quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

PREVENDO O TEMPO

Antigas superstições e novas tecnologias ajudam a monitorar o tempo

Mesmo com as frequentes mudanças climáticas, é difícil ser pego de surpresa hoje em dia

imgHyury Potter

FLORIANÓPOLIS
Aprendi com meu pai que, se a nuvem for rabo de galo, vai ter vento sul”, conta José Generoso da Silva, 69, mais conhecido como Seu Zeca no canto sul da praia dos Ingleses, em Florianópolis. Nem sempre o golpe de vista desse pescador foi certeiro. Nesses dias, o jeito era se virar com o tempo ruim em pleno mar, às vezes tendo que voltar para casa com o barco vazio. Há alguns anos, esse manezinho se rendeu aos dados precisos – ou quase isso – das previsões meteorológicas que podem ser consultadas na internet ou nos telejornais.

Foto Flávio Tin/ND
O pescador Zeca conta que quando começou, o pai dele olhava para as nuvens no horizonte e depois reparava na condição do vento antes de sair para a pescaria
São dados coletados em milhares de estações meteorológicas espalhadas pelo mundo, processados por computadores e especialistas, e que depois vão parar na tela do smartphone, do tablet, do computador ou da televisão. Com essas informações, a equipe do Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina) prepara o primeiro aplicativo catarinense de previsão do tempo, que deve ser lançado até fevereiro de 2014.
Pescador “toda a vida”, Seu Zeca começou a trabalhar ainda garoto, aos 12 anos, na praia dos Ingleses. Ajudava o pai, Euclides, a arrumar o barco e as redes, e ainda aproveitava para aprender sobre a profissão que exerceria nos anos seguintes. “Quando comecei, não tinha tanta tecnologia para prever o tempo. Lembro que meu pai olhava para as nuvens no horizonte e depois reparava na condição do vento”, conta.
Depois de tantos anos, a maneira de pescar continua a mesma, inclusive o barco batizado de “Nossa Senhora do Mar”, que está há quase 40 anos com esse manezinho nascido e criado nos Ingleses. Mesmo assim, ele ainda olha para as nuvens, por precaução. “Vejo o telejornal de noite para saber a previsão do tempo no dia seguinte. Também peço para o meu filho ver na internet se vai ter tempo bom. Além disso, olho para ver se tem alguma nuvem rabo de galo no céu. Só por garantia. Afinal, os meteorologistas também erram”, brinca.
Bons negócios
O dia começa com céu azul e poucas nuvens. No meio de tarde, tudo fica cinza e um temporal cai sobre a cidade. Se essa característica do verão, mas que também ocorre na primavera, como agora, é um problema para muitos moradores de Florianópolis, para outros é sinônimo de bons negócios. Trabalhando há 26 anos no centro da cidade, ao lado do Mercado Público, o ambulante Donizete "Maradona" Ribeiro, 48, garante que chega a vender mais de 40 guarda-chuvas num dia de tempo ruim. Mas ele explica que a chuva tem que cair na medida certa. “Se a água for muito forte, as pessoas se abrigam em algum lugar. Então, a chuva tem que ser fininha, para que todo mundo ainda possa caminhar na rua com um guarda-chuva ou capa”, detalha.
Se o dia for de sol, Maradona comercializa relógios e joias de pequeno valor. Para saber se o dia pode ser de lucro, ele checa a previsão nos telejornais e num ponto bem conhecido do Continente. “Se estiver cinza em cima do morro do Cambirela, pode apostar que vai chover. Então, vou no depósito que fica aqui perto e busco guarda-chuva e capa para vender”, relata.
Garantindo o sol na praia
No caso dos jovens, antigos hábitos para prever o tempo foram substituídos por alguns toques no smartphone. É assim que as amigas Larissa Camiansky, Ana Paula Góes e Sofia Lorena Urrutia, todas de 19 anos, marcam para aproveitar uma praia em dias de sol, por exemplo. “Às vezes dou uma olhada se tem estrela no céu na noite anterior. Mas nem sempre isso dá certo. O jeito é olhar o celular e também o céu”, garante a estudante Larissa.
Para a vendedora Ana Paula, confiar no aplicativo de previsão do tempo do celular para tentar se bronzear na praia já resultou em cilada. “É difícil o aplicativo errar. No entanto, teve um dia que dizia que ia ter sol, mas choveu tanto que fiquei a manhã toda numa barraca”, lembra.
Também adepta da tecnologia, a estudante Sofia não esquece de pedir a opinião do pai antes de sair. “Meu pai tem origem indígena e sabe prever bem quando vai chover ou não. Se o dia for bom, ele me avisa para a gente passear com os nossos cachorros”, revela.
Decifrando números em mais de 300 pontos
No maior centro de meteorologia de Santa Catarina, a Epagri/Ciram, as previsões não são feitas observando o céu por alguns minutos. Pelo contrário. Dados de mais de 300 postos de coleta em Santa Catarina e estados vizinhos, além de números de instituições nacionais e internacionais, são analisados por horas pela equipe do órgão. “Os dados chegam em números, que são traduzidos pelo computador e, depois, avaliados por nossos meteorologistas. É pura matemática e física”, informa o meteorologista Marcelo Martins.
Desde a chegada dos dados, passando pelo setor de tecnologia da informação do órgão até a análise dos meteorologistas e a disponibilização da informação para a população, se passam quase duas horas. Precipitação, altura, umidade e direção do vento são alguns dos itens essenciais para essa análise, que ainda é complicada na região. “Santa Catarina é o segundo estado do Brasil com maior número de estações meteorológicas. Só perde para São Paulo”, revela.
Os números que representam as condições climáticas em diversas regiões são recebidos, armazenados, traduzidos e encaminhados para os especialistas do tempo. Por dia, milhares de dados são processados pelo departamento de tecnologia da informação da Epagri/Ciram. “As estações nos enviam dados numéricos. O nosso trabalho é traduzir isso e repassar para a meteorologia”, explica Eduardo Lima, coordenador do setor de tecnologia de informação do órgão. E, mesmo com tanta informação, os especialistas não estão livres de situações bem comuns para a população. “Até meteorologista é surpreendido e pega chuva na rua por não estar protegido”, admite Marcelo.
Aplicativo catarinense
A população pode ter acesso ao resultado do trabalho da Epagri/Ciram pelo site http://ciram.epagri.sc.gov.br/. A partir de fevereiro do próximo ano, vai ser ainda mais fácil ter acessa à previsão do tempo feita pela instituição estadual com o aplicativo para tablets e smartphones. “Já temos um protótipo e estamos trabalhando em como ele vai funcionar. Ele será similar a outros aplicativos de previsão do tempo que já estão no mercado, mas será focado no nosso Estado. Ele estará disponível para os sistemas IOS e Android em janeiro ou fevereiro de 2014”, adianta Eduardo.
Para baixar aplicativos que já estão disponíveis

Clima tempo
O aplicativo do Clima tempo mostra as condições atuais e a previsão para os cinco dias seguintes, com divisões entre os períodos da manhã, da tarde e da noite. Nele é possível assistir a vídeos, ver imagens de satélite, a tábua de marés e as condições de funcionamento dos aeroportos, além de compartilhar fotos e notícias com outros usuários.
Disponível nos sistemas IOS e Android.
Preço: grátis
Tempo Agora
Informa as condições do tempo em mais de 10 mil cidades do mundo. O programa permite ainda visualizar notícias, vídeos e imagens de satélite, além das condições dos aeroportos.
Disponível nos sistemas IOS e Android.
Preço: grátis
Previsão que ajuda a salvar vidas
Na diretoria de prevenção de desastres da Secretaria de Estado da Defesa Civil, os dados sobre o tempo servem como ponto de partida para evitar a perda de vidas. “Para nós, não adianta apenas saber se vai chover ou não, mas onde. Por exemplo: se for num terreno inclinado, pode ocorrer um deslizamento de terra. Precisamos da maior quantidade de informação possível para fazer o planejamento de prevenção de desastre. No final, temos que saber se é preciso fazer um alerta para a população”, detalha o major Fabiano de Souza, diretor do departamento.
O histórico catarinense de tragédias provocadas pelo clima aumenta a responsabilidade da equipe da Defesa Civil. A ajuda para o resultado ser o mais preciso possível vem de vários lugares. “Temos parcerias com várias instituições, inclusive federais e internacionais. Além dos dados da Epagri/Ciram, temos um convênio com o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), do governo federal, e alguns centros meteorológicos de outros países. Nos nossos boletins, também usamos dados geológicos e hidrológicos”, explica.


O (a) Mar em Floripa

Mais uma vez
amor doeu
uma água-viva 
me beijou
e ardeu.

(Ryana Gabech) 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

VENDENDO O PEIXE


Comerciantes do antigo Mercado Público, que foi localizado perto da Praça XV, onde hoje é a Praça Fernando Machado, no Centro da Ilha de Santa Catarina. Também conhecido como "Galpão do Peixe", foi inaugurado em 1891 e demolido em 1899, depois de um incêndio.

MAR DE GAROUPAS


PEIXE INTEGRA A LISTA DE ESPÉCIES GLOBALMENTE AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO (FOTO: DIVULGAÇÃO)


A inspiração foi trazida das Filipinas, onde os habitantes convivem em proximidade com o mar, e resultou no Projeto Garoupa, no Brasil, que busca a reprodução inédita dessa espécie de peixe em cativeiro. O projeto é desenvolvido pela organização não governamental (ONG) Associação Ambientalista Terra Viva e foi selecionado em edital público do Programa Petrobras Socioambiental. O foco é a conservação de populações naturais da chamada garoupa verdadeira (Mycteroperca marginata), disse o mestre em biologia marinha e coordenadorgeral do Projeto Garoupa, Maurício Roque da Mata Júnior.

A garoupa integra a lista de espécies globalmente ameaçadas de extinção pela União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN, do nome em inglês). Com o intuito de preservar a espécie, o projeto atua em 11 municípios, sendo sete no estado do Rio de Janeiro (Angra dos Reis, Itaguaí, Mangaratiba, Paraty, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios) e quatro em São Paulo (Ubatuba, Ilhabela, Caraguatatuba e São Sebastião). Mata Júnior disse que, a partir de junho, deve ser apresentada nova proposta para patrocínio. Segundo ele, a ideia é estender o projeto também para a cidade do Rio de Janeiro.

O Projeto Garoupa tem três frentes de atuação. A primeira objetiva a caracterização de habitats na parte física e biológica entre o Rio de Janeiro e São Paulo, por meio de equipes de mergulhos. “A gente pretende com isso gerar subsídios para a formulação de políticas públicas, trabalhar futuros planos de manejo das garoupas e ter esses locais como áreas de preservação e de ecoturismo, para manter a biodiversidade. Tem uma série de fatores que são interessantes até para a própria pesca”, destacou.

Na base montada em Ilhabela, é feita a larvicultura da espécie, que envolve a criação de larvas de peixes em cativeiro para reprodução assistida em tanques. Os pesquisadores querem fazer experimentos com os alevinos (filhotes recém-saídos dos ovos) soltando-os na natureza, para ver como vão interagir com as populações naturais. “Além da reprodução que a gente está conseguindo, vamos colocar alguns transmissores para verificar a sobrevivência desses animais na natureza.”

Na parte de criação de larvas, as desovas alcançaram 1 milhão de larvas geradas e estocadas. A taxa de sucesso de 95% na eclosão de ovos é considerada bastante alta, mas a meta é chegar a 100%, disse o biólogo. Tendo em vista que a garoupa é um peixe marinho carnívoro, com peso entre 80 quilos e 90 quilos, as sobrevivências finais apresentam taxas não tão elevadas. Por isso, o desafio agora é trabalhar para aumentar a sobrevivência dos alevinos.

O terceiro objetivo da proposta é a educação ambiental participativa, com atividades lúdicas. O projeto forma alunos da rede pública de ensino, pessoas da comunidade, operadores de mergulho e profissionais do setor de turismo, utilizando várias linguagens, com destaque para oficinas de áudio e vídeo; contação de histórias, que resgata a cultura tradicional por meio da oralidade; além de teatro. “Todas as três linguagens tratam de temas escolhidos pelos moradores locais”. Até agora, foram realizadas 55 oficinas em sete municípios.

A primeira etapa do projeto deve ser concluída em julho deste ano. “A gente visualiza como um projeto a longo prazo. Você não consegue tirar uma espécie de um estado crítico de vulnerabilidade em dois anos. A proposta é conseguir a renovação do projeto para poder expandi-lo”. Os pesquisadores querem estudar também a conectividade dessas populações de peixes, em termos genéticos, para ver se a que ocorre na Região dos Lagos, por exemplo, é a mesma que está presente nas Ilhas Cagarras, na capital fluminense, ou no norte do estado de São Paulo.

Mata Júnior disse que os dados do projeto serão divulgados este ano em congressos nacionais e internacionais, com o objetivo de disponibilizar as informações para o público e os órgãos ambientais, “que têm poder de legislar, para que façam um plano de manejo para a garoupa e para os locais que abrigam diferentes espécies”.

(Do  http://revistagloborural.globo.com/)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

INVASÃO DAS MORSAS


Segundo cientistas, o número recorde de 35 mil morsas em praia do Alasca seria mais uma evidência das mudanças climáticas.

Publicado por João Lara Mesquita 

Cerca de 35 mil morsas foram avistadas esta semana em uma praia nas proximidades de Point Lay, no Noroeste do Alasca. Os animais estariam à procura de águas geladas no Hemisfério Norte.
O fato foi um recorde já que grupos tão numerosos dessa espécie só foram flagrados assim em 2007, 2009 e 2011.

O registro foi feito durante o levantamento aéreo anual de mamíferos marinhos da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) a cerca de 7,5 km ao Norte de Point Lay, uma importante aldeia do Alasca.
De acordo com os pesquisadores, a grande concentração de morsas em praias da região noroeste do Alasca e também da Rússia é um fenômeno decorrente do aquecimento global, que vem provocando a diminuição de mares gelados durante o verão boreal.

Durante o inverno, as morsas frequentam o Mar de Bering, onde costumam dar à luz. Elas usam o gelo como plataforma para a caça e o descanso. Quando o gelo diminui, as morsas partem rumo a terra firme.

Ao contrário das focas, as morsas não podem nadar por tempo indeterminado. Elas usam suas presas para se arrastar e se deslocar sobre a superfície. Os animais agora estão em número recorde, lutando para encontrar o gelo e, assim, poder descansar no mar Ártico.

O fenômeno também se repete com os ursos polares, que dependem do gelo para sobreviver no Polo Norte.

( Do Mr sem Fim - https://www.facebook.com/marsemfim?fref=ts)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

MAR DE EDUARDO DIAS

Tela que retrata a cidade desterro no ano de 1920, acervo de PAschoal e Ruth Grieco, SP, Brasil.

PEDALANDO NO MAR

Ebrahim, pretendia ser o primeiro a rodar o mundo seguindo a Linha do Equador e para isso ele queria viajar 35 mil quilômetros por terra e 15 mil pelo mar, totalizando 50 mil quilômetros.

Um aventureiro estrangeiro foi resgatado pela Marinha do Brasil após ataque de tubarão a sua embarcação.

Publicado por João Lara Mesquita

A Marinha do Brasil, através do Comando do 3º Distrito Naval, realizou o resgate de um aventureiro estrangeiro que estava à deriva, a mais de 1.000 quilômetros do litoral do Rio Grande do Norte.

O navegador, identificado como Ebrahim Hemmatnia, estava a bordo de um barco/bicicleta, batizado deboatbiker. Um curioso veículo que anda em terra e também navega.

O facebook do aventureiro anuncia que ele já está em terra, na cidade de Natal e que teve sim o barco atacado por tubarões e o leme e a hélice danificados. Ebrahim conta também que ficou sem condições de prosseguir navegando e por isso acionou o EPIRB, rádio sinalizador que emite sinal de socorro.

No final da tarde de quarta-feira (28.01.15), por meio da Guarda Costeira da Holanda, a Marinha recebeu o sinal de alerta do barco “Ad Infinitum”, com um tripulante a bordo. Diante da informação, foi determinado que o Navio-Patrulha “Macau”, que estava atracado na Base Naval de Natal se deslocasse para a área.

Assim que foi estabelecido contato, o tripulante relatou que a embarcação foi atacada por um cardume de tubarões, provocando avarias no leme e escotilha, deixando-a à deriva. Em sua página no facebook, o velejador relata que foi resgatado com segurança pela Marinha do Brasil nas coordenadas 02° 56,36′ N / 035° 30,86′ W.

Após o alerta, a embarcação da Marinha fez contato com o Barco Pesqueiro “OULED SI MOHAND”, da empresa “Europesca”, que se encontrava nas proximidades do local, que resgatou o tripulante, prestando apoio até a chegada do Navio-Patrulha “Macau”.



(Do https://www.facebook.com/marsemfim?fref=ts)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

MAR DE TODOS

Foto Divulgação/Capela São Pedro

Fotos Andrea Ramos
 
Domingo com procissão terrestre de Nossa Senhora dos Navegantes e São Sebastião e homenagem a Iemanjá, no Pântano do Sul!

MAR SUJO

11º relatório de balneabilidade de 2015 é divulgado (Foto: Fábio Cardoso/RBS TV)

Litoral catarinense mantém 77 praias impróprias para banho, indica Fatma
Relatório de balneabilidade foi divulgado sexta (30) pelo órgão.
Outros 122 balneários do estado são indicados para entrar no mar.

Do G1 SC

O 11º relatório de balneabilidade de 2015 indica que Santa Catarina tem 77 praias impróprias para o banho de mar no litoral. O documento divulgado nesta sexta-feira (30) da Fundação do Meio Ambiente (Fatma) mantém os mesmos números da semana passada, com 122 pontos indicados para os banhistas. Acesse o relatório completo neste link.

A entidade coletou amostras em 199 praias de 27 cidades. Apenas oito municípios apresentaram todos os pontos próprios: Araranguá, Biguaçu, Garopaba, Imbituba, Itapoá,Joinville, Palhoça e Balneário Piçarras. Já São José, na Grande Florianópolis, e Passo de Torres, no Sul catarinense, tiveram todas as praias avaliadas como impróprias para banho.

Fatma coletou amostras em 199 pontos do Litoral
(Foto: Reprodução/RBS TV)

Florianópolis é a cidade com o maior número de locais analisados, 66, e que apresenta mais locais de balneabilidade reprovados, são 34 no total. Na sequência, aparece Balneário Camboriú, no Litoral Norte, com nove de 14 praias consideradas inapropriadas e Itapema, com cinco de oito pontos desaconselhados para os banhistas.

A Fatma informou que o número de pontos impróprios é superior à média dos meses anteriores devido ao aumento nas ocorrências de chuva no Litoral catarinense e maior circulação de turistas na temporada.

Segundo a entidade, nesta época, ocorre mais descarte de esgotos clandestinos nas redes pluviais e nos rios.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

NAVEGANDO COM A PADROEIRA II


Domingo com chuva e vento sul, imaginei que não haveria a procissão de Nossa Senhora dos Navegantes. Mas cheguei na praia do Pântano do Sul e a imagem da protetora dos pescadores já estava embarcada. Um amigo me avisou que havia lugar em um dos barcos e lá fui eu junto com São Sebastião!

(Andrea Ramos)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O BICHO ENTORTA E DESPENCA O SULI!


PREVISÃO DO TEMPO PRA QUINTA - 29/01/15

By Chuvalski o Mané do Tempo.

Te liga os extepô, ontem tu já te arrombasse e pegasse aquela chuva fim di tarde, poisé nego hoji não vai se diferente, ela despenca mais forte di tarde.

Disaogi, as temperatura não sobem muito e devem fica la pelas casa dos 32 garus durante a manha e parte da tarde. Vai te também vento Noroeste a Sueste fraco. Mas lá pelas 17h o bicho entorta e despenca de Suli muito forte. Dai mo nego ninguém segura, fecha a sombrinha na praia e despenca. Tira as roupas e as bucica da sacada que o ele vai pegar forte.

Junto com esse vento Suli vem muita chuva raios e tribuzanas, que devem permanecer no céu até umas dex da noite. durante a madrugada o céu limpa, dai Sexta e Sábado deve ter céu limpinho com vento Suli.

Tax tolo, falam até ai que pode dar giada no Cambirela hehehe!
O tempo fala e a manezada entende!

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

NO PANTÂNO DO SUL


Festa de Nossa Senhora dos Navegantes e São Sebastião 2015

Programação:
31/1
19h - Procissão pelas ruas do bairro;
Após a Procissão haverá a Santa Missa na Capela;
21h30min - Jantar dançante*


1º/02
16h - Procissão Marítima;
Após a Procissão haverá a Santa Missa na Capela;

*Os convites do jantar estão no valor de R$ 25,00 por pessoa e podem ser adquiridos com os membros do CPC ou colaboradores.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

MAR DE SURFISTA - UM TRIBUTO


Manifestação e ritual em homenagem ao surfista Ricardo Dos Santos em Guarda Do Embau, assassinado por um policial!

NA FILA...

MALÉ, CAPITAL DAS MALDIVAS. - FOTO: EN.WIKIPEDIA.ORG

Aquecimento global: Maldivas já estão condenadas. Quem será o próximo ?

O nível global do mar sobe a um ritmo recorde. Segundo as recentes pesquisas dos cientistas da Universidade de Harvard (EUA), durante os últimos 25 anos, o mar ganhou 250% mais espaço à terra firme do que nos anteriores 90 anos do século passado. Em 2100, a água poderá se elevar a nível planetário a dezenas de centímetros, o que significa que muitas ilhas e zonas costeiras serão em breve completamente inundadas.

O nível da água dos oceanos está subindo mais rápido do que o esperado. O fenômeno é causado pela expansão térmica da água e o derretimento intensivo do gelo na Groenlândia e na Antártida Ocidental. Estes processos têm na origem a influência humana sobre o clima, diz Alexei Kokorin, coordenador do programa "O Clima e a Energia" do Fundo Mundial para a Natureza (World Wildlife Fund):

"Este é um fato sustentado também pelos cientistas russos, em particular, do Instituto de Oceanologia da Academia das Ciências da Rússia. O nível de água sobe, efetivamente, a velocidade aumentada. E esse processo vai continuar e vai se intensificar.

Como resultado, no final do século XXI, o nível global do mar vai subir cerca de 1 metro. A previsão para o século XXII é de mais um metro, se o impacto humano sobre o clima for minimizado, até três metros. Quanto a uma perspectiva a mais longo prazo, não se pode exclur uma subida de cinco a dez metros. Particularmente, se a humanidade continuar impactando sobre o sistema climático e reforçando o efeito estufa".

No entanto, as consequências dessas mudanças serão diferentes. Algumas áreas ficarão submersas, mas outras, pelo contrário, vão se elevar por acima do nível do mar. O derretimento fará com que a pressão do gelo sobre a placa tectônica vá diminuir e esta comece a se movimentar. Hoje já é bem perceptível que, por exemplo, Oslo (Noruega) sobe, enquanto Helsinque (Finlândia) desce, continua explicando o climatologista Alexei Kokorin:

"O oceano mundial irá subir de forma desigual. Nos trópicos, o processo será mais pronunciado do que nas latitudes norte. Realmente, apresenta muito perigo para as pequenas ilhas tropicais e áreas baixas como Bangladesh ou Shanghai. No entanto, ao longo prazo, o desafio será também muito sério para São Petersburgo e Veneza".

A humanidade está preocupada com este problema desde o final do século XX. Depois da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, em 1997 foi aprovado o Protocolo de Kyoto que obriga os países desenvolvidos e com economias emergentes a reduzir ou a manter as emissões de gases do efeito estufa.

Contestável em muitos aspetos, o documento ainda não resultou em um impacto realmente positivo sobre o clima. Mas seja como for, ele levou todas as nações a refletir sobre a contribuição que cada uma delas em particular possa fazer para conservar o mapa-múndi em sua forma atual.

No entanto, já não há tempo para lucubrações. Mesmo que a humanidade reduza drasticamente o impacto sobre o clima, algumas áreas já não poderão ser salvas, enfatiza o coordenador do programa "O Clima e a Energia" do Fundo Mundial para a Natureza, Alexei Kokorin:

"Quando se trata do oceano, é preciso entender que todos os processos aí são muito lentos, têm uma inêrcia. Mesmo se a humanidade passar amanhã completamente ao uso de fontes de energia renovável e nuclear, as que não produzem emissões de gases do efeito estufa, os atuais processos irão prosseguir no oceano ao longo de uns 30 anos. Quer dizer, a camada superior do oceano continuará se aquecendo por inércia, tornando-se cada vez mais quente. Portanto, tudo quanto vai acontecer até aos meados do século XXI, já é inevitável. Infelizmente, temos de reconhecer que, por exemplo, as Maldivas estão condenadas, estas ilhas não poderão ser salvas. O destino de outras áreas dependerá das atitudes dos seres humanos".

Em 2015, todos os Estados deverão anunciar as obrigações que estão prontos para assumir com vistas a reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Estes dados serão incluídos no projeto de um novo tratado internacional que substituirá o Protocolo de Kyoto. Contudo, é de notar que todas as últimas conferências internacionais sobre o clima terminaram, infelizmente, sem resultado.

(Do  http://portuguese.ruvr.ru/)

DICIONÁRIO DA ILHA - O MAIS VENDIDO!



Lançado em 1994 , "Dicionário da Ilha - Falar & Falares da Ilha de Santa Catarina" , de Fernando Alexandre - "Cobra Coralina Edições" - chega a sua 33a Edição como o livro mais vendido dos autores locais na Livrarias Catarinense!

Veja abaixo a matéria do "Diário Catarinense" de 5/11/2014!

Livrarias Catarinenses, em Florianópolis, tem estante exclusiva para autores de SC
Foto DIORGENES PANDINI / Agencia RBS

Literatura
Como os livros de autores de SC são vendidos nas livrarias do Estado
Pouco destaque nas prateiras e vitrines somado à falta de interesse por parte dos leitores: situação da literatura catarinense nas livrarias não é das mais animadoras

Carol Macário

Santa Catarina vive um momento interessante de produção literária, mas que esbarra em dois fatores fundamentais: a distribuição e a venda das obras. As principais livrarias do Estado em sua maioria têm espaços exclusivos para autores catarinenses, contudo falta melhor destaque e mais interesse dos leitores. 

LEIA TAMBÉM

As vitrines e estantes de evidência geralmente são reservadas para os best-sellers e lançamentos populares ou de grandes editoras. Entram na fila por um lugar ao sol do destaque alguns poucos catarinenses e apenas quando o apelo popular é grande, como a autobiografia de Guga Kuerten, por exemplo. A dúvida é se a decisão de compra pesa sobre o prestígio ou procedência do autor ou como as obras são apresentadas ao consumidor.


Na Grande Florianópolis a Livrarias Catarinense é uma das mais tradicionais da região e clientes fazem questão de um espaço exclusivo para comprar literatura catarinense. Até mesmo para encontrarem com facilidade obras locais de referência sobre o Estado para quem visita. A rede tem lojas em cinco cidades e tem cerca de 500 títulos de catarinenses no catálogo.

— Separamos autores catarinenses em estante exclusiva por opção deles próprios. Outros preferem estar separados por gênero. Alguns vêm, conversam, pedem para ficar na vitrine. Mas muitos autores novos não nos procuram, então se temos informação deles vamos atrás — comenta Rosinete Werle, gerente da livraria.

A Saraiva, outra grande livraria da região, ao contrário, não só não tem estante exclusiva para autores locais como praticamente não tem em seu acervo escritores do Estado. Somente os mais conhecidos, como Cruz e Sousa e Salim Miguel. Autores contemporâneos de destaque, como Carlos Henrique Schroeder e Patrícia Galelli, são raros de serem encontrados.

— Não acredito na separação entre literatura catarinense ou paulista. Não concordo com a separação geográfica. Temos literatura nacional e estrangeira — opina a escritoraPatrícia Galelli.

Estratégia das livrarias é realizar eventos culturais

Em Joinville, a Livraria Midas tem no catálogo 150 autores catarinenses dos quais são vendidos uma média de 10 exemplares por mês. Em meses movimentados com lançamentos, o número sobe para uma média de 60.

— Organizamos lançamentos e toda sexta promovemos conversas entre autores de Joinville e de Santa Catarina e leitores — diz Maria Dolores, gerente da Livraria Midas.

Em Blumenau, a tradicional livraria Blulivros tem cerca de 30 autores no catálogo e uma média de 20 exemplares de catarinenses vendidos ao mês. As duas lojas na cidade tem espaço específico para autores da região, além de uma área na seção de turismo com livros sobre a região do Vale do Itajaí.

A Academia Catarinense de Letras (ACL) está começando um programa de visitas nas livrarias do Estado parar mostrar a produção catarinense e propor mais espaço a ela nas lojas.

— Estamos fazendo um levantamento junto à Câmara Catarinense do Livro e, para nós, politicamente é mais fácil defender a estante de autores locais — diz Salomão Ribas Junior, presidente da ACL.

A sede da ACL fica num prédio histórico na Avendida Hercílio Luz, Centro da Capital, e não tem livraria especializada. Segundo Ribas Junior, há planos para montar uma biblioteca de referência sobre Santa Catarina.

Autores mais procurados

Salim Miguel
Urda Alice Krueger
Alcides Buss
Franklin Cascaes
Bernadete Costa
Wilson Gelbcke
Cláudia E. Obenaus
Fernando Henrique Becker Silva

Mais vendidos*

1. Dicionário da Ilha — Falar e Falares da Ilha de Santa Catarina, de Fernando Alexandre
2. Florianópolis a 10ª Ilha dos Açores, de Joel Pacheco
3. Canoa Baleeira dos Açores e da Ilha de Santa Catarina, de Joel Pacheco
4. Florianópolis Memória Urbana, de Eliane Veras Veiga
5. Voo da Pandorga Mágica, de Eliane Veras Veiga

* Livrarias Catarinense

(Do DC - www.clicrbs.com.br)

domingo, 25 de janeiro de 2015

NAVEGANTES, A FESTA!


MAR DE VAN GOGH

Tela Van Gogh

MAR DE OLHARES

Imagem /de Maylin Ling

MORANDO NO MAR

Foto Divulgação/crystalcruises.com




Depois da morte do marido, Lee Wachtsetter tomou uma decisão: vender a confortável casa em que morava na Flórida (EUA) e sair pelo mundo. Mais precisamente pelo mar. Aos 86 anos, a americana mora em transatlânticos há dez. Só no Crystal Serenity são sete anos seguidos. 

"Antes de vir para este (o Crystal Serenity) em morei em um navio da Holland America por três anos. Quando eles anunciaram o fim do programa de dança para os hóspedes decidi ir embora", contou a americana ao "USA Today". 

Lee sempre adorou passeios em navios cruzeiro. Desde 1962, ela já fez 283 viagens em transatlânticos mundo afora. 

Por ano, Lee gasta cerca de R$ 410 mil com a moradia inusitada, que dá direito a todas as refeições, filmes em cinema e danças em bailes, entre outras atrações. 

"A tripulação se esforça ao máximo para me deixar feliz. Alguns deles são a minha família agora. Se eles não têm o que quero no momento, vão acabar conseguindo. Mesmo que tenham que comprar fora do navio", disse a idosa, conhecida por todos como "Mama Lee".


Lee relaxando no Crystal Serenity - Reprodução/pennyhaw

A americana já visitou mais de 100 países. Em 2011, a blogueira Penny Haw conheceu Lee em um cruzeiro à Itália. Uma coisa chamou bastante atenção de Penny: o cartão de visita da idosa a definia como "Mama Lee - Dança, Cruzeiro e Curtição da Vida".

"Eu e o meu marido adorávamos cruzeiros. Antes de morrer, em 1997, ele me disse não não parar de viajar. Foi o que fiz. Ele não gostava de dançar. Então, nos últimos 15 anos, a dança se tornou uma grande parte da minha vida. Quando não conseguir mais dançar, provavelmente vou deixar de fazer cruzeiros", disse Lee à blogueira.


Lee dança com um membro da tripulação - Reprodução/YouTube(sam h) ASSISTA AQUI

sábado, 24 de janeiro de 2015

NA PRAIA...

Foto sem nenhum crédito

LÁ NO FUNDO

Foto Justin Henry

Os tubarões-baleia estão entre os maiores peixes que vivem no mundo – podem chegar aos 20 metros de comprimento e pesar cerca de 34 toneladas. Apesar de seu gigantesco tamanho, são inofensivos para os seres humanos, podendo mergulhadores nadarem ao redor deles sem nenhum problema. No entanto, é devido a sua enorme massa que uma comissão internacional teve que intervir protegendo-os dos impactos associados com a pesca de atum no Oceano Pacífico Oriental.

Pescadores já sabem há algum tempo que os atuns, junto com muitas outras espécies de peixes, se aglomeram em torno de objetos que ficam flutuando na superfície. É comum a construção de estruturas flutuantes para atrair os atuns, garantindo por meio deste comportamento a captura. Porém, pescadores perceberam que tubarões-baleia por serem grandes animais, também atraiam cardumes de atuns, assim como as estruturas flutuantes. Isso levou alguns pescadores a implantar redes em torno de tubarões-baleias a fim de capturar atuns. Em muitos dos casos, os tubarões-baleia acabavam também sendo cercados pelas rede ferindo-se ou até chegando a morrer. Para proteger os tubarões-baleia deste mal, a Comissão Interamericana do Atum Tropical (CIAT) aprovou uma resolução em 2013, que proíbe essa ridícula arte de pesca.

(Do Phys.org)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CATÁSTROFE ANUNCIADA


Cientistas concluíram que os oceanos e animais marinhos estão prestes a sofrer danos irreversíveis.

De acordo com Douglas McCauley, ecologista da Universidade da Califórnia e autor do estudo, publicado na revista Science: “Podemos estar sentados à beira do precipício de uma grande extinção“.
Segundo McCauley, ainda assim há tempo de evitar uma catástrofe maior.

A pesquisa cruza dados de diversas fontes, desde relatórios sobre a exploração de combustíveis fosseis até estatísticas sobre remessas de containers, pesca e mineração oceânica.

Os cientistas detectaram sinais claros que os seres humanos afetaram os oceanos e a vida marinha de forma grave.

A intervenção humana gerou consequências graves sobre a população marinha. Enquanto algumas espécies sofrem com a superpopulação, outras estão ameaçadas de extinção.

A população de recifes de corais, por exemplo, diminuiu 40% no século passado, principalmente pelas consequências do aquecimento global.

Algumas espécies de peixes estão migrando para águas mais frias. Outras espécies, com a locomoção reduzida, não irão conseguir encontrar novos lares. Outras ainda migram para regiões distantes causando um grave desiquilíbrio, como é o caso do peixe- leão.

Ao mesmo tempo, as emissões de gases do efeito estufa estão alterando a química da água do mar,tornando-a mais ácida.

Ainda assim, a pesquisa afirma que há tempo para reduzir os estragos, com a implantação de programas que limitem a exploração dos oceanos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

CANTIGAS DO MAR

VAMOS A LA PLAYA?


PESCA? NINGUÉM SABE DE NADA!

Uma disputa entre pescadores e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) sobre a nova lista de peixes ameaçados de extinção, publicada em dezembro, fez emergir um problema crônico e profundo da gestão pesqueira no Brasil: a falta de dados sobre a produção de pescado nacional.

Ninguém sabe quanto se pesca no Brasil.

O Ministério da Pesca e Aquicultura não produz estatísticas sobre a atividade pesqueira no Brasil desde 2011.

O último boletim estatístico publicado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura é de 2011. Desde então, não há dados oficiais consolidados sobre a atividade pesqueira no País.

Quais espécies estão sendo pescadas? Onde, como e em que quantidade? A produção está aumentando ou diminuindo? Ninguém sabe. Fazendo uma analogia com o setor agrícola, é como se o Ministério da Agricultura não soubesse informar quanto o Brasil produziu de carne e soja nos últimos três anos; nem onde estão as fazendas, ou de que raça são os bois.

“Estamos trabalhando basicamente às cegas, há muito tempo”, diz Fernando das Neves, vice-presidente do Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), em Santa Catarina, maior polo de pesca industrial do País. “Não há como fazer uma boa gestão pesqueira sem informações.”

O problema incomoda tanto o setor produtivo quanto cientistas e organizações conservacionistas, que ficam limitados na sua capacidade de monitorar e planejar a sustentabilidade da atividade — seja com o intuito de intensificar ou de restringir os esforços de pesca.

“A falta de dados é prejudicial para todos”, diz a bióloga Mônica Brick Peres, diretora geral da organizaçãoOceana Brasil e especialista em recursos marinhos e gestão pesqueira. “Para fazer manejo de pesca, você precisa saber o que é capturado, o que é jogado fora, o que é desembarcado, como, onde e em que época. Sem essas informações, qualquer coisa é chute.”

Carta de recomendações

A Oceana protocolou em Brasília, no dia 14, uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff, pedindo uma reestruturação das políticas de pesca no Brasil. O documento é assinado por 28 especialistas acadêmicos e 16 representantes de entidades ligadas ao tema, incluindo ONGs, sindicatos e grandes empresas do setor pesqueiro — atores que normalmente sentam em lados opostos do auditório, mas que, neste caso, têm um problema em comum para resolver. O primeiro item na lista de necessidades elencadas pelo grupo é, justamente, a produção de dados “sistemáticos e contínuos” sobre as atividades de pesca no País.

“A produtividade biológica da pesca extrativa depende diretamente da capacidade de reposição natural dos estoques pesqueiros explorados. Por isso, é imprescindível manter um sistema eficiente e contínuo de coleta e análise de dados técnico-científicos e avaliações de estoque para subsidiar o adequado ordenamento da pesca”, afirma a carta. O Sistema Nacional de Informações de Pesca e Aquicultura (Sinpesq), criado em 1995 para suprir essa necessidade, “nunca foi devidamente regulamentado ou implantado”, segundo o documento.

Para baixar uma cópia da carta na íntegra, clique aqui: Carta Aberta à presidenta – Ordenamento da Pesca

“No Brasil, a maioria das pescarias não tem qualquer controle ou normatização”, prossegue a carta. “Dada a fragilidade histórica da gestão pesqueira, o país enfrenta hoje enormes lacunas em termos de monitoramento, avaliação de estoques e fiscalização da pesca, com um claro retrocesso nos últimos anos. A situação da pesca é bastante grave e precisa ser urgentemente revertida.”

Justificativas

Procurado pelo Estado para explicar porque os Boletins Estatísticos de Pesca e Aquicultura deixaram de ser publicados em 2012, o MPA informou que “tem buscado aperfeiçoar a coleta de dados e só então publicará os boletins subsequentes”. O único dado disponível para o período é o da produção aquícola (de animais aquáticos cultivados em tanques) de 2013, compilado pelo IBGE.

“O MPA busca a continuidade da parceria com o IBGE (…) e também está em contato com outras instituições para auxiliá-lo nessa tarefa, que é complexa, haja vista as dimensões continentais do nosso país”, informou o ministério, por meio de sua assessoria de imprensa. “Paralelo a isso, busca o incremento orçamentário para que a coleta de dados possa ser retomada de forma efetiva e contínua em todo o território brasileiro.”

Um Grupo Técnico de Trabalho (GTT), formado por oito especialistas, foi criado em outubro pela pasta(Portaria MPA 385:2014 GTT) com a finalidade específica de “analisar os dados de produção pesqueira e aquícola no período de 2008 a 2013”, num prazo de 90 dias. O relatório final do grupo, segundo o ministério, está em “fase de finalização”.

Segundo Mônica Brick Peres, da Oceana, 2008 foi o último ano em que se fez um trabalho sistemático de coleta de dados no campo sobre pesca, em escala nacional. Todos os relatórios publicados desde então, segundo ela, são baseados em extrapolações desses dados mais antigos, combinados com dados regionais de alguns Estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro, que têm iniciativas próprias de monitoramento.

O único Estado que nunca interrompeu sua coleta de dados pesqueiros é São Paulo, por meio do Instituto de Pesca. “Ter dados estaduais ajuda, mas não basta”, diz Marcus Carneiro, pesquisador e coordenador de projetos do instituto. “Apesar de todo o acompanhamento que fazemos, só sabemos aquilo que foi desembarcado em São Paulo, não tudo o que foi pescado.”

Carneiro explica que o peixe que é descarregado no Estado não foi necessariamente pescado em águas paulistas. É comum barcos da frota de São Paulo pescarem em outros Estados, assim como há barcos de outros Estados que pescam no litoral paulista e voltam ao seu porto de origem para descarregar. Assim, só um monitoramento nacional seria capaz de identificar com precisão esse vai e vem das pescarias — indispensável para uma gestão adequada dos recursos pesqueiros.

“Os dados que tínhamos (até 2011) não eram os melhores, mas permitiam fazer algum tipo de análise”, diz o biólogo Ronaldo Francini Filho, especialista em peixes, corais e manejo de recursos marinhos, da Universidade Federal da Paraíba. “Agora, basicamente, não temos estatística pesqueira nenhuma. É uma lacuna enorme.”

(Do Estadão – Blog Herton Escobar)