domingo, 21 de junho de 2020

DE OLHO NO MAR - OS VIGIAS

Foto Fernando Alexandre

Sempre colocados nos pontos mais altos das praias, os vigias batem o olho nos cardumes e acenam com seus casacos para que os camaradas cerquem o peixe. São eles também que orientam o cerco e dizem quantas canoas e redes são necessárias, de acordo com a quantidade de tainhas que se aproximam da praia.
No Pântano do Sul, a observação é feita de dois pontos fixos no alto dos comoros - as dunas - e de bicicletas que circulam com os vigias por toda a praia. Na vigia principal, chamada de Sêo Domingos (em homenagem a um dos melhores e mais antigos vigias já falecido), fazem plantão o Piranha, o Sérgio, Sêo Carlinhos, Mamão, Arantinho, Nequinha, o Bá, e o Ninico, entre outros. Na vigia dois, o Amarildo, Vadinho, Zequinha e Toninho do Alécio. Pela praia, circulando de bicicletas estão o Roberto, Sêo Odi e o Amaro.

Na pesca da tainha, os vigias são peças fundamentais. São eles que avistam os peixes e orientam os camaradas na praia para realizarem o cerco. Pescador desde pequeno, historiador, dono de restaurante e também vigia, Arante Monteiro Filho, o Arantinho, fala da importância dos vigias na pesca da tainha.
José Ercílio Gonçalves, o Piranha, é um dos mais experiêntes vigias do Pântano do Sul. Nascido no Campeche há 59 anos , ele está na pesca desde os quatorze. De sóli parido a sóli murrido ele está lá na vigia, concentrado nos cardumes e de olhos fixos no infinito. Hoje, é um dos poucos camaradas que vivem exclusivamente da pesca. É um pescador profissional. Sem descuidar do mar, ele explica como é que vê os peixes.

DE OLHO NO PEIXE!

        
Vigias na Praia do Campeche!
(Via Silézio Sabino) 

E A TAINHA VIROU SASHIMI


sábado, 20 de junho de 2020

NOTURNA

Foto Fernando Alexandre
"Terezinha" na noite, na espera e na espreita!

TAINHA CHIQUE!

Foto Alavarélio Kurosso?RBS
Ingredientes
1 tainha de 2kg, cortada em filé com pele de 200 gramas e com a ova 
50 ml de manteiga derretida 
Sal e pimenta a gosto 

Modo de fazer 
1. Grelhe a tainha com o lado da pele para baixo
2. Tempere com sal e reserve. 
3. Retire a membrana da ova. Em seguida, misture a ova com a manteiga, sal e pimenta.
4. Coloque a mistura em cima do filé da tainha e leve ao forno a 200 graus por aproximadamente 7 minutos. Sirva em seguida acompanhada de arroz e pirão.

(A sugestão é do chef Alysson Müller)

MAR DE INVERNO

Foto Fernando Alexandre

MANEMÓRIAS

Foto Ninguem Sabonome
Pântano do Sul - Verão 1967

quinta-feira, 18 de junho de 2020

TAINHA NA TELA

A Pesca da tainha acontece entre maio e julho, na costa catarinense. A captura desse peixe saboroso faz parte da cultura da ilha.
O documentário mostra todo este processo, na praia do Campeche, Sul da Ilha de Santa Catarina!
Um documentário do Ademir Damasco!

quarta-feira, 17 de junho de 2020

VIAJANTES DO FRIO

Pinguins chegam para mais uma temporada – Foto: Arquivo/R3 Animal/Divulgação/ND

Pinguins chegam ao litoral catarinense para mais uma temporada

Em sua maioria, são pinguins em seu primeiro ano de vida que encaram pela primeira vez uma viagem longa

por DIANE BIKEL, FLORIANÓPOLIS

Chegaram para mais uma temporada no litoral de Santa Catarina, os pinguins-de-magalhães. Nesta época do ano eles saem de suas colônias, na Patagônia, e migram para o litoral catarinense, seguindo correntes marítimas e cardumes de peixes. 

Em sua maioria, são pinguins em seu primeiro ano de vida que encaram pela primeira vez uma viagem longa. Por isso, é comum que alguns se percam dos bandos ou tenham dificuldade de se alimentar. Desta forma, eles podem acabar debilitados nas praias. Outros, ainda, acabam morrendo. 

Já é possível vê-los nadando nas praias de Florianópolis. 

O que fazer quando encontrar pinguins na praia:

Mantenha distância e afaste os animais domésticos, eles podem transmitir doenças aos pinguins.
Se possível, use uma toalha para conter o pinguim e coloque-o em uma caixa de papelão para mantê-lo aquecido. Cuidado com o bico!
Não o alimente, não molhe, jamais coloque-o no gelo. Se ele saiu da água, pode estar cansado, desidratado, doente ou com a temperatura corporal baixa. Não o force a entrar na água.
Ligue no telefone 0800 642 3341 para que a base mais próxima do PMP-BS (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos) possa resgatar o animal.

(Do https://ndmais.com.br)

TEMPOS MODERNOS

Foto Raquel Mandelli
Nossas máscaras incomuns dependuradas...

domingo, 14 de junho de 2020

ÚÚÚÚ!!!! - TAINHAAASSSS...

 

Fotos Murilo Lula Mariano


Quando o mestre Didi da Maria Jovita ordenou a camaradagem que a canoa "Mariposa"  deslizasse nas estivas e fosse ao mar cercar os peixes, eram nove horas dessa manhã outonal ensolarada! 

Os vigias estavam abanando e o ÚÚÚÚ!!!! já corria de boca em boca pelos ranchos da praia e pelos becos e ruelas do Pântano do Sul!
Em frente ao rancho dos Arantes, "Osmarina" também cumpria o mesmo ritual e deslizava para o mar, capitaneada pelo mestre Armando!
Cercado, arrastado, contado e separado os quinhões da camaradagem e das parelhas, um total de 1.300 cabeçudas, ainda gradas e ovadas!

O cheiro de tainhas fritas e assadas invadiu os becos e ruelas do Pântano do Sul no almoço de hoje!

ÚÚÚÚ!!!!

(As fotos e informações são de nosso correspondente Murilo Lula Mariano, em beach-office!)

OS VIGIAS, SEGUNDO FRANKLIN CASCAES!


OS VIGIAS E A PESCA DA TAINHA NO PÂNTANO DO SUL

"...Além dos 20 homens que trabalham com as redes há os “camaradas vigias”. Estes são escolhidos e considerados entre a tripulação como verdadeiros técnicos na arte de enxergar o peixe nadando em direção dos lanços, isto é, lugares onde podem ser cercados com as redes. O número de vigias em Pântano do Sul é de um 20 homens, que se distribuem em volta da praia sobre cômoros e penhascos, permanecendo aí dias inteiros, vigiando com muita atenção o aparecimento dos peixes no lanço. Esses homens têm grande responsabilidade no êxito ou fracasso da pesca.

Quando um deles avista o peixe vindo em direção aos lanços, entra imediatamente “em conselho” com outros vigias para ver se convém ou não dar sinal à tripulação que está na praia aguardando ansiosamente a ordem de cercar. O peixe aparece, às vezes, em “magotes” (pequena quantidade) “fuzilando” (virado de barriga para cima), em “cano” (uma fila em direção ao lanço), em “manta” (quantidade regular), em “cardume” (quantidade maior) e finalmente, um “encarnado”, que são justamente muitos milhares de peixes. Quando o peixe entra no lanço e a quantidade é compensadora para uma boa pesca, os vigias iniciam o sinal e a tripulação que está na praia começa a correr em direção ao povoado, soltando uma espécie de clamor ou “apupo”, que ecoa pelos ares, alertando toda a população, que corre em disparada a caminho da praia para trabalhar ou assistir o espetáculo tradicional e maravilhoso que é a pesca da tainha, presente que o “Creador” vem lhes dando ano após ano desde o tempo dos seus antepassados.


SINAIS E POSIÇÕES DOS VIGIAS 
EM RELAÇÃO À SITUAÇÃO GEOGRÁFICA DA PRAIA

Combinada a ordem do sinal, os vigias entram em ação. Para dar os sinais, isto é, “abanar”, usam paletós, panos ou chapéus. Para a embarcação com a rede sair do rancho, até a “pancada da maré”, os vigias abanam à frente; para iniciar o cerco da praia até alcançar o lanço, abanam para o lado do Sul; para fazer o cerco, abanam para o lado Leste ou Oeste, conforme a posição do vigia; para fechar o cerco, abanam para o lado Norte. Para sair só uma embarcação com a rede, o vigia conserva-se no lugar onde está colocado.

Se eles calcularem o cardume que entrou no lanço em muitos milhares, então o sinal é dado da seguinte maneira: para sair outra canoa com rede o vigia desce do cômoro ou penhasco e vem colocar-se na praia junto ao mar; para duas redes, desce outro vigia e coloca-se ao lado do primeiro; para três redes, desce o terceiro e coloca-se ao lado do segundo e assim até completar o número de seis, se for preciso, e que é justamente o número de redes que eles possuem em Pântano do Sul. Quando o peixe aparece à noite, os sinais são dados dos mesmos lugares, cômoros ou penhascos, com fachos de bambus secos ou com tições, obedecendo o mesmo ritmo anterior, que é a tradição do lugar..."

(De " Crônicas de Cascaes" – primeiro volume
Fundação FRANKLIN CASCAES 
No dia 13 de junho de 1956 foi publicado a primeira crônica de Franklin Cascaes no Jornal A Gazeta, intitulada A PESCA DA TAINHA NO PÂNTANO DO SUL”)

(Colaboração do geografo  do José Luiz Sardá.)

SEO PEDRINHO E A PESCA DA TAINHA


Pedro Nascimento, o Pedrinho da Garopaba, 73 anos (na época) de pescarias no litoral catarinense e gaiteiro dos mais conhecidos, visitando a camaradagem do Pântano do Sul e tomando uma gelada no Capitão Ademir, faz suas previsões para a pesca da tainha em 2013 em SC

TEM BANANA NA TAINHA!




Tainha recheada
com farofa de banana

Ingredientes
-1 tainha fêmea com mais ou menos 2 kg, limpa de escamas, vísceras e barbatanas, aberta pela barriga
-tempero completo (misturar tudo)
-1 punhado de sal
-1 pimenta dedo de moça picada, com semente
-pimenta-do-reino a gosto -salsa, cebolinha e coentro frescos a gosto
-2 dentes de alho
-1 folha de bananeira
-barbante para amarrar
Farofa
-1/2 quilo de farinha de mandioca grossa -250g de farinha de milho amarela -3 cebolas cortadas em rodelas -3 dentes de alho picados -100g de bacon picado -1 gomo de lingüiça calabresa defumada picada -3 ovos inteiros -3 tabletes de caldo de camarão -1/2 maço de cheiro verde -1/2 maço de coentro -12 bananas nanicas maduras (tenras) em rodelas de 1cm -1/2 litro de óleo de soja ou similar

Tainha
 

Fazer 5 cortes (talhos) de ambos os lados, como se fosse cortar o peixe em postas. Passar o tempero completo por toda a extensão
do peixe, inclusive na cabeça e pelo lado de dentro da barriga, regar com vinagre. Deixar no tempero por cerca de 30 minutos.

Farofa

Em uma panela grande e funda, no fogo, colocar o óleo. Juntar a cebola e o alho até a transparência colocar a lingüiça calabresa picada e o bacon para fritar, juntar os ovos. Quando estiverem com as claras esbranquiçadas, mexer até desfaze-los. Em seguida, colocar os tabletes do caldo de camarão esfarelados. Depois de agregado o caldo, desligar o fogo. Adicionar a farinha com o óleo ainda quente, mexer bem para homogeneizar a mistura.
Reservar Depois de fria a farofa, adicionar as bananas em rodelas. Mexer com cuidado para não amassar as bananas. Adicionar o cheiro verde e mexer mais um pouco, conferir o sal.

Folha de bananeira

Cortar a folha de bananeira no comprimento da tainha. Sobre a folha aberta, deitar a tainha com a barriga aberta para cima. Encher da cabeça à barriga com farofa em abundância, desde que o corte na barriga possa ser fechado por completo, sem a necessidade de costurar. Enrolar a folha em torno da tainha, embrulhando-a, deixando as extremidades abertas para que o óleo natural e a água na tainha escorram, para que o peixe não cozinhe, mas asse. Amarrar com barbante o bastante para que fique bem selado e firme. Colocar sobre o braseiro em grelha, cerca de 25cm acima das brasas. Virar o peixe de vez em quando, com cuidado ecarinho, até que a folha tome um tom de marrom. Este processo leva, mais ou menos, 45 minutos. Quando chegar ao ponto, tirar do braseiro e colocar sobre uma superfície plana, desenrolar o peixe com cuidado, para que a pelenão saia com a folha servir em telha, forrada com folhas verdes de bananeira. Acompanha arroz, salada, vinagrete, farofa debanana e limão.

Obs: tomar cuidado para que não pegue fogo na folha.
Obs 2: a telha mais apropriada é a do tipo paulistinha, para cumeeiras, pois é mais larga.
(Receita de Isoleta Maria Carranca da Cunha)

NA ESPERA E NA ESPREITA

Foto Murilo Lula Mariano

"Zé Gancheiro" e "Osmarina", em meia praia, aprontadas, na espera e na espreita do abano dos vigias pra escorregar pelas estivas e cercar o peixe!

O CAVIAR MANÉ

Silvano Santos, pescador da Barra da Lagoa, mostra peixes capturados em seu barco (Arquivo pessoal)

COMO A EXPORTAÇÃO DE OVAS AJUDA A VALORIZAR A SAFRA DA TAINHA

Todos os anos, entre maio e julho, depois que as hordas de turistas vão embora, é a vez dos cardumes de tainha chegarem em peso ao litoral catarinense. Para a comunidade da Barra da Lagoa, em Florianópolis, a safra da tainha é um momento tão aguardado quanto a própria temporada de verão.

Quando a Lagoa dos Patos, no sul do Rio Grande do Sul, começa a ficar mais gelada, as tainhas migram para o norte devidamente preparadas com uma robusta capa de gordura para aguentar a viagem, além do mais importante: duas bolsas douradas contendo cerca de 80 mil ovas para serem lançadas em águas catarinenses.

Mas nem todo cardume consegue completar a viagem, afinal, a chance de uma tainha ser capturada por uma rede de pesca é considerável. Na Barra da Lagoa, Silvano Santos e os outros quatro tripulantes de seu barco estão a postos apenas aguardando um sinal para montar o cerco aos peixes.

Rotina de pescador

Eles ficam esperando o aviso do vigia, pescador experiente que fica posicionado em um lugar alto, no costão, e consegue enxergar os cardumes de longe. “Assim que é avistado o cardume da tainha, todos assumem a posição”, descreve Silvano.

“Um na boia e outro no chumbo. Também fica um na proa da embarcação, para orientar o comandante à direção do cardume. Ao sinal do comandante, a rede é largada. Fazendo o cerco, todos recolhem a rede com a orientação do comandante”.

Essa rotina se repete inúmeras vezes ao longo dos 92 dias da safra da tainha, período em que é permitida a pesca artesanal da espécie. “É uma safra rápida, então não pode perder tempo”, observa Silvano. Toda a comunidade se envolve: quem não vai para o mar, ajuda a consertar as redes ou mesmo a puxar os cardumes para fora d’água, o que já garante uma ou duas tainhas de brinde.
Cerco de 9 mil tainhas na Barra da Lagoa durante a safra da tainha de 2020. Imagem enviada por @marllon_espirito_santo para o perfil “Pesca da Tainha Santa Catarina” no Facebook

Mais do que o fator cultural, Silvano explica o que faz da tainha um peixe tão diferenciado em relação aos outros. “Para as comunidades pesqueiras aqui de Santa Catarina, é a melhor safra. É diferente da corvina, da anchova e outros peixes. A tainha é uma safra que tem valor, pela exportação de ovas”.

Ovas de ouro

No Mercado Público de Florianópolis, durante a safra da tainha, um peixe com ovas custa em torno de R$ 20 por quilo, enquanto o preço de um exemplar sem ovas cai para R$ 15. Essa pequena diferença não condiz com o valor que o produto pode ganhar após ser processado para exportação.

A mesma ova fresca que você leva para casa por R$ 5 a mais na peixaria custa a partir de R$ 42 na loja online da Bottarga Gold, empresa de Itajaí que converte o produto para a sua versão curada, mais conhecida como bottarga.

O processo de desidratar as ovas de peixe no sal para fazê-las durar mais foi descoberto pelos fenícios, que habitaram o Mar Mediterrâneo há milhares de anos. E foi a forma encontrada para preservar uma carga de 50 toneladas do produto que ficaram encalhadas em Itajaí durante a crise de 2008, que fez as exportações despencarem.

Oportunidade

Assim nasceu a Bottarga Gold, que passou a tratar o produto como caviar brasileiro. Segundo o diretor de vendas Gabriel Seixo, a produção gira em torno de 120 quilos por mês. “Os principais mercados para exportação são Estados Unidos, Japão e União Europeia, sendo que o Brasil está proibido de exportar qualquer tipo de pescado para a Europa no momento e, consequentemente, Bottarga também”, explica.
As ovas de tainha antes e depois de serem transformadas em bottarga (Divulgação/Bottarga Gold)

A empresa pesqueira Cais do Atlântico, sediada em Laguna e com filiais em Itajaí e Rio Grande (RS), também exporta ovas de tainha, mas na sua versão natural. O gestor comercial Dagoberto Castoldi explica que o produto é congelado antes de embarcar para outros países. Além disso, precisa vir de pesca legalizada, com rastreabilidade, notas fiscais e declaração do IBAMA e MMA.

Safra na pandemia

Para os pescadores artesanais, a ova da tainha garante não apenas a valorização do trabalho, como também uma boa fritada, bastante apreciada na cultura manezinha. E apesar da nova rotina e dos cuidados exigidos pela pandemia do coronavírus, a safra de 2020 promete ser maior que a dos anos anteriores.

Para Silvano, neto e filho de pescador que retira seu sustento do mar há 28 anos, é uma ótima notícia. “A importância da pesca artesanal da tainha para minha história é a permanência da tradição passada de geração para geração na minha família desde meus bisavós até mim”.

sábado, 13 de junho de 2020

MAR DE POETA


Flores brancas
Que bom
São tantas

 (Fernando Alexandre - verão 92)

NA REDE: TAINHA PELA INTERNET

Tainha custa a partir de R$ 12 o quilo. Foto: Cerqueiros de Guaraqueçaba

Cerqueiros de Guaraqueçaba vendem tainha pela internet

Compras podem ser pré-agendadas pelas redes sociais. Atividade tradicional garante o sustento de 23 famílias caiçaras

Os cerqueiros de Guaraqueçaba entraram nas redes sociais para organizar a venda da pesca do cerco da tainha durante a pandemia. É possível fazer a encomenda on-line e retirar os peixes diretamente com os pescadores na Prainha do Mercado de Paranaguá, aos sábados, em horários pré-agendados.

Os valores vão de R$ 12 a R$ 27 o quilo, dependendo da faixa. Ovas também são comercializadas por R$ 50 (verdes) e R$ 80 (secas).

“Sem aglomeração de pessoas. A gente usa máscaras, luvas e álcool gel. Estamos bem equipados para não trazer a doença para a nossa comunidade”, garante o pescador artesanal Cláudio de Araújo Nunes, um dos coordenadores do Movimento dos Pescadores Artesanais do Litoral do Paraná (Mopear). 

De acordo com Nunes, essa foi a solução encontrada pelos pescadores, em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Instituto Federal do Paraná (IFPR), para que os peixes continuem tendo saída durante a crise do coronavírus.

A venda é importante porque na friagem, época da tainha – que vai de 1.º de abril a 15 de agosto – o cerco sustenta 23 famílias das comunidades de Superagui, Saco do Morro, Bertioga, Barbados, Tibicanga e Sebuí. 

Acordo do cerco-fixo

“Foi criado um parque nacional em cima da nossa comunidade. Tiraram todos os nossos direitos, a gente perdeu o território todo”, afirma Cláudio Nunes, referindo-se ao Decreto n.º 97.688, de 1989, que criou o Parque Nacional do Superagui. O documento determinou a desapropriação da área, que passou a ser considerada de utilidade pública e subordinada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Uma das práticas que a gente perdeu foi o cerco-fixo”, aponta o pescador. A atividade tradicional ficou proibida na região de 2003 a 2018, quando foi negociada com o ICMBio a liberação de uma pesquisa sobre a modalidade. “O cerco ainda está em fase de estudo, mas a gente está lutando pra fazer voltar essa prática tradicional. Queremos comprovar que o cerco-fixo não traz impacto à natureza, ao parque, a nada. É uma prática tradicional feita com manejo adequado ao modo de vida dos pescadores.”

A pesquisa é liderada pelo professor Roberto Martins de Souza, coordenador do Núcleo de Defesa de Direitos dos Povos Tradicionais (Nupovos) da IFPR. “Não havia um argumento de base científica, uma explicação sequer que fosse uma constatação dos impactos dessa prática na baía. Por isso, desde 2014 o Mopear se reúne para disciplinar essa prática e comprovar aos órgãos de fiscalização ambiental que os pescadores têm capacidade de regular o uso dos recursos naturais, porque fundamentalmente conhecem a ecologia deles. Eles buscaram as universidades e construíram uma ponte de diálogo com o ICMBio”, reforça o professor.

O estudo avalia e monitora: os acordos com os órgãos de fiscalização; a pesca da tainha; o uso de recursos naturais.
Os cerqueiros de Guarequeçaba. Crédito da foto: acervo pessoal.

O cerco é uma armadilha feita com taquaras – o peixe fica preso no chamado currau. Atualmente, são dez cercos na região, administrados pelo Mopear e por famílias de cerqueiros. Cada despesque totaliza entre 150 e 300 quilos de peixe, dependendo da maré e do tempo. “Passamos 45 dias trabalhando, tirando taquara, tecendo o cerco, e depois colocamos o cerco na água”, conta o coordenador Nunes. 

“Eles têm gestado os recursos de forma compartilhada com os órgãos e tem funcionado muito bem. O estoque de madeira que usam é muito pequeno perto do que está disponível e da capacidade de regeneração dessa espécie. Eles têm em abundância e isso tem gerado um benefício ambiental, na medida que a retirada possibilita a regeneração de outras especies”, avalia o professor Martins.

Quanto às tainhas, ele faz uma comparação: “O estoque pescado equivale a 1% do que pescam as traineiras em Santa Catarina: cardumes inteiros, de duas a três toneladas em um ou dois dias de pesca. Isso diminui bastante o estoque que entra na baía de Guaraqueçaba. O impacto do cerco é insignificante perto da degradação que essas traineiras provocam sobre a espécie.”

Willian Dolberth, mestrando da UFPR, é um dos pesquisadores que apoiam a venda da tainha. “A modalidade é ecológica e economicamente responsável”, defende. “As taquaras utilizadas na construção do cerco são retiradas segundo conhecimentos tradicionais, numa época certa, numa lua certa, de acordo com regras que não vão fazer uma predação excessiva das tabocas.”
O cerco-fixo. Foto: Cerqueiros de Guaraqueçaba

Outro ponto levantado por Dolberth é o despesque criterioso. “Os peixes que não são da espécie ou tamanho específico vão pra fora. Não tem perigo de pescar espécies ameaçadas ou peixes menores, que não são comercializáveis. Todos os peixes pescados são consumidos pelas famílias ou comercializados para ajudá-las financeiramente. Não tem sobrepesca.”

Sem atravessadores

Dolberth enfatiza que os pescadores também não têm atravessadores, ou seja, eles mesmos fazem as vendas. “O dinheiro é repartido por igual entre as famílias que participam”, afirma, alertando para a continuidade da tradição no Litoral paranaense. “O cerco tem origem indígena, acontece desde o começo da colonização. O cerqueiro é uma das identidades das pessoas que são pescadores artesanais, caiçaras, caboclos do litoral.”

O ICMBio foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.

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Jess Carvalho - Jess Carvalho é jornalista graduada pela Universidade Positivo e pós-graduada em comunicação digital pela PUCPR.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

DE TAINHAS & NAMORADOS

Foto Fernando Alexandre
Santo Antonio amado
tás lindo na tua casinha
Além de um namorado
Eu quero muita tainha!
(Quadra anônima)


AO LONGE, O MAR!

Olhar e foto Fernando Alexandre


COM OU SEM OVAS?


Fotos Leandro Dalla Santa




A PRIMEIRA TAINHA.....

"Sim, parecia mentira o que meus ouvidos acabavam de escutar de algum lugar lá fora: "TAINHA, TAINHA", mas foi o suficiente pra que eu olhasse com atenção pela janela até avistar um sujeito empurrando uma bicicleta e, na caixa da frente, amontoados, alguns peixes tão bem conhecidos dos meus tempos de Floripa.

Nessa parte do litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, aqui na Lagoa de Araruama, sempre soube da existência das cabeçudas e em alguns momentos as encontrei para vender no Mercado de Peixes, mas agora, nesses tempos de pandemia em que não saímos quase nunca, logo me lembrei do ditado da montanha e de Maomé, e saí correndo escada a baixo em direção a rua, alcançando o cidadão já na outra esquina, mas ainda com uma boa carga de peixes, "com e sem ovas" na explicação dele. 
"E são as melhores essas, que vêm lá dos lados do Canal (aqui, Canal do Itajurú, que liga o mar à Lagoa de Araruama, serpenteando pelo meio de Cabo Frio), pescadas com ganchos". Bom, até perguntei o porque de serem melhores essas em relação às outras, e a resposta foi a mesma "que vem lá dos lados do Canal", e quando perguntei sobre o que era pesca de gancho, arriscou um desenho no chão pouco compreensível para um leigo e muito menos ainda para um mau desenhista.

Remexeu um pouco na caixa e, claro, me mostrou a maior de todas, a mais bonita entre as bonitas que, suja, pesou um pouquinho mais de dois quilos e exatos 34 Reais. Uma boa compra, mas com um problema, que meus dotes culinários se restringem a comer peixe, não necessariamente a limpar e preparar peixe. 
Mas foi no impulso que saí a cata da iguaria e seria no impulso que teria que encontrar a solução. Ele até tirou as barbatanas e nadadeiras com uma faca quase imprestável primeiro, e depois as escamas com um tipo de escova de madeira e com pregos em lugar de cerdas. Precariedade por precariedade, agora só faltava limpar a belezuda, temperar e assar.

Lembro que anos atrás, diante de uma tainha como essa, suja, até que não me saí tão mal na tentativa de governá-la (ainda se fala assim?), mas agora, sozinho e contando só com as recomendações do vendedor, fiquei na dúvida se conseguiria fazer o serviço sem destruir o bem mais precioso que estava ali escondido: as ovas.

Com uma faca de ponta bem afiada (deixo isso como força de expressão, que bem afiada é quase uma mentira descarada) comecei a abrir da barriga em direção a cabeça sem afundar muito a lâmina, isso até com uma certa facilidade, mas ao final percebi que havia cortado uma das ovas e saia uma gosma alaranjada de dentro, o que quase me fez desistir do peixe todo (também força de expressão que, pelos 34 reais, tinha que aproveitar era tudo). Nada tão grave, que essa ova virou uma boa farofinha para ser degustada junto. Mas seguindo, até que não foi tão difícil fazer a limpeza dos miúdos todos, mas antes de temperar com sal e com velho limão de peixe aqui do vizinho, fui medir a improvisada churrasqueira para ver se ambos eram compatíveis. E pior é que não.
Em nova operação com a mesma excelente faca de ponta, promovi uma decapitação sem medo nem dó, quase cirúrgica, que deixou meu peixe dentro dos padrões exigidos (mexer na churrasqueira dava mais trabalho).
Com isso, sal, limão e fogo de lenha. E tempo, muito tempo, nada mais que isso para garantir um sabor mais apurado e uma suculência incomparável. Dito isso acho que, sim, posso me dar por satisfeito por esse rico e improvável manjar nestas terras distantes e nesses tempos negros de pandemia. E para o ano está bom, que o que gosto mesmo é de anchovas. 

QUE VENHAM AS ANCHOVAS!"

(Do Leandro Dalla Santa, "gauncho" com estágio em Floripa, morando no Rio)

GOVERNANDO O PEIXE

Foto Fernando Alexandre
Capitão Ademir - Pântano do Sul

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Pântano do Sul

ANOITECE NO CAMPECHE...

A imagem pode conter: céu, oceano, lusco fusco, nuvem, ar livre, natureza e água


Boa Noite, Campeche...

NA ESPERA E NA ESPREITA...

Via Walkiria Pereira

quinta-feira, 11 de junho de 2020

COMO OS ÍNDIOS BRASILEIROS COMIAM A TAINHA?

Resultado de imagem para Hans Staden


Piracuí, a farofa de Tainha

Uma receita original de quem provou a iguaria!

"...Recolhem grande porção de peixes, torram-nos sobre o fogo, esmagam-nos, fazendo deles farinha, a que chamam piracuí, que secam bem afim de que se conserve por muito tempo. Levam-na para casa e comem-na juntamente com a mandioca.”

(Do Hans Staden)

*Viajante e cronista alemão que esteve por aqui na década de 1540, logo depois da chegada dos portugueses, Hans Staden provavelmente pescou e comeu tainhas no litoral de São Paulo. Em uma de suas viagens, ficou por nove meses prisioneiro dos índios Tupinambás. Enquanto tentava não ser comido por eles, que tinham por hábito saborear seus prisioneiros, observou como viviam e, depois de voltar para a Europa escreveu, em 1557, “Viagem ao Brasil”. É dele este relato, o primeiro que se tem notícia da pesca da tainha por aqui e como ela era comida.

LANCIANDO NO PANTUSÚLI...


Uma homenagem de Roger James
a estes guerreiros do lanço, filhos da casa, com
trilha sonora também nativa - TBZ

DIVIDINDO O PEIXE

Foto ‎Teco Silva‎ 

Tanto peixe que até cachorro ganhou quinhão!!!






MANEMÓRIAS


Baía do Pantano do Sul, balneário dos Açores e ao fundo praia da Solidão e Ponta do Pastinho no Saquinho!

ALÉM MAR DO ORLANDO AZEVEDO

TAINHAS, TCHÊ! NUM TEM?


Nossos vizinhos garantem : todas as tainhas que chegam a Santa Catarina são gaúchas!
E dos pampas aquáticos da Lagoa dos Patos!
Discussões à parte, vamos saboreá-las!
São deliciosas, Tchê, num tem? 

* Maricá são os nossos espinheiros!
"Espinheiro florido no verão,
tainha de muntueira no São \joão!"

NAVEGANDO...


quarta-feira, 10 de junho de 2020

VIGIAS OU OLHEIROS?

Arante José Monteiro, o Arantinho do Pântano do Sul, historiador, pescador de tainhas e um dos proprietários do tradicional "Bar do Arante" explica que "Vigia"- e não "Olheiro"- é o nome utilizado na Ilha de Santa Catarina para denominar os pescadores que avistam as mantas de tainhas no mar e acenam para as canoas cercarem os peixes.

TEM TAINHA NO FORRÓ!


As Tainhas, do Sul ao Norte!

ARRASTANDO, ARRASTANDO...

Pesca de arrastão na Praia do Forte, Ilha de Santa Catarina, em 1940.

OUTRAS TAINHAS...


Ver tradução!

NA TAINHA...

Foto ‎Teco Silva‎ 

Os camaradinhas!

PLACAR DA TAINHA NO PANTUSÚLI!

 Fotos Murilo Lula Mariano
Em vários lanços, mas constantes, a pesca da tainha até agora, dia 10 de junho, no Pântano do Sul soma 5.315 tainhas!

ÚÚÚÚ!!!!