terça-feira, 31 de janeiro de 2017

NA PRAIA...

Sylvia Plath

MAR DE PESCADOR

Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

Fepesca deve pedir mudanças no decreto que endurece regras para o seguro-defeso
Presidente Michel Temer protocolou novas medidas na última terça-feira. Pescadores artesanais foram pegos de surpresa com o canetaço


Na última terça-feira, o presidente Michel Temer assinou um decreto que altera e endurece as regras para o pescador artesanal ter direito ao seguro-defeso. Uma das medidas mais polêmicas é o cancelamento do benefício nos lugares onde existem alternativas de pesca, que não estejam no período de defeso. A questão é, explicou o presidente da Federação dos Pescadores de Santa Catarina (Fepesca), Ivo Silva, que o pescador artesanal precisa pescar vários tipos de espécies para sobreviver. E perder o benefício poderia atingir em cheio o bolso do trabalhador. 

A Fepesca, junto da Federação Nacional e de outras federações do país, analisam todos os detalhes do decreto para pedir possíveis alterações na lei pela Câmara de Deputados, com o apoio da bancada da pesca da Casa Legislativa. Protestos também não estão descartados.

O decreto pegou a federação de surpresa, explicou Ivo Silva. Ainda é preciso avaliar todos os quesitos do documento, que tem como objetivo, segundo o Governo Federal, economizar até R$ 2 bilhões por ano e evitar possíveis fraudes. Atualmente, são gastos R$ 3,1 bilhões ao ano com o pagamento do benefício aos pescadores artesanais de todo o país. A projeção da equipe da presidência é que em seis anos, este valor aumente 160%, o que inviabilizaria os cofres públicos. 

Atualmente, segundo a Fepesca, Santa Catarina conta com 42 mil pescadores artesanais sendo que, afirmou o presidente da federação, cerca de 18 mil recebem seguro-defeso em determinados períodos do ano. No país, a medida irá atingir até 800 mil pescadores artesanais. No Estado, a Fepesca ainda não contabilizou o número correto de trabalhadores que poderiam ser prejudicados.

O decreto ainda fixa o benefício mensal do período de defeso em um salário mínimo (R$ 937). A medida entra em vigor em 180 dias.

A polêmica

De acordo com o decreto, quem morar em locais onde há a possibilidade de pescar outras espécies que não estão em período de defeso, o benefício não será mais pago. Esta é a medida que está sendo analisada "com mais carinho", avisou Ivo Silva, e que deve ser questionada junto à bancada da pesca na Câmara.

— Alguns setores da pesca não serão afetados no Estado. Quem trabalha com o sistema lagunar, por exemplo, pesca o ano inteiro camarão e não será prejudicado. O que vai pesar é quem pesca em oceano, a pesca de praia. Para sobreviver e pagar as dívidas, é preciso pescar corvina, pescadinha, de tudo — explicou Ivo Silva.

Outra medida proposta no decreto é a exigência da carteirinha de pescador pela Marinha. E aí entra outra questão, que é a realização dos cursos para adquirir a carteira. Em Florianópolis, pelo menos 300 pescadores precisam passar pelo curso, que é reivindicado pela própria Fepesca há pelo menos dois anos. A federação tenta uma parceria com o Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (Igeof) para a realização das capacitações em Florianópolis, mas por enquanto, eles ainda não têm data para ocorrer.

— A nossa ideia é atender 40 pessoas por curso, que ocorre durante uma semana. Precisamos então de mais agilidade para garantir a carteirinha para os pescadores embarcarem e estarem regularizados para se cadastrar para o seguro-defeso — alertou Ivo.

Orientações

Ainda há a exigência de atestado de residência do município, coisa que muitos pescadores da Grande Floripa terão que se adequar, contou o presidente. Pescadores de Governador Celso Ramos, por exemplo, estão cadastrados para receber o benefício em Palhoça. Assim como alguns de São José, se cadastraram em Florianópolis.

— Eles terão que pedir o benefício em sua própria cidade a partir de agora. O decreto pede uma maior regularização mais firme de vários quesitos. Vamos orientar os pescadores para eles não serem prejudicados — avisou.

Após a análise do documento, a Fepesca pretende iniciar orientações nas colônias de pescadores da região já na segunda-feira, dia 30 de janeiro. O presidente ainda quer montar uma cartilha para especificar todos os detalhes do documento para entregar aos interessados.
(Do www.clicrrbs.com.br)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

MAR DE TODOS

Nosso mar pede socorro!
Ontem, no Campeche, moradores fecham pela quarta semana consecutiva esgotos que correm para o mar!

CANÇÕES DO MAR

Os Fisherman's Friends, grupo de marinheiros e pescadores do vilarejo de Port Isaac, na região britânica da Cornualha que devem lançar seu primeiro álbum em abril. Os dez integrantes do grupo - todos na faixa dos 60 anos de idade - cantam juntos há 15 anos. Seu repertório inclui apenas os chamados "shanties" - tradicionais cânticos que os marinheiros britânicos entoavam no convés dos navios quando estavam em alto mar. Todos são amigos de infância e trabalham ou já trabalharam como pescadores, salva-vidas ou tripulantes de embarcações.

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Ivan Bueno
Ilha do Mel, olhada e clicada pelo Ivan Bueno Bueno 

domingo, 29 de janeiro de 2017

NA PRAIA

"Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou."
(SYLVIA PLATH - durante férias - 1953)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

MAR DE PESCADOR


PESCADOR NÃO PODERÁ TER OUTRO EMPREGO OU VÍNCULO EMPREGATÍCIO PARA RECEBER SEGURO DESEMPREGO/DEFESO

AUTORIZAÇÃO DAS EMBARCAÇÕES DE PESCA TERÁ VALIDADE POR TRÊS ANOS

A Presidência da República publicou, nesta terça-feira (24), no Diário Oficial da União, o Decreto nº 8.967, que amplia de um para três anos a validade das autorizações de pesca das embarcações. Segundo a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o prazo anterior era reduzido e contribuía para aumentar a burocracia, provocando acúmulo de pedidos de registros e de documentos. Sem a autorização, os pescadores ficavam impedidos de trabalhar.

O decreto determina também que o seguro desemprego/defeso, no valor de um salário mínimo (R$ 937), só poderá ser concedido aos pescadores artesanais profissionais que exercerem a atividade sem interrupções e que tenham a atividade pesqueira como única fonte de renda. O beneficiário não poderá ter qualquer vínculo empregatício fora da pesca.

O pagamento do seguro desemprego/defeso é feito pelo INSS. O órgão poderá comunicar o indeferimento do pagamento ou a existência de qualquer impedimento para a concessão do benefício pela internet ou pela central de teleatendimento. O INSS também poderá convocar, a qualquer tempo, o pescador para apresentação de documentos que comprovem o atendimento das exigências da legislação.

O governo poderá condicionar o recebimento do benefício durante o defeso à comprovação da matrícula e da frequência do trabalhador em curso de formação de qualificação profissional. A medida é voltada à melhoria da atividade e gestão do negócio pesqueiro.

Outra medida é a exigência de que o cadastro do pescador informe o local de moradia e da pesca, a fim de garantir transparência na concessão do benefício. Isso vai assegurar que o beneficiário seja efetivamente pescador profissional artesanal. Também contribuirá para a sustentabilidade da pesca, com a preservação dos recursos naturais, por meio da identificação da área em que a atividade é desenvolvida.

Os períodos e os locais de defeso serão revistos periodicamente pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Meio Ambiente. O objetivo é avaliar a efetividade das épocas determinadas para o defeso, sobretudo nas áreas continentais. Elas poderão ser revogadas quando for comprovada a ineficácia na preservação das espécies. Também estão previstas mudanças nos períodos e locais de defeso em caso de seca, estiagem e tragédias ambientais (contaminações por agentes químicos, físicos e biológicos).

Em razão do decreto, o Mapa terá prazo de 180 dias para adaptar o Registro Geral da Atividade Pesqueira às alterações.

A Secretaria de Aquicultura e Pesca informou ainda que o Mapa está desenvolvendo um novo sistema para realizar o recadastramento nacional dos pescadores artesanais profissionais, que contará com cruzamentos de informações entre os dados do Registro Geral da Pesca e demais registros administrativos oficiais. A medida visa melhorar a gestão do registro dos pescadores, agilizando o acesso aos documentos por via eletrônica, e consequentemente garantindo os seus direitos.

(dO http://diariodamanhapelotas.com.br/)

TARDE INDO...

Foto Andrea Ramos


Noite sendo...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MAR DE PESCADOR

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Pescadores terão novamente curso para tirar carteira profissional
O documento é uma exigência da Marinha para todos os pescadores que trabalham embarcados.

Hora de Santa Catarina



Os pescadores de Florianópolis devem voltar a ser beneficiados com o curso gratuito para obtenção da carteira profissional de pescador (POP Nível I). O documento é uma exigência da Marinha para todos os pescadores que trabalham embarcados.

O presidente da Federação dos Pescadores Artesanais de Santa Catarina, Ivo Silva, explica que esta é um reivindicação constante da categoria, e há dois anos tentam parceria com o Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (Igeof) para a realização de mais cursos:

— Espero que o curso realmente saia, pois muitos pescadores estão aguardando para fazer. Só na colônia em Florianópolis temos uma relação de mais de 600 interessados. Antigamente só era exigida a carteira do Ministério da Pesca, mas agora todo pescador embarcado precisa ter — informou.

Em uma reunião do gabinete do vice-prefeito da Capital, João Batista Nunes, na tarde de segunda-feira, a Capitania dos Portos, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e associações de pescadores e maricultores da Ponta do Leal e do Ribeirão da Ilha articularam a obtenção de recursos para a abertura de novas turmas _ que estavam paralisadas por falta de verba do Governo Federal. Com a viabilização do convênio entre as entidades, pelo menos 120 pessoas devem ser beneficiadas inicialmente. 

— Faremos um novo encontro, desta vez envolvendo o Igeof e a Federação Catarinense da Agricultura e Pecuária, para determinarmos os critérios para a seleção dos profissionais que participarão dos cursos oferecidos pela Capitania dos Portos — afirmou o vice-prefeito. 

Segundo o presidente da Federação, no curso os pescadores aprendem primeiros socorros, navegação, normas técnicas entre outras coisas. Ivo diz que os critérios para participação precisam ser estabelecidos em parceria:

— Em outros cursos abriram as inscrições pela internet e aqueles pescadores mais simples, que precisavam para continuar trabalhando mas não tinha acesso, acabaram ficando de fora — explicou.

Falta de carteira gera multa

Segundo Joares Pereira de Mello, chefe do Departamento de Segurança de Tráfego Aquaviário da Capitania dos Portos, com a carteira em mãos o pescador deixa de ser alvo das inspeções da Marinha, que incorrem em apreensão da embarcação e multas de até R$ 2,4 mil.

MAR DE OLHARES


Peixes. 2.00/1.70.

MAR DE PESCADORES

Resultado de imagem para peixes ameaçados no brasil

Entra em vigor lista de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados

A lista vermelha de 475 espécies de peixes e invertebrados marinhos e de água-doce ameaçados de extinção está oficialmente em vigor, a partir de publicação de decisão judicial no Diário Oficial. As espécies da lista ficam protegidas de modo integral. Além da captura e da comercialização, estão proibidos o transporte, o armazenamento, a guarda, o manejo e o beneficiamento desses animais. Desse total, um grupo de 14 espécies ainda poderá ser explorado até 1º de março, com base em outra portaria (MMA 395/2016).

“A proibição é importante, mas não é suficiente. Para as espécies que estão na lista por causa da falta de gestão de pesca, a única solução é que o governo se comprometa com a elaboração e a implementação de planos de recuperação para espécies sobrepescadas e com planos de gestão das pescarias em que elas são capturadas. Para serem efetivos, planos de recuperação e de gestão devem prever monitoramento, análise de dados, previsão e implementação de regras de manejo e fiscalização. Tudo isso precisa de base científica sólida, com a participação de cientistas e a garantia da participação ativa da sociedade. Só assim essas espécies poderão tornar-se abundantes novamente”, diz a diretora da OCEANA, Mônica Peres.

De acordo com a especialista, “apesar de toda controvérsia gerada, a lista é absolutamente fundamental para garantir um mínimo de proteção a essas espécies e tem sido uma ferramenta importante para alavancar o restabelecimento de todo o sistema de gestão de pesca”, diz.

A vigência da lista vermelha foi decidida pela 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), tendo como relator o desembargador Jirair Meguerian. O acórdão publicado restabelece os efeitos legais da Portaria 445/2014 do Ministério do Meio Ambiente (MMA) até o julgamento do mérito do recurso que tenta derrubar a norma. “A 6ª Turma tomou a atitude mais correta, com base no trabalho sério e irretocável do desembargador Jirair, que está de parabéns”, disse Mônica, lembrando, também a “participação fundamental e certeira” do governo federal, especialmente da Advocacia Geral da União, MMA, Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A lista vermelha foi elaborada ao longo de cinco anos de trabalho, sob coordenação do ICMBio. Envolveu a participação de cerca de 400 cientistas em mais de 30 workshops e foi validada por um painel de especialistas com a participação dos Ministérios da Pesca e do Meio Ambiente. As espécies foram classificadas em três níveis de ameaça: criticamente em perigo, em perigo e vulnerável. A proibição não se aplica a exemplares reproduzidos em cativeiro.

Antes mesmo da publicação, o governo federal já havia incorporado em suas normatizações a vigência da determinação do MMA. A Secretaria de Aquicultura e Pesca, ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), editou portaria (80, de 12 de janeiro de 2017), concedendo autorizações temporárias de pesca, em que deixa explícita a necessidade de as embarcações respeitarem as restrições quanto às espécies ameaçadas. “A presente prorrogação não exime o interessado do cumprimento das exigências relativas a respeitar as proibições e restrições de captura de espécies de peixes e invertebrados aquáticos constantes da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção - Peixes e Invertebrados Aquáticos, de acordo com os normativos emitidos pelo Ministério do Meio Ambiente”, diz o documento.

A portaria ainda exige o uso do Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS), apresentação de mapas de bordo e respeito às áreas de atuação e períodos de defeso, entre outras regras.
( Do http://brasil.oceana.org/)

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

PÉ NA AREIA


Com quepe de marinheiro novo, Zenaide de Souza voltou a atender clientes no Pântano do Sul
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS


Dona Zenaide volta a atender no restaurante Pedacinho do Céu, no Pântano do Sul 

Por 
MARCUS BRUNO 

A Capitã não consegue ficar parada. Desde sábado, a senhora de 72 anos voltou a atender os clientes nas areias do Pântano do Sul, em Florianópolis. Enquanto sete funcionários fazem a limpeza do restaurante, consumido pelas chamas há uma semana, Zenaide de Souza vende salgados e bebidas nas cadeiras na beira da praia.

— Está sendo igual 30 anos atrás, quando eu comecei com um quiosquezinho e os produtos numa caixinha de isopor. Só que agora é com mais orgulho — relembra Zenaide.


Ela já está até com um novo quepe de marinheiro. Ganhou de um vizinho,que usava apenas como fantasia de carnaval. Pastéis, bolinho de siri e bacalhau, refrigerante, cerveja e água é o que dá pra colocar no cardápio por enquanto. Nos próximos dias, será instalado um contêiner no espaço do deck, que não foi destruído.

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

— A gente não pode parar. Precisamos do dinheiro, tem o aluguel dos meus netos. E também pra mostrar pras pessoas que a gente não se entregou. Já vendemos bastante neste final de semana — conta a matriarca da família Souza.

O trabalho de reconstrução ainda vai levar bastante tempo. É impossível dar um prazo. Parte da alvenaria que ficou em pé também está comprometida, e o preto da fuligem está por tudo. Até agora, foi arrecadado em uma vaquinha na internet R$ 15 mil dos R$ 50 mil necessários.

No sábado, o Capitão Ademir Petiscaria, que também fica na beira da praia, doou o faturamento do dia para a reconstrução do concorrente. Os funcionários inclusive usaram as camisetas do Pedacinho do Céu. O bar ficou lotado até o final da noite, com show da banda Esporão do Bagre.

Já neste domingo, a comunidade deu um abraço coletivo em volta do Restaurante. Cerca de 60 pessoas prestaram solidariedade à família Souza. Imagens aéreas foram captadas pelo drone do instituto Larus,vinculado à UFSC.

No próximo sábado (28), às 19h, será organizado um chá de bar para arrecadar itens de restaurante. Haverá roda de samba, comidas,bebidas e brincadeiras com a Dona Zenaide. A intenção é que as pessoas levem talheres, pratos, panelas, caçarolas, frigideiras,fritadeiras, espremedores de frutas, potes, saca rolhas, etc. Será no salão de festas da Associação dos Moradores do Pântano do Sul.

(Do www.clicrbs.com.br)

MAR DO JUAN MALDONADO


Um lindo dia..lindo .
Pântano do Sul

domingo, 22 de janeiro de 2017

VIEIRAS NA MESA


VIEIRAS DE GAROPABA

Os franceses têm razão, vieiras são sublimes. Refinadas, saudáveis e fáceis de cozinhar. É impossível não se apaixonar pelo sabor suave e ligeiramente doce deste molusco. Se você pensa que ele continua restrito a restaurantes que cobram pequenas fortunas por unidade, eu tenho uma boa notícia: graças aos esforços do Quirino Neto, as vieiras estão apenas a um telefonema de distância. O Neto é um engenheiro de aquicultura que mantém uma fazenda de cultivo de vieiras em Garopaba desde 2011. Depois de um começo difícil, hoje ele produz vieiras de alta qualidade que abastecem restaurantes de Garopaba e Florianópolis, e felicidade maior, a cozinha da minha casa e da sua. E caros alunos, ele abre vagas para quem quiser participar do manejo da produção.

Como são cultivadas a 8 metros de profundidade, e vendidas frescas, é necessário um certo planejamento. Depois de dois acidentes com redes de pesca, o Neto decidiu não abusar da sorte e hoje só mergulha quando a água apresenta boa visibilidade. É preciso então ligar para ele e combinar a entrega. E caros alunos, ele abre vagas para quem quiser participar do manejo da produção. A parte da preparação é simples, e você pode consumir tanto o músculo quanto as gônadas. O único cuidado é que o cozimento deve ser breve. Lá em casa a gente gosta de temperar com sal e pimenta e depois colocar em cima um pedaço de manteiga misturada com muita salsinha e alho picados. Coloca no forno médio por 5 minutos, e serve com limão, pão fresco e um vinho de São Joaquim. Precisa mais?




sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O CAPITÃO E A COMANDANTE ZENAIDE



Foto Fernando Alexandre
 O "Capitão Ademir Restaurante e Petiscaria" do Pântano do Sul, vai estar neste sábado com a cara e o jeito do "Pedacinho do Céu", restaurante da Comandante Zenaide que foi totalmente destruído no último domingo por um incêndio. Em solidariedade, toda a equipe do "Capitão" vai usar camisetas do "Pedacinho do Céu" e o lucro do faturamento do dia será doado para a reconstrução do "Pedacinho do Céu"!
E tem mais: a noite haverá som ao vivo!
Quer ajudar a reconstruir o nosso "Pedacinho do Céu" e da Comandante Zenaide, vá neste sábado saborear as delícias do "Capitão Ademir"!
Solidariedade do Mar!

BOTANDO MAIS FOGO NESSE INFERNO...



Fotos Andrea Ramos

Pântano do Sul esquentando logo depois da chuva!
Imensa fogueira pra queimar tudo que o vento Sul não levou!
Foto: Marco Favero / Agencia RBS
diario catarinense

Pesquisadores da Univali desenvolvem repelente contra água-viva
Produto pode estar disponível na temporada 2017/2018

Pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) estão desenvolvendo uma fórmula de repelente contra água-viva. A expectativa é que o produto seja concluído até a próxima temporada. Nesta semana, os bombeiros emitiram alerta diante do alto número de casos de queimaduras por água-viva no litoral catarinense. Foram 43.528 mil casos registrados até segunda-feira (dia 16) nesta temporada 2016/2017, o dobro do ano passado. 

A ideia é ter um princípio ativo junto com o protetor solar para ser aplicado antes de entrar na água. No estudo, os pesquisadores avaliaram as propriedades bioquímicas e atividades biológicas que combatem o envenenamentos em diferentes espécies de medusas que existem no litoral catarinense e identificaram formas de reproduzir o efeito em humanos. 

— Uma água-viva não oferece perigo de envenenamento para outra água-viva. Estudando as espécies estamos propondo uma formulação de uso tópico que para muitos banhistas será o fim dos incômodos causados pelas medusas —explica Charrid Resgalla Júnior, pesquisador do Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental da Univali e um dos coordenadores do projeto.

A proposta, de autoria de Fabiana Figueredi Molin de Barba, foi apresentada como tese de doutorado do Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental da Univali. A formulação do composto ainda é mantida em segredo e deverá ser apresentada, em breve, para a indústria de cosméticos ou farmacêutica. 

Enquanto o produto não chega ao mercado, o estudo demonstrou ainda que as substâncias que apresentam melhor efeito no controle dos sintomas de dor após a queimadura de água-viva foram a vaselina líquida, com redução de 84% na dor percebida, seguida de creme neutro com cânfora, com redução de 76%.

(Do http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/)

ONDE O SOL NASCE PRIMEIRO...

A imagem pode conter: oceano, céu, nuvem, montanha, atividades ao ar livre, água e natureza

Morro das Pedras do Milton Ostetto

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

MAR DE POETA


PESCANDO NO SRI LANKA


Foto Mark Panszky

 Postado por Patricia Sunye

A pesca de palafitas é típica do Sri Lanka, ao largo da costa da Índia no oceano Índico. Os pescadores se sentam em uma barra transversal chamada de Petta, amarrada a um poste vertical a poucos metros da praia. Nesta posição elevada, de aproximadamente 2 metros, os pescadores lançam sua linha e esperam pelo peixe - arenques e pequenas cavalas. Embora pareça primitiva e antiga, a pesca de palafitas é uma tradição recente. Acredita-se que tenha começado durante a Segunda Guerra Mundial, quando a escassez de alimentos e pontos de pesca superlotados levaram alguns homens a tentar pescar na água.

No início, eles começaram a pescar a partir de destroços de navios virados e aeronaves abatidas. Em seguida, alguns começaram a erguer as suas palafitas em recifes de corais. As habilidades foram então passadas para pelo menos duas gerações de pescadores que vivem ao longo de um trecho de 30 km da costa sul entre as cidades de Unawatuna e Weligama. Como ficam fora da água, não perturbam os peixes. Mas esta é uma arte em extinção. Por ser extremamente pitoresca, atraí muitos turistas, que ficam por perto, banham-se no mar e fazem tudo aquilo que os pescadores têm evitado durante décadas: perturbar os peixes.

Fonte: scribol.com
(Do http://www.observasc.net.br/)



MAR DE VERÃO

Foto Silézio Sabino 

Olhando tainhas?
Não, alugando cadeiras na praia do Campeche!

BOTANDO MAIS FOGO NESTE INFERNO!

Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Ano de 2016 bate novo recorde de temperatura 
Por

Se fosse um atleta, o aquecimento global estaria no nível de Usain Bolt. Acaba de quebrar seu terceiro recorde seguido. A temperatura média do planeta em 2016 foi 0,94°C mais alta que a média registrada no século 20, batendo 2015, que por sua vez já tinha batido 2014. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela agência de oceanos e atmosfera dos EUA (Noaa).

É a primeira vez na história dos registros de temperatura, iniciados em 1880, que três recordes de temperatura mais alta são quebrados na sequência, apresentando sinais cada vez mais claros de que o ritmo do aquecimento global promovido pela alta concentração de gases de efeito estufa na atmosfera está cada vez mais intenso, apesar de o ano passado e o anterior terem sido afetados por um forte fenômeno El Niño.

Isso fica ainda mais evidente olhando os valores ao longo das décadas. Desde 1976, a temperatura média do planeta não fica abaixo da média histórica do século 20. Dos 16 anos mais quentes da história, com exceção de 1998, todos estão nos anos 2000. Sendo que os cinco mais quentes ocorreram na última década (2013, 2010, 2014, 2015 e 2016, em ordem de crescimento).

Além disso, todo os meses entre maio de 2015 até agosto de 2016 foram a edição mais quente daquele mês desde o início dos registros. Sendo que julho e agosto do ano passado também foram os meses mais quentes de todos os meses na história meteorológica.

Os recordes seguidos aproximam o planeta perigosamente os limites estabelecidos pelo Acordo de Paris. Concluído em dezembro de 2015, o acordo entrou em vigor em novembro do ano passado. Ele define que os países vão reduzir suas emissões de gases a fim de manter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo de 2°C até o final do século, com esforços para ficar em 1,5°C – esse valor parece cada vez mais impossível.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

MAR DE MIRAN



"Arca com Upgrade?" ( desenho de 2014 )

CAMINHOS

Os caminho de casa do Nego Miranda 

ÁGUA VIVA, PÉ LIGEIRO - COMO EVITAR



Praias de SC terão bandeira lilás para alertar sobre águas-vivas
Total de 43.528 atendimentos de lesões por água-viva alerta à população e levam bombeiros a programarem ações preventivas 
karine Wenzel e Simone Feldmann



A alta quantidade de pessoas que tiveram lesões por contato de água-viva no último fim de semana motivou uma reunião entre os comandantes do Corpo de Bombeiros para definir condutas a serem tomadas. Desde o início da temporada até esta segunda-feira, foram atendidas 43.528 pessoas pelos guarda-vidas em todo o litoral. No ano passado, neste mesmo período foram 20.403 casos. Mais da metade das ocorrências aconteceram em praias do Sul do Estado. 

Como ação preventiva, os bombeiros decidiram aderir à bandeira lilás, conforme a sinalização internacional para prevenção em áreas aquáticas, indicando a presença de animais marinhos perigosos. 

A bandeira ainda será confeccionada e distribuída entre os postos, mas o coronel Onir Mocellin, comandante do Corpo de Bombeiros Militar, espera que a sinalização esteja disponível ainda para esta temporada. Ela deve ser utilizada como uma bandeira secundária, junto à bandeira que orienta sobre as condições do mar. Enquanto isso, a orientação é que os banhistas fiquem atentos se há presença de águas-vivas na areia da praia e verifiquem com os guarda-vidas se é seguro entrar na água. 

Durante o fim de semana, foram registradas ocorrências com dois tipos de águas-vivas: a medusa (Olindias sambaquiensis), tipo mais comum, que causa reação semelhante a urticária na pele, e a caravela (Physalia physalis), que possui tentáculos grandes, geralmente com mais de um metro e deixa marcas parecidas com chicotadas. As caravelas podem causar lesões graves e desencadear reações alérgicas, chegando ao choque anafilático e obstruindo as vias aéreas. A recomendação em caso de contato com águas-vivas é procurar o posto de guarda-vidas mais próximo.


Aumentam casos no Norte do Estado

O oceanógrafo e pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) Charrid Resgalla Júnior explica que não há como destacar um único fator para o aumento do número de águas-vivas no litoral catarinense, mas lembra que o verão sempre tem picos, até porque cresce a quantidade de pessoas no mar

— O pessoal sempre se assusta, é um número alto, mas é uma coisa corriqueira, que tem acontecido nos últimos verões. Esse ano em particular está diferente porque estamos tendo muitos casos no Norte do Estado, que antes não tinha tanto. 

O pesquisador explica que uma das possibilidades é que uma espécie menos corriqueira no litoral catarinense esteja na costa, a Chrysaora lactea. Segundo ele, exemplares foram encontrados no Norte de SC em profundidade e poderiam estar causando lesões junto com a espécie mais comum, a Olindias sambaquiensis.

Repelente em desenvolvimento

Pesquisadores da Univali estão desenvolvendo fórmula de repelente contra água-viva. A expectativa é que o produto seja concluído até a próxima temporada. A ideia é ter um princípio ativo junto com o protetor solar, para ser aplicado antes de entrar na água. 

— A gente ainda não conseguiu uma formulação estável para colocar no mercado, mas estamos debruçados sobre isso — diz Resgalla Júnior, que acrescenta que seria o primeiro produto desse tipo desenvolvido no país. 

Saiba como agir caso tenha contato com uma água-viva:
Gelatinosas e incolores, com aspecto de guarda- chuva ou prato, as águas- vivas nadam na água, geralmente em grupo. A maioria é pequena e inofensiva Causam reações locais como dor e vermelhidão.

Como Evitar
Ao perceber a presença de águas- vivas, se afaste. As crianças devem ter atenção especial

Após a queimadura
Borrifar vinagre é uma das soluções: neutraliza as células com veneno e ajuda contra a dor Os guarda- vidas têm vinagre à disposição nos postos A alternativa é lavar o local com água salgada 

O que não fazer
O gelo é recomendável, mas deve estar envolto em um saco plástico, pois a água doce ajuda a liberar mais toxinas Em casos de náuseas, febre, vômito ou mal- estar, procure o posto de saúde.

(Do www.clicrbs.com.br)

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

O ENGENHO TÁ MOENDO!


Grupo Engenho no Palco Verão em Florianópolis/SC

Show do DVD “De Trés Ont'onte a Dijaôji”

Dia 21 de janeiro, sábado, às 21h, o Grupo Engenho, um dos mais importantes grupos musicais de Santa Catarina, sobe ao palco do Teatro Ademir Rosa (CIC), através do Projeto Verão Cultural, para mostrar o melhor da típica música popular do litoral catarinense em uma noite especial.


O Grupo Engenho apresenta o show do DVD gravado ao vivo “De Trés Ont'onte a Dijaôji” (2016), que reúne canções dos álbuns Vou Botá Meu Boi na Rua (1979), Engenho (1980), Força Madrinheira (1983) e “Areia”, do álbum Movimento (2003).

Formado pelos músicos e compositores: Alisson Mota (vocais e violão), Marcelo Muniz (baixo, piano, bandolim, orocongo e voz), Chico Thives (bateria e voz), Marcelo Besen (sanfona e voz), Guto Vieira (violino e voz), Manoella Vieira (backing vocal) e Claudio Frazê (percussão e voz), o Grupo Engenho mostra nesse show que a roda do engenho continua girando e emocionando todos nós!

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

MANEMÓRIAS

Foto Nynguemsabe Donome
No tempo que a cidade estava de frente para o mar e tinha cais. A imagem é da década de 40, século passado. Cais Rita Maria, navios atracados e desembarque de passageiros.

TEM BERBIGÃO NO PASTEL!

Pastel de Berbigão

Como já declarei aqui, sou fã de berbigão! Na Páscoa tinha prometido ao meu avô fazer uns pastéis de berbigão e cumpri com a promessa. Para começar vamos a uma dica preciosa: às vezes quando compramos berbigão ele pode apresentar um sabor diferente, algo que amarga na boca, o que algumas pessoas chamam de ‘fumo’. Isso pode ser normal e não altera a qualidade do produto, mas é possível ‘salvar’ o nosso berbigão. Coloque algumas gotas de limão e vinagre, deixe por 30 minutos. Após esse período, lave bem e o berbigão estará ótimo para começar o preparo.

Pastel de Berbigão
Rendimento: 20 unidades pequenas
Ingredientes:
· 300g de berbigão sem casca e pré-cozido
· 1 cebola em brunoise (cubos bem pequenos)
· 2 dentes de alho em brunoise
· ½ pimenta Dedo de Moça em brunoise
· 2 colheres sopa de cebolinha picada
· 1 colher chá de colorau
· 1 colher sopa de azeite de Oliva
· QB* manjericão
· QB sal
· QB cominho em pó
· 1 pacote de massa para pastel (tamanho pequeno)
· QB óleo vegetal para fritar
*QB: quantidade que basta. Termo muito comum na gastronomia, principalmente na elaboração de Fichas Técnicas, que é a maneira padrão de escrever uma receita. Você pode encontrar também “QS”, que significa quantidade suficiente. Traduzindo para a sua cozinha, é o famoso “temperar a gosto”.




Modo de preparo:
1. Aqueça o azeite em uma panela, adicione o alho e a pimenta. Deixe dourar rapidamente e acrescente a cebola;
2. Adicione o berbigão;
3. Tempere com o sal e o cominho. Coloque o colorau e deixe cozinhar por uns 3 minutos. Se necessário, coloque um pouco de água, mas lembre-se: queremos um refogado e não um ensopado. Algo sem muito líquido, como devem ser os recheios para pastel;
4. Desligue e acrescente a cebolinha e o manjericão. Ervas frescas sempre no final!




5. Deixe esfriar um pouco e recheie os pastéis:




Não é necessário molhar as bordas para fechá-los, apenas aperte com um garfo:


6. Aqueça o óleo, aqui mais uma dica: aquele velho truque de colocar um palito de fósforo dento da frigideira para saber quando o óleo aqueceu é enganoso, pois a temperatura correta para frituras é de 180°C. Quando o palito acende significa que a temperatura já ultrapassou o recomendado!
7. Frite os pastéis e sirva ainda quente, é sempre mais gostoso. Ah, também acompanha muito bem um molhinho de pimenta.
Espero que gostem, até a próxima!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

OLHANDO ILHAS, ESPERO...

Foto Fernando Alexandre

ACORDES DA ILHA

Banda de Florianópolis, nascida na praia do Saquinho, Ilha de Santa Catarina. Seu nome homenageia um dos moradores daquele mágico lugar, no extremo sul da Ilha. Os integrantes da banda são:Rob Williams (vocal), Mauro Sniecikowski (vocal e guitarra), Arthur Recidive (Guitarra), Cristiano Scherer (Baixo), Paulo Costa Franco (SIntetizador e trompete) e Gerson Ferraz (bateria). Este é seu primeiro clipe. 

domingo, 15 de janeiro de 2017

MATERNIDADE EXILADA

Image copyrightAlan SchvarsbergImage captionProibição de partos no arquipélago causa indignação em moradores; governo estadual diz que faltam recursos, apesar de arrecadação da ilha com turismo

Por que não nascem bebês em Fernando de Noronha?

Camilla Costa - @_camillacosta

Da BBC Brasil em São Paulo

"É um pesadelo, você acha que nunca vai acabar. É uma sensação horrível você estar dentro de um quarto presa, às vezes sem dinheiro, longe da minha casa e da minha família."

A frase acima não descreve uma experiência de exílio ou na prisão, mas a espera da noronhense Laisy Francine Costa e Silva, de 19 anos, pelo primeiro filho. Como todas as gestantes do arquipélago pernambucano – que é um dos principais destinos turísticos do Brasil, santuário ecológico e Patrimônio Natural da Humanidade, segundo a Unesco –, ela precisa sair de casa no sétimo mês de gestação para dar à luz em Recife, a 545 km de distância.

Em 2004, foi desativada a única maternidade na ilha, no Hospital São Lucas, sob a justificativa de que o custo de manutenção da estrutura era alto demais para a média de 40 partos por ano realizados na ilha principal, a única habitada. Há 10 anos, no entanto, o impedimento causa indignação entre os moradores, que falam em "violação do direito de nascer".

Agora, o documentário Ninguém nasce no paraíso, do brasiliense Alan Schvarsberg, conta a história de mães insatisfeitas com a situação. Ele descobriu o tema quando ministrava uma oficina de videoativismo em Noronha há dois anos.

"Estávamos falando sobre temas que eles queria abordar e a proibição do parto foi a que mais apareceu. Mulheres e homens diziam que queriam falar sobre isso, mas que tinham receio de falar", diz.

"O ruim é que você sai da sua casa", disse à BBC Brasil Monique Souza, de 27 anos, que teve sua primeira filha em 2013 e é uma das entrevistadas no documentário. "Tenho uma casa em Recife, mas meu marido ficou (em Noronha). Tenho um irmão especial e minha mãe teve que deixá-lo lá. E ainda tivemos que sustentar duas casas durante esse tempo."

Por lei, não há proibição formal para o nascimento de crianças em Fernando de Noronha. No entanto, a Coordenadoria de Saúde do arquipélago, que tem sede em Recife, se encarrega de fazer com que as mães deixem o local a partir da 34ª semana de gestação – mesmo que seja preciso insistir.

"Tinha umas 40 mulheres grávidas aqui na época e umas quatro iam dar à luz no mesmo período que eu. Elas me chamaram para pagar um médico para fazer o parto, mas depois as assistentes sociais me explicaram que não tem UTI, que se acontecesse algo, podia ser um problema", relembra Monique.

"Ouvi falar que chegaram a dizer a outras mães que a culpa seria delas, se o bebê tivesse complicações."
'Olhando para as paredes'

Image copyrightThinkstockImage captionGestantes precisam sair da ilha no sétimo mês de gravidez e retornam cerca de 15 dias após dar à luz os bebês

De acordo com a coordenadoria de saúde da ilha, as gestantes fazem pré-Natal pela rede pública em Noronha até o sétimo mês de gravidez e, depois, são encaminhadas para Recife. Todas têm suas passagens de ida e volta – incluindo um acompanhante – pagas. O voo dura 1 hora e 20 minutos.

Em casos específicos, podem também receber hospedagem no hotel Uzi Praia durante todo o período na capital pernambucana, com três refeições e transporte para as consultas médicas. E seus partos são feitos do IMIP, hospital de referência em pediatria na capital.

Nem todas as mães, no entanto, se dizem satisfeitas com as condições.

Quando teve o primeiro filho, em 2011, Silvia Souza da Silva, de 22 anos, diz não ter recebido assistência apropriada. "Eles só me deram a passagem e marcaram para eu ir numa clínica. O médico entrou mudo e saiu calado. Tive meu filho em outro hospital porque uma amiga da minha família fez meu parto."

"No meu segundo filho (nascido há cerca de três meses), exigi o hotel porque soube que outras pessoas tinham ficado lá. Se você não exigir seus direitos, eles não dão assistência a você."

Uma das queixas mais comuns entre as mães é a solidão e a falta de opções de lazer durante a espera pelo nascimento do bebê – especialmente quando não se tem tanto dinheiro.

"A gente ia do hotel para o hospital e do hospital para o hotel. É difícil ficar dentro de um quarto olhando pra as paredes. Eu levei meu filho de 4 anos, e para ele também foi difícil. Aqui em Noronha ele brinca no quintal, pode correr. Lá, só podia ficar no quarto", relembra Silvia.
'Falta de recursos'

Para Marilde Martins da Costa, de 59 anos, que cumpre seu terceiro mandato no Conselho de Noronha, o "problema é meramente político".

"Não justifica termos uma parturiente ou duas em um mês, termos um voo saindo diariamente para Noronha e não podermos ter um médico que venha fazer um parto aqui e um anestesista. Eles viriam num dia e voltariam no outro", disse à BBC Brasil.

Segundo a coordenadora de saúde de Noronha, Fátima Souza, é inviável reabrir a maternidade em Noronha, principalmente por falta de recursos para sustentar a operação.

"Uma maternidade, para funcionar, precisa de toda uma estrutura. E nós temos, no máximo, 40 partos ano em Noronha. Não teria como manter essa estrutura e não teria pessoal suficiente", disse à BBC Brasil.

"Eu acredito que essas pessoas estão resguardadas de um problema maior. Porque deixar essas pessoas na ilha sem as condições para atendimento de alta complexidade, que a gente sabe que pode acontecer, é um complicador muito maior do que quaisquer transtornos por questões emocionais."
Image copyrightEmilia SilbersteinImage captionMães como Monique (foto) reclamam de solidão e dificuldades financeiras durante período final da gestação, em Recife

Souza diz que, para manter a operação permanente da maternidade do Hospital São Lucas, o único da ilha, seriam necessários pelo menos R$ 150 mil reais mensais. Segundo dados da Coordenadoria de Saúde, a administração gastou cerca de R$ 76 mil só com as passagens de avião de ida e volta das 30 mulheres que tiveram filhos naquele ano e seus acompanhantes. Em 2015, até outubro, o gasto foi de R$ 82 mil.

A pasta ainda informou à reportagem que o distrito de Fernando de Noronha recebeu cerca de R$ 2,7 milhões em repasses dos governos estadual e federal para a saúde em 2014. Nesse ano, a cifra caiu para menos da metade – pouco mais de R$ 1 milhão.

Questionada pela reportagem, o governo de Pernambuco não respondeu se seria possível utilizar, parte da arrecadação da ilha com a Taxa de Preservação Ambiental – cobrada diariamente de todos os visitantes – para reativar a maternidade da ilha. Em 2014, segundo informações obtidas via Lei de Acesso à Informação, a arrecadação com a taxa foi de quase R$ 16 milhões.
'E a fome de madrugada?'

Laisy Francine teve seu primeiro filho há um mês, acompanhada da irmã e do sobrinho de um ano. Ela falou com a reportagem da BBC Brasil pouco antes de dar à luz Arthur. "Não tenho o que falar do hotel, o pessoal é atencioso. Só do que tenho que reclamar é terem me tirado do conforto da minha casa e da minha família. A situação é muito ruim", disse, ansiosa, ao telefone.

Segundo Laisy, que não tem parentes com quem se hospedar em Recife, uma assistente social em Noronha chegou a negar sua solicitação de hospedagem no hotel, com a justificativa de "corte de gastos". "Fiquei logo nervosa, comecei a chorar", lembra.

A Coordenadoria de Assistência Social nega que um corte de gastos tenha sido o motivo da negativa inicial, mas Laisy afirma que teve que insistir para conseguir a hospedagem. "Nunca vi isso. Até no interior mais brabo de Pernambuco tem maternidade. Eu ameacei ir na Justiça, procurar meus direitos. Dias depois me disseram que 'depois de muitos argumentos' conseguiram hotel pra mim."

Com a gravidez, ela teve de deixar o emprego de vendedora de sorvete, em que ganhava R$ 50 por dia. Sua mãe, que tem uma barraca de praia, envia dinheiro semanalmente para as despesas das irmãs.

"Se eu não tivesse minha mãe, como eu ia fazer? Vê só o que eles não estão passando lá pra mandar esse dinheiro pra a gente. Ela manda de pouco em pouco, mas já gastei de R$ 5 mil a R$ 7 mil", afirma.

"Tem vezes que a comida não é boa, então eu vou e boto do meu dinheiro. Tem coisas que não gosto de comer, então não como. E aquela fome de madrugada? Porque mulher grávida come que só a moléstia."

Image copyrightThinkstockImage caption'Nó de Noronha' faz com que moradores tenham receio de levar reclamações sobre o tratamento das grávidas às autoridades, segundo cineasta

A assistente social que se encarrega da assistência às mães em Recife, Talita Lima, diz que não é comum receber queixas relativas à angústia das gestantes.

"Algumas delas já colocaram questões no hotel, como lençóis que precisam trocar mais vezes, a comida que acham que pode estar mais gordurosa. Procuramos o pessoal do hotel para conversar e resolver as situações", disse à BBC Brasil.

Todas as mães com quem a reportagem conversou, no entanto, reclamaram do custo emocional de serem separadas de suas famílias, com pouco dinheiro e poucas opções de lazer no último período da gestação.

"Se a pessoa não for forte, ela entra em uma depressão muito profunda, porque para sair aqui tem que ter muito dinheiro. Eu não sei andar aqui, tenho que sair de táxi", disse Laisy.
'Nó de Noronha'

Alan Schvarsberg, diretor do filme Ninguém nasce no Paraíso, acredita que a expressão "nó de Noronha", que aprendeu na ilha, pode ajudar a explicar o porquê de as reclamações das mulheres nem sempre chegarem às autoridades.

"O 'nó de Noronha' expressa a relação de interdependência da comunidade diante da realidade de viver numa ilha. Pelo fato de tudo vir do continente, até a água potável, as pessoas todas se conhecem e dependem umas das outras e da administração. Então há o receio de falar alguma coisa e sofrer represálias", afirma.

"A meu ver, esta é uma forma de extermínio muito perversa da população local. As mulheres podem registrar seus filhos, nascidos em Recife, como noronhenses, mas a gestação está se tornando algo muito traumático. Isso está fazendo com que, pouco a pouco, menos mulheres queiram engravidar", afirma.

Mesmo animada com a chegada do bebê, Laisy afirma que vai pensar duas vezes antes de dar a ele um irmão ou irmã.

"Eu gosto muito de criança, mas para passar isso de novo eu não quer ter filho mais não, Deus me livre. Só se vier morar aqui fora", diz.

( Do http://www.bbc.com/portuguese/noticias/)