sexta-feira, 21 de julho de 2017

TRABALHADORES DO MAR

Tela de Jozef Israels

"A mesa dos mestres de navio era presidida por um velho capitão de longo curso, o Sr. Gertrais-Gaboureau. Não era homem, era um barômetro. Os habitos do mar deram-lhe uma espantosa infalibilidade de prognóstico. Ele decretava o tempo que devia haver no dia seguinte; ascultava o vento; tomava o pulso à maré. 
Dizia à nuvem: mostra-me a tua língua. A língua era o relâmpago. Era o doutor da vaga, da brisa e da lufada. O oceano era o seu doente; fez uma viagem à roda do mundo como quem faz uma clínica, examinando todos os climas na sua boa e má saúde; sabia a fundo a patologia das estações. Enunciava fatos como este: - o barômetro desceu uma vez em 1796 a três linhas abaixo da tempestade. Era marinheiro por amor..." 
(Fagmento de"Os Trabalhadores do Mar", de Victor Hugo, escrito em 1866,tradução brasileira de Machado de Assis, Edição Ediouro). "Dedico este livro ao rochedo de hospitalidade e de liberdade, a este canto da velha Normandia onde vive o nobre e pequeno povo do mar, à Ilha de Guernesey, severa e branda, meu atual asilo, meu provável túmulo."
(Victor Hugo)
Guernesey é uma ilha no Canal da Mancha , na Normandia, ao Noroeste da França. Junto com Jérsia, forma as Ilhas do Canal, uma dependência da Coroa Britânica que não faz parte do Reino Unido. Nesta Ilha foi ambientado Os Trabalhadores do Mar.

Victor-Marie Hugo, escritor e poeta frances nasceu em Besançon, em 26 de fevereiro de 1802, mas passou a infância em Paris. Suas viagens pela Itália e Espanha influenciaram profundamente sua célebre obra. Sempre um reformista, envolveu-se com política por toda a sua vida. Dizia o autor: "A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são ao mesmo tempo as suas três necessidades; precisa crer, daí o templo; precisa criar, daí a cidade; precisa viver, daí a charrua e o navio." Na Notre Dame de Paris o autor denunciou a primeira; nos Miseráveis mostrou a segunda; em Trabalhadores do Mar indicou a terceira. Morreu em Paris, em 22 de maio de 1885 e seu corpo, exposto durante dias sob o Arco do Triunfo, foi visitado por 1 milhão de pessoas.
Desenho de Victor Hugo:
Le Rocher de l'Ermitage dans un paysage imaginaire, 1855.

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