terça-feira, 19 de março de 2019

MAR DE ILHAS




Paranaenses pedem proteção da Ilha do Mel e condenam construção de agressivo complexo industrial no litoral do estado 

Em busca de mais informações, clareza e transparência na proposta apoiada pelo governo do Paraná, que prevê a construção de um porto privado em frente à Ilha do Mel, no litoral do Estado, no município de Pontal do Paraná, e de uma rodovia que, só para ser feita, derrubaria cinco milhões de metros quadrados de Mata Atlântica em bom estado de conservação, mais de 20 organizações que trabalham pela conservação da biodiversidade e instituições de pesquisa se uniram e criaram a campanha #SalveAIlhaDoMel.

O movimento busca estimular a população a exigir, por meio do site da campanha, esclarecimentos do poder público sobre o modo duvidoso e antidemocrático com que a viabilização de um gigantesco complexo industrial em Pontal vem sendo defendida. Até agora, mais de 210 mil e-mails já foram enviados pela sociedade.

Entre os apoiadores da causa, então nomes como SOS Mata Atlântica, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Observatório de Justiça e Conservação (OJC) e até a norte-americana, Sea Shepherd. A instituição é mundialmente conhecida pelos confrontos que trava contra navios noruegueses e japoneses caçadores de baleias e golfinhos nas águas geladas do Oceano Ártico. Uniu-se ao grupo, por entender o grande impacto dessas propostas que, até agora, não foram devidamente debatidas com a sociedade.

No site da campanha, um vídeo também denuncia a manobra, conduzida por representantes do governo do Paraná, para aprovar a licença de construção da chamada “Faixa de Infraestrutura” – que inclui a nova rodovia e um canal de dragagem.

A manipulação desconsiderou um pedido de vista feito por membros do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense (COLIT), entre eles, um representante da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Eles pediam vista defendendo que mais de 100 questionamentos da sociedade civil sobre os impactos sociais e ambientais causados pelas obras ainda não haviam sido respondidos. Por ser um direito previsto no regimento interno do COLIT, o pedido chegou a ser aceito, mas pouco tempo depois, acabou cassado de modo opressor e ilegal.
Danos socioambientais incalculáveis

Do modo como estão sendo propostas, as obras gerariam prejuízos incalculáveis e irreversíveis à região. Mais de 170 danos socioambientais foram listados pelos Estudos de Impacto Ambiental (EIAs) feitos para a construção do porto e da Faixa de Infraestrutura, entre eles, a diminuição da qualidade de vida da população, a inibição de novos investimentos em turismo devido às atividades portuárias, redução da disponibilidade de água subterrânea de boa qualidade, contaminação dos recursos pesqueiros, maior ocorrência de problemas de saúde, aumento da criminalidade e até, do trabalho e da prostituição infantil.

A piora das condições de trafegabilidade na região em função do maior número de caminhões é outro dano reconhecido pelas análises. Na operação do novo porto, milhares de contêineres precisariam ser transportados e, para cada contêiner, seria necessário um caminhão. No próprio relatório técnico, estima-se a previsão de 138.240 viagens de caminhões por ano ou, aproximadamente, 388 por dia. Um volume elevadíssimo de carga pesada para uma estrada de pista simples e que também teria a prometida função de atender a veranistas e pontalenses.

“A estrada está sendo vendida à população como a solução para os congestionamentos que predominam na PR-412, que dá acesso a Pontal do Paraná. O que não está sendo considerado, no entanto, é que a nova rodovia proposta seria de pista simples, como a PR-412, e sua construção tem como maior objetivo avalizar, como condicionante dos órgãos ambientais, o licenciamento do porto privado e do conjunto de outras empresas ligadas ao pré-sal”, lembra o diretor do Observatório de Justiça e Conservação, Giem Guimarães. “Certamente, haverá ainda mais trânsito e congestionamentos caminhões de carga para a população local enfrentar”, completa.

Só a construção da Faixa de Infraestrutura vai ter custo de R$ 369 milhões. Depois, seriam feitos, ainda, um gasoduto, uma ferrovia e uma linha de transmissão de energia. Fala-se até da possível instalação de uma termelétrica no local. Toda essa estrutura para atender ao novo porto privado, construído muito próximo do porto estadual de Paranaguá, onde existem condições amplas de expansão e melhor aproveitamento de sua capacidade logística.

A localização pretendida para o porto é em frente – mais especificamente a 3 km – da Ilha do Mel, o segundo local turístico mais visitado no Paraná, atrás apenas do Parque Nacional do Iguaçu, e um “Patrimônio da Humanidade” reconhecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O mesmo título também já foi concedido pela organização a Fernando de Noronha, um dos destinos mais procurados e valorizados do Brasil. Com a proximidade da Ilha e diante dos prejuízos ambientais gerados ao entorno, haveria risco de a perda do reconhecimento por parte da UNESCO ocorrer.

Ilha do Mel: um paraíso natural sob ameaça
Interesses individuais e históricos “manchados”

A empresa acionista-majoritária da construção do porto é o Grupo JCR, do empresário João Carlos Ribeiro. Ele também é dono de outras corporações e atua no ramo imobiliário na região há décadas. Empresas como Techint, a construtora Odebrecht, a Melport Terminais Marítimos (controlada da Cattalini) e a Subsea 7 também têm interesses diretos na viabilização do complexo industrial.

Além de estarem envolvidas em sérias denúncias de corrupção – a exemplo da Odebrecht – corporações como a Cattalini carregam um histórico nada positivo na região. O navio Vicuña, que explodiu três vezes e afundou em 15 de novembro de 2004, causando pânico na população, danos a residências próximas, sérios prejuízos financeiros a pescadores e a morte trágica de incontáveis animais, era da Cattalini.

O acidente foi causado durante a operação de descarga de onze mil toneladas de metanol. Camila Domit, bióloga e pesquisadora da UFPR, trabalhou no resgate da fauna depois da explosão recorda o drama do que viu. “Muitas tartarugas e mamíferos foram encontrados já mortos e encalhados nas praias com óleo na parte interna da boca e orifício respiratório, no caso dos golfinhos. Também achamos muitas aves com os corpos tomados de óleo e peixes agonizando, com óleo nas brânquias. Foi uma das situações mais tristes que já vivemos”.

Após o incidente, dúvidas sobre o cumprimento efetivo das indenizações e compensações que a Catallini foi obrigada a fazer ainda permanecem e os prejuízos da explosão do navio à biodiversidade e à sociedade são tão grandes, que se tornam impossíveis calcular. “A chegada de mais um porto na região, com novos e maiores navios, é inegável, aumenta significativamente a chance de que tragédias parecidas com aquela voltarem a ocorrer”, lembra Camila.

De tão grandes, são impossíveis de calcular os prejuízos causados pela explosão do Vicuña em 2004. Até hoje, a efetividade das compensações ambientais que foram feitas gera muitas dúvidas.
Prejuízos às comunidades tradicionais e interesses estrangeiros

As obras expulsariam comunidades tradicionais que ocupam a região há séculos. No contato com elas, são comuns relatos de ameaças de grileiros e funcionários dos maiores interessados na viabilização das obras para que deixem o lugar onde vivem. Com os prejuízos que vai gerar à fauna marinha, o complexo industrial também comprometeria até mesmo a pesca artesanal, de subsistência.

Outra possibilidade que precisa ser levada em conta é a chance real de, depois de finalizado, o Porto Pontal ser vendido a corporações estrangeiras. Os chineses, por exemplo, há anos já viram no litoral do Paraná oportunidades de lucro fácil. A gigante CMPORT, por exemplo, uma das maiores operadoras de terminais de contêineres do mundo, é grande interessada na compra de portos no Estado.

De acordo com Glavio Leal Paura, professor da Universidade Positivo (UP) e especialista em trânsito, logística de estradas e planejamento de cidades, é contraditório e questionável que “um projeto que acumula incoerências relativas a questões básicas de engenharia de trânsito e logística vá adiante”.

“O inchaço populacional, os impactos ambientais e a utilização além da conta da infraestrutura local provocados pelo porto também trariam desvalorização imobiliária para muitos proprietários, além do aumento da criminalidade, como, infelizmente, ainda ocorre na vizinha Paranaguá”, explica.

Para o diretor-executivo da SPVS, Clóvis Borges é fundamental alertar a sociedade para que faça resistência à proposta de construção desse complexo industrial no litoral do Paraná, que pretende ser aprovado às pressas, sem considerar a opinião da sociedade.

Para ele, permitir que esses empreendimentos sejam viabilizados é ser conivente com verdadeiros crimes contra a sociedade e a natureza. “Não podemos consentir com a destruição de um patrimônio natural com características tão únicas, assistindo sem reação a perda de ambientes naturais protegidos por lei e colocando em risco espécies raras. É preciso fazer frente a propostas abusivas e exigir investimentos sérios e planejados em turismo para a região”, defende.

“Infelizmente, a história revela, não são incomuns tentativas que envolvem alternativas abusivas de empreendimentos de alto impacto social e ambiental sejam expostas como a salvação para todos os problemas”, conclui.
Intenções suspensas voltaram a receber autorização

A licença prévia e o licenciamento ambiental da Faixa de Infraestrutura estavam suspensos até o dia 12 de fevereiro, quando, após solicitação do Governo do Paraná, o ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou a liminar que suspendia o licenciamento concedido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para a construção da Faixa de Infraestrutura, em Pontal do Paraná.

Em novembro de 2018, o desembargador Cândido Alfredo Leal Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4), havia concordado com os argumentos do Ministério Público do Paraná (MP-PR) – que apontava diversas nulidades no caso – e suspendido a concessão para a licença e a abertura dos licenciamentos. Isso para “evitar a ocorrência de danos ambientais e prejuízos às comunidades envolvidas (inclusive indígenas) e ao erário”, que se refere às finanças públicas.

A decisão do dia 12 foi mais uma amostra de que a opinião da sociedade não está sendo considerada no processo. Mais de 210 mil e-mails já foram enviados pela população ao poder público, que não retornou com mensagens de consideração. Mas continua a responder com condições como essa.

O que a campanha #SalveAIlhaDoMel pretende é reforçar a ideia de que a sociedade não pode permitir que interesses individuais predominem sobre os coletivos, nem aceitar discursos de “ganância disfarçada de desenvolvimento”.

Para entender melhor a polêmica e enviar um e-mail a representantes do Governo do Paraná sobre o abuso que representa a situação, acesse aqui.
Venda de produtos em apoio à defesa da Ilha do Mel

A campanha #SalveAIlhaDoMel lançou, em dezembro de 2018, uma linha de camisetas e ecobags para dar fôlego às ações e incremento de recursos a novos trabalhos conduzidos pelo movimento – na área jurídica, de comunicação e parcerias estratégicas, por exemplo -, que busca conscientizar a opinião pública sobre os riscos e prejuízos que seriam causados ao litoral do Paraná, caso o complexo industrial portuário se instale em Pontal.

São camisetas e Ecobags com duas opções de ilustrações diferentes, disponíveis em algodão cru (produzidas com mínimo impacto ambiental) ou pretas. Elas são feitas com algodão orgânico e 100% certificado.

Toda renda obtida com a venda dos produtos será dedicada ao apoio de novas ações favoráveis à conservação e proteção dos patrimônios natural e cultural, tremendamente ameaçados pela possibilidade de construção do complexo. Parte dos recursos também vai ser destinada a ações em benefício da comunidade e de crianças da Ilha.

A expectativa da campanha é de que televisores, projetores e outras necessidades das escolas locais possam ser atendidas com esses recursos. As opções podem ser conhecidas no site da campanha.

Os produtos já podem ser encontrados em Pontal do Paraná, na loja FOLKS, em Nova Brasília, nas lojas, BeeHouse, Pousadinha, Pousada das Meninas, Pousada das Gêmeas, Pousada Treze Luas e no Canto da Vó Maria e, na Encantadas, na Pousada Fim da Trilha. 

Imagens: divulgação campanha #SalveAIlhaDoMel

(Do http://conexaoplaneta.com.br/)

MARES DE PORTUGAL

A imagem pode conter: oceano, água, céu, atividades ao ar livre e natureza

lavradores do mar
abrem nas ondas regos
ao mar vão semear redes
sem saberem da colheita
chamam terra à areia
onde retornam espuma dorida
não lhes fales das serras
do silêncio do chilrear das aves
nunca o entenderão
são lavradores do mar
(torreira; 2016)

QUANTO VALE UMA PRAIA?

Praia de Taquarinhas



Praia intocada de Balneário Camboriú será leiloada por R$ 230 milhões 

 Por Dagmara Spautz

A Caixa Econômica Federal marcou para a próxima segunda-feira (18) o leilão dos seis lotes da orla de Taquarinhas, a última praia intocada de Balneário Camboriú. O lance inicial é de R$ 230 milhões.
Do total, 5% têm que ser pagos à vista. Os outros 95% podem ser parcelados, por meio de financiamento bancário. Se não houver interesse no primeiro leilão, a área será oferecida mais uma vez. 
É o que determina a lei que regulamenta esse tipo de transação. Taquarinhas pertencia a um grupo paranaense, que tinha intenção de construir ali um resort. 

Sem autorização para construir, a área foi entregue pela empresa ao banco como garantia de um empréstimo. A construtora não pagou, e os terrenos foram tomados pela Caixa.

O edital do leilão, publicado pelo leiloeiro oficial Schmitz, alerta que a área é de preservação permanente e, para construir no local, é preciso consultar as autoridades competentes. 
Taquarinhas aguarda decreto de preservação

Taquarinhas é uma das últimas joias intocadas do Litoral Norte, e o prefeito Fabrício Oliveira (PSB) disse que há intenção de tornar a área um parque ambiental. Ele chegou a enviar um ofício à Caixa, propondo a preservação.

O vereador André Meirinho (PP) mobilizou, nas últimas semanas, a Comissão de Meio Ambiente da OAB, a ONG Ideia e o Laboratório de Gerenciamento Costeiro da Univali para auxiliar a prefeitura na proposição de um decreto. O grupo se reuniu com o prefeito há cerca de duas semanas, colocando-se à disposição. Mas, até agora, o prefeito ainda não publicou o documento que poderia garantir a conservação da praia. 

A preservação de Taquarinhas também assunto na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Ivan Naatz (PV) resgatou a proposta de criação de um parque estadual. Uma primeira versão já tramitou na Alesc e chegou a ser analisado em audiência pública. Mas acabou engavetada, depois de ter passado um longo período em análise pelo deputado Marcos Vieira (PSDB), que integrava as comissões de Finanças e Constituição e Justiça. Quando terminou a legislatura do proponente, o então deputado Sargento Soares, foi arquivado.

O novo projeto, apresentado por Naatz, iniciou tramitação na Comissão de Constituição e Justiça, mas foi encaminhado ao Instituto do Meio Ambiente (IMA) para parecer técnico. O envio foi a pedido do deputado Onir Mocellin (PSL), líder do governo na Casa.

(Do https://www.nsctotal.com.br/)

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segunda-feira, 18 de março de 2019

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
"Barrinha" e o peso das redes - Pântano do Sul

O MÍMICO E O MAR


Fotos Andrea Ramos

O silêncio da mímica e o gesto da não-palavra no espetáculo que Everton Ferre realizou em 2015 na pequena e isolada Praia do Saquinho, na Baía do Pântano do Sul, na retomada das festas na comunidade. Teve missa, show, almoço comunitário e domingueira dançante com muita música na gaita. 
Mergulhe mais fundo no http://www.mimicoeverton.com.br/

NA PAISAGEM

Foto Fernando Alexandre

MULHERES DO MAR

Maurilia da Silva, Laureci Maurilia da Silva e Manoela, três gerações de mulheres criadas na praia do Saquinho, no sul da Ilha de Santa Catarina. Neste breve vídeo, gravado na trilha de acesso à pequena comunidade, elas relembram os bons tempos em que viviam ali com outras famílias.

OUTROS MARES

Atóxica, natural e agradável ao toque, a areia é um material de fácil manuseio, que permite trabalhos artísticos efêmeros, com precisão e alto contraste. Além de excelente suporte para a Land Art (Arte na Paisagem) diretamente na praia, aqui o artista utiliza a areia também como "tinta", realizando pequenos desenhos em superfícies alternativas, construídas com molduras de quadro descartadas no lixo e pedaços de lona reaproveitados. Por não haver fixação da areia sobre o suporte, a única forma de registro da imagem é por meio de fotos e vídeos. Após seu registro, a obra se esvai sem deixar rastro e com alto reaproveitamento para novos desenhos. A oficina de Sand Art Terapia foi oferecida ao público do Psicodália, entre 1 e 6 de março de 2019.

domingo, 17 de março de 2019

LÁ NO FUNDO...

Nunca antes um naufrágio tão antigo foi descoberto em tão boas condições

Navio do século XIII descoberto no Mar Negro 
Por

O Mar Negro é uma espécie de “museu” de naufrágios encontrados em condições sempre boas devido às suas características peculiares. Segundo a BBC, o Mar Negro não tem oxigênio abaixo dos 159 metros. Isso faz com que os barcos antigos, de madeira, não sejam devorados por criaturas que destroem a madeira. Navio do século XIII, naufrágio em perfeito estado de conservação.

Descobertos por acaso, são cerca de 40 embarcações

A descoberta aconteceu quando pesquisadores estudavam o que ocorreu com a água do Mar Negro depois da última Era Glacial. A bordo de um navio de pesquisa, na superfície, os pesquisadores estudavam o leito do mar com câmaras submarinas quando deram com o achado. O navio estava em tão bom estado que foi possível enxergar nitidamente as cordas enroladas nos mastros. Ele foi encontrado numa profundidade de 1.800 metros.

Segundo a BBC

Até o momento já foram contabilizados 40 navios – sendo a maioria do período bizantino.

O Mar Negro foi um importante centro de antigas navegações. Pesquisadores acham que o achado vai ajudar a conhecer melhor as rotas do passado.

Discordância do período das embarcações naufragadas

Os arqueólogos datam a descoberta dos séculos XIII ou XIV, abrindo uma janela nova aos precursores dos navios que descobriram o Novo Mundo, aqueles de Colombo. Este navio medieval serviu provavelmente o império de Veneza, que teve postos avançados do mar Negro.

Ambas as fontes concordam num ponto:
Nunca antes esse tipo de navio fora encontrado de forma tão completa. 

Jon Adams, líder do projeto do Mar Negro, e diretor fundador do centro de arqueologia marítima da Universidade de Southampton, disse que:
Esses naufrágios são um bônus, uma descoberta fascinante que fizemos durante a nossa extensa pesquisa geofísica. Com técnica de filmagem 3D subaquática conseguimos obter estas imagens impressionantes sem alterar o fundo do mar

O New York Times publicou um desenho de como era um dos navios encontrados.

(Do https://marsemfim.com.br/)

MAR DO ORLANDO AZEVEDO


Sombra de luz

OUTROS MARES



Na 22ª edição do Festival Psicodália, Reci Clayton foi convidado a realizar algumas obras efêmeras na paisagem. O artista se deslocou até a Fazenda Evaristo uma semana antes do festival começar e lá encontrou matéria-prima de qualidade para realizar suas obras: grimpa de pinheiro e grama cortada. 
Este vídeo é um registro documental realizado pela Tombô Produções entre 25 e 28 de fevereiro de 2019, que mostra o processo de trabalho desse artista imerso à paisagem. As primeiras exibições do vídeo ocorreram durante o próprio festival (entre 1 e 6 de março), no espaço de cinema e também em locais alternativos, onde havia intenso fluxo de pessoas. 
A experiência de estar presente no momento da criação de obras tão grandes não se traduz completamente nessas imagens, mas ainda assim elas cumprem o importante papel de conservar a memória e registrar o patrimônio imaterial e a arte efêmera contemporânea. Artista: Reci Clayton Câmera e edição: Fernanda do Canto Trilha Sonora: Blue Dot Sessions (1a parte) e Paulo Gomes (2a parte) (CC) Tombô Produções 2019

A PRIMEIRA MORTE DO MAR


O responsável pela morte de praticamente toda a vida marinha durante a maior extinção em massa da história é um velho conhecido


Muito antes dos dinossauros dominarem a Terra, nosso planeta estava repleto de plantas e animais. Essa vida primitiva foi varrida da face do planeta após uma série de erupções vulcânicas maciças na Sibéria. A maior extinção em massa da história da Terra marcou o fim do período Permiano, cerca de 252 milhões de anos atrás. Fósseis em rochas ancestrais do leito marinho exibem um ecossistema marinho diversificado e próspero que desapareceu.

Cerca de 96% das espécies marinhas foram exterminadas durante este período, conhecido como a “Grande Agonia”. Durante os milhões de anos que se seguiram, a vida teve que se multiplicar e diversificar novamente em nosso planeta. Mas o que pode ter causado tamanha destruição ao tornar os oceanos do planeta inóspitos? A alta acidez da água, envenenamento por metal e sulfeto, uma completa falta de oxigênio, ou simplesmente temperaturas mais altas?


Uma nova pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade de Stanford, nos EUA, combinou modelos de condições oceânicas e metabolismo animal com dados laboratoriais publicados e registros paleoceanográficos para mostrar que a extinção em massa do Permiano nos oceanos foi causada por um velho conhecido da ciência: o aquecimento global. O aumento das temperaturas do planeta naquele período teve efeito na vida marinha ao deixar os animais incapazes de respirar.

À medida que as temperaturas do planeta aumentavam e o metabolismo dos animais marinhos acelerava, as águas mais quentes não conseguiam manter oxigênio suficiente para que eles sobrevivessem. “Esta é a primeira vez que fizemos uma previsão mecanicista sobre o que causou a extinção que pode ser diretamente testada com o registro fóssil, o que nos permite fazer previsões sobre causas de extinção no futuro”, aponta o autor principal do estudo Justin Penn, doutorando em oceanografia da Universidade de Washington, em matéria publicada no site da instituição.
Mudanças dramáticas

Os pesquisadores utilizaram um modelo climático que simulou a Terra durante o Permiano, quando as massas de terra do planeta foram combinadas no supercontinente de Pangea. Antes que as erupções vulcânicas em andamento na Sibéria criassem um planeta de gases de efeito estufa, os oceanos tinham temperaturas e níveis de oxigênio similares aos de hoje. Os pesquisadores então elevaram os gases do efeito estufa no modelo para o nível necessário para elevar a temperatura dos oceanos tropicais na superfície em cerca de 10 graus Celsius, correspondendo às condições da época.


O modelo reproduziu as mudanças dramáticas resultantes nos oceanos, que perderam cerca de 80% de seu oxigênio. Aproximadamente metade do fundo oceânico, principalmente em profundidades maiores, ficou completamente sem oxigênio.

Para analisar os efeitos sobre as espécies marinhas, os pesquisadores consideraram as diferentes sensibilidades de oxigênio e temperatura de 61 espécies marinhas modernas – incluindo crustáceos, peixes, moluscos, corais e tubarões – usando medições de laboratório publicadas – acredita-se que a tolerância dos animais modernos à alta temperatura e ao baixo oxigênio seja similar aos animais Permianos, porque eles evoluíram sob condições ambientais similares.

Os pesquisadores combinaram as características das espécies com as simulações paleoclimáticas para prever a geografia da extinção. “Muito poucos organismos marinhos permaneceram nos mesmos habitats em que viviam – ou fugiram ou morreram”, afirma na matéria da UW Curtis Deutsch, professor de oceanografia da universidade.
Extinção extensa

O modelo mostra que os mais atingidos foram organismos encontrados longe dos trópicos, mais sensíveis ao oxigênio. Muitas espécies que viviam nos trópicos também foram extintas no modelo, mas ele prevê que as espécies de alta latitude, especialmente aquelas com altas demandas de oxigênio, foram quase completamente eliminadas.

Para testar essa previsão, os coautores Jonathan Payne e Erik Sperling, de Stanford, analisaram as distribuições fósseis no final do Permiano, no Paleobiology Database, um arquivo virtual de coleções de fósseis publicadas. O registro fóssil mostra onde as espécies estavam antes da extinção e se foram eliminadas completamente ou restritas a uma fração de seu antigo habitat.


O registro fóssil confirma que as espécies distantes do equador sofreram mais durante o evento. “A assinatura desse mecanismo de morte, o aquecimento do clima e a perda de oxigênio, é esse padrão geográfico que é previsto pelo modelo e depois descoberto nos fósseis. A concordância entre os dois indica que esse mecanismo de aquecimento climático e a perda de oxigênio foi a principal causa da extinção”, revela Penn na matéria da UW.
Aceleração do metabolismo

Estudos anteriores, liderados por Deutsch, mostram um paradoxo para a vida marinha: à medida que os oceanos se aquecem, o metabolismo dos animais marinhos acelera, o que significa que eles precisam de mais oxigênio, ao mesmo tempo em que, quanto mais quente a água, menos oxigênio ela possui. Esses estudos anteriores mostram como oceanos mais quentes afastam os animais dos trópicos.

O novo estudo combina as condições do oceano em mudança com as necessidades metabólicas de vários animais em diferentes temperaturas. Os resultados mostram que os efeitos mais severos da privação de oxigênio são para espécies que vivem perto dos pólos.

Os metabolismos dos organismos tropicais já estavam adaptados a condições razoavelmente quentes e de baixo oxigênio, portanto eles poderiam se afastar dos trópicos e encontrar as mesmas condições em outro lugar. Por outro lado, um organismo adaptado para um ambiente frio e rico em oxigênio não encontraria mais essas condições, já que elas deixaram de existir nos oceanos da época.

As chamadas “zonas mortas”, completamente desprovidas de oxigênio, estavam abaixo das profundidades onde as espécies estavam vivendo, e tiveram um papel menor nas taxas de sobrevivência.

Os pesquisadores acabaram descobrindo que não foi necessária a total falta de oxigênio para a grande extinção. “Descobriu-se que o tamanho das zonas mortas realmente não parece ser a chave para a extinção. Muitas vezes pensamos em anoxia, a completa falta de oxigênio, como a condição que você precisa para obter um (ambiente) inabitável de forma generalizada. Mas quando você olha para a tolerância ao baixo oxigênio, a maioria dos organismos pode ser excluída da água do mar em níveis de oxigênio que não estão nem perto de anóxicos”, diz Deutsch.
Sinais que se repetem

O aquecimento, que leva à insuficiência de oxigênio, explica mais da metade das perdas na diversidade marinha. Os autores dizem que outras mudanças, como a acidificação ou mudanças na produtividade de organismos fotossintéticos, provavelmente agiram como causas adicionais.

É inevitável chegar à conclusão que a situação no final do Permiano, com o aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera que criam temperaturas mais quentes na Terra, é bastante semelhante à atual.

Nos últimos 20 anos, era aceito que os fatores que levaram à extinção em massa do período Permiano aconteceram repentinamente e sem aviso prévio. Mas de acordo com uma equipe de pesquisa da Universidade Friedrich-Alexander Erlangen-Nürnberg e do Museum für Naturkunde, na Alemanha, publicada no ano passado, isso está longe da realidade. Eles descobriram sinais de alerta 700.000 anos antes do evento.

Os pesquisadores afirmam que várias espécies de amonóides – moluscos marinhos também conhecidos como amonitas – foram mortas na época e as espécies que sobreviveram ficaram cada vez menores e menos complexas. Havia outros sinais também – e eles são chocantemente familiares. “Há muitas evidências de aquecimento global severo, acidificação dos oceanos e falta de oxigênio”, disse o principal autor do estudo, Wolfgang Kießling, da FAU, em matéria publicada no site Science Alert.


Há outro trabalho que sugere uma construção para o evento do período Permiano-Triássico. Um documento de 2015 encontrou, em uma análise do registro geoquímico, que houve deterioração ambiental progressiva que levou ao evento em si. Outro artigo de 2015 encontrou altos níveis de atividade de magma antes, durante e após o evento. Outros pesquisadores descobriram que, nos últimos milhões de anos do período Permiano, os tamanhos de braquiópodes estavam diminuindo em terra; no mar, os protozoários chamados radiolários também estavam em declínio.

Estes sinais também são encontrados atualmente. Há evidências de que animais marinhos podem estar encolhendo hoje em dia. Em 2017, pesquisadores revelaram que o tamanho do Brevoortia patronus, um peixe que vive no Oceano Atlântico, diminuiu 15% nos últimos 65 anos, provavelmente como resultado direto da mudança climática.

Estas pesquisas se juntam a um corpo crescente de evidências e cientistas alertando que estamos à beira do sexto evento de extinção em massa da Terra. “O aumento da taxa de extinção em todos os habitats que estamos atualmente observando é atribuível à influência direta dos seres humanos, como a destruição do habitat, a pesca excessiva e a poluição. No entanto, o nanismo de espécies animais nos oceanos, em particular, pode ser claramente atribuído à mudança climática. Devemos levar esses sinais muito a sério”, sugere Kießling.

Os pesquisadores do modelo que aponta o aquecimento global como causa da extinção do período Permiano fazem um alerta para nossa atual situação. “Sob um cenário de emissões, em 2100 o aquecimento no oceano superior terá atingido 20% do aquecimento no final do Permiano, e no ano 2300 atingirá entre 35 e 50%. Este estudo destaca o potencial para uma extinção em massa decorrente de um mecanismo similar sob mudanças climáticas antropogênicas”, aponta Penn. 


( via https://hypescience.com/)

sexta-feira, 15 de março de 2019

MAR DO TASSO CLAUDIO SCHERER



MAR DE ANDRE DE DIENES

Imagem Andre de Dienes
O fotógrafo Andre de Dienes nasceu na Romênia em 1913, mas foi na Turquia, aos 15 anos de idade, que aprendeu a pintar e comprou sua primeira câmera fotográfica.

Em Paris, a partir de 1933, trabalhou como fotógrafo free lance para o jornal comunista “L’Humanite” e para a agência “Associated Press”. Tres anos depois, convencido pelo modista Molyneux, começou a fotografar moda.

Em 1938 foi para a América, com a ajuda da revista “Esquire” e em Nova Iorque se consagrou no mundo da moda. Passou também a fotografar os bairros nova-iorquinos e a viajar pelas estradas do oeste do país, quando conheceu e ficou íntimo amigo da então desconhecida Norma Jeane Baker, que mais tarde se transformou na Marilyn Monroe.

A foto acima é de 1944, ano em que se mudou para a Califórnia, onde realizou diversos ensaios de nus ao ar livre, incorporando inovadoras técnicas de montagem às suas fotografias. Passou a trabalhar para os estúdios de cinema e virou o fotógrafo favorito de grandes estrelas hollywoodianas como Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Henry Fonda, Fred Astaire, Ingrid Bergman, Jane Russel e Anita Ekberg. André Dienes faleceu na Califórnia, em 1985.

MORRENDO NO CAMPECHE

Ilha do Campeche

O RITUAL DO LUTO NA HISTÓRIA DA COMUNIDADE AÇORIANA DO CAMPECHE

Quando alguém morria a primeira ação era procurar o coveiro que imediatamente tocava o sino avisando a comunidade sobre o ocorrido. O sino era o único meio de comunicação de massa: anunciava a morte, a festa, a missa. Para cada anúncio a toada era diferente e a comunidade identificava a mensagem.

A partir do toque do sino iniciava-se a preparação para o velório, denominado de essa. A denominação essa é atribuído a base em que o caixão é colocado até o traslado para a Igreja e o cemitério.
O defunto era velado na casa da família, em cima de tábuas até que o caixão fosse construído sob medida. Os carpinteiros seu Zé Bernardinho e o Seu João Antônio eram os encarregados da função. Provavelmente haviam outros. O Caixão era de pínus revestido por um tecido preto. Quando se tratava de uma criança o caixão era branco ou azul. As crianças eram enterradas em uma parte separada no cemitério

O traslado do defunto era feito por carro de bois que para não emitir seu som característico, lavava-se o eixo tirando qualquer resquício de banha ou sebo. O traslado era feito em absoluto silêncio.

Não existia capela mortuária. O defunto era conduzido até a igreja, onde se faziam as orações e os presentes eram chamados para benzê-lo, utilizando uma bacia com água benta e um galho de pitangueira.

Não havia carneiras. O enterro era feito cavando-se um buraco de sete palmos de profundidade na fina areia do cemitério. Seu Emílio Serafim da Silva e João Batista Pires eram os coveiros que realizavam a tarefa com um profundo sentimento de respeito. Mais uma vez a comunidade participa. Cada um faz o sinal da cruz depositando sobre o caixão três pás de areia. Após o fim deste ritual o coveiro escrevia o nome do defunto no monte de terra para identificá-lo até a família fincar uma cruz definitiva com seu nome e a data de nascimento e morte.

Nos dias seguintes a família se recolhia em casa para receber as visitas de pêsames.

Outra forma de mostrar sentimento de perda estava na forma de se vestir, o chamado luto. As mulheres da família usavam roupas pretas por um longo tempo se estendendo por meses. Os homens demonstravam luto costurando no bolso da camisa uma faixa de tecido preto, denominado fumo.

A bebida mais servida em todo esse ritual era o chá da folha de laranjeira que servia para acalmar os nervos (medicina popular).

Por fim, as roupas deixadas pelo falecido (coberta) eram doadas a uma pessoa da comunidade escolhida pela família que deveria usá-las na missa de sétimo dia.

E Hoje ? Bem, hoje é tudo diferente. Muitos não são mais sepultados e sim cremados. O sino perdeu a importância e o anúncio se dá pelo Facebook.....

Texto: Hugo Adriano Daniel - Professor/ Historiador
Profhugoadriano@gmail.com

(Via TV Vento Sul)

quinta-feira, 14 de março de 2019



Pra quem tarde embarca,
remo torto não lhe falta...
(Dito popular)

MANEMÓRIAS

A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre e natureza
No tempo em que a Armação era "hippie"!

CAMARÃO NA MESA




Camarão frito com alho e cerveja

Ingredientes

Número de doses: 2

Óleo
Margarina
2 Dentes de Alho
Piri-piri
1 Limão
2 Folhas de Louro
Pimenta e Sal q.b.

Preparação 
Tempere os camarões com um pouco de sal, pimenta e sumo de limão. Reserve 30 minutos. 
Num tacho largo ou frigideira coloque a aquecer o óleo, a margarina, os dentes de alho picados, as folhas louro e o piri-piri e deixe aquecer tudo muito bem. 
Quando estiver bem quente, adicione os camarões e frite-os mantendo o lume alto. 
Depois dos camarões ganharem cor, pode juntar a cerveja e frite mais um pouco. 
Quando se encontrarem fritos, retire os para um prato e deixe o molho apurar mais 3 minutos. 
Regue o camarão com o molho. 

( Doi https://pt.petitchef.com/)


TARDE INDO, NOITE SENDO...

Foto Fernando Alexandre

quarta-feira, 13 de março de 2019

NA PRAIA...

"O arqueólogo é o melhor marido que uma mulher pode ter; quanto mais velha ela fica, mais interesse ele tem por ela."
Agatha Christie

Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976)

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre

MAR DE BALEIAS



ONDE O SOL NASCE PRIMEIRO...

Morro das Pedras no olhar e clique da Léia Senem

PEIXES ERRADOS

A pesca industrial. (foto:ec.europa.eu)

Pesca industrial tira do mar os peixes errados, este é o novo alerta de cientistas


A conclusão veio em relatório publicado na revista Science (abril, 2018). Biólogos da Monash University, Austrália, e do Smithsonian Tropical Research Institute, Panamá, reuniram dados de ovas de 342 espécies de peixes nos oceanos. Os responsáveis pela pesquisa dizem que ela tem uma mensagem importante para a pesca industrial. Diego Barneche e Dustin Marshall, autores, declararam:

A maioria dos modelos clássicos da pesca não leva em conta a contribuição maciçamente desproporcional que os peixes maiores produzem. Mas esses são os primeiros indivíduos a desaparecerem mesmo sob uma moderada pressão de pesca. Os cientistas da pesca, apesar das melhores intenções, têm usado modelos que inadvertidamente recomendam a coleta excessiva

Pesquisa não é surpresa

Esta pesquisa não será uma surpresa para os biólogos de campo que trabalham com peixes. Mark Wuenschel, do Centro Nordeste de Ciências Pesqueiras da Oceanic and Atmospheric Administration, NOAA, que não fez parte do estudo, disse que o efeito do tamanho era tão conhecido que existe um acrônimo entre pesquisadores: BOFFFF, para Big Female Fatring Female Fish. Este trabalho é valioso porque a importância de um BOFFFF é difícil de avaliar, disse Wuenschel. Em 2017, outra equipe de cientistas mostrou que a indústria pesqueira captura os peixes mais velhos a taxas mais altas que o restante da população. Para Trevor Branch, professor da Universidade de Washington e autor do relatório de 2017,

Você nem precisa pescar demais para derrubar os peixes grandes e velhos

O exemplo do bacalhau

Barneche, Marshall e seus colegas usaram o exemplo do bacalhau, um peixe comercialmente importante. Imagine um grande bacalhau do Atlântico: seu corpo de 30 quilos está inchado com ovas. Por perto estão suas ‘irmãs e primas’, grávidas também. Mas são menores, apenas 2 quilos cada. Quando o peixe grande desovar, suas ovas superarão aquelas depositadas por 28 peixes pequenos, calculam os autores do estudo. Dito de outra forma: são necessários mais de 56 quilos de bacalhau pequeno para colocar o mesmo número de ovas geradas por um peixe de 30 quilos.
O bacalhau do Atlântico (Foto: www.healthbenefitstimes.com)

A qualidade das ovas de peixes

Menos conhecido, ele disse, foi o aumento correspondente na qualidade das ovas. As fêmeas mais velhas não põem simplesmente mais ovas. As suas são mais ricas em gordura e maiores em tamanho. Com base no “conteúdo energético total” das ovas – o número, o volume e os nutrientes – uma mãe de bacalhau com 66 quilos é igual a ainda mais peixes. Não 30, mas 37 bacalhaus, de acordo com o novo estudo. “Tudo o mais sendo igual, mais e melhores ovas significam mais peixe”, disse Marshall.

O estudo é mais uma prova dos danos provocados pela pesca em todo o mundo. Não basta o aquecimento global, que mata os corais, ou a poluição. A cada dia que passa a indústria da pesca inventa novas e mortíferas modalidades de pesca.

Fonte: https://www.washingtonpost.com/news/speaking-of-science/wp/2018/05/10/mother-of-cod-were-fishing-exactly-the-wrong-fish-scientists-warn/?noredirect=on&utm_term=.1dd03f7702e0.

(Via https://marsemfim.com.br)