terça-feira, 12 de março de 2019

MARICULTURA


Epagri desenvolve cultivo de macroalga que é matéria-prima das indústrias química e de alimentos


O Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri (Epagri/Cedap) realiza, nos dias 12 e 14 de março, mais uma etapa do projeto de pesquisa para cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii em Santa Catarina. A macroalga produz matéria-prima para as indústrias química e de alimentos e pode representar uma importante fonte de renda para os maricultores do Estado.

A nova etapa do estudo, que vai acontecer na comunidade do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, consiste na medição das macroalgas para acompanhar o desenvolvimento do vegetal na localidade. Há dez anos essa pesquisa vem sendo desenvolvida no Sambaqui, outra comunidade maricultora tradicional da capital catarinense. A ampliação dos estudos de cultivo da Kappaphycus alvarezii para o Ribeirão da Ilha aconteceu em dezembro. “Em fevereiro fizemos a primeira biometria nas algas do Ribeirão e o crescimento foi surpreendente”, comemora Alex Alves do Santos, pesquisador da Epagri/Cedap responsável pelo projeto.

Há dez anos a macroalga vem sendo cultiva no Sambaqui com bons resultados. Entre março e abril o pesquisador pretende instalar cultivos experimentais em Governador Celso Ramos e na Penha. “Tais ampliações estão sendo realizadas por determinação do Ibama, órgão licenciador de espécies exóticas, como condicionante para a liberação dos cultivos comerciais da Kappaphycus alvarezii em Santa Catarina. Atualmente, apenas Rio de Janeiro e São Paulo estão liberados para cultivos comerciais” esclarece Alex.

A macroalga em estudo pela Epagri produz a carragenana, usada como espessante pelas indústrias química e alimentícia. Só em 2015 o Brasil importou 1.836 toneladas de carragenana ao custo de 16 milhões de dólares.

“Como estratégia, pretendemos iniciar os cultivos comerciais da Kappaphycus alvarezii integrados ao de moluscos, diversificando a produção e aumentando a renda dos produtores. Não queremos que ninguém deixe de produzir moluscos. As algas serão a segunda espécie. No futuro, cada produtor poderá avaliar o que é melhor para si, ou seja, continuar com a integração ou partir para o monocultivo de algas”, justifica o pesquisador da Epagri.

“Os maricultores estão ansiosos para iniciar na nova atividade, nos cobram semanalmente notícias sobre o assunto”, revela Alex. Para atender a essa expectativa, Epagri e UFSC, parceiras no projeto, atuam também na obtenção da autorização para os cultivos comerciais. Em dezembro de 2018 a Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina e a reitoria da UFSC encaminharam ofícios ao governo federal solicitando liberação da atividade. A pedido da Epagri e UFSC os maricultores, através de suas associações, realizaram a mesma ação. A Câmara Setorial da Maricultura, foi outra que se manifestou. O próximo passo será acionar a bancada catarinense em Brasília para uma cobrança política, exigindo tratamento igualitário ao Rio de Janeiro e São Paulo. Enquanto essas ações burocráticas são levadas a cabo, os pesquisadores estão realizando a secagem das algas e o armazenamento de um volume maior, que será encaminhado a uma empresa brasileira de processamento para extração da carragenana.

O grande entrave para iniciar a produção comercial do vegetal marinho em Santa Catarina está nas exigências do Ibama. A preocupação do Instituto é que essa alga, por ser exótica, se alastre pelo mar. No entanto, Alex afirma que já foi amplamente comprovado que esta possibilidade não existe. Diversos artigos científicos de vários pesquisadores nacionais e o próprio experimento em Santa Catarina, que já dura dez anos, embasam essa afirmação. Ele ressalta ainda que esta alga foi introduzida no Brasil em 1995, na região Sudeste do país, e nunca foi observada a emissão de qualquer estrutura reprodutiva.

A alga é nativa de regiões tropicais do continente asiático, como Indonésia e Filipinas, que são maiores produtores mundiais, por isso ela não conseguiu se reproduzir no Brasil. A propagação dela no Brasil é vegetativa. Os plantios e replantios são realizados com pequenos ramos retirados do vegetal. Os ramos rebrotam e crescem em ciclos que variam de 30 a 60 dias, dependendo da época do ano. No verão os ciclos são menores e vão aumentando à mediada que esfria.

“É de conhecimento público que as médias de temperaturas da água do mar dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, são mais elevadas do que em Santa Catarina. Então, se podem cultivar algas lá, deveríamos poder cultivar aqui também. Este é nosso principal argumento técnico quanto à segurança ambiental de cultivo”, descreve Alex. Ele conta que as temperaturas da água do litoral catarinense não permitem cultivo do vegetal durante os meses de junho, julho e agosto. “Se por um lado, isso é um problema do ponto de vista de cultivo, por outro é uma segurança ambiental. As algas simplesmente param de crescer e morrem em temperaturas inferiores a 18ºC. Em nossos estudos, registramos temperaturas de até 13ºC no mar de Santa Catarina, momento em 100% das algas morreram”, finaliza o pesquisador.

Serviço
O que: medição das macroalgas Kappaphycus alvarezii
Quando: dias 12 e 14 de março, preferencialmente das 9h às 12h*
Onde: Fazenda Marinha Atlântico Sul, na Rodovia Baldicero Filomeno, número 10.180, Ribeirão da Ilha
Informações e entrevistas: Alex Alves dos Santos, pesquisador da Epagri/Cepad, pelos fones (48) 3665-5051 / 98414-6129

(*)Em caso de chuvas ou ventos fortes, a atividade será cancelada. Recomendamos a ida da imprensa ao local pela manhã, porque no período da tarde há mais probabilidade de uma mudança brusca no tempo.

Informações para a imprensa
Gisele Dias, jornalista: (48) 99989-2992 / 3665-5147
Cinthia Freitas, jornalista: (48) 3665-5344
Isabela Schwengber, jornalista: (48) 3665-5407

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre

FECHANDO O VERÃO


segunda-feira, 11 de março de 2019

Canção do mar

Dulce Pontes e Companhia de Dança de Aveiro, Portugal. Com certeza.
Fui bailar no meu batel
Além do mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo

OLHANDO ILHAS, ESPERAMOS...

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, oceano, céu, nuvem, água, atividades ao ar livre e natureza
Foto Milton Ostetto

domingo, 10 de março de 2019

TAINHAS DE MAMÃO


O Grupo Cultural Tarrafa Elétrica, de Itajaí, é mais que uma banda. Além do trabalho de preservar a cultura regional catarinense por meio da música e parceria com entidades como o Núcleo de Estudos Açorianos (UFSC), por exemplo, os integrantes estão envolvidos em atividades políticas e socioambientais. Nesta quarta-feira (6), o coletivo lança “Tainhas de Mamão”, quinto single do projeto Cardume, álbum que vem sendo desenvolvido em colaboração com outros artistas, fãs e pessoas que se identificam com a cultura “peixeira”.

MAR DO ORLANDO AZEVEDO

Foto Orlando Azevedo
Enamorados

RECICLANDO

Foto: Divulgação/VolkerWessels

Holanda planeja pavimentar suas ruas com plástico recolhido dos oceanos

Que tal despoluir os oceanos e, de quebra, utilizar todo o lixo plástico recolhido da água para construir ruas mais duráveis (e menos esburacadas) nas cidades? Em breve, Roterdã, na Holanda, pode ser usada como piloto para testar a ideia.

O projeto, batizado de PlasticRoad, é da empresa VolkerWessels e sugere aposentar o asfalto e utilizar plástico reciclado (retirado dos oceanos) para a construção de ruas. Segundo a companhia, a mudança garantirá vias até três vezes mais duráveis nas cidades – e, logo, menos custo às prefeituras.

Isso porque o pavimento de plástico reciclado é mais resistente a corrosões químicas e, ainda, suporta uma variação maior de temperatura (de -40ºC a 80ºC). Como consequência, sua vida útil é de 50 anos, enquanto a do asfalto é de cerca de 16 anos. E mais: instalar o material também é mais fácil.

Roterdã que não é boba nem nada já se candidatou para testar o produto, que deve ser finalizado ainda neste ano de 2018. Nós estamos ansiosos para ver o resultado, e você?


Artigo de Débora Spitzcovsky, do The greenest post– página que recomendamos que nossos leitores também acompanhem!

(Do https://www.contioutra.com/)

sábado, 9 de março de 2019

MARES DE PORTUGAL


mãos de mar (16)

para o menino bonito

o meu povo trabalha duro
não tem tempo para brilhantinas
ordenados milionários
viagens em classe executiva

o meu povo
os copos que bebe
saem-lhe do corpo e sabem a sal

o meu povo
tem direito a ser respeitado
por todos
em especial pelos gravatinhas
que não o conhecem
nem falam a sua língua

o meu povo
respeita todos os povos
porque todos os povos
são o meu povo

o meu povo
tem a sabedoria dos dias de parca paga
que reparte com as mulheres
e os filhos

o meu povo
está cansado de meninos bonitos
com muita escola e poucos princípios

o meu povo
convida o menino bonito
para um dia de trabalho

(Do ahcravo gorim , poeta e fotógrafo português)

TODOS OS MARES DO TASSO CLAUDIO SCHERER

Foto Tasso Claudio Scherer 

DO OUTRO LADO DO LADO DE CÁ!

Foto  Luana Chagas da Silva

Morros do Pântano do Sul, vistos da Praia do Siriù, no continente!

PRINCESA DOS MARES


Esther Williams, nadadora que virou uma das maiores estrelas dos musicais de Hollywood na década de 1940. Na época, os efeitos especiais praticamente não existiam e computação gráfica não era nem sonho. As coisas aconteciam ao vivo. Uma preciosidade kitsch-nostálgica da fábrica hollywodiana de sonhos.

sexta-feira, 8 de março de 2019

MATANÇA

Matança do boto cor-de-rosa: perda na população de botos já a chega a 50%

Matança do boto cor-de-rosa: animal em situação crítica 

Por


Apesar de esforços de pesquisadores e ambientalistas, as duas espécies de golfinho de água doce da Amazônia, o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis) podem estar em risco de extinção. A matança do boto cor-de-rosa é consequência da pesca de outro peixe.

Em algumas regiões a perda na população de botos já chega a 50%. De alguns anos para cá o mamífero tem sido usado como isca na pesca de pequenos peixes. Especialmente a pesca de piracatinga, um peixe carnívoro, tipo de bagre, também conhecido como urubu d´água.

A pesca da piracatinga

A pesca da piracatinga é realizada na época do defeso, quando a captura de outras espécies é proibida. Mesmo com o salário-defeso, valor de um salário mínimo que o pescador recebe durante o período, eles mantém a pesca da piracatinga.

A piracatinga. Foto: Divulgação/Ampa

A carne de um boto pode render a captura de uma tonelada de piracatinga, vendida por R$ 1,00 o quilo para os frigoríficos, sendo a maioria do pescado contrabandeada para a Colômbia.

Depois de muitas tentativas, pesquisadores conseguiram provar que restos de carne de boto foram encontrados no estômago das piracatingas vendidas. A situação dos botos de água doce é crítica no mundo inteiro. O golfinho indo- pacífico é um deles.

Moratória para proibir a pesca da piracatinga

Com as provas reunidas, os ministros do meio ambiente e da pesca assinaram uma moratória para proibir a pesca da piracatinga nos próximos cinco anos, até que se ache uma alternativa à isca. Mas, num último momento, o documento parou na gaveta do ministro da pesca, Eduardo Benedito Lopes, que ficou na dúvida por não querer prejudicar o rendimento dos pescadores envolvidos. Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, contradisse o da pesca e insistiu na publicação da proibição.

Finalmente, depois de tantas discussões, no dia 18 de julho de 2014 a proibição foi publicada. A partir de 01 de janeiro de 2015, a pesca e a comercialização de piracatinga ficam proibidas no território brasileiro.

Diante disso, a Ampa-Associação de Amparo ao Peixe- Boi, lançou uma campanha para intensificar a fiscalização.

Mesmo com moratória decretada, situação é crítica

Apesar das cabeçadas entre ministérios, o da Pesca e o do Meio Ambiente, e de campanhas para intensificar a fiscalização, as últimas notícias são tristes. O site da FAPESP publicou matéria em junho de 2018 alertando ‘que os animais podem estar em situação crítica’. Você pode dizer que ‘podem estar em situação crítica’ é algo vago. Ou eles estão, ou não estão. Acontece que a FAPESP ressalta em sua matéria que o estudo em referência, feito na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a 500 quilômetros de Manaus, entre 1994 e 2017, “indica que a população dessas duas espécies se reduz à metade a cada 10 anos, apesar de a captura ser proibida.” A despeito da longa pesquisa, não há levantamentos semelhantes em outras áreas da Amazônia, razão pela qual os pesquisadores escolheram o verbo “podem estar em situação crítica”, se os resultados da pesquisa em Mamirauá forem aplicados a toda a Amazônia.

Onde é praticada a matança do boto cor-de-rosa

Os autores do estudo, coordenado pela bióloga Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), atribuem a redução dos botos à captura ilegal fora da reserva, uma vez que em Mamirauá a ação humana é controlada e outras espécies de predadores aquáticos continuam abundantes.

Colômbia proíbe venda da piracatinga, mas situação de botos é crítica

Sensibilizado pelo problema, a Colômbia proibiu a venda de piratinga em 2017 por dois motivos. Um é a situação crítica do mamífero, e outro pelos altos índices de mercúrio encontrados na carne do peixe. Mesmo assim, por vias tortas, a pesca continua no Brasil, e a venda na Colômbia, ainda que em ambos a intensidade tenha diminuído. Resta saber até quando os estoques conseguirão se manter.

Fontes: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/06/18/a-critica-situacao-dos-golfinhos-na-amazonia/?utm_source=facebookposts&utm_medium=social&utm_campaign=Ed268; https://www.worldanimalprotection.org.br/not%C3%ADcia/vitoria-colombia-finalmente-proibe-venda-de-piracatinga;

(Do https://marsemfim.com.br/)

O MAR É MULHER

Resultado de imagem para Katsushika Hokusai o sonho da mulher do pescador
Xilogravura de Katsushika Hokusai. Japão, 1820

"O sonho da mulher do pescador."

MULHERES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Tia Maria
Fotos Andrea Ramos

Zenaide
Osmarina

O MAR É MULHER


As Pescadoras nuas do Japão

por Redacao_Hypeness

No Japão da década de 20, centenas de mulheres mergulhavam nuas em busca de ostras e pérolas. Com um fôlego invejável, elas chegavam a ficar mais de 2 minutos debaixo d’água, inclusive durante o inverno. Chamadas de Amas, essas mulheres foram registradas por Iwase Yoshiyuki em sua Kodak. As fotografias são um dos únicos registros dessa milenar profissão que se extinguiu algumas décadas depois.

Utilizando uma máscara para os olhos e chinelos especiais, mulheres e meninas, também conhecidas como sereias, enfrentavam os mares por toda a costa japonesa. O motivo de fazerem isso nuas? Enquanto que roupas de mergulho não chegaram ao país até 1950, roupas de algodão atrapalhavam o mergulho, além de serem desconfortáveis quando molhadas e demorarem para secar.
Foto Iwase Yoshiyuki

Cada mergulho de 2 minutos em busca de ostras era intercalado com pequenos intervalos de respiro. A maratona era feita até 60 vezes por dia. Tanto esforço, contudo, pagava-se. Em poucas semanas de trabalho, uma Ama conseguia mais dinheiro que um homem comum que trabalhasse por um ano.


Foto Iwase Yoshiyuki
Os homens, aliás, raramente participavam da busca por ostras. Acreditava-se que o corpo da mulher, por conter mais gordura, era mais apropriado para controlar a respiração e as baixas temperaturas.

O MAR É MULHER




Izabel Pimentel, a primeira brasileira a dar a volta ao mundo sozinha a bordo de seu veleiro, lança livro inédito.



A velejadora ficou conhecida em 2006 quando se tornou a primeira brasileira a cruzar o Atlântico em solitário. Agora Izabel lança um livro para comemorar outra saga. A primeira brasileira e latino-americana a dar uma volta completa no planeta sozinha.


Na nova obra, batizada de “Águas Vermelhas, Izabel conta sobre a paixão que mudou sua vida e a levou a dar a volta ao mundo em solitário de um veleiro.

Bem, a velejadora conta que não foi tão solitária assim a viagem afinal ela fez toda volta ao mundo acompanhada de sua gata, Mimi.

No livro, Izabel conta passagens de sua inédita volta ao mundo, desde o momento da promessa até sua chegada, incluindo um giro de 180 graus com o veleiro Dom.


O lançamento de “Águas Vermelhas, A paixão que mudou uma vida”, já aconteceu primeiramente no Rio Boat Show 2015.

Porém quem não teve a chance de conferir, terá mais oportunidades. O lançamento em São Paulo, amanhã, dia 09, no Centro Cultural da Marinha em São Paulo. Faz parte do evento uma palestra imperdível da velejadora.

Endereço: Avenida Nove De Julho, 4.597 – Jardim Paulista – São Paulo – SP

Dia 9 de abril, ás 19 horas.

Para quem está no sul do Brasil. Izabel fará o msmo lançamento em Porto Alegre. Anote o dia e horário. Dia 15 de abril, ás 19 hs no Clube dos Jangadeiros.

Mar Sem Fim registra aqui um enorme respeito por essa velejadora e recomenda sua palestra e seu livro como fontes de inspiração para quem se interessa pela vida no mar.
(Publicado em 8/04/2015)

A MENINA DO MAR


SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, A MENINA DO MAR

Por Lilian Jacoto*

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu na cidade do Porto (Portugal), em 1919. Sua obra fecunda o imaginário de poetas e libertários. Particularmente o mar foi sua grande inspiração, ao lado de todas as coisas visíveis que ela enumerava e fazia caber, tanto em poemas como nos textos em prosa e teatro que escreveu.

Sophia, como poeta, nos ensina a olhar para as coisas do mundo como crianças curiosas, recém-acordadas para a vida que pulsa ao redor. Ávida de beleza e harmonia, reivindica um mundo de justiça e dignidade para homens e Natureza. Por isso, além de poeta, defendeu a liberdade dos que se opunham à opressão da Ditadura, dentro e fora de seu país.

Em A Menina do Mar, a escritora projeta sobre as crianças de todas as idades o desejo de mergulhar definitivamente no Azul, de unir a terra e a água numa mesma pátria de alegria e fluidez. Ali, gaivotas e seres marinhos articulam o mágico encontro de um menino com a praia que o fascina, numa história que ensina o amor e a saudade como grandes afetos dos seres que veem, no mar, uma pátria sonhada.
Escritora premiada, Sophia é hoje uma das grandes vozes da poesia do século XX. No ano de sua morte, em 2004, a cidade de Lisboa inaugurou um lindo Oceanário e lhe rendeu homenagem nos versos afixados nas paredes.


*Lilian Jacoto é professora de Literatura Portuguesa da USP, onde coordena o NELLPE (Núcleo de Estudos de Literaturas de Língua Portuguesa e Ética)

**O texto acima é a nota bibliográfica do livro A Menina do Mar

O MAR É MULHER

 
Fotos do Amarildo
Dona Passinha e sua filha Cleonir. arrastando em Ponta das Canas num "lanço" de tainhas, algum tempo atrás,, quando pescaram 600 tainhas!

quinta-feira, 7 de março de 2019

DE CARA PRO VENTO...

Foto Fernando Alexandre
Vento Sul acaba de entrar rasgando tudo!

NOTURNA

Foto  Fernando Alexandre

Pântano do Sul



MAR DE ILHAS


Ilha do Mel, porto em Pontal do Paraná é nova ameaça



A ilha do Mel tem riquezas demais, e problemas demais. Mas o pior é a geografia, a Ilha do Mel fica na embocadura baía de Paranaguá, uma das portas do ‘Lagamar‘, um dos mais importantes berçários de vida marinha do Atlântico Sul já, também, cheio… de problemas.

Agora, o poder público quer construir um terceiro porto, no Pontal do Paraná, a apenas 4 km de distância. Ambientalistas entraram na briga.

A região já tem dois portos, agora querem mais um?

Há o porto de Paranaguá, e mais ao fundo, na baía de mesmo nome, o porto de Antonina. Portos são bem-vindos, e extremamente importantes para a economia. Mas são obras, inevitavelmente, de forte impacto ambiental. Será que o Paraná precisa mesmo um terceiro porto?
A beleza da Praia de Fora

A contaminação gerada pelos portos do Paraná

Os dois já instalados geraram uma série de problemas constatados pelo Mar Sem Fim desde a primeira expedição pela costa brasileira, entre 2005 – 2007. Na ocasião conversamos com Fabian Sá, doutorando em Geoquímica Ambiental (UFPR). Ele contou da contaminação da baía de Paranaguá por metais pesados, arsênico e níquel. As duas substâncias, constatou, apresentaram níveis acima dos da Resolução do Conama que trata a questão.
Acidentes frequentes nos portos e a falta de visão do poder público

Perguntei como o porto de Paranaguá estaria preparado para lidar com acidentes, que são possíveis, e normalmente graves nesta atividade. Ele sorriu e respondeu o esperado: eles não têm planos, equipamentos, nada.
O Vicuña em chamas (Foto: Gazeta do Povo)

E contou que quando explodiu o navio Vicuña, carregado de metanol, em novembro de 2004, o combustível se extinguiu pelo fogo mesmo, quase dois dias depois do início das chamas. Durante o acidente muito pouco foi feito pelas autoridades portuárias a não ser observar, impotentes, o desenrolar da ação. Segundo o jornal Gazeta do Povo, “dez anos depois, o Litoral do Paraná ainda se ressentia dos danos do seu maior desastre ambiental. A pesca não havia sido de todo restabelecida.”

A bioinvasão provocada pela água de lastro

Perguntei aos professores da UFPR sobre a bioinvasão na baía de Paranaguá, um dos grandes problemas do litoral brasileiro. Todos, sem exceção, confirmaram casos.
Navio deslastreando no porto de Paranaguá

Entre eles, um mexilhão exótico que está tomando o lugar dos nativos nos costões da Ilha do Mel; a proliferação de algas na baía, e até certos peixes estranhos que passaram a ser pescados e ainda não foram identificados.

A riqueza da ilha do Mel

Além da beleza natural, a ilha abriga a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, do século 18, com paredes com um metro e meio de largura, e o belíssimo Farol das Conchas, mandado construir por D. Pedro II em 1870, com materiais importados da Escócia.
Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres

Mas sua maior riqueza está na biodiversidade: a ilha abriga ecossistemas variados como pequenas dunas, praias, uma linda e exuberante restinga, além de rios e lagos. Mas, se todos são importantes, um deles é dominante…

O Farol das Conchas

A restinga da Ilha do Mel

Na ilha do Mel 70% da área é de planícies com formação de restinga, neste caso, protegidas desde 1982, quando ela se tornou Estação Ecológica Estadual.
A exuberante restinga da Ilha do Mel

Márcia Marques, do curso de ecologia da UFPR, autora do livro “História Natural e Conservação da Ilha do Mel”, se empolgou ao contar que a maior parte das restingas da costa brasileira tem formações vegetais rasteiras, com arbustos e moitas, no máximo. Mas, as da Ilha do Mel, ao contrário, têm formação florestal mais desenvolvida com árvores que chegam aos 20 metros de altura.
O turismo desordenado na Ilha do Mel

O turismo desordenado ameaça sua integridade faz tempo. A ilha foi “redescoberta” pelos hippies, nos anos 70. Depois, na década de 80, vieram os mochileiros e campistas que se hospedavam na casa dos nativos. Em seguida chegou a especulação. Mais uma vez as posses foram vendidas por preço de banana. Novos hotéis e pousadas foram feitos, hoje, quase todos nas mãos de gente de fora.

Em cima do morro do Saco do Limoeiro é possível ver a quantidade de telhados entre a restinga. 

São parte das pousadas e hotéis que a ilha abriga.

À época de nossa visita havia nove mil leitos à disposição, um número que, para a fragilidade natural de um ilha, é exagerado. É muito difícil para um ambiente insular suportar um impacto diário deste tamanho. Durante nossa visita conversei com o biólogo Claro (UFPR), que também estuda a Ilha do Mel. Ele concorda que é demais a quantidade de turistas que freqüentam a ilha. E diz que o número foi “limitado” em sete mil por dia, mas no pico do verão chega a dez mil! A Ilha do Mel é a segunda área natural mais visitada no Paraná, atrás apenas do Parque Nacional do Iguaçu. Hoje, parece que o limite de visitantes é de cinco mil por dia, o que continua sendo gente demais.
O novo porto

Segundo o Gazeta do Povo “a região encontra-se na iminência de ser severamente impactada pela construção de novos empreendimentos portuários e de uma gama de obras acessórias em Pontal do Paraná.” E prossegue: “a implantação desses empreendimentos ainda não ocorreu pela resistência de pesquisadores e da sociedade civil, mas certamente deverá ser consumada em breve, especialmente neste momento de novo governo federal.”

O articulista, Emerson Antonio de Oliveira, coordenador do Observatório de Conservação Costeira do Paraná, conclui: “resta saber se, ao fim desse processo, haverá interesse pela visitação à Ilha do Mel, recursos pesqueiros à população e se os poucos fragmentos de Mata Atlântica da região resistirão à pressão da operação dos novos empreendimentos.”

O site 350.org diz que “o Complexo Industrial e Portuário incluirá um terminal de óleo e gás e uma termelétrica, no entorno do terminal já existente da Techint, além de um gasoduto, uma ferrovia e uma linha de transmissão – mais uma evidência de que o projeto visa atender unicamente a interesses do futuro Complexo Portuário” E tudo será construído em cima do que resta de Mata Atlântica.

Reação de ambientalistas e da academia

Até um site foi criado por ambientalistas e professores da Academia, o salveailhadomel.com.br, conta que “o Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral do Paraná (COLIT) induzido por um representante do governo do Estado – aprovou ao fim da reunião o licenciamento de uma Faixa de Infraestrutura – que prevê a construção de uma nova rodovia de pista simples de 20 km de extensão e um canal de drenagem ligando praia de Leste à zona portuária e industrial de Pontal do Paraná, em frente à Ilha do Mel. Isso foi feito mesmo diante de ressalvas e protestos de organizações ambientais e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que integram o conselho.”

Se você também prefere que o Governo do Paraná melhore os dois portos existentes, antes de construir um terceiro, clique aqui, e mande sua carta de protesto. Mais de 101.000 mil pessoas já assinaram.

Fontes: 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_do_Mel_(Paran%C3%A1); http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/o-tragico-destino-da-ilha-do-mel-68acd3nxi2p892hm2ud8m16el; http://salveailhadomel.com.br/; https://350.org/pt/bomba-relogio-foi-lancada-sobre-o-litoral-paranaense/.

(Do https://marsemfim.com.br/)

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre

OSTRABALHADORES!

Em Joinvile