quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O ALBATROZ




Às vezes, por prazer, os homens da equipagem
Pegam um albatroz, imensa ave dos mares,
Que acompanha, indolente parceiro de viagem,
O navio a singrar por glaucos patamares.
.
Tão logo o estendem sobre as tábuas do convés;
O monarca do azul, canhestro e envergonhado,
Deixa pender, qual par de remos junto aos pés,
As asas em que fulge um branco imaculado.
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Antes tão belo, como é feio na desgraça
Esse viajante agora flácido e acanhado!
Um, com cachimbo, lhe enche o bico de fumaça,
Outro, a coxear, imita o enfermo outrora alado! 
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O Poeta se compara ao príncipe da altura
Que enfrenta os vendavais e ri da seta no ar;
Exilado ao chão, em meio à turba obscura,
As asas de gigante impedem-no de andar.

(Charles Baudelaire-Paris, 9 de Abril de 1821 — Paris, 31 de Agosto de 1867)

Os albatrozes são famosos pelo seu poder de voo, tendo uma habilidade particular em deslizar muito perto da água, sem tocar as ondas.Usam uma técnica chamada "planador dinâmico", utilizando diferentes velocidades do vento que ocorrem em diferentes altitudes. As diferentes velocidades do vento possibilitam aos albatrozes ganhar altura quando planam e enquanto manobram ou descem em direção à água, perdendo altitude eles ganham velocidade.

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