quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

DE CARA PRO AZUL

Foto Fernando Alexandre

NEM TODA MOQUECA É BAIANA!

Resultado de imagem para moqueca capixaba
MOQUECA CAPIXABA

• 1,5kg de peixe fresco (robalo, badejo,
• papa-terra, ou namorado)
• 3 maços de coentro
• 3 maços de cebolinha verde 
• 2 cebolas brancas (pequenas)
• 3 dentes de alho
• 4 tomates
• 3 limões
• azeite de oliva
• sementes de urucum
• pimenta-malagueta
• óleo de soja ou algodão
• sal fino

Modo de fazer: 

• Limpe bem o peixe, corte-o em postas de 5cm de largura, lave com limão e deixe-o em uma vasilha com água de sal fraca. Separe a cabeça para preparo do pirão. 

• Soque juntos o alho e o sal. 

• Em uma panela de barro (grande), coloque um pouco de óleo de soja ou de algodão (duas colheres) e azeite de oliva (uma colher) e adicione a massa obtida no socador, passando-a no seu fundo. 

• Retire as postas de peixe da vasilha com água e sal. Vire as postas de um lado para outro na panela, arrumando de modo que não fiquem umas por cima das outras. 

• Corte o coentro, o tomate e a cebola e coloque nesta ordem por cima das postas de peixe que estão na panela. Regue com azeite e suco de limão. 

• À parte, frite em um pouco de óleo quente uma colher (sopa) de sementes de urucum, depois de fritas, retire-as. Na hora de levar ao fogo para cozinhar, despeje um pouco deste óleo por cima do peixe, para dar cor. Quando começar a abrir a fervura, verifique o sal. Não ponha água, não vire as postas e cozinhe com a panela bem tampada. Vá verificando o paladar do sal e do limão. Deixe no fogo forte por 20 a 25 minutos. Balance de vez em quando a panela com auxilio de um pedaço de pano grosso para que as postas de peixe não agarrem no fundo. Quando for à mesa, salpique coentro picadinho. 

Como complementos da moqueca capixaba, são indispensáveis o arroz branco, o pirão e o molho. 
Vamos ao preparo:

Pirão
Use os mesmos temperos da moqueca, reduzindo-os à metade. Aproveite a cabeça do peixe ou uma das postas, previamente separada para este fim. Proceda da mesma forma, desta vez adicionando de três a quatro copos de água ao peixe. Quando estiver cozido, escorra e o desfie. Junte o peixe ao caldo novamente, deixe ferver e quando estiver no ponto máximo de fervura, vá jogando a farinha de mandioca, lentamente para não embolar, mexendo aos poucos com um garfo. Pronto o pirão, corte o coentro, e espalhe por cima antes de servir. 

Molho 
Amasse seis pimentas-malaguetas no suco de dois limões e três colheres de vinagre de boa categoria. Corte uma cebola em fatias bem finas, fazendo o mesmo com o coentro e as cebolinhas, misturando tudo à medida que for regando com o azeite. Se o molho ficar muito picante, coloque um pouco de água.

A MORTE DOS BOTOS

Desde o final de novembro, um surto do vírus tem causado a morte dos botos-cinza na Baía de Sepetiba e em Ilha Grande, no Rio de Janeiro.
Foto: Instituto Boto Cinza/Wikipédia.
Dragagem na baía de Sepetiba é suspensa devido a morte de botos-cinza

Por Sabrina Rodrigues* 

Atendendo a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro e em Angra dos Reis, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente decidiu, suspender por 15 dias, a dragagem da Vale S/A, na Baía de Sepetiba, local onde ocorre um surto do vírus morbilivírus, causador do óbito de quase 200 botos-cinza.

Desde o final de novembro, um surto do vírus tem causado a morte dos botos-cinza na Baía de Sepetiba, em Itaguaí, no Rio de Janeiro e em Ilha Grande. Os biólogos afirmam que a mortandade dos animais é consequência da degradação da Baía de Sepetiba, agredida pelo lançamento de rejeitos industriais, metais pesados e esgoto in natura. A morbilivirose, que não é transmitida para o ser humano, atinge o cérebro e os pulmões dos cetáceos, sendo mais fatal em bichos com baixa imunidade.

Na recomendação, o MPF deu um prazo de 72 horas para que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) revogasse espontaneamente a licença que concedeu em 2017 à Companhia Portuária Baía de Sepetiba (CPBS), até “a completa normalização” da situação.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

(Do http://www.oeco.org.br/)

LEVANTANDO FERROS

Fotos Fernando Alexandre

LUNAGENS





A lua é um D, você não vê?
Sobretudo quando míngua.
Ou quando enrola a língua,

E vira um cílio prata, um C,
Que no céu costuma se perder.
Mas, repare, como a mais antiga
TV, toda cheia de si, agora é um O.


( Rodrigo Garcia Lopes, em "Estúdio Realidade"- Ed. 7 Letras, 2013)

LUA DE ONTEM

 Foto©SérgioSaraiva

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

MAR DE LUAS

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Quarta-feira terá Superlua, Lua Azul e Lua de Sangue

Quarta-feira, dia 31, será um dia especial para os que curtem astronomia, quando três eventos lunares irão ocorrer. Haverá Superlua, Lua Azul e Lua de Sangue. Segundo o doutor em Física Marcelo Girardi Schappo, que é coordenador do projeto Astro&física do Instituto Federal de Santa Catarina, essa coincidência de eventos lunares não ocorre há mais de um século. 

Mas antes que alguns se animem achando que irão ver uma lua gigante avermelhada ou azulada é importante esclarecer o que significa cada fenômeno. A Lua de Sangue, por exemplo, é o efeito avermelhado provocado pelo eclipse lunar, porém as melhores regiões para observação desse eclipse são a Ásia e América do Norte. 

— É verdade que pode ser um pouco frustrante o fato do eclipse total não ser visível aqui em Santa Catarina, além da Lua não ficar azul e também não ser óbvio perceber, na noite de superlua, como ela está maior e mais brilhante. Mas esses eventos são um motivo interessante para reunir as pessoas, fazer uma observação do céu e tentar entender um pouquinho mais de astronomia da nossa casa no universo: o Sistema Solar — defende Schappo.

Entenda os fenômenos

Eclipse Lunar (Lua de sangue)

O eclipse lunar total ocorre quando a Lua passa pela região de sombra da Terra gerada pelo Sol. Quando isso acontece, fica com uma tonalidade avermelhada devido a efeitos da interação da Luz do Sol na atmosfera da Terra, antes de atingir a superfície da Lua. Graças a isso, essa ocorrência pode ser chamada de "Lua vermelha" ou "Lua de sangue".
O ápice do eclipse será no dia 31 de janeiro por volta de 11h30min da manhã, horário de Brasília, porém não será visível no Brasil. As melhores regiões para observação desse eclipse são a Ásia e América do Norte. 

Próximo evento: próximo eclipse Lunar visível aqui em SC será em julho deste ano. 

Superlua

A órbita da Lua em torno da Terra não é uma circunferência, e sim uma elipse. Isso faz com que a distância Terra-Lua varie ao longo da órbita. Quando existe uma coincidência entre a Lua estar no ponto mais próximo da Terra (chamado de perigeu da órbita) e também estar na fase cheia, isso se chama "superlua".
A distância média entre Terra e Lua é aproximadamente 380 mil quilômetros. Durante esta próxima superlua passa para 360 mil quilômetros. Para quem observa ainda é uma distância muito grande, mas, para a astronomia, é capaz de fazer com que a aparência da Lua fique com seu disco, aproximadamente, 27% maior e 14% mais brilhante do que ela estava 15 dias antes, ao passar pelo ponto de maior afastamento da Terra. 

Próximo evento: a próxima superlua irá ocorrer em dezembro de 2018.

Lua Azul

O intervalo de tempo que separa duas ocorrências sucessivas de Luas Cheias, quando ela fica com seu disco completamente iluminado pelo Sol, é de 29 dias e algumas horas. Então em um mês é possível que, eventualmente, ocorram duas luas cheias. A segunda delas é chamada de "Lua Azul".
Essa história de Lua Azul não significa que nosso satélite ficará azulado, mudará de cor ou coisa parecida. O nome vem de uma curiosidade histórica de uma época em que se davam nomes para as Luas Cheias de acordo com a época do ano. Para aqueles anos em que existiam 13 luas cheias, a terceira lua cheia da estação era chamada de "Lua Azul". 

Próximo evento: próxima Lua Azul será em 31 de março. Depois disso, só em 2020. 

(Fonte: Doutor em Física Marcelo Girardi Schappo)

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

SARILHOS

Imagem Paulo Tarso
Sarilhos - Lagoa Santo Antônio dos Anjos - Laguna SC

COMBATENDO O LIXO NO MAR

Combate ao lixo marinho é tema de curso gratuito da ONU. Foto: Flickr (CC)/Bo Elde

ONU promove curso online sobre como combater lixo marinho 

Quer conhecer estratégias para combater a poluição dos oceanos? Tem interesse em liderar pessoas e organizações que atuam pela defesa da vida marinha? O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) tem um curso para você. A partir de 29 de janeiro, a agência das Nações Unidas promove uma formação online e gratuita sobre iniciativas de sucesso para limpar o lixo dos nossos mares.

Quer conhecer estratégias para combater a poluição dos oceanos? Tem interesse em liderar pessoas e organizações que atuam pela defesa da vida marinha? O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) tem um curso para você. A partir de 29 de janeiro, a agência das Nações Unidas promove uma formação online e gratuita sobre iniciativas de sucesso para limpar o lixo dos nossos mares.

As aulas, oferecidas em espanhol, apresentarão estudos de caso e iniciativas bem-sucedidas, que podem ser adotadas e adaptadas por qualquer cidadão que deseje proteger a natureza, independentemente de sua profissão ou de onde mora.

A capacitação também trará informações sobre a Estratégia Honolulu, uma ferramenta de planejamento concebida pela ONU Meio Ambiente e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos para ajudar instituições a implementar projetos de recuperação e conservação de ecossistemas marinhos.

A primeira etapa do curso será uma formação em liderança e tem previsão de duas semanas de duração. Quem desejar continuar acompanhando as atividades, poderá seguir a segunda etapa — o curso para especialistas —, que deverá ser concluída em oito semanas.

Ao final das aulas, a ONU Meio Ambiente oferece um certificado de conclusão. Saiba como se inscrever clicando aqui.

O curso é fruto de uma parceria entre o organismo das Nações Unidas, a sua campanha #MaresLimpos, o centro de formação universitária online Open Universiteit, a Parceria Global sobre Lixo Marinho e o Programa Global de Ação para a Proteção do Ambiente Marinho de Atividades Terrestres.

(Do https://nacoesunidas.org/)

MANEMÓRIAS


Praia de  Itaguaçu, anos 70

PROTEÇÃO DO MAR

Isolado. Arquipélago de São Pedro e São Paulo tem base da Marinha desde 1998 
Foto Eduardo Nicolau/Estadão 

Brasil quer proteger 900 mil quilômetros quadrados de oceano 

por HERTON ESCOBAR - O ESTADO DE S.PAULO 

Novas unidades de conservação ao redor de arquipélagos elevarão cobertura de áreas protegidas no mar brasileiro de 1,5% para 25% 

SÃO PEDRO E SÃO PAULO - O Brasil está prestes a criar duas gigantescas áreas de proteção marinha, centradas nos dois pontos mais distantes de sua fronteira oceânica: o Arquipélago de São Pedro e São Paulo e a Cadeia Vitória-Trindade. Juntas, elas deverão proteger uma área do tamanho do Estado de Mato Grosso, com 900 mil quilômetros quadrados de mar aberto. 

Apesar do isolamento geográfico, as ilhas sofrem com impactos da pesca, poluição e mineração. Tratam-se de ambientes únicos, com formações geológicas diferenciadas e repletos de espécies endêmicas, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. 

Com a medida, o País garantirá com dois anos de antecedência o cumprimento da chamada Meta de Aichi, um compromisso internacional que demanda a proteção de ao menos 10% do território marinho de todas as nações até 2020. Hoje, essa cobertura no Brasil é de apenas 1,5%. Com as novas áreas protegidas, saltará para 25%. 

“É uma mudança de escala nos nossos esforços de proteção marinha”, disse ao Estado o secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro de Oliveira Costa. “O mundo está se voltando para o mar, e nós queremos nos voltar também”, destacou, citando iniciativas semelhantes por parte de países como Chile, Inglaterra e México. 

As propostas foram abertas para consulta pública nesta semana, no site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), como exige a lei. Audiências públicas estão marcadas para o início de fevereiro, no Recife (PE) e em Vitória (ES); e a expectativa é de que as unidades sejam criadas já em março. “Está tudo muito bem encaminhado”, garante Costa. A proposta tem apoio do Ministério da Defesa e da Marinha, que possui bases de operação nos dois locais. 

Rochedo 

O Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP) é um afloramento de rochas nuas que se erguem do assoalho marinho a mais de mil quilômetros do litoral do Rio Grande do Norte, 630 km além de Fernando de Noronha. 

A Marinha mantém uma pequena base na ilha principal desde 1998, como forma de garantir a soberania do País sobre o território. A proposta é transformar toda a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do arquipélago em uma Área de Proteção Ambiental (APA), de 430 mil km², na qual a pesca e outras atividades terão de obedecer a regras de sustentabilidade. Uma área mais próxima às ilhas, de 140 km², que já é APA, seria reclassificada como Monumento Natural (Mona), com regras mais rígidas de proteção - incluindo a proibição da pesca. 

“A área do arquipélago é muito pequena, então qualquer pesca lá pode ter um impacto enorme no ecossistema todo”, diz o pesquisador Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba. 

Cordilheira 

A Cadeia Vitória-Trindade (CVT) é uma cordilheira de ilhas e montes submarinos que se estende por mais de mil quilômetros desde a costa do Espírito Santo até a Ilha da Trindade e o Arquipélago Martin Vaz. Nesse caso, há três propostas na mesa, todas incluindo a criação de uma grande APA redonda, de 472 mil km², centrada na Ilha da Trindade, mais uma ou duas áreas protegidas menores, classificadas como Monumento Natural, ao redor de ilhas e montes específicos. 

“Nosso foco é no topo dos montes submarinos, que são os ambientes mais sensíveis e de maior biodiversidade”, diz o pesquisador Hudson Pinheiro, da Academia de Ciências da Califórnia, que elaborou um diagnóstico da proposta para o ICMBio. “São ecossistemas únicos, que precisam ser protegidos.”

(Do  http://sustentabilidade.estadao.com.br/)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O BARATO DOS GOLFINHOS

Golfinhos entram em transe após ingerir substância alucinógena expelida por baiacus. Um documentário produzido pela britânica BBC1 e exibido pela estadunidense PBS descobriu que, além de outras semelhanças com os seres humanos, os golfinhos da espécie Tursiops truncatus (conhecidos como golfinhos nariz-de-garrafa) também tem o hábito de ingerir substâncias entorpecentes para se divertir e relaxar. Encontrados também nos mares do Brasil, a espécie ocorre entre a costa nordestina e o RS.

MAR DE VERÃO

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Recuerdos de un verano: o que faz de Floripa o destino dos argentinos nas férias
Por

Canasvieiras, Florianópolis, tarde de uma sexta-feira qualquer de janeiro. O chavão que diz que "turista vai para a praia todo dia, não importa o tempo" pode ser comprovado na prática. Chove que é uma beleza e na estreita faixa de areia às margens do mar não cabe mais ninguém. Vendedores de biquínis, picolé, calções, queijo coalho, cangas, espetinho, redes, sanduíche, óculos escuros, bebidas e bijouterias disputam espaço com veranistas que não estão nem aí para as previsões do tempo. Pela descrição, parece a visão do inferno. Para os argentinos, é o paraíso.

— É nossa sétima vez en Brasil, terceira acá. É maravilhoso, mesmo quando está lloviendo. Las personas son todas muy atenciosas — diz Ricardo Ruben Fruhald, 66 anos, lata de cerveja na mão, sentado sob o guarda-sol que hoje o protege do temporal.

O dono de lotérica que veio de carro de Quilmes (na região metropolitana de Buenos Aires) com a esposa, o filho, a nora e o neto se refestelar na região do norte da Ilha é um dos 1,5 milhão de hermanos esperados pela Santur durante esta temporada. Sim, é isso mesmo que você leu. Pela estimativa da companhia responsável por promover os produtos turísticos de Santa Catarina, a quantidade de pessoas do país vizinho que visitarão o Estado no verão equivale a quase um quarto da população catarinense.

O número corresponde também ao triplo dos habitantes da Capital e é 15 vezes superior à população de Balneário Camboriú, os dois destinos mais procurados. Claro que essa turma toda não vem no mesmo dia nem fica na mesma cidade. Ainda assim, é gente pra caramba — o que leva à desconfiança de que a projeção esteja exagerada e não passe de chute das autoridades competentes. O presidente da Santur, Valdir Walendowski, explica como foi feito o cálculo:

— A gente está em contato constante com operadoras de turismo, companhias aéreas e viações de ônibus de lá. Com base na expectativa de venda de pacotes e passagens que eles nos fornecem, mais a média do fluxo de carros que atravessam nossas fronteiras terrestres, estipulamos um número. Sem falar dos veículos que entram pelo Rio Grande do Sul, por exemplo, porque não temos como saber se eles virão para cá.

A despeito da precisão duvidosa, uma coisa é inegável: como tem argentinos, atraídos por ações da Santur (campanhas publicitárias, participação em feiras), indicação de amigos, câmbio favorável ou simplesmente pelas — que o digam os gaúchos — mais próximas praias lindas. Até março, eles transformam a costa catarinense em um desfile de veículos com placas pretas nas ruas, competições de tejo (espécie de bocha) na areia e camisetas de times como Boca Juniors, River Plate e San Lorenzo no peito.

São tantos que acontece até de, sem nada combinado, encontrarem-se por aqui. É o caso do analista de sistemas Mauricio Rodriguez, 49 anos, de Córdoba. Há 1,4 milhão de habitantes na cidade, a segunda maior da Argentina. Pois não é que ele estava andando pela praia e cruzou com o casal Tomasa, 38 anos, e Leonardo Pescatori, 40 anos, seus amigos? Naquela sexta-feira, as duas famílias curtiam juntas a parte da praia de Canasvieiras em frente ao trapiche; Rodriguez com a mulher e os quatro filhos, os Pescatori com seus dois herdeiros. Munidos de pipoca, sanduíches e bolachas e mate, o grupo só queria aproveitar os poucos dias que restam de férias.

— Tem muito mais construções, mais gente dormindo na rua e a praia ficou menor — atesta a administradora Tomasa, referindo-se às diferenças entre sua primeira vinda e hoje.
Javier Cuenca, 39 anos, conheceu Santa Catarina com os pais quando ainda era criançaFoto: Marco Favero / Diário Catarinense

No livro A História do Turismo em Florianópolis, Antônio Pereira Oliveira registra a presença de argentinos no Carnaval de 1954 em Florianópolis — mas mais "por acidente" do que fruto de alguma gestão. Uma semana antes da folia, já não havia vagas nos hotéis da cidade, que para não perder hóspedes recorriam a um jeitinho: "Eles vão enfiando camas nos quartos já ocupados", conforme publicava o jornal A Gazeta de 20 de fevereiro daquele ano. Para que a "encantadora Ilha fosse mais visitada pelos turistas", eram necessárias providências urgente do governo, pedia o jornalista J.B. dos Santos no mesmo jornal em outubro de 1955.

Naquele mês, apesar da falta de um plano oficial de desenvolvimento para o setor, o empresário Luiz Fiuza Lima, diretor da Transportes Aéreos Catarinenses (TAC), deu a largada para a maior campanha até então empreendida em Santa Catarina para divulgar o Estado nos locais atendidos pelos aviões da companhia. Ainda que operasse somente linhas domésticas, a promoção se estendeu até Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Bolívia e Chile, escreve Oliveira, fundador da primeira agência de turismo de Florianópolis, a Ilhatur, em 1967.

No final de 1973, os portenhos descobriram o litoral catarinense por meio dos voos fretados da companhia argentina Austral. Naquela temporada, a estimativa era de que cerca de 70 mil turistas visitariam o Estado. A imprensa alertava que os veranistas não encontrariam um único bar ou restaurante ao longo da orla além dos que já existiam no ano anteriores. O cenário não desanimava os forasteiros. Com dólares no bolso, a viagem para um refúgio com praias de águas quentes (se comparadas com as de lá), a apenas duas horas de voo, era mais do que convidativa.

Em 1974, o contingente de argentinos a vir para Santa Catarina foi tamanho que a mídia florianopolitana cunhou a expressão "invasão portenha". Eles não entendiam a dificuldade em pagar as compras com dólares, não aceitos em muitas lojas por um motivo prosaico: como não havia muitos bancos e casas de câmbio, o comerciante que recebia a moeda americana ficava sem capital de giro em cruzeiro. Não demorou para o próprio mercado achar uma solução: o câmbio paralelo em plena Rua Felipe Schmidt, no Centro da cidade. Um dólar valia 15 cruzeiros no oficial.

– Mas começaram a vir com tudo mesmo foi a partir de 1977 – crava Oliveira.

Dos 180 mil turistas que apareceram naquele anos, a maioria dos estrangeiros era argentina. Mas a situação cambial havia mudado e eles não vieram com tanta plata, consumindo abaixo do esperado. A cidade ainda sofria com problemas de infraestrutura. A falta de água e energia no verão fez os hóspedes dos hotéis — com as torneiras secas, no escuro, sem elevador nem ar condicionado — fossem embora. Apesar dos percalços, deixaram US$ 770 mil na cidade.

Eles reclamavam, mas não deixavam de aparecer. Em novembro de 1978, os hotéis do norte da Ilha já estavam com as reservas esgotadas para o verão que começaria em breve. Idem para casas e apartamentos de aluguel, embora os preços tivessem duplicado de uma temporada para outra. Em Canasvieiras, um mês de locação custava até US$ 2,5 mil. A movimentação fez com que os principais veículos da imprensa brasileira falassem de Florianópolis. Quando a Capital saiu no Jornal Nacional como um dos mais procurados destinos turísticos do Brasil, o trade imaginou que as coisas nunca mais seriam as mesmas.

Com razão: a publicidade espontânea fez com que a previsão de turistas em Florianópolis para o verão de 1979 ultrapassasse 300 mil pessoas. 

Não era necessário ser especialista urbano para imaginar o que o acréscimo dessa multidão causaria na rotina de um município com 170 mil habitantes, 35 hotéis e 60 restaurantes. Do Centro à "reta das três pontes" (estrada que liga o viaduto do CIC ao trevo do cemitério do Itacorubi, assim chamada porque havia três pontes de madeira, depois substituídas por duas de concreto) demorava uma hora e meia. Cerca de 50 mil visitantes ficaram ser ter onde dormir e foram embora. Nos balneários, água só não era mais rara do que rede de esgoto.

Em 1980, a maxidesvalorização da moeda nacional diante de uma inflação anual de 77% levou o dólar a 43 cruzeiros. Ruim para o trabalhador brasileiro, ótimo para o argentino, que mais uma vez arrumou as malas rumo à Ilha. Taxistas de Buenos Aires chegavam nos próprios veículos com toda a família para se hospedar no hotel Floph, o único cinco estrelas da cidade. Alguns comerciantes, com o olho gordo na carteira dos turistas, subiram em 100% o preço de seus produtos.

– Esses reajustes despropositados aumentavam o clima de repulsa dos nativos em relação aos argentinos – diz Oliveira.

Mas as verdinhas eram muito bem-vindas. E, para que seus donos se sentissem à vontade, o jornal Clarín começou a ser encontrado em algumas bancas da cidade, a rádio Diário da Manhã (futura CBN Diário) passou a transmitir propagandas em espanhol e as missas na capela de Ponta das Canas, no norte da Ilha, também eram ministradas no idioma. Os lojistas festejavam. O mês de janeiro, antes reservado ao balanço contábil, pois as vendas só melhoravam após o Carnaval, rivalizava com Natal e Ano Novo em movimento de vendas, graças aos 150 mil hermanos na cidade (de um total de 500 mil turistas), que compravam dólares em seu país a 35 cruzeiros e trocavam por 49 aqui.

– Uma operadora de Buenos Aires estava com uma demanda tão grande para cá que nos deu um micro-ônibus para atender seus clientes – lembra o operador de turismo.

Com a desvalorização do peso em 40%, os argentinos desapareceram das praias catarinenses em 1982. O sumiço evidenciou o quanto o turismo local dependia do humor da economia portenha e, pior, como não havia plano B. Para alívio dos cofres florianopolitanos, o verão seguinte os trouxe de volta, com uma mudança significativa de perfil. De acordo com Oliveira, eram aqueles de classe média alta que, impossibilitados de ir para o Caribe ou Europa, consolavam-se em Florianópolis com US$ 2 mil em média para gastar. Aí as reclamações mudaram de lado.

— Para os que vinham de avião, o aeroporto Hercílio Luz era pequeno demais; para os que vinham de carro, a gasolina brasileira era péssima. Para todos, a qualidade dos serviços oferecidos não correspondia aos altos valores cobrados.

Não seria em 1985 que os nativos teriam oportunidade de atender as reivindicações. A Casa Rosada inventou um imposto sobre os conterrâneos que viajassem ao Brasil durante o verão, afetando las vacaciones. Para compensar a queda, em 1986 o aluguel mensal de uma casa em Canasvieiras batia nos US$ 4,5 mil. A estiagem trazida pelo calor recorde de 40 graus provocava cortes diários de energia elétrica das 13h às 16h no norte da Ilha. Com problemas ou não, os argentinos deixaram US$ 230 milhões na cidade (segundo a imprensa), cifra que só seria superada em 1992.
Javier Frangiosa, 36 anos, veio com amigos de carro, via Uruguaiana (RS)Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Foi por essa época que o niño Javier Cuenca conheceu Balneário Camboriú com os pais e se apaixonou por Santa Catarina. Aos 39 anos, hoje o professor de San Martín (na província de Buenos Aires), se diverte na companhia das duas hijas, a esposa, a irmã, o cunhado e os dois sobrinhos na Cachoeira do Bom Jesus, que frequenta regularmente desde 1998. Na juventude, ele retornou para casa com a receita da caipiriña. Na maturidade, faz questão de não esquecer de um item especial na bagagem:

– Como minhas meninas são celíacas, sempre levo tapioca daqui. No Brasil, os alimentos avisam se tem glúten, na Argentina não respeitam essa lei – afirma o professor.

Cuenca entrou no país de carro por Santana do Livramento (RS), após encarar cinco horas de fila na aduana, tamanho era o tráfego de hermanos cruzando a fronteira. O motorista de transportadora Javier Frangiosa, 36 anos, o funcionário de uma fábrica de calçados Nicolas Cabello, 25 anos, e o motorista de ônibus Nicolas Jofre, 24 anos, também amargaram esse tempo para rodar em solo brasileiro, via Uruguaiana (RS). Ao redor de um cooler cheio de latas de cerveja, os muchachos de Lanús (também província de Buenos Aires) garantem que a espera valeu a pena.

— Para a gente é mais barato passar o verão aqui do que na Argentina. E à noche lo bitcho pega, mira mi namoradita — gaba-se Frangiosa, mostrando fotos da uma bela morena no celular.

Casados, solteiros, jovens, senhores: todos amam Santa Catarina. Um interesse que poderia ser ainda maior se, na avaliação de Walendowski, o Estado tivesse melhores condições. Até a pesquisa detalhada sobre o fluxo de turistas, fornecendo dados para incrementar as políticas do setor, foi interrompida em 2014 por carência de logística e pessoal. Segundo o presidente da Santur, as prefeituras não tiveram condições de contratar profissionais para a função nem a polícia tinha efetivo para orientar o trânsito, já que o levantamento é realizado na entrada e saída dos veículos dos municípios.

— Imagine quantos argentinos a mais viriam se a 282 e a 470 estivessem duplicadas. Ou seja, falta infraestrutura rodoviária, que é por onde eles mais vêm. Mesma situação para o aeroporto (Hercílio Luz, recentemente privatizado): há quanto tempo poderia estar pronto? E ainda tem toda a polêmica envolvendo licenciamentos ambientais, o que causa insegurança jurídica — elenca.

O pioneiro Oliveira, que atualmente trabalha focado em viagens para grupos menores, com "atendimento exclusivo", endossa as críticas. Para ele, o turismo catarinense precisa dar um salto. Na situação vigente, classifica, "é nota 7, então não tem como atrair turista nota 10".

— Falta tudo, estamos oferecendo somente praia.

Às vezes, isso basta. Ainda na Cachoeira do Bom Jesus, Florencia Fratino, 34 anos, e Ivana Gomez, 38, ambas professoras em Castelar (outra cidade da mesma província), contemplam o mar calmo sorvendo um mate e fazendo planos para se casar em breve. A pareja conta que já foi a Bahia e à praia de Pipa (RN), mas em Florianópolis os preços são menores e a beleza é, no mínimo, do mesmo nível.

— O único problema é que aqui tem muito argentino — ri a mais nova.

(Do http://dc.clicrbs.com.br/)

NO PÂNTANO DO SUL


MAR DE ILHAS


MEMÓRIA DE CANASVIEIRAS
Ilhota do Argentino ou do Francês

Localizada no Norte da Ilha de Santa Catarina com 67.000 m² e a 800 metros da Praia de Canasvieiras está a Ilha do Argentino ou do Francês. Esta ilha é ícone e referência para quem visita a Baía de Canasvieiras. Sua vegetação é formada principalmente pela Mata Atlântica, costões rochosos e de difícil acesso, exuberante flora e fauna e duas pequenas praias.

Ainda hoje é denominada pelos pescadores e nativos das comunidades circunvizinhas de Canasvieiras como Ilhota ou Ilha do Argentino. Há uma nota publicada em revista local de 1949 por Celso Perrone que cita “dizem que seu nome, como é fácil de deduzir, proveio do fato de ter sido habitada há cerca de um século por um veterano da Grand Armée de Napoleão Bonaparte e que emigrara após a derrota de Waterloo.”

Já o escritor Virgílio Várzea (1863-1941), filho ilustre de Canasvieiras, cita em seu livro “Santa Catarina, a Ilha - 1900”: “...cerca de 600 metros ao mar da ponta de São Francisco, alteia-se a ilhota dos Franceses, ou simplesmente a Ilhota, como aí a denominam vulgarmente. De uma paisagem encantadora e cercada de altos rochedos, dispostos com suprema arte pela natureza, rochedos que se alongam como aríetes estranhos sobre as ondas tocadas de espuma – a ilhota dir-se-ia um desses pequeninos torrões do arquipélago Odisseu, onde deusas e ninfas olímpicas viviam, em tempos lendários...”

Ao longo dos anos a Ilha do Francês foi ocupada com sucessivas trocas de proprietários. Sua primeira ocupação deu-se em 1884 e nesta época o ponto de partida mais usado para se chegar até lá era pela Praia do Porto, pequena praia localizada no promontório abaixo da Igreja de São Francisco de Paula.

Desde 1884 é chamada popularmente de Ilha do Argentino e de propriedade particular excluída a orla, por determinação legal. Em 1894, metade da Ilha, com uma casa e muitas árvores frutíferas foi vendida ao alemão João Ignácio Schroeder segundo consta em escritura no Patrimônio da União. A Ilha vivia em êxtase, linda, florida com orquídeas e plantas raras, uma beleza sem par. Encantado com a profusão de orquídeas selvagens tratou de montar um orquidário.

”Este alemão foi meu tetra avô, o meu bisavô Joaquim da Costa casou-se com sua filha Virginia Schoroeder e até a sua morte foi o responsável pela guarda da Ilha. Ainda pequeno cheguei a conhecer a Vó Bisa, já o meu bisavô faleceu quando eu tinha meus vinte anos”.

Em 1916, o inglês John Williamson – que, supostamente, veio à cidade instalar a luz elétrica – comprou a ilha de Schroeder e ali instalou a sua oficina. O artigo de Perrone, antes citado, é justamente sobre uma visita ao inglês, que o descreve como um “perfeito gentleman, ao qual um já longo retiro de mais de dez anos não conseguira deslustrar”.

Após a morte de Williamson, em 1938, a posse foi para as mãos de Antônio Muniz Barreto “aos 7 anos de idade conheci o senhor Muniz Barreto, eu brincava muito nesta ilha, minha falecida mãe Rute Cunha Sardá sobrinha de Ruth da Costa Siqueira, desde moça trabalhou nesta Ilha”. Muniz Barreto foi o responsável pelo auge da beleza da Ilha do Francês, incrementando o orquidário e criando jardins com flores raras, importadas de todo o mundo. Entre elas, a orquídea elegante, uma variedade totalmente branca.

Minha mãe contava que o argentino era um milionário apaixonado pela Ilha, queria morrer e ser enterrado lá. Ele tinha um motorista de táxi exclusivo, que morava em Florianópolis, que se chamava "Boneco". Conta-se que quando ele chegava da Argentina, para chegar até Canasvieiras, o seu Boneco sempre tinha que estar livre. Ele fazia o transporte com muita dedicação e também por amizade e respeito e por isso era bem remunerado.

Vinha só para passar as férias, mas carregava consigo diversos empregados e era muito generoso para com eles. Com freqüência dava presentes aos pescadores e nativos conhecidos que chegavam até a Ilha. Quando Muniz Barreto envelheceu e adoeceu, os filhos não o trouxeram mais para o local. Hoje a Ilha do Argentino pertence aos seus netos.

MANEMÓRIAS

MEMÓRIA DA PRAIA DE CACHOEIRA.

DÉCADA -1960

FOTO: CASA DA MEMÓRIA DE FLORIANÓPOLIS.

domingo, 28 de janeiro de 2018

NOITES INSANAS!


Noites Insanas! Noites Insanas!
Se estivesse a teu lado
Noites insanas seriam
O nosso pecado!

Fúteis os ventos
Para o coração num porto —
Inúteis os compassos,
Inúteis os mapas!

Remando no Éden!
Ah! O mar!
Quem dera em ti — esta noite —
Ancorar!



EMILY DICKINSON
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes

JACK O MARUJO

Imagem sem crédito
- O sr. se sente só em alto mar, capitão?
- Só quando naufrago, disse Jack o Marujo.

DANDO NOME...

Foto Fernando Alexandre
ANÔNIMA

NA PRAIA



Pablo Picasso, em alguma praia do passado...

MAR DE ILHAS

O ponto em vermelho é a pequena ilha das Couves.

Ilha das Couves, pequena e sensível, sofre com superlotação turística neste verão

Como todas as outras, a ilha das Couves, em Picinguaba, Ubatuba, é um local extremamente sensível à presença humana. Desabitada, sem água, tem apenas 58 hectares cobertos por mata atlântica. É circundada por costões rochosos, tem duas pequenas e lindas praias; a água do mar é quase sempre morna e, normalmente, transparente. O exemplo típico do que se convencionou chamar de… ‘paraíso’. Mas ela tem um sério problema: está muito próxima da costa, a menos de 15 minutos de lancha. Essa localização pode ser fatal.

Turismo desordenado ameaça ilha das Couves

A partir da pequena vila de pescadores de Picinguaba, é possível chegar em Couves em poucos minutos. Com a escassez de peixes, o turismo passou a ser o foco do pessoal da vila. É aí onde mora o perigo.

A outrora vila de pescadores de Picinguaba

Experimentamos ‘googar’ “ilha das Couves”. Surgiram quatro páginas com as chamadas típicas:

‘Ubatuba Tour faz roteiro para Ilha das Couves passando por cachoeira’; ‘Ilha das Couves: natureza e praias paradisíacas’; ‘Ilha das Couves – Águas Cristalinas em Ubatuba’; ‘Hotéis próximos a: Ilha das Couves. Reserve já o seu‎’…e por aí afora. O resultado? Vejam a foto abaixo, tirada das redes sociais neste início de ano.


Foto de matéria do G1 tirada das redes sociais

Ou essa de baixo que o Mar Sem Fim achou no FB…


Não há litoral que resista a tanta gente. Onde vai parar o lixo produzido? Como fica a mata pisoteada? É preciso por ordem na baderna.

Exemplos de destruição causada pelo turismo desordenado estão por toda parte. Pipa, no Nordeste; Atalaia, em Salinópolis, na região Norte; Camboriú, no Sul; ou mesmo o mais que conhecido Guarujá, no Sudeste, são apenas alguns do exemplos. As autoridades de Ubatuba têm que tomar medidas imediatas. O caso de Couves é ainda mais grave por ser uma ilha, um local de solo extremamente árido, onde o simples pisar na grama impede que a vegetação se regenere por muito tempo.

Ministério Público Federal procura uma saída para o turismo na Ilha das Couves

De acordo com matéria do G1 a prefeitura de Ubatuba reconheceu o problema e faz um estudo para o turismo na área. A prefeitura informou que na primeira semana de 2018 cerca de dois mil turistas passaram pela ilha! Considerando que cada pessoa produz em média 1,5 kg de lixo por dia, que elas fazem suas necessidades fisiológicas na água, que a grande maioria usa cremes e loções, seja para evitar o sol, seja para se bronzear, pode-se imaginar o tamanho do perigo que Couves, sem nenhuma infraestrutura, enfrenta.

O poder público, como sempre, atrasado

Era de se prever que isso iria acontecer. 2018 não foi o primeiro ano em que Couves foi assolada pela horda de turistas. No ano passado já havia sinais claros que isso estava acontecendo. Mas, no país de Macunaíma, o poder público é incapaz de planejar. Tudo o que faz é correr atrás do prejuízo. A matéria do G1 diz que o “plano da prefeitura deve ficar pronto em Agosto! Oxalá a ilha das Couves resista até lá.

Pessoas de bom senso se manifestam

Dois dias depois de escrever esta matéria recebo um correio de um amigo, pessoa séria, engajada na causa do meio ambiente. Trata-se do chefe do Parque Nacional Marinho do cabo Orange, na divisa do Brasil com a Guiana Francesa, o oceanógrafo Ricardo Mota Pires. Eu o conheci quando fiz a última série de documentários para a TV Cultura, justamente no derradeiro episódio. Ele leu esta matéria e não se conteve. Vejam o recado e copiem o exemplo. Se você gosta do mar, se frequenta esse ambiente e quer que seus filhos e netos possam fazer-lo, participe! Só reclamar, ou ‘curtir’ no Face, não adianta rigorosamente nada!

Oi João

Não sei se lembra de mim, mas sou o chefe do Parque Nacional do Cabo Orange, tudo bem? Vi a sua matéria sobre a ilha de Couves e lembrei que quando passei por lá, trazendo o meu barco para Oiapoque, a realidade era bem diferente. Foi no ano de 2003. Envio duas fotos, da época. Note que já há uma tenda armada na praia. Era o início do caos……Grande abraço

Ricardo Motta Pires
oceanógrafo

Parque Nacional do Cabo Orange

A Ilha das Couves em 2003, ‘o início do caos’ , foto de Ricardo Motta Pires

Assista um trailer da ilha das Couves, e veja o que está em jogo. Lembre-se, ela é um patrimônio de todos os brasileiros. Os atuais, e os que ainda virão. Ninguém tem o direito de destruí-la. Ajude a conservar-la como mostra este vídeo.

(Do https://marsemfim.com.br/)

CORDILHEIRA MARÍTIMA

Pesquisadores estudaram a cordilheira submersa entre Vitória e a ilha de Trindade, a 1.200 km do continente; ela é composta por 30 montes submarinos de origem vulcânica (Foto: João Luiz Gasparini/ Divulgação)

A desconhecida cordilheira no litoral brasileiro que pode virar a maior reserva marinha do Atlântico

Formação única no mundo, cadeia de morros na costa do Espírito Santo abriga a maior diversidade de espécies entre todas as ilhas do país.


Por João Fellet, Da BBC Brasil em Brasília

"Uma floresta tropical no fundo do mar" - é assim que o biólogo capixaba João Luiz Gasparini descreve a cordilheira submersa na costa do Espírito Santo, que logo poderá se tornar uma das maiores reservas marinhas do mundo.

Dona da maior variedade de espécies que vivem em recifes entre todas as ilhas brasileiras, a cadeia é composta por cerca de 30 montes submarinos de origem vulcânica entre a cidade de Vitória e a Ilha de Trindade, a 1.200 km do continente.

Em entrevista à BBC Brasil, o secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro de Oliveira Costa, disse que nos próximos 45 dias o órgão deverá entregar ao presidente Michel Temer um decreto para a criação de uma unidade de conservação em torno da cordilheira e de outra reserva no arquipélago São Pedro e São Paulo, mais ao norte. "A partir daí, só depende do presidente."

Segundo Costa, a reserva na cadeia Vitória-Trindade teria cerca de 450 mil quilômetros quadrados - área equivalente à da Suécia.

O estudo que embasou a proposta diz que ela seria a maior área marinha protegida do Atlântico. Na quarta-feira (24), o governo federal convocou consultas públicas para discutir a criação das unidades.

A proteção da cordilheira é uma demanda antiga de pesquisadores, que a consideram essencial para a manutenção de estoques pesqueiros em águas vizinhas e um dos melhores laboratórios naturais do mundo.

A cadeia ganhou visibilidade global em agosto de 2017, quando um estudo baseado na formação de sua fauna foi capa da prestigiada revista científica Nature.

Casca do ovo

Coautor do artigo, João Luiz Gasparini descreve o espanto de sua primeira visita a Trindade, em 1995. Logo após desembarcar na ilha, diz ter encontrado numa poça de maré uma espécie que jamais havia sido catalogada pela ciência - um peixe azulado com uma mancha amarela no topo. "De cara percebi que existia ali um universo fantástico para ser explorado", ele diz.

O animal - batizado Stegastes trindadensis - integra o grupo de 13 espécies de peixes recifais endêmicas (restritas ao local) registradas na cordilheira até agora.

Somando-as às que também habitam outras regiões, a lista alcança 270 espécies de peixes recifais - 24 delas ameaçadas de extinção -, uma das mais altas taxas de diversidade entre todas as ilhas do Atlântico.

Também habitam a cordilheira cerca de 140 tipos de moluscos, 28 de esponjas, 87 de peixes de mar aberto, 17 de tubarões e 12 de golfinhos e baleias.

Para Gasparini, há muitas outras espécies a descobrir. "A gente ainda mal arranhou a casca do ovo da biodiversidade da cadeia Vitória-Trindade."
A reserva tem 40 tipos de moluscos, 28 de esponjas, 87 de peixes de mar aberto, 17 de tubarões e 12 de golfinhos e baleias (Foto: João Luiz Gasparini/ Divulgação)

Ele e outros sete pesquisadores devem iniciar neste sábado (27) uma expedição que pretende furar essa casca. A bordo do Paratii 2, barco que levou o navegador Amyr Klink à Antártida, a equipe tentará ultrapassar pela primeira vez o ponto no fundo do mar a partir do qual a temperatura cai drasticamente, variação conhecida como termoclina. Até agora, alcançaram no máximo 80 metros de profundidade.

Abaixo dessa zona, sobre montes mais distantes da superfície, esperam encontrar espécies distintas das vistas até agora. "Os recifes mais profundos são o novo éden, a próxima fronteira para quem quer fazer mergulho científico no mundo", diz Gasparini.

Mergulho desafiador

Há muitos anos pesquisadores tentam chegar às águas frias da cordilheira, mas a distância entre a costa e os montes submersos mais fundos torna a missão complexa.
Navios da Marinha costumam levar três dias para chegar a Trindade, onde o Brasil mantém uma base militar. E para mergulhar até as profundezas com segurança, é preciso contar com equipamentos caros.
Desta vez, a missão será facilitada pelo Paratii 2, veleiro cedido aos pesquisadores por meio de uma parceria e capaz de ficar três meses no mar sem reabastecer.

Os cientistas portarão ainda rebreathers, aparelhos que reciclam o gás carbônico exalado, permitindo que o mergulhador passe até seis horas embaixo d'água. Em sites de vendas no Brasil, um rebreather novo sai por até R$ 33 mil.

A viagem - que contará com pesquisadores da California Academy of Sciences e das universidades federais do Espírito Santo, Pará e Paraíba - deve durar 20 dias.

Chefe da expedição, o biólogo capixaba Hudson Pinheiro, que faz seu pós-doutorado na instituição californiana, diz que as eras glaciais ajudam a explicar a biodiversidade da região.

Naqueles períodos, enquanto os habitats costeiros eram afetados pela redução do nível da água, os montes submarinos ficaram expostos como ilhas, tornando-se refúgios para a vida marinha.

Conforme o nível do mar subiu nos últimos 10 mil anos, muitas dessas espécies permaneceram isoladas e se adaptaram aos novos ambientes, agora submersos.

Mesmo assim, a cadeia jamais perdeu a conexão com o continente, pois muitas espécies costeiras usam os montes como trampolins, deslocando-se pela cadeia de uma extremidade à outra, no meio do Atlântico.

Hoje ao menos dez desses montes têm entre 30 e 150 metros de profundidade.

O elo da cordilheira com o continente, diz Pinheiro, é o que torna a formação brasileira única no mundo. Há outras cadeias montanhosas de origem vulcânica no meio do oceano, como o Havaí. Mas, como estão distantes do continente, o deslocamento das espécies nessas áreas é limitado.

Outra explicação para a riqueza da fauna na cordilheira é a variedade de algas calcárias, um tipo de planta marinha responsável pela formação de recifes naturais. Há na cadeia 16 espécies dessas algas, que criam nichos e habitats para centenas de outras espécies.

Pinheiro é um dos principais entusiastas da criação da reserva marinha. Hoje, diz ele, a área está ameaçada pela pesca comercial e pela mineração.

Há na região relatos sobre a ação de barcos com redes presas a grandes rodas, do tamanho de pneus de caminhão, que são arrastadas sobre os recifes.
O Ministério do Meio Ambiente enviará um decreto à Presidência para a criação de uma unidade de conservação em torno da cordilheira (Foto: João Luiz Gasparini/ Divulgação)

Outro tipo de pesca que preocupa os pesquisadores é a feita com espinhel, quando anzóis são enfileirados para capturar peixes maiores. Tubarões são muito vulneráveis a esse método de captura; como geram poucos filhotes, podem ser rapidamente aniquilados.

A BBC Brasil pediu uma entrevista com o presidente do Sindicato das Indústrias da Pesca do Estado do Espírito Santo (Sindipesca) sobre a atividade pesqueira na região, mas não obteve resposta.

Não só barcos brasileiros atuam na cordilheira. Parte da cadeia Vitória-Trindade fica em águas internacionais, por onde transitam barcos estrangeiros. Segundo os pesquisadores, há relatos de que esses barcos também estariam pescando no mar territorial brasileiro, o que é ilegal.

Em nota à BBC Brasil, a Marinha disse realizar patrulhas regulares na cordilheira para inspecionar e apreender embarcações irregulares.

Outro temor dos pesquisadores é a mineração submarina. Segundo um estudo no site do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade), o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) já concedeu duas licenças para a exploração de bancos de rodolito (crostas de alga calcária e outros organismos) e recifes de corais na cadeia Vitória-Trindade.

A atividade durou três anos, e o material extraído foi usado como fertilizante em plantações de cana-de-açúcar. No site do DNPM há registro de novos pedidos de licença na região.

O DNPM não respondeu um pedido da BBC Brasil sobre a mineração na cadeia Vitória-Trindade.

Segundo Pinheiro, a atividade destrói formações que levam milhares de anos para se desenvolver e põe em risco muitas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.

O pesquisador diz esperar que a criação da reserva ponha fim à atividade e que a proibição da pesca em partes da cordilheira ajude a repor estoques de peixes em áreas vizinhas sobre-exploradas - o que, para ele, também seria benéfico para pescadores.
Os pesquisadores registraram 13 espécies de peixes recifais endêmicas (restritas ao local) na cordilheira até agora (Foto: João Luiz Gasparini/ Divulgação)(Do https://g1.globo.com/)