segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

TRABALHADORES DO MAR

 Foto Andrea Ramos
Fabrício, Aldemir e Leandro, desmontando o cerco para a pesca da tainha - Pântano do Sul

MAR DE POETA


Foto Lubomir Hlasck


no fundo no fundo
vidro,
peixes sons mergulhos água
leve marola suspira
sai voando biguá
(Pedro Port)

POLVO NA MESA


Foto Divulgação
Grelhado com batatas ao murro e refogado do pescador

Ingredientes

2 Kg de tentáculos de polvo
1 cebola média cortada em tiras
3 dentes de alho esmagados rusticamente
300 g de mini batatas higienizadas e cozidas com casca
1 maço de brócolis
500 ml de vinho tinto seco
1 cálice de vinho branco seco
2 tomates sem pele e sem semente cortado em pétalas
Azeite de oliva
Sal
Pimenta do reino moída no momento


Preparando

1. Em uma panela de pressão cozinhe o polvo por mais ou menos 40 minutos, em 1,5 litro de água e 500ml de vinho tinto. Reserve.

2. Numa frigideira coloque os tentáculos do polvo já cozidos e limpos, e deixe dourar em um fio de azeite. Coloque o alho e deixe dourar, em seguida coloque a cebola e refogue. Junte o cálice de vinho branco, deixe que o álcool se evapore por alguns segundos, acrescente o brócolis, as batatas já cozidas e amassadas (dai a expressão batatas ao murro), acrescente ao refogado os tomates, acerte o sal e a pimenta a gosto.

3. Disponha o polvo com o refogado numa travessa e regue com azeite em abundância.

(Serve duas porções)

* Receita do Chef Helton Costa, vencedor do Prêmio Veja "Melhor Chef"- 2011.



SABOR DO MAR

Vamos fazer uma brincadeira: conte em seus dedos quantas espécies de peixes diferentes você costuma consumir. Foram muitas? Mais de cinco? O motivo desta pergunta é que, infelizmente, apesar das comunidades pesqueiras capturarem uma grande variedade de peixes, na área urbana o consumo é restrito a algumas poucas espécies. Uma enquete realizada na cidade de Laguna, Santa Catarina, mostrou que as pessoas conhecem e consomem em média cinco espécies diferentes. CINCO. E uma delas é o salmão, que não é nativo. Ou seja, apenas quatro espécies suportam hoje a grande maioria do consumo de peixes na região. Duas delas possuem medidas de proteção, como o tamanho mínimo de captura, e uma delas possui o status de ameaçada de extinção na famosa "lista da 445".
 A enquete foi realizada como parte de um projeto de extensão pesqueira do curso de Engenharia de Pesca da UDESC, chamado "Sabor do Mar". Título nada original, eu sei, mas a intenção foi boa. O projeto teve como objetivo incentivar o consumo de espécies de peixes que são descartadas por não ter preço de venda devido à baixa procura.

Resultado de imagem para olho de boi peixe
Neste projeto foram feitos dois tipos de entrevistas. Uma na cidade de Laguna para a identificação das espécies mais consumidas pela população local. A outra foi realizada na comunidade pesqueira do Farol de Santa Marta, cuja pesca quase totalmente oceânica captura peixes de alta qualidade. Neste local, os pescadores foram questionados sobre as espécies que são descartadas por não terem valor de comercialização mas que são consumidas localmente. 

Os resultados foram confrontados e adivinhem só: das 31 espécies capturadas pelos pescadores, apenas três delas eram descartadas por não agradarem o paladar (baiacu, savelha e mamangava). Todas as outras espécies são consumidas na comunidade, mas não são procuradas pelos compradores e acabam sendo descartadas. O próximo passo do projeto então foi pesquisar a frequência de ocorrência destas espécies, a situação atual de sua população perante os órgãos ambientais reguladores, e claro, a qualidade nutricional e o sabor também. Duas das espécies mais abundantes foram selecionadas para fazer parte do próximo passo (e o mais delicioso): a degustação. Conhecidas como guaivira e peixe espada na região, estas duas espécies apresentam estado de conservação favorável, assim como requisitos nutricionais e culinários que justificam sua escolha. 
Os peixes utilizados foram comprados na comunidade onde foi realizada a pesquisa e preparados seguindo orientações dos pescadores referentes ao manuseio e preparo. Foi preparado então um evento de degustação na UDESC. O peixe-espada já era conhecido por algumas pessoas que participaram do evento, embora não seja consumido normalmente em suas casas. O peixe-espada é uma espécie apreciada por restaurantes do litoral central e norte de Santa Catarina para a preparação de iscas. Já a guaivira não era conhecida por nenhum dos participantes, e o sabor deste peixe foi uma grande surpresa.
 Como aprendizado para os realizadores e para os participantes ficou a percepção de que talvez a mudança que tanto cobramos tenha que começar por nós, consumidores. O fato de só consumirmos um pequeno número de espécies, e insistirmos em comprá-las mesmo quando estas encontram-se ameaçadas acaba nos impedindo de conhecer novas possibilidades de consumo. Dar uma chance a novas espécies em nossa mesa pode ajudar a tirar um pouco da pressão das espécies mais consumidas. Pense nisso!

NA PRAIA...

 Sigmund Freud e Carl Young, ainda tentando explicar...

MANEMÓRIAS


TRAPICHE NO CONTINENTE...
Florianópolis/SC.
Ao fundo a Ilha de Santa Catarina (ano de 1919).

OUTROS CARNAVAIS

Final dos anos 90 no famoso Carnaval do Mar, 
no Pântano do Sul.
Cartaz de Andrea Ramos.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

MAR - CAIS

Imagem relacionada


terminou a espera
o barco não se fez ao mar
ficar também é navegar

(Fernando Alexandre)

MANEMÓRIAS

Foto Amnésio Krônico
Miramar com canoas - começo do século passado

APOITADA...

Foto Fernando Alexandre

NA PRAIA...

"O arqueólogo é o melhor marido que uma mulher pode ter; quanto mais velha ela fica, mais interesse ele tem por ela."
Agatha Christie

Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976)

NOITE INDO, A MANHÃ SENDO...

Foto Alcides Dutra
Amanhece no Pântano do Sul!

SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?

Foto Amnésio Crônico

Grande lanço de tainhas nos anos 40 - Praia de Canasvieiras.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

MAR-CAIS

Resultado de imagem para Bambuzal na praia
Céu azul
Sol e mar
Espreitam o bambu
(Fernando Alexandre)

OUTROS CARNAVAIS!

Final do século passado no Pântano do Sul. Quem viveu não esquecerá jamais!
Cartaz da Andrea Ramos

OUTROS CARNAVAIS


Foto de Ferrari
Carnaval na Ilha, 1917
Carro de mutação da“Sociedade Carnavalesca Filhos de Minerva”

VELEJANDO NA CHINA!

Os mestres e os segredos do vento!

NA MEMÓRIA DAS ONDAS

O jornal britânico The Guardian foi buscar na década de 20 o primeiro vídeo de surf já registrado no Reino Unido. O ano era 1929 e o método, rudimentar.
Inspirado nos filmes australianos, um grupo de três amigos desbravou as ondas de Newquay, Inglaterra, com pranchas feitas pelo pioneiro Lewis Rosenberg.
As imagens estavam sob os cuidados de Sue Clamp, filha de Rosenberg, que depois da descoberta entregou o material ao Museu Britânico do Surf, localizado em Braunton.
O The Guardian foi em busca dos protagonistas do vídeo e entrevistou Harry Rochlen, pioneiro do surf na terra da rainha e que participou da sessão em Newquay.

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

NO PANTUSÚLI, ABANA QUIÉ UM LANÇO!

Nenhum texto alternativo automático disponível.
Por mais um ano estamos nos preparando para o 🎊Bloco Abana quié um lanço🐟" e queremos convidar a todos para comprarem a nossa camiseta e se juntarem conosco!!
No início do ano, nosso bairro teve o Restaurante Pedacinho do Céu destruído por um incêndio, por isso, para ajudar a Dona Zenaide (ela que sempre nos ajudou e que foi a primeira homenageada do bloco em 2015), nós faremos a concentração do bloco lá no espaço onde ficava o restaurante, para que ela venda seus quitutes e bebidas e assim, ir aos poucos reconstruindo o bar.
Nossa concentração e nosso desfile nas ruas da comunidade serão animados pela "Banda Musical Arte Show", grupo instrumental que tocará as tradicionais marchinhas de carnaval.

As camisetas já estão a venda e custam R$ 20,00 por pessoa, podendo ser adquiridas com o pessoal da organização. 

A marchinha do "Bloco Abana Quié um Lanço", e assim como nos outros anos, homenagearemos pessoas da comunidades, trazendo nesse como homenageados o Sr Domingos Souza, pescador da nossa comunidade, que foi um dos grandes vigias da tainha, e o Sr Dinho de Oliveira, pessoa conhecida do carnaval da nossa comunidade e criador de um dos blocos mais tradicionais do carnaval do Pântano do Sul, o "Bloco Mané Dinho". Dessa forma, valorizamos a nossa gente, nossa cultura e tradições.
A concentração no PEDACINHO DO CÉU se iniciará às 18h30min e o desfile pela rua previsto para às 21h30min.

Segunda de carnaval, dia 27, às 18h30min no Pântano do Sul!
🎉 Junte os amigos e venha festejar com a gente!!!🎉


O VENTO QUE MUDA!



Foto Fernando Alexandre

"Vento sul suja,
vento sul limpa"
(Dito Popular)

SEM DOR!


O 'Conus regius' vive nas águas do Caribe e diante das costas da América do Sul. 

O veneno deste caracol alivia as dores mais intensas

Substância poderia ser uma alternativa aos opioides usados para combater as dores mais intensas


O futuro dos analgésicos pode estar no fundo do mar. Ali, nas cálidas águas do Caribe, vive um caracol venenoso que tem em sua boca uma espécie de arpão com o qual ataca suas vítimas. Esse veneno poderia ser uma alternativa aos fármacos opioides usados atualmente para combater as dores mais intensas. Um de seus componentes provou ser eficaz aliviando a dor em ratos tratadas com quimioterapia.

Os caracóis-do-cone vivem nos mares tropicais. Das quase 700 espécies existentes, uma centena é venenosa. Há algumas, como o Conus geographus, que usam a insulina que segregam para provocar um ataque hipoglicêmico em suas presas antes de devorá-las tranquilamente. Os cientistas estão há décadas estudando os componentes de seu veneno. Formado por mais de 100 neurotoxinas, todas juntas podem matar um humano, mas, individualmente, algumas podem ser sua salvação.

É o caso do composto RgIA4, sintetizado a partir de una molécula do veneno do caracol Conus regius, o cone real. Este peptídeo parece impedir a transmissão dos sinais de dor por parte dos neurônios. E faz isso sem ter que usar os chamados receptores opioides da membrana das células nervosas que respondem à ação de opioides endógenos, criados pelo cérebro, mas também aos exógenos (ópio, morfina...).

Veneno do caracol-do-cone é formado por mais de 100 neurotoxinas

Os analgésicos feitos com base no ópio ou em sua síntese são imprescindíveis para aliviar a dor pós-operatória ou oncológica, dores tão intensas e imediatas que deixam em um segundo plano os dois grandes problemas dos opioides: desenvolvimento de tolerância (cada vez são necessárias mais doses para o mesmo efeito) e dependência. Somente nos EUA há 12 milhões de pessoas que abusam do fentanilo, da buprenorfina ou da oxicodona, ou se tornaram dependentes deles. Daí as esperanças depositadas no veneno desses caracóis.

"O RgIA4 atua em uma rota completamente nova, o que abre a porta a novas estratégias para tratar a dor”, diz em uma nota o professor de psiquiatria da Universidade de Utah e coautor da pesquisa, Michael McIntosh. Em vez de agir sobre os receptores opioides, este composto atua sobre dois receptores nicotínicos localizados na membrana celular que interagem com um neurotransmissor, a acetilcolina. “Estamos convencidos de que os fármacos que trabalharem com essa rota poderiam reduzir o custo do uso dos opioides”, acrescenta.

O caracol 'Conus geographus' usa uma nuvem de insulina para imobilizar suas presas.
 foto BALDOMERO OLIVERA

Os pesquisadores, que publicaram seus resultados na revista PNAS, projetaram 20 análogos (compostos com quase a mesma estrutura química) ao peptídeo original do veneno até encontrar um que pudesse inibir com eficácia esses receptores nicotínicos. Para comprovar isso, usaram ratos para reproduzir o circuito da dor. Um grupo deles foi tratada com oxaliplatina, um agente de quimioterapia que tem o efeito de converter uma simples sensação de frio em algo muito doloroso ou uma carícia em algo desagradável.

Os animais que tinham sido inoculados com a conotoxina deixaram de sentir dor e aversão ao tato. Além disso, o efeito aparecia dentro de apenas meia hora e se mantinha em alguns casos por 72 horas. Embora sejam necessários mais estudos, os pesquisadores não viram a ação sobre essa nova rota da dor produzir tolerância ou dependência. Será preciso ainda testá-la em humanos, mas o veneno desse caracol abre um caminho para tratar a dor, especialmente a crônica ou a neuropática, sem a necessidade de recorrer aos derivados da papoula-dormideira.

(Do http://brasil.elpais.com/brasil/)

MAREGRAFIAS

Foto Geraldo Cunha

Oficina Lítica, Barra da Lagoa

NO CARNAVAL

Resultado de imagem para máscara arlequim

no carnaval

transito de arlequim
triste / sorridente

a máscara do amor
tem a cor da véspera


NA PRAIA...

VIRGINIA WOOLF NA PRAIA

BENZENDO...

Benzedeiras - ofício tradicional. Um filme de Lia Marchi.
Um filme sobre mulheres, comunidade, saúde, afeto, fé, tradição, organização popular, sustentabilidade.
Informações: contato@olariacultural.com.br

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A VOZ DO MAR


na nave língua em que me navego
só me navego eu nave sendo língua
ou me navego em língua, nave e ave.
eu sol me esplendo sendo sonhador
eu esplendor espelho especiaria
eu navegante, o anti-navegador
de Moçambiques, Goas, Calecutes,
eu que dobrei o Cabo da Esperança
desinventei o Cabo das Tormentas,
eu desde sempre agora nunca mais
cultivo a miração das minhas ilhas.
eu que inventei o vento e a Taprobana,
a ilha que só existe na ilusão,
a que não há, talvez Ceilão, sei lá,
só sei que fui e nunca mais voltei
me derramei e me mudei em mar;
só sei que me morri de tanto amar
na aventura das velas caravelas
em todas as saudades de aquém-mar.


(Geraldo Carneiro)

COZINHA D'ALEM MAR


PEIXE ASSADO ÀS POSTAS

Ingredientes
(Para 2 pessoas)

*Postas de peixe grosso - 2
*Vinho Branco - 2 colheres de sopa
*Tomate - 1 médio (limpo de peles e semente)
* Cebola - 1/2 média às rodelas
* Salsa - 1 pé
* Azeite/Manteiga - 2 colheres de sopa
* Sal e pimenta

Preparando


Seque o peixe, salpique com sal e pimenta e ponha de parte. Entretanto, frite na gordura escolhida (só azeite ou só manteiga, ou uma mistura de ambas) a cebola e o tomate, temperando com a salsa picada e um nadinha de sal. Reduza a chama e deixe apurar a cebolada durante uns 6 minutos. Deite então o vinho, mexa, ferva mais 2 ou 3 minutos e coloque este molho no fundo da assadeira.
Escorra as postas de peixe e ponha-as em cima da cebolada, cobrindo-o com um pouco de gordura. Asse no forno (temperatura média) durante uns 18 a 20 minutos. Se quiser, vire as postas a meio da cozedura ou, pelo menos, regue-as com o próprio molho um par de vezes.

(Receita de "Peixe à sua mesa", de Edite V. Phillips - Colares Editora - Sintra/Portugal)

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

MINHA PÁTRIA É MINHA PRAIA!

Foto Fernando Alexandre

TENTANDO ENTENDER...





ABESPINHAR - Picar, beliscar.
DIGERINHO - Ligeiro, rápido.
DISCONFORME - Como o combinado, correto.
FALQUEJAR – Trabalhar uma madeira bruta com enxó ou machado, deixando-a plana, com ângulos. O mesmo que fraquejar.
NÃO ISTROVA! - Não atrapalha, não complica.
NEM TE LIGO, FERRO ANTIGO! - Não te levo a sério, nem dou bola pra você!
REMÔIO – Diz-se quando uma pessoa ou animal adoece, perde o apetite, fica de cama.
TÁ COM A TICA! - Estar bravo, com raiva, impliquenta. Ex: "Quirino hoje ta com a tica".
ZABANERA - Mulher desavergonhada, puta.

MAR DO ORLANDO AZEVEDO





SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?

Foto Fernando Alexandre

Pântano do Sul, 17 de junho de 2013!

MANEMÓRIAS

 Foto Amnésio Crônico.
Morro da Pedras, anos 30. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

NÓS PRECISAMOS DE NÓS!


Festival Cultural Pedacinho do Céu // fevereiro 2017

"O Pedacinho do Céu precisa de nós e nós precisamos do Pedacinho do Céu!"

O nosso “pedacinho de terra perdido no mar” perdeu um de seus mágicos referenciais. O restaurante “Pedacinho do Céu”, localizado no cantinho do Pântano do Sul, foi todo destruído por um incêndio. Não sobrou nada. Sem seguro, Zenaide de Souza, a proprietária, perdeu seu “ganha-pão”, espaço que levou cerca de 30 anos pra conquistar e que proporcionou o sustento de seus 8 filhos.
A “Comandante” Zenaide representa a Florianópolis acolhedora, alegre, do boi de mamão, do terno de reis, dos engenhos de farinha, das rendeiras e dos pescadores. Guardiã de histórias, receitas, causos e cantorias, é uma fortaleza de saberes e conhecimentos. Amada por toda a comunidade e pelos clientes que passaram em seu restaurante, já enfrentou o vento, a água e agora o fogo. Guerreira, querida e cheia de luz, nunca desistiu e não vai desistir agora.
Toda a cidade tem se mobilizado pela causa.
 E pra fortalecer o espirito de solidariedade, pra ajudar a alcançar a finalidade que é a reconstrução desse Patrimônio Cultural, artistas se engajaram num amplo e acolhedor movimento. A palavra união tem guiado corações que querem transpor diferenças e particularidades. Múltiplos saberes, conhecimentos e atrações uniram-se para realizar o Festival Cultural Pedacinho do Céu. Toda a renda arrecadada durante os dois dias de evento será destinada para sua reconstrução. É um dos vários gestos que tem ocorrido para ajudá-la. 
Samba, forró, rock, country, música caipira, blues, poesia, livros, pintura, literatura, história e de tudo um pouco. E claro, tudo isso acompanhado de cerveja gelada e um cardápio de sabores únicos da gastronomia local.

SUL REAL

Fotos Andrea Ramos
Dançando no Balneário dos Açores pra encerrar um domingo ensolarado!
Numa ilha deserta da memória!

MAR DE TAINHAS

Foto Walkiria Pereira Kiki

Espinheiro florido no verão
Tainha de muntuêra no São João

(Dito popular praieiro)

VENTO, ÁGUA, PEDRA ...


Foto Andrea Ramos

A água perfura a pedra,
o vento dispersa a água,
a pedra detém ao vento.
Água, vento, pedra.
.
O vento esculpe a pedra,
a pedra é taça da água,
a água escapa e é vento.
Pedra, vento, água.
.
O vento em seus giros canta,
a água ao andar murmura,
a pedra imóvel se cala.
Vento, água, pedra.
.
Um é outro e é nenhum:
entre seus nomes vazios
passam e se desvanecem.
Água, pedra, vento.

Octavio Paz, escritor e diplomata mexicano
(Cidade do México, 31 de Março de 1914 — 19 de Abril de 1998)

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Na lida - Pântano do Sul

AS CANOAS DA PESCA

Gravura Hans Staden Fotos Fernando Alexandre "...As canoas bordadas, canoas construídas de um pau só, de garapuvu, de cedro. Madeiras leves. São canoas compridas, bonitas, fortes, resistentes, e são bordadas. Elas têm a borda alta, que se chama borda falsa, e depois têm as canoas borda lisa que são maciças, não têm a borda aumentada com tábuas. A bordada serve para a pesca de tainha, de anchova, de corvina, e a borda lisa é para apenas dois ou três homens e é mais usada para a pescaria de tarrafa, de camarão, manjuva, sardinha, para essas pescas. E as vezes é muito usada para a pesca de espinhel. Espinhel fino, espinhel grosso, este é mais resistente, para peixes maiores..."
 
(Franklin Cascaes - 1908/1983 - Artista, folclorista e pesquisador de cultura popular em entrevista a Raimundo C. Caruso em "Vida e Cultura Açoriana em Santa Catarina" - Edições da Cultura Catarinense - 1997)