quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

MAR DE OLHARES

Robert Doisneau, as areias de iria
Agosto de 1959

MAR DE ILHAS

Ilha dos Noivos, em frente à praia do Balneário (Estreito) - Carlos Damião

Projeto de lei cria o arquipélago florianopolitano

Ondina é o nome proposto, valorizando 29 ilhas e ilhotas pertencentes à capital catarinense

“Um pedacinho de terra / perdido no mar”... diz o primeiro verso do Rancho do Amor à Ilha, o hino oficial de Florianópolis, composto por Cláudio Alvim Barbosa (Zininho) em 1965. Sem querer corrigir o poeta, seria correto cantarmos “uns pedacinhos de terra / perdidos no mar”, porque a capital catarinense na verdade é formada por um arquipélago, com 29 ilhotas e ilhas, das quais a Ilha de Santa Catarina é a maior e mais célebre, além da região continental, incorporada à cidade por decreto do interventor Nereu Ramos, em 1944.

Para destacar essa condição geográfica, o vereador Afrânio Boppré (PSOL) protocolou na semana passada, na Câmara, um projeto de lei que pretende instituir oficialmente o nome de Arquipélago de Ondina, para o conjunto territorial/marítimo de Florianópolis. Por que Ondina? “Quando Hercílio Luz revogou o nome de Desterro, em 1894, um dos nomes cogitados era justamente Ondina, lembrando uma personagem mitológica, um tipo de sereia que habita e protege os mares, lagoas e rios. Tem uma dimensão poética, como a própria cidade”, explica o parlamentar.

O projeto vai seguir a tramitação normal pelas comissões, como qualquer matéria legislativa, e Afrânio tem certeza de que ganhará apoio dos colegas, uma vez que a condição de arquipélago representa a síntese da totalidade de ilhas florianopolitanas. “Denominar Florianópolis como arquipélago é também uma forma de homenagear nossa origem civilizatória, ou seja, a origem de nossos colonizadores, que vieram de um arquipélago, dos Açores”, observa Afrânio.

Nos estudos que encomendou para elaborar o projeto, Afrânio percebeu que a iniciativa tem também um fator de valorização cultural e turística. Em outras palavras, seria uma forma de agregar ainda mais valor à vocação econômica natural da capital catarinense.
Ilha do Campeche, ao fundo, em frente à praia do Campeche - Carlos Damião


Ilhas e ilhotas

O projeto do vereador Afrânio Boppré relaciona as seguintes ilhas e ilhotas pertencentes ao município de Florianópolis:

- Ilha de Santa Catarina

- Ilha das Campanhas (península)

- Ilha Badejo

- Ilha Moleques do Norte

- Ilha Mata Fome

- Ilha das Aranhas Grande

- Ilha das Aranhas Pequena

- Ilha do Xavier

- Ilha do Campeche

- Ilha das Laranjeiras

- Ilha Maria Francisca (ou Flechas)

- Ilha Garcia

- Ilha Tipingas

- Ilha dos Noivos ou Lamim

- Ilha Diamante

- Ilha Guarás Pequena

- Ilha Guarás Grande

- Ilha Ratones Pequeno

- Ilha Ratones Grande

- Ilha do Francês

- Ilha das Pombas

- Ilha das Vinhas

- Ilha do Abraão

- Ilha das Conchas

- Ponta do Capim

- Ilhado

- Ilha do Facão

- Ilha da Guarita

- Ilha Perdida

Embora pertencentes a outros municípios, também integram o arquipélago – pela proximidade e pela similaridade dos ecossistemas –, as ilhas do Arvoredo e Anhatomirim (Governador Celso Ramos), das Cabras (Biguaçu), dos Cardos Grande, Papagaio, Coral, Araçatuba, Moleques do Sul, Irmã do Meio, Irmã Pequena ou Costeira, Irmã de Fora (estas, do território de Palhoça).
Ilha das Vinhas, na região do bairro José Mendes, bem próxima ao Centro - Carlos Damião


Desterro descartado

Recuperar o nome de Desterro para denominar o arquipélago chegou a entrar em discussão no gabinete do vereador durante a elaboração do projeto de lei. Mas foi descartado por duas circunstâncias: não faz sentido na atualidade e Desterro era a denominação exclusiva da Ilha de Santa Catarina, não abrangia o conjunto de ilhas.

Fundação revista

O vereador Afrânio Boppré foi autor também de outro projeto de revisão histórica, que mudou a referência ao aniversário de Florianópolis. Mais especificamente quanto à contagem do tempo de existência da cidade, que se relacionava, até 2015, ao ano de emancipação da vila de Desterro, desmembrada de Laguna em 1726. Seguindo estudos desenvolvidos pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, o projeto propôs a mudança do ano para 1673, quando teria ocorrido a fundação de Desterro, pelo bandeirante Francisco Dias Velho. Ou seja, em 23 de março de 2018 Florianópolis estará comemorando 345 anos – e não 292, como seria na contagem anterior. “Corrigimos um erro histórico, porque festejávamos o ano de 1726 como se fosse o da fundação”, lembra Afrânio.

A mudança causou polêmica, o prefeito Cesar Souza Júnior hesitou em sancionar a lei, mas afinal a capital catarinense ganhou sua data oficial de origem.

(Da coluna do Carlos Damião, no https://ndonline.com.br/ de 14/02/18)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

SUL REAL

Fotos Fernando Alexandre Meio barco - Na praia - Pântano do Sul
(O meio barco era do finado Serginho Nóia)

BALEIAS DE CHIFRE

Foto: wikipedia

Baleia e o mito do Unicórnio, saiba como surgiu

Baleia e o mito do Unicórnio: desde a Idade Média persiste o mito do Unicórnio. Em 1576, Martin Frobisher, marinheiro inglês, navegava pelo Atlântico Norte em busca de uma rota para o Pacífico. Ao chegar à costa do Canadá, viu um objeto incomum na beira da praia. O artefato era branco, comprido e torcido em espiral. Frobisher não titubeou: estava diante de um chifre de unicórnio.
Pouca gente sabe que a história nasceu com a descoberta do Narval, cetáceo da família Monodontidae, a mesma da baleia Beluga, ambas habitantes do Ártico. O Narval macho tem uma presa reta, helicoidal, saindo para fora da cabeça como uma lança. Imagine o susto de Frobisher ao topar com uma presa em plena Era das Trevas. O surgimento do mito do Unicórnio vem daí. E este não foi o único mito cuja certidão de nascimento deriva da forma de animais marinhos. Sereias, que desde o tempo dos gregos atormentam os marinheiros, foram inspiradas pelos simpáticos peixes- boi…

Narval, predador eficiente

O Narval é um eficiente predador, capaz de atingir até duas toneladas de peso, e mergulhar a profundidades de mais de mil metros atrás de suas presas. Seu habitat são as águas geladas do Ártico, próximas ao Canadá, Rússia, e Groenlândia. Raramente descem abaixo dos 65º de latitude Norte. Por mais de mil anos foram caçados pelos nativos da região, os Inuit, em razão da carne e do marfim. Ainda assim, e apesar do aquecimento global, continuam maravilhando o mundo com sua presa incomum.
foto: wikipedia
Cientistas descobrem a função da presa

Matéria do The Daily Catch informa que cientistas descobriram que o chifre do animal é um órgão sensor e não um ‘picador’ de gelo, ou arma para disputa, como se pensava. A presa é, na verdade, o dente canino esquerdo que ultrapassa a carapaça do mamífero marinho. Ao contrário de um dente normal, ele não tem esmalte, é poroso, e serve como espécie de antena que alimenta o cérebro. Com a presa os animais percebem as diferentes químicas da água, e ainda encontram alimento.
Foto:gettyimages.com

Características da baleia Narval

O Narval, interessante baleia do Ártico, atinge até seis metros de comprimento, sem contar a presa que alcança os outros cinco metros. Eles podem viver até 50 anos. Cerca de um, em 500 machos, pode ter até duas presas. Seus únicos predadores, além do homem, são os ursos polares, e grupos de orcas. A população mundial é estimada em cerca de 75.000 mil indivíduos e, de acordo com especialistas, o Narval é vulnerável ao aquecimento global.
Habitat
A caça e a proteção da baleia narval
Até hoje são caçados por populações tradicionais, com caiaques e arpões. Sua gordura, pele, e carne, são quase totalmente utilizadas. Para amenizar as perdas, a Comunidade Europeia estabeleceu uma proibição da importação de presas.
Espetáculo raro: 20 orcas caçam um grupo de narvais.

(Do https://marsemfim.com.br/)

CARNAVAL, OUTROS...

Pablo Picasso, "Carnaval" (1958), litografia colorida, 48.3 x 36.8 cm.

DE TAINHAS & PIRANHAS

Foto Nan Valente
Bloco em São Pedro da Aldeia - Região dos Lagos - Rio de Janeiro

PESCANDO COM POTES


São poucas as pescarias que conseguem capturar peixes, crustáceos ou moluscos sem utilizar iscas ou redes. A pesca do polvo-comum (Octopus vulgaris) é uma delas. Nessa pescaria, espinhéis com centenas de potes são deixados alguns dias no mar.

Porque os polvos tem o habito de esconder-se e viver a maior parte de sua vida em tocas, eles acabam por alojar-se nesses potes, que passam a ser usados como abrigo. Quando os potes são recolhidos, a reação do polvo é fixar-se ainda mais na sua "toca" e, dessa forma, são levados à superfície, e retirados no convés da embarcação.

Esta técnica foi inventada há milhares de anos, quando eram utilizados potes de cerâmica. Hoje, os potes são sintéticos, mas a pesca de potes ainda é usada em pescarias artesanais e industriais.

(Do https://www.facebook.com/oceanabrasil/)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

NAUFRÁGIOS DO BRASIL

Mapa de Jan Janes. Notem a quantidade de navios… (Ilustração: blogcaicara)

Naufrágios do Brasil: saiba porque aconteceram, e conheça alguns

Por mais de três séculos, a única forma de chegar ao Brasil era através dos mares. Como se sabe, somos fruto da epopéia náutica lusitana, um dos maiores acontecimentos da história mundial. E nos séculos 16 e 17, especialmente, as embarcações que aqui chegaram eram bastante simples e precárias. Além disso, não havia cartas náuticas, nosso litoral era uma grande incógnita, tudo isso resultou numa série interminável de acidentes, os naufrágios do Brasil.
As riquezas da nova terra atraem piratas, aventureiros, e outras nações

Logo depois da “descoberta” espalhou-se na Europa, devido especialmente às cartas e viagens de Américo Vespúcio ao Brasil, notícias sobre as riquezas da nova terra. Foi o suficiente para despertar o imaginário da época. Já em 1525 os franceses invadiram o novo país e fixaram uma colônia na baía de Guanabara, a França Antártica.



Piratas vieram aos montes para estas plagas. “O mapa de Jan Janes (abaixo), descreve a invasão do corsário holandês Spilbergen em 1615 e mostra que o porto de São Vicente teria, na época, duas barras, por onde entrariam grandes navios: vê-se até um galeão holandês fundeado defronte à Praia de Paranapuã.(do blogcaicara)”

Fernão de Magalhães e Thomas Cavendish

Entre outros navegadores e piratas famosos que estiveram por aqui, ainda no século da descoberta, estão Fernão de Magalhães que, antes de descobrir o estreito que leva seu nome e realizar a primeira circunavegação do globo, fundeou no Rio de Janeiro por uma semana para reabastecimento (1522) . Pouco depois, o terceiro a circunavegar o planeta foi o pirata Thomas Cavendish (1586). O inglês infernizou a costa brasileira. Incendiou construções de Ilha Grande, aprisionou navios, fundeou em Ilhabela, de onde ordenou a destruição de Santos e São Vicente. Azucrinou. E a cada vez que isso acontecia, mais navios iam a pique…

O Brasil quinhentista virou um grande estaleiro

Logo depois do desembarque de Cabral, os fantásticos nautas lusos perceberam que o Brasil seria a melhor escala para a Carreira das Índias, as longas e perigosas viagens que fizeram a partir do momento que Vasco da Gama cruzou o Cabo da Boa Esperança. Naqueles séculos longínquos, as naus e caravelas não duravam muito mais que um par de meses, precisavam ser reparadas na ida ou na volta às Índias. Qual o melhor local ? O mapa do Brasil, de Giovanni Battista Ramusio, Veneza 1556, mostra claramente. Pode-se ver os nativos cortando madeira de lei para reparar naus e caravelas, além das próprias embarcações como que esperando os reparos que seriam feitos. O que quer dizer tudo isso? Mais naufrágios na costa brasileira.


Não foi por outro motivo que o maior navio do mundo até então construído, no século 17, foi o Galeão Padre Eterno, made in Brazil. E foi ainda neste século que sofremos outra invasão de mais um povo navegador: os holandeses, que se fixaram no Nordeste. Mais uma vez houve escaramuças e batalhas navais durante os mais de 30 anos em que ficaram por aqui. Desde a invasão da Bahia, em 1621, até serem expulsos de Pernambuco, em 1654. Isso significa que mais navios, montes deles, foram parar no fundo do mar.

Nos séculos 18 e 19 o Rio de Janeiro entra na Rota dos Mares do Sul

Nosso destino está inexoravelmente ligado ao mar e à navegação. Só os brasileiros não sabem. Infelizmente, com o baixíssimo nível de ensino que existe no país de Macunaíma, o herói sem caráter, essas são consideradas ‘questões menores’ que as escolas de nível médio, e até as Universidades, passam geralmente batido. Não por outro motivo nosso litoral está ao deus-dará e, mesmo assim, não desperta a menor comiseração na maioria dos brasileiros. O fato é que quando as nações imperialistas da época, especialmente Inglaterra e França, começaram a explorar os Mares do Sul, novamente a parada obrigatória, em razão das distâncias, das correntes marinhas e da direção dos ventos, era o Rio de Janeiro. De James Cook na viagem do Endeavour, 1768; até Oswald Brierly, a bordo da Galatea, 1867, todos fizeram suas paradas no Rio. Até mesmo Darwin. E, mais uma vez, isso significa mais tráfego naval, e maiores possibilidades de naufrágios. O Rio também foi parada obrigatória para os navios ingleses da carreira da Austrália desde que a “First Fleet” (a frota inglesa que levou os primeiros 1.300 degredados e soldados para a Austrália em 1788) ali fundeou.”
Naufrágios do Brasil não se restringiram aos dois primeiros séculos pós descoberta


Este é apenas um entre milhares de naufrágios do Brasil (Foto:curiozzzo.com)

Mas os naufrágios em nosso imenso litoral não se restringiram aos primeiros dois primeiros séculos. O da foto acima, por exemplo, é do início do século 20. Naufrágios são parte da história de qualquer país marítimo por excelência, como é o nosso caso. Com um litoral com mais de 8 mil kms, com baixios, recifes, ilhas só recentemente demarcadas, ausência de faróis durante muito tempo, e ainda as guerras, como a segunda Grande Guerra que deixou inúmeros navios brasileiros, e alemães, debaixo água. Esta matéria não tem nenhuma pretensão de ser a mais completa, ou ordenar por importância os milhares de navios que naufragaram nesta plagas. É apenas uma seleção de bons naufrágios para mergulho de observação.

Abrolhos, sul da Bahia, local de muitos naufrágios

O maior banco de corais do Atlântico Sul fica a 30 milhas da costa, no sul da Bahia, o arquipélago dos Abrolhos. Ali há vários naufrágios. Mas um dos mais conhecidos é o do cargueiro Rosalina, um ótimo ponto para mergulho. Quem esteve em Abrolhos certamente mergulhou pelos porões do Rosalina. Diz a lenda que Abrolhos seria uma corruptela de “Abra os Olhos” expressão que seria usada por marujos lusos aos que navegavam naquelas bandas. Acontece que ‘abrolhos’ também significa “escolho”, “acidente submarino à flor da água” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa), portanto é bom não fiar-se só em lendas…


Ilustração: http://www.apecatuexpedicoes.com.br/

Naufrágio que causou maior número de mortes no Brasil

É o famoso naufrágio do Príncipe das Astúrias, sobre o qual este site já escreveu. Então, nessa matéria ele fica de fora. Aproveitamos para conhecer outros em…

Fernando de Noronha e a Corveta Ipiranga

Trata-se da Corveta da Marinha do Brasil, Ipiranga, um dos mais visitados naufrágios de Fernando de Noronha. Aconteceu em 1983, durante uma comissão em Fernando de Noronha. Seus destroços estão numa profundidade de aproximadamente 62 metros.

A corveta Ipiranga na baía de Todos os Santos note o belíssimo Saveiro de pena atrás…(foto: wikipedia)

Não há mergulhador que vá para Noronha e não desça até os escombros da Ipiranga. Pouca gente sabe, entretanto, que Noronha é o local de alguns dos mais notórios naufrágios da história marítima do Brasil. Um deles foi o do navio de Gonçalo Coelho, da frota de 1503 comandada por Américo Vespúcio, que passou uma semana na então conhecida como Ilha da Quaresma.


A Ipiranga debaixo d’água (foto: you tube)

Naufrágio do navio Prince, misterioso até hoje

O Prince era uma nau de guerra francesa. Em 26 de Julho de 1752 navegava da França com destino à Índia quando pegou fogo e naufragou.


O Prince (Ilustração: curiozzzo.com)

De acordo com site curiozzzo.com, existem 3 versões do local do naufrágio: próximo a Natal, em Pernambuco, ou na ilha de Ascensão. De acordo com o site, o Prince “transportava carga avaliada em mais de 5 milhões de libras, o que dá mais de 21 milhões em reais de hoje. De sua tripulação de mais de 400 pessoas apenas nove sobreviveram.”

Baía de Guanabara e o naufrágio do vapor Buenos Aires

Durante o caminhar da história do Brasil, desde a descoberta no sec 16, acredita-se que aconteceram mais de 300 naufrágios no Rio de Janeiro. As histórias você pode encontrar no portal Naufrágios do Brasil. Uma delas é a do vapor Buenos Aires. O paquete, lançado ao mar em 1829, era considerado um dos mais modernos para transporte de cargas e passageiros.


Em segundo plano o Buenos Aires (Foto:naufragiosdobrasil.com.br)

Em 1890, o Buenos Aires seguia da Bahia para o Rio de Janeiro quando uma das caldeiras explodiu, fazendo com que a embarcação passasse a navegar devagar. O capitão entregou o timão para um imediato. Pouco depois passageiros, vendo uma ilha e um farol se aproximarem, acordaram o capitão que não deu ouvidos. Quando finalmente subiu ao convés, percebeu que estavam em rota de colisão com a Ilha Rasa- RJ.


Ilha Rasa e a posição de mais um dos naufrágios do Brasil

Ele ordenou a reversão das máquinas, mas não houve tempo para livrar a colisão. Tumulto e pânico. Mas todos foram salvos, inclusive o capitão, resgatados pela Marinha do Brasil. Um inquérito foi aberto para apurar denúncia de que o naufrágio havia sido propositalmente provocado. Pois é, tem destas coisas. Às vezes os naufrágios são deliberadamente provocados para que o proprietário receba o valor do seguro…

Fontes:Da Net:

https://curiozzzo.com/2016/07/28/as-coisas-mais-curiosas-que-voce-nao-sabia-sobre-naufragios-no-rio-grande-do-norte/; https://www.naufragiosdobrasil.com.br/; http://www.apecatuexpedicoes.com.br/site/pagina.asp?cp=132&pagina=NAUFR%C1GIOS; https://pt.wikipedia.org/wiki/Cv_Ipiranga_(V-17);http://www.blogcaicara.com/2010/12/estampa-de-jan-janes-1621-invasao-do.html; http://naviosenavegadores.blogspot.com.br/2015/01/museu-maritimo-de-santos.html

Livro:O Rio de Janeiro na Rota dos Mares do Sul, Andrea Jakobsson Estúdio.

Ilustração de abertura: Príncipe de Astúrias

(Do https://marsemfim.com.br/)

https://marsemfim.com.br/

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

AVISO AOS NAVEGANTES


Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Epagri/Ciram emite aviso de mar agitado e vento forte no Litoral de SC

Por

A Epagri/Ciram, órgão estadual de monitoramento do tempo e do clima, emitiu um aviso na manhã desta segunda-feira para mar agitado e vento forte no Litoral de Santa Catarina, principalmente no trecho entre Florianópolis e Laguna. O alerta vale a partir das 12h desta segunda até 21h da terça-feira.

Segundo a Epagri/Ciram, as ondas devem ficar em torno de 2 metros, com possibilidade de alcançar até 3,5 metros — podendo colocar em risco pequenas e médias embarcações. Já as rajadas de vento vindas do Sul podem chegar a 70 km/h.

O meteorologista do Grupo NSC, Leandro Puchalski, destaca que o maior impacto das ondas será no alto mar. Próximo ao Litoral, devem ficar em torno de 1 a 1,5 metro — o que ainda exige atenção dos banhistas e comandantes de embarcações. 

Previsão do tempo

O vento Sul que chega com força no Litoral catarinense é consequência de uma frente fria que está em direção ao Estado. Segundo Puchalski, a noite deve ser fria em regiões como a Serra, Oeste, Meio Oeste, Sul e Planalto Norte. Algumas cidades devem amanhecer na terça-feira com temperaturas entre 6 a 8°C, muito abaixo do registrado nos últimos dias.

(Do http://dc.clicrbs.com.br/)

NA PRAIA...


No carnaval do Pântano, o solitário Socó.

CAMINHOS...

Caminhando e clicando!
Do Silézio Sabino 

MAR DO FERNANDO CALDERARI




Imagem relacionada

domingo, 11 de fevereiro de 2018

OSTRAS NA MESA

Foto Paraíso das Ostra
OSTRAS EMBRIAGADAS

Ingredientes:
-1 copo de vinho branco seco gelado
-1 colher (sopa) de gengibre ralado
-24 ostras frescas

Modo de Preparo:
Retire as ostras das conchas e deixe marinando no vinho e no gengibre por 20 minutos.
Coloque as ostras de volta nas conchas e sirva.

(Receita da Fazenda Marinha Paraíso das Ostras)
Mergulhe fundo no www.paraisodasostras.com

MARINHA DE ÂNGELO CANNONE

Ângelo Cannone - Marinha - O.S.E - 19 X 27

CARNAVAL, OUTROS...


Entrudo: como era o Carnaval “dazantiga” em Florianópolis

Retirado do jornal “O Argos da Província de Santa Catarina” de 09.02.1858. Nessa época, Florianópolis ainda era conhecida como “Desterro”.
Naquele fevereiro de 1858, os vendedores da cidade já anunciavam seus produtos especiais para o Carnaval. Se hoje o feriado é um dos mais esperados do ano, e as opiniões se dividem em torno da festa, na Desterro do século 19 não era diferente. Isso porque, antes de o Carnaval ganhar ares europeus, com bailes de salão e máscaras italianas, o que havia por aqui era o entrudo – uma tradição portuguesa muito antiga, mas que a elite local rejeitava como “bárbara” e coisa de gente que não era civilizada.

ENTRUDO?

De acordo com os registros históricos, o Entrudo era uma brincadeira de Carnaval comum em Desterro; encontramos a primeira menção escrita a ela em 1832 e a última, em 1891. Oficialmente o entrudo acontecia nos três dias que antecediam a Quaresma, mas a folia muitas vezes começava lá em dezembro.

A brincadeira do entrudo consistia em molhar uns ao outros, o que pode parecer até inocente para os nossos padrões de Carnaval, mas há uma explicação: basta lembrar que as pessoas não tinham por hábito tomar banho de imersão (você pode ler mais sobre os hábitos de higiene no século 19 clicando aqui). Vamos acrescentar a isso o fato de que o pessoal do entrudo era bem criativo nas misturas. Valia jogar desde pós, perfume e água colorida até líquidos fétidos e dejetos humanos, que eram lançados através das janelas com qualquer coisa que estivesse à mão – fosse a gamela da cozinha ou o bom e velho penico.

O entrudo frequentava assiduamente os jornais e charges da época. Esta charge foi publicada no jornal “O Mequetrefe” (RJ) em 20 de fevereiro de 1885.

O grande problema do entrudo é que ninguém estava livre. Durante os dias da brincadeira, qualquer um que passasse na rua corria o risco de ver-se obrigado a voltar para casa e trocar de roupa. Conforme a folia foi se desenvolvendo no Brasil, surgiram os limões-de-cheiro e laranjas-de-cheiro, que eram bolas de cera mais ou menos maleável, recheadas com água perfumada (ou não) e que estouravam ao serem atiradas contra um alvo. Junto com eles vieram bisnagas que permitiam esguichar água com mais precisão. Foi o quanto bastou para tirar o sossego até de quem ficava em casa. Os foliões passavam pela rua e atiravam os limões contra as portas e janelas das casas, atingindo os desavisados.

O entrudo era uma brincadeira democrática e com adeptos em todos os grupos sociais. Mas, a partir dos anos 1830, quando as elites brasileiras passaram a buscar na Europa, principalmente na França, uma referência de modernização dos costumes, o entrudo começou a cair em desgraça.


LIMÕES E BISNAGAS

A fabricação de limões e laranjas-de-cheiro era uma atividade à qual se dedicavam muitas mulheres pobres, como uma forma de complementar a renda da casa. De fabricação simples e caseira, os limões começavam a aparecer nas lojas da cidade já por volta de dezembro e também eram vendidos nas ruas em tabuleiros, por crianças da própria família ou pelos escravos, se a família os tivesse.

A primeira etapa da fabricação consistia em derreter cera de vela. Depois pegava-se um limão, espetava-se um cabo de madeira e mergulhava-se rapidamente na cera. O limão era mergulhado em água fria para que a cera endurecesse e pudesse ser cortada com cuidado, retirando-se o limão e deixando apenas um pequeno orifício para introduzir o líquido. De acordo com o historiador Oswaldo Cabral, os limões mais procurados eram aqueles “recheados” com tintura de alfazema e Água da Flórida, na época um perfume popular e de preço acessível.
O entrudo em uma casa rica do Rio de Janeiro em 1822. Gravura de Augustus Earle. Você nota os tabuleiros com limões de cheiro na cena?

À medida em que o século 19 avançava, começaram a se introduzidas as bisnagas. Inicialmente importadas, elas eram anunciadas como alternativas mais higiênicas e menos imorais. Ao invés de serem vendidas em tabuleiros nas ruas, eram comercializadas em estabelecimentos respeitáveis, como “Paraíso das Damas” e “Baptysta”, que ficavam lado a lado na antiga Rua do Senado, hoje Felipe Schmidt
.

“Cena de Carnaval”, aquarela de Jean-Baptiste Debret (1823).
A cena se passa no Rio de Janeiro e é possível ver tanto o tabuleiro com limões de cheiro quanto uma bisnaga, provavelmente importada.

A IMPRENSA ATACA O ENTRUDO

No século 19 Desterro teve um grande número de jornais, sendo que os mais fortes estavam ligados a dois grupos políticos: o Partido Conservador e o Partido Liberal, que se alternavam no poder na Corte (RJ) e disputavam as demais províncias do Império. Diferenças políticas à parte, ambos eram produzidos e lidos pela população mais rica e acabavam levando para suas páginas alguns discursos que refletiam os desejos dessa mesma elite não só para a política, mas para a sociedade. Assim, vemos nos jornais de Desterro, a partir dos anos 1850, uma grande campanha contra o entrudo, que caracterizava a brincadeira como anti-higiênica, não civilizada, imoral, atrasada e que podia, inclusive, ser fatal.

Em 1869, o jornal “O Mercantil” relatava algumas consequências nefastas do entrudo com o tom dramático dos jornais da época:
Bem tristes efeitos vi desse brinquedo: poucos entrudos presenciei em não acontecessem desgraças: – D. Iria apanhou um garrotilho[1] de que morreu. D. Guiomar acabou tísica[2] no fim de seis meses. Conheci uma D. Edwirges que, por levar um mergulhão dentro de um tanque, ficou doida furiosa, pois o sangue lhe subiu o cérebro. Uma minha comadre D. Tecla, escorregou em tão má hora que quebrou a coxa, andou toda a sua vida de muletas. (…)Havia um Braz de Noronha e Souza, perfeito cavalheiro e Sargento-mor de um terço, que ficou estuporado[3] depois de uma grande molhadela. Um meu primo morreu de inflamação do peito, outro primo esteve sacramentado[4].

[1] O mesmo que crupe, uma doença respiratória que ataca especialmente a laringe, causando dor, rouquidão e tosse áspera. Hoje é facilmente tratável.
[2] o mesmo que tuberculose
[3] Indivíduo que perdia a consciência após um trauma.
[4]O mesmo que desenganado, alguém que chegou a receber a extrema-unção. 

Em 1832, o Código de Posturas Municipais proibiu o entrudo e determinou multa e prisão para os infratores: 2 dias para pessoas livres, 6 dias para escravos. Ao longo do século, a lei foi sendo atualizada e reafirmada, com a inclusão de um artigo que previa punição específica para os fiscais que fizessem vistas grossas diante do entrudo (o que acontecia com certa frequência). Apesar do policiamento e das leis, a brincadeira resistia nas ruas da Ilha como uma prática popular, convivendo com os festejos organizados pelas Sociedades Carnavalescas, grupos que organizavam o Carnaval de rua dentro da ordem e dos bons costumes da elite. Para desespero da polícia e dos defensores da moral, o entrudo se fazia presente mesmo entre os rapazes de famílias ricas e era até estimulado em anúncios de uma certa loja…

Ao Paraíso das Damas
Ide bisnagas comprar;
Quando ruge o Zé Pereira
As moças deveis molhar.

Os hábitos do entrudo passaram a conviver com os zé-pereiras, uma nome genérico para algo próximo dos blocos como conhecemos hoje. Conforme começava o século 20, o entrudo perdeu força e as Sociedades Carnavalescas como a Tenentes do Diabo (1905) passaram a ser a principal atração do carnaval popular, em torno da Praça XV de Novembro.

(Do http://floripadazantiga.com/)

MALHEIRAS

Foto Fernando Alexandre

CIGANOS DO MAR

Foto Human Planet da BBC
Pescador na costa de Sabah, em Bornéu
O povo Bajau, que vive no sudeste asiático, é também conhecido como "ciganos do mar". Por viverem e morrerem no mar, se transformaram em mergulhadores natos: conseguem chegar a 20 metros de profundidade e ficar até cinco minutos sem respirar, enquanto a maioria das pessoas precisa de ar após 30 ou 40 segundos. Também a sua visão debaixo d'agua é privilegiada, pois desde a infância os músculos de seus olhos se adaptaram para contrair mais as pupilas e mudar a forma do cristalino, aumentando a refração de luz. Ao contrário disto, seus tímpanos, normalmente rompem bem cedo.
O povo Bajau vive em palafitas sobre o mar e passam tanto tempo na água que muitos deles dizem ficar enjoados quando vão para terra firme.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

VENTO BRAVO

"Minha noiva é meu rosário no seu corpo vou rezar". (Capinam)

Video extraído do DVD Edu Lobo"Vento Bravo"

OUTROS MARES

Foto Orlando Azevedo
Mares do Paraná!
Veja mais no www.facebook.com/orlando.azevedo.129?fref=ts

NA PRAIA...


Desobediência Já! E sempre!

ATOL, SABE O QUE É?


Kiritimati, o maior do mundo (foto: wikipedia)

Atol, conheça a formação, beleza, e biodiversidade 


Atol, você é capaz de dizer o que é, como são formados, e quais os mais emblemáticos dos oceanos?

De acordo com o dicionário a palavra atol, um substantivo masculino, significa um “recife de forma elíptica, com laguna central, que se forma distante da costa; recife circular.”

Mas não é tão simples assim. Conheça o …

Atol do pronto de vista da geografia

Um atol é uma ilha oceânica em forma de anel com estrutura coralínea e de outros invertebra­dos. Seu in­terior abriga uma lagoa. Normalmente o processo de criação começa por uma ilha vulcânica. Depois da explosão, a lava chega até o mar dando sustentação a uma estrutura de recifes costeiros que começa a se formar. Os recifes tendem a sair para fora da boca do vulcão buscando águas ricas em nutrientes. Aos poucos, vai formando uma barreira em volta de todo o vulcão submerso. Segundo a National Geographic, às vezes um atol conta com várias ilhotas. Os canais que se formam entre elas servem de ligação entre a laguna e o mar aberto.

Atóis: só em águas tropicais, saiba por que

Só existem recifes de coral em águas tropicais porque “tais organismos (chamados de corais hermatípicos) reproduzem-se apenas em águas quentes em um estreito limite de temperatura,” explicam os especialistas Abilio Soares Gomes e Roberto Villaça, do Programa de pós- graduação em Biologia Marinha, da Universidade Federal Fluminense.

“A Água também deve ser rasa já que o crescimento desses corais depende da associação com certas algas que precisam da luz solar”, reforçam os professores.

O maior atol do mundo

Quem responde é o wikipedia: Kiritimati ou ilha Christmas é uma ilha do Pacífico, parte da república de Kiribati, uma vítima do aquecimento global. É considerada o maior atol do mundo. Tem 642 km² de superfície emersa, o que representa 70% do território de Kiribati.

É o primeiro local habitado do mundo a ver o nascer de cada dia, já que usa o fuso horário UTC+14 .Consequentemente, é o primeiro país a mudar de ano. Tem cerca de cinco mil habitantes.

Atol no Brasil

É curioso, mas o Atlântico Sul tem um único atol, é o atol das Rocas, que fica no litoral do Rio Grande do Norte. Quem o conheceu, como Darwin, na viagem do Beagle, fica encantado com sua beleza e biodiversidade.


O Atol das Rocas irradia beleza

Darwin descreveu o atol das Rocas em seu célebre diário da viagem, que se tornou o clássico, A 
Origem das Espécies:
começou pela formação de um recife costeiro de corais ao redor de uma ilha vulcânica. À medida que esta ilha vai afundando o recife vai se acumulando e crescendo para fora em busca de águas mais ricas em nutrientes e transformando-se em um recife de barreira. A parte central, com menor circulação de água fica preservada como uma laguna interior


Piscinas internas cercadas por corais no Atol das Rocas

A biodiversidade do Atol das Rocas

Em geral a fantástica biodiversidade dos atóis não se resume a vida marinha. Normalmente eles são pródigos em aves marinhas, e aves marinhas migratórias.


A avifauna de Rocas

Em alguns atóis existem espécies endêmicas. Estas imagens demonstram bem a beleza da avifauna do atol das Rocas.


E, então, impressiona, não?

Bikini: o Atol que virou alvo nuclear

Ele fica no oceano Pacífico, sua falta de sorte é que era longe de tudo e desabitado. O Atol de Bikini faz parte da República das Ilhas Marshall, um país insular, com 36 ilhas, localizado na Micronésia. A primeira explosão nuclear aconteceu em 1946. Entre julho de 1946, e julho de 1958, o pobre atol recebeu nada menos que 20 bombas de hidrogênio e nucleares.


Vejam como o mar tem sido desprezado até bem pouco tempo. E isso é generalizado. O desrespeito ainda persiste na vasta maioria dos países do mundo.
Midway, o atol onde as aves marinhas morrem por ingestão de plástico!

Midway, também fica no Oceano Pacífico. Trata-se um conjunto de ilhas que fica a mais de dois mil quilômetros do continente mais próximo. Mesmo assim, milhares de albatrozes morrem por inanição. Os pais dos filhotes confundiram o lixo flutuante com comida.


Mesmo estando a dois mil km de distância da terra mais próxima, o plástico chega ao minúsculo atol. Por falar nisso, vc recicla o seu?

Atóis do Índico

Pacífico e Índico. Os dois foram os mais contemplados no quesito quantidade de atóis. No Índico ficam dois países insulares formados por atóis. A República das Maldivas, formada por 1.196 ilhas, apenas 203 habitadas; as ilhas estão agrupadas em 26 atóis. O outro é a República das Seichelles, composto de 115 ilhas distribuídas entre vários arquipélagos.
Em comum, além da biodiversidade, a grande beleza dos atóis. Seichelles. (foto: www.kangaroo.com.br)

Está localizada a norte e nordeste de Madagáscar. E ainda existem os atóis do arquipélago do Chagos, e do Peros Banhos.

Atóis do Pacífico
São tantos que não haveria espaço para citar todos. Vamos aos mais emblemáticos começando pelos atóis dos Estados Federados da Micronésia; os das ilhas Salomão; da Polinésia Francesa; da Nova Zelândia; de Kiribati; das ilhas Cook e assim por diante. São milhares de atóis espalhados pelo maior oceano da Terra.
Polinésia Francesa, que tal? (foto: http://maravilhana.blogspot.com.br)

https://www.researchgate.net/publication/268741576_O_Atol_das_Rocas_Ecossistema_unico_no_Oceano_Atlantico_sul; https://www.nationalgeographic.org/encyclopedia/atoll/.

(Do https://marsemfim.com.br/atol/)