segunda-feira, 30 de abril de 2018

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre
SEM NOME

A ROTA DAS TAINHAS

Foto arquivo
UMA LONGA VIAGEM!!!


Tainha é o nome comum dado a vários peixes da família dos Mugilídeos. A que é pescada por aqui – Mugil Brasiliensis – é comum em todo o Atlântico Sul e encontrada desde a Argentina até o Rio de Janeiro e em várias partes do mundo.
Atingem até cerca de 1 metro de comprimento e 8 kg de peso, sendo mais comuns exemplares de 60 cm. Esta espécie passa grande parte de sua vida em regiões estuarinas. No outono os adultos abandonam o estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e iniciam seu corso, migração reprodutiva ao longo da costa em direção ao norte, estimulada por quedas da temperatura com a entrada de frentes frias na região e em busca de águas mais quentes para desovar.
Viajando em grandes cardumes, já chegaram a ser pescadas na Ilha de Santa Catarina em lanços de até 200 mil peixes. Sua pesca é feita em todo litoral do Brasil.

É chamada também de Curimã ou de Bicudo no Nordeste e Norte brasileiros. Em Portugal é também conhecida por Muge, Mugem, Liça ou Fataça.

ALÉM DA SOLIDÃO


A praia do Saquinho no clique da Eli Elisa 

TAINHAS URBANAS

Tainha no centro de Los Angeles - EUA

MAR DE PESCADOR

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e atividades ao ar livre

A PESCA ARTESANAL NAS PRAIAS 
DA ILHA DE SANTA CATARINA



... à partir de meados do século XIX, as principais freguesias que se dedicavam à atividade pesqueira eram Ponta das Canas, Barra da Lagoa, Canasvieiras e Campeche”...

A pesca artesanal na Ilha de Santa Catarina representou grande importância na cultura local, dentre outros motivos por permitir ao açoriano que aqui chegou atividade de subsistência fundamental. Aliada à agricultura a pesca artesanal foi certamente um dos aspectos que mais contribuiu para a fixação do homem à terra, numa ilha que muitas similaridades tinha com as ilhas de Açores.




Como escreve Walter PIAZZA no seu livro " A colonização de Santa Catarina", no período de 1748 a 1756 desembarcaram em Santa Catarina cerca de seis mil imigrantes, em sua maioria açorianos. Além das terras o governo português havia prometido auxílio financeiro, incluindo transporte gratuito, armas, ferramentas, animais, farinha e isenção do serviço militar. Mas ao chegar à história foi outra. Os imigrantes ficaram sujeitos ao recrutamento já que um dos principais propósitos da colonização era garantir as terras do Sul sob a bandeira Portuguesa e pouco do que havia sido prometido foi cumprido ficando mesmo os imigrantes sujeitos ao confisco de alimentos.


Dado que as terras da Ilha não eram tão férteis quanto o solo vulcânico dos Açores a maioria das culturas que eram comuns aos açorianos ou que na época interessavam comercialmente à Coroa não tiveram sucesso e os colonos precisaram adaptar-se à outras culturas, como e principalmente pela lavoura herdada dos índios: a mandioca, que logo se tornou a base alimentar da população.



A pesca não tinha grande importância econômica e por isso tornou-se atividade subsidiária. A única atividade pesqueira interessante comercialmente foi à pesca da baleia que durou até o começo do século XX.



Na Ilha de Santa Catarina a partir de meados do século XIX, as principais freguesias que se dedicavam à atividade pesqueira eram Ponta das Canas, Barra da Lagoa, Canasvieiras e Campeche. O trabalho na pesca era intercalado com o trabalho na lavoura. Entre os meses de maio a julho, época da tainha, o homem deixava a roça e o engenho de farinha aos cuidados da mulher e dos filhos para sair ao mar. No século XX a pesca vai se tornar trabalho remunerado, tornando-se a agricultura atividade subsidiária aos cuidados sobretudo das mulheres e os filhos dos pescadores.



A pesca artesanal vai começar a perder importância em meados do século XX, quando vai se tornar comum a saída dos pescadores da Ilha para trabalhar em grandes embarcações no Rio Grande do Sul ou em Santos - SP, onde estavam localizadas empresas pesqueiras emergentes, estimuladas pelos planos de desenvolvimento nacional implementado no pós guerra.



Em Canasvieiras foi possível sentir claramente estas mudanças ao longo do tempo. São comuns as histórias de moradores hoje idosos que quando jovens trabalhavam em Santos ou em Rio Grande. Eram pescadores que cresceram pescando nas redes da praia, aprenderam o ofício na pesca artesanal e encontraram trabalho nos pesqueiros gaúchos e paulistas.



Em meados da década de 1970 o turismo torna-se a principal atividade econômica da região. Hoje ainda é possível assistir a uma pescaria com rede de arrasto principalmente no inverno época da pesca da tainha na praia de Canasvieiras. O rancho dos pescadores é atualmente uma espécie de fortaleza de resistência da atividade tradicional da pesca. A produtividade não compensa economicamente, porém tem significado cultural importante. A própria história da construção do rancho foi quase uma guerra entre especuladores do mercado imobiliário e pescadores locais. Em meados da década de 1980 os pescadores começaram ter dificuldade para encontrar abrigo para as suas embarcações.


domingo, 29 de abril de 2018

CAMINHOS...

Olhar, passos e clique do Tasso Claudio Scherer

MEMÓRIA DAS ÁGUAS

NAUFRÁGIO, PESCA E AGRICULTURA
Por José Luiz Sardá 

O Distrito de Ingleses do Rio Vermelho, cuja origem deste lugar é atribuída ao naufrágio de uma caravela inglesa ocorrido na metade do século XVIII em frente à Ilha de Mata-Fome. Esta ilha serviu de abrigo aos náufragos, do qual alguns sobreviventes constituíram famílias com as nativas deste lugar. Nesta época era um povoado bastante habitado. 
Através de decreto em 1831 passou a condição de Distrito. Conta-se que um abastado lavrador em 1881 construiu sobre os cômoros em frente à praia a atual capela de Nossa Senhora dos Navegantes.
 Anualmente é realizada a tradicional festa em homenagem a padroeira desta localidade. Na antiga vila de Aranhas conhecida por Praia do Santinho à pesca era farta, bem como a cultura da mandioca e do amendoim. Nos arraiais das Capivaras, atual Sitio Capivari a cultura do milho destacava-se e as casas na maioria ficavam situadas no sopé dos morros, com vistas para os campos, vastas plantações, cômoros de areias e a praia.

Mergulhe fundo e veja mais no

https://www.facebook.com/joseluiz.sarda

sábado, 28 de abril de 2018

MAR DE POETA

Arte Andrea Ramos
Da griffie  poética "Cobra Coralina", textos & traços & emoções à flor da pele, naquele tempo em que acreditar era pra sempre e ainda se discutia o sexo das tainhas!

TEM TAINHA NA ARMAÇÃO

E o Daniel, do Cardoso Armação, garante que ele tarrafeou as "sagradas" ontem a noite no Matadeiro!
Pois e agora? 

DE OLHO NO PEIXE...

Foto Heverson Santos


Foto Nunsey D'Quem

"Dia calmo o mar encrespou
Sem grande ondulação
É o vento da viração"
(Dito popular registrado na ilha por A. Seixas Neto no século passado)

ELAS ESTÃO CHEGANDO...

Foto Rodrigo Pacheco
No canto esquerdo da praia dos Ingleses!
(via Silézio Sabino)

QUANTO SE PESCA NO BRASIL?


Poucos são os dados oficiais sobre a pesca artesanal no Brasil. Estatística pesqueira recorrente e com dados atualizados parece um sonho distante para pesquisadores e pescadores artesanais.

A inexistência de informações precisas leva a aplicação de políticas públicas equivocadas, que prejudicam pescadores, consumidores e o meio ambiente.

Uma experiência bem-sucedida de automonitoramento da produção de pescado, no entanto, tem sido realizada por pescadores do lago de Itaparica, no município de Petrolândia, em pleno sertão pernambucano. E mais que conhecer a produção de pescado individual, tem ajudado a repensar políticas públicas no município.

Essa experiência é retratada na cartilha "Automonitoramento da Produção de Pescado", realizada pelo CPP regional Nordeste 2 e pela Colônia dos Pescadores Z 23 de Petrolândia, e agora pode ser acessada digitalmente pelo site do CPP Nacional!

Leia e ajude a compartilhar essa experiência bem-sucedida!!!

SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?

Foto Fernando Alexandre

ÚÚÚÚ!!!!
Muita tainha no dia de São João no Pântano do Sul!
Em 2009!

sexta-feira, 27 de abril de 2018

ELAS ESTÃO CHEGANDO...

As tainhotas vieram na frente pra avisar que as "sagradas" estão chegando!

RAINHAS BORDADAS

Foto Fernando Alexandre
"Zé Gancheiro" e "Osmarina": na espera e na espreita!
Pântano do Sul

CABOTO NA ILHA


Expedição Cabotina, com a bandeira da Armada de Castela, fundeada nas águas da pequena praia da Ilha do Sol, na baía de Santos, por onde Caboto também esteve. Ilustração de José Coriolano Carrião Garcia.

Em 19 de outubro de 1526  aportava na Ilha dos Patos (ou Porto dos Patos), denominação européia na época, ou Yjuriré-Mirim (denominação de seus habitantes indígenas), o navegador veneziano a serviço da Espanha Sebastião Caboto. Ancorado no Sul da Ilha, entre a praia de Naufragados e o Ribeirão da Ilha, Caboto fez "aguada" ( se abasteceu de água e víveres) e seguiu viagem em direção ao Rio da Prata, retornando pouco tempo depois.

O povoamento do território catarinense e principalmente da Ilha está intimamente ligado, nos seus primórdios, aos interesses de navegações portuguesas e espanholas que tiveram o litoral de Santa Catarina como ponto de apoio para atingir a região do Rio do Prata (sem mencionar as expedições de outras nacionalidades).Pelo fato de o litoral catarinense servir como ponto de apoio, os primeiros povoadores foram náufragos, como os sobreviventes de uma embarcação da expedição de João Dias Solis; ou desertores, do "San Gabriel", navio que fazia parte da expedição espanhola comandada por D. Rodrigo de Acuña. Da expedição de Sebastião Caboto, em 1526, também apareceram desertores.
Para alguns historiadores, baseados em relatos antigos, foi Caboto que renomeou a até então Ilha dos Patos com o nome de Santa Catarina, em homenagem a sua esposa Catarina Medrano. Outros atribuem o novo nome como sendo uma homenagem a Santa Catarina de Alexandria, festejada pela igreja em 25 de novembro.
Em sua passagem por aqui, Sebastião Caboto perdeu próximo da praia de Naufragados uma de suas naus, a Santa Maria de La Concepcion.

NAUFRÁGIO

Alguns anos atrás, mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul localizaram restos de um navio que pode ser de um dos mais antigos naufrágios que se tem registro: a nau Santa Maria de La Concepcion, de Sebastião Caboto, que foi a pique em 1526. Agora, encontrar o sino ou os canhões de sinalização, que trazem o nome da embarcação marcado nas peças, é o objetivo imediato dos mergulhadores que descobriram vestígios de um navio do século 16 afundado próximo à Praia de Naufragados, no Sul da Ilha de Santa Catarina. Os objetos procurados poderão comprovar a suspeita de que a embarcação pertenceu realmente a Sebastião Caboto.
Nesta reportagem do programa Educação & Cidadania da Tv Barriga Verde, de Florianópolis, às buscas pela nau de Francisco Caboto que estão sendo realizadas pelos mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul.

JACK O MARUJO

Imagem relacionada

- O sr. deve ter feito muita coisa na vida, capitão. Como é seu currículo?
- Assustador, disse Jack o Marujo.



MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

NO SILÊNCIO DAS ÁGUAS...


O mapa doa assaltos à túmulos (Ilustração: The Guardian)
Mais túmulos correm o risco de serem profanados

Naufrágios da Segunda Guerra Mundial: maior assalto de túmulos do mundo na Ásia

The Guardian: “Dezenas de naufrágios da Segunda Guerra Mundial que contém os restos de milhares de militares britânicos, americanos, australianos, holandeses e japoneses foram ilegalmente destruídos por mergulhadores. Análises de navios descobertos por mergulhadores de descobriram que até 40 navios da segunda guerra já foram parcialmente ou completamente destruídos. Seus cascos poderiam ter contido os cadáveres de 4.500 tripulantes.”

“Governos temem que outros túmulos correm o risco de serem profanados. Centenas de navios – principalmente japoneses que podem conter milhares de tripulantes mortos durante a guerra – permanecem no fundo do mar. Eles também contêm metais valiosos. Entre outros cabos de cobre e hélices de bronze fosforescente. Especialistas dizem que os escavadores estão procurando mais tesouros – chapas de aço feitas antes da era dos testes nucleares, que preenchiam a atmosfera com radiação. Esses navios submersos são uma das últimas fontes de aço praticamente livre de radiação, vitais para alguns equipamentos científicos e médicos.”
Célebres navios de guerra da Grã-Bretanha foram recuperados ilegalmente

“The Guardian revelou no ano passado que os destroços de alguns dos mais célebres navios de guerra da Grã-Bretanha foram recuperados ilegalmente. Isso provocou tumulto entre veteranos e arqueólogos, que acusaram o governo do Reino Unido de não se mexer para protege-los. Três navios – HMS Exeter, HMS Encounter e HMS Electra – continham os corpos de mais de 150 marinheiros. Todos afundaram durante as operações no mar de Java em 1942, uma das escaramuças mais caras para os Aliados durante a guerra. Em 2014, os naufrágios do HMS Repulse e do HMS Prince of Wales e túmulos para mais de 800 marinheiros da Royal Navy foram encontrados com danos.”

Ministério da Defesa do Reino Unido exige que Indonésia proteja os navios

“O Ministério da Defesa do Reino Unido exigiu que a Indonésia proteja os navios navios. Um naufrágio militar deve permanecer inalterado e aqueles que perderam suas vidas a bordo devem poder descansar em paz, disse um porta-voz do ministério. Desde então, mergulhadores na Malásia enviaram fotos mostrando a destruição de três navios japoneses afundados na costa de Bornéu em 1944. E um dos mais preciosos da Austrália, o cruzador leve HMAS Perth, também foi arruinado. Dan Tehan, ministro australiano para assuntos de veteranos, disse ao Guardian:

O HMAS Perth é o lugar de descanso final para mais de 350 australianos que perderam a vida defendendo os valores e as liberdades da Austrália, então os relatórios sobre os destroços foram perturbados são profundamente perturbadores e de grande preocupação.

Milhares de marinheiros descansam no fundo do mar. E veteranos argumentam que os navios devem ser preservados como sepulturas de guerra.
Naufrágios da Segunda Guerra Mundials retalhados por ladrões

“Grandes gruas foram fotografadas acima dos locais de naufrágio. No fundo do mar, mergulhadores encontraram navios cortados ao meio. Muitos foram completamente removidos, deixando um buraco em forma de navio.”

Uma barcaça e mergulhadores assaltando naufrágios da Segunda Guerra Mundial

Uma barcaça para em cima do naufrágio. Mergulhadores descem…
Eles colocam explosivos nos navios que são destruídos…

Ilustração: The Guardian
E recolhem que o sobrou não respeitando as mortes provocadas pelos equívocos da história.

(Fonte: The Guardian, via marsemfim.com.br)

SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?


VEJA O MAIOR "LANÇO" EM 25 ANOS

O maior "lanço" de Garopaba nos últimos 25 anos ocorreu na temporada 2010, quando registrei em vídeo precário numa pequena Sony com pouca memória e bateria limitadíssima. O que deu para fazer até ficar sem recursos, no entanto, valeu a pena.
 As cenas dão uma ideia da festa popular que se cria a partir do grito "Tem tainha!" do olheiro. A cidade toda (os antigos) vão para a praia assistir ao espetáculo e pegar sua tainha, com ou sem consentimento dos pescadores. O vídeo tinha 27.366 visualizações até essa postagem. Vamos ver. E pode se emocionar.

(Imagens, texto e emoções do Sérgio Saraiva)

quinta-feira, 26 de abril de 2018

SE ALEMBRAM DAQUELE LANÇO?

Fotos Fernando Alexandre
  


Cerco de 24 de junho de 2010 - Pântano do Sul

QUANDO ENTRA É MELHOR NÃO RESISTIR!


Banda do Ribeirão da Ilha!

Guitarra e Voz: Helio Calandrini / Bateria: Matheus Passos / Baixo: Tiago Alves 
Sugestões para Masterização: Tarso Germany
Produção: Tiago Alves

LINHAS D'ÁGUA

Foto Fernando Alexandre

PESCADORES DE TAINHAS - COMUNICADO

Atenção pescadores da grande Florianópolis

Dia 27, sexta feira, as 18hs na sala da Colônia da Barra da Lagoa, em Florianópolis, vai ser realizada uma reunião com a polícia ambiental.
Assunto: Safra da tainha
Importante que todos compareçam, e divulguem para todos os pescadores.

(Local: ponto final da barra,  em cima da farmácia.)

MAR DO PAULO GOETH


NO CAPITÃO ADEMIR


quarta-feira, 25 de abril de 2018

ÚÚÚÚ!!!!

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, montanha, céu, atividades ao ar livre e natureza
Foto Anthony Medeiros Alaño

Deu peixe!

Camaradagem do Pantusúli acaba de cercar e arrastar 600 tainhotas "na boca da rua", segundo informações da Comandante Zenaide do Pedacinho do Céu!

OUTONO OU TUDO


Foto Fernando Alexandre

luz de outono
olhos latem como um cão
sem dono
(Fernando Alexandre)

SECANDO AS REDES, ESPERANDO O PEIXE

DARWIN, UM NAVEGANTE!


A circum-navegação de Darwin

Publicado por João Lara Mesquita 

Como você imagina que Darwin desenvolveu a teoria da evolução pela seleção natural das espécies? Indo a campo, claro! Foi a circum-navegação de Darwin no século XIX.

O jovem Charles Darwin, com apenas 22 anos, passou quase cinco anos à bordo do HMS Beagle, entre 1831 e 1836, navegando ao redor do mundo!

Passando por diversas regiões do mundo e por ecossistemas diferentes, o cientista observou uma enorme variedade de animais, plantas, culturas, fósseis e formações geológicas, e assim formulou ideias sobre como diferentes espécies surgem e evoluem no planeta Terra.


Durante a viagem de cinco anos, Darwin e a tripulação do Beagle passaram a maior parte do tempo explorando a América do Sul, incluindo ilhas como Galápagos. Mais tarde o cientista chegou a afirmar que essa viagem foi o principal evento de sua vida.



A circum-navegação de Darwin teve fim no dia 2 de outubro de 1836, quando Beagle jogou a âncora em Falmouth, na Inglaterra.

Mas… Sabemos muito bem que algumas navegações são longas, exigem paciência da tripulação e geram um grande tempo ocioso que pode ser preenchido com um bom livro.

O que será que o jovem Darwin lia a bordo do Beagle durante todo esse tempo no mar?

A resposta está em uma biblioteca digital, compilada pelo projeto Darwin Online, que reproduz, de maneira ilustrada e detalhada, as 181 obras que compunham a biblioteca flutuante do Beagle.

NAVEGANDO COM O SOL

Canoa solar ajuda comunidades a navegar sem gasolina nas águas da Amazônia 


A canoa solar que ajuda comunidades a navegar sem gasolina nas águas da Amazônia – 
Depois de fazer estudos de navegabilidade, decidiu-se que o desenho da canoa dos indígenas Cofan, no norte da selva equatoriana, era o mais adequado para as águas amazônicas

Sob a pálida luz de uma lâmpada que pendura do teto de um abrigo de madeira, um círculo de homens bebe litros e litros de uma infusão de folhas preparada na noite anterior pelas mulheres da casa.

São quatro da manhã e ainda falta um par de horas para que amanheça em Kapawi, uma pequena comunidade indígena achuar em um canto remoto da Amazônia equatoriana.

Os homens bebem e bebem até que o corpo lhes diz que basta.

E, um a um, desaparecem na escuridão desta noite sem lua para esvaziar o conteúdo de seus estômagos com ruidosos vômitos.

Hilario Saant foi um dos quatro tripulantes que trouxeram a canoa do porto de Iquitos, no Peru, até o território achuar. Foi uma viagem por 1.800 km do rio que demorou 25 dias

Na volta, mais acordados e energizados pela limpeza, começam a relatar e interpretar os sonhos da véspera.

O mundo onírico tem um papel central na vida dos achuar: não só guia suas ações do dia, mas também seus planos a longo prazo, o futuro da comunidade.

E foi justamente em uma dessas cerimônias, um ritual ancestral conhecido como “guayusada”, que os anciãos compartilharam, há mais de meio século, um sonho que acabou sendo premonitório: pelas águas marrons do rio, viram descer “um barco de fogo”.

A canoa solar que ajuda comunidades a navegar sem gasolina na Amazônia 

Mito ou história genuína, o certo é que essa visão se transformou recentemente em uma realidade para um grupo de comunidades Achuar.

Desde abril de 2017, uma canoa alimentada por energia solar percorre 67 km pelos rios Capahuari e Pastaza e liga cerca de mil pessoas divididas em nove assentamentos isolados que vivem em suas margens.

Para os mais pequenos, viajar na canoa é um acontecimento especial

“Meus pais, meus avós sonharam com isso. O sonho é uma mensagem. Os achuar conhecem pelos sonhos. O sonho não é mentira, é a verdade”, diz Hilario Saant, um ancião de Kapawi.

A canoa se chama Tapiatpia em homenagem a um lendário peixe-elétrico da área, e é o primeiro sistema fluvial comunitário solar da Amazônia.

Esse modelo de transporte sustentável que percorre o território por suas rotas ancestrais, os rios, não só materializa um antigo sonho: também responde ao desejo profundo dessa cultura de viver em harmonia com o meio ambiente.

O projeto ainda está em sua etapa inicial. Mas se for bem-sucedido, tem o potencial de ser implementado em outros rios da bacia amazônica, um ecossistema ameaçado pelo desmatamento e pela exploração petroleira e de cujo futuro o clima do planeta depende.

Há uma década, Utne trabalha desenvolvendo o projeto da canoa solar

Tecnologia de ponta, desenho ancestral

“A canoa solar é uma solução ideal para esse lugar porque aqui não há rede de rios navegáveis, interconectados e há uma grande necessidade de transporte alternativo”, explica à BBC Mundo Oliver Utne, o americano que deu vida ao projeto Kara Solar (Kara significa “sonho” em achuar), depois de conviver com a comunidade durante anos.

“Como a gasolina só pode chegar aqui por avião, custa cinco vezes mais que no resto do país”, explica. É um luxo que não se podem dar.

“Por outro lado, a ameaça de chegada de estradas a esse território, um dos lugares com maior biodiversidade do mundo, está muito presente.”

“Trazê-las até aqui significaria a destruição dessa biodiversidade e produziria um impacto muito forte nessas culturas”, argumenta o jovem de pouco mais de 30 anos, cabelos loiros e olhos azuis que os achuar tratam como mais um da família.
Por causa da canoa, as crianças podem ir ao centro de saúde quando estão doentes


Com um teto de 32 painéis solares sobre uma canoa tradicional de 16 metros de comprimento e dois de largura, Tapiatpia encarna a fusão da tecnologia moderna com o conhecimento ancestral.

Feita com fibra de vidro em vez de madeira para estender sua vida útil, a canoa tomou emprestado o desenho de embarcação típica dos indígenas cofanes do norte do Equador.

Depois de vários estudos de navegabilidade, foi o modelo que melhor se adaptou às condições amazônicas.
Desde que a viagem ficou mais barata (a viagem custa US$1, mas os estudantes pagam um preço mais barato), há mais alunos inscritos na escola

As rotas, os horários, o porto central e outros assuntos relativos a seu funcionamento foram decididos pelas próprias comunidades com ajuda da “Plan Junto”, uma organização que se encarrega do aspecto comunitário do empreendimento.

“De nada serve o barco se não houver um grupo de gente pensando em como usá-lo e como aproveitá-lo”, explica Celia Salazar, gerente de operações de campo de Plan Junto.

Mais alunos nas classes
De pé na popa do Tapiaptia, com os olhos direcionados à rota, Saant me conta orgulhoso como pouco a pouco a canoa está mudando a vida da comunidade.

Os jovens Achuar querem aproveitar novas tecnologias, mas sem destruir seu território

“Estamos ajudando a comunidade quando há crianças doentes. Me chamam por rádio e levamos as crianças ao centro de saúde. Tapiaptia ajuda a salvar vidas”, me diz, emocionado.

É que sua relação com o barco se remonta aos dias em que era só uma ideia.

Além disso, ele foi um dos quatro tripulantes que fizeram a viagem épica de 1,8 km durante 25 dias para trazer a canoa do longínquo porto de Iquitos, no Peru, até o território achuar.

Sem deixar de olhar para frente, indica com sinais a rota ao capitão sentado na parte traseira da embarcação.

As pistas de aterrisagem são as únicas lisas da selva

“Agora as crianças podem fazer passeios escolares”, continua. “E, se moram longe, podem ir à escola e voltar no fim de semana e ajudar seus pais.”

Mateo Tseremp é testemunha disso. Professor da única escola secundária para 15 comunidades da área, viu um incremento no número de alunos.

Da canoa, Hilário Saant pode ver os animais que se escondem na selva

“Nos ajuda a trazer mais estudantes à unidade educativa Tuna. É muito mais econômico”, me diz durante uma pausa depois da aula.

A canoa também ajuda os jovens a praticar esporte. Além disso, diz Sant, “na canoa podemos conversar”. O ruído de um motor elétrico é quase um sussurro comparado com o ensurdecedor ruído do barco típico da Amazônia que funciona a gasolina. Outro ponto a favor: como o barco é silencioso, não espanta os animais – em um das viagens, a reportagem viu um boto-cor-de-rosa a poucos metros do barco.

Todas as decisões sobre a canoa e seus usos se discutem em uma assembleia comunitária

Contra as estradas

Mais além das vantagens econômicas de um transporte de custo baixo para essas comunidades que vivem principalmente da caça, a agricultura de subsistência e a pesca, um benefício que eles consideram crucial é que não destrói nem polui o meio ambiente.

“Queremos que as crianças conheçam a mesma selva que eu conheço”, diz Saant com firmeza.

A ameaça dos caminhos que vêm da indústria petroleira e madeireira, contudo, está cada vez mais próxima.
Canelos quer desenvolvimento, mas sem estradas em seu território

Em janeiro desse ano, por exemplo, o governo começou a perfurar a primeira de uma centena de poços petroleiros dentro do Parque Nacional Yasuní, no nordeste do país, em plena Amazônia equatoriana.

Essa área abriga nacionalidades indígenas que vivem em isolamento voluntário.
Cada comunidade tem uma pista de terra para permitir a chegada de aviões -é a única via de acesso

Impacto

Mas que impacto pode ter um projeto tão pequeno como esse na luta global contra a mudança climática?

Na Amazônia, uma região que perdeu cerca de 17% de seus bosques nos últimos 50 anos, segundo o Fundo Mundial para a Natureza, e em que o desmatamento continua crescendo a um ritmo alarmente, o que pode fazer uma pequena canoa?

E mesmo se se multiplicarem, que impacto real podem ter duas, três, dez canoas solares diante do avanço incessante da mineração e da indústria madeireira e petroleira?

A canoa foi batizada de Tapiatpia, em homenagem a um peixe-elétrico lendário da região

Para Utne, “a ideia fundamental é que se possa servir como exemplo de um projeto que funciona para uma economia amazônica”.
“E, se não, ao menos pode ter impacto na vida das pessoas daqui”, diz, com humildade.

*Kara Solar é um projeto conjunto dos achuar, a Fundação ALDEA (sigla em espanhol para Associação Latino-americana para o Desenvolvimento Alternativo) e Plan Junto. 
ANOTE AÍ: 
Publicado por Laura Plitt, BBC Mundo, enviada especial à Amazônia equatoriana 

(via https://www.xapuri.info/)