domingo, 31 de dezembro de 2017

JACK O MARUJO


- O que o sr. espera do Ano Novo, capitão? 
- Que envelheça, disse Jack o Marujo. Quem é novo costuma fazer besteira.

NAUFRÁGIOS EM SC


Foto Salmo Duarte / Agência RBS


Pescadores e especialistas alertam para riscos escondidos nas ilhas da região Norte de SC

Pelo menos 21 pescadores em três barcos se envolveram em grandes acidentes marítimos na última semana


Leandro Junges

A pesca – amadora ou profissional – é considerada uma atividade de alto risco. Na região, onde há três pequenos arquipélagos e muitas pedras que emergem do mar, o risco tem transformado a travessia numa espécie de “Triângulo das Bermudas”. O conhecimento de navegação é considerado fundamental porque as mesmas ilhas e pedras que representam risco também são o melhor refúgio em caso de temporais ou ressacas.



— Já escapei da morte algumas vezes — diz o pescador Claudio Pereira, um mineiro que chegou a Santa Catarina há três décadas para trabalhar na Petrobras, aposentou-se e apaixonou-se pelo litoral de São Francisco do Sul. Ali decidiu viver e pescar.

Em um dos sustos, ele se viu diante de uma onda que quase engoliu o barco e o jogou nas pedras entre a Enseada e a Prainha. Em outro susto, poderia ter virado literalmente comida de tubarões, na rota dos grandes navios que passam pelos portos de São Francisco do Sul e Itajaí. 




O trecho entre as duas cidades é considerado pelos pescadores uma grande avenida do mar, onde passam navios cargueiros, transatlânticos, traineiras de pesca profissional e milhares de barcos, lanchas e enbarcações artesanais. 



Só na região entre Balneário Barra do Sul e São Francisco do Sul há pelo menos 15 pequenas ilhas reunidas em arquipélagos distintos – dos Remédios (Balneário Barra do Sul), Tamboretes (em frente à Praia Grande) e da Paz (em frente a Ubatuba).

De acordo com o oceanólogo Argeo Vanz, 47 anos, da Epagri, é comum a ocorrência de naufrágios na região por vários motivos.



Ondas podem surpreender



— As ilhas podem interferir na direção das ondas de forma diferente e aumentar a altura delas. Isso pode surpreender os pescadores, que saem da costa imaginando um tipo de onda e no arquipélago está maior — disse.


Segundo ele, além dos fatos que ocorreram recentemente na região, dois acidentes são bastante conhecidos e lembrados e ocorreram em 2009: em 30 de maio, cinco pessoas foram resgatadas; em 7 de dezembro, três. Ninguém morreu nos dois casos. Nos anos seguintes, foram registrados outros naufrágios, mas ele destaca que na maior parte das vezes não há mortes.


— Tenho o registro de seis mortes em 2008, em um naufrágio que envolveu oito pessoas. Ultimamente, as pessoas foram resgatadas com vida, o que é um ponto positivo — explicou o oceanólogo.


Além de as ondas próximas ao arquipélago de Tamboretes serem diferentes, a combinação com o vento forte é assustadora. De acordo com a Epagri, é quando ocorrem a maior parte dos acidentes do local. 


 

Solidariedade é o maior socorro dos pescadores


Quem está no mar já sabe: navegar com segurança só é possível quando outras embarcações estão se comunicando. A solidariedade é o maior socorro dos pescadores na região. 



Nos dois naufrágios que ocorreram nesta semana na região de Balneário Barra do Sul São Francisco do Sul foram os próprios pescadores que agilizaram socorro e garantiram a ajuda nas operações de bombeiros e da polícia.



— De uma certa maneira, dependemos das próprias embarcações. Não temos um socorro efetivo. Só a solidariedade — diz Bernardete Felício, sócia e operadora da Estação Costeira do Navegante, um serviço que funciona 24 horas por dia e é uma espécie de porto seguro na comunicação dos pescadores por rádio.


Com a experiência de quem atende a pescadores e navegadores por quase 20 anos, ela considera que o socorro não é eficiente porque é quase todo baseado em serviços de terra, como corporações de bombeiros e serviços de emergência de autoridades policiais, como os helicópteros da Polícia Militar ou da Polícia Rodoviária Federal.


— Quem está no mar deveria ter um atendimento mais efetivo. Mas ainda há uma salvaguarda em condições — diz.



A Marinha do Brasil, que tem lanchas e navios que podem fazer esse trabalho, não dá conta de todo o tráfego do litoral e tem atribuições que vão muito além dos salvamentos, como a própria segurança do litoral brasileiro.


(* Colaborou Carolina Dantas)
(Do A Notícia - www.clicrbs.com.br - em tempos idos)

MAR DE LILA FIGUEIREDO


Os miúdos e o grande - de Lila Figueiredo

MAR DE OLHARES

Foto Tayfun Eker

É TEMPO DE CAMARÃO

Foto Divulgação
BOBÓ DE CAMARÃO

Ingredientes

700 gr de camarão médio limpo
500 gr de aipim cozido
1 vidro de leite de coco
2 colheres (sopa) de azeite de dendê
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 cebola cortada miudinha
4 tomates maduros sem pele e sem semente, cortados em cubinhos.
1/4 de pimentão verde (opcional) sem semente
2 folhas de louro
2 colheres (sopa) de suco de limão
4 colheres de cheiro verde picado
sal e pimenta moída na hora
Fazendo...

Numa travessa coloque o camarão, o tempero verde, meia cebola, o louro, o suco de limão, sal e pimenta e o azeite e deixe tomar gosto por aproximadamente 30 min.
Cozinhe o aipim até amolecer bem, amassando-o em seguida e batendo - ainda quente - em um liquidificador ou processador com um vidro de leite de coco. Caso seja necessário coloque um pouco da água do cozimento.

Em seguida numa panela funda refogue num pouquinho de azeite a cebola restante, acrescente o tomate e o pimentão e continue refogando. Por fim acrescente o camarão temperado. Deixe cozinhar um pouco. Lembre que o camarão cozinha rápido e ele não deve estar totalmente cozido quando for colocado o aipim.

Na sequência incorpore o aipim com o leite de coco. Coloque o azeite de dendê. Faça uma correção de sal e pimenta, se necessário. Deixe cozinhar um pouco para os sabores misturarem.

Acompanhe com arroz e/ou salada.

ÚÚÚÚ!!!!


Foto Andrea Ramos


Uivando morre o cachorro
Dizia Assim meu avô
Com um peixinho na mão
São Pedro um dia falou
Pescador, tu serás pobre
Assim marcado ficou.

(Trecho de um Pasquim, literatura popular sem autor confesso)

MEMÓRIA DAS ÁGUAS


A PESCA ARTESANAL EM CANASVIEIRAS
Por José Luiz Sardá

A pesca artesanal na Ilha de Santa Catarina representou grande importância na cultura local, dentre outros motivos por permitir ao açoriano que aqui chegou a atividade de subsistência. Tinha grande importância econômica e por isso tornou-se atividade subsidiária. A única atividade pesqueira interessante comercialmente foi à pesca da baleia que durou até o começo do século XX. 

Na Ilha de Santa Catarina a partir de meados do século XIX, as principais freguesias que se dedicavam à atividade pesqueira eram Ponta das Canas, Barra da Lagoa, Canasvieiras e Campeche. 

Em Canasvieiras, vinham pescadores das freguesias de Ratones, Vargem Pequena, Vargem do Bom Jesus, Vargem Grande e Cachoeira do Bom Jesus. Os pescadores donos dos ranchos e das redes de arrastão eram de famílias tradicionais: Seo Vida, Evaldo Brasil, Nicanor dos Santos, Manoel Sardá, Joaquim da Ilhota, Zilico, Joca Rufino, João Firme, Timóteo Siqueira, Deca do Belo, Dezinho Pacheco, Leôncio e Manoel Schroeder. 

O trabalho da pesca era intercalado com da lavoura. Entre os meses de maio a julho, época da tainha, o homem deixava a roça e o engenho de farinha aos cuidados da mulher e dos filhos para sair ao mar. 

Meados do século XX a pesca vai se tornar trabalho remunerado, tornando-se a agricultura atividade subsidiária aos cuidados das mulheres e os filhos dos pescadores.

A pesca artesanal começou a perder importância entre 1940 e 1950, quando muitos homens iam anualmente trabalhar nas parelhas de pesca em Rio Grande, São José do Norte e Cassino na safra da tainha e da corvina. Em Canasvieiras foi possível sentir estas mudanças.

Apesar de raro, ainda é possível assistir a pesca da tainha e esporadicamente a de arrastão na praia de Canasvieiras. Hoje a escassez de peixe é uma constante nesta praia. Atualmente na praia de restam apenas três ranchos. Um pertence à Associação de Pescadores de Canasvieiras, que foi fundada em abril de 2005, cujo objetivo é preservar a tradição e a cultura da pesca artesanal. Outros são de nativos, que servem para a guarda dos apetrechos de pesca e esporádicas incursões ao mar.

Mergulhe fundo e veja mais no

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

TEMPO, TEMPO...


Florianópolis tem previsão de nebulosidade, chuva e calor nos próximos dias, mas com pouca possibilidade de chuva na virada do ano - Flávio Tin/ND

Ano termina com previsão de tempo nublado e calor em Florianópolis

A virada do ano na capital catarinense não deve ser com chuva, de acordo com a Epagri/Ciram

FELIPE ALVES, FLORIANÓPOLIS 

Os últimos dias do ano em Florianópolis devem ser de nebulosidade, chuva e calor. O sol será raro no litoral catarinense no último fim de semana de 2017, mas para quem vai passar o Réveillon a céu aberto tem uma boa notícia. A previsão indica que há pouca possibilidade de chuva na virada do ano e, se houver, deverá ser fraca e sem ventos fortes.

De acordo com as condições indicadas pela Epagri/Ciram (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), a sexta-feira deve ser de nuvens em Florianópolis e há possibilidade de chuva isolada durante todo o dia. Os termômetros devem marcar até 28ºC. A condição de nebulosidade (e também de chuva) continua por todo o fim de semana. “As chuvas devem acontecer principalmente durante o início e o fim do dia, sendo que no dia 31 há condição até de mais nebulosidade, mas com menos chance de chuva. É difícil afirmar que a chuva não vai aparecer, mas se ocorrer deve ser de forma mais fraca”, afirma a meteorologista Marilene de Lima.

Para quem queria encerrar 2017 com dias de sol e céu azul em Florianópolis, a meteorologista afirma que dificilmente o litoral terá grandes aberturas de sol no fim de semana. Mas quem quiser arriscar uma praia ou atividades ao ar livre com nuvens, a previsão é de temperaturas altas, beirando 30ºC. A condição de tempo mais firme com sol deve ficar mais concentrada no Oeste catarinense.

No dia 1º de janeiro, o ano começa com instabilidade no litoral. Uma frente fria avança pelo Estado e deverá trazer chuva e trovoadas para o primeiro dia de 2018. Mas logo o tempo ruim deve se afastar e, de acordo com a Epagri/Ciram, a tendência para a primeira semana de janeiro é de tempo mais seco, dias de sol predominando e poucas chances de chuva.

Previsão para Florianópolis

Sexta-feira (29)
22ºC a 28ºC

Madrugada: nebulosidade variável e chuva isolada
Manhã: nebulosidade e chuva isolada
Tarde: sol com muitas nuvens
Noite: nebulosidade variável e chuva isolada

Sábado (30)
Sol com muitas nuvens, 22ºC a 28ºC

Domingo (31)
Sol com aumento de nuvens, 23ºC a 29ºC

Segunda-feira (1º)
Sol e pancadas de chuva entre a tarde e a noite, 22ºC a 30ºC

Fonte: Epagri/Ciram

(Do https://ndonline.com.br/)

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre

ENSOPADINHO COM CHUCHU


MAR DE VERÃO

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Praias de SC com incidência de águas-vivas terão bandeiras lilás para alertar banhistas 

As praias catarinenses que tiverem incidência de águas-vivas durante a temporada de verão serão sinalizadas com uma bandeira lilás, informou o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, nesta quarta-feira, 27. A bandeira indica a presença dos animais e recomenda que os banhistas não entrem no mar, já que a queimadura causada pelas águas-vivas pode gerar dor intensa e espasmos musculares.

A cor das bandeiras leva em conta o padrão internacional de sinalização que indica a presença de animais marinhos perigosos que podem causar um tipo de ferimento, sendo os mais perigosos as chamadas Caravelas. Na praia, o pano de cor lilás é usado como uma bandeira secundária, junto com a que orienta sobre as condições do mar. 
A sinalização volta em momento propício: com o aumento de águas-vivas nas praias, o objetivo é minimizar o número de acidentes. Somente no verão passado foram registrados mais de 77 mil acidentes com estes animais no litoral catarinense, mesmo com a implementação das bandeiras lilás. A proliferação, em especial nesta época do ano, se dá porque o momento é de reprodução das espécies e, como há mais banhistas, a chance de se ferir é maior. 

Ao ver a bandeira lilás, é melhor evitar o banho de mar. 

O que fazer após a queimadura

— Aplicar vinagre é uma das soluções, já que neutraliza as células com veneno presentes nos tentáculos e, além disso, pode ajudar contra a dor.
— Caso a praia não disponha de guarda-vidas, a orientação é lavar o local com água salgada de forma abundante. Ao chegar em casa cobrir a área afetada com vinagre sobre um tecido.
— O contato com algo gelado também alivia a dor. O gelo é recomendável, mas deve estar envolto em um saco plástico, pois a água doce ajuda a liberar mais toxinas.
— Caso o ferimento continue doendo, o uso de creme com cânfora ou outro refrescante ajuda.
— Se formar bolhas, o que é raro, podem ser usados medicamentos e pomadas específicos.
— Em casos de náuseas, febre, vômito ou mal-estar, procure o posto de saúde

O que não fazer

— Esfregar a área atingida
— Passar areia, protetor solar, refrigerante ou outras substâncias
— Raspar a área
— Lavar com água doce logo após o contato.

(Do c.clicrbs.com.br/)

EMPROADA

Foto Fernando Alexandre

MAR DE PESCADOR


Ministério da Agricultura suspende exportação de pescado para UE

Medida vai valer a partir de 3 de janeiro. Auditoria de fiscais europeus encontrou irregularidades sanitárias no produto brasileiro.

O Ministério da Agricultura mandou suspender as exportações de pescado para a União Europeia a partir do dia 3 de janeiro. Uma auditoria de fiscais europeus encontrou irregularidades sanitárias no produto brasileiro.

O produto do Cassiano tinha caído no gosto dos europeus. Ovas de tainha, uma espécie de caviar brasileiro. Ele investiu US$ 50 mil divulgando as qualidades da iguaria por lá.
“Foi uma surpresa muito negativa isso pra gente, porque quando a gente consegue encaixar o produto vem uma notícia dessas que desmoraliza a gente até perante o importador”, diz o empresário Cassiano Ricardo.

De janeiro a novembro, o Brasil exportou 6 mil toneladas de peixes, crustáceos e moluscos para a União Europeia e faturou quase US$ 22 milhões, pouco mais de R$ 72 milhões. Ceará, Pará e Santa Catarina lideraram as exportações.

A União Europeia já vinha questionando a qualidade do pescado brasileiro. A auditoria mais recente foi feita em setembro de 2017. Os europeus criticaram as condições sanitárias de barcos de pesca e também indústrias que processam o pescado destinado à exportação.

“No litoral do Sul do Brasil, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, visitaram dez empresas e, dessas dez empresas, em seis delas foram identificados problemas significativos para que eles suspendessem, então, de imediato essas seis empresas. Na verificação in loco dos estabelecimentos, identificaram falhas estruturais, uma falta de um forro, vidros quebrados, algumas identificações dentro do processo. Esses achados dos europeus foram suficientes pra que eles levantassem essa bandeira de preocupação”, diz Luiz Eduardo Rangel, secretário de Defesa Agropecuária.

Em Itajaí, maior polo pesqueiro do país, a decisão do governo pegou de surpresa os donos de indústrias e barcos.
“Se o governo sabe que existe problema em seis empresas pontuais, então que venha conversar, resolve-se o problema dessas seis, mas as outras continuam. A exportação brasileira não pode parar”, diz Jorge Neves, do Sindicato dos Armadores e Indústrias da Pesca de Itajaí.

A medida também vale para os peixes de cativeiro, como a tilápia, que não chegaram a ser fiscalizados pelos europeus.
O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura pediu ao governo que reverta a decisão.

“A nossa preocupação com esse processo não é somente com a paralisação da União Europeia. É principalmente a contaminação para outros mercados”, explica Francisco Medeiros.

O Ministério da Agricultura trabalha num plano para corrigir as falhas apontadas na auditoria. A ideia é acabar com a suspensão o mais rápido possível.
“O ministério vai agora mudar, inclusive, a sua forma de fazer a fiscalização, intensificando modelos de fiscalização que preservem essas exigências, esse nível de excelência que o europeu gostaria de ver e aí todo mundo ganha com isso inclusive consumidor brasileiro”, diz Luiz Eduardo Rangel.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

MALHEIRAS

Foto Geraldo Cunha

MAR DO PAULO GOETH

Onde o sol nasce primeiro - Morro das Pedras

CANOAS CAIÇARAS


OUTROS MARES...LUGARES!


que à terra volta o que da terra veio
com ela se confundem desde sempre
são o seu rosto o seu corpo vivo

o tempo rasgou-lhes na face
os sulcos onde semeou ternura
e amor
pelas coisas simples
água terra fogo

amam tudo
que natural é assim ser
o milho os animais o chão
amam-se
entre luz e sombra
repartem o dia
porém

tudo iluminam
quando sorriem
são ainda a fala da terra

(Poema de ahcravo - http://ahcravo.wordpress.com/
)



Fotografia de Jorge Bacelar (https://www.facebook.com/jorge.dora)

Murtosa Tube 

ESCRAVOS DO BRASIL


A busca por destroços de naufrágios que podem recontar a história do envio de escravos às Américas

Pesquisadores estão em busca dos destroços de navios negreiros que afundaram enquanto transportavam homens, mulheres e crianças africanas que seriam escravizadas nas Américas.

Uma equipe de arqueólogos mergulha em busca desse pedaço da história no Senegal. Eles esperam identificar os navios naufragados com base nos poucos registros da época e em arquivos.

Estima-se que milhares de pessoas foram mandadas da África para serem escravizadas nas Américas, em especial no Brasil, entre os séculos 16 e 19.

O professor responsável pelo projeto acredita que a pesquisa vai ajudar a entender melhor a história da África.

“As travessias do Atlântico ainda são um ponto obscuro da história, e não foram bem documentadas”, afirma Ibrahima Thiaw, diz o arqueólogo da Universidade de Dakar.

“É importante aprender mais sobre esse período, porque o cordão umbilical entre a diáspora e a África foi cortado”, completa.

O projeto começou há três anos. E os participantes contam que, no início, não foi fácil.

No barco usado pela equipe para os mergulhos, Aïcha Kamite, estudante de arqueologia e integrante do projeto, diz que no início nem nadar sabia.

"Nosso primeiro ano foi muito difícil para a equipe", relata.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

NAVEGAR É PRECISO

Imagem sem crédito

MAR DE BRUXAS?

Fotos Andrea Ramos
Tia Ilda Maria, do Pântano do Sul, uma das últimas benzedeiras da ilha, benzendo redes da pesca!
A FÉ QUE CURAVA DOENÇAS

"Os primeiros tempos isolados do poder central e vivendo num ambiente inóspito, os primeiros imigrantes açorianos instalados na Ilha de Santa Catarina tinham na fé o principal recurso contra as doenças que afligiam a população na primeira metade do século XVIII. Benzedeiras e curandeiros eram a tábua de salvação para todos os males que atingiam os moradores da colônia.

A fé em um Deus supremo e a sorte regiam os lares dos primeiros imigrantes açorianos instalados na Ilha de Santa Catarina na primeira metade do século XVIII. Nesse tempo quando uma pessoa caía doente, acometida por qualquer um dos inúmeros males que rondavam a então escassa população ilhoa, a saída era recorrer às receitas caseiras de chá e ervas ou rezar muito.

Diante dessa quase ausência de chances de salvação, um recurso era buscar conforto nas práticas nada ortodoxas – e sem base cientifica – do curandeirismo e das benzeduras. Mesmo que sustentadas em conhecimentos empíricos e crendices, as ações de leigos com status de doutores se convertiam na última saída para quem quisesse salvar o enfermo da condição de entrevado ou da morte iminente. Os registros históricos são pródigos em narrativas sobre as enormes dificuldades enfrentadas pelos colonizadores. Desde os relatos dos viajantes navegadores europeus até estudos mais recentes feitos por pesquisadores, todos reforçam os desafios da terra nova, desconhecida e assustadora.

Respeitado pesquisador da cultura açoriana, Franklin Cascaes (1908-1983) reproduziu, por meio de peculiar e curiosa narrativa, o drama vivido pelos doentes nos primeiros tempos da imigração:
[...] Nesses tempos longínquos, na Vila Capitali, nem havia doutore (s) de dar remédios. As boticas eram pobres e o atendimento era feito por boticários que, na maioria das vezes, mal sabiam soletrar o be-a-bá. Ora, em situações de desespero, com relação a doenças que atacavam e corroíam o organismo humano até dá-lo à morte, o jeito mesmo era recorrer a Deus e aos Santos e, consequentemente, aos benzedores curandeiristas que existiam, e ainda existem entre as populações como figuras mitológicas respeitadas e, às vezes, muito xingadas, porém, sempre procuradas em ocasiões de desespero e desesperança como a única estrela de salvação[...]

[...] Os curandeiros substituíam os doutores das vilas e cidades, vivendo o espírito curandeirista e espiritualista de seus antepassados, receitavam e ainda receitam verbalmente plantas medicinais, extraindo, por meio de um processo de cozimento ou de infusão, princípios medicamentais. Usavam e ainda usam aplicações em forma de cataplasma ou de sinapismo de seivas, folhas ou frutos para atalhar o avanço das moléstias que, até nos dias em que vivemos, atacam e destroem os organismos químicos que mantém a vida nos corpos de argila humana crua. Quando bispavam que as doenças que atendiam eram males espirituais de inveja, de quebranto e muitos outros, recorriam às virtudes de poderosas benzeduras, que aprenderam com os mais velhos e respeitados curandeiros vindos entre levas de colonos, seus ascendentes, lá das Ilhas dos Açores, pra mó de viverem nesta terra abençoada, acolhedora e fantástica [...]

*Texto extraído do livro “A Saúde em Florianópolis – das benzeduras na Velha Desterro aos novos conceitos de promoção de saúde”. Coordenação de Edevard J. de Araújo - 2010

(Pesquisa e edição de José Luiz Sardá)

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

MAR DE TARCILA DO AMARAL

Tarcila do Amaral

VEIARADA....

MANEMÓRIAS


MEMÓRIA DE INGLESES



Conta à história que a origem do bairro de Ingleses é atribuída ao naufrágio de uma caravela inglesa ocorrido na metade do século XVIII em frente à Ilha denominada Mata-Fome. Esta ilha serviu de abrigo aos náufragos, e alguns destes sobreviventes constituíram famílias com as nativas daquele lugar. Naquela época, era um povoado bastante habitado e todos se agrupavam em torno da pequena capela consagrada a Nossa Senhora dos Navegantes. Através de decreto em 1831 a vila passou a condição de Distrito.

Está capela foi construída em 1881 sobre os cômoros de areia, por um abastado lavrador. Na década de 1960, foi demolida com o objetivo de construir uma igreja maior, devido ao aumento da população. A festa de Nossa Senhora dos Navegantes, atrai multidões de romeiros e devotos vindos das circunvizinhanças, e até hoje é realizada anualmente.

A ocupação desta freguesia tipicamente açoriana deu-se através do núcleo original e dos principais caminhos. A partir daí, foram surgindo vielas e becos secundários abertos sobre as planícies das Aranhas e do Capivari. A vila original era cercada pelas dunas e pelo mar, com modestas e singelas casas. Algumas cobertas de sapé, mas a maioria delas e dos ranchos de pesca eram com telhas de calhas.

Os mais antigos contavam que as telhas “francesas” eram consideradas de luxo. As paredes externas de alvenaria, as divisórias internas na maioria de madeira e não tinha forro. Portas e janelas de madeira maciça, depois surgiram os vidros e as venezianas. Os banheiros junto às residências, só começaram a existir a partir dos anos 70.

Está região se desenvolveu a partir do Distrito do Rio Vermelho. Sua localização serviu no inicio como posto de reconhecimento de embarcações que chegavam pelo lado norte da Ilha. Era uma vila de pescadores e agricultores, que se dedicavam a maior do tempo à agricultura, e também com a pesca, principalmente na época da safra da tainha e da anchova. Os engenhos de farinha e de açucar dominavam paisagem local, mas na década de 70 estas atividades deixaram de existir. Os engenhos de açúcar não eram tão expressivos quanto aos de farinha e desapareceram nos idos dos anos 60.
Ao longo dos anos na estrada principal que ligava as freguesias e arraiais de Canasvieiras, Ponta das Canas e São João do Rio Vermelho, foram surgindo às habitações, “vendas” e armazéns com comércio de secos e molhados e outros negócios. Naquele tempo, a atividade pesqueira era intensa, foram construídas as “Salgas” (tipo de armazém que estocava e comercializava o pescado). No final da década de 80, as terras que serviram para a agricultura, foram parceladas e transformadas em loteamentos e condomínios. Os acessos para chegar até Florianópolis eram difíceis, a pé, a cavalo ou de carroça. Outra opção era ir até Ratones e seguir de barco pelos meandros do Rio Ratones chegando à baía norte, alcançando o mar até a cidade de Desterro.

Enquanto no Distrito Sede, acontecia o declínio nas taxas de crescimento populacional, a região norte da ilha começava a experimentar o explosivo desenvolvimento urbano-turístico. A implantação da SC 401 forçou o governo estadual e municipal a investirem em equipamentos para atender as demandas de moradores, visitantes e turistas, começando com a construção da SC 403.

O “boom” do turismo no balneário de Ingleses trouxe profundas modificações, tanto para a população nativa como para o meio ambiente, transformando a bucólica e pacata vila de pescadores. Os valores, os costumes e as atividades de agricultura e de pesca, foram substituídos pelo turismo, pela especulação imobiliária trazendo prejuízos ao meio ambiente. Este crescimento imobiliário, fez das antigas “vendas e salgas” e moradias localizadas ao longo das principais estradas, serem substituídas por novos equipamentos comerciais como; supermercados, restaurantes, shopping, empreendimentos imobiliários, hotéis resorts, pousadas, conjuntos habitacionais, loteamentos e serviços diversos.

O turismo e as atividades a ele relacionadas, passaram a representar importante fonte de renda à população da região. Contudo, ao longo dos anos, a falta de planejamento e rigor na fiscalização por parte dos órgãos públicos, originou o crescimento desordenado e as ocupações irregulares, afetando diretamente o meio ambiente, gerando problemas sociais de toda ordem.

O processo de ocupação deu-se de forma muito rápida, com o altíssimo adensamento, gerando significativas modificações estruturais, sociais e culturais na região. A vinda de turistas trouxe profundas modificações, tanto para a população nativa como para o ambiente natural. O turismo e as atividades a ele associadas, passaram progressivamente a representar importante fonte de renda.

A partir de 1980, a região de planície do Sitio do Capivari teve significativo aumento com a migração de gaúchos, paranaenses, paulistas e catarinenses do interior. Áreas de dunas foram invadidas pela população de baixa renda, originando grandes bolsões de pobreza.

Em 1990, o turismo atingiu o auge com a chegada em massa de turistas estrangeiros, sobretudo argentinos, uruguaios e paraguaios, beneficiando os nativos com a supervalorização de imóveis, principalmente aqueles próximos a orla e no acesso principal ao bairro.

A bucólica e pacata vila de pescadores transformou-se com as alterações do parcelamento original da terra. Os costumes da atividade de agricultura e da pesca, foram substituídos pela atividade turística e a especulação imobiliária. A região passou a vivenciar o explosivo desenvolvimento urbano-turístico.

Nos últimos anos, a contínua e acentuada ocupação, a expansão urbana desordenada e sem planejamento, originou problemas de ordem socioambientais. Dentre eles: A ocupação do cordal praial, comprometendo os ecossistemas litorâneos, poluição do mar, rios e córregos, das construções sobre os 30 metros de área de Preservação Permanente - APP nas margens do Rio Capivari, dunas ocupadas com construções irregulares, banhados aterrados e vegetação de restinga da orla devastada.

MANEMÓRIAS

Foto Ninguemsabe Onome
Praia de Fora - hoje beira-mar- em 1963

domingo, 24 de dezembro de 2017

NA TRILHA DO SOL

Expedição científica pela praia do Saquinho nesta sexta-feira - Divulgação/ND

Pesquisador faz expedição científica em grupo por oito praias de Florianópolis

A proposta é conhecer as inscrições rupestres milenares e precisos alinhamentos das pedras com o sol espalhados pela Ilha

KARIN BARROS, FLORIANÓPOLIS 

Começou nesta sexta-feira (22) e segue até o dia 30 de dezembro a primeira expedição científica pelas inscrições rupestres milenares e precisos alinhamentos das pedras espalhadas por Florianópolis. A proposta é acompanhar o cientista Adnir Antônio Ramos em campo, nativo pescador e antropólogo, que estuda há 30 anos o assunto e é referência em Santa Catarina. 

A primeira trilha feita pelo grupo formado pelo número limitado de até 20 pessoas foi a do Saquinho, um caminho inédito, onde foi observado pela primeira vez o alinhamento das pedras ao nascer do sol. A organizadora Juliana Jeremias Capistrano explica que os lugares escolhidos - ao todo oito -, são especiais para quem tem interesse em conhecer a história dos povos de mais de seis mil anos atrás e fazer experimentos científicos. 

As partidas acontecem às 5h para que o grupo esteja próximo das pedras no horário que o sol nascer, perto das 6h20. “O solstício de verão é o momento em que o sol está mais próximo da terra, e quando ele nasce os raios fazem um alinhamento perfeito com as inscrições rupestres. Embora seja uma pesquisa que existe a muito tempo, muita gente não conhece esses calendários solares e, para mim, os verdadeiros mistérios da Ilha”, diz Juliana.
Mapa das trilhas previstas para a expedição - Divulgação/ND

Além das questões astronômicas citadas no bate-papo que ocorre na trilha com o cientista, também é levado em consideração o lado espiritual. Segundo o organizadora, as comunidades dos povos antigos utilizavam esses locais para rituais sexuais, religiosos e de colheita de alimento, por exemplo, e esse pontos eram apropriados para ocorrer o alinhamento de todas as tribos da Ilha e do país em pontos distantes e ao mesmo tempo. 

O estudo de Adnir ainda está em fase de conclusão, mas essa expedição é um mote mais forte para o trabalho ser encaminhado a Unesco e ser reconhecido como patrimônio histórico do mundo. “O acervo rupestre do litoral de Florianópolis é algo diferente no mundo, não existe nada igual”, afirma ela. 

A jornada Expedições Científicas nas Montanhas Sagradas da Ilha de SC contempla ainda as trilhas da Barra da Lagoa, Pedra do Frade, Lagoinha do Leste, Santinho, Praia Brava e Ponta do Gravatá. Cada uma possui extensão média de 3,5 quilômetros de desafio moderado à difícil em alguns trechos. Indicadas para todas as pessoas que gostem de caminhar e contemplar a natureza, e crianças a partir de oito anos acompanhadas de um adulto. As expedições dependem das condições climáticas pela manhã. O investimento por adulto é de R$ 50 e criança de 8 a 12 anos é de R$ 30. 

Informações pelo telefone (48) 99142-0603 - Juliana Jeremias Capistrano

(Do https://ndonline.com.br/)







CENA CARIOCA
Peixe cai na cabeça de pedestre que andava pelo... Centro do Rio
POR ANCELMO GOIS
Ontem, no fim do expediente, um um pedestre andava pela Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, quando caiu, sobre a cabeça dele, um... peixe.


É que uma gaivota que passou por ali, vinda da Baía, não conseguiu segurar o bicho no bico. Tadinha da gaivota.... e do peixe.


Sem falar no pedestre!



Do Anselmo Goes, no http://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/

sábado, 23 de dezembro de 2017

MAR DO SILÉZIO SABINO

Olhar e clique do Silézio Sabino

NAVEGANTES...

Foto Andrea Ramos
Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava,
mesmo sem mar e sem fim,
mesmo sem terra e sem mim.

Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias
há sempre um copo de mar
para um homem navegar.

( Fragmento de poema de Jorge de Lima - União dos Palmares /AL - 1893 - Rio de Janeiro -1953)

BIMBALHAM OS SINOS...


FAZENDO FARINHA

Foto Rosane Lima/ND
Farinhada reúne vizinhos no último engenho tradicional movido a boi no Sul de Florianópolis
Moradores do Sertão do Peri e da Armação do Pântano do Sul mantêm tradição das farinhadas como meio de subsistência e resgate histórico

por Edson Rosa
Com o rosto maquiado pelo pó branco que encobre as engrenagens de madeira, o agricultor Sidnei Izidro Martins, 63 anos, precisa ser ágil para remexer a farinha torrada no fundo do forno de cobre. Ao mesmo tempo, faz o aboio e não deixa o novilho Baiato perder o ritmo no andame. Uma hora depois, está pronta a primeira fornada do dia.

Forneiro dos bons, Sid é o encarregado de dar o ponto à farinha produzida artesanalmente no único engenho movido a boi em funcionamento no Sul da Ilha. E um dos dois últimos de Florianópolis – o outro é mantido pela família Andrade, no Caminho dos Açores, em Santo Antônio de Lisboa, ao Norte.

“Alguns experimentam no paladar, mas eu sei quando está pronta pelo cheiro. Aprendi com meu pai, na infância. Cresci fazendo isso”, diz com simpatia e simplicidade características de quem sempre viveu no Sertão do Peri.

O resgate da tradição do engenho é como uma festa em família na pequena comunidade rural, escondida entre os morros que separam os distritos de Pântano do Sul e Ribeirão da Ilha. Lá em cima, de onde descem as principais nascentes da Lagoa do Peri, passado e presente se confundem.

Enquanto o forneiro toca o boi na roda, os demais se dividem nas tarefas secundárias da farinhada. Em meio a antigas cantorias, piadas e muitas gargalhadas, os homens cuidam da roça, enquanto mulheres e crianças raspam as raízes que mais tarde serão repassadas ao sevador ou ralador.

Outras, se encarregam da alimentação da turma. É o que faz Osvaldina Maria Barcelos, 60 anos, irmã de Sidnei e especialista em assar bijus - espécie de bolacha feita de massa temperada com sal, açúcar, cravo, canela, erva doce e fubá. Dona da casa, Maria Aparecida Barbosa, 55, a Cota, prepara o almoço farto bem temperado. Faz galinha caipira ensopada, tainha frita, arroz, feijão e, é claro, pirão de farinha.

Militar aposentado realiza sonho e preserva história

Criado na roça, o policial militar aposentado Jaime Antônio Duarte, 77, despista, mas não esconde o orgulho. Foi ele quem montou todas as peças que movem a engrenagem de madeira e fazem funcionar o único engenho de farinha tradicional do Sertão do Peri e do Sul da Ilha – os outros dois em substituíram o boi pela energia elétrica.

A réplica perfeita dos antigos engenhos coloniais, em extinção diante do acelerado crescimento urbano da Ilha, lhe consumiu dois anos de trabalho, concluído em 2006. Machado, facão e enxó foram ferramentas utilizadas para esculpir a madeira e montar as peças no interior casarão de tijolos maciços construído no terreno do amigo e também militar reformado Ailton Bonifácio Barbosa, 58.

Reconstituir um engenho colonial era um sonho antigo deles. “Fomos criados deste modo, e não queremos mudar o jeito de viver. É uma forma de reunir os amigos e preservar a história”, diz Jaime, enquanto demonstra habilidade no ralador. “No engenho são necessários três trabalhadores. Um na prensa, um no forno, e o melhor no sevador”, brinca.

Despojado, Jaime Duarte poderia ser dono da propriedade, mas está feliz ao ver o amigo Ailton tocar a farinhada. O engenho, segundo ele, está em boas mãos e cumpre à risca seu objetivo. “Queremos manter viva a história do lugar e servir aos vizinhos que cultivam a mandioca. Aqui se produz pouco, para consumo familiar. Mas é com qualidade, alegria e tradição”, completa.

Fornada resgata mutirão comunitário

Cada fornada demora pelo menos dois dias e, mais do que a tradição, preserva o espírito comunitário no Sertão. As roças são individuais, mas a produção é coletiva. “Um ajuda a fazer a farinha do outro, inclusive o dono do engenho”, explica Sid, antes de substituir Baiato por Moreno, novilho novo e igualmente de bom ritmo no andame.

Nesta semana, a primeira fornada é resultado da roça cultivada por Romário Darci Barcelos, 29, que conta com ajuda da mulher Vera Lucia da Silva, 41. Vizinhos, como Silvio Alípio Duarte, 36, e Vilma Felipe, mulher de Sidnei, participam do mutirão.

Depois da roça de Romário, será a vez da produção do forneiro Sidnei virar farinha. A última fornada do ano no engenho que ganhou o nome de Jaime Antonio Duarte, em homenagem ao construtor, será com mandioca arrancada das terras do próprio Ailton. “É uma alegria enorme ver isso funcionando”, diz. E, agradecido, dá um abraço apertado no amigo.

Para a dona Diquinha, 88, visitar o Sertão do Peri na manhã de ontem foi como uma volta ao passado. “Meus pais também tinham engenho, e matei a saudade”, disse, sentada em um dos banquinhos de madeira para ajudar na raspa da mandioca.

Tempo de farinhada Engenho colonial

Passo a passo

1-   Colheita e transporte do aipim ou mandioca em carro de boi até o engenho

2-   Homens e mulheres sentam-se junto ao monte para raspagem das raízes

3-    Próximo passo deixar as raízes de molho em água

4-   Hora de levar as raízes ao sevador, ou ralador

5-   A massa é colocada em tipitis (espécie de balaios), ou barricas de madeira, e levada à prensa

6-   Depois de prensada e seca, a massa é esfarelada em coxo de madeira, e peneirada

7-    Aos poucos, a massa é levada ao forno para ser torrada em 45 minutos, em média

Medidas

Alqueire – 22 quilos

Meio alqueire – 11 quilos

Uma quarta – 5,5 quilos

Meia quarta – 2,75 quilos

Salamim – 1,35 quilo

Vocabulário

Almanjarra - Madeira curva que liga o peão da roda a cangalha 


Andame - Caminho por onde o boi passa no trabalho do engenho em geral é forrado com capim 


Antrolhos – Venda colocada nos olhos do boi para que rode no andame

Biju – Espécie de bolacha de farinha, temperada com sal, açúcar, cravo e canela e fubá, e assada após a fornada


Canga – Suporte de madeira com dois rebaixos para juntar os bois no carro

Cangalha – Canga colocada na almanjarra para que o boi trabalhe no andame

Canzil – Cada um dos dois paus da canga, entre os quais o boi mete o pescoço 

Fuso – Parafuso de madeira que ira fazer pressão na prensa

Hélice – Pá do forno que tem duas pontas e um rodete embutido para mexer a farinha no forno 

Paiol – Local destinado a estocar a farinha depois de pronta

Peão de roda – é o mastro que segura a roda bolandeira

Prensa – Local onde se coloca os tipitis para retirar a água da massa da mandioca

Roda bolandeira – Roda grande do engenho

Rodete – Engrenagem de madeira em forma de dente com finalidade de tocar o engenho

Sevador – Peça ou pessoa encarregada de ralar a mandioca

Tipiti – Cesto feito de taquaras usado para colocar a massa da mandioca na prensa