domingo, 17 de janeiro de 2016

SABERES EM CINZAS


Memórias: Âncoras restam como lembranças das embarcações construídas de forma artesanal e que serviam de sustento 
Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

Barracão centenário, de valor histórico para cultura açoriana, é incendiado no Campeche

Por

Um ato criminoso e covarde contra cultura açoriana e principalmente contra a pesca catarinense. Esse é o sentimento da comunidade do Campeche, que amanheceu perplexa e triste. O centenário e tradicional barracão de pesca do Aparício do Deca foi incendiado, no canto sul da praia do Campeche, Sul da Ilha de Florianópolis. O ato ocorreu por volta das 22h30min de sábado. 

Moradores e banhistas choram ao ver apenas as duas âncoras das canoas Célia e Renilda, construídas há mais de 100 anos e feitas de garapuvu - uma perda de valor cultural e histórico incalculável e imensurável. O prejuízo com as redes e cabos chega a R$ 100 mil, mas o sentimento de perda é muito maior. O local onde pescadores e moradores se reuniam para trocar uma ideia, jogar dominó e fazer peixe assado está transformado em cinzas. 

Um cenário desolador.

- Arrancaram o meu coração. Um pedaço de mim foi embora - disse Sidnei Inácio, um dos pescadores mais tradicionais da praia, enquanto era consolado por amigos ao ver pela manhã o que restou do barracão. A Polícia Militar procura por um suspeito. A família registrou um boletim de ocorrência no 2º Distrito Policial no Saco dos Limões. As duas embarcações e mais uma rede foram usadas na última temporada de tainha e responsáveis pelo maior cerco de tainhas da praia com quatro mil peixes.

(Do http://dc.clicrbs.com.br/sc/)

MAR DO JAYME REIS


Do Jayme Reis

REQUIEM POR CANASVIEIRAS !


CANASVIEIRAS: LUGAR ONDE NASCI

Já se passava das onze horas da noite, e de longe avistando de golpe no horizonte oeste, vejo minha encantada e histórica baía de Canasvieiras. Fervorosas emoções me remetem pensar nos velhos tempos, ainda contidos na memória de minha alma. São muitas lembranças transformadas agora em emoções, emanadas no mais íntimo de meu coração, de um passado distante, que ainda reflete para sempre, nas filigranas de meu pensamento.

Lembranças suscitam na mente, minha linda baía de Canasvieiras, eterna terra que nunca esqueci, quão mais longe estivesse, saudosa tu sempre serás, meu porto seguro, minha atalaia, meu lugar.

Encanto sempre com tua bela natureza, de um tempo distante que eu convivi, me lembro ainda, no mais íntimo de minha mente e coração, os verdejantes campos de araças, begarmotas e vigorosas frutas silvestres, de sabores variados, dispersas nos quintais, plantadas e colhidas pelos queridos ancestrais. Lembranças, lembranças, eternas lembranças, contidas no meu coração.

Hoje deste lado aposto, ao ver esta linda baía, de natureza belíssima, onde outrora muitos visitantes aqui aportaram e se encantaram. Doe no meu coração, te ver vilipendiada e arrasada. Teus arroios, teus rios e lindas praias de outrora, não são as mesmas que conheci. Lembranças, somente lembranças, guardadas no mais íntimo de minha alma e de meu coração.

Benfazejas eram as tardes calorosas, ao passear pelas areias finíssimas e alvas, ao encontro repentino de pescadores, trazendo nas mãos cambulhões de peixes frescos, rostos cansados, olhos ardentes e vermelhos, após longas horas expostos no mar, sob o sol escaldante de verão.

Lembranças, lembranças, lembranças, de uma terra linda e amada, de natureza esplêndida, de histórias lindas, ainda viva no mais íntimo de meu coração. Faz me recordar da terra que eu nasci, e dizer a todos que este lugar é meu chão, minha eterna terra natal, Canasvieiras te amo para sempre e com compaixão.

MENSAGEM DE LUZ.

MAREGRAFIAS


Cacupé!





sábado, 16 de janeiro de 2016

ROSA DOS VENTOS

Eu perdi aquele tempo:
Eu de branco em frente

ao manto azul

que o mar estende


Eu perdi aquele tempo:
Ponte entre a ilha
e o continente

Dias de súbitas gaivotas
Noites de lisérgico espanto

Eu me lembro: aquele tempo
tinha nas mãos a luz
de uma tormenta
Palavras de fina lâmina

Rosa dos ventos
Hoje estamos sós
De olhar vazio
como os gigantes
(Do livro impresso Partimos de Manhã, Iel/Corag, 2012.)

MAR DE VERÃO

Foto: Valéria Ribeiro / Divulgação - http://www.jornalconexao.com.br/


Foto Daniel Queiroz /ND

Foto Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Ontem. sexta-feira, em Canasvieiras, Norte da Ilha da Magia!

MAR DO CESAR MARCHESINI





quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

MAR DE VERÃO


HISTÓRIAS SOPRADAS PELO VENTO


SENTINELAS DO REINO

O verão cumpriu todas as promessas. Torrou de azul o dia interminável. Lavou o corpo seco jogado fora pelo longo inverno. Bordou de rendas a água clara das manhãs e a tintura anil do entardecer tranqüilo. A lua cheia compareceu para iluminar o noturno pio dos nossos sonhos. Quem poderá queixar-se desta temporada que chegou ao esplendor? A esperança exangue temia tempestades. O fungo da pele grudava para sempre. O tom cinzento do olhar suspirava o desamor com a paisagem. Mas o verão assumiu o perfil de um deus poderoso que inunda de vibração os planos adiados.

Há ressaca de tanto mar. Pedimos rede, quando devíamos estar na praia. Bebemos água que jamais mata qualquer sede. Passamos ungüentos milagrosos nos braços e pernas que exigem massagem. O cabelo perdeu o prumo, o andar deixa-se levar pela escassa brisa e aparecemos para amigos distantes que chegam de repente,. Demonstramos para eles essa falta de presença, essa identidade perdida, esse misturar-se à areia e às plantas. Perguntam sobre nossos laços antigos, mas não estamos mais naquele lugar. Somos agora habitantes de uma ilha, invadida pela ansiedade, perplexa diante do futuro, saudosa de sua paz perdida. Somos habitantes da falta que tudo isso faz em qualquer cidade, somos os que largaram tudo para viver na imaginação cevada em janelas tomadas pelo ruído.

Não sabemos mais quem somos. Alguns de nós voltam para suas origens e lá aparecem fora dos certames da civilização encerrada em redomas de poluição e vidro. Aos poucos voltam ao normal, mas nós somos diferentes. Nós apostamos alto no que nos escapava e hoje vemos que o custo desse passo era a alma que tínhamos gerado em décadas de cruzadas e carreiras. Por isso não atendemos aos chamados, estamos ocultos como a flecha do vôo do gavião que busca a presa. Deixamos que vejam as gaivotas, as corujas, as pombas. Porque o importante é ser a rapina de algo ainda por vir, e que pertence sim ao verão, mas a ele não se circunscreve. Viramos o enigma que ainda não deciframos.

Sabemos o quanto se enganam, os futuros habitantes que escolhem a ilha porque hoje devoram ostras e camarões com licores árticos. Sabemos o quanto é impossível cruzar os meses de chuva e frio, a maresia que sobem no ar e se congela dentro de nós. Sabemos o quanto doem as ruas de barro, o dinheiro escasso, o trânsito cada vez mais apertado. Sabemos que o verão é só um detalhe da ilha que a todos prende como o olhar da águia. Venham, dizemos, experimentem. E calamos, para rezar em silêncio pelo que virá depois desta época de bênçãos. Pedimos proteção para seguirmos em frente. Queremos chegar ao novo verão menos marcados, com luzes próprias, e não com esse brilho intenso que nos confunde, esse prêmio que cobra a conta, essa flor que na próxima estação começa a se tornar inalcançável. É quando tudo vira deserto. É quando o vento bate seus mutirões punitivos, desentocando os recalcitrantes. Esperavam o quê? O paraíso é precário e ilusório como uma casa alugada pelos banhistas.

Em meio à multidão, vejo aqueles que vieram dos pescadores. Estão vestidos em meio à humanidade pelada. Rugas enormes nos rostos de pouca idade. Eles se cumprimentam com alguns gritos, dialeto sem porto, museu de linguagens. Aguardam a primavera, que virá com seu sopro gelado. Sonham com cardumes, mesmo sabendo que eles passam ao largo. Visitam os lugares onde moravam, hoje transformados em condomínios lotados, e depois absolutamente vazios.

Nos bairros que viram mais tarde fantasmas, vejo a espera de quem acumula recursos longe daqui. As calçadas ficarão entregues aos cães de praia. Há um aperto no coração se você trafegar por elas imaginando algo vivo. É apenas o descompasso entre o verão que se foi e a realidade.

Habitamos uma ilha, e são poucos os seus mistérios. Venham nos fazer companhia, mas preparem-se. O verão é a visita do filho amado, que parte quando chega a hora. Ficamos sós, a varrer saudades. Os falcões aguardam empoleirados. De repente, um deles cruza o ar. É quando gritamos diante de Deus, que decide abrir um claro na charada. Ele traz um ramo de luz na mão grandiosa. Somos guardiões da felicidade possível, neste tempo sombrio, que mantém o verão como sentinela de um reino que inventaremos não apenas com palavras.

Nei Duclós

Do livro O REFÚGIO DO PRÍNCIPE - HISTÓRIAS SOPRADAS PELO VENTO.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

TURISMO?

Cena do documentário de Pegi Vail (Foto: Gringo Trails/Divulgação)

Pesquisadora levanta efeitos negativos do turismo pelo mundo
Antropóloga americana passou 14 anos gravando documentário.
Trabalho analisa impactos em países como Tailândia, Butão, Mali e Bolívia.

Flávia MantovaniDo G1, em São Paulo

Uma praia paradisíaca na Tailândia que se transformou em uma pista de dança para festas de jovens estrangeiros regadas a drogas e álcool. Um vilarejo perdido na Amazônia boliviana que ficou famoso após um israelense se perder na selva e hoje recebe hordas de mochileiros em busca de uma aventura parecida. Uma turista que vai a um vilarejo do Mali com uma visão romântica da África dos filmes de Hollywood e se surpreende ao deparar-se com a realidade extremamente pobre do lugar.
Por meio de exemplos práticos como esses, um novo documentário americano lança luz sobre um tema que poucas vezes passa na cabeça de quem viaja de férias: o impacto nem sempre positivo que o turismo provoca no meio ambiente, na economia e na cultura de localidades no mundo todo, especialmente em países pobres e emergentes.

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Pegi Vail (Foto: Pegi Vail/Arquivo pessoal)

Gravado ao longo de 14 anos pela antropóloga Pegi Vail, o filme “Gringo Trails” acompanha, por meio de imagens in loco e entrevistas com guias, turistas e escritores especializados em viagens, as transformações que a chegada em massa de turistas provocam em lugarejos de países como Tailândia, Butão, Mali e Bolívia.

Vail identifica uma dinâmica que se repete em vários lugares do mundo, e que faz parte, segundo ela, do fenômeno da “globalização do turismo”. Primeiro, um lugar remoto é “descoberto” por algum aventureiro estrangeiro. A notícia se espalha, guias de turismo passam a escrever sobre o local e uma onda de viajantes – especialmente jovens mochileiros – começam a ir para lá.

Mas qual é o problema disso? Segundo a diretora, apesar dos benefícios econômicos que o turismo pode trazer para comunidades, quando esse processo ocorre sem infraestrutura e planejamento, ele pode se transformar em um desastre para o meio ambiente e para os moradores do lugar: o lixo se acumula em locais abertos, grandes operadoras estrangeiras se apropriam do dinheiro que os turistas trazem, os preços de produtos básicos vão às alturas, animais mudam seu comportamento, e por aí vai.

“Se você der corda, eles não param”, diz um guia boliviano entrevistado no documentário, referindo-se aos turistas que chegam querendo tocar em tudo e chegar perto demais da fauna e da flora local.

O filme também mostra exemplos positivos, como um hotel administrado por comunidades indígenas na Bolívia e medidas restritivas tomadas pelo governo do Butão para evitar a chegada indiscriminada de visitantes.

“Após passarmos as últimas décadas fazendo o que nos dá vontade, é hora de mudar e perceber que viajar é um privilégio, e que nós somos hóspedes em outra cultura”, disse a diretora Pegi Vail em entrevista ao G1.

Pesquisadora do Centro de Mídia, Cultura e História da Universidade de Nova York, ela é uma viajante experiente: já esteve em 75 países; só ao Brasil já veio três vezes. Vail diz que pretende lançar o documentário no país, mas não tem previsão de data.

Turistas costumam ser conscientes do impacto ambiental, econômico e cultural que causam sobre o destino que visitam?

Pegi Vail: Raramente consideramos todos esses fatores porque quando viajamos estamos escapando da nossa rotina, e não queremos pensar em "responsabilidade”. Mas acho que, após passarmos as últimas décadas fazendo o que nos dá vontade, é hora de mudar e perceber que viajar é um privilégio, e que somos hóspedes em outra cultura. Como revela uma das turistas entrevistadas no documentário: quando ela viajou pela primeira vez, achou que seria "invisível", mas percebeu o quanto ela havia afetado as pessoas locais.

O turismo não pode fazer mais bem do que mal para um lugar pobre?

Vail - Podem acontecer as duas coisas. A chave é o planejamento de longo prazo. Se um lugar é destruído após anos de festas feitas por viajantes inconsequentes, que então partem e o trocam pelo próximo destino da moda, essas comunidades pobres vão sofrer. Ou se alguns operadores estrangeiros vierem e deixarem todo o dinheiro escoar para seus países de origem, isso não vai beneficiar os moradores.

Os países pobres e em desenvolvimento são os que mais sofrem o impacto negativo do turismo em massa?

Vail - Países em desenvolvimento normalmente têm muito mais desafios devido à falta de recursos financeiros. Eles têm menos infraestrutura para lidar com a carga de visitantes quando o destino começa a se tornar popular, então isso pode sobrecarregar as comunidades.

É fácil notar o impacto negativo do turismo não planejado na paisagem natural. Mas que tipo de impacto cultural os visitantes têm sobre os moradores de um destino?

Vail - Em algumas áreas os habitantes mencionaram o aumento do uso de drogas entre seus jovens devido a influências (por exemplo, em Van Vieng, Laos, agora considerado um destino para festas), enquanto outros reclamam de turistas andando pelados em lugares onde a discrição cultural não aprova esse comportamento. Há muitos outros exemplos.

Mas, ao mesmo tempo, temos que ter cuidado para não sermos paternalistas sobre o que e como nós, turistas, influenciamos os locais, já que as pessoas também fazem suas escolhas sobre que querem incorporar a suas vidas. Apenas elas têm que ser capazes de dizer que escolhas são essas e os turistas têm que ser conscientes disso.

Mochileiros normalmente pensam que são mais integrados a um destino, e causam menos impacto sobre ele, do que turistas que ficam em hotéis confortáveis. Podemos assumir, pelo seu filme, que isso não é bem verdade?
No fim, somos todos turistas, chamemo-nos de mochileiros ou de outros nomes. Ainda somos hóspedes nas "casas" daqueles que visitamos. E pessoas são pessoas, então sempre vai haver uma porcentagem de turistas que é mais prejudicial do que outras em todo tipo de viagem, seja uma pessoa jovem viajando com baixo orçamento, o turista de massa ou o viajante de luxo. E o interessante é qualquer que seja o orçamento dos mochileiros durante uma viagem, a maioria vem da mesma classe social que os turistas comuns, então eles são muito mais similares do que pensam. Apesar disso, viajar de forma independente e com recursos limitados em lugares fora do circuito tradicional sempre vai facilitar gastar localmente

Você já foi mochileira?

Viajei muito, com orçamentos e estilos variados, por 75 países até hoje. Nos meus 20 e 30 anos, ia de forma independente, como mochileira, então sou muito familiarizada com essa subcultura. Foi essa minha experiência com viagens que inicialmente me impeliu a fazer o filme, além do meu trabalho de pesquisa em antropologia sobre a política econômica do turismo e o papel das histórias dos viajantes para o desenvolvimento do setor.

É possível administrar bem a chegada de grandes grupos de turistas com a preservação da natureza e da cultura de um lugar? Que soluções você vê para a questão?
No documentário, mostramos que o Butão fez a escolha de limitar o número de turistas com base nos efeitos negativos que eles observam nos vizinhos Nepal e Tailândia. Eles fazem isso estipulando uma taxa diária de US$ 250 que basicamente corta os viajantes econômicos e mesmo os de orçamento médio. Alguns discordam dessa política, mas foi a solução encontrada pelo governo para prevenir um potencial impacto negativo ambiental e cultural.

Há também várias iniciativas que tentam beneficiar as comunidades dos destinos, como um hotel ecológico administrado por indígenas na Bolívia e um projeto na Tailândia que promove tours em vilas de pescadores e áreas tribais beneficiando realmente a comunidade e preservando o meio ambiente.

Em relação ao lixo que os turistas deixam, países como Ruanda baniram o uso de sacolas de plástico. A diferença em sua paisagem é incrível. E não estamos falando de um país rico.

No Brasil temos tours em favelas. O que acha desse tipo de passeio?

Essa é uma grande questão que tem se tornado cada vez mais importante em tempos recentes desde o advento dos tours de favela modernos, nas últimas duas décadas. Na verdade, esse tipo de passeio não é novidade. Em Nova York eles eram populares na virada do século passado e até antes. Enquanto o turismo de favela e pobreza tem crescido, e tem se tornado até uma atração 'obrigatória' em certos centros urbanos, como no Brasil, ou outros lugares como a Índia e a África do Sul, esse tipo de atividade levantou novas questões éticas. Enquanto muitos que são contra consideram que esse tipo de passeio promove exploração, há grupos que organizam os tours que têm membros das próprias comunidades visitadas que querem jogar uma luz sobre suas condições de vida enquanto as melhoram com os dólares do turismo. Por isso, se isso está na sua lista de coisa a fazer, pelo menos assesgure-se de que é com um grupo organizado de dentro da favela que irá beneficiar aqueles que serão visitados. 

Que dicas você dá aos turistas que querem viajar com responsabilidade?

Só algumas muito básicas, do senso comum. 1º: Independentemente do orçamento com o qual você viaja, não custa nada se informar sobre o destino para o qual você está indo e aprender o que fazer e o que não fazer no lugar. Isso pode ser feito por pesquisas online, por livros escritos por pessoas dessa sociedade ou ao menos lendo a seção de contexto no seu guia de viagem. 2º: Tenha em mente que você não é invisível; nós não apenas somos afetados pelas pessoas que visitamos pelos lugares, mas potencialmente exercemos um tremendo efeito sobre eles. 3º: Encontre iniciativas locais de turismo que vão beneficiar o ambiente e as comunidades que os operam e visite-as. Apoie iniciativas de ecoturismo com reputação sólida.

http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/

MAR DE MONET

"Trasporto di una barca, Honfleur" (1864)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

AO VIVO! E HÁ CORES!

Foto Ruan Mariano
As brumas do Pântano do Sul. Ou como diria a minha bisa: neblina que baixa, sol que racha! 

(Do Ruan Mariano )

O ESPLENDOR DESTRUÍDO


"Conheci Florianópolis em 1972. O mar, sobrevoado por gaivotas, chegava até a praça XV, no centro. Um cenário de assombro e êxtase. A Lagoa da Conceição era um exagero bíblico: a paisagem vista de cima funcionava como prova da Criação divina. Canasvieiras, de águas calmas em dias de verão inesquecíveis, com sua placidez e barcos, era melhor que qualquer filme ambientado no Paraíso. Minha mulher me levou para conhecer Ingleses e Santinho. Só existiam algumas casas de pescadores. O vasto areão até a praia era cenário de David Lean. As ondas imensas batiam na areia coalhada de conchas, que ciscávamos seletivamente. Tudo era monumental, magnífico, maravilhoso.

Sonhei em mudar para cá muitas vezes. Tentei em 1972, em 1981 e finalmente em 2003. Hoje Ingleses é um bairro caótico. O mar aqui do norte da ilha está tomado pela merda. Os pequenos e belos rios que deságuam no mar estão repletos de esgoto. Os turistas chegam para pegar diarréia e se apavorar com os preços, a sujeira do mar. É assim que nós, os brasileiros, fazemos com nosso patrimônio, o berço esplêndido de que nos fala o hino, e que gera ironias por ser confundido com preguiça, quando é conquista, História. Somos um país de atordoados, uma nação suicida. Um país continental que fecha todas as soluções de moradia e bem estar. A lama tóxica substitui a natureza.

Somos hoje uma fonte permanente de exílio. Ficamos tempo demais esperando melhorar, trabalhando duro, amando a língua e o chão onde pisamos. Só dispomos da memória. O presente é o terror. Exagero, poderão dizer. Tente um banho do mar sem adoecer. Saia de casa sem ser xingado por motoristas afoitos. Tente dormir com a barulheira ao redor. Procure produtos de qualidade sem esbagaçar seus rendimentos. Tente sobreviver no país que desterra seus filhos. Onde o dinheiro público é roubado na cara dura. Onde a música foi soterrada pelo ruído ágrafo. Onde o lixo mental e espiritual é incentivado como cultura.

Não se queixe, dirão. Não estou me queixando. Estou exercendo meu direito de dizer o que sinto e penso. Aqui neste país enterrei minha vida e luto para me manter à tona. Posso falar ou está difícil até para isso?

Como sobreviventes, nosso segredo é a esperança. Basta alguns gestos da administração pública, uma tomada de consciência da cidadania hoje em pânico, um entendimento nascido no convívio diário entre pessoas bem intencionadas e poderemos enfrentar o pior. Amar o que insistem em nos tirar. E dar o retorno, em grandeza, para a avalanche de pequenez que nos assola.


(Nei Duclós - poeta , jornalista...)

sábado, 9 de janeiro de 2016

MAR DE VERÃO


Confira a charge de Zé Dassilva para o DC deste fim de semana.

BARATO NO MAR!


Golfinhos se drogam usando toxinas do baiacu para ficarem em estado de transe, afirma registro inédito

Os golfinhos são conhecidos por serem dóceis e muito parecidos conosco em seu comportamento social.
O mais recente flagra mostra que não são apenas os bons hábitos que eles compartilham com os humanos.
Os cientistas ficaram chocados quando filmaram o comportamento antes nunca relatado. Para ficarem drogados e em estado de transe, eles usam as toxinas do famoso peixe baiacu.
Uma nova série de TV conseguiu fazer incríveis flagras desse comportamento. As cenas chocaram porque eles compartilham o peixe com outros golfinhos, como se estivessem reunidos para se drogarem. Os pesquisadores acreditam que eles usam as toxinas do baiacu – que são liberadas como uma forma de defesa – para obter prazer.
Eles empurram o peixe com seus focinhos e a toxina é liberada na água. Isso promove, quase instantaneamente, um estado de transe que faz com que os golfinhos fiquem flutuando na superfície da água, demonstrando “fascinação” com os resultados obtidos.
Eles foram flagrados usando o peixe e passando-o entre o grupo por mais de 30 minutos. Os cientistas notaram ainda que, ao terem o mesmo comportamento com outros peixes, os mesmos eram destruídos rapidamente, mas isso não ocorria com o baiacu.

A nova série da BBC vai mostrar o lado “nada bonito” dos golfinhos. Os especialistas dizem que este é o primeiro registro desse comportamento: “Nós vimos os golfinhos tocando cuidadosamente no baiacu exatamente como se faz quando estamos ordenhando vacas, tentando não perturbar excessivamente nem matar o peixe”, disse Rob Pilley, zoológico especialista em golfinhos em entrevista ao Daily Mail.

(Do http://www.jornalciencia.com/)

MANEMÓRIAS

Foto da antiga capela de São Pedro, no Pântano do Sul, antes da construção da torre, em 1960. A data original é 1884, mas em 1984, ela foi completamente demolida para a construção da atual, com estilo modernoso.

DE CAÇÕES E TUBARÕES!


Conheça 12 peixes marinhos ameaçados de extinção!

1. Cação-bico-doce (Galeorhinus galeus)
2. Cação-cola-fina, caçonete (Mustelus schmitti)
3. Tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus)
4. Cação-lixa, tubarão-lixa, lambaru (Ginglymostoma cirratum)
5. Tubarão-baleia (Rhincodon typus)
6. Peixe-serra ou cação-serra (Pristis perotteti)
7. Peixe-serra ou cação-serra (Pristis pectinata)
8. Raia-viola (Rhinobatus horkelii)
9. Cação-anjo-espinhoso (Squatina guggenheim)
10. Cação-anjo-liso (Squatina occulta)
11. Mero (Epinephelus itajara)
12. Cherne-poveiro (Polyprion americanus)

O tubarão-baleia, hoje o maior peixe do mundo, é uma das espécies marinhas ameaçadas de extinção.
( Do Oceana Brasil)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

VAMOS A LA PLAYA?

Relatório é feito em todo litoral de Santa Catarina 
Foto: Eduardo Gentil/DeOlhoNaIlha/Arquivo

Confira os pontos próprios e impróprios para banho em Florianópolis
40 locais estão em boas condições e 35 estão impróprios, de acordo com o relatório da Fatma

Deolhonailha: 08/01/2016


A Fatma divulgou nesta sexta-feira, 8, o primeiro relatório de balneabilidade de 2016 das praias do litoral catarinense. Clique aqui para ver o documento na íntegra.

Em Florianópolis, 40 pontos foram considerados impróprios para banho. Veja todos na tabela no fim da matéria. 

Para fazer o relatório, a Fatma conta com a ajuda do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, que coleta as amostras. Para dizer se um ponto é próprio ou impróprio para banho, é necessário comparar os resultados das análises feitas em amostras, coletadas cinco vezes consecutivamente.

O fator analisado é a presença da bactéria Escherichia Coli, presente em fezes de animais e humanos e que pode causar doenças, além de indicar a possibilidade de outros organismos que podem prejudicar a saúde do banhista. Quando em 80% das análises, a quantidade de bactérias ficou inferior a 800 por 100 mililitros, o ponto é considerado próprio.

Veja na lista abaixo o trecho do relatório que mostra a situação das praias da Capital: 








MANEMÓRIAS


Foto Ninguem Sabonome
Pantano do Sul - Verão de 1967

MARES DE PORTUGAL


porquê contar

começa um ano 
continua o tempo

por sobre a areia
nem pegadas
que o vento

das gentes pó
a areia o mar
a memória

fica o retrato a falar
do que perdi a conta

tempo houve em que
era assim
ainda é ainda é ainda

não conto nada
registo o que posso

(torreira; século XX)

o carregar das redes para secarem ao sol






LÁ NO FUNDO...


UM PEIXE QUE ANDA

A cabrinha (Triglidae) é um peixe que "caminha" pelo fundo, usando "pernas" formadas por raios das nadadeiras peitorais modificados. Quando visto de cima, parece uma mistura de peixe e caranguejo. Esta estrutura é muito útil para tatear a areia em busca de comida. As nadadeiras peitorais também são amplas e coloridas, como nos coiós.
Curta a página do INSTITUTO LARUS.
Ilha do Arvoredo - SC.
O Instituto do Larus conta com o apoio do Veleiro Amazonas III

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

NA PRAIA

Edi Roça e famiage no litorar

PRAIAS DE TODOS!


ACORDES DA ILHA

LÁ NO MEIO

Divulgação
Hotel Frying Pan fica a mais de 57 quilômetros da costa dos EUA

Que tal se hospedar no meio do oceano? Plataforma abandonada vira hotel nos EUA

Por iG São Paulo | 05/01/2016 11:09

Quem não quer acordar, abrir a janela do quarto e ter uma vista panorâmica do oceano? No hotel Frying Pan Tower, nos Estados Unidos, o Oceano Atlântico é praticamente a única coisa que os hóspedes conseguem ver - isso porque ele está localizado em uma plataforma abandonada pela Guarda Costeira norte-americana, que fica a mais de 57 quilômetros da costa de Cape Fear, na Carolina do Norte.

A plataforma, construída em 1964, foi abandonada ainda nos anos 1970 e leiloada pelo governo americano em 2010, quando o engenheiro eletrônico Richard Neal adquiriu a estrutura já 
pensando em transformá-la em um hotel
.
Divulgação
Para chegar até o hotel, o turista precisa pagar por uma viagem de helicóptero ou barco

Por cerca de US$ 500, o turista pode se hospedar por duas noites em um dos oito quartos do Frying Pan - ideal para quem busca um refúgio "no meio do nada" para relaxar nas férias e ficar em contato direto com a natureza.

Para chegar até o hotel, o turista precisa pagar por uma viagem de helicóptero ou barco. No entanto, apesar da localização bastante remota, o Frying Pan oferece alguns confortos como chuveiro com água quente, eletricidade e até mesmo internet wi-fi.

Além de aproveitar a vista do mar aberto, os hóspedes também podem descer da plataforma e curtir o oceano para praticar o mergulho e observar a vida marinha de perto.

Com a ajuda de empreiteiros e voluntários, Neal ainda está reformando o hotel, que tem uma decoração bastante rústica e parecida com a usada originalmente durante os anos em que a estação serviu de base para a guarda costeira.



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

domingo, 3 de janeiro de 2016

HOJE - DOMINGO





MAR DE POETA


FIZ UM SINAL

O que é o mar, se não abismo
porção de sal em sol de açúcar
corte de Netuno numa escuna
cruzeiro solitário na penumbra

Palavra vã, mar, que se propunha
a naufragar o barco da aventura
confusa ao dar a volta ao mundo
capitania usurpada por bandeiras

Fiz um sinal e o mar então abriu-se
para eu passar com a lei da poesia
atrás vinha contrita a natureza

O maná me foi negado, comi areia
gotas de granito no deserto
quem é o mar senão um crime



(Do ebook VERSO ESPARSO)


NUM PEDACINHO DE TERRA...



sábado, 2 de janeiro de 2016

MAR DO ROGÉRIO DIAS


Do Rogério Dias

LULAS CÁ!



LULAS COMEÇAM A CHEGAR NAS ILHAS
Em nossa expedição submarina desta semana, realizamos mergulhos noturnos onde constatamos a presença de vários grupos de lulas. Elas chegam nesta época e ficam até meados de fevereiro. As fêmeas estão repletas de ovos. Há alguns anos, uma postura de lula foi localizada no sul da Ilha de Santa Catarina, o que indica que elas vem para se reproduzir. O Instituto do Larus conta com o apoio do Veleiro Amazonas.
Curta a página do INSTITUTO LARUS.

OLHANDO ILHAS...


Que em 2016 as Gaivotas e os Arubus continuem a conviver pacificamente...