era comida.

DESOVA RARA

Ovos de tartaruga (Foto: Tamar)

Tamar monitora dois ninhos raros de tartaruga marinha em Bombinhas

Por Dagmara Spautz

Técnicos do projeto Tamar monitoram dois ninhos de tartaruga-cabeçuda nas praias do Mariscal e do Canto Grande, em Bombinhas. A escolha das praias catarinenses para a postura de ovos, pelas tartarugas marinhas, é raríssima. É o terceiro registro feito pelo Tamar nos últimos três anos, e em apenas um deles os filhotes sobreviveram. Por isso, os ninhos recebem total atenção.

A primeira desova ocorreu no dia 5 de dezembro. Pouco mais de um mês depois, no dia 13 de janeiro, um segundo ninho apareceu. Moradores e turistas filmaram a postura. Daniel Rogério, do Tamar Florianópolis, diz que, como não foi possível marcar a tartaruga, não se sabe se os dois ninhos pertencem à mesma mãe, ou a tartarugas diferentes _ as fêmeas fazem até sete desovas num mesmo período. 

As tartarugas marinhas não chocam os filhotes. Os ovinhos ficam sob a areia, e são chocados pelo calor do sol. Por isso, os animais costumam fazer a desova nos estados mais ao Norte, acima do Rio de Janeiro, onde a temperatura da areia costuma ser mais elevada. Caiame Nascimento, técnico do Tamar em Itajaí, diz que são necessários pelo menos 23º de temperatura na areia para garantir o desenvolvimento dos filhotes.

Até então, a suspeita era de que as eventuais desovas em SC ocorressem por “acidente”, antes da tartaruga alcançar águas mais quentes. Mas o Estado tem passado por uma onda de calor acima da média neste verão, e a temperatura da água está até 3º mais quente nas praias, o que pode ter incentivado as posturas. 
tartaruga bota em Bombinhas(Foto: Divulgação Tamar)

_ Ainda não temos como afirmar com certeza. Poderemos entender melhor nos próximos anos, porque geralmente a tartaruga desova em uma temporada, descansa na próxima e volta na temporada seguinte _ explica Caiame. 

Segundo ele, a escolha do local é um bom indício ambiental. Pode mostrar que as populações estão se recuperando, e que a praia está em boas condições. A desova inusitada, no entanto, inspira cuidados _ especialmente com os curiosos.
A Fundação Ambiental de Bombinhas (Famab) cercou os ninhos, para evitar que as pessoas se aproximem. O Tamar colocou indicações de que o local é de desova, e está monitorando o espaço. A recomendação é que se evite caminhar muito próximo do ninho.

_ Já temos o problema da temperatura da areia não ser favorável. Se alguém abrir o ninho, pode causar desequilíbrio _ alerta Caiame.

Ninhos estão protegidos(Foto: Tere Wenzel, Arquivo Pessoal)

Das três desovas registradas no Estado, duas são de tartaruga-cabeçuda e uma de tartaruga-verde, que botou os ovinhos na Praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, há cerca de dois anos. A postura ocorreu em período já próximo do inverno, por isso as tartaruguinhas não vingaram.

O outro caso ocorreu na Praia do Moçambique, em Florianópolis. Nasceram 40 tartarugas, de cerca de 100 ovos. 

Em Bombinhas, devido à grande atividade pesqueira na região, os técnicos do Tamar terão um cuidado extra após o nascimento dos filhotes. A ideia é não deixar que elas corram para o mar naturalmente, mas induzir a entrada em um local protegido, onde a chance de esbarrarem nas redes é menor.

(Do https://www.nsctotal.com.br/)

MANEMÓRIAS

CANASVIEIRAS, EM 1944

NAVEGANDO E EVOLUINDO

A circunavegação de Darwin
Viagem de cinco anos o principal evento de sua vida

Como você imagina que Darwin desenvolveu a teoria da evolução? Indo a campo, claro! Acompanhe milha a milha

A circunavegação de Darwin: o jovem Charles Darwin, com apenas 22 anos passou quase cinco anos a bordo do HMS Beagle. Entre 1831 e 1836, navegou ao redor do mundo!

Passando por diversas regiões do globo, e por ecossistemas diferentes, o cientista observou uma enorme variedade de animais, plantas, fósseis e formações geológicas. E assim formulou ideias sobre como diferentes espécies surgem e evoluem no planeta Terra.

Durante a viagem de cinco anos, Darwin e a tripulação do Beagle passaram a maior parte do tempo explorando a América do Sul. Incluindo ilhas como Galápagos. Mais tarde o cientista chegou a afirmar que essa viagem foi o principal evento de sua vida.
Refaça a viagem de Darwin neste mapa!


A circunavegação de Darwin
A circunavegação de Darwin teve fim no dia 2 de outubro de 1836

A circunavegação de Darwin teve fim no dia 2 de outubro de 1836. O Beagle jogou a âncora em Falmouth, na Inglaterra. Mas… sabemos muito bem que algumas navegações são longas. Exigem paciência da tripulação e geram um grande tempo ocioso que pode ser preenchido com um bom livro.
O que será que o jovem Darwin lia a bordo do Beagle durante todo esse tempo no mar?
A resposta está em uma biblioteca digital, compilada pelo projeto Darwin Online, que reproduz, de maneira ilustrada e detalhada, as 181 obras que compunham a biblioteca flutuante do Beagle.

Fonte: Blog Herton Escobar- Estadão

(Via https://marsemfim.com.br/)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

MAR DE POETA

Joseph Mallord William Turner (Londres, 23 de Abril de 1775 - Chelsea, 19 de Dezembro de 1851)
MARINHA

As carroças de prata e cobre —
As proas de aço e prata —
Espancam espumas, —
Singram ramos de sarças.
As correntezas do pântano,
E os rastros imensos do refluxo,
Fluem em círculos rumo a leste,
Rumo aos pilares da floresta, —
Rumo aos troncos do cais,
Cujo ângulo é ferido por turbilhões de luz.
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ARTHUR RIMBAUD

Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça, em Iluminuras-Gravuras Coloridas (Iluminuras, edição revisada em 2014)

MARAZUL

Foto Fernando Alexandre
Pântano do Sul

MANEMÓRIAS

Foto Amnésio Crônico
Praia de Itaguaçu, em 1945 - No tempo em que as pedras tinham sexo!

MAR DE PESCADOR


Comunidade tradicional de pescadores conquista direito de morar em praia na Paraíba
Lei que regulariza a posse dos imóveis foi publicada no Diário Oficial do Estado na quarta-feira (12) 

As cerca de 80 famílias da comunidade tradicional de pescadores da praia da Penha, localizada em João Pessoa, capital da Paraíba, conquistaram nesta semana o direito de permanecer no local em que habitam há, pelo menos, 40 anos. A regularização da área foi sacramentada por meio da Lei 11.231 publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) da Paraíba na quarta-feira (12). A conquista das famílias teve o empenho do Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) e da Superintendência do Patrimônio Público da União (SPU).

A lei autoriza o Poder Executivo estadual a outorgar concessão de direito real de uso aos atuais moradores da Comunidade Tradicional da Penha, que será efetivada mediante a celebração de contrato administrativo, limitada a concessão a um imóvel residencial para cada núcleo familiar. Segundo a lei, a concessão é por prazo indeterminado e será gratuita para os moradores da comunidade.

Ainda conforme a lei, os moradores beneficiados não poderão vender, alugar ou desmembrar os imóveis, e a transmissão do imóvel só será admitida para os herdeiros. Os beneficiários também terão que manter e conservar a comunidade tradicional, seus meios de subsistência e preservar o meio ambiente.
As famílias sobrevivem da pesca e de pequenos bares e restaurantes situados à beira-mar na praia da Penha, como o restaurante Peixada da Dona Irene, propriedade de uma das mais antigas moradoras da comunidade. No ano em que o marido morreu, há mais de 40 anos, Irene de Oliveira Pimentel chegou à praia da Penha. Foi do Ingá, distante 101 km da capital, para vender refeições durante a romaria de Nossa Senhora da Penha, cuja capela foi construída em 1763 pelo português Sílvio Siqueira, na então praia de Aratu – hoje praia da Penha.

Na época em que chegou à praia, com 32 anos e acompanhada dos quatro filhos (de 2, 4, 8 e 10 anos de idade), dona Irene tomou a decisão de ficar e se estabelecer no local. Morou durante muito tempo numa barraca de palha e chão de barro. “Da minha primeira barraca nunca me esqueço, porque foi meu primeiro trabalho ali na beira do rio”, recorda. “Naquele tempo eram nove noites de festa”, lembra dona Irene. “As crianças dormiam embaixo da mesa. O maiorzinho ficava comigo me dando assistência [nas vendas da barraca] e os outros três ficavam dormindo”. Hoje, ela se orgulha de ter criado todos os quatro filhos e já ter formado três netos na universidade com o trabalho do pequeno restaurante.

Quando dona Irene chegou à praia da Penha, não havia energia elétrica nem água encanada no local. “Só tinham umas três casas aqui. A gente tomava água do rio do Cabelo, esse rio que hoje não tem mais, que tá poluído”, lamenta, denunciando a degradação que o rio sofre ao longo do seu curso até desembocar na praia.

Pobres morando na praia - Devido à especulação imobiliária ao longo dos anos, a comunidade sofreu despejos, ameaças de desocupação e até destruição de casas. Como a ocupação também era irregular, por estar em terreno de marinha, os moradores estavam sujeitos a multas dos órgãos de fiscalização do meio ambiente. A comunidade de pescadores então procurou os órgãos públicos e teve início uma série de tratativas envolvendo órgãos federais e estaduais, como a SPU, MPF, UFPB e a Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap), que culminou com a sanção da lei que regulamenta a situação da comunidade na praia. Com a situação regularizada, a praia da Penha se torna, como já disse o coordenador da pró-reitoria de ações comunitárias da UFPB, Emanuel Falcão, “a única praia de João Pessoa onde pessoas pobres moram à beira-mar".

Segundo a presidente da Cehap, Emília Correia Lima, a companhia de habitação já fez levantamento da infraestrutura que o local necessita e vai acompanhar o caso, ajudando a região para que sejam implantadas. “Vamos atuar como uma assessoria para infraestrutura e acompanhamento”, informou Emília.

Solução da comunidade - Durante solenidade na praia da Penha, ocorrida no início da noite da terça-feira (11), em que o governador Ricardo Coutinho assinou a Lei 11.231, o procurador regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba, José Godoy Bezerra de Souza, enfatizou a atuação proativa da comunidade tradicional em todo o processo de regularização fundiária. “Durante todo esse processo, discutimos passo a passo o que seria feito em relação aos vários pleitos da comunidade. Me sinto feliz quando a construção da solução não é feita lá na nossa sala, trancados dentro de quatro paredes, mas é feita com a comunidade e a solução é vinda da própria comunidade”, destacou Godoy, lembrando que o direito à moradia também está previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completou 70 anos na segunda-feira (10).

Precedente importante - Para o coordenador da Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR), subprocurador-geral da República Antônio Carlos Bigonha, a regularização fundiária da praia da Penha é um precedente importante na luta da PGR/6CCR pelo reconhecimento dos direitos das comunidades tradicionais. “O trabalho de mediação empreendido pelo procurador da República José Godoy comprova que o diálogo é um instrumento poderoso para a solução de conflitos”, avalia Bigonha.

Homenagem póstuma – A lei que regulariza a permanência da comunidade tradicional de pescadores estabelece prazo de 30 dias para que a Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap) elabore projeto de regularização fundiária, que abrangerá o zoneamento urbano e a infraestrutura da área da praia da Penha. Com a área regularizada, a comunidade já pensa em construir uma praça e, como forma de gratidão, alguns moradores até cogitam batizá-la com o nome da ex-chefe da Coordenação de Regularização Fundiária da SPU, Ana Helena Costa Lima, falecida em março deste ano, que foi a responsável pela agilização de toda a questão cartorária e levantamento das informações que possibilitaram o encaminhamento de todo o processo de regularização. Segundo as moradoras Claudete Bernardo da Silva (Nena) e Lídia Evangelista da Silva, a homenagem lembraria a todos o empenho da então servidora da SPU para que a comunidade conseguisse regularizar a situação fundiária. “Ela mereceu”, defende Nena.

A Comunidade da Penha é unida e se protege. Assim como fizeram quando se organizaram e foram aos órgãos públicos em busca da segurança da moradia, quando um dos pescadores não volta do mar, os outros se juntam e vão à procura dele. “As mulheres não deixam barato, não”, conta dona Irene. “Ficam tudo doida. ‘Eu quero meu marido, eu quero meu filho!’ e aí todos os pescadores saem para o mar, no meio da noite, para encontrar o companheiro desaparecido”. A partir de agora, com a segurança jurídica da moradia conquistada e assegurada por lei, a apreensão e aflição da comunidade tradicional de pescadores ocorrerá apenas quando um deles demorar a voltar da lida diária no mar.

(Do http://cppnacional.org.br/)