domingo, 30 de outubro de 2016

E A PRAIA VOLTOU...

Foto: Adriana Santhiago Carvalho Adam / Especial

Maré faz Avenida Atlântica virar faixa de areia
Causa foi a ressaca deste fim de semana
A maré alta mudou a paisagem da Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú, neste fim de semana. O mar cobriu de areia a pista e se debruçou sobre ela. A causa foi a ressaca, mas a brincadeira foi inevitável: teria a natureza decidido fazer o engordamento da faixa de areia por conta própria?O fenômeno é causado pela influência de um ciclone extratropical, associado à chamada maré de sizígia (na lua nova). 

Em Itajaí o nível ultrapassou 2 metros, segundo indicação da Praticagem em Itajaí _ um índice inédito nos últimos tempos. A elevação no nível das águas levou ao fechamento temporário do ferry boat, que faz a travessia entre Itajaí e Navegantes. 

A maré atingiu ruas na região central e nos bairros, nas áreas mais baixas da Murta, Cordeiros e Imaruí. No Imaruí, os Bombeiros foram chamados para auxiliar no resgate de um homem com dificuldades de locomoção, que faz uso de muletas. A água chegou a quase meio metro de altura dentro de algumas casas. 

A orla de Navegantes, na região do Bairro Gravatá, teve provavelmente o maior estrago na região. O calçadão foi destruído pela força da maré, e a rua foi tomada pelas pedras. O trânsito no local precisou ser interditado.
(Do www.clicrbs.com.br)

LÁ & CÁ - MAR INVADE PRAIAS

Mar invade a ponta da praia de Santos – nível visivelmente elevado .

ISSO NÃO É RESSACA


Mar invade a cidade de Santos e confirma previsões quanto à elevação do nível dos oceanos face à mudança do clima

Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro

É a terceira vez, só neste ano de 2016, que a orla de Santos fica embaixo d’água.
Não se trata de mera ressaca. É elevação mesmo, do nível do mar, na região.
Hora observar o que a ciência tem avaliado, para planejar as contingências.

Dois estudos, um internacional e outro, realizado pela própria academia santista, apresentaram dados firmes no sentido de que o nível do mar no litoral santista não está imune à elevação do nível dos oceanos em todo o globo terrestre.

NorteAmericanos confirmam a elevação do nível do mar.

Segundo estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America – PNAS, o nível dos oceanos aumentou mais rapidamente a partir do século passado do que durante os últimos três milênios.

Entre 1900 e 2000, o nível dos oceanos e dos mares subiu cerca de 14 centímetros. Esse aumento tem tudo a ver com o degelo polar, especialmente das geleiras do Ártico.

O estudo calculou que sem o aumento das temperaturas globais, observado desde o início da era industrial, o aumento do nível dos oceanos teria chegado a, no máximo, metade do que chegou no século XX.

Puro efeito da mudança do clima em curso no planeta.

O século passado “foi extraordinário, em comparação com os últimos três milênios e o aumento dos oceanos” (o nível do mar) acelerou inclusive nos últimos 20 anos”, apontou Robert Kopp, professor adjunto do Departamento de Ciências da Terra da Universidade Rutgers. As análises tiveram por base um novo enfoque estatístico desenvolvido pela Universidade Harvard – os oceanos diminuíram 8 centímetros entre os anos 1000 e 1400, período marcado por um esfriamento planetário de 0,2 grau Celsius.

Ocorre que a temperatura média global é, atualmente, 1 grau Celsius mais elevado que no final do século, e deverá aumentar ainda mais nos próximos anos.

Para determinar a evolução do nível do mar durante os últimos três milênios, os cientistas compilaram novos dados geológicos, indicadores de subida das águas, pântanos e recifes de coral, e sítios arqueológicos.

Eles também usaram os levantamentos de dados de marés em 66 locais em todo o mundo durante os últimos 300 anos. A tendência é ocorrer aumento de 51 centímetros a 1,3 metros, no nível do mar, se não houver redução do ritmo de aquecimento global.



Força das ondas contínuas, altera perímetros e arrasta, para o que antes eram avenidas, peixes, barcos e devolve o lixo…

ONU confirma o fato

O IPCC – painel científico intergovernamental da ONU, informou em seu estudo, que temperaturas não subam mais do que 2 graus acima da era pré-industrial. Se estes compromissos levarem a uma eliminação gradual do carvão e hidrocarbonetos, o aumento do nível dos mares não será maior que 24 a 60 centímetros, de acordo com o estudo.

“Os novos dados sobre o nível do mar confirmam mais uma vez que este período de aquecimento moderno é incomum, pois se deve a nossas emissões de gases de efeito estufa”, afirmou Stefan Rahmstorf, professor de oceanografia no Instituto de Pesquisa sobre Impacto Climático de Potsdam, na Alemanha. Estes dados “mostram que o impacto mais perigoso do aumento das temperaturas é o aumento dos oceanos, o que já está bem avançado”. “O gelo derrete mais rapidamente quando as temperaturas sobem, é física básica”, brincou Stefan.

Outros estudos apontam no mesmo sentido. Neles, há que tenha afirmado que sem o aquecimento global desde o início da era industrial e seu impacto sobre a subida dos oceanos, mais de metade das 8000 inundações no leste dos Estados Unidos desde os anos 1950 não teriam ocorrido.

Por óbvio, são as zonas costeiras habitadas, que estão abaixo o no mesmo nível do mar, as particularmente vulneráveis – em especial as banhadas pelo oceano atlântico.



Simulação da ocupação da cidade de Santos pelo mar, com a elevação do nível do oceano

Universidade santista responde

O Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH) da Universidade Santa Cecília (Unisanta) está pesquisando a ocorrência de ressacas do mar nas praias paulistas, desde a década passada.

A Unisanta, aliás, já alertou sobre possível invasão do nível do mar em Santos, devido ao aquecimento global, em 2009.

A atividade da universidade, feita em parceria com a Praticagem, visa dar maior segurança à navegação, aos tripulantes, aos passageiros de navios e aos moradores da Cidade, em áreas sobre efeitos das marés, fornecendo previsão de ressacas com até três dias de antecedência para a região.

Conforme as pesquisas, divulgadas desde 2009 pelo NPH-Unisanta, o aumento do nível do mar previsto pelos cientistas, se confirmado, será de maneira lenta e gradual, permitindo o seu acompanhamento e providências para amenizar e evitar possível caos urbano.

No entanto, é preciso planejar agora obras de contenção.

A universidade já elaborou até mesmo um mapa, com um prognóstico sobre as ruas e bairros que poderiam ser alagados.

Três cenários de alagamentos

Com base das previsões do IPCC: de 0,5 centímetros; 1,0 e 1.50 metros, em relação ao nível máximo atual, até o fim do século, a Unisanta traçou, em 2009, com detalhes, como se daria o alagamento de bairros e ruas santistas.

As “ressacas” de 2016, ao que tudo indica, estão demonstrando o acerto parcial do mapa.

No pior dos cenários previstos no estudo, o mar subiria 1,50 metros e a Ponta da Praia, o Canal 3 e o Porto seriam os locais mais afetados. De fato, foi ali que se deu o maior volume de estragos nas últimas “ressacas”.

Os cenários anteciparam possíveis efeitos provocados pela elevação do nível do mar em 0,5 centímetros; 1,0 e 1,5 metros, sempre com referência ao nível máximo atual nas marés de sizígia, ou seja, seriam as áreas alagáveis quando houver marés altas (ver áreas azuis nas imagens).

“Em qualquer um dos cenários, é preciso considerar não apenas o efeito dos alagamentos. Deve-se sempre levar em conta o efeito das ondas, que será muito destruidor, mesmo sem grandes ressacas, pois está na sua constância (várias por minuto) este poder de danificar o que encontrar no seu caminho. Os jardins seriam destruídos assim como o pavimento, calçadas das ruas, as garagens e pátios dos prédios seriam invadidos pelas águas e ondas, enfim, o caos”, adverte a pesquisa santista.


Garagem totalmente inundada – estruturas costeiras em perigo.

Hora de agir

A Região Metropolitana da Baixada Santista precisa iniciar programas de contingência, emergência e reurbanização. É preciso reuniar engenheiros, arquitetos, oceanógrafos, defesa civil e analistas jurídicos, para buscar soluções urbanísticas e arranjos institucionais compatíveis com o que poderá ocorrer nos próximos anos, a continuar essa tendência destruidora a cada “ressaca”, que parece, efetivamente, não um movimento ocasional e periódico mas a ponta de um processo de “ocupação” do espaço pelo mar.

Não se trata, obviamente, de um problema localizado. É uma questão nacional. Santos hospeda o maior complexo portuário da América Latina, é o ponto central de escoamento das exportações e porta de entrada de todos os produtos que interessam ao mercado nacional.

A região metropolitana de Santos é de uma importância econômica ímpar e a concentração populacional é das maiores do Brasil.

Assim, é hora de cobrar planejamento sério, engenharia, excelência nas pesquisas e administrações que pensem nos habitantes e, não mais, nos interesses partidários de ocasião.

Fontes:
http://www.pnas.org/content/108/27/11017.abstract?sid=41043fe4-8ed5-4ca4-8e01-022022765221
http://santaportal.com.br/12012-unisanta-realiza-pesquisas-sobre-invasao-do-nivel-do-mar-em-santos-desde-2009
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2016/02/aumento-recente-do-nivel-do-mar-e-o-maior-em-3-mil-anos-diz-estudo.html

*Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Sócio diretor do escritório Pinheiro Pedro Advogados, integra o Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional. Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB, membro da Comissão de Infraestrutura e Sustentabilidade e da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo (OAB/SP). Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal. Responde pelo blog The Eagle View.

(Do http://www.ambientelegal.com.br/)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

PESCA ILEGAL

Foto Divulgação Ibama

Ibama apreende carga de mais de uma tonelada de peixe ameaçado de extinção
Carregamento de cherne poveiro iria de Porto Belo a Santos

por Dagmara Spautz

O Ibama Itajaí apreendeu na madrugada desta sexta-feira uma carga de mais de uma tonelada de cherne poveiro, peixe ameaçado de extinção que tem a captura proibida. O carregamento foi localizado durante uma operação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), no posto de Barra Velha. 

Os fiscais do Ibama interceptaram veículos de carga _ o carregamento de cherne foi encontrado em uma van utilitária.
 Foto Divulgação Ibama
O pescado é de Porto Belo, e estava sendo levado para Santos. O dono dos peixes será multado entre R$ 20 mil e 30 mil. Toda a carga está sendo doada para o projeto Mesa Brasil, que a distribuirá em entidades assistenciais do Estado.

Nos últimos três meses, o Ibama Itajaí já resgatou mais de 50 toneladas de pescado irregular na região.
(Do www.clicrbs.com.br)

JACK O MARUJO


- Por que demoram tanto as suas viagens, capitão?
- A verdade é que me perco, disse Jack o Marujo. Minha bússola quebrou e não leio mais as estrelas. Quando aporto, é pura sorte. Ou então, são os mapas que ainda lembro.

LÁ NO FUNDO...


ESPONJAS AMARELAS
As cores variam muito, tem azuis, vermelhas, roxas... mas tirando a cor, estas esponjas são muito parecidas. Funcionam como um grande filtro, que separa o alimento da água.

Ilha Moleques do Sul - Florianópolis, SC.

Curta a página do INSTITUTO LARUS.

NAS ANTIGAS...

Barcos e canoas à vela ou a remo transportavam mercadorias entre o continente e a ilha. Nesta foto de 1903, quando a ponte Hercílio Luz não existia, dezenas deles no centro da cidade.

MAR DE PESCADOR


Foto: National Geographic

Pesca com bombas no mundo, triste realidade

Pesca com bombas no mundo: uma prática banida continua desafiando o bom senso

Recente matéria da National Geographic (dezembro de 2015), mostra o que acontece nas águas da Tanzânia para desespero das pessoas de bom senso. A pesca com bombas mata peixes, e destrói o meio ambiente marinho.

A matéria da NG diz queespalhados em águas rasas do Oceano Índico, ao largo da Tanzânia, encontram-se fragmentos de recifes de corais mortos. Por quê? Porque pobres pescadores da Tanzânia estão usando explosivos, de forma ilegal, para matar centenas de peixes em segundos. Especialistas acreditam que, na Tanzânia, a pesca com bombas está ocorrendo a taxas sem precedentes, em parte porque um boom de mineração e construção tornou mais fácil para as pessoas colocar as mãos em dinamite. Bombas de garrafas, feitas com querosene e fertilizantes, também são usadas.
Enquanto isso, no Brasil…
E ainda tem gente, especialmente no Brasil, que jura que “as populações tradicionais, e ou, a pesca artesanal, são sustentáveis“. Este é o mote dos “socioambientais”. No Brasil eles foram premiados pela Lei do SNUC, que criou uma categoria de (des) Unidade de Conservação especialmente para as populações tradicionais: as famigeradas RESEX.

Pesca com bombas na Ásia…

Assista o vídeo da pesca com bombas no Líbano:

Agora nas Filipinas…

Apesar do alerta de um vídeo da televisão inglesa informando que “o arquipélago das Filipinas é tão rico em biodiversidade que tem mais espécies que a Grande Barreira de Corais”, a pesca com bombas também é pratica corriqueira. Mata peixes, destrói corais, e mutila pescadores.

E de novo no país de Macunaíma…
No Brasil a pesca com bombas é prática corriqueira. Até hoje o ‘eficiente’ Ibama não conseguiu impedi-la nos igualando à Tanzânia, Líbano e que tais…
( Do http://marsemfim.com.br/)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

AVISO AOS NAVEGANTES!

ALERTA GERAL
🔴Alerta da Defesa Civil Santa Catarina e da EpagriCiram para quinta-feira, sexta-feira e sábado:

➡O mar estará agitado, com previsão de ondas altas, ressaca e alagamentos no Litoral de Santa Catarina.🌊
➡O vento de sul intenso e persistente é que deixará o mar muito agitado a grosso com ondas altas e picos que podem chegar a 5,0 m, trazendo risco para atividades de navegação e pesca no litoral.
➡O mar agitado a grosso traz risco de ressaca na área da costeira catarinense, especialmente ao sul de Itajaí.
➡Essa condição associada à maré astronômica pode ocasionar alagamentos isolados, também nas áreas mais baixas da costa catarinense, como: Rod. Diomício Freitas, Centro de Eventos – CentroSul, praias do Sul da Ilha de Santa Catarina, Avenida Atlântica de Balneário Camboriú, Barra Velha, Araranguá, Laguna, Itajaí, Joinville, Tijucas dentre outros. Os alagamentos podem ocorrer até o domingo.
Acompanhe as previsões no site da Epagri Ciram http://ciram.epagri.sc.gov.br/ e da Defesa Civil SC defesacivil.sc.gov.br.

E Desterro virou Florianópolis...

Desterro do século retrasado - Tela de Victor Meirelles - Rua João Pinto, antiga Rua Augusta.
Óleo sobre cartão - 33,9 x 49,2 - Coleção Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro.


A pequena cidade de Desterro, que em 14 de outubro de 1893 havia se transformado na capital do Governo Revolucionário Federalista, menos de um ano depois tem seu nome trocado. Com o enfraquecimento da revolução federalista e o seu final, Floriano Peixoto - o Marechal de Ferro - então Presidente da República, manda para a cidade o sanguinário coronel Moreira César como governador provisório da província. Moreira César persegue, prende e manda fuzilar quase 200 federalistas da cidade.
Logo em seguida, no dia 8 de setembro de 1894 são realizadas eleições para governador e vice, sendo eleitos Hercílio Pedro da Luz e Polydoro Olavo de S. Thiago, respectivamente. Hercílio Luz toma posse no dia 28 de setembro e dois dias depois, dia 1 de outubro de 1894, o Congresso Representativo muda o nome da cidade para Florianópolis, para homenagear aquele que tinha mandado massacrar e fuzilar quase 200 de seus moradores.
Ainda hoje, grande parte dos moradores da cidade se recusam a usar o novo nome, preferindo chamá-la de Ilha de Santa Catarina.

MOTOR DE PANO

Este filme foi gerado com imagens captadas de forma amadora, e entrevistas conduzidas por Miguel Sávio de Carvalho Braga, nos anos 2010-2012, durante desenvolvimento de sua tese de doutorado intitulada: "Embarcações a vela do litoral do estado do Ceará: construção, construtores, navegação e aspectos pesqueiros". Imagens e sons obtiveram o consentimento dos envolvidos.

A CURA NO MAR


Fármacos marinhos, seu imenso e desconhecido potencial

A maioria dos fármacos em uso clínico ou são de origem natural ou foram desenvolvidos por síntese química planejada a partir de produtos naturais. Segundo estimativas da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), o Brasil hospeda entre 15 e 20% de toda a biodiversidade mundial, sendo considerado o maior do planeta em número de espécies endêmicas. Remédios vitoriosos contra a psoríasis; um inibidor irreversível de fosfolipase; o combate ao Herpes e a AIDS; todos foram sintetizados a partir de organismos marinhos.

Estas informações estão no estudo Biodiversidade: Fonte Potencial para a Descoberta de Fármacos, do professor Eliezer Barreiro (Departamento de Fármacos, Universidade Federal do Rio de Janeiro). E são apenas a ponta do Iceberg.
Foto: SAPO Lifestyle

Programa BIOTA- FAPESP

Lançado em 1999, um dos objetivos do programa é avaliar as possibilidades de exploração sustentável de plantas ou de animais com potencial econômico do estado de São Paulo.

O BIOTA-FAPESP envolve mais de 1.200 profissionais (900 pesquisadores e estudantes de São Paulo, 150 colaboradores de outros estados brasileiros e 80 do exterior).

Entre os vários objetivos está…

a prospecção de novos compostos de interesse econômico em microrganismos, fungos macroscópicos, plantas, invertebrados (inclusive marinhos) e vertebrados.
Mas há outros programas, como o BIOTA + 10 que compreende diversos estudos, entre eles Biodiversidade e Saúde Humana: como a fragmentação da paisagem afeta a distribuição da malária? E o que acontece com a paisagem do litoral senão sua progressiva e apressada destruição? Quanto isso pode custar para nós? Quantos fármacos marinhos ainda estão por serem descobertos?
A procura de fármacos marinhos no mundo

Na Espanha, há 40 anos, existe o Iberian Symposium on marine biology studies; no Chile, a Sociedad Chilena de Ciencias del Mar, promove congressos latino-americanos para estudar os organismos marinhos com potencial econômico; em 2017 a União Internacional para a Química Pura e Aplicada (IUPAC, da sigla em inglês), promoverá em São Paulo o 46º World Chemistry Congress com o mesmo objetivo; nos Estados Unidos, em 1888, foi criado o National Center for Biotechnology Information (NCBI), parte da United States National Library of Medicine (NLM), e braço do National Institutes of Health. Objetivo? O mesmo citado.
O câncer e os fármacos marinhos

Outro trabalho, de autoria de Letícia Veras Costa- Lotufi; Diego Veras Wilke; Paula Christine Jimenez, e Rosângela de A. Epifanio, do Laboratório de Oncologia Experimental e Instituto Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, de 2009, informa que

A indústria farmacêutica representa o setor investidor principal das etapas de ensaios pré-clínicos e clínicos no processo de P&D de fármacos, o que, de certa forma, determina quais moléculas têm potencial para atingir o mercado. Os custos envolvidos nesse processo são extremamente elevados, podendo envolver gastos da ordem de 2 bilhões de reais (900 milhões de dólares), no caso de fármacos anticâncer. 

E prossegue o estudo…

Nos últimos anos algumas companhias foram fundadas com o objetivo de desenvolver novos fármacos com protótipos de origem marinha. É o caso daPharmaMar, fundada em 1986 e, hoje, uma divisão do grupo Zeltia, que nos últimos 20 anos investiu mais de 1,2 bilhão de reais (420 milhões de euros) na pesquisa em fármacos de origem marinha com potencial para tratamento do câncer. A PharmaMar conta com uma coleção de mais de 65.000 organismos marinhos, de onde já foram isoladas 700 novas entidades químicas e 30 novas famílias de substâncias já foram descritas. Vale ressaltar que atualmente existem 3 substâncias em fase pré-clínica e 5 em fase clínica de testes, sendo que a trabectedina (ET-743, Yondelis®) foi recentemente aprovada pela Comissão Européia para o tratamento de sarcomas de tecidos moles em pacientes refratários a antraciclinas e ifosfamida.
O AZT, remédio para AIDS; outro para Leucemia; um terceiro combate o Herpes; todos vieram do mar

O estudo ‘Fármacos de Vêm do Mar‘, de Lúcia Beatriz Torres, informa…

A primeira verdadeira descoberta oriunda das profundezas do mar, remonta ao início dos anos 50, a partir do trabalho de Bergman e colaboradores. Uma substância química, a espongouridina, encontrada em uma esponja marinha coletada no mar da Flórida, nos EUA, mostrou-se particularmente eficaz para combater certas formas de leucemia. Com base nessa substância, especialistas da área da Química Medicinal formularam sinteticamente análogos que resultaram na descoberta de dois fármacos. O citarabina, usado no tratamento da leucemia mielóide aguda e o vidarabina, um antiviral, prescrito para tratamento da herpes

Prossegue o mesmo estudo…

Uma contribuição ímpar de produto natural marinho, servindo como fonte de inspiração para o desenvolvimento de fármacos sintéticos, partiu da mesma substância encontrada na esponja marinha estudada por Bergman. A espongouridina serviu de molde molecular para a criação de um derivado sintéticoque originou o azidotimidina, o AZT, primeiro recurso terapêutico para a Síndrome da Imuno-deficiência Adquirida (AIDS).

(Do http://marsemfim.com.br/)

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

MAR DE OLHETES

Cardume de Olhetes (Seriola lalandi)
Ilha Moleques do Sul - Florianópolis - SC.

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TEM NEVE NA PRIMAVERA


Previsão é de Neve “histórica” para São Joaquim no dia 28 Outubro

Segundo o Climaterra uma imensa frente fria deverá atingir a Serra Catarinense nos próximos dias fazendo com a temperatura despencar vertiginosamente até a -1°C.

E alguns modelos de previsão do tempo, em especial o modelo americano, já indica o frio intenso que deverá se transformar em um belo espetáculo de neve já no amanhecer de sexta-feira dia 28 de Outubro de 2016.

Ainda de acordo com o Climaterra isto é algo inusitado para a época a a última vez que isto ocorreu foi em 1942 durante o ápice da segunda Guerra Mundial.

A impressionante janela da neve de Outubro em São Joaquim deverá se abrir durante a madrugada e amanhecer de sexta-feira 28 em São Joaquim.
(Do http://saojoaquimonline.com.br/)

domingo, 23 de outubro de 2016

TERRA E CÉU!


Ocean Meets Sky, de  Terry Fan
 Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu
(Fernando Pessoa) 


sábado, 22 de outubro de 2016

CATADORES DE BERBIGÃO

Foto Valdemir Cunha
Berbigão: vulgo vôngole

Não fossem os açorianos e os italianos, este molusco nativo talvez jamais fizesse parte da alimentação do brasileiro. Os pescadores da baía de Florianópolis agradecem

por Xavier Bartaburu
 O berbigão é um molusco presente em todo o litoral brasileiro. Mas só os pescadores de origem açoriana de Florianópolis tornaram-se especialistas em sua coleta. O berbigão é um molusco presente em todo o litoral brasileiro. Mas só os pescadores de origem açoriana de Florianópolis tornaram-se especialistas em sua coleta. Cerca de 90% do vôngole servido em São Paulo vem daqui.
Começou com os açorianos, lá pelo século 18. Chegados à Ilha de Santa Catarina, eles descobriram, no fundo da baía, fartas colônias de moluscos que em muito se pareciam aos do outro lado do Atlântico. Pela semelhança, botaram-lhe nome português: berbigão. E dele fizeram ingrediente fundamental para os dias de lestada, quando o vento leste revirava o mar e impedia os pescadores de sair em busca de peixe. Cabia às mulheres, naquela ocasião, garantir o de comer: durante a vazante, metiam-se na baía com água nas canelas a catar os berbigões enterrados no lodo. Com eles, preparavam ensopados. Era, portanto, refeição à toa, para se matar a fome em tempo de míngua.

Foi assim, discreto e modesto, que o berbigão (Anomalocardia brasiliana) entrou na alimentação brasileira. Não que não seja consumido em outras partes do país – a espécie é comum em todo o litoral –, mas foi em Florianópolis, graças aos açorianos, que o molusco ganhou certa relevância culinária. Não muita, diga-se: manchado pelo estigma de ingrediente sobressalente, o berbigão atravessou os séculos rejeitado pelas elites, que o tinham como uma espécie de primo pobre e insípido das ostras e mexilhões. Sobreviveu como recheio de pastel, desses de comer na praia.

Maior respeito tiveram-lhe os napolitanos, que, ao chegar em São Paulo, descobriram no berbigão o substituto ideal para os moluscos do Mediterrâneo. Pela semelhança, botaram-lhe nome italiano: vôngole. E dele fizeram o protagonista de um clássico, o espaguete ao vôngole, ainda hoje item quase obrigatório das cantinas mais tradicionais da capital. Mal sabem os paulistanos que ali, nas mesas da cidade, garante-se o sustento de dezenas de famílias no sul do país, descendentes dos mesmos açorianos que há dois séculos descobriram o berbigão nas águas enlameadas da baía de Santa Catarina.

“Noventa por cento do vôngole de São Paulo vem daqui”, assegura o chef Ubiratan Farias, também ele descendente de açorianos e principal articulador da valorização do berbigão no país. E, por “daqui”, entenda-se uma pequena área da Baía Sul conhecida como Baixio da Tipitinga. Lá, os berbigões, além de particularmente copiosos, encontram as condições perfeitas para crescer e se reproduzir: águas rasas, de pouca turbulência, onde a areia do mar se mistura ao lodo do mangue. É ali que eles se enterram, metade da concha para fora, alimentando-se do banquete de nutrientes carregado pela maré.

“Daqui pra lá tem berbigão de fora a fora”, aponta André Rodrigues de Sá, de pé na popa da canoa, com a mão espalmada sobre a baía. E o homem sabe o que diz: faz três décadas que ele e as irmãs gastam suas manhãs no mar, catando moluscos. É a principal fonte de renda da família. Saem de três a quatro vezes por semana, sempre na maré baixa. Mesmo que, às vezes, isso possa acontecer antes de o sol raiar. Quando é assim, lá vão André e as irmãs, às quatro da matina, enfiar os pés nas águas geladas do Atlântico Sul, de onde só voltarão horas depois, com pelo menos 150 quilos de berbigão no barco.

Foto Valdemir Cunha
Para extrair o berbigão do fundo da baía, os coletores usam uma gaiola de ferro conhecida como "gancho". Em cada puxada, podem vir até 30 quilos do molusco - 

Houve já tentativas de reproduzir o molusco em cativeiro, coisa que até agora não se deu. A atividade permanece, portanto, puramente extrativista e artesanal. Toda a tecnologia resume-se a um apetrecho conhecido como gancho ou rastéu, que consiste numa gaiola de ferro (ou de aço) acoplada a um cabo de madeira, semelhante a um ancinho. De gancho na mão, os coletores arrancam, numa puxada só, até 30 quilos de berbigão do fundo da baía. Graças ao espaço entre as barras, apenas os moluscos adultos, com mais de 2 anos de idade, são capturados. Os mais jovens, menores, escorregam pelas frestas de volta ao leito, para garantir a reprodução da espécie.

O gancho, sozinho, pesa 20 quilos. Somados os berbigões e outro tanto de cascalho que costuma vir na gaiola, considere no mínimo 50 quilos de peso a cada puxada. Como explica Aristides Raulino, pescador há mais de 40 anos, “quem trabalha com berbigão tem vida curta”. Imagine que, pelos limites estabelecidos na área, cada coletor pode extrair até 230 quilos de berbigão in natura por dia. A média diária, claro, geralmente é inferior, mas o suficiente para comprometer a saúde física do sujeito. “Eu mesmo não tenho mais coluna. Nem braço”, diz Aristides.

Por causa do berbigão, o Brasil ganhou, em 1992, sua primeira Reserva Extrativista Marinha, a do Pirajubaé – 1700 hectares do estuário do Rio Tavares, ao sul de Florianópolis, foram destinados à coleta do molusco. Metade é área de mangue, que tem o importante papel de fornecer a matéria orgânica que dará origem ao lodo do qual o berbigão se alimenta. No manguezal vive também, em casebres de madeira, a maior parte das 23 famílias que hoje estão vinculadas à reserva, como é o caso de André. Já Aristides mora num rancho de pescadores nas imediações, fora da unidade, de frente para a baía, de onde sai com o barco para pescar tainhas, corvinas, bagres e outros peixes. Como se verá mais adiante, está cada vez mais difícil depender só de berbigão.

Somada a produção de todas as famílias da reserva extrativista, tiram-se mil toneladas de berbigão por ano das águas de Florianópolis. Embora as mulheres também participem da coleta, a divisão do trabalho nas casas e nos ranchos é clara: tão logo os moluscos chegam do mar, cabe à esposa, às filhas ou às irmãs do pescador prepará-los para a venda ou para o consumo. Enquanto isso, os homens se encarregam de serviços como lavar o barco ou limpar o motor. Como diz Maria Aparecida da Luz, mulher de Aristides, “depois que ele tá aqui, a responsabilidade é minha”. Há não muito tempo, ela inclusive levava os berbigões à peixaria, num carrinho de mão.

Uma vez em terra firme, os berbigões vão direto para o batedor, uma espécie de peneira de ferro suspensa onde o cascalho é eliminado e os bichos são lavados até que o lodo se desgarre da concha. Ali também os pequenos são separados dos grandes – ou “grados”, como são chamados por aqui. Esses são os que seguem para São Paulo, ainda na casca, geralmente vendidos a empresas ligadas ao comércio da ostra na região. Rebatizados de vôngoles e acomodados em caixas de isopor, os berbigões chegarão à capital paulista ainda vivos, menos de 24 horas depois de ter deixado o mar, prontos para enriquecer os espaguetes da cidade.
(Da National Geographic Brasil)

OUTROS MARES...

Camelos em Cable Beach, na Austrália.
Foto de Ron De'Ath, selecionada no concurso "Ao redor do mundo em 80 dias.

MANEMÓRIAS

Mercado de cerâmicas no centro da cidade. Em algum final de século perdido na memória.
Foto Ninguemsabe Dequem.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

LÁ DE CIMA...


Enseada do Pântano do Sul!

OUTROS MARES,OUTROS SONS...

Banda Xaxa do Xexe

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre


MAR DE CIMA

Foto Fernando Alexandre
A LÍNGUA DO PARAÍSO
"Os guaraos, que habitam os subúrbios do Paraíso Terrestre, chamam o arco-íris de "serpente de colares" e de "mar de cima" o céu. O raio é o "resplendor da chuva". O amigo, "meu outro coração". A alma, o "sol do peito". A coruja "o amo da noite escura". Para dizer bengala, dizem "neto contínuo"; e para dizer perdoo, dizem "esqueço"."

(Eduardo Galeano, em “Os Nascimentos”  - "Memória do Fogo" - Vol. 1 - L&PM Editores - 1996)