segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


Ribeirão da Ilha - Foto Andrea Ramos
"
Gosto de ver na síncope do dia
A mistura de tintas do poente,
O sangue vivo, violento e quente
Do sol, n’uma medonha hemorragia. 

(Ernani Rosas, poeta - Desterro 1886/ 1955)

NÚ COSTÃO...

Foto sem nenhum crédito
Numa dobra azul do Atlântico!

PRIMEIRA VIAGEM

O Kasato Maru chegou a Santos em 18 de junho de 1908, trazendo 785 imigrantes
Folhapress 

Navio que trouxe japoneses ao Brasil será resgatado por expedição russa

JULIANA COISSI
DE CURITIBA

Ele nasceu inglês, foi comprado por russos e tomado por japoneses. Passou por duas guerras até parar no fundo do mar. Antes, serviu de hospital e fábrica. Transportou carvão, soldados, sardinha. Para os brasileiros, seu papel mais importante foi o de trazer os primeiros 781 imigrantes japoneses ao país, no longínquo 1908.

A história do navio Kasato Maru, símbolo do início da comunidade japonesa no Brasil, está prestes a ser resgatada. Literalmente.

A pedido de brasileiros e por intermédio da Embaixada da Rússia em Brasília, integrantes da Sociedade Geográfica Russa, instituição de pesquisas do país, devem mergulhar em julho nas águas geladas perto do estreito de Bering, onde o navio afundou, em 1945, para remover suas peças e trazê-las ao país.

Ainda não se sabe quais itens estão preservados depois de 71 anos sob as águas do mar, mas envolvidos no projeto almejam recuperar âncoras, leme e utensílios como metais e louças.

O acervo encontrado será exposto em Moscou e outras cidades russas e deve desembarcar em 2017 no porto de Paranaguá, no Paraná.

O termo de cooperação científica para viabilizar a empreitada foi assinado neste mês pela Sociedade Geográfica Russa e o Itapar (Instituto Tecnológico e Ambiental do Paraná), órgão que ficará responsável pela guarda do material.

Segundo Acef Said, presidente do instituto, o destino final das peças ainda será definido com a comunidade japonesa no Brasil, mas algumas certamente serão enviadas a São Paulo e Curitiba, nos Estados que receberam maior número de imigrantes.

SONHO

Buscar a âncora do Kasato Maru é sonho antigo da comunidade nipônica, conta Said. Em 2005, perto do centenário da imigração, deputados federais descendentes buscaram ajuda da Rússia, onde o navio afundou. As tratativas, no entanto, não avançaram na época.

Em 2011, teve início uma nova tentativa de tornar a ideia realidade. De acordo com Said, que fez a interlocução para o resgate, foi o embaixador russo Serguey Akopov o responsável por encontrar a solução.

A alternativa foi ir além do caráter histórico e tornar o projeto uma expedição científica, que aproveitasse para estudar, por exemplo, biologia marinha e efeitos do aquecimento global.

Com este viés de pesquisa, foi possível que assumisse a expedição a Sociedade Geográfica Russa, entidade que tem como membro o presidente Vladimir Putin, além de navios e equipes de mergulho acostumados a pesquisas do gênero.

A intenção é envolver estudiosos dos dois países. Segundo o primeiro-secretário da embaixada, Yuriy Mozgovoy, os custos da expedição ainda serão estimados.

"Foi uma decisão [da Rússia] por razão humanitária, cultural, de apoiar uma parte da população brasileira que fez esse pedido e de realizar esse sonho. Por que não?", disse Mozgovoy.

O gesto dos russos agrada brasileiros e japoneses.

"É um navio muito simbólico para nosso imigrante porque foi o primeiro. Vários vieram depois, mas ele foi o pioneiro", afirmou o cônsul Jiro Takamoto, do Consulado-Geral do Japão em São Paulo.

O órgão estima em 1 milhão o número de descendentes no país.

DO COMEÇO AO FIM

Por uma coincidência da história, a Rússia, mais uma vez, será personagem-chave na trajetória do Kasato Maru. É que foram os russos que compraram o navio, o afundaram duas vezes e, agora, irão resgatá-lo.

Adquirido de um estaleiro em Newcastle, no Reino Unido, em 1900, o navio nascido Potosi foi rebatizado de Kazan. Cinco anos depois, em uma batalha com japoneses, os russos, derrotados, decidiram não deixar a embarcação para os inimigos e a afundaram antes de fugir.

O Japão, porém, resgatou e consertou o navio. Depois, a embarcação foi incorporada à marinha imperial.

Em junho de 1908, o Kasato Maru desembarcou no porto de Santos (SP) com as primeiras famílias japonesas contratadas para a agricultura, em acordo feito entre os dois governos.

Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, o navio afundou após ser bombardeado por aviões russos perto da península de Kamchatka. 

AH, LUANDA

Ilha de Luanda, com Carlos Burity,
cantor angolano da província do Moxico.

ERAM OS MACACOS NAVEGADORES?

Image copyrightYury Barsukov Alamy Stock PhotoImage captionEnsopado após um mergulho: jornada primata pelo oceano pode ter ocorrido há 40 milhões de anos

Macacos 'marinheiros': Teoria indica que animais cruzaram Atlântico para chegar à América do Sul

Josh Gabbatiss
Da BBC Earth

"Em 1492, Colombo navegou o oceano azul”, diz o poema. Essa história é conhecida.
Exploradores transatlânticos mais antigos já haviam deixado Colombo para trás: é quase certo que vikings fizeram a travessia. Egípcios e outros grupos também teriam conseguido.
Se essas viagens pré-colombianas parecem incríveis, em nada se comparam a uma jornada que parece ter ocorrido há 40 milhões de anos.

No meio do período Eoceno, um grupo de macacos navegou um oceano... verde.
E essa turma intrépida também buscava glória e riqueza do outro lado do oceano. Bem, ou quase isso.

A história evolutiva dos primatas vem recebendo ampla atenção da ciência ao longo dos anos. Nada surpreendente: a história deles é a nossa, e a trajetória da pesquisa das raízes da humanidade acaba revelando muito sobre nossos ancestrais.

Sabemos, por exemplo, que os primatas provavelmente se originaram na Ásia, e graças a novos e sofisticados estudos é possível estimar com precisão a data de aparecimento de diferentes grupos e espécies. 
Image copyrightAlamy Stock PhotoImage captionVikings cruzaram o Atlântico antes de Cristóvão Colombo

Mistério

Um assunto que sempre intrigou pesquisadores, contudo, é como os primatas chegaram à América do Sul.
Avanços na geologia nos anos 1950 e 1960 pareciam ter apontado pistas. Era o período de refinamento dos conceitos de deriva continental e placas tectônicas, ideias que logo se tornariam uma explicação "guarda-chuva" para distribuições estranhas de espécies pelo planeta.

No caso do "enigma do macaco", a argumentação era simples. Não havia oceano Atlântico no passado remoto - África e América do Sul formavam uma massa terrestre chamada Gondwana.

O ancestral primitivo dos macacos do Novo Mundo e do Velho Mundo poderia então literalmente ter caminhado – ou se balançado – até a atual costa leste da América do Sul.

Técnicas de relógio molecular estimam hoje a data de existência do último ancestral comum entre macacos dos mundos Novo e Velho em cerca de 100 milhões de anos após a divisão dos continentes. Então, essa ideia de travessia terrestre caiu por terra.

Cientistas estabeleceram teorias alternativas. Talvez os macacos tivessem feito a travessia a partir de fora da África – via América do Norte ou pela Antártida. Mas não há fósseis para sustentar essas ideias. 

Image copyrightStocktrek Images Inc Alamy Stock PhotoImage captionHá milhões de anos, a África e a América do Sul eram unidas

Descoberta

Embora pareça estranho, o mais provável é que os macacos tenham tido que cruzar o Atlântico. Novas evidências vieram à tona recentemente, reacenderam o debate e colocaram em alta a hipótese da travessia transatlântica.

Uma equipe coordenada por Mariano Bond, da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, desenterrou amostras de dentes de macaco surpreendentemente familiares durante escavações na Amazônia peruana.

"Um dente é muito, muito parecido com um fóssil de dente da África", anima-se Ken Campbell, membro da equipe e curador no Museu de História Natural de Los Angeles.

A partir dali os pesquisadores puderam identificar uma nova espécie, pequena e parecida com os saguis atuais, que denominaram Perupithecus ucayaliensis. A semelhança com o Talahpithecus, um gênero de macaco que viveu no norte da África no Euoceno, é impressionante.

A origem do Perupithecus é o periodo final do Euoceno, há cerca de 36 milhões de anos, o que faz essa espécie o macaco do Novo Mundo mais antigo já identificado. E mais importante ainda: a descoberta fornece pela primeira vez um vínculo direto entre os ancestrais dos atuais macacos do Novo Mundo e os ancestrais primatas da África. 

Quebra-cabeça

Com o consenso sobre o papel da África como uma espécie de berço original a partir do qual os macacos do Novo Mundo se espalharam em algum ponto entre 40 e 44 milhões de anos atrás, o que sobra é uma questão: o oceano Atlântico.

O Atlântico se expande um pouco a cada ano. No Euoceno, ele certamente era menor do que hoje, mas ainda era bem grande – tinha ao menos 1,4 mil km de largura. E como esses macacos primitivos cruzaram essa distância aparentemente insuperável? 

Em geral, há duas explicações possíveis.

Uma é o island hopping, ato de atravessar um oceano em jornadas menores de ilha a ilha. Os níveis dos oceanos oscilaram ao longo da história terrestre. Terras emergiram e foram cobertas pelas ondas.

Image copyrightArctic Images Alamy Stock PhotoImage captionO oceano Atlântico pode ser bem perigoso

Em tese, quando os níveis dos mares estiveram mais baixos, cadeias de ilhas vulcânicas podem ter ligado de alguma maneira a África e a América do Sul, facilitando a travessia.

No entanto, mesmo se houvesse uma cadeia de ilhas à mão, nossos precursores primatas ainda precisariam de transporte entre as ilhas. Aqui é onde os "macacos marinheiros" entram na história.
Navegação

A segunda ideia é a dispersão oceânica por rafting, um conceito que pode parecer lunático, mas conta com uma boa bagagem de precedentes na biologia. Quem o sugeriu primeiro foi um dos pais da biologia da evolução, Alfred Russell Wallace, e desde então ele já foi empregado para explicar tudo, de cobras garter no México à fauna de mamíferos de Madagascar.

Antes do aparecimento da teoria das placas tectônicas e da deriva continental, o processo do rafting era a explicação para qualquer distribuição geográfica intrigante de espécies.

Como a hipótese das placas tectônicas não explica como os macacos chegaram à América do Sul, o rafting deve ter tido um papel. Na verdade já foi até sugerido que esses processos também tenham sido responsáveis pela chegada dos ancestrais de roedores e aves como o jacu-cigano. O Atlântico no Euoceno foi uma verdadeira rota para criaturas náuticas.
Image copyrightChris Mattison Alamy Stock PhotoImage captionUma cobra (Thamnophis hammondi) no México; as serpentes desse gênero podem ter navegado até as Américas

E o que era o rafting na prática? Claro que as pequenas criaturas identificadas por Bond e sua equipe no Peru não eram capazes de construir uma canoa. A tarefa seria ainda mais difícil para uma cobra. Na verdade, a "canoa" em questão é algo mais parecido com uma ilha flutuante.

Se isso começa a soar estranho, você está em boa companhia. Em uma longa análise sobre o assunto, Alain Houle, da Universidade de Montreal, adverte seus colegas para o perigo de usar a hipótese do rafting como explicação para tudo, sem considerar aspectos práticos.

Precaução

Mesmo o influente paleontologista George Gaylord Simpson, que defendeu a teoria do rafting já nos anos 1940, reconheceu que "esse tipo de migração acidental é aventada sempre que é preciso explicar fatos que contradizem a tese principal".

Com essa precaução em mente, Houle procurou antes quantificar a chance de uma ilha como essa se formar. Depois, a possibilidade de transportar uma população saudável de mamíferos ao longo de metade do planeta. 

O primeiro passo é definir a aparência dessas chamadas "ilhas flutuantes". A imagem que vem à mente é a de uma porção de terra, ao menos uma grande massa de vegetação, sendo arrastada pelo mar durante tempestades violentas.

Tais eventos já foram documentados, embora raramente. Também já houve registros de tapetes de vegetação carregados pela corrente Sul Equatorial entre os rios Níger e Congo, na África, até a costa brasileira – exatamente o tipo de ocorrência necessário à odisseia ancestral dos macacos.
Image copyrightWorldFoto Alamy Stock PhotoImage captionUm pouco de madeira certamente não suportaria muitos macacos em uma travessia oceânica

Se esses supostos botes naturais tinham árvores em pé – como formações semelhantes no passado – Russell Ciochon, da Universidade de Iowa, e Brunetto Chiarelli, da Universidade de Florença, sugerem que seria possível a realização desse tipo de navegação.

Pesquisa sobre o fluxo ancestral de correntes oceânicas (examinando aspectos geológicos como estruturas sedimentares) indicou que correntes fortes em direção oeste, vindas do oeste da África, existiram no período Eoceno, como hoje.

Apesar disso, estimativas básicas feitas pelo paleontologista Elwyn Simons indicaram que uma jornada transatlântica que dependesse apenas das correntes levaria, no mínimo, 60 dias – talvez mais do que o mais resistente dos macacos possa aguentar.

Por isso, diz Houle, a ideia da navegação é crucial para toda a teoria. Em sua análise, ele considera efeitos do vento nesses "barcos" hipotéticos, a partir de velocidades eólicas modernas no Atlântico. Estima que, há 40 milhões de anos, o Atlântico poderia ter sido atravessado em bote em 14,7 dias.

Vale mencionar que Houle, como outros pesquisadores que analisaram a ideia em detalhes, tende a apostar na hipótese de uma longa travessia, mais do que pequenas jornadas por cadeias de ilhas vulcânicas.

Considere a probabilidade de um bote se formar uma vez e fazer contato com a terra e a chance de isso ocorrer várias vezes com a mesma população de criaturas. Talvez a última ideia seja forçar demais a imaginação.

Image copyrightRoland Seitre naturepl.comImage captionO macaco-barrigudo (Lagothrix cana) é encontrado principalmente em florestas densas da América do Sul

Resistência

O próximo enigma é o bem-estar dos passageiros a bordo da ilha flutuante. Se os macacos hipotéticos estiveram nessas estruturas por muito tempo, é importante considerar se tinham as características fisiológicas necessárias para a sobrevivência.

O prazo de 14 dias estimado por Houle torna a possibilidade de cruzamento mais plausível do que estimativas anteriores, mas os macacos ainda teriam que enfrentar desidratação, fome e exposição ao sol.

Por motivos óbvios, é impossível afirmar com certeza como esses animais teriam respondido a um novo estilo de vida náutico, e é eticamente questionável buscar a resposta enchendo jangadas com macacos e enviando-as à deriva. Mas podemos inferir as chances de sobrevivência a partir de um entendimento mais geral da fisiologia dos mamíferos.

Campbell, um dos membros da equipe que descobriu o dente na Amazônia e defensor ardoroso da hipótese da jangada, destaca que esses animais eram pequenos – quase do tamanho de esquilos – e teriam exigências simples de comida e água.

Image copyrightblickwinkel Alamy Stock PhotoImage captionO degu (Octodon degus), roedor de origem chilena, pode passar dias sem água

Dito isso, estudos comparativos de resistência à privação de água têm indicado que mamíferos menores tendem a ser bem menos capazes de lidar com a desidratação.

Mas alguns mamíferos conseguem se dar bem com a desidratação, como aqueles provenientes de regiões áridas. Se esses primatas fossem da safra do oeste da África, há boa chance de que estivessem bem adaptados à sobrevivência em ambientes duros e imprevisíveis.

Um estudo comparativo realizado por Arturo Cortes e uma equipe da Universidade do Chile demonstrou que degus – roedores do tamanho de pequenos macacos que habitam regiões semiáridas do Chile – podem sobreviver por quase duas semanas sem água.

É difícil encontrar prova concreta para uma ocorrência tão rara. Mas tendo em conta a viabilidade da formação de ilhas flutuantes e sua capacidade de transportar uma população saudável de macacos, pelo menos é possível dizer que a façanha poderia, em tese, ter ocorrido.

A teoria do rafting oceânico tem recebido uma boa porção de críticas ao longo dos anos, mas quanto mais seus efeitos podem ser devidamente quantificados, ela gradativamente passa de uma ideia conveniente a uma hipótese bem testada e legítima.

A ideia do "macaco marinheiro", embora bizarra, já não parece tão absurda como no passado.

Image copyrightBoaz Rottem Alamy Stock PhotoImage captionUm mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), espécie exclusiva da Mata Atlântica brasileira

Autor de The Monkeys’ Voyage, o biólogo Alan de Queiroz diz que há uma "contrarrevolução" em curso contra explicações simples de distribuição animal pela deriva continental. Ele sugere um modelo mais complexo no qual biólogos evolucionistas aderem a ideias aparentemente malucas sobre dispersão oceânica para explicar nosso entendimento da natureza.

Hoje, as florestas tropicais da América do Sul são tomadas por gritos e sons de tudo, de pequenos micos a bugios estridentes, escondendo-se em buracos e balançando em árvores.

É incrível pensar que esses animais diversos e carismáticos podem ser rastreados até alguns ensopados pioneiros, tropeçando fora de um barco acidental há milhões de anos rumo a um novo mundo.

Eles podem não ser tão conhecidos como Colombo e seus companheiros primatas sem pelos, mas esses "macacos marinheiros" merecem seu próprio lugar na história. 

Leia a versão original em inglês desta reportagem no site da BBC Earth

domingo, 28 de fevereiro de 2016

TEM CINEMA NO PANTUSÚLI!



Oi crianças, adolescentes e famílias! Estão todos convidados para o primeiro Cinema na Comunidade no Pântano do Sul!!!

Na quinta-feira, dia 3 de março, depois das inscrições para as oficinas do Projeto Estrelas do Mar, assistiremos o filme "O Pequeno Príncipe"!!!!

Local: em frente a sede do Projeto Estrelas do Mar (Rua Abelardo Otacílio Gomes 193, Pântano do Sul)
Horário: das 18:30 às 20:30h

Teremos carrinho de pipoca gratuito!!!
Tragam suas cadeiras ou banquinhos!!!

Obs: em caso de mal tempo será transferido

MARES DE PORTUGAL


assim o vento
sou o que o vento
levará ao mar
depois de tanta terra

o meu tempo é
não foi nem será
é
e serei nele
os que comigo

chego súbito
como quem parte
sem despedida
assim o vento

(ahcravo gorim)

(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio, 2014)

NÃO A MARICULTURA

Foto Rodrigo Kiko Bungus Ferreira
Comunidade diz não a maricultura na Praia do Matadeiro, em Florianópolis

A instalação de boias no mar do Matadeiro no mês de janeiro acendeu um alerta para um boato que há tempos desagrada os moradores da praia do sul da Ilha: uma fazenda de maricultura com 10 hectares vai ser instalada no canto esquerdo da praia, próximo ao costão.

A praia do Matadeiro, ao lado da praia da Armação, no sul da ilha, já sofreu importantes transformações ao longo do tempo que fizeram com que ela se descaracterizasse muito em relação a sua paisagem natural, com a ocupação irregular do espaço, poluição do rio Sangradouro, construção do molhe entre o Matadeiro e Armação, entre outros, mas nunca a ocupação do mar tinha sido cogitada ou ameaçada como agora, com a permissão pra instalação de uma fazenda de maricultura na região.

É sabido que a instalação de fazendas de maricultura trazem significativas mudanças ambientais pra região onde ela se encontra e seu entorno, provocando assoreamento, mudança no regime das correntes (que podem causar mudanças na orla adjacente), além de provocar o aparecimento de espécies marinhas e desaparecimento de outras.

Por isso geralmente essas fazendas são instaladas no interior de baias protegidas e que não sofrem influência de correntes e ondas fortes, o que não é o caso na praia do Matadeiro.

Santa Catarina produz 98% das ostras, vieiras e mexilhões do Brasil, segundo IBGE

Epagri explica o projeto

Apesar das reclamações de alguns moradores e pescadores locais, a Epagri garante que todo o processo foi realizado de forma correta, dentro da legalidade. O biólogo Felipe Matarazzo Suplicy, ph.D. em aquicultura do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cepad), explica que o levantamento começou em 2003, em Brasília, com estudos de impactos ambientais regionais, social e econômico para o desenvolvimento da maricultura em todo o país.

Deste estudos surgiram Planos Locais de Desenvolvimento (PLDM), com instruções normativas a serem seguidas. Em 2005, a Epagri começou a elaborar o PLDM de Santa Catarina.

— Foram feitos estudos detalhados de cada município, levando em conta todos os fatores ambientais, socioeconômicos e logísticos para então serem demarcados os parque aquíferos. Também aconteceram audiências públicas nas câmaras de vereadores para apresentação do planos para 12 cidades de Santa Catarina e, em 2011, houve a licitação das áreas.

O biólogo explica que a licitação foi do tipo onerosa para empresários e não-onerosa para pescadores, e no caso do Matadeiro todos os licitantes foram pescadores, que tem a permissão para atuar por 20 anos renováveis por mais 20.

— O maricultor é um legítimo usuário da água, assim como o pescador, o surfista. O Ministério da Pesca cedeu os terrenos, os produtores têm o direito, os documentos, licenças e podem operar — esclarece.


(Do https://www.facebook.com/www.riozinho.net/)

O PAIS DO PESCADO





sábado, 27 de fevereiro de 2016

JÁ QUE O BERBIGÃO ESTÁ DE VOLTA...



BERBIGÃO COM MAMÃO VERDE 

Ingredientes
3 dentes de alho 
1 cebola média 
1 tomate médio 
200 gr de mamão verde 
300 gr de berbigão sem casca 
1/2 pimentão verde 
1/2 xícara de azeite 
2 colheres de extrato de tomate 
Cebolinha, salsa e alfavaca 
Coloral Cominho sal 

Modo de preparo
Cozinhe o mamão verde cortado em cubos, trocando a água duas vezes até ficar macio e reserve. Refogue o alho, a cebola de cabeça, o pimentão. Adicione o coloral e o cominho e acrescente o extrato de tomate. Em seguida coloque o berbigão e deixe cozinhar tudo por 10 minutos. Desligue e acrescente a cebolinha, a salsa e alfavaca para finalizar. Sirva acompanhado de pirão de nailon(farinha de  mandioca escaldada em água quente) e arroz branco.

A VOLTA DO BERBIGÃO

Berbigão voltou a aparecer na baía sul após período de escassez 
foto Fabrício Gonsalves/ND
Costeira do Pirajubaé lança campanha Berbigão para Sempre
Intenção é resgatar autoestima de famílias que dependem do molusco extraído da baía sul, em Florianópolis

Edson Rosa 
FLORIANÓPOLIS
O cardápio deste sábado (27) não oferecerá apenas o tradicional ensopadinho com chuchu ou os saborosos pasteizinhos preparados pelas desconchadeiras da comunidade, convocadas pela Associação Caminhos do Berbigão. Receitas tradicionais da culinária local estarão lado a lado com iguarias goumertizadas por chefes do Movimento Slow Food, à base do molusco que esteve desaparecido e começa a dar sinais de regeneração nas áreas da Reserva Extrativista do Pirajubaé, na baía Sul de Florianópolis — conhecida pelos pescadores como baixio das Tipitingas.

Criada para resgatar a autoestima da comunidade extrativista da Costeira do Pirajubaé, a campanha Berbigão para Sempre será lançada neste sábado, a partir dar 9h, no bloco de rancho de pescadores da Reserva Extrativista Marinha de Pirajubaé, no aterro da Via Expressa Sul.

A intenção é sensibilizar e mobilizar a cidade para a importância da recuperação do estoque natural do molusco, além de resgatar o orgulho do pescador, melhorando a qualidade de vida das famílias que vivem da extração.

Durante todo o dia serão realizadas atividades culturais e de lazer. Na abertura, depois da apresentação da mascote da campanha, será disputada corrida de canoa, seguida de apresentação de pratos à base de berbigão, de boi de mamão, maracatu e zumba.

Também serão realizadas oficinas de artesanato e de confecção de tarrafas e exposições de fotos e apetrechos de pesca e extrativismo.

Entre os órgãos públicos apoiadores, a Epagri/SC (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina), faz parte do conselho deliberativo da reserva extrativista, e mantém monitoramento permanente da qualidade das águas da baía sul.

“Nosso papel é consultivo e deliberativo, porque as decisões envolvem questões relativas à pesca e à atividade extrativista, que estão dentro da área de atuação da extensão e da pesquisa da empresa”, explica a líder do Programa Pesca e Maricultura da Epagri, Sirlei de Castro Araujo.

Pressão urbana e excesso de chuva ameaçam reserva

A produção de berbigão em Florianópolis caiu sensivelmente nos últimos anos. Entre as ameaças constatadas nas áreas de extração da reserva de Pirajubaé e à sobrevivência do molusco, a Epagri identificou a grande pressão urbana e longos períodos de chuva entre novembro de 2014 e fevereiro de 2015.

No entanto, também contribuem para a redução gradativa a sobrepesca e a falta de ordenamento pesqueiro, a baixa organização comunitária e ausência de uma estrutura apropriada para o beneficiamento do molusco e de seus subprodutos.

“Além disso, a captura de moluscos ainda juvenis e a dragagem de um dos bancos de exploração para a construção da Via Expressa sul, na década de 1990, acentuaram os problemas sociais nas comunidades extrativistas”, esclarece Larissa Stoner, gerente de Programa da Rare, entidade norte americana do terceiro setor que apoia as ações de recuperação ambiental das áreas de produção e é parceira da gestão da reserva extrativista e da Associação Caminhos do Berbigão no desenvolvimento da campanha.

Engenheiro de aquicultura e pesca formado na Universidade Federal de Santa Catarina, extrativista e presidente da Associação Caminhos do Berbigão, Fabrício Gonçalves é o coordenador da campanha.

Segundo ele, a continuidade da campanha prevê parcerias com instituições de pesquisas, como Epagri e a própria UFSC, para tentar o replantio do berbigão em áreas atingidas pela mortandade de 2014/2015. Outra intenção é rever as regras de manejo do molusco, que são ditadas por portaria do ICMbio e buscar um selo de qualidade para o produto.

Pratos para todos os gostos
(D
Um dos representantes do Movimento Slow Food em Santa Catarina e chefe especializado em moluscos, Fabiano Gregório explica que a ideia é misturar o conhecimento tradicional da comunidade da Costeira com métodos importados da Itália, por exemplo. “Lá, é mais comum a comercialização do produto vivo, com casca”, diz.

Além disso, o caldo extraído da fervura básica para elaboração de pratos mais sofisticados, como macarrão com vôngole, é envasado e vendido separadamente nos próprios restaurantes. O Movimento Slow Food é a mais nova integrante do conselho consultivo da reserva extrativista.

Para a analista ambiental do ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade) Laci Santin, chefe em exercício da reserva, este intercâmbio é fundamental para revalorização comunitária e do produto. “Trata-se da mais antiga base alimentar da sociedade litorânea, tem valor cultural imensurável”, diz.

Serviço

O quê: Lançamento da campanha Berbigão para Sempre
Quando: Sábado, 26 de fevereiro, das 14 às 17h
Onde: Sede da Resex Marinha de Pirajubaé, no bloco 1 dos ranchos de pesca da Via Expressa Sul, próximo ao elevado da Seta (João Câncio Jaques, 1.375, Costeira do Pirajubaé) em Florianópolis
Informações: (48) 9633-9043

(Do http://m.ndonline.com.br/)

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre

"Vó Pequena" - Pântano do Sul

DE ESTRELAS & ILHAS!


O Projeto Estrelas do Mar abre suas inscrições para as seguentes oficinas:

-Teatro -Filosofia -Habilidades Sociais
-Educação Ambiental -Brinquedoteca e biblioteca
-Filocinema

Dias de inscrições:
*quarta-feira, dia 2 de março, das 9 às 15:30h, na sede do Projeto Estrelas do Mar
*quinta-feira, dia 3 de março, das 9 às 11:30h e das 13 às 16h, na escola Severo Honorato da Costa (Pântano do Sul)

DE TAINHAS E REMADAS!



"Osmarina", rainha bordada do Pântano do Sul, canoa campeã de tainhas e remadas vai competir mais uma vez!

MAR DE PESCADOR

Peixes serão destinados à rede de banco de alimentos Mesa Brasil (Foto: Divulgação/Brigada Militar)

Operação apreende 40 toneladas de pescado em Rio Grande, RS

Duas embarcações de SC foram flagradas pescando em área proibida.
Operação foi realizada pelo Ibama, Polícia Federal e Patram.

Do G1 RS

Cerca de 40 toneladas de pescado foram apreendidas na tarde deste domingo (21) na praia de Hermenegildo, em Rio Grande, na Região Sul do Rio Grande do Sul. Duas embarcações de pesca de arrasto foram flagradas dentro das três milhas náuticas na costa, área onde a atividade é proibida.

Embarcações tinham registro em Santa Catarina
(Foto: Divulgação/Brigada Militar)

A irregularidade foi constatada por um sistema de rastreamento que monitora as embarcações. A operação foi realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), Polícia Federal e Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram). Aproximadamente 15 policiais e agentes do Ibama atuaram no flagrante.

Segundo o tenente Eliseu Foscarini, o pescado apreendido será destinado à rede de bancos de alimentos Mesa Brasil. As embarcações, registradas no porto de Itajaí, em Santa Catarina, também serão apreendidas.

Os envolvidos foram presos em flagrante e deverão pagar uma fiança de pelo menos 30 mil reais por cada barco. Eles também precisarão arcar com multa administrativa conferida pelo Ibama.

(Do https://www.facebook.com/oceanabrasil/)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

BOTANDO MAIS FOGO NESSE INFERNO!

Sol apareceu desde as primeiras horas do dia em FlorianópolisFoto: Guto Kuerten / Agência RBS

Temperaturas se aproximam dos 40ºC nesta sexta-feira em SC
Sol deve predominar ao longo do dia, com possibilidade de chuva no fim do dia

A sexta-feira será de muito calor em toda Santa Catarina. As temperaturas podem se aproximar dos 40ºC em algumas regiões do Estado, como o Litoral Norte. Assim como no dia anterior, o sol deve predominar. De acordo com o meteorologista Leandro Puchalski, do Grupo RBS, a sensação térmica deve ser ainda maior que a temperatura registrada nos termômetros.

— A umidade elevada faz a sensação de calor ser maior forte ainda. Devido ao calor e à umidade, segue a previsão de chuva de verão entre a tarde e a noite. Ou seja, chove numa área e não passa de ameaça numa região vizinha — afirma Puchalski.

Para o sábado, o calor ainda deve predominar, porém com aumento da nebulosidade, em especial no Oeste do Estado. De acordo com a Epagri/Ciram, ainda nesta sexta-feira, a temperatura pode chegar ao 39ºC no Litoral Norte do Estado. 
 (Do www.clicrbs.com.br)

NO CLIQUE!

Foto Fernando Alexandre

TÁ SUBINDO...



Nível do mar subiu mais nos últimos cem anos do que nos três milênios anteriores 

O nível dos oceanos subiu mais rapidamente ao longo do século 20 do que nos três últimos milênios, devido às alterações climáticas, indica um estudo publicado na segunda-feira. Entre 1900 e 2000, os oceanos e os mares do planeta subiram cerca de 14 centímetros por causa do degelo, principalmente no Ártico, revelaram os autores de estudos publicados na revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). 

Os climatólogos estimaram que, sem a elevação da temperatura do planeta observada desde o início da era industrial, a subida do nível dos oceanos teria correspondido a menos da metade observada nos últimos cem anos. O século passado "foi excepcional em comparação com os últimos três milênios e a elevação no nível dos oceanos acelerou nos últimos 20 anos", disse Robert Kopp, professor do departamento de Ciências da Terra da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos. 
Segundo este estudo, feito a partir de uma nova abordagem estatística concebida pela Universidade de Harvard, em Massachusetts, nos Estados Unidos, o nível dos oceanos baixou cerca de oito centímetros entre o ano 1.000 e 1.400, período marcado por um arrefecimento planetário de 0,2 graus Celsius.

Atualmente, a temperatura mundial média está um grau acima do que a do final do século 19. Para determinar a evolução do nível dos oceanos durante os últimos três mil anos, os cientistas compilaram novos dados geológicos que indicam a elevação do nível das águas, como os pântanos e os recifes de corais, os sítios arqueológicos, além de dados referentes a marés em 60 pontos do globo nos últimos 300 anos. Estas estimativas detalham a variação do nível dos oceanos durante os últimos 30 séculos, permitindo fazer projeções mais exatas, explicou Andrew Kemp, professor de Ciências Oceânicas e da Terra da Universidade Tufts, em Massachusetts. 

Os investigadores também calculam que o nível dos oceanos pode aumentar "muito provavelmente" de 51 centímetros para 1,3 metro durante este século "caso o mundo continue a ser tão dependente de energias fósseis". Em 12 de dezembro, 195 países aprovaram o acordo de Paris, que prevê conter a elevação das temperaturas em dois graus acima da era pré-industrial. Se os compromissos conduzirem a uma eliminação gradual do uso carvão e dos hidrocarbonetos, o aumento do nível dos oceanos talvez não vá além de 24 a 60 centímetros, segundo o estudo. 

– Estes novos dados sobre o nível dos oceanos confirmam uma vez mais como este período moderno de aquecimento não é habitual, porque se deve às nossas emissões de gases de efeito de estufa – afirmou Stefan Rahmstorf, professor de Oceanografia no Instituto Potsdam de investigação sobre o impacto do clima, na Alemanha. 

*Agência Lusa

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

MAR DE GIUSEPPE STICCHI


Giuseppe Sticchi

MEMÓRIAS DO LOBO SOLITÁRIO


História sobre o submarino alemão afundado na costa catarinense será revelada em detalhes em documentário

Família Schürmann vasculhou o mar em busca do submarino, mas não obteve permissão da Marinha do Brasil para ingressar no interior

por Viviane Bevilacqua
viviane.bevilacqua@diario.com.br

Há exatos 70 anos — completados nesta sexta-feira — um hidroavião norte-americano bombardeou e afundou o submarino alemão U-513 na costa catarinense, em plena Segunda Guerra Mundial. A história sobre este gigante dos mares é fascinante e será revelada em detalhes no filme Em busca do Lobo Solitário, documentário que está sendo produzido pela Família Schürmann.

Os velejadores catarinenses, conhecidos por suas viagens de volta ao mundo a bordo do veleiro Aysso, durante cinco anos (três em terra e dois na água) trocaram a aventura nos sete mares pela procura incessante ao submarino afundado pelos Países Aliados. Tanto esforço teve sua recompensa: o U-513 foi encontrado pelos Schürmann — com a ajuda da tecnologia e de pesquisadores da Univali — no fundo do mar, a 85 quilômetros da costa leste de Florianópolis, quase intacto. Isso aconteceu no dia 14 de julho de 2011, numa profundidade de 135 metros. Mais tarde, a embarcação foi fotografada com o auxílio de um robô, e as imagens em instantes espalharam-se pelo mundo.

Todas as histórias incríveis da busca pelo submarino U-513, apelidado de "Lobo Solitário", estarão no filme/documentário, atualmente em fase de pós-produção. Vilfredo Schürmann e sua equipe buscam recursos para a sua finalização através da lei de audiovisual para filmes. Além disso, antecipa o capitão da expedição, deverá ser firmada parceria entre a Família Schürmann e o Grupo RBS para a realização de uma série para a TV sobre o U-513, após a conclusão da película, que terá duração estimada de 90 minutos. O roteiro é de Guilherme Stockler e o filme tem previsão de estreia para o primeiro semestre de 2014.

— Já temos 60% dos recursos, e agora estamos apresentando o projeto aos empresários catarinenses para captar o restante — informa Vilfredo.

Trabalho de equipe para encontrar o U-513

Vilfredo Schürmann soube da história do afundamento do U-513 na costa catarinense em 2002, e desde então se interessou pelo assunto. Começou as pesquisas, que se intensificaram a partir de 2006 quando toda a família e mais um grupo de pesquisadores voluntários entraram de cabeça no projeto.

— Passamos os últimos 11 anos pesquisando, entrevistando especialistas e pessoas envolvidas com a história desse submarino no Brasil, na Alemanha e nos Estados Unidos. Fizemos um levantamento de dados massivo, checamos e rechecamos informações, definimos uma área de busca, juntamos uma equipe de arqueólogos, oceanógrafos, biólogos marinhos e engenheiros que vestiram a camisa — relata Vilfredo.

Foram realizadas 18 saídas de barco, rebocando um sofisticado equipamento de detecção usado no mundo inteiro na localização de naufrágios. Segundo o capitão da expedição, o trabalho foi árduo.

— Não foi fácil. Enfrentamos mau tempo, quebras de equipamento e outros imprevistos, mas persistimos. E depois de dois longos anos varrendo o fundo do mar finalmente localizamos o submarino. Tivemos que ser muito cuidadosos para finalmente poder dizer: "sim, é ele." Uma notícia dessas corre o mundo inteiro, pois não é todo dia que se encontra um submarino alemão da Segunda Guerra Mundial escondido por quase 70 anos. Foi uma emoção indescritível — relembra Vilfredo, que se emociona ao lembrar-se daquele dia. O U-513 foi encontrado no dia 14 de julho de 2011, a 135 metros de profundidade.

Marinha não permite exploração do submarino

O projeto da Família Schürmann, a partir da descoberta do submarino alemão, era explorar o seu interior para poder estudá-lo. Depois, construir uma réplica e colocar dentro dela objetos retirados do U-513, como o enigma (máquina de códigos utilizada na comunicação entre os submarinos alemães), e abrir para visitação pública. 
A Marinha brasileira, entretanto, enviou ofício à Família Schürmann, em abril deste ano, negando a licença para explorar o interior do submarino. O U-513 só pode ser filmado por fora. As alegações oficiais são de que "não há qualquer interesse público que justifique a exploração" e que o submarino é um "túmulo de guerra", já que nele estão sepultados os restos mortais de 46 dos 53 tripulantes alemães da embarcação. Sete sobreviveram graças aos botes salva-vidas lançados por aviões americanos. Eles foram resgatados um dia depois do bombardeio pelo navio Tender USS Barnegat, dos EUA, que estava na costa catarinense.

— Não queremos polêmica. Já decidimos que não iremos explorar a embarcação. É pena, porque com flutuadores seria possível deslocar o U-513 para uma profundidade menor, de 35 metros, e transformá-lo num grande centro de turismo submarino, com mergulhadores de todo o mundo vindo a Santa Catarina — ressalta Vilfredo Schürmann.

Ficha técnica

Documentário: U-513 — Em busca do Lobo Solitário
U-513 In Search of the Lonely Wolf
Português, inglês, alemão / Documentário / digital / Cor
Diretor: David Schürmann
Cast: Família Schürmann
Produção: Schürmann Film Company
Local da Filmagem: Brasil, Estados Unidos, Alemanha
Sinopse: Documentário relata a busca realizada pelo velejador Vilfredo Schürmann, sua família e equipe pelo submarino alemão U-513, naufragado na costa catarinense durante a Segunda Guerra Mundial. O filme parte da busca pelo submarino bombardeado por um avião americano em 1943 para então ampliar a perspectiva e mostrar todas as circunstâncias relacionadas à este episódio. Serão apresentadas as razões que levaram o U-boat à costa brasileira, a batalha entre as Forças áreas americanas e a Marinha alemã na Segunda Guerra Mundial, como se deu o ataque ao U-513, o destino dos sobreviventes do naufrágio, depoimentos dos familiares dos envolvidos no acontecimento e curiosidades reveladas por meio das imagens submarinas da embarcação.
Previsão de estreia: Primeiro semestre de 2014

(Do DIÁRIO CATARINENSE - www.clicrbs.com.br)