quinta-feira, 11 de agosto de 2016

HAVER BALEIAS


Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

MPF dá parecer favorável ao turismo embarcado de observação de baleias em Santa Catarina 

Por 
ERICH CASAGRANDE 

O Ministério Público Federal (MPF) de Santa Catarina deu parecer favorável à liberação do turismo embarcado de observação de baleias-francas no Litoral Sul do Estado, desde que sejam cumpridas todas as regras previstas no plano de fiscalização elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

A análise ajudará a embasar a decisão do juiz Rafael Selau Carmona, da 1ª Vara da Justiça Federal de Laguna, que deve emitir a decisão sobre a liberação da atividade, proibida desde 2013, nos próximos dias.

A atenção ao cumprimento da fiscalização pelo ICMBio é ressaltada pelo MPF logo na introdução do parecer quando enfatiza a necessidade "da inspeção in loco e ostensiva das atividades nas embarcações durante as saídas". Em resumo, o parecer é favorável ao turismo embarcado das baleias francas desde que o ICMBio cumpra o que propôs no Plano de Fiscalização que apresentou.

Sobre o documento, o MPF se posicionou a favor da homologação e entendeu que as questões que condenaram o ICMBio foram contempladas. Por outro lado, o Instituto Sea Shepherd, autor da ação civil pública que levou à exigência de respostas do ICMBio, mantém o posicionamento contrário à prática como divulgado em nota, pela advogada Renata Fortes.

"A nossa posição é pela improcedência do plano de fiscalização, pois nada foi apresentado pelo ICMBio que altere o risco de acidentes para os turistas e o molestamento das baleias durante os passeios, já que as regras de segurança de navegação são incompatíveis com as regras da Portaria 117/96 IBAMA, e isso todos já sabem. Por exemplo, você pode determinar aos barcos que desliguem os motores a 300 metros de uma baleia, isso não impedirá que ela se aproxime da embarcação, e se esta estiver na arrebentação não poderá desligar os motores, logo o que adianta a presença de um monitor? Todos que querem a volta do TOBE [turismo embarcado] no berçário estão conscientemente colocando em risco a vida de centenas de turistas e aprovando o molestamento das baleias e seus filhotes".



O ICMBio entende que o parecer do MPF mostra que o Plano de Fiscalização é consistente e assume a responsabilidade ressaltada pelo órgão.

— Ele precisa ser executado da forma que foi apresentado. Essa será nossa responsabilidade. E também estaremos atentos a qualquer situação para reavaliar os procedimentos, se necessários — avalia Cecil Barros, gestor da APA pelo ICMBio.

O MPF também cita na conclusão do parecer a responsabilidade do "cidadão", no seu comportamento, como também parte responsável pelo turismo sustentável.

— A sociedade, turistas, todos devem denunciar e fiscalizar a ação das operadoras, que por sua vez devem cumprir as regras — destaca Barros.


A observação de baleias por barcos está proibida desde maio de 2013, após ação do Instituto Sea Shepherd. Três anos depois, em 2016, o ICMBio apresentou suas propostas de ações e desde então o processo seguiu para avaliação das partes. O Sea Shepherd e o próprio ICMBio voltaram a incluir documentos ao processo em junho e na semana passada a ONG protocolou novo parecer. 

Além do molestamento às baleias, que no litoral de Santa Catarina geralmente são mães acompanhadas dos filhotes recém-nascidos ou ainda pequenos, o Instituto Sea Shepherd afirma que a prática de turismo embarcado gera riscos aos turistas.

O Instituto destaca acidentes em outros lugares do mundo que aconteceram por reações dos animais e que colocaram em risco a vida de turistas. No que envolve o animal, os argumentos estão no incômodo gerado, desrespeito das medidas de segurança e nos ferimentos causados pelas hélices dos motores e na preservação da área.

Por outro lado, o ICMBio apresentou um plano de prática para o turismo embarcado na região da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca em que garante a correta fiscalização com a presença de um monitor em cada uma das embarcações. O plano também prevê limite máximo de passeios por semana e por feriados.

A proposta do ICMBio também estabelece o desenvolvimento de estudos para avaliar melhor como deve ser ou turismo embarcado e para ampliar o conhecimento sobre o animal. Barros entende que o órgão tem mais estrutura e recursos para fiscalizar e operar do que tinha há quatro anos.

Impasse começou há quatro anos

2012
> O Instituto Sea Shepherd protocolou denúncia contra o turismo embarcado de observação de baleias. A juíza responsável pelo caso, Daniela Tocchetto Cavalheiro, entendeu que existiam falhas de gestão e proibiu esse tipo de turismo em Garopaba, Imbituba e Laguna. Para reverter a decisão foi exigido estudo de impacto ambiental. O ICMBio, responsável pela proteção da baleia-franca, declarou que o levantamento levaria pelo menos quatro anos.
2013
> A APA tentou reverter a decisão, mas a medida foi analisada duas vezes no Tribunal Regional Federal (TRF) e a decisão de suspensão foi mantida.
2014
> Em maio, a primeira audiência de conciliação reuniu ICMBio, Marinha do Brasil, Polícia Ambiental, Sea Shepherd e Ministério Público.
2015
> Em dezembro, o juiz Rafael Selau Carmona, da 1ª Vara Federal de Laguna, sentenciou que o turismo poderia ser retomado mediante a elaboração e implementação de plano de fiscalização que contemple a inspeção in loco e ostensiva das atividades nas embarcações durante as saídas.
2016
> Em maio, o ICMBio concluiu o Plano de Normatização, Fiscalização e Controle da Atividade de Turismo Embarcado de Baleias (Tobe). O material foi analisado pelas operadoras de turismo, prefeituras, órgãos ambientais e demais envolvidos e protocolado em Porto Alegre no dia 17/5 e em Laguna no dia 24.
> No dia 21 de junho o Sea Shepherd protocolou pontos de discordância sobre partes do plano apresentado. O ICMBio então fez novas adequações e protocolou novo parecer sobre a proposta, em que mais uma vez se manifesta contra a liberação.
> No 8 de agosto, o Ministério Público Federal deu parecer sobre o caso atrelando a realização do turismo embarcado ao rigoroso cumprimento das regras apresentadas no Plano de Fiscalização.
(Do www.clicrbs.com.br)

O LIXO NOSSO...

Foto: share in america org

Mancha de lixo do Pacífico e portas de saída
Publicado por João Lara Mesquita 

Descoberta: mancha de lixo do Pacífico tem portas de saída

Um dos autores do novo estudo, Christophe Maes, oceanógrafo da France’s University of Western Brittany (UBO), e da French Research Institute for Development (IRD), acaba de publicar uma descoberta que pode piorar ainda mais uma solução para a grande mancha do Pacífico. Conduzido pelas correntes marinhas, em interação com o movimento de rotação da Terra, qualquer tipo de lixo plástico acaba se juntando a outros, num ponto remoto do Pacífico onde, de acordo com cientistas, a massa de lixo “tem o tamanho de 680 mil quilômetros quadrados, o que equivale aos territórios de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo somados”.
Oceanos: ainda tratados como lata de lixo da humanidade

Ilustração: operamundi

Até agora, pensava-se que não havia portas de saída para esta enorme quantidade de plástico, que ficaria eternamente presa num rodamoinho provocado pelas correntes, ventos, e outros fatores. A mancha do Pacífico, por seu gigantismo, é uma prova cabal que os oceanos continuam a ser tratados como “lata de lixo da humanidade”. Seja até por gravidade, “tudo que é produzido pela humanidade acaba parando no mar”.
Oito toneladas de plástico por minuto são jogados nos oceanos

Recente pesquisa da Ellen MacArthur Foundation estima que haja mais de 150 milhões de toneladas de material plástico nos oceanos. A Pesquisa indica que, se as condições forem mantidas, haverá mais plástico que peixes em 2050.

Foto: ambro2003 blogspot.com
Hecatombe produzida pela nossa geração

O plástico, e materiais assemelhados, se tornam partículas que vão parar no estômago de animais e aves marinhas

Pela crença que a mancha de lixo seria estática, cientistas já estudavam maneiras de diminuir seu tamanho e impacto. Mas a descoberta das portas de saída pioram o quadro: tornam bem mais difícil lidar com esta hecatombe produzida pela nossa geração.

Peixes e aves acabam ‘se alimentando’ com pedaços de plástico. Foto: jorgetioosala worldpress.com

Correntes ‘de saída’ levam lixo ao litoral

O novo estudo mostra que há correntes “de porta de saída”. Usando modelos de computador os cientistas rastreadas as trajetórias de vários milhões de partículas virtuais. Os resultados revelaram a existência de correntes Outward Bound, com várias centenas de quilômetros de largura, que fluem para o leste, para longe do giro, em direção às costas da América do Norte e América do Sul.

Foto: Fortmyersbeachfi.gov
Descoberta prevê piora para a saúde da vida marinha

Para Erik van Sebille, um oceanógrafo do Imperial College Londonas rotas de saída são uma boa notícia para a limpeza do lixo, mas não para projectos destinados a melhorar a saúde da vida marinha.Se você está focando a limpeza nas costas, então isso vai facilitar as coisas porque um monte de lixo acabará nas praias, o que lhe permite concentrar seus esforços ali. A má notícia é que o plástico faz muito mais mal perto das costas, do que em mar aberto, onde há muito menos vida marinha. Litorais são os locais onde estão os ecossistemas mais importantes, como os recifes de coral, manguezais, estuários, etc

Ilha de plástico em Cabo Verde

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

INVERNO CLÁSSICO E BÁSICO

Sol, frio e vento Sul!

MAR DE ROGÉRIO DIAS






MAR DE VALLANDRO KEATING

Tempestade em alto mar. Desenho de Vallandro Keating no livro Diário de navegação - Pero Lopes e a expedição de Martim Afonso de Sousa, da Editora Terceiro Nome.
Indicado ao Prêmio Jabuti de Ilustração em 2012, o livro reconta a saga da primeira expedição colonizadora de Portugal ao Brasil (1530-1532).

TAINHAS NO QUINTAL!

Fotos e texto do Sérgio Saraiva

PESCADORES CERCAM 560 TAINHAS NA ENSEADA

Um cardume de tainhas desrespeitou as normas oficiais da pesca e invadiu a enseada de Garopaba fora da temporada dedicada à espécie, encerrada em julho. Bastou para os pescadores artesanais da canoa-de-um-pau-só Larissa: eles capturaram 560 exemplares com um peso médio entre 1 e 1,6kg. O cerco - junto aos ranchos de pesca - foi comandado pelo pescador Joaquim Machado Rosa.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

ESPERANDO O VELHO VENTO VAGABUNDO...


MAREGRAFIAS

Foto Geraldo Cunha 

Costão da Galheta!

Foto Fernando Alexandre
Lua Deitada
Marinheiro em Pé
(Dito Popular)

MAR DE BAIXO


Pesquisadores descobrem que Amazônia possui oceano subterrâneo estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos.

Publicado por João Lara Mesquita 

Durante Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC) em Rio Branco, foi estimada que a Amazônia possui oceano subterrâneo, uma reserva de água com volume estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos.

O volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani – depósito de água doce subterrânea que abrange os territórios do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e principalmente do Brasil, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.

De acordo com a equipe docente, a reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma e as águas atmosféricas têm, mais ou menos, esse mesmo percentual de participação.

O conhecimento sobre esse “oceano subterrâneo”, contudo, ainda é muito escasso e precisa ser aprimorado tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano como para preservá-lo em razão de sua importância para o equilíbrio do ciclo hidrográfico regional.

As pesquisas sobre o Aquífero Amazônia foram iniciadas há apenas 10 anos, quando pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram um estudo sobre o Aquífero Alter do Chão, no distrito de Santarém (PA).

O estudo indicou que o aquífero, situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país, teria um depósito de água doce subterrânea com volume estimado em 86,4 trilhões de metros cúbicos.

Denominado pelo pesquisador e colaboradores Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o sistema hidrogeológico começou a ser formado a partir do período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.

Em razão de processos geológicos ocorridos nesse período foi depositada, nas quatro bacias sedimentares, uma extensa cobertura sedimentar, com espessuras da ordem de milhares de metros.

Uma das limitações à utilização da água disponível no reservatório, contudo, é a precariedade do conhecimento sobre a sua qualidade. Falta obter informações sobre a qualidade da água encontrada no reservatório para identificar se é apropriada para o consumo.

Como esse reservatório subterrâneo representa 80% da água do ciclo hidrológico da Amazônia, é preciso olhá-lo como uma reserva estratégica para o país.

De acordo com os pesquisadores, a Amazônia transfere, na interação entre a floresta e os recursos hídricos, associada ao movimento de rotação da Terra, cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente para outras regiões do Brasil. Essa água, que não é utilizada pela população que vive aqui na região, representa um serviço ambiental colossal prestado pelo bioma ao país, uma vez que sustenta o agronegócio brasileiro e o regime de chuvas responsável pelo enchimento dos reservatórios produtores de hidreletricidade nas regiões Sul e Sudeste do país.

De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema.

Como o reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, é difícil definir, por exemplo, dados de fluxo da água subterrânea para todo sistema hidrogeológico amazônico.

Diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas bordas – uma vez que há uma camada de basalto com dois quilômetros de extensão sobre o reservatório de água –, as áreas do Aquífero Amazônia são permanentemente livres.

Em áreas de floresta, essa exposição do aquífero não representa um risco. Já em áreas urbanas, como nas capitais dos estados amazônicos, isso pode representar um problema sério. “Ainda não sabemos o nível de vulnerabilidade do sistema aquífero da Amazônia em cidades como Manaus”, disse Wahnfried.

Segundo o pesquisador, tal como a água superficial (dos rios), a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia. No Amazonas, 71% dos 62 municípios utilizam água subterrânea (mas não do aquífero) como a principal fonte de abastecimento público, apesar de o estado ser banhado pelos rios Negro, Solimões e Amazonas.

Já dos 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água subterrânea.

Algumas das razões para o uso expressivo de água subterrânea na Amazônia são o acesso fácil e a boa qualidade desse tipo de água, que apresenta menor risco de contaminação do que a água superficial.

Além disso, o nível de água dos rios na Amazônia varia muito durante o ano. Há cidades na região que, em períodos de chuva, ficam a poucos metros de um rio. Já em períodos de estiagem, o nível do rio baixa 15 metros e a distância dele para a cidade passa a ser de 200 metros, exemplificou.

(Do marsemfim.com.br/)

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

TEMPO, TEMPO...

A previsão para hoje, 8/08/16

MAR DO ORLANDO AZEVEDO


a mar

COMENDO O PLÁSTICO


Bactéria que come plástico dos oceanos é desenvolvida

Publicado por João Lara Mesquita 

Estudantes desenvolvem bactéria que come plástico dos oceanos e o transforma em água.

Caso você precise mais evidências sobre a extraordinária capacidade do ser humano em destruir o planeta, considere isso: se continuarmos na mesma toada, em 2050 os oceanos conterão mais plástico do que peixes. Recentemente Mar Sem Fim publicou justamente um artigo explicando onde vamos parar se continuarmos com esta toada.

Porém, muitos jovens cientistas se preocupam com o futuro de nosso planeta. E foi com este propósito que as estudantes chinesas Miranda Wang e Jeanny Yao desenvolveram uma bactéria que promete ser a novidade do momento.

A bactéria desenvolvida por Miranda e Jeanny é capaz de transformar plástico em CO2 e água. A tecnologia está sendo utilizada de duas formas: para limpar as praias e também para produzir matéria-prima para confecção de tecidos.

“É praticamente impossível fazer com que as pessoas parem de usar plástico. Nós precisamos de tecnologia capaz de quebrar o material. Tudo deveria ser biodegradável”, disse Miranda Wang.

A tecnologia em desenvolvimento é composta por duas partes. Primeiro o plástico é dissolvido e depois as enzimas de catalização quebram os componentes em pedaços mais maleáveis. Esses componentes são colocados em uma estação biodigestora, em que tudo será compostado. O processo leva, no máximo, 24 horas para acontecer.

(Do marsemfim.com.br/)

GIGANTES DOS MARES DO SUL!

Quer saber um pouco mais sobre as baleias franca?

Veja este infográfico traduzido e adaptado pelos nossos parceiros do www.loucosporpraia.com.br !

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

CALOR DA CHINA!


Onda de calor na China provoca desastres e alertas do serviço meteorológico.
Publicado por João Lara Mesquita 

China atingiu recentemente temperaturas de até 41°, o que causou a morte de 19 pessoas por insolação, de acordo com imprensa local. Diante de tal situação, o serviço meteorológico nacional emitiu um alerta laranja, o segundo em gravidade.
Desde o dia 20 de julho, o sul do país tem sido prejudicado pelas intensas onda de calor que vem atingindo a China.

Em outras área, como a cidade oriental de Xangai, a central de Chongqing e a província de Hubei, o alerta vermelho foi acionado, que significa o máximo nível de emergência.

As temperaturas elevadas junto com a alta umidade e a falta de vento, forma uma combinação muito prejudicial, o que deve durar até meados de agosto.

Em províncias como Shandong houve uma limitação do uso de eletricidade em algumas indústrias por causa do aumento intenso do uso de eletricidade. Mesmo assim, autoridades sanitárias pedem que as pessoas fiquem dentro de casa, com o ar-condicionado ligado. Xangai tem registrado o verão mais rigoroso dos últimos 140 anos.

Na tentativa de driblar o desconforto, milhares de pessoas recorrem às piscinas públicas. Até agora, foram 24 dias seguidos de calor. Médicos aconselham as pessoas a evitarem atividades ao ar livre.
Outros, resfriaram-se no chão e no ar-condicionado de uma estação de metrô de Hangzhou…

Já o norte da China vem sendo castigado nos últimos dias por temporais e inundações que causaram mais de 200 mortes em províncias como a de Henan ou a setentrional de Hebei, vizinha a Pequim. Cerca de 680.000 pessoas já foram prejudicadas por causa das inundações, principalmente na cidade de Hubei, no centro do país.

O calor e o frio intensos vem castigando o planeta já há alguns anos. Segundo relatório do IPCC, as mudanças climáticas causada pelo homem são provavelmente umas das responsáveis pelos eventos climáticos extremos e as calamidades causadas por eles. O relatório é direto ao apontar que é extremamente provável que a influência humana tem sido a causa dominante do aquecimento observado desde 1950. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

TAINHAS - FIM DE SAFRA


Grandes lanços foram registrados no Estado
Foto Marco Favero / Agencia RBS

SC encerra safra da tainha com número recorde na pesca artesanal
Pescadores comemoram maior captura dos últimos 40 anos

por Gabriela Wolff
gabriela.wolff@horasc.com.br

Terminou em 31 de julho a temporada de pesca da tainha no litoral catarinense, e os resultados estão sendo comemorados pelos pescadores artesanais. De acordo com aFederação dos Pescadores de Santa Catarina (Fepesc), foram capturados 3.542 toneladas do pescado na modalidade artesanal, maior quantidade dos últimos 40 anos.


A Ilha de Santa Catarina, que contempla toda a região da Grande Florianópolis, capturou o maior número, com 1.179 toneladas, o que corresponde a cerca de 33% da safra. Em segundo lugar ficou a cidade de Laguna, com 542 toneladas, seguido de Bombinhas, com 295 toneladas.

O presidente da Fepesc, Ivo Silva, comemorou a safra recorde e atribuiu os bons números ao frio:
— Este ano o tempo colaborou muito, o frio chegou cedo e foi duradouro, o que traz a tainha pro nosso litoral. Se você olhar o balanço por mês, em maio tivemos 2.370 toneladas, enquanto junho já caiu para 1.094 e julho foram 78 toneladas — disse.
Em Florianópolis, a Barra da Lagoa ficou em primeiro lugar, com 841 toneladas, seguido dos Ingleses, com 156 toneladas, Retiro da Lagoa, com 35 toneladas e Pântano do Sul, com quatro toneladas. Ivo explica que a contabilidade é feita por onde o pescado é descarregado:

— Na Lagoa não tem tainha, mas temos embarcações que descarregam ali. A conta é feita assim pois temos as embarcações com rede anilhada que saem para outras praias — explicou. 

Fepesc vai a Brasília na próxima semana

Na próxima semana, representantes da Fepesc tem uma reunião agendada com o secretário da pesca do Ministério da Agricultura para tratar da pesca da tainha. Ivo Silva explica que o objetivo é preparar a safra com mais antecedência, para evitar os problemas recorrentes de falta de licenças para os pescadores:

— Queremos começar a discussão mais cedo, para que em março já esteja tudo certo e o pescador consiga se preparar, saber se pode investir em rede.

Em 2016, pescadores artesanais de rede anilhada tiveram problemas para obter licenças, assim como pescadores industriais. O principal motivo alegado pelo governo é que muitas embarcações teriam pescado em áreas proibidas no ano anterior.

A Fepesc também vai pedir que sejam feitos mais estudos técnicos e estatísticos da pesca, para evitar especulações sobre o fim da espécie:

— Na pesca artesanal, somos nós que fazemos as estatísticas com o apoio das colônias. Falta pesquisa para saber a situação real — desabafa.


Pesquisas da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) indicam que a população de tainha vem diminuindo no litoral sul do Brasil. Em entrevista ao Hora de SC em 16 de junho, o oceanógrafo Paulo Ricardo Schwingel, pesquisador do Grupo de Estudos Pesqueiros (GEP) da (Univali), fez o alerta:

— Se não houver um ordenamento da pesca, nós podemos levar, ao longo dos anos, a um colapso da pescaria. Obviamente que isso não acontece de um ano para o outro, mas ao longo de gerações. A tainha vive cinco anos na Lagoa dos Patos, depois vai para o mar desovar. Então, de duas ou a três gerações, ou seja, 10 a 15 anos, já podemos ter um resultado bem nocivo — explicou.

(Do www.clicrbs.com.br)

O CAIS DE DESTERRO

Foto Acervo Casa da Memória de Florianópolis.
CAIS RITA MARIA
A DESTERRO DO SÉCULO XIX – 1860 a 1890


"Texto extraído do livro Prêmio de Monografias – Silvio Coelho dos Santos”
Monografia de Karla Leandro Rascke – Edição Fundação Franklin Cascaes.

"Ao passar aos arredores do atual Mercado Público de Florianópolis, imaginou-se as mesmas ruas em meados do século XIX. Hoje, tem-se uma cidade com grande tráfego de automóveis, muitas pessoas circulando, comprando, muitas luzes à noite e muitas construções remodeladas. A cidade no século XIX era permeada por um mundo de canoas, carros de boi e comércio de produtos muito forte nos bairros populares que ficavam onde hoje é o “centro”, com o Mercado Público, suas ruas e arredores.

O Mercado Público foi construído em 1855, como forma de substituir as barraquinhas das quitandeiras, passando a ser local de grande concentração de trabalhadores. Outra atividade muito comum estava ligada ao campo, a “lida na roça”, a produção da aguardente, farinha de mandioca e outros víveres bastante comercializados por toda a cidade, atividades que iam além da vila de Nossa Senhora do Desterro. De acordo com Joice Farias (2003), em sua dissertação sobre a Freguesia de Nossa Senhora da Lagoa da Conceição, “a cana de açúcar era produto de vulto na região. E a aguardente da Lagoa era reconhecida pela qualidade do produto, sendo exportado para outras regiões”. Narra a historiadora, que a região da Lagoa chegou a exportar tecidos, toalhas, rendas de bilro e outros produtos artesanais para o Rio de Janeiro. Essa freguesia era uma das que compunha a Ilha de Santa Catarina.

A Ilha de Santa Catarina deixou de ser uma economia apenas de subsistência para se tornar uma economia de mercado no século XIX, com suas principais atividades ligadas ao porto de Desterro. Em Muitos momentos, os produtos foram exportados para São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, movimento que se dava pelo porto. No século XIX, a paisagem da cidade foi modificada pelo aparecimento de alguns sobrados, normalmente de posse de comerciantes bem abastados, situação que se apresenta por uma ascensão econômica, ligada, em muitos momentos, à atividade portuária.

Nos fins do século XIX, quando a atividade portuária se desmontou e os comerciantes portugueses de “boa vida, a partir da exploração de africanos e afrodescendentes e um sem-número de gente sem eira e nem beira”, se viram desencontrados com os novos “ventos” do comércio, não mais controlados por eles. Toda a movimentação em torno do porto exigia um fluxo de trabalhadores e trabalhadoras que faziam com que as atividades se realizassem.

Durante este século, uma parte considerável da população de Desterro, era cativa. Nos anos 1860, esse número chegava a quase 25% do total de habitantes. Segundo os historiadores Fernando Henrique Cardoso e Octaviano Ianni, “a Ilha de Santa Catarina contava 26.311 habitantes, dos quais 3.431 eram mantidos em cativeiro. A Freguesia de Nossa Senhora do Desterro contava 9.108 habitantes, sendo 1.622 cativos”.

(Pesquisa e edição de José Luiz Sardá)

FÓSSIL VIVO


Encontrada baleia que acreditava-se extinta há 2 milhões de anos

Segundo um estudo recente, a baleia-franca-pigmeia (Caperea marginata), que foi descrita e classificada em 1846 por John Edward Gray, pertence a um grupo de baleias que se acreditava extinto.
A descoberta, publicada em 18 de dezembro de 2012 no Proceedings of the Royal Society B, explica por que esta baleia enigmática é tão diferente de todas as outras baleias.
Segundo Felix Marx, um paleontólogo da Universidade de Otago, Nova Zelândia, aponta que “a baleia-franca-pigmeia é, se você prefere assim, um último sobrevivente, quase como um fóssil vivo. É o último espécime de uma linhagem bem antiga que até agora se imaginava não ter mais nenhum representante vivo”.
A baleia-franca-pigmeia é relativamente pequena, com apenas 6,5 metros, e vive no oceano aberto, no hemisfério sul, tendo sido avistada poucas vezes. Tanta timidez resultou no fato de que os cientistas praticamente não sabem nada sobre o habitat ou estrutura social deste mamífero.
A análise de DNA desta baleia apontou que ela divergiu das baleias modernas, como a baleia azul e a jubarte, entre 17 e 25 milhões de anos atrás. Entretanto, seu focinho, que é muito diferente dos das outras baleias, indica que ela tem um parentesco com um grupo que inclui a baleia-da-groenlândia. Entretanto, não existem estudos de fósseis mostrando como foi a evolução da baleia-franca-pigmeia.
Fóssil vivo
“Fóssil vivo” é o nome informal dado a um ser vivo moderno que tem características que o tornam morfologicamente semelhante a algum fóssil conhecido. Não se trata de um ser que “não evoluiu“, mas de um representante moderno de uma espécie que antes era conhecida apenas no registro fóssil.
Alguns autores sugerem que se abandone esta expressão, por ser incorreta, mas ela já está bem firme no imaginário popular.
A análise dos ossos do crânio e sua comparação com fósseis de diversos cetáceos revelou que a baleia é parente de uma família antiga chamada cetotheres, que se acreditava extinta há 2 milhões de anos. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

APRENDENDO A REMAR


Atenção pescadores que gostam de um bom esporte , iniciaremos em breve as aulas de remo de canoa para pesca artesanal na segunda semana de agosto , interessados entre em contato com Nei 91513237

BALEIAS DE AGOSTO


Fotos Julio Cesar Vicente

Baleias à Vista - 02/08/2016.
Quatro Baleias - Imbituba/sc




OSTRAS AMEAÇADAS


O cultivo de moluscos marinhos é responsável por uma expressiva parcela da produção mundial de pescados, pois apresenta diversas alternativas para instalação dos cultivos e facilidade de captação e produção de sementes. Dentre os moluscos cultivados mundialmente as ostras se destacam, sendo a espécie mais cultivada a ostra-do-pacífico (Crassostrea gigas). No Brasil, o estado de Santa Catarina é o maior produtor desta espécie com 21,65 mil toneladas produzidas em 2014, que representa 98% da produção brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a produção nacional em cativeiro desta espécie, e de outros moluscos como vieiras e mexilhões, corre riscos devido à infestação de um verme anelídeo chamado Polydora hoplura. É o que alertam os biólogos Álvaro Migotto, do Centro de Biologia Marinha da USP, e Vasily I. Radashevsky, especialista mundial em poliquetas, do A.V. Zhirmunsky Institute of Marine Biology da Rússia.

No estudo publicado recentemente pela Marine Biodiversity eles relatam a presença destes vermes em conchas e moluscos nativos do litoral de São Paulo. Além disso, de acordo com Migotto, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina já confirmaram a presença de poliquetas nos plantéis de ostras catarinenses, mas ainda não se sabe quais seriam as espécies de Polydora, nem os possíveis impactos negativos que elas poderiam causar a esses cultivos.

O verme Polydora hoplura é uma espécie invasora natural do Oceano Pacífico pertencente à classe Poliqueta. Trata-se de vermes perfuradores de conchas, que escavam pequenos canais na estrutura calcária das conchas dos moluscos, sendo um fator de desequilíbrio no desenvolvimento e na saúde dos animais cultivados. Se o molusco contaminado tem uma concha muito fina, o verme pode atingir o interior mole do molusco. Neste caso, o molusco irá gastar mais energia na produção de material calcário para cobrir e isolar o canal feito pelo verme. Esta energia gasta para proteção deveria ser usada em funções vitais, como alimentação e reprodução, do molusco. Em uma infestação generalizada, a proliferação de P. hoplura pode fazer com que uma única ostra seja perfurada por dezenas de indivíduos, resultando na morte do animal, e consequentemente, prejuízo para o produtor.

Para ler o artigo clique aqui.

(Do http://observasc.net.br/)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A PREVISÃO


NAVIO NAS TORRES


Navio achado nos escombros do World Trade Center é de 1700

Publicado por João Lara Mesquita 

Desde a tragédia que envolveu as torres gêmeas em 2001, a área em Manhattan vem passando por uma renovação. Em uma das reformas, ao sul de onde as torres ficavam, trabalhadores da construção civil encontraram algo inesperado enterrado a quase sete metros de profundidade: o esqueleto de um navio de madeira muito antigo. A área vinha sendo escavada para ser transformada em um estacionamento de segurança, mas o achado interrompeu o projeto.

Recentemente, cientistas americanos divulgaram um novo relatório sobre a idade do navio encontrado. A data provável de construção da embarcação é 1773. De acordo também com o documento, o navio foi feito em um pequeno estaleiro da Filadélfia.

Os cientistas também divulgaram que a madeira usada no navio é do tipo carvalho branco. Pedaços por pedaços do carvalho foram documentados e levados para o Laboratório de Conservação Arqueológica, em Maryland, para ser embebido em água para manter a madeira livre de rachaduras.

Alguns fragmentos da madeira encontrada também foram enviados para pesquisa para um laboratório no Observatório Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia.
A equipe de pesquisadores então descobriu que as árvores utilizadas para a construção do navio são de 1773. Os pesquisadores tiveram que encontrar uma correspondência entre o padrão das madeiras do navio e um padrão das árvores vivas e amostras arqueológicas de região e época específicas.


(Do Tree Rings Research)

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MAR DE TAINHAS


Oceana reúne pesquisadores e gestores para debater o manejo da pesca da tainha (Mugil liza)

Cientistas pesqueiros e gestores públicos estiveram reunidos, de 27 a 29 de julho, em Brasília, para compartilhar e trocar informações sobre a situação do estoque da tainha (Mugil liza) na região sul e sudeste do Brasil e discutir as melhores medidas de manejo necessárias para garantir a pesca desse estoque a longo prazo. Promovido pela Oceana, o workshop “Conservação e Manejo da Tainha” teve como propósito incentivar a retomada do processo de gestão com base em informações científicas.

O Brasil tem uma das maiores pescarias de tainha do mundo, responsável pela mobilização de uma frota industrial de dezenas de traineiras, por diversas frotas de média escala, além de milhares de pescadores artesanais em toda a região das lagoas e estuários da planície costeira desses estados. Do ano 2000 até 2015, os desembarques totais registrados de tainha desde São Paulo até o Rio Grande do Sul variaram de 2 a 13 mil toneladas/ano de peixe fresco para consumo interno. De 2007 a 2013, essa pescaria produziu entre 170 e 600 toneladas/ano de ovas (“botarga”) e moelas de tainha para exportação, sendo responsável pela movimentação de algo em torno de 3,5 e 10 milhões de dólares, anualmente.

Além disso, sabe-se que boa parte das capturas provenientes da pesca artesanal é usada diretamente na alimentação dessas famílias e comunidades pesqueiras, não chegando a ser computada nas estatísticas oficiais de produção de pescado. Por tudo isso, a pesca de tainha é bastante conhecida, possuindo uma enorme importância econômica, social, cultural e, também, de segurança alimentar. 

Estoque da tainha

No workshop, a Oceana apresentou sua avaliação de estoque da tainha, incluindo os dados da safra de 2015. “Até agora, dispúnhamos apenas de medidas de redução de esforço, áreas e épocas de pesca, que sabemos muito bem serem insuficientes para manejar um estoque que é explorado durante sua migração reprodutiva. O mais importante é que, com isso, podemos pela primeira vez discutir um limite máximo anual de captura”, explica a diretora geral da Oceana no Brasil, Monica Peres. Para os especialistas reunidos no workshop, ter limites máximos de captura ou quotas é a única forma de limitar a mortalidade total a que o estoque pode ser submetido e finalmente, prevenir a sobrepesca ou diminuição da população da tainha.

Todos os estudos apresentados durante o workshop confirmaram uma pressão de pesca muito acima da capacidade biológica de reposição do estoque da tainha. Para Monica Peres, apesar dessa pescaria ter uma norma que a regulamenta desde 2008 (INI 171), a abundância do estoque continua diminuindo. Apesar disso, segundo ela, é possível reverter essa situação. “Estamos diante de uma oportunidade única. A tainha é uma das únicas espécies que tem um plano de manejo em vigor, existe pressão judicial para que o Poder Executivo faça seu trabalho e dados e estudos como poucas espécies possuem no Brasil”, disse.

Além da avaliação de estoque apresentada pela Oceana, o professor da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg), João Paes Vieira, mostrou vários estudos e resultados que indicam, também, o declínio dessa população. Para ele, o principal motivo é que a tainha sofre pesca excessiva de indivíduos juvenis nas lagoas e estuários e ainda, uma pesca intensa exatamente no período de reprodução da espécie no mar.

Manejo

A pesca da tainha é regulamentada, atualmente, pela Portaria Interministerial nº 4, de 14 de maio de 2015. Essa norma define o início da safra da tainha para a pesca desembarcada (1º de maio), para a embarcada artesanal (15 de maio) e para a embarcada industrial (1o de junho), e define o número máximo de embarcações que podem pescar a cada ano. A norma prevê que, na ausência de dados e avaliações, haverá uma redução do número de embarcações industriais de 20% ao ano e que se as medidas previstas não forem discutidas nos Comitês Permanentes de Gestão (CPGs), elas entrarão em vigor, conforme previstas no Plano que foi publicado.

O Plano prevê, também, uma série de medidas de restrição da pesca em lagunas e estuários de toda a região sudeste e sul, afetando a pesca de tainha de pequena escala, que inclui centenas de pescarias com diferentes petrechos, áreas e épocas diferentes. Para Monica Peres, não é razoável que essas medidas de restrição de pesca entrem em vigor sem que se conheça essas pescarias e seu poder de pesca e, principalmente, sem uma discussão com essas comunidades. “Precisamos de fóruns de discussão local funcionando continuamente, alimentando os CPGs. Não só para a pesca de tainha, mas também para todas as pescarias”, sugere.

O Plano de Gestão para o Uso Sustentável da Tainha (Mugil Liza), foi resultado de uma decisão judicial e condição para a autorização da pesca industrial em 2015. “O plano é importante, mas precisa ser qualificado e permanentemente avaliado. É preciso ampliar as informações, principalmente sobre os ambientes lagunares, e agregar novos dados das mais recentes pesquisas pesqueiras. Esse encontro contribui muitíssimo para isso”, argumenta o professor da Universidade do Vale de Itajaí (Univali), Roberto Warhlich. Para o pesquisador, além da necessidade de um monitoramento permanente do desembaarque é necessário, também, dar seguimento à ideia de uma gestão que envolva o setor pesqueiro como um todo, através da implementação dos CPGs e dos Subcomitês Científicos (SCC).

Na mesma linha, o pesquisador do Fish and Wildlife Research Institute (FWRI), Luiz Barbieri, sustenta que o principal desafio, agora, é criar um ambiente institucional de colaboração, capaz de construir pontes que auxiliem o aperfeiçoamento do atual plano de gestão. “É necessário que se tenha um plano de funcional, e para isso o monitoramento é fundamental”, diz. Para ele, o Brasil ainda está em um estágio inicial de gestão pesqueira, que, entretanto, precisa ser estruturada. “O manejo precisa ser mais transparente e participativo”, defende.

A necessidade de se coletar, digitalizar e disponibilizar para os pesquisadores as informações dos Mapas de Bordo foi, também, referida como uma medida importante para o manejo do estoque. Os Mapas de Bordo são documentos obrigatórios para a maioria das frotas com barcos acima de 10 toneladas de arqueação bruta. Neles, os mestres de pesca devem registrar as informações de cada lance de pesca, ou seja, o dia e hora, a área da pesca e a quantidade capturada por espécie, além do que é descartado e o que é retido para ser desembarcado. Essas informações, validadas pelos dados de rastreamento por satélite das embarcações pesqueiras (PREPS), são muito importantes para a pesquisa e o manejo das pescarias. “Sem elas, é como se estivéssemos manejando no escuro, com os olhos vendados”, compara Monica Peres.

Marcus Carneiro, pesquisador do Instituto de Pesca de São Paulo (IPESP) afirma que há total consenso entre os pesquisadores de que é fundamental a existência de dados permanentes sobre a produção pesqueira. “Temos monitoramento de desembarque aqui e ali, mas ele precisa ser constante. Esses levantamentos precisam se tornar programas de Estado, não podem ser projetos que começam e acabam a cada dois anos”, defende Carneiro.

Limites máximos de captura

Independente das medias já previstas no Plano de Gestão, o encontro recomendou uma quota máxima de captura. Para Monica Peres, da Oceana, a quota é uma ferramenta de manejo, ao mesmo tempo, biológica e econômica. “Os pescadores e a indústria precisam saber quanto de peixe eles vão poder produzir, e quanto será necessário investir em seu negócio. Isso dá estabilidade e equilíbrio econômico, ao mesmo tempo em que protege o estoque, o recurso natural. A quota é uma ferramenta usada em todos os países que manejam bem suas pescarias e o limite máximo de captura é o melhor ponto de referencia para o plano de manejo de um estoque pesqueiro”, argumenta.

Para pesquisadores e gestores reunidos no workshopp, a sociedade brasileira precisa mobilizar-se para evitar que esse estoque colapse ou tenha sua abundância diminuída. “Se isso acontecer, vamos chegar a um ponto em que negócios, empregos, renda, subsistência, e segurança alimentar de milhares de famílias de baixa renda estarão ameaçados. Isso sem contar o impacto ambiental e ecossistêmico que a diminuição dessa população poderia causar”, sustenta a diretora geral da Oceana. Para ela, foi exatamente essa a preocupação do Ministério Público Federal, quando impetrou uma ação civil pública que resultou na publicação de um Plano de Gestão em Portaria Interministerial dos Ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Meio Ambiente (MMA), em abril de 2015.

Monica reforçou, ainda, que a Oceana pretende discutir os resultados da avaliação de estoque e do próprio workshop com as lideranças dos movimentos e sindicatos da pesca artesanal e industrial da região sudeste e sul. Para ela, a sociedade vai ter que se organizar e discutir o Plano publicado em 2015 à luz das novas informações que estão sendo sistematizadas, assim como a efetividade da implementação das medidas previstas e do sistema de controle dessas medidas. “Esse é um recurso natural de uso público e nós temos responsabilidade sobre o que estamos fazendo com a tainha. Ele tem que ser um uso racional. Cabe a nós todos, sociedade civil organizada, exigir que o governo faça seu trabalho, e implemente já programas permanentes de monitoramento e controle, pesquisa contínua e avaliações de estoque frequentes e, principalmente, os espaços formais de discussão com a sociedade, os CPGs. Temos que exigir, mas temos também que apoiar o governo. Temos que fazer a nossa parte também. E é isso que a Oceana tem feito.” conclui.