sábado, 25 de março de 2017

À SOMBRA DOS REMOS...


Foto Fernando Alexandre
"Maria Marta batizaram-me. Virginiana de 25 anos esculpida e acomodada num tronco de garapuvú, nas formas e meneios de uma canoa-bordada. Branca de corpo, sou rápida sou esguia, leve. Levo um friso azul-claro ao longo do costado a título de adereço. Replico ao imediato instinto às sombras dos remos. Rosada no colo interior sou da classe canoa-fêmea. Deslizo em suavidade líquida causando ínfimo atrito, por pouco batendo remos e voar (este é meu desejo mais profundo). 
Descanso sobre troncos roliços bronzeando ao sol. Aprecio o mar, meu companheiro encantador, desde que em suas areias me deitaram em noite de lua nova. Apito do sentinela no costão. Alvoroço no cardume que corusca apontando de leste. Lá vou empurrada por braços fortes encontro vagas conhecidas transpassando. Sobem afoitos pés descalços recebo. Remos perfuram o mar e empuxo. Disposta respondo. Redes escorregando ao meu passar lembra um vestido de noiva, calda longa e véu. Na prática diária da labuta cercamos manta alegres. Perseverante vigio o revolver das redes carregadas. Em meu seio o peso do sustento das famílias não sinto. Apenas reflito a essência dos elementos em harmonia."

(Ivan Messiano, poeta e escritor paulista quando morou na Ilha de Santa Catarina)

Um comentário:

dircelia disse...

Vó Zeza era louca por tainha, recheada com farofa de ovas. Huummmm, acho que em junho vou pra Floripa comer umasinha lça na casa da Maricota e da Loura.