sexta-feira, 21 de julho de 2017

MANÉMORIAS


 Na década de 90 turistas argentinos, uruguaios e brasileiros de outros Estados, com destaque os gaúchos passaram a ser uma constante no balneário. Contudo, a falta de conscientização e a ganância dos que trabalhavam e viviam do turismo, deixou a desejar e passaram a explorar o turista e não o turismo.

40 ANOS DE TURISMO EM CANASVIEIRAS

Por José Luiz Sardá

Desde 1918 o governador Hercílio Luz demonstrava interesse em criar estações balneárias na região Norte da Ilha. Tinha em mente que a abertura de uma estrada seria um marco histórico de grande importância ao desenvolvimento da região. Sua ideia ganhou força quando da construção da ponte que leva seu nome, inaugurada em 13 de maio de 1926. Para isso determinou ao Coronel Pedro Lopes Vieira, homem de sua confiança que iniciasse a abertura de uma estrada que ligasse a Canasvieiras. 

Seu sucessor o governador Adolfo Konder (1926-1930) deu início a abertura desta estrada. Naquela época as dificuldades para desloca-se até o centro de Florianópolis era muito precária. Muitos moradores antigos de Canasvieiras diziam que não chegaram a conhecer a “cidade” e que nas primeiras décadas do século passado só havia duas formas de chegar até Florianópolis; saindo pelo Rio Papaquara ou a cavalo por uma antiga picada de difícil acesso. Em 28 de agosto de 1930, o Coronel Pedro Lopes Vieira inaugurou o Hotel Balneário Canasvieiras, transformando Canasvieiras numa grande estação balneária, um marco histórico de grande importância para o desenvolvimento da região.

Em 1951 surgiu a ideia e discussão da primeira proposta de um projeto para a urbanização dos balneários do norte da Ilha de SC. Entre 1956 e 1958 foram desenhados dois projetos para a orla de Canasvieiras. Um pela Prefeitura Municipal e outro pela iniciativa privada.

Em 1956 o prefeito Osmar Cunha requereu ao antigo Departamento de Terras de Colonização, uma grande gleba de terras localizadas em Canasvieiras e criou o Projeto Loteamento Balneário de Canasvieiras. Estas terras estavam localizadas nas primeiras quadras em direção a orla da praia. Considera-se que naquela época havia pouco interesse pelas terras próximas da praia, pois ainda não havia a especulação imobiliária.

Em 1959 o prefeito Ari Oliveira planejou alterar o acesso principal que levava até o Hotel Balneário de Canasvieiras, atual Milton Leite da Costa para a Avenida das Nações, com a intenção de valorizar as terras do Loteamento Balneário de Canasvieiras que pertenciam à prefeitura.

Efetivamente a partir de 1970, no turismo o balneário de Canasvieiras passou a ser o ponto de referência na Norte da Ilha. Governo estadual e municipal no desejo de dotar a Ilha de Santa Catarina em estações balneárias direcionou o desenvolvimento urbano de Florianópolis para esta região.

As significativas transformações começaram com a construção e a pavimentação da rodovia SC 401, que aconteceu entre 1970 e 1974. Antes, para chegar aos bairros como Jurerê e Canasvieiras, o trajeto era feito pela extensa Rodovia Virgílio Várzea, atuais bairros João Paulo, Saco Grande, Cacupé, Santo Antônio de Lisboa, Vargem Pequena até Canasvieiras Tradicional.

Importante destacar os projetos de eletrificação e água canalizada, que contemplou os moradores da freguesia e parte balneária, melhorando a qualidade de vida de seus habitantes. Assim, começaram então a surgir às primeiras acomodações hoteleiras; a reforma no antigo Hotel Balneário de Canasvieiras, as casas de alugueis e a construção do Hotel Village Paraíso, Hotel Holyday Center, Correios e a Central Telefônica Pública que foi instalado nas dependências do Hotel Village Paraíso.

No final da década de 70 a situação econômica na Argentina favoreceu os argentinos à investirem no Brasil em função de uma grave crise financeira naquele país. Assim, muitos deles optaram em desfrutar suas férias em Canasvieiras e aproveitaram a oportunidade para adquirir patrimônio entre casas e terrenos em razão do duplo poder de aquisição, originando assim a explosão turística neste balneário. Em razão disso, no inicio da década de 80 Canasvieiras recebeu elevado número de turistas, notadamente de argentinos.

A falta de hotéis na época e a progressiva demanda de turistas originou o surgimento das primeiras imobiliárias, oferecendo as residências de veranistas e de nativos para o aluguel de temporada. A partir deste momento os aluguéis de temporada passaram a fazer parte do cotidiano de Canasvieiras e região norte da Ilha até os dias atuais.

Na década de 90 turistas argentinos, uruguaios e brasileiros de outros Estados, com destaque os gaúchos passaram a ser uma constante no balneário. Contudo, a falta de conscientização e a ganância dos que trabalhavam e viviam do turismo, deixou a desejar e passaram a explorar o turista e não o turismo.


Um comentário:

Unknown disse...

O começo dos anos 90 foram a melhor época para investir e começar a ficar milionario!!!

Maykon de Lara