terça-feira, 23 de maio de 2017

MAR DE POETA

Arte Andrea Ramos
Da griffie  poética "Cobra Coralina", textos & traços & emoções à flor da pele, naquele tempo em que acreditar era pra sempre e ainda se discutia o sexo das tainhas!

E A TAINHA VIROU PIZZA...

ATÉ TU, TAINHA!
Tainha assada na brasa
(pizza de tainha)

Receita enviada por Cláudio Siegel, de Brasília
Ingredientes
1 tainha aberta por cima ou pela barriga sem a espinha ( fazer um filé)
 1 cebola grande picada; 
1 tomate grande picado; 
Alcaparras a gosto 
Sal a gosto 
Maionese 
Preparo
Temperar a tainha com sal
 Passar a maionese hellmans sobre a tainha 
Colocar a cebola, o tomate e as alcaparras 
Montar como uma pizza sendo a massa da pizza a tainha 
Em um grill colocar a tainha aberta com a escama para baixo 
Assar em uma altura de 30 a 40 cm da brasa, por uns 45 minutos.

RESTOLHOS

Foto Fernando Alexandre
Na praia, o que sossobra da lida das marés...

DE OLHO NO PEIXE!

Foto Fernando Alexandre

Capitão Ademir, "patrão", Fabrício e Geisiel, "remêros" e "Pezão", "camarada"!

NA ESPERA E NA ESPREITA!

E COMO ERA A PESCA?


Dario Coelho, 48 anos, pescador e "patrão" é dono da canoa bordada mais antiga do Pântano do Sul, a "Espírito Santo", que tem "pra mais de 130 anos." Em frente a seu restaurante, o "Canoa Grande", ele compara a pesca de hoje com a de antigamente.

MAR DE NAVEGADORES

O Deutsches Sport, media 6 metros de comprimento

Primeira travessia do Atlântico de caiaque


Em 1928 o Capitão Franz Romer partiu de Lisboa para a expedição considerada como a primeira travessia do Atlântico de caiaque

Como conta o livro “Os Navegadores Solitários”, de Jean Merrien, ao partir para a primeira travessia do Atlântico de caiaque o capitão de origem alemã Franz Romer perseguia um objetivo científico e altruísta. Ele queria provar que era possível sobreviver. Lutar com o oceano e alcançar a terra em um barco minúsculo.

Seu caiaque Klepper , batizado Deutsches Sport, media 6 metros de comprimento, por 0,95m de largura. Tinha um calado de 0,25m, e para a primeira travessia do atlântico adaptou-o com uma vela quadrangular latina. Também instalou um comando de leme movido pelos pés. Dotou o barco de flutuadores cheios de ar, além de reservatórios de gás carbônico. Embora o prospecto de venda da embarcação informasse a carga máxima de 600 quilos, partiu com pelo menos 680 quilos. Incluídos aí água doce, alimentação, velas de reserva e até um fogão.

Partiu de Portugal (Cabo de São Vicente) em 31 de março de 1928. Em 11 dias já havia atingido as Canárias, de onde se considerou a “verdadeira partida”


Já nessa primeira travessia pôde pressentir o que lhe reservava a aventura: enfrentou o primeiro furacão e passou 3 dia e 3 noites sem dormir.

Largou novamente em 03 de junho de 1928

Largou novamente em 03 de junho de 1928, em direção à Nova Iorque. Foram mais três meses de uma aventura árdua em sua minúscula embarcação. Ele velejava sentado, sem poder se mexer, sem poder dobrar as pernas, distender a bacia. E sequer podia satisfazer com normalidade as necessidades mais primárias do ser humano.

Para fazer sua comida, colocava o fogão entre as pernas. Até que um dia o objeto incendiou-se e, para não se deixar queima-lo vivo, lançou-o na água.
Após 88 dias chegou à Ilha de Saint-Thomas
Após 88 dias de um sofrimento atroz, com o corpo roído pelo sal e úlceras dolorosas, o Capitão Romer chegou à Ilha de Saint-Thomas. Levado a um hotel, dormiu 48 horas ininterruptas. Depois foi hospitalizado por várias semanas.

Recuperado retoma sua viagem em direção à Nova Iorque no princípio de Outubro, sem saber que uma tempestade atravessaria novamente o seu caminho.

Foi visto pela última vez no Cabo Hateras
Nenhum vestígio jamais foi encontrado. Apesar de não haver registro escrito de sua experiência, Franz Romer é considerado o primeiro navegador a fazer a travessia do Atlântico em um caiaque.

Recentemente o polonês Olek “Doba, de 67 anos, fez também essa travessia, pela segunda vez, sendo considerado o homem mais velho a cruzar o Atlântico com seu caiaque.
(Do https://marsemfim.com.br/)

TAINHA AÇORIANA: "SAPUDAS" E 'CHEIAS DE PICA"


As tainhas da ilha do Pico, nos Açores. Grandes, "sapudas" e cheias de "pica", segundo vocabulário local. Imagem e definição despescadas da Internet.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

OUTRAS TAINHAS...


Ver tradução!

SECANDO O SAL

Foto Fernando Alexandre

O CALDO DE TAINHA DO BRUXO

Ilustração Andrea Ramos
CALDO DE TAINHA À MANEIRA DO SÍTIO
,
Nesta receita, A. Seixas Netto, o "bruxo" do tempo, nos ensina a forma mais simples e antiga de se preparar um legítmo caldo de tainha na Ilha de Santa Catarina.
;
"...Mas as festas da pesca da tainha está por terminar. Os barcos de alto mar pescam as mantas antes que cheguem às redes dos tradicionais, valorosos e históricos pescadores ilhéus. É o progresso, sem dúvida, mas é pena. E muitas vezes a gente torce para comer um caldo de peixe à maneira do sítio, gostoso, natural, e vai dar com os costados num restaurante onde o caldo de peixe é vermelho de colorau e temperos que escapam à razão do bom comedor de peixe.

E como é bom o caldo de tainhas à maneira da ilha. Sua receita é assim: Numa panela grande de barro, água à ferver e cebolinhas verdes picadas, tomates bem maduros, salsinha, algumas folhas de orégano e alfavaca, sal a gosto. Após a fervura, dentro algumas lascas de gordura da tainha, emana um perfume que é maravilhoso, e o caldo assume um colorido típico branco esverdeado. Em plena fervura são lançados ao caldo postas de tainha, ovas, moelas e fígado do peixe. Uns quatro a cinco minutos, serve-se, fazendo pirão do caldo. Pimenta verde, da redondinha que arde como o fogo do inferno, à parte. Alguns vão de vinho branco mas é esnobada.
O bom mesmo é batida de limão. E isso atrai todo mundo para as praias, casa de amigos, restaurantes praieiros.

Mas o caso é que no ano passado levei alguns visitantes a comer caldo de tainha e o restaurante praieiro — (praieiro hein?) — apresentou um caldo vermelho de colorau, e feita para cem, mistura de farinha de trigo.

Resultado: Fizemos que comíamos e depois compramos tainha e viemos fazer o caldo em casa. Mas é assim, o comércio exagerado estraga tudo. E as festas da pesca da tainha vai deixando saudade. Ora se vai... "

(A. Seixas Netto, em "Os festejos das pescas da tainha", crônica publicada oroginalmente em "O Estado". Florianópolis, 28 de março de 1971)

MAR-CAIS

mar arisco 
bate bate na pedra
mariscos

(Fernando Alexandre)

TODOS OS CAMINHOS LEVAM...


Foto e caminhos do Ivan Messiano

NA LEMBRANÇA...


Neri Honorato, do Pantano do Sul, tem 72 anos e pesca desde criança.

MAR DE HASSIS

Hassis - Hiedy de Assis Corrêa ( Curitiba, 27/7/1926 - Ilha de Santa Catarina, 20/1/2001)

TAINHAS: OS PEIXES QUE PULAM

Rio Mamanguape - Foto J. Pontual
Pescadores do Estuário do Rio Mamanguape, na Paraíba, contam que tainha, tamatarana e curimã (Mugilidae) são os principais representantes dos “peixes que pulam”, fenômeno comportamental relacionado, principalmente, à fuga dos predadores. Estes peixes chegam a sair da água quando acuados por predadores. Pelo fato de conhecerem bem os “peixes que pulam”, os pescadores desenvolveram uma estratégia de pesca específica, denominada de “zangareia”, para capturar os cardumes de tainha.
Esta técnica consiste na fixação de rede vertical disposta longitudinalmente no fundo da canoa. A operação envolve várias canoas e ocorre em noites escuras, preferencialmente na lua nova. Dez canoas ou mais, cada uma contendo dois tripulantes e um “tocheiro” (lampião de querosene), colocam-se em fila dupla em busca de algum cardume de tainha. Os peixes saltam “encandeados” pela luz dos lampiões e ao baterem na zangareia acabam caindo dentro da canoa. Estas informações fazem parte de um estudo realizado por José da Silva Mourão e Nivaldo Nordi.

domingo, 21 de maio de 2017

TAINHA HAWAIANA




Foto Mugiles Nágua
Em Diamond Head, Ilha de Oahu, no Hawai, a tainha de Jansen D. Kaya, com 4,23 quilos. Capturada no arpão.

REUNIÃO DE PAUTA

Foto Fernando Alexandre

Pântano do Sul

AS CORES DA TEREZINHA

Foto Fernando Alexandre
Na espera e na espreita...

TAINHA FUXIQUEIRA DE DOMINGO!

Resultado de imagem para Tainha fuxiqueira
Tainha fuxiqueira

1 tainha de aproximadamente 1,5 kg
Sal e pimenta-do-reino a gosto
1 dente de alho

Recheio:

200 g de berbigões
100 g de cebola
75 g de tomate sem semente
100 g de cada: brócolis, couve-flor e cenoura cozida
1 colher de alho-poró picado
2 colheres de manteiga
4 ovos inteiros e batidos
Cebolinha verde a gosto

1. Tempere a tainha com sal e pimenta e um pouco de alho.

2. Leve ao forno médio (forno profissional 15 min, convencional, 45 min). Asse e reserve.

3. Em uma frigideira, coloque a manteiga, a salsa, a cebola, o tomate sem semente picado e o alho-poró. Refogue-os até ficarem transparentes. Acrescente os berbigões e refogue mais um pouco. Logo após, acrescente os legumes (já cozidos). Refogue-os e, por fim, acrescente os ovos e não pare de mexer até que fiquem cozidos. Por fim, recheie a tainha.

( Receita do Restaurante Porto do Contrato, Ribeirão da Ilha)

TAINHAS DE PORTUGAL


É a ultima embarcação a armar a Peixeira na Ria de Aveiro. Quando este homem deixar de o fazer, ficaremos ainda mais pobres de cultura e tradições...
Os tempos mudaram, o trabalho é árduo, e os novos procuram o lucro fácil. Rende-lhes mais uma hora na apanha da ameijoa, que uma maré inteira a procurar cardumes, cada vez mais escassos.
Mas chegaram a ser às dezenas, as "arapucas" armadas nas águas da nossa Ria. Depois de armado o cerco, havia que varejar as águas, para que as Tainhas fugissem e se emalhassem nas Albitanas da Curraleira.
- E era lindo de se ver - contam os mais velhos. O trânsito nos canais era muito e diverso, com Moliceiros e Mercanteis, Chinchorros e tantas outras artes, que se perderam no tempo. 
Sobre esta, o meu Pai - homem da Ria - ainda recorda as vezes em que, no Laranjo, o peixe era tanto que fazia arrear a manta, permitindo que metade se perdesse nas vagas. Era tanto, que lhes permitia darem-se ao luxo de aumentar a medida da malha, na Peixeira, como nas Branqueiras, nas Solheiras ou na Chincha, para não encherem as cavernas de peixe miúdo.
Hoje, até na venda lhes dificultam a vida. Sem a lota do Mercado de Pardelhas - estupidamente extinta - e sem interesse nesta espécie, por parte dos intermediários, resta-lhes a venda ambulante, de "porta a porta", que foi em tempos tarefa das Varinas, também elas desaparecidas.
Para quem não sabe, esclareço que as Tainhas da Ria de Aveiro não têm nada a ver com as de água doce, que habitam os nossos rios e que andam à tona, alimentando-se de tudo o que boia. Um retrato pouco aliciante, principalmente nas zonas urbanas. Os habitantes do Porto, por exemplo, renegam-nas. Mas isso é porque nunca comeram um Ensopado de Tainha da Ria de Aveiro...

Texto de Francisco José Rito

TAINHA CRÔNICA


 A vedete da estação 
Por Ioni de Souza 

Quem é a vedete que sempre aparece no mês de maio na Ilha de Santa Catarina?
Ela chegou numa das praias mais badaladas de Florianópolis, a praia do Santinho.
Percorreu o Mercado Público no centro da Capital, e todos pararam para vê-la. Frequentou as mesas mais sofisticadas da cidade, esteve nos melhores restaurantes. Mas também subiu os Morros da cidade e esteve nas mesas das favelas.
Percorreu todos os bairros da Ilha e de suas imediações. Foi noticia em todos os jornais. E teve destaque até no Jornal nacional.

Afinal quem é a vedete da estação?

Mês de maio, inicio da pesca da Tainha.
A ilha da Magia tem um cheiro especial!
O ilhéu fica em festa.
As pessoas se encontram e perguntam umas as outras:

“E daí, já comesse tainha?” 


Ilustração Andrea Ramos
O velho mercado no centro da cidade fica movimentadíssimo!
As pessoas saem de lá com os grandes peixes enrolados em jornal.
Desfilam pela cidade, felizes com seus peixes.

Cada família tem seu jeito de preparar a Tainha.
Tem Tainha assada na brasa, escalada, recheada e assada de forno, enrolada na folha da bananeira, na telha, etc.

Mas todos têm seu lado bruxo.
Pegam um caldeirão e fazem um caldo que vai virar o principal acompanhamento: o mágico pirão!
Vão colocando no caldeirão de água fervente as cabeças das Tainhas e seus mágicos temperos: tomate, cebola, alho, louro, alfavaca, orégano, cebolinha verde, salsa, colorau, pimenta malagueta e sal.
As casas ficam perfumadas.
O cheiro desses temperos fresquinhos, colocados bem picadinhos, cada um na sua proporção e vez.
A família em volta da mesa esperando esta magia ficar pronta, e típica do manezinho da ilha.
Não se come sozinho a Tainha.
Tainha na Ilha de Santa Catarina é sinônimo de festa, de compartilhar, de convidar, de se encontrar e saborear."
Floranópolis, 2004.

(Ioni de Souza tem 67 anos,
é mãe, costureira, dona de casa e contadora de história e estórias. Mora há mais de 60 anos no Saco dos Limões.)

MAR-CAIS

Foto Fernando Alexandre
Me vendo de costas,
assim...
sou o outro indo embora,
de mim...
(Fernando Alexandre)

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre

Valter dos balaios e capitão Ademir, na lida com a "Pombinha"!



OUTRAS ILHAS - ONDE O VIGIA É ESPIA!

Pescando tainhas na Ilha do Mel, Paraná, com cerco de praia e onde o "vigia" chama-se "Espia"!

sábado, 20 de maio de 2017

SAI O CAMARÃO, ENTRA A TAINHA!

Foto Divulgação/Epagri

Parceria entre a Empresa de Pesquisa Agrícola e Extensão Rural do Estado (Epagri), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a empresa Atlântico Sul Maricultura retomaram os trabalhos com experimentos que preveem reproduzir tainha ( Mugil liza) em cativeiro e cultivar em grande escala. 
O estudo estava parado há 30 anos e agora entra em uma nova fase. A intenção é que a tecnologia seja usada para reprodução comercial do peixe durante todo o ano. A pesquisa foi retomada ano passado com a captura de 68 peixes no sul do estado que foram utilizados como reprodutores. Como resultado pesquisadores exibem mais de 100 mil alevinos com quarenta dias de vida. A próxima etapa é a recria e engorda fora do laboratório.

A pesquisa é resultado da busca de novas alternativas para os criadores de camarão em cativeiro que estão com seus viveiros parados, em função da doença da mancha branca. Após dez anos da crise nos cativeiros de camarões na cidade de Laguna e região, muitos dos produtores ainda não se recuperaram.
 O fato da mancha branca ainda estar presente no solo dos viveiros, seu difícil controle e de quebra a falta de confiança dos proprietários das terras após tantos prejuízos, mostram que, o único caminho é encontrar novas alternativas para a utilização destes viveiros. A proposta concluiu a fase de produção de alevinos de tainha e agora pesquisadores se preparam para a segunda etapa, a avaliação de sistemas de recria e engorda da tainha.


AS TAINHAS DOS FARAÓS


Pescadores egípcios, gravura de aproximadamente 2000 anos AC.

A pesca sempre fez parte das culturas humanas, não só como fonte de alimento, mas também como modo de vida, fornecendo identidade a inúmeras comunidades e como objeto artístico. A Bíblia tem várias referências à pesca e o peixe tornou-se um símbolo dos cristãos desde os primeiros tempos. Uma das atividades com uma história mais longa é o comércio de bacalhau seco entre o norte e o sul da Europa, que começou no tempo dos vikings há mais de 1000 anos.

Embora em algumas localidades egípcias fosse proibido consumir certas espécies de peixe em datas específicas, a maior parte da população comia peixe normalmente. Os habitantes da região do Delta e os que moravam às margens do lago Fayum eram pescadores por profissão. Quanto aos peixes, Heródoto informa que alguns eram comidos crus e secos ao sol ou postos em salmoura.
Entretanto, várias outras espécies eram comidas assadas ou cozidas. Uma vez pescados, os peixes eram estendidos no solo, abertos e postos a secar. Visando a preparação do escabeche, eram separadas as ovas dos mugens (tainhas). Mais uma vez um papiro cita a quantidade de peixes doados a três templos: 441 mil. Os templos recebiam não apenas peixes frescos, mas também secos.

MAR DE POETA

Ao longe, no vilarejo,
cada janela parece
tremer à luz de uma vela,
(na vigília de uma prece).

Primeira estrela que vejo
satisfaça esse desejo:
todo dia, em cada casa,
uma tainha na brasa. 

(Josely Vianna Baptista, poeta e tradutora)

YES, THEY HAVE TAINHA!


Pesca da tainha na costa da FLorida, Estados Unidos, onde ela é chamada Gray Mullet. E notem: É no mês de janeiro.

ENQUANTO O PEIXE NÃO VEM...

Foto Fernando Alexandre

Pântano do Sul

MAREGRAFIAS

Foto Fernando Alexandre

sexta-feira, 19 de maio de 2017

TRABALHADORES DO MAR

Foto Fernando Alexandre
Pântano do Sul - SC

JACK O MARUJO


- Faz bem em se afastar da costa, capitão, disse o Almirante. Os facínoras dominam o país.
- É por isso que não encontro mais os piratas em alto mar, disse Jack o Marujo. Estão todos em terra.

ONDE ESTÃO AS OVAS DAS TAINHAS?

Foto: Reprodução / Instagram @alexatala

Empresa de Itajaí exporta ovas de tainha para os Estados Unidos

A Bottarga Gold, empresa de Itajaí especializada no processamento de ovas de tainha _ o caviar brasileiro _ acaba de dar um passo importante rumo ao mercado internacional. A iguaria, que é amplamente consumida nos melhores restaurantes do país (chefs como Alex Atala e Claude Troisgros são alguns dos clientes famosos), está sendo exportada para os Estados Unidos a partir deste mês.

Além de ampliar o mercado, a exportação trouxe um upgrade ao volume de produção da empresa, que passou de 100 para 400 toneladas de bottarga ao mês. Detalhe: 300 toneladas só para o mercado externo.

Para quadruplicar a quantidade de produtos produzidos, a Bottarga Gold adquiriu mais equipamentos e está pronta para novas expansões. A empresa está de olho, agora, no mercado europeu _ a expectativa é começar a exportar para o Velho Mundo no início do ano que vem.
O que faz da ova de tainha um sucesso tão grande é o sabor diferenciado, a versatilidade de uso (diferente do tradicional caviar de estrujão) e o preço. A saborosíssima bottarga é vendida a em média R$ 500 o quilo, enquanto o caviar não sai por menos de
R$ 10 mil.

Na verdade, chamá-la de caviar é “maneira de dizer”, já que o preparo é totalmente diferente. O caviar tradicional sai das vísceras da fêmea direto para a latinha, enquanto que a bottarga passa por um processo de secagem antes de ser embalada.

É vendida de várias formas diferentes _ inteira, ralada ou granulada, envolta ou não em cera de abelha. A iguaria é típica do nosso litoral, que aprecia muito as tainhas, mas costuma ser feita de maneira artesanal. A empresa de Itajaí é pioneira na produção e a única a possuir o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) no país.

(http://wp.clicrbs.com.br/guarda-sol/)

TAINHAS DO EGITO!


Aquicultura e produção de rações e peixes no Egito

O Egito é o maior produtor de tainha (Mugil cephalus) do mundo e também um dos maiores produtores mundiais de tilápia-do-Nilo!

Terceiro lugar na lista dos artigos científicos mais baixados da revista Aquaculture (Elsevier) nos últimos 90 dias, o Artigo “Value chain analysis of the aquaculture feed sector in Egypt”, de El-Sayed e colaboradores (v. 437, fevereiro de 2015, p. 92-101), mapeou e analisou a indústria de rações no Egito.

Peraí… A primeira pergunta que vem em mente é se a aquicultura do Egito é tão expressiva assim a ponto deste artigo ser bastante “requisitado”? A resposta é sim!

Em 1992, o Egito produzia apenas 64 mil toneladas de peixes, o equivalente hoje aos estados brasileiros de Rondônia ou São Paulo. Em 20 anos, sua produção piscícola aumentou para 1 milhão de toneladas (2012), o que representa 74% do total da aquicultura egípcia. Neste mesmo período, a área de cultivo ampliou de 42 mil para 120 mil hectares. Sim, eles produzem mais peixes que o Brasil, bem mais…

O Egito é o maior produtor de tainha (Mugil cephalus) do mundo e também um dos maiores produtores mundiais de tilápia-do-Nilo, e detalhe importante: lá as tilápias são nativas! No total, o país cultiva 14 diferentes espécies de peixes e duas espécies de crustáceos, sendo 10 espécies nativas e 6 exóticas. As carpas chinesas também têm destaque no Egito (70 mil ton./ano).

Figura 1. Despesca de tilápias em uma fazenda do Egito (Fonte: picssr.com)

Os principais resultados do artigo científico mostraram que a indústria de rações no Egito é relativamente simples e congrega somente quatro principais grupos produtores. Eles são compradores de insumos, produtores de ração, beneficiadores de pescado, atuam no mercado e ainda engordam os próprios peixes.

De 50 a 99% dos ingredientes das rações produzidas no Egito são importados. Cerca de 90% das rações são produzidas pelo setor privado, onde 80-85% são peletizadas e somente de 15 a 20% são extrusadas (quem sabe uma oportunidade para fabricantes de extrusoras?). Aproximadamente 85% das rações são vendidas diretamente para os produtores e apenas 15% para atacadistas.

Com relação à empregabilidade, a média é de 3,9 empregos para cada 1.000 toneladas de ração produzida. Apenas 10% das fábricas de ração são estatais e nelas a taxa é de 90,3 empregos para cada 1.000 toneladas produzidas. Brasil? Não, Egito!

MAR -CAIS



luzes no mar 
estrelas errantes 
cansadas de navegar

(Fernando Alexandre)

A TAINHA DO EÇA DE QUEIRÓS



ASSADA E
ALOURADA

"O peixe, por exemplo pode ser uma tainha. E aqui está como ela se prepara, ó estudiosos. Tomai essa tainha. Escamai e esvaziai. Preparai uma massa bem batida, com queijo (que hoje pode ser parmesão), azeite, gema de ovo, salsa e ervas fragrantes, e recheai com ela a vossa tainha. Untai-a então de azeite e salpicai-a de sal. Em seguida assai-a num lume forte. Logo depois de bem assada e alourada, umedecei-a com vinagre superfino. Servi e louvai Netuno, deus dos peixes...."

(Eça de Queiroz, Notas Contemporâneas, 1893)

Considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa de todos os tempos, Eça de Queirós nasceu em Póvoa de Varzim - Portugal, no dia 25 de novembro de 1845. Grande apreciador da mesa farta e variada, sempre descreveu com riqueza de detalhes o que seus personagens apreciavam nas refeições ou mesmo nos banquetes que aconteciam em seus romances com grande frequencia. Em vários deles, a tainha está presente nos cardápios.
Mestre Eça de Queiroz pesquisou e descobriu como era um jantar greco-latino na antiguidade. E com tainha, é claro! 

DESPESCANDO

Fotos Fernando Alexandre

Tem Pampo na rede do Célio Carestia! "Mar Azul" voltou carregado pro Pântano do Sul!
Festa na praia!

TAINHAS DO NORTE

Tainhas escaladas (secas) vendidas no cais de desembarque ao lado do "Ver-o-Peso", o tradicional mercado de Belém, no Pará. Dentro do "Ver-o-Peso", nos boxes, a tainha fresca estava sendo vendida a 6 reais o quilo no final de junho do ano passado. Lá, como aqui no Mercado Público de Florianópolis, a procedência do peixe também é informada com destaque. No caso destas tainhas, elas tinham vindo do município de São Caetano de Odivelas, que é banhado pelo oceano Atlântico e por diversos rios. As fotos e as informações, exclusivas para o "Tainha na Rede", são do "camarada" do blog Leandro Dalla Santa, que andou por aquelas águas em busca de botos, bois e tainhas.

SEM LICENÇAS, PESCADORES PROTESTAM!

Enquanto as licenças não chegam, apenas os pescadores da praia podem trabalhar - Ivan Lucas/ Divulgação/ND

Oferta de licenças para a pesca da tainha não agrada pescadores artesanais

Governo sorteou apenas 50 barcos para a captura. Lista definitiva com o licenciamento deve ser divulgada na sexta-feira (19)

BRUNELA MARIA, PALHOÇA 

É nas pedras do costão da Guarda do Embaú e da Prainha, em Palhoça, na Grande Florianópolis, que o pescador Marcos de Valdir dos Santos, 40 anos, mantém a expectativa de lançar suas redes e participar da pesca da Tainha. O barco Anjos da Guarda, onde trabalha há oito anos com sete pessoas, permanece na areia. Ele torcia para que a embarcação estivesse entre as beneficiadas com as 50 licenças distribuídas nesta qyuara-feira (17) pelo governo, por sorteio, mas vai ter que esperar um pouco mais. O resultado oficial o Ministério da Agricultura só deve divulgar sexta-feira (19), depois do período de recursos e contestações por parte dos proprietários


Sem o documento, Santos e os amigos preferem ficar na areia e não arriscar. Sabem que podem ser pegos se agirem na clandestinidade. “Ficamos olhando daqui ao longe os cardumes, mas não entramos porque é errado, vamos infringir a lei e sabemos que a fiscalização está pegando mesmo. Nosso medo é não ganhar a permissão, afinal dependemos muito disso, sem o peixe vamos passar fome”, declara.

Nas praias, o sentimento com a redução ainda maior do número de licenças para a pesca artesanal é de revolta e desânimo. Especialmente porque, mesmo antes do governo se decidir, os barcos precisam estar prontos e isso consome as economias dos pescadores. “Sou pescador há muitos anos. Foi herança de pai, mas a situação está muito difícil. Em 2016 conseguimos a licença, mas agora ficamos nesta angustia. Se não ganhar, ficamos à mingua, passando necessidade. Nos resta olhar de longe mesmo o mar e ter fé para alguém mudar isso”, comenta.

Industriais e artesanais vão à justiça

Tanto os pescadores artesanais embarcados quanto os industriais devem buscar na justiça uma saída que garanta a captura das tainhas. A pesca começou no dia primeiro, mas só para uso de canoas a remo. Os barcos a motor artesanais dependem da licença, assim como os industriais, que só podem pescar a partir do próximo dia 1º de julho.
Para tentar impedir que o sorteio se repita, o Sindipi (Sindicatos dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região), deve protocolar uma ação contra as normativas estabelecidas pelo Mapa. Na avaliação do Coordenador de Câmara de Pesca de Cerco do sindicato, Aguinaldo dos Santos, diminuir as emissões das licenças compromete o setor “A região possui 90 barcos industriais e a portaria diz que 32 serão contempladas. Isso é uma falta de respeito com a pesca porque muitas famílias serão afetadas”, diz. 
O setor também questiona a paralisação dos barcos de pesca de sardinha no período da tainha. “Onde há tainha, não há sardinha, são duas coisas distintas e eles precisam entender isso”, complementa.

Artesanais questionam modelo de rede

Os pescadores artesanais, além de contestarem o número de licenças concedidas, querem que a pesca seja de fato reconhecida pela ligação com a cultura local, o que significa que o trabalhador não pode ser simplesmente impedido de buscar o seu sustento.
“As embarcações industriais registram seus pescadores, são todos profissionais, diferente dos nossos associados que dependem muito disso. O processo é mais cultural do que profissional na região. É sazonal, mas as pessoas se preparam justamente para nessa época conseguir a tainha. Falta apoio federal nesse sentido, entender a necessidade do setor e que emitir um número de licenças reduzidas afeta os pescadores”, comenta o assessor jurídico da Appaecsc (Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina), Ernesto São Thiago.
Os artesanais também questionam a rede liberada para a pesca. O critério federal pede que seja utilizada a rede lisa, mas segundo Thiago, os pescadores reclamam porque é preciso cortar o material quando o barco não tem capacidade para capturar o montante das tainhas. Já a rede anilhada faz o cerco e fecha os peixes por baixo. Quando o cardume é maior, ela se abre e o peixe sai. “Eles pedem justamente o contrário, uso da rede lisa. A anilhada é melhor porque libera sem prejudicar o meio ambiente”, salienta.

(dO https://ndonline.com.br/)

NA LISTA DA PESCA - PÂNTANO DO SUL

Barrinha, patrão da canoa "Terezinha"
Walter dos Balaios, camarada da canoa "Mariposa"
Camarada Pirra, puxando os peixes com um olhar
Fotos Fernando Alexandre