sábado, 29 de junho de 2013

NO CULTIVO

Foto Epagri
Secretaria da Agricultura e Epagri vão sinalizar 837 fazendas marinhas do Estado

A Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), em parceria com o Ministério da Pesca e da Aquicultura, pretendem até final de dezembro de 2014 sinalizar todas as 837 fazendas de maricultura do Estado, localizadas entre Palhoça a São Francisco do Sul. Serão investidos R$ 3,14 milhões, com a contrapartida de 20% do Governo do Estado, em três projetos para o desenvolvimento da maricultura de Santa Catarina, que é o único Estado brasileiro com seus parques marinhos ordenados e regularizados.

Segundo o secretário da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, os convênio com o Ministério da Pesca e da Aquicultura foram assinados no fim do ano passado e visam concluir um processo de regularização da atividade da maricultura catarinense iniciado em 2003. Em 2011, cerca de 70% das áreas marítimas foram ordenadas e regularizadas, faltando apenas a demarcação físicas desses espaços para que os maricultores possam ocupá-los. Estima-se que todas as demais áreas estarão regularizadas ainda em 2013. “Como os maricultores não tinham recursos para instalar as boias e equipamentos necessários, fechamos a parceria com o Ministério da Pesca e da Aquicultura. A regularização irá facilitar o controle e a fiscalização da atividade por parte das instituições responsáveis”, destaca Rodrigues.

Um dos primeiros projetos foi destinado à aquisição de 3.296 boias sinalizadoras, estacas de aço e cabos de aço para fundeio das boias nas 837 fazendas marinhas do Estado, que tem áreas de um hectare a dez hectares, com capacidade de atender até 837 famílias de maricultores. Boias e estacas de fundeio estão em fase de licitação para compra. Com essas áreas sinalizadas, o segundo projeto pretende apoiar a ocupação de forma ordenada desses espaços e o terceiro contempla o atendimento das exigências dos órgãos ambientais no que diz respeito à gestão e ao monitoramento desses parques aquícolas, orientando e capacitando os maricultores à prática de produção ambientalmente responsável, explica o engenheiro agrônomo e um dos coordenadores dos projetos, André Luís Tortato Novaes.

Novaes salienta que pelo pioneirismo na área da maricultura, a Epagri recebe delegações de outros estados e países que vem a Santa Catarina conhecer a história da consolidação dessa atividade produtiva que, em 2012, gerou uma receita da ordem de R$ 53,03 milhões aos produtores catarinenses. Santa Catarina é o maior produtor nacional de ostras, mexilhões e vieiras, concentrando 90% da produção brasileira.
(Informações de release do Governo do Estado)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

DEU TAINHA NO CARLOS DAMIÃO

Tainha
"Amigo Manoel Timóteo enviou-me a revista Panorama do Turismo (Paraná), contendo uma bela reportagem sobre a Festa Nacional da Tainha, em Paranaguá, que começou na semana passada e vai até dia 7 de julho. O que Maneca não entende, como todos nós, é por que o Paraná, que não tem tradição da pesca da tainha, promove uma festa nacional e nós, culturalmente ligados a esse pescado, não temos mais nenhuma. Pois agora."

(Da coluna Ponto Final, do Carlos Damião, no ND - www.ndonline.com.br)

LÁ NO FUNDO... com o Alcides Dutra

Foto Instituto Larus
RETRATO DA CONSERVAÇÃO DO MAR
Este blênio mora numa carapaça cercada por linhas de pesca. É o único peixe que ainda se mantém nas proximidades, e mesmo assim passa praticamente o tempo todo escondido.
Ilha Moleques do Sul - SC.

ESCAMBO NA PRAIA SEM TAINHAS!


quinta-feira, 27 de junho de 2013

SEM PEIXE E SEM FESTA

Foto Divulgação
Itajaí cancela a festa do peixe

O comitê organizador decidiu cancelar a Festa do Peixe, marcada para este sábado em Itajaí. De acordo com o secretário da Pesca, Agostinho Peruzzo, o motivo são as manifestações pelo país. A organização entendeu que o momento não era propício para a festa, que é uma confraternização entre o setor pesqueiro, a comunidade e a prefeitura.

Peruzzo frisou que o cancelamento nada tem a ver com as negociações salariais dos servidores, que haviam entrado em estado de greve esta semana.

De acordo com a Secretaria de Comunicação da prefeitura, a festa, que estava na 9ª edição, não será remarcada.

(Do Sol Diário - 
http://osoldiario.clicrbs.com.br/sc/)

NESTE SÁBADO, A TRADICIONAL TAINHADA DO MANDALA

Criado no Pântano do Sul em 1987 pelos pescadores Carlos e Osmar Costa, o restaurante "Mandala" tornou-se um dos ícones da tradicional cozinha da ilha. Carlos Alberto é quem nos passa a receita da deliciosa tainha recheada que é servida no restaurante.


E mantendo a tradição, neste sábado, dia 29 de junho, às 8 da noite o Restaurante Mandala, localizado na praia do Pântano do Sul, o Carlos e o Osmar realizam a sua "Tainhada"!
 Tainha recheada, frita e assada, além das ovas fritas, fazem parte do típico cardápio da noite. Faça sua reserva pelos telefones 3237 7281 e 8807 6566.

LÁ NO FUNDO... com o Alcides Dutra

Foto Instituto Larus
Ele não voa, mas engana direitinho...

Peixe-Voador ou Coró (Dactylopterus volitans)
Apesar do nome, estes peixes não voam. Suas largas e coloridas nadadeiras são abertas quando eles se sentem ameaçados. A borda azul é importante, pois esta é a cor mais visível no fundo do mar, as outras, que para nós são chamativas, vão sumindo conforme a profundidade, a começar pelo vermelho.
(Do Instituto Larus)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

RESTO DE SAFRA NO MOÇAMBIQUE

 
Foto Nia Vasques

QUASE ENCERRANDO A SAFRA DESTE ANO, PESCADORES DE MOÇAMBIQUE CERCARAM HOJE 260 TAINHAS!


TEMPO INFORRUSCOU!

VENTO SUL, FRIO  E TEMPO  INFORRUSCADO!
MAIS UM DIA SEM TAINHAS!
Pantano do Sul, 5 da tarde desta quarta-feira 26/6

AINDA ESPERANDO AS TAINHAS...

Pântano do Sul, 7,30 horas desta manhã fria e nebulosa!
Na praia, além do solitário vigia de bicicleta e dos urubus, olhares esperançosos espreitam os peixes que ainda não apareceram!   

TAINHAS LIVRES, JÁ!

Foto Fernando Alexandre
Movimento Tainha Livre!

"Queremos tainha padrão FIFA!
O Governo marítimo, nas suas últimas articulações politiqueiras, tem desviado as Tainhas para Cuba.
Também por culpa do Feliciano, as tainhas que chegam aqui não podem mais ser frescas.
Queremos essas tainhas sem pagar nada.
Queremos pegá-las já assadas, com recheio de camarão e ova frita para acompanhar.
Poderíamos também fazer um projeto de mobilidade para facilitar o acesso tainhas, visto que o vento suli esta demorando a empombar as mesmas de entrarem nas nossas praias.
#Tainha_Livre_Já!"

(Por André Aguiar, do Facebook)

AS BALEIAS ESTÃO CHEGANDO...

Foto IBF
AS PRIMEIRAS BALEIAS FRANCAS JÁ COMEÇAM A APARECER NO LITORAL CATARINENSE!
Avistamentos de Baleias Francas em 2013.

Dia 12/06 no Mar Grosso registrado po Patrícia Fernandes
Dia 16/06 na praia do Campeche em Floripa informe de Lorac Zen
Dia 21/06 na praia do Gí registrado por Robson- CRF
Dia 24/05 no Farol de Santa Marta informe de Marcia Estrougo

(com informações do Cetaceo-Trilhas Baleias E Golfinhos

terça-feira, 25 de junho de 2013

TAINHAS NO SANTINHO

 

Hoje, 25/06 na Praia do Santinho...........2.500 Tainhas!!!
(Foto e informações da ACASI - Associação dos pescadores do canto sul da praia dos Ingleses.)


LANÇO EM ITAPIRUBÁ

Foto Milton Guimarães Alves
"Cinco toneladas de tainha no porto de Itapirubá

Três canoas e suas redes, 5 equipes de pesca e mais dezenas de pessoas das comunidades de Itapirubá, Boa Vista e Roça Grande. A "Pesca Compartilhada" que fez sucesso na manhã desta segunda-feira na Praia Norte de Itapirubá. Uma das redes era da equipe do Bico, de Laguna, as outras duas de Itapirubá, uma do Loirinho e outra do Ademir e do seu filho Leno Sousa. A pesca também contou com o apoio das equipes do Josué e do Luis, que abandonaram nesta manhã a traineira e optaram pela parceria na pesca de arrasto. Todo mundo trabalhou e todos ganharam. A pesca compartilhada em Itapirubá nesta manhã de segunda-feira, 24 de junho de 2013 foi um sucesso. Quando ninguém esperava mais a "tainha na pesca de arrasto", ela apareceu. A praia voltou a viver os velhos tempos do chamado "lanço"."

(Texto e fotos: Milton Guimarães Alves)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tainhas de Jaguaruna


Trecho de um documentário feito na localidade de Jaguaruna, Sul de Santa Catarina, sobre a pesca da taínha. Dirigido e idealizado pela jornalista Alice Botega e produzido pela Singular Vídeo.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

NA ESPERA E NA ESPREITA

Foto Fernando Alexandre

Vento Sul entrou rasgando agora no final da tarde!
É o que toda a camaradagem tá esperando há muito tempo para que o peixe possa viajar e chegar na nossa praia e nas outras da ilha.
AMANHÃ, QUINTA-FEIRA, O DIA PROMETE!

ÚÚÚÚ!!!!


terça-feira, 18 de junho de 2013

MULHERES DO MAR

Foto Rafaela Martins / Agencia RBS
Pescadora de Balneário Camboriú é personagem de pesquisa feita por antropóloga da UFSC
Raridade em uma atividade tradicionalmente masculina, mulheres da pesca são invisíveis à lei

Rosa da Silva, conhecida como Dona Rosinha, tem 64 anos e mora em Balneário Camboriú. Largou a escola na terceira série para trabalhar descascando camarão e aos 18 anos casou-se com um pescador. Depois de ter quatro filhos, Rosa percebeu que o companheiro passava dificuldades para garantir o sustento da família e ofereceu ajuda. Quando ele a questionou se ela seria capaz de acompanhá-lo na pesca, Rosa, já aos 40 anos, não hesitou. 

A história de Dona Rosinha foi retratada na tese de doutorado da antropóloga Rose Mary Gerber. A pesquisa, feita na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), acompanhou pescadoras envolvidas na pesca artesanal no Litoral do Estado.

O trabalho revela a relação das mulheres com o mar, desde a necessidade financeira até a questão de fuga e terapia. Ao retratar a vida de mulheres nas cidades de Laguna, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Balneário Camboriú, Barra do Sul, Araquari, São Francisco do Sul e Itapoá, a antropóloga percebeu um problema grave que existe no reconhecimento das pescadoras. 

— Existe uma invisibilidade dessas trabalhadoras, principalmente em relação à política social. O mais grave é que elas têm dificuldades de reconhecimento pelo Ministério da Pesca e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) como pescadoras para poder se aposentar. Elas têm dificuldade de acessar a esses direitos, pois a alegação é de que não existem mulheres com essa profissão — revela. 

Entre os maiores obstáculos está justamente a questão da aposentadoria. Ao acompanhar um das mulheres em um posto do INSS, Gerber presenciou um atendente que questionou a profissão da mulher, solicitando que ela mostrasse os documentos do marido pescador. 

— O que acontece se o marido não é pescador e sim um professor? Ou se ela não tiver marido? Ela não terá ou terá dificuldade de acesso a esse direito, pois não é considerada — questiona Gerber. 

Para a pesquisadora não há diferença entre o trabalho da mulher e do homem pescador. De acordo com a doutora, os entrevistados para a sua tese revelaram que, na pesca embarcada, o trabalho é dividido por igual, independente do sexo. 

— Quando pedi para um dos pescadores descrever o trabalho da mulher, ele falou, como um elogio, "ela é um homem, é um animal, não falta, não reclama, tem o jeito para a pesca. É nota mil" — conta. 

Dona Rosinha concorda com os entrevistados de Rose Mary. 

— Não existe diferença entre o meu trabalho e o do meu marido. É tudo dividido igual por aqui — afirma Dona Rosinha.

Antropóloga diz que rotina das mulheres da pesca é pesada

Durante 13 meses, Rose Mary Gerber ajudou a puxar rede, a limpar e embalar os peixes

Pesquisa desenvolvida pela antropóloga Rose Mary Gerber, Mulheres e o Mar: uma etnografia sobre pescadoras embarcadas na pesca artesanal no Litoral de Santa Catarina, foi desenvolvida durante 13 meses em oito cidades. Nesse período, Rose vivenciou o cotidiano de 22 pescadoras, foi para o mar, ajudou a puxar rede, a limpar e embalar os peixes, e constatou uma rotina de trabalho pesado, variado, invisível. Mas ao mesmo tempo apaixonante, como relata Rose em sua tese. 

A pesquisa foi orientada pela professora Sônia Weidner Maluf e teve apoio do Instituto Brasil Plural (IBP), da Capes e da Epagri, onde Rose trabalha como analista técnica. A tese está em fase de revisão e em breve deverá tornar-se um livro. Ela também realizou um documentário em vídeo, reunindo entrevistas e depoimentos. 

Você relaciona três tipos de atividades das mulheres na pesca. Como é a diferença entre eles? 

Não quis estabelecer uma classificação rígida, mas na pesquisa observei três formas da mulher de ser pescadora. Uma delas é das que ficam em terra e trabalham no descasque, na evisceração, na filetagem de peixe, desconchamento de marisco, limpeza, beneficiamento e venda do pescado. Outra forma é a das que atuam na coleta de berbigão, à beira do mar. A terceira forma é a das embarcadas. Neste caso considerei aquelas que saem todos os dias, na pesca de peixe e arrasto de camarão, em jornadas de quatro a 16 horas por dia no mar. Dentro das embarcadas também incluo as que denominei de stand-by. Ou seja, não saem todos os dias, mas estão sempre prontas, e são acionadas pelo marido de um dia para o outro para embarcar. Ao chegar em terra, marido e esposa dividem-se na tarefa de puxar o barco e realizar as atividades, como limpeza e preparação do peixe para a venda. Como eles lidam com um produto fresco, todo o trabalho é ágil, tudo precisa ser resolvido imediatamente. Além da rotina na pesca, o trabalho da casa é todo delas, que ficam até tarde da noite para lavar roupa, arrumar casa, cozinhar. 

E como elas fazem quando têm filhos pequenos para cuidar? 

O casal entra em consenso e elas ficam em terra durante a fase de crescimento da criança. Elas se concentram no trabalho em terra, enquanto o marido arruma um camarada para trabalhar no barco. Outro caso em que houve esse consenso foi quando uma delas teve um problema pulmonar, que seria agravado pela friagem do mar. 

Em que o difere do trabalho realizado pelos homens? 

Não há diferença entre o trabalho da mulher e do homem pescador. Eles contam que, na pesca embarcada, tem a parte do chumbo e da cortiça, que fazem parte da rede. O chumbo é a parte mais pesada e a cortiça é a mais leve. O trabalho é dividido por igual, quem estiver mais próximo do chumbo é quem irá puxar, seja homem ou mulher. 

O que é ter corpo para pesca? 

É não ter enjoo no mar ou, se enjoar, conseguir controlar. Segundo elas, tem que ter força e jeito, tem que ter paixão pela pesca. Eu perguntei como é a relação com o mar e elas descreveram que é uma relação de amor, paixão e vício. Uma das pescadoras que conheci, a dona Paulina, com 70 anos, falou "eu preciso ir para o mar todos os dias, é meu vício". Ela começou a pescar com oito anos. 

Como elas aprendem o ofício? 

A maioria delas aprendeu a pescar com o pai, aos oito, 10 ou 12 anos de idade. Algumas começaram depois de se casar. Nesses casos, ou o marido, pescador convenceu a mulher a trabalhar com ele ou a própria mulher se sentiu atraída pela pesca. A forma de aprendizado mais comum é de pai para filha. 

Na sua pesquisa, você passou vários meses com as famílias das pescadoras. Como era a sua rotina? 

Geralmente eu ficava na casa da pescadora. Mas quando percebia que já estava há muito tempo na rotina delas, eu alugava uma quitinete ou um quarto em hotelzinho próximo e ficava por lá, para preservar um tempo meu e um tempo delas, para não ficar direto e invadir a privacidade, e preservar a relação. 

Das três atividades da pesca, existe alguma que tenha mais status, que seja mais valorizada? 

Pude observar que as pescadoras embarcadas têm mais status. Você percebe isso porque elas são admiradas, por pescadores e por pescadoras que trabalham em terra. Para as que trabalham em terra também existe mais dificuldade no processo de reconhecimento. É como se o trabalho na pesca fosse uma extensão do trabalho doméstico. 

Na sua tese você propõe uma redefinição do conceito de pescador e de pesca. 

Sim, pois pescador é definido, por exemplo, nos dicionários de língua portuguesa, como um "substantivo masculino singular" e o significado de pesca é "retirar os produtos do mar, de lagoas, de rios". Busquei, com a tese, mostrar que existem pescadoras mulheres e também que todo o processo de retirar, limpar, eviscerar, transformar e vender, tudo isso é a pesca. É a extração de produtos do mar, da lagoa, do rio, até a preparação para a comercialização. 

Existe diferença de renda entre homens e mulheres pescadoras? 

A maioria das pescadoras atuava com seus maridos. Nesses casos, a renda é da família, não existe separação do dinheiro dele e do dinheiro dela. O trabalho entre casal representa uma economia de renda, pois, quando a mulher trabalha como camarada do marido não há saída de dinheiro. Quando é preciso pagar um camarada, aí existe custo a mais. Uma das pescadoras que pesquisei trabalhava com o irmão e mais três camaradas. Nesse caso, a renda era dividida em duas partes, metade da embarcação e da rede, e a outra metade subdividida em partes iguais para a tripulação. Então, não existe pagamento diferente por ser mulher. 

Existe uma articulação entre as mulheres pescadoras dos diferentes locais? 

Não, elas não se conhecem pessoalmente. Duas eu consegui apresentar, uma de São Francisco do Sul, a Mãezinha, e outra de Barra do Sul, a Neneca. Tornaram-se amigas. Uma visita a outra. Todas puderam ver as fotos e vídeos que eu ia fazendo durante a pesquisa. Foi uma maneira de elas se conhecerem.

Pescadora em Balneário Camboriú, Dona Rosinha relata vida sofrida
Trabalho na pesca começou ainda na infância, junto com o pai

Rosa da Silva, a Dona Rosinha, moradora do Bairro da Barra, em Balneário Camboriú, é uma das personagens da tese defendida pela antropóloga Rose Mary Gerber, da UFSC, sobre as mulheres pescadoras no Estado. Confira o depoimento de Dona Rosinha à pesquisadora: 

Eu sou a Rosinha, que é assim que me chamam. Sou casada com Aparício Ramos da Silva, que está hoje com 64 anos. A gente chama ele de Parício. A gente se acostumou nesse ritmo. Eu acho que se for para botar alguém da cidade para fazer o que eu faço, não faz porque eu estou acostumada neste ritmo desde os oito anos de idade. 
Nós estudávamos de manhã e à tarde nós descascava camarão. Eu estudei até a terceira série. O meu marido também. Passamos para a quarta, mas os pais não deixaram continuar porque nós tínhamos que cuidar dos nossos irmãos porque eles trabalhavam na pesca e na roça. 
Das filhas, eu sou a mais velha. Comprei o meu enxoval, tudo com o dinheiro do camarão. Eu casei com 18 anos. Aí, com 19 eu tive o primeiro filho que hoje é mestre de barco em Santos. Depois, quando o menino estava com um ano, um mês e dezoito dias, ganhei a menina. Quando a menina fez três anos e seis meses, eu ganhei o Oziel, que é esse que está pescando com o pai. Quando esse estava com dois anos e dois meses, eu ganhei o outro, o Oscar, esse trabalha sozinho numa embarcação. 
O meu marido trabalhava no camarão. Depois começou na rede de malha. Daí, ele botou rede junto com o meu cunhado. Depois, o meu cunhado não veio um dia. Ele ficou apavorado e eu falei: então vamos que eu vou contigo. Ele disse: mas tu vás enjoar. Eu disse: não, eu não vou enjoar. Aí, fomos lá, colhemos a rede, arriamos. Voltamos. Cheguei. Fui arrumar todo o peixe. Limpamos, congelamos o peixinho. 
Eu não sei direito que idade tinha. Eu acho que ia fazer 40 anos quando comecei com ele. Eu pesquei 22 anos com ele. Dos 40 aos 62. Até agora. O meu cunhado não apareceu mais, e eu fiquei pescando direto com ele. Mas a vida do mar, quando o mar está manso, é tudo muito bom. Quando vira o tempo! 
Agora, com o meu rapaz, nós saíamos duas horas. Meu marido estava no hospital. Enquanto ele estava no hospital eu ia com o meu filho pra fora. Daí nós saía de casa, eram duas da manhã. Aí, sete horas, oito horas, nós já estávamos em casa. Colhia tudo no escuro, com luz porque ele botou luz. 
No camarão é na hora que as pessoas querem ir. Hoje eu me levantei era três horas. Levantei, cozinhei o arroz, fiz o café, fritei carne pra eles levar, arrumei o baldinho da comida, tudo. Daí eram quatro horas, eu fui ali chamei ele: nego, não vais pra fora já. E quando eu vou junto é a mesma coisa, eu que levanto primeiro para deixar tudo pronto. 
Hoje, os dois estão lá fora pegando peixe. Eu estou em casa: estou limpando, empanando, embalando, pesando. Se nós chegar oito horas, já chego aqui, tomamos mais um cafezinho, eu vou limpar o peixe, de tarde eu já vou congelar, tudo individual. E se é para empanar, no outro dia eu não limpo. Eu vou empanar aqueles que eu limpei um dia antes. Depois eu vou congelar individual. 
Quando ele está em casa, ele me ajuda. Agora ele quase não me ajuda assim porque nós temos uma máquina de limpar, de consertar. Aquela lá. 
O pai era pescador. Nós descascávamos o camarão, ficava até tarde à noite descascando camarão porque naquela época não tinha gelo, era tudo cozido. Aí, nós descascávamos camarão na salga. A mãe era mais de roça. Ela gostava muito era de roçar, capinar, colher. Era mais com o meu pai. Para embarcar, foi com o meu marido. Eu disse, vou, e fui, e pronto. Não enjoei nada. 
Sábado e domingo eles também vão para o mar. Não tem sábado ou domingo. É a semana inteira. Desde que tenha produção, eles não param. Eles não parando, eu também não paro. Hoje de manhã estou parada; à tarde eu tenho que pegar o carrinho (de mão) que está lá no porto, vou lá pegar gelo, trago, boto aqui, levo o carrinho para o porto. E assim vai, a luta de cada dia. Isso porque eu dormi e perdi a hora. Dormi até as oito e eu não gosto de acordar tarde porque me atrasa. [então a senhora dorme quantas horas por noite? Vai dormir que horas à noite]. Ah, depende. Se eu sair da salga ali umas seis horas, sete horas por ai. Aí já faço a janta, já estou lavando a louça, quando termino, tomo um banho. Jantamos. Aí, já limpo a louça de volta. Vou me deitar, é umas dez e meia, onze horas. Durmo umas quatro, cinco horas. 
Me sinto bem. Eu não tenho canseira, nega. Graças a Deus que eu não tenho canseira. Eu gosto dessa vida da pesca.

(Do O SOL DIÁRIO - www.clicrbs.com.br)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

É PEIXE PRA DUAS CANOAS!


Fotos Fernando Alexandre
 

Quando os vigias abanaram pouco depois das 9 horas da manhã, capitão Ademir, patrão dos mais experientes do Pântano do Sul olhou para o mar e foi taxativo: é peixe pra duas canoas!
Enquanto "Terezinha", uma das canoas mais antigas da praia, patroneada pelo "Barrinha" escorregava pelas estivas para entrar no mar pela primeira vez na temporada deste ano, a camaradagem, já animada pela possibilidade de um grande lanço, apupava pelos becos e cantos da praia chamando todos para arrastar o peixe!
Logo em seguida foi a vez de "Osmarina", canoa da família do Seo Arante ir para o mar para cercar por fora.
Arisco e assustado, o peixe abriu e escapou antes que o cerco fosse fechado.
No final, apenas 287 tainhas!
Mas a camaradagem continua esperançosa que um grande cardume encoste na praia ainda hoje, nesta segunda -feira outonal e já ensolarada!
ÚÚÚÚ!!!!

O QUE PODE E O QUE NÃO PODE NA PESCA DA TAINHA

Foto Fernando Alexandre
O que diz a Instrução Normativa 171, de 9 de maio de 2008, do Ibama

Proibir, anualmente, no período de 1º de maio a 30 de julho, no litoral do Estado de Santa Catarina, a menos de uma milha náutica (1MN) das praias licenciadas para a prática de arrastão de praia usando canoa a remo, e a menos de 300 m dos costões rochosos, o exercício da pesca com o emprego dos aparelhos e/ou modalidades abaixo discriminadas:

a) redes de cerco;
b) captura de isca viva;
c) redes de caça e malha;
d) redes de trolha;
e) redes de emalhar fixas;
f) cercos flutuantes;
g) fisgas;
h) garateias;
i) farol manual;
j) pesca de espada;
l) tarrafas.

Art. 19o. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:

Multa de R$ 700 a R$ 100 mil com acréscimo de R$ 10 por quilo do produto da pescaria.

domingo, 16 de junho de 2013

TEM TAINHA NO SAQUINHO!

Foto Marli Marafigo

Quirino Borges, o Quiqui, exímio pescador de tainhas dos costões da praia do Saquinho, mostra o cardápio de seu bar e restaurante para hoje: tainhas fritas e assadas, pescadas lá mesmo por ele!

sábado, 15 de junho de 2013

E O PEIXE ABRIU!



Fotos Fernando Alexandre
 

Passava pouco da 1 da tarde quando os vigias abanaram!
"Espírito Santo", a canoa mais antiga da praia, rapidamente escorregou pelas estivas e foi molhar a quilha na água salgada para cercar o peixe que seria o primeiro grande lanço de tainhas desta temporada, que completa hoje 30 dias.
Patroneada pelo Amarildo, o Maido do Seo Arante, a canoa centenária acabou cercando e o peixe foi finalmente arrastado para a praia e para frustração de todos: apenas 43 peixes!
Incrédulos, os camaradas contaram e recontaram as tainhas. No final, segundo Seo Leca, camarada dos mais experientes deu o veredito final: 35 peixes!
ÚÚÚÚ!!!!
Serviu pelo menos pra atiçar a camaradagem que anda desanimada e incrédula com a pesca!

sexta-feira, 14 de junho de 2013


 PREVISÃO DO TEMPO PARA O FINAL DE SEMANA (14, 15 E 16/06)
By Chuvalski
Parece mentira, mas teremos o primeiro final de semana molhado do mês.
Sexta - Podemos ter chuva lusco - fusco na madrugada, mas o dia amanhece com Sol. As nuvens começam a aumentar após as 14h deixando o tempo totalmente nublado. Sem vento ao amanhecer mas a partir das 10h o vento vira pra Suli fraco. Temperatura entre 23 e 17º.
Sábado- Tempo vira de vez e chuva despenca já a partir das 11h da matina fraquinha mas lá para as 21h pode chover mais forte. vento Suli de 24km/h e temperatura em queda, variando entre 17 e 20º.
Domingo - tempo muito nublado com chuva fraca até as 14h, depois disso para mas não limpa continua nubladaço pois o tempo só limpa na madrugada de segunda. Vento de Leste a Norte fraco, temperatura entre 16 e 18ºC.
Mais chuva chega na quarta-feira dai com grandes volumes.

O céu fala e a manezada entende
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LITORÂNEAS

Foto Alessandro Gruetzmacher/Divulgação
Praia do Saquinho fica cobertas de brumas, efeito da longa exposição
Fotografias de Alessandro Gruetzmacher mostram um litoral para ser contemplado com calma
Imagens em preto e branco, captadas em dias nublados e com longa exposição, trazem atmosfera intimista para exposição "Litorâneas”

 por Carolina Moura

As paisagens do litoral de Santa Catarina já foram fotografadas à exaustão. Mas não da forma como Alessandro Gruetzmacher as retratou nas obras da exposição “Litorâneas”, que abre nesta quinta-feira (13), às 19h, na Fundação Cultural Badesc. Feitas com o tempo nublado e em preto e branco, as fotografias criam uma atmosfera mais intimista e reflexiva, encoberta por névoas criadas pelo efeito de longa exposição.

“O litoral já foi fotografado de varias formas. Geralmente em dias de sol, mostrando as belas praias. Eu busquei usar uma linguagem diferente para fazer uma releitura do nosso litoral”, explica Alessandro. Mesmo sendo do interior, de Pomerode, a proximidade com o tema vem de sua infância, quando costumava ir à praia com o pai para pescar.

Assim como a pesca requer paciência, suas imagens foram pensadas para contemplar com calma. As escolhas estéticas feitas por Alessandro refletem esse objetivo e criam a identidade da exposição. Elas também são responsáveis por resultados que de outra forma só seriam alcançados com a manipulação posterior da imagem.

O exemplo disso é a fotografia “Stairway to Heaven”, que inclusive foi selecionada para a 9ª Bienal Internacional de Arte de Roma em 2012. A estrutura que aparece na fotografia fica no bairro de Coqueiros, onde ficava o Clube 12, de onde é possível ver o Sul da Ilha e Palhoça. Uma tempestade que se aproximava, porém, encobriu a vista e formou um fundo branco que contrasta com o escuro do mar.

Ao todo são 20 imagens, todas captadas no litoral catarinense — entre a Grande Florianópolis e o Litoral Norte. Algumas delas foram exibidas na última edição do Festival Floripa na Foto e no final de 2012 o projeto foi contemplado na categoria Projeto de documentação fotográfica do Brasil no Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Funarte. Para daqui a um ano ou dois, ele pensa em montar um livro de todo litoral do Estado.

Serviço

O quê: Exposição “Litorâneas”, de Alessandro Gruetzmacher

Quando: Abertura 13/6, 19h. Visitação até 12/7, de segunda a sexta, das 12h às 19h

Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, tel.:3224-8846

Quanto: Gratuito

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Praia escondida


No extremo sul da Ilha de Santa Catarina,  em alguns poucos dias do ano a pequena praia do Saquinho agiganta-se, revelando  encantos das pedras quase sempre submersas.
Você conhece essa praia?

MAREGRAFIAS


Foto Fernando Alexandre

A FOGUEIRA DE SANTO ANTONIO DO SEO ARANTE

Fotos Fernando Alexandre
 
Todos os anos o Seo Arante - o Dedé - fazia uma fogueira na praia em homenagem a Santo Antonio, o casamenteiro, no dia 12 de junho - que virou o "dia dos namorados". Este ano, já que ele está lá na grande vigia olhando as tainhas pra nós, seus filhos continuaram com a fogueira e levaram inclusive o santo prá praia, com todos bilhetes que os devotos e solteiros deixam em volta do santo, que tem seu lugar de destaque no restaurante da família.
E também pra que o casamenteiro, além de parceiros e namorados, traga as tainhas que todos estão esperando aqui do Pântano do Sul! 

terça-feira, 11 de junho de 2013

DEU TAINHA NO RICARDINHO MACHADO!


Tainhada
"Aqui na Ilha ainda não tivemos lanços de mais de 1500 peixes. Mas no Rincão já chegou a 100 mil tainhas puxadas em redes de cerco. Sozinha bate o Pântano do Sul, a Lagoinha e a Barra da Lagoa juntas. Sérgio Rocha é que tá feliz. Continua no balneário do sul esta semana para organizar a Festa da Tainha, em julho, com carta branca do prefeito Décio Goes."

(Da coluna do Ricardinho Machado no ND - www.ndonline.com.br)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

SAFRA BOA



Este ano já foram capturados 480 toneladas de tainha, ultrapassando o ano passado, quando toda a safra foi de 425 toneladas. A informação é da Federação de Pescadores de Santa Catarina. 

FAZENDO FARINHA

Foto Rosane Lima/ND
Farinhada reúne vizinhos no último engenho tradicional movido a boi no Sul de Florianópolis
Moradores do Sertão do Peri e da Armação do Pântano do Sul mantêm tradição das farinhadas como meio de subsistência e resgate histórico

por Edson Rosa
Com o rosto maquiado pelo pó branco que encobre as engrenagens de madeira, o agricultor Sidnei Izidro Martins, 63 anos, precisa ser ágil para remexer a farinha torrada no fundo do forno de cobre. Ao mesmo tempo, faz o aboio e não deixa o novilho Baiato perder o ritmo no andame. Uma hora depois, está pronta a primeira fornada do dia.

Forneiro dos bons, Sid é o encarregado de dar o ponto à farinha produzida artesanalmente no único engenho movido a boi em funcionamento no Sul da Ilha. E um dos dois últimos de Florianópolis – o outro é mantido pela família Andrade, no Caminho dos Açores, em Santo Antônio de Lisboa, ao Norte.

“Alguns experimentam no paladar, mas eu sei quando está pronta pelo cheiro. Aprendi com meu pai, na infância. Cresci fazendo isso”, diz com simpatia e simplicidade características de quem sempre viveu no Sertão do Peri.

O resgate da tradição do engenho é como uma festa em família na pequena comunidade rural, escondida entre os morros que separam os distritos de Pântano do Sul e Ribeirão da Ilha. Lá em cima, de onde descem as principais nascentes da Lagoa do Peri, passado e presente se confundem.

Enquanto o forneiro toca o boi na roda, os demais se dividem nas tarefas secundárias da farinhada. Em meio a antigas cantorias, piadas e muitas gargalhadas, os homens cuidam da roça, enquanto mulheres e crianças raspam as raízes que mais tarde serão repassadas ao sevador ou ralador.

Outras, se encarregam da alimentação da turma. É o que faz Osvaldina Maria Barcelos, 60 anos, irmã de Sidnei e especialista em assar bijus - espécie de bolacha feita de massa temperada com sal, açúcar, cravo, canela, erva doce e fubá. Dona da casa, Maria Aparecida Barbosa, 55, a Cota, prepara o almoço farto bem temperado. Faz galinha caipira ensopada, tainha frita, arroz, feijão e, é claro, pirão de farinha.

Militar aposentado realiza sonho e preserva história

Criado na roça, o policial militar aposentado Jaime Antônio Duarte, 77, despista, mas não esconde o orgulho. Foi ele quem montou todas as peças que movem a engrenagem de madeira e fazem funcionar o único engenho de farinha tradicional do Sertão do Peri e do Sul da Ilha – os outros dois em substituíram o boi pela energia elétrica.

A réplica perfeita dos antigos engenhos coloniais, em extinção diante do acelerado crescimento urbano da Ilha, lhe consumiu dois anos de trabalho, concluído em 2006. Machado, facão e enxó foram ferramentas utilizadas para esculpir a madeira e montar as peças no interior casarão de tijolos maciços construído no terreno do amigo e também militar reformado Ailton Bonifácio Barbosa, 58.

Reconstituir um engenho colonial era um sonho antigo deles. “Fomos criados deste modo, e não queremos mudar o jeito de viver. É uma forma de reunir os amigos e preservar a história”, diz Jaime, enquanto demonstra habilidade no ralador. “No engenho são necessários três trabalhadores. Um na prensa, um no forno, e o melhor no sevador”, brinca.

Despojado, Jaime Duarte poderia ser dono da propriedade, mas está feliz ao ver o amigo Ailton tocar a farinhada. O engenho, segundo ele, está em boas mãos e cumpre à risca seu objetivo. “Queremos manter viva a história do lugar e servir aos vizinhos que cultivam a mandioca. Aqui se produz pouco, para consumo familiar. Mas é com qualidade, alegria e tradição”, completa.

Fornada resgata mutirão comunitário

Cada fornada demora pelo menos dois dias e, mais do que a tradição, preserva o espírito comunitário no Sertão. As roças são individuais, mas a produção é coletiva. “Um ajuda a fazer a farinha do outro, inclusive o dono do engenho”, explica Sid, antes de substituir Baiato por Moreno, novilho novo e igualmente de bom ritmo no andame.

Nesta semana, a primeira fornada é resultado da roça cultivada por Romário Darci Barcelos, 29, que conta com ajuda da mulher Vera Lucia da Silva, 41. Vizinhos, como Silvio Alípio Duarte, 36, e Vilma Felipe, mulher de Sidnei, participam do mutirão.

Depois da roça de Romário, será a vez da produção do forneiro Sidnei virar farinha. A última fornada do ano no engenho que ganhou o nome de Jaime Antonio Duarte, em homenagem ao construtor, será com mandioca arrancada das terras do próprio Ailton. “É uma alegria enorme ver isso funcionando”, diz. E, agradecido, dá um abraço apertado no amigo.

Para a dona Diquinha, 88, visitar o Sertão do Peri na manhã de ontem foi como uma volta ao passado. “Meus pais também tinham engenho, e matei a saudade”, disse, sentada em um dos banquinhos de madeira para ajudar na raspa da mandioca.

Tempo de farinhada Engenho colonial

Passo a passo

1-   Colheita e transporte do aipim ou mandioca em carro de boi até o engenho

2-   Homens e mulheres sentam-se junto ao monte para raspagem das raízes

3-    Próximo passo deixar as raízes de molho em água

4-   Hora de levar as raízes ao sevador, ou ralador

5-   A massa é colocada em tipitis (espécie de balaios), ou barricas de madeira, e levada à prensa

6-   Depois de prensada e seca, a massa é esfarelada em coxo de madeira, e peneirada

7-    Aos poucos, a massa é levada ao forno para ser torrada em 45 minutos, em média

Medidas

Alqueire – 22 quilos

Meio alqueire – 11 quilos

Uma quarta – 5,5 quilos

Meia quarta – 2,75 quilos

Salamim – 1,35 quilo

Vocabulário

Almanjarra - Madeira curva que liga o peão da roda a cangalha 


Andame - Caminho por onde o boi passa no trabalho do engenho em geral é forrado com capim 


Antrolhos – Venda colocada nos olhos do boi para que rode no andame

Biju – Espécie de bolacha de farinha, temperada com sal, açúcar, cravo e canela e fubá, e assada após a fornada


Canga – Suporte de madeira com dois rebaixos para juntar os bois no carro

Cangalha – Canga colocada na almanjarra para que o boi trabalhe no andame

Canzil – Cada um dos dois paus da canga, entre os quais o boi mete o pescoço 

Fuso – Parafuso de madeira que ira fazer pressão na prensa

Hélice – Pá do forno que tem duas pontas e um rodete embutido para mexer a farinha no forno 

Paiol – Local destinado a estocar a farinha depois de pronta

Peão de roda – é o mastro que segura a roda bolandeira

Prensa – Local onde se coloca os tipitis para retirar a água da massa da mandioca

Roda bolandeira – Roda grande do engenho

Rodete – Engrenagem de madeira em forma de dente com finalidade de tocar o engenho

Sevador – Peça ou pessoa encarregada de ralar a mandioca

Tipiti – Cesto feito de taquaras usado para colocar a massa da mandioca na prensa

quinta-feira, 6 de junho de 2013

FORA! FORA! FORA! - MAIS PEIXE NA BARRA!

Foto Pescadores Dabarra
Camaradagem da Barra da Lagoa está em festa!
Num único lanço no finalzinho da tarde de hoje, quinta-feira, foram cercadas e arrastadas para a praia mais 6 mil tainhas ou pouco mais de 8 toneladas de peixe.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

MAIS PEIXE NO CAMPECHE!


É PEIXE A DAR COM O PAU!
Em dois lanços, pescadores do Campeche cercaram e arrastaram mais de 800 peixes na tarde desta quarta-feira: deu mais de uma tonelada de tainhas!
Quase 100 camaradas participaram dos lanços.
As festas da tainha voltaram a acontecer nas praias da ilha!

FORA! FORA! FORA! - MAIS PEIXE NA BARRA DA LAGOA!

Foto Guto Kuerten / RBS
FORA! FORA! FORA!
Depois que os vigias avistaram os peixes e a camaradagem da praia começou a apupar o Fora! Fora! Fora! (grito característico da comunidade da Barra pra convocar todos para o cerco), pescadores da Barra da Lagoa, em dois lanços, cercaram e arrastaram cerca de 3 mil tainhas - aproximadamente 5 toneladas - na tarde desta quarta-feira, em Florianópolis.
Os dois lanços aconteceram próximo ao camping Cidasc e cerca de 40 camaradas participaram da pesca.

TRILHA SONORA, NUM TEM?

"Reggae da Tainha (Sereia Manezinha)", de Júlio César Cruz, interpretada pelo menestrel Valdir Agostinho lá da Barra da Lagoa, Florianópolis. É a trilha sonora do blog desde maio de 2009.

PROTESTO DO MAR

Foto Miriam Zomer/Alesc
Pescadores artesanais deixam redes de lado e protestam em Florianópolis contra rigores da lei
Representantes de 38 colônias de pesca do Estado, de Passos de Torres, no Sul, a Ipapoá, ao Norte, sugerem mudanças na legislação em vigor

por Edson Rosa

Redes e canoas ficaram na praia, mas faixas e cartazes deixaram claro o que querem e do que precisam quem vive da pesca artesanal no Litoral catarinense. Convocados pela Fepesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina), representantes de 38 colônias estiveram ontem na sede estadual da Superintendência Federal do Ministério da Pesca e Aquicultura, em Florianópolis, onde protocolaram ofício com 21 reivindicações. Todas consideradas fundamentais para evitar a extinção da atividade responsável por 80% da produção nacional de pescados. 

No documento entregue mais tarde também na Assembleia Legislativa, eles reivindicam, principalmente, mudanças na legislação e o fim do compartilhamento interministerial na gestão da pesca. O primeiro item, por exemplo, pede a revisão da Instrução Normativa 12/2011, que trata artesanal e industrial como atividades semelhantes, sem levar em conta as gritantes diferenças de estrutura ou a capacidade de produção de cada uma delas.

De acordo com a instrução interministerial, o licenciamento é liberado para captura de apenas uma espécie alvo e uma complementar. “Isso é prejudicial ao artesanal, que para sobreviver precisa utilizar equipamentos variados, cada um para uma safra”, diz o presidente da Fepesc, Ivo Silva. 

Entre as modalidades características do litoral catarinense, Ivo cita as redes de emalhar fixas e flutuantes, de fundo e superfície, linha, arrasto motorizado e a remo, cerco e espinhel, ou modelos específicos para a pesca do camarão e outros crustáceos, como covos, gerival ou os sacos com atração luminosa – o aviãozinho, usado no complexo lagunar do Sul do Estado. “O que garante a sobrevivência do pescador pequeno é exatamente a variedade, a mudança de uma safra para outra. Esta lei deveria ser aplicada exclusivamente para a frota industrial”, acrescenta.
Mulheres reforçam coro na rua

Como faz todos os dias, Terezinha Joaquim, 60 anos, acordou cedo ontem. Antes das 6h já estava pronta. Mas, ao invés de ir para a lida na praia, enfrentou 370 quilômetros do trecho sul da BR-101, desde Passos de Torres, e veio pela primeira vez a Florianópolis. De família de pescadores artesanais, na Capital ela engrossou o coro dos colegas que reclamaram da “prepotência da fiscalização”.

Indicada pelas amigas por ser mais “despachada”, Terezinha integra o grupo que reivindica a liberação da rede de cabo com âncoras mochas no litoral Sul, do Cabo de Santa Marta, em Laguna, para baixo. “Muitas famílias dependem deste tipo de pesca para sobreviver na nossa região”, diz. 

Segundo Terezinha, se houver bom senso das duas partes, é possível a prática deste tipo de pescaria, sem interferir nas redes de arrasto de praia, com canoas motorizadas, prática também comum entre Laguna e Passos de Torres. “O pescador artesanal precisa manter-se unido, não trabalhar cada um por si. Caso contrário, vamos mesmo ser engolidos pela indústria”, acrescenta.

Elas não eram maioria, mas chamou atenção o grande número de mulheres pescadoras. Algumas, com Ilza Passos Ferreira, 60, de Laguna, fizeram questão de acompanhar os maridos na manifestação em Florianópolis. “Na verdade, ela está sempre ao lado também na hora do trabalho”, diz Januário Ferreira, 60, representante da colônia de Laguna. 

Gestão compartilhada agrava conflitos

O superintendente federal do Ministério da Pesca em Santa Catarina, Horst Broering, recebeu o ofício dos pescadores três horas antes de embarcar no avião que o levou a Foz do Iguaçu (PR). Ele pretende aproveitar o encontro com o ministro Marcelo Crivella e colegas das regiões Sul e Sudeste, para encaminhar as reivindicações.

Mas alertou que as soluções imediatas não dependem apenas do ministério que representa. “A pesca tem gestão compartilhada. E muitos pareceres de nossos técnicos esbarram em posições contrárias no Ministério do Meio Ambiente”, argumenta. 

Algumas questões pontuais, como o uso de redes de cabo ou de emalhe com canoas motorizadas, segundo ele, serão levadas ao gabinete do ministro Crivella. “Talvez nossos técnicos resolvam sem a interferência do Ministério do Meio Ambiente”, sugeriu.

Para acalmar os pescadores, Broering garantiu acordo de cooperação técnica com a Fepesc, para apressar a liberação das carteiras pendentes em Santa Catarina desde 2010.  E foi aplaudido quando reconheceu que o atual ordenamento da pesca no Brasil é nocivo aos artesanais, e benéfico apenas ao setor industrial.


PAUTA DOS PESCADORES

Antecipação do fim do defeso da tainha para 1º de maio
Liberação das redes de emalhe com canoas a motor
Liberação das redes de cabo no Litoral Sul
Liberação de 5.000 carteiras de pescador retidas 
Revisão do programa de óleo diesel
Manutenção da aposentadoria – 55 anos para elas e 60 anos para eles
Limpeza e desassoreamento de canais e barras
Reestruturação do serviço de extensão pesqueira
Estruturação de órgãos de fiscalização – Ibama, PF e Polícia Ambiental