domingo, 30 de setembro de 2018

MAR DE VAN GOGH

The Beach of Scheveningen, August 1882. Oil on paper on panel, 35.5 x 49.5 cm. Minnesota Marine Art Museum , Winona.
Foto Fernando Alexandre
Lua alumia, 
mas não aquece
(Dito Popular)

MAR DE POETA


O pássaro azul

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí, quer acabar
comigo?
quer foder com minha
escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na
Europa?

há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.

depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?

(in Textos autobiográficos, de Charles Bukowski, páginas 478/9. Tradução de Pedro Gonzaga. Porto Alegre, L&PM Editores, 2009.)

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

DE CARAVELAS, NAUS E GALEÕES


Portugal foi nos séculos XIV, XV e XVI o primeiro a iniciar a idade da descoberta, um século antes de Espanha e dois séculos antes de Inglaterra e Holanda.

Durante a época dos Descobrimentos, ousados e intrépidos marinheiros com nomes como, Bartolomeu Perestrelo, Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira, Diogo de Silves, Diogo de Teive, Gonçalo Velho Cabral, Gil Eanes, Afonso Gonçalves Baldaia, Nuno Tristão, Dinis Dias, Álvaro Fernandes, Diogo Gomes, António da Nola, Duarte Pacheco Pereira, Antão Gonçalves, Pedro de Sintra, João de Santarém, Pedro Escobar, Lopo Gonçalves, Fernando Pó, Gaspar Corte Real, Miguel Corte Real, Álvaro Martins Homem, João da Nova, Fernando Noronha, António Saldanha, Gonçalo Álvares, João Fernandes Lavrador, Pêro de Barcelos, Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, António Abreu, Francisco Serrão, Simão Afonso Bisagudo, João de Lisboa, Estevão Fróis, Cristóvão de Mendonça,(1) Gomes de Sequeira, Lourenço de Almeida, Tristão da Cunha, Afonso de Albuquerque, entre muitos outros, (2) partiram em águas desconhecidas em busca do desconhecido.

Portugal país pequeno, que nesses séculos pouco mais que um milhão de habitantes teria, tornou-se, graças aos sacrifícios, engenho e arte de marear dos seus gloriosos marinheiros, na primeira potência marítima global.
(1)
Cristóvão de Mendonça foi quem cartografou e mapeou a Áustrália em 1524/25. Esta importante descoberta foi mantida em segredo por causa da cobiça e por não termos gente suficiente para a povoar. Foram já encontradas provas da nossa estadia, através de artefactos de pesca, de dois canhões e de outros achados provenientes de Portugal. Já depois da nossa chegada a Timor em 1511, consta-se que o navegador António de Abreu, teria navegado até a essas terras, denominadas Ilha do Ouro.

(2)

Na longa lista dos ousados marinheiros acima mencionada, há que notar também os feitos heróicos de mais dois cujos nomes todo o mundo conhece. Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães. Apesar dos seus relevantes serviços terem sido prestados à Espanha, é de referir que todos os seus conhecimentos náuticos, foram feitos em Portugal.

DANDO NOME...

Fotos Fernando Alexandre
No Pântano do Sul

sábado, 29 de setembro de 2018

NA JANELA...

Foto Fernando Alexandre

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Na lida - Pântano do Sul

OS FARÓIS E SEUS GUARDIÕES


OUTROS OLHARES...

Foto de Geraldo Cunha

Dunas do Pântano do Sul!

ESPORÃO DE BAGRE E O BADEJO DO MAL


Música autoral da banda catarinense Esporão de Bagre, uma composição de Helio Calandrini. 
Guitarra e Voz: Helio Calandrini, Tuba: Elisson Wilamil, Harmônica: Nestor "Green Blues", Bateria: Matheus Passos, Baixo: Tiago Alves.

DUNAS? PRA QUE SERVEM?

As dunas cercadas do Ceará
Praia da Baleia, litoral oeste do Ceará, dunas são cercadas

Dunas e suas funções como ecossistema e proteção costeira

Durante a primeira expedição do Mar Sem Fim, entre 2005 – 2007, estivemos no Ceará. Conversamos com o diretor do Instituto de Ciências do Mar, Labomar, Luis Parente Maia. A conversa girou em torno das dunas, tão freqüentes, e importantes, na paisagem de toda a zona costeira nordestina, mas não só dela. Só no Ceará são 295 quilômetros quadrados de dunas móveis, e 135 de dunas fixas.

Qual a importância das dunas?

Bem, por serem extremamente porosas, absorvem muita água, por isto são a principal fonte de água doce do litoral do Ceará. Elas são ainda uma importante proteção contra a força das marés, temporais, ressacas, e outros fenômenos climáticos. Devem ficar livres da interferência humana porque interagem com o ambiente e suas areias circulam, caem no leito dos rios, e são novamente trazidas para as águas do mar, e de lá para as praias, num movimento constante e dinâmico.

A formação das dunas

“Os sedimentos arenosos são transportados ao longo do tempo geológico e por isso as dunas têm idades variadas. Assim sendo, a princípio as correntes marítimas carregam grande quantidade de areia, depositando-as nas praias. Quando estes sedimentos estão secos, tem-se o início do trabalho de transporte realizado pelo vento, que os modela e os fazem acumular nas partes mais elevadas das praias.”

A especulação imobiliária

Mas este mesmo ecossistema é um dos mais ameaçados pela especulação, e a indústria do turismo. No litoral do Ceará empresas colocam cercas em áreas de dunas gigantescas, e afiam suas garras para, vencida a batalha pela posse da área, construir dezenas de hotéis de grande porte justamente em cima delas.
Na praia da Baleia, litoral oeste do Ceará, há uma cerca de quase cinco quilômetros de extensão com placas de projetos turísticos. Trata-se de uma área comprada há vinte anos, ao que parece, por um grupo italiano. Nela pretendem construir vinte e sete hotéis cinco estrelas! Quem nos falou sobre isto foi o professor Jeovah Meireles, da Universidade do Ceará. Segundo ele o Eia-Rima para este empreendimento, omite que a área pertence a uma comunidade indígena, os Tremembés. Na região existem quatro cemitérios desta etnia. Segundo Jeovah Meireles, a cerca começa na praia da Baleia, e vai até as margens do rio Mundaú, uma das mais belas regiões de todo o litoral cearense.

Dunas são APPs, Áreas de Preservação Permanente

Mas não é só. Mundaú é mais uma APP, Área de Preservação Permanente, por ser formada por dunas, e ter ainda lagoas, pequenos canais etc. Um ecossistema de biodiversidade exuberante, e de subsistência para as comunidades da região.
A linda paisagem de Mundaú

Mas em Mundaú querem erguer mais quatro hotéis de luxo. Precisa tanto? Não me parece. Temo pelo futuro do deslumbrante litoral oeste do Ceará. E percebo que no meio acadêmico há controvérsia. Alguns acham que o processo de ocupação tem anomalias, mas está sob controle. Outros afirmam exatamente o contrário e acusam os primeiros de estarem a serviço de grandes grupos, prestando serviços, ou assessoria. E você, arrisca um palpite? Na última viagem do Mar Sem Fim estivemos novamente em Mundaú. Não, os hotéis não foram construídos. Mas conseguiram detonar a beleza das dunas instalando em cima delas enormes torres eólicas. Precisava?
…agora destruída pela instalação das torres eólicas

Espírito Santo

Chegamos em Riacho Doce no começo da tarde. Nossos últimos quilômetros foram feitos em chão batido já que o asfalto só chega até Barra da Conceição . De lá pegamos uma estradinha que leva inicialmente até Itaúnas, pequena cidade que ainda guarda o traçado original dos jesuítas, em forma de Quadrado, com uma igreja numa ponta e as casas em volta. Ali pudemos ver novamente a resposta da natureza ao mau uso da terra. A antiga vila de pescadores foi coberta por dunas de até 30 metros de altura e teve que mudar de lugar. De tanto cortarem a vegetação que as fixava, a areia acabou enterrando as casas, como nos explicou a professora Jacqueline Albino.
Itaúnas: onde as pessoas caminham havia antes uma vila de pescadores. Foi soterrada.

Maranhão

A UC, com seus 150 mil hectares, tem o tamanho da cidade de São Paulo. O campo de dunas, imenso, pode atingir até 25 quilômetros de extensão da praia para o interior. E algumas atingem até 40 metros de altura. O conjunto é de arrepiar. Bonito, exótico, diferente. O colorido é outro atrativo. Na melhor época para as visitas, de maio até outubro, é muito raro não ter um céu aberto, sem nuvens, de um azul espetacular. As lagoas, com água muito limpa, são formadas pelas chuvas (que ocorrem de dezembro até maio) e pelo afloramento do lençól freático.
A beleza dos Lençóis Maranhenses

O nome Lençóis vem do fato das dunas, com suas curvas sinuosas e alturas diferentes, lembrar um lençol estendido na cama. Sua formação, incomum pelo tamanho, deve-se à proximidade do Delta do Parnaíba que fica ao lado.

Litoral do Rio Grande do Sul
De Torres até o final da restinga que separa a Lagoa dos Patos do mar, a planície costeira gaúcha foi ‘premiada’ com reflorestamentos feitos em áreas de dunas. Para tanto os alagados, atrás das dunas, foram drenados! Esta ação desastrada trouxe duas sérias implicações. A vegetação que fixava as dunas frontais na costa do estado, morreu sem a água. Agora quando entra o ‘nordestão’ suas areias voam para o interior. Ao mesmo tempo, um sem-número de animais, especialmente mamíferos, anfíbios e répteis que habitavam as áreas úmidas, diminuiu drasticamente.
Construir em cima de dunas dá nisso…Balenário do Mernegildo, RS

O Parque Nacional da Lagoa do Peixe, RS

A área do Parna da Lagoa do Peixe tem 34.400 hectares (algo como 70 mil campos de futebol). Ele é formado por dunas móveis, praias, banhados, falésias, mata de restinga, e uma lagoa. A paisagem é de tirar o fôlego. E além disso, é frequentado por milhares de aves num frenesi gastronômico bem na sua frente. Algumas vêm do Alasca, como os maçaricos, por exemplo. Outras voam da Patagônia até o Parna, são os flamingos. Ali as aves se alimentam, para em seguida retornarem a seus locais de origem. Mas as lagoas do parque estão sendo assoreadas em razão do fim da vegetação que cobria as dunas.
As dunas do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, RS

Deslocamento de dunas no litoral brasileiro

“Há áreas bastante ameaçadas pelo avanço ou deslocamento das dunas, como por exemplo em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, Mangue Seco na divisa dos estados da Bahia e de Sergipe e Itaúnas no Espirito Santo. Isso modifica e destrói todo o ecossistema adaptado as essas localidades, além de sujeitar os seres humanos a graves perigos.

Dunas, importante ecossistema

“São consideradas importantes ecossistemas por abrigarem uma diversidade biológica impar, composta por uma flora rica em espécies e uma fauna constituída por insetos, répteis, anfíbios, pequenos mamíferos e por algumas espécies de aves marinhas que utilizam as dunas para construírem seus ninhos.”

Fontes: www.marsemfim.com.br; https://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-das-dunas-costeiras-e-o-caso-das-dunas-no-balneario-cassino-rio-grande-rs/20969#ixzz50gj3yuDW; http://www.portalsaofrancisco.com.br/geografia/dunas.

(Via https://marsemfim.com.br/)

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

MAR -CAIS



luzes no mar 
estrelas errantes 
cansadas de navegar
(Fernando Alexandre)

TEMPO DE CAMARÃO

Foto Divulgação
 Camarão Bebum

Camarão descascado - 50/60 unidades
1 colher de sopa de azeite de oliva
1 colher de chá de alho triturado
1/2 xícara de cebola em gomos
50ml de conhaque
8 unidades de azeitona preta
Sal a gosto
4 gomos de limão
Salsinha batida para decorar

Modo de preparo

Colocar o azeite na frigideira e acrescentar o alho até dourar. Em seguida, acrescentar o camarão e dourar. Retirar a frigideira do fogo, colocar o conhaque e flambar, deixando evaporar todo o álcool. Acrescentar a cebola, as azeitonas, o sal e a pimenta. Para finalizar, decorar com a salsinha batida e servir com pão de alho.

MAR DE CAYMMI


MAREGRAFIAS

Foto Léia Senem

PREVISÃO DO TEMPO

" Os urubus tão fazendo canzola.
Ai meu deugi, é mau tempo!"
Fotos Fernando Alexandre
Previsão do Gilson, pescador, ao olhar pro céu do Pântano do Sul ontem à tarde. Não deu outra! 

DENTRO DA CATEDRAL



Fotos de Clark Little, ex-surfista americano, que utiliza uma câmera capaz de obter até dez fotos por segundo, de dentro de ondas que variam entre 90 cm e 4,5m. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

GAIVOTAS


Foto Olhando Decima
Do crespo mar azul brancas gaivotas
Voam - de leite e neve o céu manchando,
E vão abrindo às regiões remotas
As asas, em silêncio, à tarde, e em bando.

Depois se perdem pelo espaço ignotas,
O ninho das estrelas procurando:
Cerras os cílios, com teu dedo notas
Que elas vêm outra vez o azul furando.

Uma na vaga buliçosa dorme,
Uma revoa em cima, outra mais baixo...
E ronca o abismo do oceano enorme...

Cai o sol, como já queimado facho...
Do lado oposto espia a noite informe...
Tu me perguntas se isto é belo?... e eu acho...


(Luis Delfino)
Um poeta quase inédito

Luís Delfino dos Santos (Desterro, 25 de agosto de 1834 — Rio do Janeiro, 31 de janeiro de 1910) foi um médico, político e poeta brasileiro considerado um dos mais importante de Santa Catarina, ao lado de Cruz e Sousa. Morou em sua cidade natal até os dezesseis anos de idade, mudando-se em seguida para o Rio de Janeiro, onde se formou em medicina em 1857. Não publicou nenhum livro em vida, o que fez com que sua obra quase se perdesse no tempo. Sua poesia, de rima e métrica consideradas perfeitas, era publicada freqüentemente em jornais e revistas da sua época, o que o fez conhecido como poeta. Foi eleito pelos colegas escritores "Príncipe dos Poetas Brasileiros" em 1898. Foi chamado também de "Victor Hugo brasileiro". Sua obra é imensa - escreveu mais de cinco mil poemas - e foi publicada em quatorze livros por seu filho, Tomas Delfino dos Santos, entre 1926 e 1943.

MAR DO CESAR MARCHESINI


E O SIRI MOLE? UMA DELÍCIA!

 Postado por Manuela Luiza 

O siri é aquele crustáceo que permanece na lembrança das pescarias de infância de todos nós. Ou então, na lembrança não tão boa assim de quem já teve algum pequeno incidente em uma praia durante um momento de lazer. Pisar em um siri ou levar uma beliscada de suas garras, que às vezes grudam pra valer, é no mínimo desagradável. 

Mas a carne deste crustáceo marrento é muito saborosa e apreciada na região de Laguna. Seu comportamento voraz, de manter-se agarrado a sua presa, facilita a captura. Esta particularidade fez da pesca do siri uma das mais diversas com relação ao tipo de petrecho. É possível capturá-lo até mesmo com as mãos, se houver coragem e jeito suficiente. Seja de linha de coca, tarrafa, espinhel ou covo, pegar siri é muito mais fácil do que comê-lo. Durão como ele só, a carapaça tem que ser quebrada para retirar a carne. Mas e se pudéssemos comer o siri com casca e tudo?

Como um bom crustáceo, o siri realiza a muda, ou seja, a troca periódica da carapaça. Quando o siri começa a crescer, ele abandona a sua carapaça antiga para que uma maior seja formada e o permita crescer ainda mais. Durante as poucas horas em que o siri fica sem sua "armadura", ele fica totalmente mole e vulnerável. Está aí nosso siri mole, fácil de ser consumido, e ainda mais saboroso.
 As técnicas dos pescadores para capturar o siri neste período foram estudadas e hoje o cultivo de siri mole já é realizado em alguns lugares do mundo, inclusive no Brasil. Muitos dos cultivos ainda retiram os siris do ambiente, mas o cultivo de siri mole mostra-se promissor, ainda que a reprodução em cativeiro tenha alguns gargalos, como o canibalismo nas fases iniciais. 

No Complexo Lagunar do Sul de Santa Catarina duas espécies chamadas de siri-azul são exploradas pela pesca: Callinectes sapidus e C. danae. C.sapidus encontra-se ameaçado e é umas das espécies estudadas para o cultivo no Brasil. Esta espécie possui uma ampla distribuição mundial e é conhecida por seu grande tamanho, tornando-se assim muito interessante para a produção de siri mole. 
A grande sacada da produção de siri mole está no seu valor agregado. O alto preço do siri mole pode garantir uma proteção para espécies ameaçadas, e maior renda com uma captura menor. Porém, como toda atividade, é necessário responsabilidade ambiental. Investimentos em estudos para a completa reprodução em cativeiro com menor mortalidade podem garantir uma preservação de estoques no futuro. 

Assista o vídeo e veja o processo de muda no siri.

Para comprar siri mole, entre em contato com a Siri Mole Blueshell de Blumenau, a única empresa produtora de siri mole em cativeiro do Brasil.

(Do Observatório Tecnológico de SC - Pesca - http://www.observasc.net.br/pesca/index.php/noticias/cultivo/)

TARDE INDO, NOITE SENDO!

Foto Fernando Alexandre
Crepúsculo de primavera - Pântano do Sul

ACHAQUE NO MAR CONTINUA...

Milícia explora venda de camarão no Litoral do Rio de Janeiro. na foto, pescador legal tora o sustento do mar. Foto Marcelo Regua / Agencia O Globo Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

Milícia lucra R$ 1, 2 milhão com pesca de camarão rosa em período proibido no litoral do Rio
Marcos Nunes

No litoral do Rio de Janeiro, a milícia marítima não explora apenas a cobrança de taxas para permitir a pesca de quem não tem o Registro Geral de Atividade Pesqueira ou é flagrado pescando em período proibido. Na Baía da Ilha Grande e no mar de Angra dos Reis, na Costa Verde, há um outro tipo de negocio explorado por paramilitares. De acordo com pescadores e com uma fonte envolvida na fiscalização da pesca predatória, uma frota composta por pelo menos 20 barcos irregulares,que presta serviços para milicianos, foi utilizada nos meses de março, abril e maio últimos para pescar irregularmente o camarão rosa na região.


Na foto, um pescador tira um camarão da rede. Foto Marcelo Regua / Agencia O Globo Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

Protegido nos três referidos meses por conta do defeso (época de proibição da pesca para fins de reprodução), o crustáceo é capturado vendido por um preço médio de cem reais o quilo. O lucro com as vendas por cada embarcação, nesta época, chega a casa de R$ 60 mil. Levando em conta o número de embarcações da milícia, o dinheiro arrecadado pelo bando gira em torno de R$ 1, 2 milhão nos meses de captura proibida. A presença de barcos da milícia, que geralmente partem de pontos de Pedra de Guaratiba e de Sepetiba, na Zona Oeste, não é nenhum segredo e já foi comunicada oficialmente ao Ibama,encarregado de fiscalizar a pesca predatória.

— No início do defeso, em março, fizemos uma reunião com 30 representantes de pescadores e com o pessoal do Ibama. Os próprios pescadores reclamaram da presença de barcos irregulares pescando no defeso. O camarão rosa tem um valor comercial alto. Aqui em Angra dos Reis, são pescados de junho a fevereiro, cerca de cem toneladas do crustáceo. Nosso calculo é que pescadores de uma embarcação média lucrem, por mês, cerca de R$ 10 mil a R$ 20 mil, com a venda deste tipo de camarão . Da nossa parte nós fazemos conscientização dos pescadores legais para o defeso. A fiscalização não é nossa competência — disse Wagner Robson Meira , secretário da Secretaria de Agricultura, Aquicultura e Pesca de Angra dos Reis.

Um pescador, que pediu para não ser identificado, confirma que os barcos da milícia são cada vez mais frequentes no mar de Angra e da Ilha Grande .

— Nós respeitamos o defeso, mas os barcos da milícia aparecem e pescam à vontade com rede de arrasto. Matam desde camarão rosa até pexe miúdo. Pescam, mais ou menos, uns 300 quilos de camarão por noite. No defeso, é fácil encontrar eles por aqui. A coisa é perigosa —disse.

Procurada, a assessoria do Ibama disse que a fiscalização na região foi intensificada . Segundo o Ibama, resultados das operações de combate à pesca ilegal no litoral fluminense mostram que as autuações até o momento já superam o total do ano passado e que o volume de pescado e o número de barcos apreendidos também superam o total de 2016.

Já a Marinha do Brasil afirmou não ter nenhuma investigação sobre a presença de barcos da milicia no mar de Angra e da Ilha Grande, já que isso extrapola sua competência legal. No entanto, a Marinha afirmou ter parcerias com órgãos diversos, como Polícia Federal e o Ibama, e que está desenvolvendo o sistema de gerenciamento da Amazônia Azul, que já foi utilizado na segurança nos Jogos Olímpicos de 2016 . Ainda segundo a Marinha, foram planejados quatro centros e de comando no Rio de Janeiro.

(Do https://extra.globo.com/)

MAR DO SOLDA


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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

CAMPECHE - ÁGUAS DA PLANÍCIE

Redescobrindo a Planície do Campeche é uma Websérie em 5 episodios, filmada no morro do Lampião, Campeche, Florianópolis-SC. O escritor Hugo Daniel relata ao cineasta Ademir Damasco a história de cada espaço observado, aproveitando a vista privilegiada.

UM DEUS...



Foto Fernando Alexandre

Um Deus também é o vento
.....
um deus também é o vento
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar
.....
me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar
.....
a este deus
que levanta a poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro
.....
nele cresça
até virar vendaval

Paulo Leminski
(Caprichos e Relaxos - Editora Brasiliense)

MAREGRAFIAS

Foto Geraldo Cunha
Praia de Moçambique

ACHAQUE NO MAR

Pescadores da Baia de Guanabara começam a sofrer pressão de uma nova milícia. Praia das Pedrinhas, em São Gonçalo. Foto Custodio Coimbra Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

Milícia já cobra taxa de pescadores no litoral do Rio de Janeiro 

Marcos Nunes

Quem tira o sustento do mar está tendo que remar contra uma milícia que invadiu o litoral do Estado do Rio. São maus policiais que abordam embarcações para extorquir dinheiro daqueles que não têm o Registro Geral de Atividade Pesqueira (RGP). O documento é obrigatório para exercer a atividade de pesca profissional artesanal, mas está com a emissão suspensa pelo governo federal há três anos.
Na foto, Praia das Pedrinhas, na Baía de Guanabaraem São Gonçalo. Foto Custodio Coimbra Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O grupo criminoso, que teria ainda a participação de servidores federais de órgãos não identificados pelas vítimas, tem exigido de R$ 250 a mil reais para que os barqueiros não percam a sua rede, que custa cerca de R$ 4 mil. A propina também evita que o pescador seja levado para a delegacia.
A atuação desse grupo, que está sendo chamado de milícia marítima, não para por aí. Pescadores denunciam que eles também exigem dinheiro de quem joga a rede no período do defeso (época de proibição da pesca para fins de reprodução), o que é crime ambiental com pena de um a cinco anos de prisão, além de multa que varia de R$ 700 a R$ 100 mil.

Milícia cobra para permitir pesca na épioca do desfeso, no Litoral do Rio. Foto Custodio Coimbra Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

Neste caso, como existe a possibilidade de prisão em flagrante, o valor da propina aumenta, variando de R$ 2 mil a R$ 4 mil, dependendo da quantidade de pescado que já estiver no barco.

O Ministério Público Federal (MPF) determinou no último dia 11 a abertura de dois inquéritos para investigar a atuação da milícia marítima: um na esfera criminal, para identificar e prender os autores das extorsões, e outro na área cível, para tentar punir administrativamente os culpados.
Agência O Globo

A denúncia chegou ao MPF através de de um ofício da Comissão de Representação para Acompanhar o Cumprimento das Leis, da Assembleia Legislativa (Alerj), como antecipou Ancelmo Gois em sua coluna de ‘‘O Globo’’, na semana passada. No documento, o presidente da comissão, o deputado Carlos Minc (PSB), ressalta que o esquema tem a participação de agentes federais, mas exclui dele funcionários do Ibama e da Capitania dos Portos, responsáveis pela fiscalização no mar.

— Isso já vem ocorrendo há algum tempo. No período do defeso, os valores da propina dobram, e quem não paga tem o material apreendido e é detido. Os pescadores querem garantias e estão apavorados. Vários deles confirmaram para a gente que se sentem inseguros. Eles pediram ajuda — disse o parlamentar.

Uma das vítimas dos milicianos foi um homem de 48 anos, flagrado quando pescava camarão com amigos, de madrugada, na Baía da Guanabara. Além da falta do registro, era o período de defeso. Ele contou que policiais em dois jet skis abordaram sua embarcação e outros dois barcos, que foram levados, com a tripulação, para um cais junto à Favela Roquete Pinto, em Ramos, única comunidade do Complexo da Maré controlada por milícia. Segundo ele, os pescadores só saíram de lá com o sol a pino, após pagar R$ 3 mil para que não fossem presos e tivessem suas redes apreendidas.
— Exigiram R$ 3 mil para nos liberar. Fiquei com medo de perder tudo e ainda ir preso. Estava com uns dois quilos de camarão vivo. Pegamos nossos celulares e ligamos para alguns amigos. Fizemos uma “vaquinha” e conseguimos pagar o que eles queriam — denunciou o pescador, que está com o RGP vencido e não consegue renová-lo.

Outro pescador, de 50 anos, não conseguiu se livrar da rede de corrupção. Ele disse que foi abordado na Baía por policiais também em jet skis. Segundo seu relato, ele e os ocupantes de três outros barcos, que pescavam camarões, foram levados para um cais, numa comunidade da Ilha do Governador. Sem dinheiro para a propina, o pescador acabou indo parar na delegacia, onde foi autuado por crime ambiental, além de ter ficado sem o material de pesca.
— Na saída da delegacia, um dos policiais chegou e nos fez uma proposta. Disse que, para não sermos mais abordados, deveríamos pagar R$ 400 por mês cada um, sendo R$ 200 por quinzena. Pediu para transmitirmos o recado aos outros pescadores. Eu não aceito isso. Não tenho como pagar. Por isso, não tenho mais ido pescar. Estou tentando fazer fretes para sobreviver. Só não sei até quando vou aguentar essa situação — disse.
Os valores da propina cobrada pela milícia variam de acordo com a região. Em Angra dos Reis, pescar sem o registro sai mais caro. Na tabela da corrupção, a liberação de uma rede fica em R$ 500. Se houver uma segunda na mesma embarcação, o custo dobra. Na Baía de Guanabara, o material de pesca sai pela metade deste valor. Um pescador, que atua na Baía de Angra há 20 anos e pediu anonimato, contou que a quadrilha tem uma lista com os nomes de quem tem registro de pesca:
— Quem não está na lista tem de se acertar com eles. Geralmente, quando há flagrante, é o barqueiro quem recolhe o dinheiro dos tripulantes e acerta depois com os policiais — diz.
Segundo ele, também há extorsão em Itaguaí e na Ilha da Madeira. Outro pescador, que trabalha na Baía de Guanabara, saindo da Ponta D’Areia, em Niterói, e do Gradim, em São Gonçalo, disse que não consegue pescar se não pagar a propina.
— Às vezes, quando a embarcação chega ao cais, os caras já estão lá esperando para verificar se tem algum peixe proibido no barco (protegido pelo defeso) e se o pescador tem o registro. Se tiver algo errado, tem que pagar de R$ 250 a R$ 500 ou, então, perde tudo e ainda pode ser preso — disse um pescador.

A Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap) confirmou que a emissão do Registro Geral de Atividade Pesqueira (RGP) está suspensa desde 2015, por recomendação da Controladoria Geral da União (CGU) para correções que ainda estão sendo implantadas no sistema. O órgão esclareceu, no entanto, que uma portaria permite a pesca mediante a apresentação do protocolo do pedido de emissão do documento. Marizelha Carlos Lopes, integrante do Movimento dos Pescadores e das Pescadoras (MPP) do Brasil, no entanto, diz que os fiscais não aceitam esse protocolo:
— Cerca de 700 mil pescadores do país estão aguardando a emissão do RGP. Na prática, o protocolo não é aceito como licença de pesca nem para o recebimento do auxílio-defeso (pago aos pescadores no período em que a pesca fica proibida) — reclama Marizelha.
A CGU informou que estão sendo implantadas mudanças na emissão do registro porque foram constatadas irregularidades em 66% dos pedidos do benefício do seguro-defeso, concedido a quem tem o documento.

Já a Polícia Militar informou não ter recebido qualquer comunicação de desvios de conduta de seus agentes na Baía. O Ibama divulgou que apreendeu 33 barcos e 58.332 quilos de pescado no litoral do Rio este ano, mas não comentou a denúncia dos pescadores.

(Do https://extra.globo.com/)

MAR DO PAULO GOETH

Foto Paulo Goeth

E o Campeche aquarelou...

LÁ NO FUNDO


Direito de imagemREUTERS/PREFEITURA DE CASCAISImage captionRestos da embarcação e objetos localizados nas proximidades, segundo especialistas, estavam muito bem preservados

O navio português que naufragou há 400 anos e foi encontrado só agora

Uma embarcação naufragada há 400 anos encontrada na costa de Portugal vem sendo considerada a "descoberta da década" para a arqueologia subaquática do país.

Especiarias como pimenta, cerâmicas e canhões com o brasão de armas português gravado foram localizados perto dos destroços, nas proximidades de Cascais, cidade a 31 km da capital, Lisboa.

A equipe de arqueólogos acredita que o navio estava voltando da Índia quando afundou, entre 1575 e 1625.

Essa época foi o auge do comércio de especiarias de Portugal com a Ásia. 
A descoberta foi feita como parte de um projeto arqueológico de 10 anos apoiado pela cidade de Cascais, pelo governo e pela marinha portuguesa, bem como pela Universidade Nova em Lisboa.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, à CNN e à agência de notícias Reuters, o diretor do projeto, Jorge Freire, observou que ela é importante porque "diz muito", por exemplo, "sobre a história e identidade marítima de Cascais".

O especialista afirmou que o naufrágio - achado 12 metros abaixo da superfície - estava muito bem preservado e que os objetos encontrados e o próprio navio são de grande valor patrimonial.
"Do ponto de vista do patrimônio histórico, é a descoberta da década", disse Freire, para quem o achado "é o mais importante de todos os tempos" para Portugal.

"O reconhecimento da comunidade científica de que é a descoberta da década, do século, em termos de arqueologia marinha, é para nós uma grande satisfação", reforçou o prefeito de Cascais, Carlos Carreiras, em entrevista à CNN.
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Ao jornal britânico The Guardian, ele descreveu a descoberta como um dos achados arqueológicos mais significativos da última década e analisou que, embora o cargueiro ainda não tenha sido identificado, pode ser significativo para a cidade.

"É uma descoberta extraordinária, que nos permite conhecer mais sobre nossa história, reforçando nossa identidade coletiva e valores compartilhados", declarou Carreiras. "Isso, por sua vez, certamente nos tornará mais atraentes e competitivos".

Fragmentos de porcelana chinesa do final do século 16 e início do século 17 também estavam entre os destroços, assim como pedaços de artilharia de bronze e conchas usadas como moeda no tráfico de escravos.

A Câmara Municipal de Cascais disse que o navio foi encontrado no início de setembro, durante um serviço de dragagem na região da foz do rio Tejo, que desemboca em Lisboa. Os vestígios estão dispersos em uma área estimada em 100 metros de comprimento por 50 metros de largura.

O ministro da Cultura, Luis Mendes, disse que a foz do Tejo era considerada um ponto crítico para as embarcações que se aproximavam da costa portuguesa.

E que "esta descoberta veio para provar isso".

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(Do https://www.bbc.com/)



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