quarta-feira, 15 de março de 2017

MULHERES DO MAR

Redes, barco e balança para pesar o pescado fazem parte do rancho de Letinha (Foto: Valéria Martins/G1)

Pescadora de SC explica as alegrias do ofício e diz não sofrer preconceito

Nascida no Ribeirão da Ilha, Letinha diz que 'ir para o mar é o suficiente'.
Ela diz que comunidade elogia e acha corajosa a mulher que pesca.

Joana Caldas Do G1 SC

Redes, barcos, tainhas, curvinas, anchovas, mariscos, ostras e um rancho. Esta é a vida de Marlete Odete da Cunha, conhecida como Letinha, moradora, pescadora e maricultora do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. Ela pesca há 26 anos e diz nunca ter sofrido preconceito por ser mulher e exercer esse ofício. "Elogiam bastante, acham bonito, corajoso", conta.
Além de pescar e fazer cultivo e ostras e
mariscos, Letinha vende congelados
(Foto: Valéria Martins/G1)

O Ribeirão é localizado no Sul da Ilha de Santa Catarina e é lá que Letinha trabalha no rancho que divide com outros pescadores, em meio às redes, ao barco que tem com o marido e à balança, para pesar os peixes. Atualmente com 55 anos, ela começou a pescar aos 29, quando se casou. O marido, também pescador, foi quem a ensinou não somente as técnicas, mas também as alegrias de se estar em um barco na água.

"Só em ir pro mar já é o suficiente. O mar ajuda a gente a arejar a cabeça. Vir bastante peixe na rede é uma alegria muito grande", descreve Letinha. Na casa em que morava quando criança, a cerca de 1,5 km da residência atual, a menina já tinha o exemplo no próprio lar. O pai era pescador e, na infância, Letinha já fazia tarrafas, um tipo de rede, e gostava de pegar camarão. Mais velha, brinca que, para completar o gosto que já tinha pelo ofício, "casei também com um que gosta de pescar".

Na família, são ela e mais 12 irmãos. Desses, três homens e duas mulheres, incluindo ela, pescam. A especialidade de Letinha e do marido inclui tainhas, curvinas, anchovas, berbigão, siri e o cultivo de ostras e mariscos. E a profissão não é apenas da boca para fora: a catarinense é associada e tem carteirinha do Sindicato do Pescadores do Estado de Santa Catarina (Sindipesca).

Dificuldades
Viver da pesca, porém, não é uma tarefa fácil para a família, que, além do marido, inclui um filho de 30 anos. O que retira do mar, ela vende para peixarias da cidade e restaurantes do próprio Ribeirão. Também aparecem compradores no rancho dela procurando, principalmente, ostras. Contudo, Letinha e o marido possuem também outras fontes de renda.

A pescadora vende congelados para complementar o orçamento da casa. "Faço bolinho de camarão, de peixe, de berbigão", explica. A fonte dos alimentos vem do que é pescado pelo casal, com execeção do camarão, que "aqui, quase não dá", como diz Letinha. Os congelados são vendidos para restaurantes no próprio Ribeirão e em outros de toda a cidade, incluindo a parte continental.

O marido de Letinha trabalha como porteiro de um prédio no Centro de Florianópolis. Apesar da influência em casa, o filho não quis ser pescador. A vida pode ser um pouco difícil, mas, a julgar pelo conhecimento que Letinha tem das redes e do cultivo de ostras e mariscos, ela ainda tem muitos anos pela frente como pescadora e maricultora no Ribeirão.

(Do http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/)

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