terça-feira, 18 de julho de 2017

ANTÔNIO DO BOTOS

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"...Deixou o menino a brincar com os anjos e os botos, que já haviam dado a volta pela barra do rio, e foi caminhar um pouco para pensar melhor. Perto do casario encontrou o velho pescador atrapalhado com um espinhel de papa-terras. Com um samburá de tatuíras ao lado, Julião tentava, sem sucesso, desembrulhar a maçaroca em que se haviam transformado uma cem braças de linha de tucum e uma centena de anzóis.
- Estamos um tanto embrulhados, hein, Julião? - disse alegremente, reconhecendo aquele velho matreiro.
Havia muito tempo Julião fora à Igreja Matriz pedir um favor ao padroeiro. Em troca do casamento com sua amada Aninha, daria todo o dinheiro do primeiro lance de tainhas do mês de junho para as obras da Igreja.
O Santo cumprira sua parte: não tardou muito para que a relutante Aninha se decidisse pelo "sim" e o casameto fosse realizado.
O lance das tainhas também. Foi um acontecimento. Era dos melhores que já se tinha visto naquela praia. Devia valer uma fortuna. Julião arrependeu-se de ter feito a promessa e gelou quando o homem propôs:
- Duzentos mil réis, seu Julião..."

(Fragmento de "Antônio dos Botos", livro infanto-juvenil de Márcio José Rodrigues, com ilustrações de Andrea Ramos/ Editora Letras Brasileiras - 2009)

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