domingo, 23 de julho de 2017

MANEMÓRIAS

Acervo Casa da Memória
SANTO ANTÔNIO DE LISBOA, CACUPÉ E SAMBAQUI



José Luiz Sardá


“Parte do texto foi extraído do livro Virgílio dos Reis Várzea, Santa Catarina: a ilha e Iaponan Soares, Santo Antônio de Lisboa – Vida e Memória”.

"A freguesia de Santo Antônio é uma das localidades mais aprazíveis da costa ocidental da Ilha. Começou a florescer quase ao lado do Desterro, sendo um dos primeiros locais a ser explorados na antiga Ilha de Santa Catarina. Ocupada a princípio pelos colonos que vieram para cá com o padre Mateus de Leão, com terras de sesmarias de uma légua em redor, o sítio entrou a cobrir-se de pequenas palhoças e ranchos, erguidos em meio às primeiras lavouras, desde a Praia Comprida à Ponta de Sambaqui até 1714, quando chegou o sargento-mor Manuel Manso de Avelar, que se estabeleceu com a família, precisamente em Sambaqui, quando montou um entreposto na praia Aguada.

Suas terras passaram depois à possessão de sua filha, Dona Clara Manso, que mais tarde casou com Francisco Antônio Branco. Esta senhora, falecida em 22 de outubro de 1790 com quase 100 anos, e cuja bondade e virtudes ficaram tradicionais ali, que mandou construir a igrejinha de Nossa Senhora das Necessidades, consagrada a Santo Antônio de Lisboa.


Com a chegada dos casais açorianos a partir de 1748, a Ilha de Santa Catarina teve aumento da população. Santo Antônio de Lisboa foi uma das localidades que recebeu menos gente, pois suas terras cultiváveis já estavam quase todas ocupadas. Em 1750, o lugar se transformou em Freguesia, por Provisão de 27 de abril daquele ano. Situada em solo plano e à beira-mar, entre Cacupé Pequeno e a Ponta da Ilhota, dir-se-á uma cidadezinha, pela sua pitoresca praça ornada de prédios, todos construídos como os de certos arrabaldes antigos da capital, e pela sua disposição em três ou quatro ruas cheias de casas, unidas ou separadas apenas por pequenas hortas e jardins, que não existem em outros sítios.

As primeiras concessões de sesmarias feitas em Santo Antônio de Lisboa, Cacupé e Sambaqui tiveram início em 1753 com Luiz Martins e Martinho de Amorim e Antônio Dias da Rocha na ponta de Cacupé. Em 1759, Manoel Gonçalves dos Santos na praia Comprida. Em 1788, Miguel Antônio da Silva, em 1806, Manoel Antônio de Souza, todas na freguesia de Nossa Senhora das Necessidades.

O antigo porto de Santo Antônio de Lisboa foi movimentado por um comércio marítimo maior que o de todas as outras freguesias. Embarcações pequenas, em grande número, remavam ou velejavam diariamente entre as suas praias e o Desterro, e com freqüência ali fundeavam navios mercantes ou de guerra, nacionais ou estrangeiros, cujo calado não lhes permitiam passarem além dos ancoradouros de Santa Cruz e Sambaqui.

A pouca distância de Santo Antônio de Lisboa, para o sul, haviam os antigos povoados conhecidos pelos nomes de Cacupé Pequeno e Cacupé Grande. Ambos tinham insignificantes números de casas e habitantes que vivem da lavoura e da pesca para subsistência. Nestes arraiais em outros tempos habitaram poderosos fazendeiros e armadores, como José Correia, Costa Melo, entre outros.

O nome arraial de Sambaqui proveio de um grande casqueiro que ali existiu em outro tempo, que foi totalmente consumido em caieiras. Tinha um fundeadouro é dos mais notáveis de Santa Catarina e do Brasil, por sua posição completamente protegida das vagas e ventos da barra, pelo longo Pontal ao norte, e a oeste pelas ilhas Ratones Pequeno e Ratones Grande, que serviam de abrigados as embarcações. Possuía um pequeno núcleo de casas, a maior parte pousada nas quatro praiazinhas alvas que enfaixam o litoral, sendo a principal a praia chamada da Aguada, que tinha um atracadouro que serviam aos escaleres dos navios e lanchas.

A água de Sambaqui vinha das nascentes de um elevado cerca de 500 metros da praia, por um encanamento mandado construir pelo almirante Justino de Proença, em uma de suas zelosas administrações como capitão do porto de Santa Catarina. Essa água era perfeitamente potável e a melhor da Ilha depois da do Ribeirão, segundo dizia em carta, o Visconde de Taunay.

O acontecimento mais importante de Santa Catarina na primeira metade do século XIX foi à visita do Imperador D. Pedro II, com a esposa imperatriz Tereza Cristina e comitiva feita a Desterro em 12 de outubro de 1845. As ruas da cidade e os caminhos das vilas e freguesias foram limpos para a primeira visita do Imperador a Santa Catarina. Visitaram a Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha, São José, Santo Amaro da Imperatriz e Santo Antônio de Lisboa no dia 21 de outubro a bordo do vapor Imperatriz pela manhã. O Imperador costumava oferecer donativos para a igreja local e prestar homenagem às autoridades da Freguesia.

Naquela ocasião, pessoas influentes e de famílias tradicionais do lugar receberam comendas, dentre eles: Marcos Antônio da Silva Mafra, José Maria da Luz, João Pinto da Luz, o subdelegado Antônio Manoel de Souto e o padre Francisco José de Souza."

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