quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ASSEMBLÉIA -QUASE - GERAL

Foto Fernando Alexandre
 Depois que as equipes de salvamento desistiram de soltar a baleia franca presa em várias redes de pesca entre a praia e as Ilhas dos Moleques do Sul, uma assembléia - quase - geral de pescadores e moradores se reuniu pra avaliar os trabalhos realizados e deliberar o que deve ser feito na segunda tentativa de soltura que deve se realizar na amanhã de hoje!
E claro que as opiniões e sugestões continuam livres, leves e soltas!

BALEIAS DE ONTEM

A imagem pode conter: oceano, céu, atividades ao ar livre, água e natureza

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Enquanto as equipes de salvamento tentavam soltar o filhote de baleia franca preso a uma rede de pesca, outras baleias brincaram e se exibiram na baía do Pântano do Sul no dia de ontem! 



MAR DE BALEIAS

Image copyrightAlamyImage captionAlguns países, como Islândia e Japão, ainda permitem a caça à baleia

Por que a caça à baleia ainda é permitida

Melissa Hogenboom BBC Earth

O grupo ativista-hacker Anonymous derrubou recentemente diversos sites do governo da Islândia em protesto contra a caça de baleias no país.

"As baleias não têm voz. Seremos a voz delas. É hora de falar sobre essa iminente extinção de uma espécie. É hora de deixar a Islândia saber que não vamos ficar assistindo enquanto eles levam esse animal à extinção", disse o Anonymous.

A Islândia não é o único país que ainda pratica a caça de baleias: a Noruega e o Japão também fazem isso, assim como algumas comunidades menores.

Isso muitas vezes choca e aterroriza pessoas de outros lugares do mundo. Mas, se tanta gente se opõe, por que esses países ainda caçam baleias?

Em 1986, em resposta à redução da população de baleias e ao crescente repúdio pela prática, a Comissão Internacional de Baleias (International Whaling Commission, ou IWC) determinou uma moratória global na caça comercial dos animais.

A Islândia assinou a moratória, mas "com reservas". Isso significa que não é ilegal que a Islândia continue caçando baleias, desde que cumpra determinadas regras.

Image copyrightAlamyImage captionPoucos islandeses comem carne de baleia

A Islândia caça duas espécies: a baleia-minke, ou baleia-anã, e a baleia-comum, ou baleia-fin.

Em 2015, pescadores islandeses receberam autorização para caçar 154 baleias-comuns e 229 baleias-anãs, uma cota estabelecida pelo Ministério da Pesca e Agricultura do país.

Um relatório publicado em 30 de setembro pela emissora pública da Islândia diz que eles usaram toda a cota para baleias-comuns neste ano, mas caçaram somente 29 baleias-anãs.
Justificativas

A caça à baleia é muito visível para quem visita o país. Em 2015, fui gravar na Islândia e, em um restaurante, percebi como era grande a oferta de carne de baleia.

O islandês que acompanhava a equipe da BBC na viagem deu duas justificativas. Primeiro, havia muitas baleias no oceano e elas comiam todos os peixes.

Segundo, islandeses não costumam comer carne de baleia: são os turistas que o fazem.

O primeiro argumento é questionável. "Ao contrário do que o senso comum acredita, as baleias não comem peixes no mar perto da Islândia", diz a organização Conservação da Baleia dos Golfinhos, citando um relatório de 2004.

Image copyrightAlamyImage captionBaleias-fin, ou baleias-comuns, estão ameaçadas

Na verdade, as duas espécies de baleia caçadas na região têm dietas variadas, que incluem plâncton, frutos do mar e pequenos peixes, de acordo com a agência responsável pelo tema nos EUA, a National Marine Fisheries Service da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.

Mas o segundo argumento dele é verdadeiro. De acordo com o WDC, apenas 1,7% dos islandeses comem carne de baleia. A população da Islândia é pequena, o que significa que essa porcentagem equivale a apenas 5,6 mil pessoas. Por outro lado, de 35% a 40% dos turistas que visitam a Islândia comem carne de baleia – número que está caindo, segundo o International Fund for Animal Welfare (Fundo Internacional pelo Bem-Estar dos Animais).

Mas essa conta ainda deixa muita carne de baleia sobrando. O que acontece é que quase nada da carne de baleia pescada na Islândia é consumida no local. Ela é exportada para o Japão, onde a demanda é maior.

O Ministério da Pesca da Islândia diz que a caça à baleia é uma prática "sustentável e legal e que respeita as regras do IWC". Eles dizem que há abundância de baleias-comuns e que a Islândia é uma "defensora da cooperação internacional para garantir o uso sustentável de recursos marinhos vivos".

Ameaçadas?

Dados sobre populações de baleia sugerem que o ministério está correto.

Baleia-anãs são encontradas em todos os oceanos. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) lista-as como "pouco preocupantes", o que significa que não estão em perigo imediato de extinção.

O órgão estima que haja 100 mil baleias-anãs na natureza, então seria possível continuar com a caça sem ameaçar a espécie.

As baleias-comuns, no entanto, são espécies ameaçadas - e, segundo o IUCN, o principal motivo disso foi a caça comercial à baleia nos séculos 19 e 20.
Image copyrightSPLImage captionPopulação de baleias foi reduzida drasticamente no século 19

Mas, mesmo nesse caso, não está claro se a pesca praticada na Islândia é um problema.

Quando o IUCN examina se uma espécie está ameaçada, ele considera o conjunto da população global de animais. Mas, dentro de cada espécie, há alguns grupos locais que estão sob forte ameaça e outros que estão muito saudáveis e não correm riscos.

A população de baleias-comuns do Atlântico Norte é considerada saudável. São as populações em outros locais que são consideradas baixas e levaram a espécie a ser classificada como ameaçada.
Sustentabilidade

Por isso, caçar baleias-comuns na Islândia não é uma ameaça, diz Geneviève Desportes, do North Atlantic Marine Mammal Commission. "Não tem consequências, é sustentável em longo prazo."

A pesca da baleia é uma tradição antiga na Islândia e traz renda a comunidades pequenas, diz Desportes. "Nossa organização acredita que recursos marinhos podem ser usados se isso for feito de forma sustentável e responsável."

Mas um estudo de 2008 questionou a sustentabilidade das práticas da Islândia. Um grupo de pesquisadores disse que houve "diminuição significativa" no número de baleias-anãs perto da costa desde sua última pesquisa.

Mas é difícil ter uma estimativa precisa do número de baleias. "São criaturas que passam 80% do tempo na água, então ter um número preciso leva tempo e é caro", diz Wilson.

Independentemente disso, a Islândia e outros países que praticam caça à baleia dizem que a prática pode ser sustentável, pelo menos para algumas populações.

"A única razão para não permitir isso seria assistência, motivos emocionais ou culturais", diz Wilson.
Japão

Isso pode incluir uma relutância em causar sofrimento às baleias – não se sabe se é possível matar um animal grande em mar aberto de forma humana – ou a reprovação de matar-se um animal inteligente como a baleia.

"Na cultura deles, essas questões não existem. Para eles, não há motivo para não pescar baleias", diz ela.

O governo do Japão também tem uma posição de apoio à caça da baleia. O país argumenta que faz isso para pesquisa científica – o que é permitido pelo IWC.

Há algumas semanas, uma navio japonês partiu para a Antártica. Seu objetivo declarado é caçar 333 baleias-anãs para descobrir quantas estão vivendo perto dali.

Mas o programa científico de caça de baleias japonês foi amplamente criticado sob o argumento de que quase não produz pesquisa. A maior parte da carne de baleia acaba em restaurantes.

Além disso, um relatório de 2013 concluiu que a indústria sequer é lucrativa e tinha que ser subsidiada pelo governo japonês.

(Da BBC Earth)

HOJE O NOVO RESGATE

Foto: Fernando Alexandre / Blog Tainha na Rede

Equipes não conseguem soltar filhote de baleia preso em redes de pesca no Pântano do Sul, em Florianópolis
Resgate foi adiado para a manhã desta quinta-feira

Hora de Santa Catarina

Profissionais do Intituto Australis (IA), APA da Baleia Franca, Associação R3 e Corpo de Bombeiros não conseguiram resgatar um filhote de baleia-franca que está preso em uma rede de pesca no Pântano do Sul, região sul de Florianópolis, desde a manhã desta quarta-feira (22). 

Segundo a bióloga e diretora de pesquisa do IA, Karina Groch, com o anoitecer, a equipe decidiu adiar o resgate para a manhã desta quinta.

— A mãe dele está na volta, é uma quantidade grande de redes e cabos, e a baleia estava em deslocamento. Então a gente colocou duas boias de sinalização para amanhã para fazer o trabalho com segurança. 

De acordo com o analista ambiental do ICMBio/APA Baleia Franca Ronaldo Cataldo Costa, a situação é delicada. Como a mãe do filhote está circundando a embarcação de pesca, é um resgate arriscado. 

– É preciso ter cuidado para não colocar em risco também a vida e a segurança dos socorristas, pois são animais marinhos grandes. Somente o filhote pesa cerca de duas toneladas – explica.

O Protocolo de Encalhes da APA da Baleia Franca é desenvolvido para prestar assistência aos mamíferos marinhos encalhados. Também deve-se evitar estressar o filhote e a mãe para não acabar complicando ainda mais o resgate.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

BALEIA CONTINUA PRESA

Fotos Fernando Alexandre
 

O filhote de Baleia Franca que está preso em uma rede de pesca entre a Praia do Pântano do Sul e as ilhas dos Moleques do Sul respira sem dificuldades e aparentemente não está muito machucado. Essas foram as conclusões a que chegaram as equipes do Corpo de Bombeiros, do ICM-Bio, do R3- Animal e Instituto Australis, que fizeram uma primeira avaliação na tarde de hoje.
Agora as equipes aguardam a chegada de uma nova e maior embarcação do Corpo de Bombeiros e outros equipamentos para tentar soltar o animal ainda nesta tarde.
O filhote que está com várias redes enroladas por todo o corpo, está sendo cuidado de perto pela mãe, o que em parte dificulta a aproximação  das equipes!

DANDO NOME


Foto Andrea Ramos

Pântano do Sul

BALEIAS - A CAÇA


Caça à baleia no Rio de Janeiro, sec XVII -
Pintura de Leandro Joaquim - Museu Histórico Nacional, RJ

As baleias têm sido caçadas desde tempos remotos. Os registros mais antigos conhecidos de baleação são pinturas rupestres entalhadas em rochas do sul da Coreia com cerca de 8000 anos. Desde esses tempos, a caça foi-se tornando progressivamente mais sofisticada, expandindo-se das águas costeiras para as áreas oceânicas à medida que as embarcações foram melhorando e melhores métodos de navegação e processamento das carcaças foram sendo desenvolvidos.No Brasil, a caça á baleia foi proibida somente em 1986.
A última estação de caça à baleia franca no Brasil, a Armação de Imbituba-SC, parou de funcionar em 1973, por causa da falta de baleias.

NA PRAIA

© Foto de Otto Stupakoff/IMS
 Tom Jobim na Praia de Ipanema. Rio de Janeiro, 1964.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

ITAGUAÇU

"Itaguaçu", música de Luiz Henrique Rosa, o "Tito" (25/11/1938 - 9/7/1985), um dom mais importantes músicos de Santa Catarina, com a visceral Elza Soares. Saiba mais sobre o Luiz Henrique no

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre

NA PRAIA...

Foto Ninguem Sabonome
Charles Chaplin e esposa, em 1924

"Eu continuo a ser uma coisa só: um palhaço, o que me coloca em nível mais alto do que o de qualquer político."
.
Sir Charles Spencer Chaplin, mais conhecido como Charlie Chaplin (Londres, 16 de abril de 1889 — Corsier-sur-Vevey, 25 de dezembro de 1977), foi um ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico.

domingo, 19 de agosto de 2018

MAR ÁCIDO

Acidificação dos oceanos deve se intensificar nas próximas décadas
Acidificação dos oceanos deve se intensificar nas próximas décadas

Elton Alisson | Agência FAPESP – 

Considerado um dos fenômenos que mais afetam os oceanos atualmente, a acidificação oceânica só foi mencionada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em seu quinto relatório de avaliação (AR5), publicado em 2013 – o primeiro relatório é de 1990.
O órgão da ONU destaca no Sumário para formuladores de políticas públicas do AR5 que o oceano tem absorvido cerca de 30% do dióxido do carbono atmosférico (CO2) emitido pela ação humana (antropogênico).

O aumento da concentração e da dissolução de CO2 tem diminuído o pH da água superficial dos oceanos desde o início da era industrial e aumentado sua acidez, afirmaram os autores do relatório. A partir de então, a acidificação dos oceanos passou a integrar todos os cenários de mudanças futuras do clima do AR.

O tema deve ganhar ainda mais destaque no AR6 – previsto para ser finalizado em 2021 – e no Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera em um Cenário de Mudanças Climáticas, que deve ser finalizado pelo IPCC em setembro de 2019, estimou Jake Rice, membro do grupo de especialistas da Avaliação Mundial dos Oceanos da ONU.

Especialista em ecologia e biologia marinha, conselheiro e cientista-chefe do Departamento de Pesca e Oceanos do Canadá, Rice é um dos pesquisadores convidados da São Paulo School of Advanced Science on Ocean Interdisciplinary Research and Governance. O evento, realizado pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), com apoio da FAPESP, ocorre até 25 de agosto no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

“Há uma confiança muito alta de que a acidificação dos oceanos tem aumentado e têm sido bastante documentado os efeitos desse fenômeno em organismos marinhos que dependem de carbonato de cálcio para seus processos de calcificação”, disse Rice.

“As séries temporais de observação dos oceanos, que permitiriam estimar a taxa e a trajetória desse fenômeno ao longo das últimas décadas, contudo, são muito curtas. As de acidez oceânica em águas costeiras, por exemplo, datam de pouco antes de 2005”, disse.

De acordo com o pesquisador, os modelos de sistemas terrestres projetam um aumento global na acidificação e diminuição no pH oceânico em todos os cenários de emissão e concentração de gases de efeito estufa, mas com grandes e incertas variações regionais e locais.

Os países em desenvolvimento e as pequenas ilhas dos trópicos, que dependem de recursos marinhos, serão os mais afetados diretamente ou indiretamente pelo fenômeno.

Os impactos negativos da acidificação oceânica devem variar de mudanças na fisiologia e comportamento dos organismos (como moluscos) e na dinâmica populacional e afetarão os ecossistemas marinhos (como os recifes de corais), durante séculos se as emissões de CO2 continuarem no ritmo atual. Mas há uma série de outros impactos, muitos dos quais ainda não compreendidos, ponderou Rice.

“A acidificação dos oceanos ilustra vários dos desafios que temos enfrentado em ciência do oceano. É preciso mais dados que nos permitam estabelecer relações entre as propriedades físicas de sistemas dinâmicos, com impactos biológicos nos ecossistemas e na sociedade”, disse.

Na opinião do canadense, um dos fatores que tornam mais difícil fazer ciência dos oceanos em comparação com as ciências da terra é a maior facilidade em entender a dinâmica terrestre porque vivemos em terra. Dessa forma, é possível ver e analisar diretamente como o sistema terrestre funciona.

“Nossa compreensão do oceano precisa prestar mais atenção às evidências e menos à percepção de que é possível entendê-lo por analogia ou inferência do conhecimento sobre a terra e seus sistemas biofísicos”, disse Rice.


Mais informações sobre a São Paulo School of Advanced Science on Ocean Interdisciplinary Research and Governance:

(Do http://espca.fapesp.br/escola/72.)

NA CAPA

Capa da revista New Yorker em 28 de agosto de 2017

sábado, 18 de agosto de 2018

DANDO NOME AS BALEIAS



As baleias que estão há um mês no Morro das Pedras - a mãe e seu filhote albino - ganharam nomes: Riozinha, a mãe, e o Laguna.
No ano de 2003, a baleia mãe - agora Riozinha - passou 48 horas encalhada em Laguna!
Quatorze anos depois, livre, leve e solta, se exibe com seu filhote no Morro das Pedras!
Os nomes já foram aceitos e serão utilizados à partir de agora pelo Projeto Baleia Franca, que faz o monitoramento e pesquisas sobre a visita das baleias a Santa Catarina!
Fotos o informações do Silézio Sabino

SURF LIMPO

Poucos esportes evocam tanto a harmonia entre homem e natureza como o surfe. Sobre a prancha, o surfista desliza sobre as ondas. As domina, mas também as respeita.

Catarinense cria prancha de surfe com resina de mamona que não agride o meio ambiente
por Suzana Camargo

Apesar do esporte sempre ter tido uma aura de “paz e amor”, ele movimenta um mercado bilionário. Estima-se que a indústria global do surfe gere algo em torno de US$ 7,3 bilhões por ano. E somente o segmento de pranchas e acessórios representa quase metade deste número.

Mas quão sustentável é este mercado? Não muito, segundo o shaper catarinense Mario Ferminio. Apaixonado pelo surfe desde os 15 anos, ele fez do esporte sua profissão – no Brasil e na Europa. De acordo com seus cálculos, já fabricou mais de 10 mil pranchas ao longo da vida.

“Os dois tipos de resina que são usadas em pranchas de surfe hoje no mundo são químicas, ambas vindas do petróleo”, explica Ferminio. “Elas utilizam ou resinas de poliéster, altamente danosa para o ser humano e meio ambiente, ou epóxi, que apesar da baixa toxidade, possui um componente muito debatido hoje em dia, o bisfenol A”.

Este último é um composto sintético, que não existe na natureza, usado na fabricação de plásticos e revestimentos de outros materiais, que segundo pesquisas, sua presença no organismo humano pode causar problemas neurológicos, anomalias hormonais e até, câncer de mama e próstata. Desde 2012, ficou proibida no Brasil a importação ou fabricação de mamadeiras que contenham bisfenol A (BPA).

Determinado a desenvolver uma alternativa mais natural e sustentável, o shaper começou a trabalhar com uma resina vegetal proveniente da mamona. “Ela já era usada para outras finalidades, mas não em pranchas. Quando comecei a fazer testes, encontrei muitos problemas, até chegar ao produto que tenho hoje”, conta.
Ferminio diz que seu principal objetivo era ter uma prancha feita com resina vegetal que fosse leve, forte e bem acabada. E o mais importante: “Algo que não tenha necessidade de química envolvida e que você possa laminar sem ter liberação de gases tóxicos. Lixar e não ter poeiras tóxicas, o que é fantástico”.

Leve, forte e atóxica: a prancha com a resina vegetal de mamona

De acordo com o catarinense, outra diferença na fabricação com a resina vegetal e a epóxi é o tempo “de cura” da prancha – o quanto ela leva para ficar seca, mas não totalmente dura. No caso do óleo de mamona, são 30 dias, um tempo maior de espera se comparada à sintética, de 20 dias.

“Esta resina dá para laminar tudo. Prancha de surf, kite, SUP, windsurf. Nunca imaginei achar uma resina tão importante para substituir as atuais. É um passo gigante em direção à sustentabilidade”, garante o shaper.
A produção das primeiras pranchas está sendo feita em um galpão, na cidade de Tubarão, onde mora. Ferminio criou uma página no Facebook, a Folha by Ferminio, através da qual é possível acompanhar seu trabalho. As pranchas com a resina de mamona são todas verdes. “A cor da ecologia. Porque verde é vida”, diz.

E quando não está no galpão, sonhando alto com sua invenção, pelo menos duas vezes por semana, o surfista e shaper está no alto das ondas do mar catarinense.

Fotos arquivo pessoal 

(Do http://conexaoplaneta.com.br/)

MANEMÓRIAS


Morro das Pedras - 1938, bem antes do asfalto!

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

MEMÓRIA DAS ÁGUAS


 OS RANCHOS E A PESCA DE ARRASTÃO NA PRAIA DE CANASVIEIRAS 

Por José Luiz Sardá 

Fico a imaginar nas primeiras décadas do século passado, na pesca da tainha, em que os pescadores de Canasvieiras e das freguesias de Ratones, Vargem Pequena, Vargem do Bom Jesus, Vargem Grande e Cachoeira do Bom Jesus e localidades vizinhas, deixavam os afazeres da lida doméstica e da lavoura a cargo das mulheres, e seguiam em direção aos diversos ranchos de pesca da orla da praia de Canasvieiras. Para chegar à praia, passavam pelos verdejantes e frutíferos campos de araçás e cajus, entre caminhos, trilhas, e picadas.
Os donos dos ranchos e patrões eram todos nativos da região: Seo Vida, Evaldo Brasil, Nicanor dos Santos, Manoel Sardá, Joaquim da Ilhota, Zilico, Joca Rufino, João Firme, Timóteo Siqueira, Deca do Belo, Dezinho Pacheco, Leôncio e Manoel Schroeder. 

O vigia da pesca de arrastão tinha de ser um pescador com boa visão e experiência. Sua missão era avistar o cardume, observar a mudança de coloração d’água de vermelho escuro ou roxo e o saltar alto dos peixes. Com chapéu ou casaco, quando avistava o cardume saia abanando alertando os camaradas na orla, que aflitos esperavam o lançar da rede ao mar. O camarada mais rápido corre e segura o calão e então na cadência das remadas a rede é lançada ao mar, descrevendo um semicírculo.
 Dentro dela o patrão, quatro remadores e o chumbeiro. Na cadência e no avanço da canoa a rede é jogada ao mar, retornando na outra ponta. O patrão com sua experiência aos poucos solta a rede, dando equilíbrio à canoa. Ao retorno, uma ponta do cabo é amarada no assento e o chumbeiro com agilidade faz o equilíbrio da embarcação. Em terra os camaradas aflitos esperam a ordem do patrão para iniciar o arrastão e aos poucos a rede é puxada e deixada na areia e somente é recolhida ao final. 
Terminado o arrastão, os pescadores felizes fazem a partilha do pescado. A metade fica para o dono da rede, a outra para os pescadores. O proeiro tem direito a quatro quinhões, o patrão ganha três, o remador dois e os camaradas ganham um. Naquela época a fartura era tanta que ninguém voltava para casa de mãos vazias. Os donos das redes sempre davam tainhas para os amigos e parentes.

Mergulhe fundo e veja mais no
https://www.facebook.com/joseluiz.sarda

MAR DE BALEIAS

Foto Marcos Pinho Horn

MAR NEGRO

Foto Marc Ferrez
A única foto existente de um navio negreiro, que fazia tráfico de escravos negros. A imagem, feita de forma clandestina é de um navio francês e atribuída ao fotógrafo Marc Ferrez.

AS PEDRAS FALAM DE PASSADO

Adnir em uma das pedras estudadas na trilha da GalhetaFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense
Rafael Thomé

Pescador e antropólogo mostra os mistérios arqueológicos da Ilha de Santa Catarina

Pescador da Fortaleza da Barra decidiu ir atrás das histórias das inscrições registradas nas pedras de parte do litoral catarinense

rafael.thome@somosnsc.com.br

Pescar das gravuras rupestres e dos monumentos megalíticos uma mensagem para a vida. Este é o propósito de Adnir Antonio Ramos, pescador da Fortaleza da Barra, em Florianópolis, que em 1986 decidiu estudar biblioteconomia e antropologia para tentar entender o que significavam aquelas inscrições nas pedras que tanto via quando saía para fisgar peixes. Agora, ele se prepara para lançar o livro Divino Gênese sobre a história destas misteriosas mensagens que remontam a cerca de 10 mil anos atrás.

Conta Adnir que os morros e costões do litoral de SC escondem desenhos rupestres e observatórios astronômicos que podem conter uma mensagem sobre o ciclo da vida e o futuro da humanidade. Milhares de anos antes da chegada do bandeirante paulista Francisco Dias Velho, em 1673, quando se deu início ao povoamento moderno da Ilha de SC, o Homem do Sambaqui habitava este pedacinho de terra perdido no mar e procurava entender-se como parte da natureza e do universo.

– Podem ter sido os homens do sambaqui, mas não sabemos exatamente quando e quem colocou essas gravuras e esses observatórios. O que importa mesmo é a mensagem que deixaram – afirma Adnir.

Registros entre 8 mil e 13 mil anos de história

De acordo com o antropólogo, calcula-se que esses monumentos arqueológicos tenham entre 8 mil e 13 mil anos de idade. Antes disso, o nível do mar era mais alto e não seria possível colocá-los onde estão. Para Adnir, uma das interpretações possíveis diz respeito ao final do ciclo de vida da humanidade.

– Eu acho que a mensagem é esta: a humanidade precisa reconhecer que existiram sociedades inteligentes que trabalharam para que a humanidade sobreviva quando a Terra passe por processos geológicos que podem nos levar à extinção. Acredito que esses processos aconteçam em ciclos de 12 ou 13 mil anos, que é o tempo corrido desde o último degelo – comenta, em referência ao fim da última era glacial cerca de 12 mil anos atrás.

Pouco se sabe sobre os hábitos, a cultura e a rotina do Homem do Sambaqui. Objetos deixados para trás e agora encontrados por arqueólogos dão pistas sobre a vida social naquela época, mas há mistérios que a ciência moderna ainda não desvendou. Um deles, em Florianópolis, são os observatórios astronômicos construídos com pedras de dezenas de toneladas.

Na trilha da Galheta, no leste da Ilha, há um observatório de onde se pode ver o alinhamento do sol com as pedras em algumas datas do ano – equinócios de primavera e do outono, quando o dia e a noite têm duração igual (exatamente 12 horas), e solstícios de verão e inverno, quando os dias têm a maior (no verão) ou a menor (no inverno) duração ao longo do ano. O próximo acontecerá no dia 22 de setembro, data do equinócio de primavera.

– Eu não sabia que o sol, a lua e as estrelas faziam esses movimentos aparentes (aparentes porque, na verdade, os movimentos que mais influenciam esses fenômenos são os da própria Terra – rotação, translação e precessão). Comecei a perceber isso à medida que comecei a vir para cá. Posso dizer que fui iluminado pelo conhecimento – afirma Adnir.
Formato das pedras na trilha da Galheta intriga o pesquisadorFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Pedras misteriosas

No observatório da Galheta há dois tipos de monumentos: os dólmens (no bretão, dol = mesa e men = pedra), como aqueles famosos de Stonehenge, na Inglaterra, e os menires (no bretão, men = pedra e hir = longa), geralmente associados ao culto da fecundidade. São pedras aparentemente colocadas em uma certa disposição, com o intuito de aproximar os homens das divindades e dos ciclos universais.

– Essas pedras estão espalhadas pelo mundo inteiro. Evidentemente, não são formações naturais, elas foram colocadas nesses lugares. Geralmente estão apoiadas em três bases, como a Pedra Virada, aqui na Galheta, ou a Pedra do Frade, em Laguna. Pelas “frestas” das pedras, se enxerga o nascer do sol nas datas importantes para os ciclos da vida – comenta o antropólogo.

Ao longo da pesquisa, Adnir chegou à conclusão de que os observatórios astronômicos e as gravuras rupestres que estão espalhados por quase todo o litoral catarinense tratam de um calendário da fecundidade, que também pode estar relacionado aos ciclos de plantio e colheita de alimentos.

– Esses povos que viveram na pré-história utilizaram esse calendário para gerar as famílias na época certa e ter filhos saudáveis. Se a mulher é fecundada no inverno, ela vai passar o verão inteiro na gestação, com calor em excesso. O incômodo passa para o filho. Por outro lado, se você planta alguma coisa no inverno, custa para se desenvolver. Se plantar na primavera, vai se desenvolver com força. Tal qual funciona o ciclo das plantas, o nosso também – explica. 
Adnir mostra as inscriçõesFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Saiba onde estão localizados os observatórios

Quem ficou curioso e quer ver de perto todos esses monumentos pode conferir diretamente nos locais. As gravuras rupestres em baixo relevo estão em boa parte do litoral catarinense: Ilha de Porto Belo, Ilha do Arvoredo, Ponta das Canas, Ingleses, Santinho, Ilha das Aranhas, Barra da Lagoa, Galheta, Praia Mole, Joaquina, Campeche, Ilha do Campeche, Armação, Pântano do Sul, Ilha das Irmãs, Ilha do Papagaio, Pinheira, Guarda do Embaú, Garopaba e Ilha dos Corais.

Quanto aos observatórios arqueoastronômicos, o mais significativo fica no morro da Galheta, em Florianópolis. Para chegar até lá pode-se ir pela trilha pública que se inicia no final da Fortaleza da Barra ou pela trilha do Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia (Imma), no começo da Fortaleza da Barra.

No Imma, além da trilha, há um museu com uma coleção de arte rupestre com a reprodução de quase todos os painéis que existem na Ilha de Santa Catarina, além de artefatos cotidianos como pontas de machado e relógios solares. Se marcar com antecedência, é possível combinar uma visita guiada com o antropólogo Adnir Ramos. A entrada custa R$ 10. Mais informações pelos telefones: (48) 99607-2201 e (48) 99621-8298.

(Do http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br)

FAZENDO FARINHA

Nenhum texto alternativo automático disponível.


Estr. Caminho dos Açores, 1180 - Santo Antônio de Lisboa 


♦ PROGRAMAÇÃO DA FARINHADA ♦

◘ SÁBADO - 01 de Setembro

Lançamento oficial da festa.

19:30h - Início da 21ª Farinhada do Divino.
20:15h – Novena do Divino Espírito Santo rezada em Latim
21:30h – Show: Trio Tons de Sambaqui
(Serviço de bar e gastronomia típica de engenho com:
pirão com linguiça e feijão, escondidinho, farinha orgânica feita na hora, cuscuz, biju, rosca de massa e outros).

◘ DOMINGO - 02 de Setembro
11:00h – Continuação da “Farinhada do Divino”, no Engenho dos Andrade e almoço com a culinária típica do engenho.
Das 13:00h ao fim do evento:
– Show Musical. 
– 7ª Concurso de forneiro (chef´s dos restaurantes locais irão analisar a melhor farinha e apontar o melhor forneiro).
– Apresentação do Boi de Mamão de Santo Antônio.
– Premiação do 7º Concurso de Forneiro (o concurso acontece durante a farinhada de sábado e de domingo).

• Endereço: Estrada Caminho dos Açores, 1180, Sto. Antônio de Lisboa.
• Maiores informações: (48) 3235-2572 e (48) 9 9615-4080 (whats)
Venha participar, aguardamos sua presença, a entrada é franca!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

OS ARGONAUTAS

BAHIA BALEIA




(Guilherme Mansur, da série Bahia Baleia, do site www.cronopios.com.br )
 

Guilherme Mansur é poeta e tipógrafo. Publicou HAICAVALÍGRAFOS, BANDEIRAS - TERRITÓRIOS IMAGINÁRIOS, BENÉ BLAKE, BARROCOBEAT, BICHOS TIPOGRÁFICOS e GATIMANHAS & FELINURAS (em parceria com Haroldo de Campos). Vive e trabalha em Ouro Preto, Minas Gerais. E-mail: guimamba@gmail.com

DE VIKINGS & GÊNEROS

Envoltos em capacetes de ferro, coletes de corrente e couraças, encenadores vikings dão uma ótima noção de como esses antigos corsários aterrorizam as vítimas.
FOTO DE DAVID GUTTENFELDER, NATIONAL GEOGRAPHIC

DNA revela que famoso guerreiro viking era, na verdade, uma guerreira

Novas evidências obrigam arqueólogos a reinterpretar um conhecido túmulo, e podem lançar luz em papéis de gênero nas sociedades vikings. 

Por Michael Greshko

Há mais de um milênio, onde hoje é o sudeste da Suécia, um abastado guerreiro viking descansou pela última vez. Em sua homenagem, um túmulo resplandecente foi preenchido com espadas, pontas de lança e dois cavalos sacrificados. A sepultura refletia a vida ideal de um guerreiro viking macho – pelo menos era o que pensavam vários arqueólogos.

No entanto, novos exames de DNA em ossos confirmaram uma descoberta reveladora: o túmulo pertenceu a uma mulher.

O estudo, publicado recentemente no periódico American Journal of Physical Anthropology, coloca em xeque o entendimento que arqueólogos construíram sobre os vikings – marinheiros medievais que, durante séculos, fizeram comércio e pilhagens por toda Europa.

COMO ERA A VIDA DOS VIKINGS?
Os Vikings dominaram os mares do norte da Europa por quase 300 anos. Saiba mais sobre esses grandes navegadores.

“Antes, o local era conhecido quase como o túmulo de um guerreiro viking macho ‘exemplar’”, disse o arqueólogo da Universidade Baylor Davide Zori, que não esteve envolvido na pesquisa. “[O novo estudo] atinge o coração da interpretação arqueológica: sempre analisamos com nossa própria ideia do que papéis de gênero são”.

Os conhecimentos sobre vikings sempre deram pistas de que nem todos guerreiros eram homens. Um antigo texto irlandês do século 10 conta a história de Inghen Ruaidh (“Garota vermelha”), uma guerreira, mulher, que liderou uma esquadra viking até a Irlanda. Davide aponta que inúmeras sagas vikings, como a Saga dos Volsungos, do século 13, falam das ‘donzelas-de-escudo’ que lutavam ao lado dos homens.

Mas alguns arqueólogos consideravam as guerreiras mulheres meros ornamentos mitológicos – uma crença apoiada em expectativas modernas sobre os papéis de gênero. 
Susposto macho

Desde o fim da década de 1880, cientistas enxergavam o “Guerreiro Bika” por essas lentes. Os estudos sempre indicavam que o túmulo pertencia a um homem, mesmo sem análises detalhadas das ossadas.

Como descrito na reportagem de capa de março de 2017 da revista National Geographic, tudo isso mudou quando a bioarqueóloga da Universidade de Stockholm Anna Kjellström examinou com mais atenção os ossos pélvicos e mandibulares do guerreiro pela primeira vez. As dimensões levavam a crer que os restos eram de uma mulher.

Brandindo lanças e espadas, encenadores vikings e eslavos se enfrentam em uma batalha fictícia em festival na Polônia. O que começou como pequenos grupos de ladrões se tornou exércitos que conquistaram grandes parcelas da Europa.
FOTO DE DAVID GUTTENFELDER, NATIONAL GEOGRAPHIC

A análise de Anna, apresentada em conferência de 2014 e publicada em 2016, não fez muito estardalhaço, e alguns arqueólogos retrucaram. Talvez as ossadas foram confundidas com as de túmulos vizinhos, afinal, as escavações foram feitas há mais de um século. Quem sabe os ossos não foram misturados aos de outras pessoas?

Em reposta, uma equipe liderada pela arqueóloga da Universidade de Uppsala Charlotte Hedenstierna-Jonson retornou às ossadas e extraiu dois tipos de DNA. O mitocondrial, repassado de mãe para filha, determinaria se os ossos eram de um ou de vários indivíduos. Já o nuclear, revelaria o sexo biológico.

Os resultados foram claros: a equipe não encontrou nenhum cromossomo Y e o DNA mitocondrial de todos os ossos eram equivalentes. Os restos eram de uma única pessoa – uma mulher.

Charlotte e seus colegas dizem que a mulher era, provavelmente, uma guerreira – aliás, uma respeitada estrategista. “Em seu colo, ela segurava peças de jogos”, disse Charlotte em entrevista. “Isso sugere que ela planejava as táticas e liderava o grupo”.
Vida viking

Davide ainda está fascinado pelo que a descoberta diz sobre Birka, o assentamento da era viking onde a mulher foi enterrada. Abrigando um dos maiores e mais conhecidos cemitérios vikings, o sítio também foi um próspero eixo de comércio que recebia prata árabe e bizantina trocada por peles e escravos enviados pelos rios Dniepre e Volga.

Ilustração de Evald Hansen baseada no plano original do túmulo do escavador Hjalmar Stolpe, publicado em 1889.
FOTO DE ILUSTRAÇÃO CORTESIA DE UPPSALA UNIVERSITY

Talvez como resultado do fluxo de mercadorias e pessoas, o cemitério de Birka possui um ar especialmente internacional, diz Davide. Rituais de sepultamento são diversos, vão desde queimar os cadáveres a posicioná-los sentados em cadeiras.

“[Birka] costurava o mundo viking – de comércio, trocas e pessoas se movimentando não somente para matar umas as outras”, ele acrescenta. “Revelar o tipo de ética marcial nas sepulturas também é importante: trata-se de juntar duas partes importantes do mundo viking.”

“Isso é algo que gerou muito interesse ao longo dos anos porque alguns textos mencionavam as guerreiras vikings. Agora, novas tecnologias podem nos aproximar desses textos e desses estudos”, diz ele.

(Do http://www.nationalgeographicbrasil.com/)

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

CAMINHOS DO MAR

Foto Daqui

O CAMINHO DO PEABIRU PASSAVA POR AQUI

Um ramal costeiro do Caminho de Peabiru, até agora desconhecido pelos estudiosos, percorria diversas praias de Florianópolis, inclusive as de Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui. A novidade histórica faz parte do livro da jornalista e pesquisadora Rosana Bond.

A obra "História do Caminho de Peabiru – O milenar, “desprezado” e pouco estudado ramal litorâneo, da Editora Aimberê (RJ), é a 16ª publicada pela jornalista.
Nela a autora incluiu um mapa militar português, dos anos 1700, mostrando um caminho passando pelas duas localidades. “Naquela época, fora algumas ruas do centro de Desterro e do pequeno trecho das pontes da Avenida da Saudade, o governo de Portugal ainda não abrira estrada nenhuma na Ilha. Assim, tudo indica que a trilha de Santo Antônio e Sambaqui era remanescente dos velhos caminhos dos índios, existentes nas bordas de quase toda a Ilha, muitos deles reaproveitados depois pelos moradores brancos. Essas vias indígenas ilhoas faziam parte do ramal peabiruano”, esclarece Rosana.
O Peabiru era um caminho que unia o Atlântico ao Pacífico, penetrando o interior por Barra Velha e vale do rio Itapocu, e alcançando o oceano no Chile e Peru. “O que não se sabia, até agora, é que ele possuía um ramal que beirava a orla catarinense, incluindo Florianópolis. Na realidade, beirava praias brasileiras desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, por 1500 quilômetros sem qualquer interrupção”, informa.
Sobre o título do livro, ela explica: “Digo que o caminho praiano é milenar porque foi usado pelos índios desde pelo menos 1500 anos atrás. Que foi “desprezado” porque os portugueses só reconheceram oficialmente sua existência e importância dois séculos após terem desembarcado no Brasil. E finalmente, falo que foi pouco estudado porque, num equívoco, foi visto pelos estudiosos como um caminho “natural”, sem interferência da mão do homem. Ou, no máximo, como uma rude trilha indígena presente apenas em trechos descontínuos do litoral, do sul ao Rio de Janeiro.”

Sustentada em velhos documentos, mapas e relatos indígenas, a obra apresenta um traçado do ramal, município por município. A jornalista acredita que esse traçado poderá ser útil a várias cidades litorâneas catarinenses na prática do turismo cultural-histórico.
“Todos sabemos que há praias do nosso litoral que só têm movimento econômico no verão, quase ‘morrendo’ no resto do ano. São localidades que buscam atrativos extratemporada que evitem seu empobrecimento sazonal. Será que organizar peregrinações por esse ramal do sagrado Peabiru, nos moldes do Caminho de Santiago de Compostela, não seria um atrativo suficiente para trazer turistas/caminhantes a essas cidades fora do verão?”, indaga a pesquisadora.

(Do portal "Daqui" - http://daquinarede.com.br)

NOTURNA

Foto Fernando Alexandre

Sem fotochope e sem corte!

EM BUSCA DA CABEÇA PERDIDA



Você já viu uma cabeça de bacalhau?

A cabeça de bacalhau existe sim, olha a foto de um ainda vivo, aí em cima. O bacalhau não é um peixe, é um processo de salgamento. O peixe, pelo menos o original, que foi o primeiro usado e ainda é o melhor do mundo para fazer bacalhau, chama-se Cod Gadus Mohua, é um primo da abrotéa e vive lá no Mar do Norte, no Atlântico Norte, não tem por aqui. A gente não vê a cabeça dele porque ela é descartada no processo de salgamento. E isso é antigo, começou com os vikings, no século 8. Não é uma invenção portuguesa como se pensa. Podemos dizer, para simplificar essa história, que o bacalhau é uma invenção sueca, norueguesa. Mas é conhecida como a mais tradicional iguaria da culinária lusitana, porque foi Portugal quem popularizou o bacalhau no mundo, com as grandes rotas marítimas dos descobrimentos.
Mas antes dos portugueses, quem popularizou o bacalhau na Europa foram os bascos. Existem registros de fábricas para processamento do bacalhau na Islândia e na Noruega, lá no século 9, nos anos 800. Os Vikings são considerados os pioneiros na descoberta do Cod Gadus Morhua, que é o peixe considerado como bacalhau autêntico. Obviamente, o Gadus Morhua não é salgado, o preparo dele chamado de bacalhau é que é.
Os vikings não tinham sal, então eles encharcavam o peixe com água do mar e o secavam ao ar livre. Assim, conseguiam que o peixe perdesse muito peso, ficasse duro como uma tábua de madeira e aí conseguiam levar nas longas viagens marítimas pelos oceanos. Ou seja, os vikings "inventaram" a técnica que os nossos tropeiros utilizaram séculos depois na carne seca e no charque.
A população européia só começou a comer bacalhau, bem mais tarde. No século 9, o vikings eram chamados de bárbaros pelos mouros que dominavam boa parte da Europa e toda a Penínsla Ibérica. Portugal surgiu em 1.300, cinco séculos depois disso. Mas quando os bárbaros desembarcavam na costa espanhola, lá no nordeste da Espanha, eles trocavam bacalhau por outros produtos.
Então os bascos se interessaram pelo peixe salgado. Os bascos já conheciam o sal e existem registros de que no ano 1000, eles vendiam o bacalhau curado, o salgado e o seco. Então, esse bacalhau que a gente come hoje é uma versão surgida na costa da Espanha.
No começo, eles salgavam e depois secavam nas rochas, ao ar livre, para que o peixe fosse melhor conservado e aí é que se tirava a cabeça do peixe, porque a técnica criada pelos vinkings consiste em abrir o peixe ao meio e deixá-lo reto. Com cabeça isso não era possível. Então eles eliminavam essa parte e é por isso que você não vê a cabeça do bacalhau exposta lá no supermercado.

(Texto e imagem enviados anonimamente ao Tainhanarede)