sexta-feira, 9 de junho de 2017

TAINHAS DE PORTUGAL


É a ultima embarcação a armar a Peixeira na Ria de Aveiro. Quando este homem deixar de o fazer, ficaremos ainda mais pobres de cultura e tradições...
Os tempos mudaram, o trabalho é árduo, e os novos procuram o lucro fácil. Rende-lhes mais uma hora na apanha da ameijoa, que uma maré inteira a procurar cardumes, cada vez mais escassos.
Mas chegaram a ser às dezenas, as "arapucas" armadas nas águas da nossa Ria. Depois de armado o cerco, havia que varejar as águas, para que as Tainhas fugissem e se emalhassem nas Albitanas da Curraleira.
- E era lindo de se ver - contam os mais velhos. O trânsito nos canais era muito e diverso, com Moliceiros e Mercanteis, Chinchorros e tantas outras artes, que se perderam no tempo. 
Sobre esta, o meu Pai - homem da Ria - ainda recorda as vezes em que, no Laranjo, o peixe era tanto que fazia arrear a manta, permitindo que metade se perdesse nas vagas. Era tanto, que lhes permitia darem-se ao luxo de aumentar a medida da malha, na Peixeira, como nas Branqueiras, nas Solheiras ou na Chincha, para não encherem as cavernas de peixe miúdo.
Hoje, até na venda lhes dificultam a vida. Sem a lota do Mercado de Pardelhas - estupidamente extinta - e sem interesse nesta espécie, por parte dos intermediários, resta-lhes a venda ambulante, de "porta a porta", que foi em tempos tarefa das Varinas, também elas desaparecidas.
Para quem não sabe, esclareço que as Tainhas da Ria de Aveiro não têm nada a ver com as de água doce, que habitam os nossos rios e que andam à tona, alimentando-se de tudo o que boia. Um retrato pouco aliciante, principalmente nas zonas urbanas. Os habitantes do Porto, por exemplo, renegam-nas. Mas isso é porque nunca comeram um Ensopado de Tainha da Ria de Aveiro...

Texto de Francisco José Rito

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