terça-feira, 2 de setembro de 2014

NO RIO GRANDE DO SUL

Pesquisadores registraram mais de trinta observações de mamíferos desde a última sexta-feiraFoto: Matheus Andrioli / Projeto Baleias do Rio Grande do Sul,Divulgação

Baleias-francas vistas no litoral já chegam ao dobro de 2013

Este ano, 120 mamíferos foram vistos nas praias do Estado, enquanto no último ano foram apenas 61 avistagens

por Bruna Scirea

Biólogos que acompanham a passagem das baleias-francas pelo litoral do Rio Grande do Sul estão impressionados com a quantidade de visitantes neste ano. Desde a última sexta-feira, foram mais de três dezenas de avistagens dosmamíferos em praias como Tramandaí, Cidreira e Imbé.
— A temporada, que inicia no final de maio e segue até meados de novembro, está sendo sensacional. Até agora, foram contabilizadas mais de 120 avistagens. Sem dúvida, é um recorde que deve aumentar, tendo em vista que setembro normalmente representa o mês com pico de observações — afirma Thiago Lisbôa, coordenador do projeto Baleias do Rio Grande do Sul.

O número de visitantes nesta temporada é quase o dobro do registrado no período do ano passado. Até agosto de 2013, apenas 61 avistagens foram registradas no litoral gaúcho. O saldo deste ano também supera o de 2012, quando pesquisadores registraram, até o final de agosto, 84 avistagens.

De acordo com o estudante de Biologia, as baleias-francas têm dois lares: durante o verão no Hemisfério Sul, elas ficam pelas águas da Antártica. Quando o frio pega (ainda mais) por lá, elas se deslocam até a costa oeste do Atlântico Sul, desde a Argentina até a Bahia. Nos últimos anos, segundo o pesquisador, raros animais vão além dos litorais gaúcho e catarinense — isso teria ocorrido devido à redução da quantidade da espécie, alvo de caça.
— Ainda que a caça comercial tenha sido proibida nas últimas décadas do século passado, a taxa populacional das baleias-francas ainda está em cerca de 10% do que foi originalmente. Hoje, os riscos acabam sendo por conta de colisões contra embarcações, poluição química e sonora e o perigo causado pelas redes de pesca — conta Lisbôa.

Segundo o coordenador, o projeto Baleias do Rio Grande do Sul é realizado por voluntários e custeado por ele e pela esposa. A partir do monitoramento da espécie no litoral gaúcho, o grupo tem conseguido chamar a atenção de prefeituras da região litorânea do Estado para a preservação do animal. 

No final de junho, Imbé e a cidade uruguaia de Punta Del Este assinaram oAcordo Binacional da Rota da Baleia Franca. A ideia é desenvolver uma ferramenta de conservação marinho-costeira, com o objetivo de cooperação científica e fomento à educação ambiental. Participam do acordo a Organización para La Conservación de Cetáceos (OCC - Uruguai) e o Projeto Baleias Do Rio Grande do Sul.

(Do* Zero Hora)

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