sexta-feira, 31 de maio de 2013

Foto Luiz Evangelista/ND
Depois de um dia de pouco trabalho, Negão descansa na areia da praia

Cachorros são aliados de pescadores de tainha na Lagoinha do Norte, onde safra já supera 2012
Apesar da redução dos cardumes, volume pescado nas duas primeiras semanas da temporada equivale à metade do capturado no ano passado em SC

por Edson Rosa

Chuva e Negão tiveram pouco trabalho ontem. Depois do cerco matinal, quando pouco mais de cem peixes vieram malhados na rede, passaram o resto do dia sem ter o que fazer. Ora deitados ao sol, ora correndo de um lado para outro na beira do mar, os vira latas são mais do que mascotes dos pescadores da Lagoinha do Norte, em Ponta das Canas, única colônia de Florianópolis onde a pesca da tainha ainda é feita exclusivamente com redes de arrasto e canoas de um pau só.

Eles também participam da lida na praia. “Quando o peixe já está desmalhado, eles carregam na boca e ajudam a amontoar para contagem”, diz Marcos Reis da Luz, um dos patrões da cooperativa formada por 14 parelhas, 26 redes e 208 camaradas fixos. Atentos aos movimentos dos vigias que monitoram os cardumes de pontos estratégicos dos costões, os cachorros também se encarregam de chamar a atenção dos demais pescadores na hora do cerco.  Também fazem a guarda de apetrechos e ranchos de pesca.

Localizada entre as praias Brava e Ponta das Canas e protegida do vento sul, a enseada da Lagoinha é considerada um dos melhores pesqueiros de tainha da Ilha. “Acho que é por causa da proximidade dos costões e porque a água é mais quente. Ela encosta para desovar aqui”, presume Reis.

Apesar da queda de safra registrada a cada ano, desde 2006, nas duas últimas semanas os pescadores da Lagoinha praticamente já empataram com a temporada passada. “Cercamos praticamente todos os dias, e pegamos 4.600 tainhas”, acrescenta o patrão. A expectativa na praia é chegar a 10 mil peixes, em torno de 20 toneladas, até o fim de julho.

Segundo levantamento da Federação dos Pescadores de Santa Catarina, em duas semanas já foram pescadas 203 toneladas, metade do capturado em 2012. “Deve melhorar em junho, quando esfria mais e, historicamente, ocorre o pico da safra”, diz o presidente Ivo Silva. Os lances mais bem sucedidos ocorreram em Florianópolis e no Sul do Estado.

Cooperativa mantém duas equipes na praia

 Na Lagoinha, os pescadores se dividiram em duas equipes. Uma delas, ocupa o rancho próximo ao riacho do costão da Ponta do Bota, ao Norte da praia Brava, onde dois olheiros ficam abrigados em pontos estratégicos para dar sinal de lance no momento certo. A outra fica no outro extremo da praia, no canto do Alemão, ao lado de Ponta das Canas, orientados pelo terceiro posto de vigia. A comunicação entre eles é feita por rádios, apitos e acenos.

Apesar de estritamente masculino, o ambiente nos ranchos é familiar . Enquanto esperam, é ali que eles cozinham, descansam, jogam dominó e jogam conversa fora. “Na safra da tainha aqui é a nossa casa”, diz Nézio Souto, 47, um dos “cabeças de emenda”, como são chamados os coordenadores das parelhas. “Somos 14 sócios, e todos trabalhamos igual. Cada um faz a sua parte”, acrescenta, enquanto se serve de café preto e aipim cozido no lanche da tarde.

No outro canto da praia, Domingos Rodrigues dos Santos, o Galego, 53, entralhava chumbo numa das redes usadas nesta safra. “Esta aqui já pegou 1.700 tainhas este ano”, acrescenta. A expectativa dele é que o vento sul volte a soprar forte para trazer novos cardumes da Lagoa dos Patos.

É o que também espera o vigia Renaldo Manoel da Luz, 53, que teme a extinção da atividade artesanal, mas não quer a mesma profissão para o filho de 11 anos. “Está cada vez mais difícil viver da pesca. A concorrência com os grandes barcos é desleal”, observa.

Nesta safra Renaldo tem um desafio. Repassar os segredos da função ao colega Alessandro Cabral, 35. “O importante é conhecer o peixe e as condições do mar, para não colocar os colegas em perigo”, acrescenta o aprendiz. Na Lagoinha, esta é a média de idade da última geração de pescadores artesanais em atividade.

Redução de cardumes têm causas variadas

Para Marcos Reis da Luz, a redução dos cardumes tem várias explicações. Uma delas é a liberação da pesca durante o ano todo na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, principal criadouro da espécie no litoral sul do Brasil. Outra hipótese é o aquecimento da água do mar nas proximidades do estuário, o que estaria estimulando a desova nas proximidades do estuário.

 “Mas, o que mais prejudica é o excesso de barcos industriais e botes de caça de malha”, avalia.  Segundo Reis, falta fiscalização mais eficiente, principalmente para contra pescadores de Ganchos que costumam atuar à noite. “Quando encosta peixe, os botes com caça de malha invadem. Alguns jogam as redes de cerco nas proximidades do costão”, denuncia.


Pesca artesanal - Litoral de SC
Safra 2013

Início: 15 de maio
Término: 30 de julho
Produção parcial: 203 toneladas 

Declínio

Ano/toneladas

2006- 1.124

2007 – 2.192

2008- 923

2009 – 1.198

2010 – 780

2011 – 617 –

2012 – 420

Fonte: Federação dos Pescadores de Santa Catarina

(Do ND - www.ndonline.com.br)

quinta-feira, 30 de maio de 2013

NO CAMPECHE


Foto Márcio Silvestre
Os vigias abanaram e a camaradagem cercou. No final, apenas 140 tainhas.
Deu pra aquecer o pessoal que tá desde cedo de olho no mar!

(Foto e informações do Márcio Silvestre)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

NO MOÇAMBIQUE

Foto Nia Vasques

Camaradagem da praia de Moçambique cercou nesta manhã 1.600 tainhas. A canoa Francine foi quem fez o cerco. De quebra, 3.000 pampos.

(Foto e informações do Nia Vasques)

LÁ NO FUNDO...com o Alcides Dutra

Foto Alcides Dutra
Quando se sentiu incomodado, este polvo tomou conta da situação. Controlou exatamente os pontos mais vulneráveis do mergulhador: a máscara e o regulador de ar, mas não puxou, ficou só segurando. Como o mergulhador Jorge Freitas mostrou-se amigável, o polvo soltou e foi embora. Para a cena ficar totalmente antropomórfica, só faltou o bicho esboçar um aceno irônico, pois até o olhar pareceu um aviso.

(Alcides Dutra/Instituto Larus)

terça-feira, 28 de maio de 2013

TAINHAS A DAR COM O PAU!

 Pescadores de Jaguaruna lancearam mais de 8 toneladas de tainhas na manhã de hoje, terça-feira (28/5). Ontem, foi o Balneário do Rincão que abriu bem a semana: 20 toneladas de peixes!

 ( Com informações do www.portaljaguaruna.com e da Federação dos Pescadores de Santa Catarina)

SAFRA PROMISSORA! PRA QUEM?


Em menos de 15 dias de pesca, safra da tainha chega a 37% de todo o período do ano passado
Federação dos Pescadores do Estado diz que desde o dia da liberação da pesca, no dia 15 de maio, foram contabilizadas 169 toneladas de tainha

Menos de 15 dias após a liberação da pesca da tainha, a Federação dos Pescadores de Santa Catarina contabiliza 160 toneladas - com previsão para chegar as 200 toneladas de peixe capturado até o final do dia -, o que já representa 37% de toda a safra do ano passado.

Na noite de segunda-feira pescadores do Balneário Rincão, em Içara, comunicaram a pesca de 20 toneladas de tainha e na manhã desta terça-feira, em Jaguaruna, no sul do Estado, o lanço foi de 10 toneladas.

Segundo o presidente da entidade, Ivo Silva, geralmente o pico da pesca ocorre no mês de junho. Por isso a fartura do mês de maio já pode ser vista como prenúncio de boa safra.

Ele prevê que até o final do período de pesca a quantidade de peixe capturada seja 100% maior do que o registrado em 1012 (considerado nas colônias de pescadores como o pior dos últimos 10 anos, com a pesca de 425 toneladas de tainha).

— O frio ajudou os pescadores. Até a noite, de Florianópolis para o sul do Estado, ainda vai dar muito peixe — acredita, Ivo Silva.

A pesca da tainha foi liberada no dia 15 de maio e se estende até 31 de julho.
(Do DIÁRIO CATARINENSE - www.clicrbs.com.br)

NA ESPERA E NA ESPREITA!

Pântano do Sul - 7 horas da manhã desta terça-feira de outono!
Vigias e camaradagem da pesca da tainha já de olho no mar, acreditando que o peixe vai encostar!

MAR SUJO

Foto Daniel Queiroz/Arquivo/ND
Celesc deverá comprovar reversão de danos causados por vazamento de óleo no Sul da Ilha
Empresa confirmou que já está ciente e que vai entregar o relatório no dia de 10 junho

por Gabriel Luis Rosa

A Justiça Federal determinou que a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) apresente provas de que os danos causados pelo vazamento de óleo na Tapera, em Florianópolis, tenham sido revertidos pela empresa. As evidências devem ser entregues até 10 de junho, e órgãos ambientais deverão acompanhar e fiscalizar a retirada do material contaminante.

 O Ministério Público Federal ajuizou, em janeiro, uma ação para que a Celesc identificasse todas as áreas contaminadas e fizesse a limpeza, além de impedir a propagação de agentes cancerígenos ligados ao acidente. A Procuradoria da República acredita que ainda há risco de contaminação de áreas de maricultura, devido ao movimento das marés.

A Fatma também deverá entregar um relatório até o dia 10 especificando as medidas de mitigação dos danos do vazamento, sob penas de novo embargo na área.

Procurada pela reportagem do Notícias do Dia, a assessoria de comunicação da Celesc afirmou que a empresa já sabe da determinação e que vai apresentar, no dia 10 de junho, um relatório comprovando que o problema foi resolvido.

(Do ND - www.ndonline.com.br)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

MAR DE BALEIAS



Foto Enrique Litman / Divulgação
Baleias visitam o litoral catarinense entre junho e novembro, período de reprodução da espécie
Prazo para recurso contra a suspensão da observação de baleias em SC perto do fim
Documentos técnicos já foram encaminhados pela APA à Procuradoria Jurídica do ICMBio

por Marco Túlio Brüning
redacao@diario.com.br

A chefe da Área de Preservação Ambiental (APA) da Baleia Franca, a publicitária Maria Elizabeth Carvalho da Rocha, informa que já estão nas mãos da Procuradoria Jurídica Especializada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) os documentos técnicos que, segundo ela, comprovam que a atividade turística de observação de baleias-franca não é danosa ao meio ambiente.

O ICMBio ganhou prazo de 15 dias para a apresentação de recurso contra o embargo determinado pela Justiça Federal de Laguna ao avistamento das baleias com o uso de embarcações. O embargo foi pedido através de ação do Ministério Público Federal a partir de denúncia feita pela Sea Sheperd Brasil – Instituto Guardiões do Mar. O prazo vence nesta quarta-feira, dia 29.

Na ação consta que não existe qualquer estudo de impacto ambiental da atividade turística nos limites e zona de amortecimento da APA da Baleia Franca nos municípios de Garopaba, Imbituba e Laguna. A APA é uma unidade de conservação subordinada ao ICMBio e responsável pela proteção do espaço de reprodução das baleias-franca em SC. Conforme a entidade, as empresas passam por um rigoroso processo de autorização e são liberadas a cada temporada.

— Os procedimentos que a APA adota são únicos no mundo. A atividade é regrada e monitorada. As operadoras passam por treinamento prévio a cada temporada. A embarcação é vistoriada pela Marinha. Nós exigimos a aplicação da portaria do Ibama e temos condicionantes próprias. Em 2012, apenas três foram liberadas. Elas estão sempre com uma espada na cabeça, no sentido de que, se cometerem qualquer deslize, podem perder a licença — diz Maria Elizabeth.

A chefe da unidade ressalta que, semanalmente, as operadoras apresentam relatórios com informações sobre a atividade praticada. Além disso, as empresas necessitam fotografar todos os cetáceos avistados e informar o trajeto percorrido por meio do registro feito por um aparelho GPS.

— Elas precisam indicar números de avistamentos, informações de passageiros. Também têm que informar quantos animais foram avistados, o comportamento deles, se existem baleias emalhadas — explica.

A chefe a APA ressalta que o trabalho realizado auxilia na pesquisa e acompanhamento das baleias que passam pela costa catarinense entre junho e novembro, período de reprodução da espécie.


sábado, 25 de maio de 2013

Vamos chamar o vento!


A Tainha baiana de Mestre Caymmi 
Agora, é esperar que o tempo esfrie e que o vento súli sopre com força e vontade pra encostar o peixe, afinal...
. O vento é que traz o Peixe O peixe que dá dinheiro é CURIMÃ...
. Na Bahia, Curimã é tainha.

LÁ NO FUNDO... com Alcides Dutra

Foto Alcides Dutra
Num costão bem conservado, a disputa por espaço é tão intensa que nem os mexilhões conseguem imperar. Eles disputam com esponjas, cnidários e mais uma enorme variedade de organismos. É o retrato da alta biodiversidade dos costões voltados para o mar aberto, na ilha Moleques do Sul.
(Do Alcides Dutra - Instituto Laros)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

TROCANDO O ONTEM POR HOJE!

No Pântano do Sul, são 24 horas!

Foto sem crédito
Hoje no Canto Sul da Praia dos Ingleses -  600 Tainhas..............que venham outras mais!

TAINHA A R$ 6 O QUILO!


Peixe barato


Acredite: tainha fresca a R$ 6 o quilo. O preço justo para o pescado está sendo praticado no Caminhão do Peixe, que segue passando pelos bairros de Florianópolis. O caminhão oferece peixes e outros frutos do mar a preços acessíveis para a população. Roteiros: Canasvieiras (segunda, 27), Saco dos LImões (terça, 28), Capoeiras (quarta, 29) e Vila Aparecida (1/6, sábado).

(Da coluna "Ponto Final", do Carlos Damião no ND de hoje - www.ndonline.com.br)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

MAR DE CARYBÉ

"PUXADA DE REDE" - do Carybé

FISCALIZAÇÃO DA PESCA

Foto Marco Santiago/ND
Soldado Nathan Costa (E), participa de operação com o colega Diego Miranda
Modelo em Laguna, Programa de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras é subaproveitado no Brasil

Guarnição responsável pelo patrulhamento no Sul de Santa Catarina repassa conhecimentos teóricos e práticos para evitar conflitos da tainha

por Edson Rosa

Eles também utilizam velhos revólveres calibre 38, pistolas automáticas de repetição e potentes fuzis 762. Mas é o computador a arma mais eficaz da Polícia Militar Ambiental para patrulhamento oceânico contra a pesca ilegal de tainhas nos 561 quilômetros do litoral catarinense. A bordo ou em terra, é no nootebook que começa o trabalho dos policiais.

De olho na telinha ou na imagem projetada na sala de instruções, antes de saírem ao mar as guarnições abrem o Preps (Programa de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras) de onde monitoram o posicionamento da frota industrial brasileira. Acompanham minunciosamente as operações de pesca e navegação,  espécie e quantidade capturadas, local do cerco, destino da carga e documentação de embarcações, armadores e tripulação de barcos acima de 15 metros de comprimento e capacidade para transportar até 50 toneladas.

Até 31 de julho, as atenções estarão voltadas a 60 traineiras licenciadas para pesca fora do limite de cinco milhas náuticas – ou 9.260 metros – definidos pela portaria 171 do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovávesis). No Rio Grande do Sul, a área de exclusão da frota industrial aumenta para dez milhas, enquanto no Rio de Janeiro é de apenas três.

Um a um, os barcos aparecem na tela. Com alerta de vento sul, atingindo 60 quilômetros por hora e ondas de até seis metros, nos dois últimos dias a maioria das embarcações permaneceu atracada nos portos ou fundeadas em áreas de abrigo de enseadas e ilhotas da costa.

 “Neste meio tempo, aproveitam para fazer manutenção nas redes”, observa o soldado Robson Vieira, 42, um dos pilotos da Guarnição Seap 01, da 3ª Companhia, com sede el Laguna. Estudante de engenharia da pesca no campus de Laguna da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), ele abastece colegas de farda com as informações trazidas também da sala de aula.

Estrutura subaproveitada na fiscalização

Das 28 lanchas oceânicas equipadas com o programa de rastreamento entregues pelo Ministério da Aquicultura e Pesca entre 2009 e 2010, apenas quatro estão aptas para operações de patrulhamento marítimo em Santa Catarina. Três ficaram com a Polícia Ambiental, nas companhias de Laguna, Florianópolis e Joinville, e a outra com a Delegacia Marítima da Polícia Federal, também na Capital.

Do restante da frota comprada com suspeita de superfaturamento, por R$ 1,6 milhão a unidade, quatro estão avariadas, e das 16 repassadas à Marinha do Brasil, nenhuma é utilizada para fiscalização da pesca no litoral brasileiro.  “Existe a tecnologia do Preps, mas falta pessoal capacitado”, diz o major Jefer Fernandes, comandante da 3ª Cia, com sede em laguna e jurisdição no litoral sul, de Imbituba a Passos de Torres. Segundo o oficial, o controle do esforço de pesca, com investimento em tecnologia e fiscalização, é fundamental para garantir o futuro dos estoques marinhos. “A presença física da Polícia é importante para preservar cardumes com valor econômico”, acrescenta o major Jefer.

No caso específico da tainha, a ampliação do período de defeso, com suspensão das operações de pesca ano sim e ano não, seria uma alternativa para recomposição temporária dos cardumes. “O rodízio é fundamental”, diz. “Nossa missão é preventiva, evitar conflitos e a pesca predatória. Seja com tecnologia ou com a preparação peculiar da Polícia Militar para agir de acordo com cada situação”, diz o sargento Robson Maximiano, comandante de uma das guarnições em Laguna.

Menos impactante, pesca artesanal de arrastões de praia é fiscalizada também de acordo com a portaria 171/2008 do Ibama. Considerada mais ecológica, representantes da modalidade mais tradicional no litoral catarinense, se sentem discriminados.

Panela de alumínio para burlar sistema

O programa de rastreamento por satélite instalado nas lanchas das Polícias Ambiental e Federal é como a caixa preta da frota pesqueira. Um clic no mouse é o bastante para guarnições de plantão fazer o monitoramento, em tempo real, de cada um dos barcos industriais.

Estejam no mar ou atracados para manutenção. “A velocidade média adotada e as manobras, indicam se estão pescando ou não em áreas ilegais”, explica o soldado Robson Vieira, um dos pilotos da Seap 01, da 3ª Cia da Polícia Ambiental. Em caso de suspeita de irregularidades, a guarnição sai ao mar para abordagem e o mestre do barco fiscalizado é obrigado a apresentar o mapa de bordo. “Com base no relatório das atividades de pesca, o barco flagrado terá restrições na renovação da licença, além de estar sujeito a penalidades administrativas e criminais.

Mesmo rastreadas pelo Preps, algumas embarcações tentam burlar o programa da fiscalização. Um dos métodos para fraudar o sistema está a colocação de objetos de alumínio, como panelas, sobre o equipamento rastreador.

É o que deve ter ocorrido no início da semana pela traineira Mar de Cortez, rastreada em navegação no limite das cinco milhas náuticas da área de exclusão da frota industrial. “O programa prevê emissão de sinais por satélite a cada hora navegada. Eles ficaram cerca de duas horas no escuro, fora do sistema”, diz o cabo Luiz Paulo Davi, 45, piloto da Seap 01.

Experiência compartilhada pela Polícia Ambiental

Responsável pelo litoral sul, a 3ª Cia da Polícia Ambiental, é referência na fiscalização da pesca oceânica. Também atua no complexo lagunar, mas de maio a julho volta todas as atenções à safra da tainha. Por estar mais próxima dos principais estuários, a Bacia do Prata, entre Uruguai e Argentina, e a Lagoa dos Patos/RS, a região concentra o maior número de embarcações no mar.

“Trata-se de atividade econômica importante, e que também garante a subsistência de centenas de famílias no litoral, sejam pescadores embarcados ou artesanais. Então, precisamos agir preventivamente para conter conflitos”, diz o major Jefer Fernando.

A tecnologia, a experiência e o conhecimento da equipe serão usados também no litoral norte. Quatro policiais da 2ª Cia, de Joinville, passaram a semana em Laguna, com aulas teóricas e práticas.

Com  a incumbência de patrulhar de Navegantes a Itapoã, a guarnição do sargento Rinaldo Vicenti, 40, e dos soldados Nathan Costa, 42, e Juan Carlos Bittencourt, 33, está pronta para navegar com a Seap 56. A bordo da lancha de Laguna, eles passaram pelo teste no mar na última quinta-feira, quando participaram de patrulha de rotina no entorno da Ilha dos Lobos. Enfrentaram ondas entre cinco e seis metros a bordo da lancha pilotada pelo cabo Davi. Nenhum deles voltou tão mareado ao porto como o soldado Diego Miranda, 31.
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Corrida da tainha

Indústria
Traineiras

Cadastradas para vários tipos de pesca - 1.554
Licenças disponíveis para atual safra - 60
Licenças solicitadas – entre 80 e 120
Liberadas -51
Pendentes – 9

Estrutura de fiscalização

Polícia MilitarAmbiental – três embarcações
Delegacia Marítima da Polícia Federal  - uma embarcação

Lancha Seap 01 - especificações
Comprimento: 36 pés (11 metros)
Potência: Dois motores de popa penta Volvo, eletrônicos, com 370 HPs cada
Horas de navegação: 120
Equipamentos auxiliares: Sonar, sonda, radar, carta náutica digital, rádios UHF, VHF, USB, AM e FM
Cabine: camarote com quatro beliches, chuveiro, dispensa com alimentos de fácil preparo, forno microondas, frigobar, cafeteira
Tripulação: Sargento Robson Maximiano Machado, cabo Rogério Silva (monitoramento virtual), soldado Luiz Paulo David (piloto) e Diego Miranda (autuante)
Porto de partida: 3ª Companhia da Polícia Ambiental, Laguna
Boca: 3,68 m
Calado extremo: 1,30 m
Contorno: 5,75 m
Capacidade de água doce: 250 litros
Combustível: 1.200 litros
Deslocamento leve: 7500 kg
Deslocamento carregado: 9500 Kg
Capacidade de lotação: nove tripulantes

quarta-feira, 22 de maio de 2013

DEU TAINHA NO RICARDINHO MACHADO


"Muque
Pescadores do sul do estado estão reclamando da portaria que não permite barcos a motor na pesca artesanal da tainha. Os velhos pescadores dizem que estão ficando sem renovação e que a juventude abandonou a pescaria. Pois ali na Barra da Lagoa os remadores do grupo de pesca Saragaço já estão de prontidão a dias para enfrentar a fúria do mar e cercar as tainhas no muque.

Aliás
Vamos ver se a comissão que acompanha os lanços pelas praias da Ilha para entrega do troféu no mês de julho, na praia do Costão do Santinho, este ano confere tudo bem direitinho no campeonato de quem mais pesca. A contagem dos quinhões e do número de tainhas precisa ser igual pra todas as praias. Tem reclamação de que pra uns contam em toneladas e pra outros em número de peixe. Como geralmente uma tainha ovada pesa de 1,2 a 1,5 quilos, vai lá uma diferença."

(Da coluna do Ricardinho Machado - www.ndonline.com.br)

NO RINCÃO

 Foto Gilberto Custódio
Mais dez toneladas de tainha no Rincão
Pesca na noite desta terça-feira movimentou a orla da praia

Mais uma vez a orla do Balneário Rincão esteve movimentada por pescadores e curiosos. Dez toneladas de tainha foram retiradas do mar, em mais uma pescaria bem sucedida. A grande quantidade de peixes mobilizou dezenas de pescadores e confirmou a boa safra que tem marcado o início da pesca liberada da tainha na costa catarinense.

(Informações da Rádio Eldorado -http://www.am570.com.br)

DEU TAINHA NO JORNAL!

A charge do André, no Hora de Santa Catarina, em 2010 

FESTA DO DIVINO


LÁ NO FUNDO...

Foto G.O. Longo / Divulgação
 Pesquisa liderada por UFSC dá um panorama de vida marinha no país

Resultados de Rede Nacional de Biodiversidade Marinha serão apresentados nesta semana
Estudos em todo o litoral brasileiro começaram em 2011 e envolveram 10 instituições

por Gabrielle Bittelbrun
gabrielle.bittelbrun@diario.com.br
Retratos da vida marinha brasileira elaborados por pesquisadores de todo o país serão apresentados ao longo desta semana, em Florianópolis. Os trabalhos da Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, a Sisbiota-Mar, capitaneados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), serão apresentados no Congresso Brasileiro de Biologia Marinha até o próximo dia 23. No último final de semana, reuniões na UFSC elencaram algumas conclusões e apontaram que o mar catarinense já esteve melhor em diversidade de espécies.

A Sisbiota-Mar reúne projetos de pesquisadores de pelo menos 10 instituições do Brasil desde 2011, com o objetivo de se elaborar um panorama inédito e integrado dos seres que vivem no mar do litoral do país. Expedições evidenciaram regiões que ainda apresentam as mesmas formações de corais denunciadas em registros da década de 1960 e outras que requerem mais cuidados.

O professor do Departamento de Zoologia e Ecologia da UFSC e um dos coordenadores da rede, Sergio Floeter, considera que, no levantamento geral, Santa Catarina está entre as intermediárias em preservação. Mas o cenário já foi melhor, como complementa o professor Alberto Lindner, do mesmo Departamento da UFSC.

— Registros da década de 1960 apontam que, em um dia, se pegou três meros e dois tubarões magona na Ilha da Galé (que integra a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo). Hoje, eles são encontrados longe da costa ou somente em mar aberto — relata.

A pesca e a poluição são os principais motivos apontados para o desaparecimento dessas espécies maiores em praticamente toda a costa do país, por terem atingido peixes menores que serviam de fontes de alimento. O quadro pode ser revertido caso haja o aumento da preservação, contribuindo para o aumento de populações.

Entre as boas surpresas dos estudos no país estão a Ilha de Alcatrazes (SP) e Parcel de Manuel Luís (AL), que revelam uma grande quantidade de espécies variadas, de tubarões a garoupas. De acordo com os especialistas, são esses locais que dão as pistas da abundância de peixes que existia provavelmente na maior parte da costa brasileira.

Já foram investidos na Sisbiota-Mar cerca de R$ 1 milhão de órgãos de fomento à pesquisa. Metade veio do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o restante da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

O projeto foi inicialmente previsto para ter duração de três anos, mas os estudiosos preveem a continuidade da rede, em prol do compartilhamento de dados entre as instituições.

Necessidade de áreas de proteção

Ao promover o conhecimento da riqueza marinha no Brasil, a rede Sisbiota-Mar também evidencia a importância de áreas de preservação no litoral. As duas Rebios do país, a de Atol das Rocas (RN) e do Arvoredo, entre Bombinhas e Florianópolis, em comparação com outras áreas do país, ainda se destacam em quantidade de peixes.

De acordo com levantamento dos pesquisadores, apenas 2% dos 3,6 milhões de quilômetros quadrados de mar do país está em área marinha protegida. Destes, só 0,14% estão em áreas de proteção integral.

Dados devem ser passo para outras pesquisas

As informações coletadas e compartilhadas na rede são o ponto de partida para comparações entre populações entre países e até para o desenvolvimento de medicamentos. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, que também integram a rede, analisam o potencial de substâncias de bactérias encontradas em corais ao longo do litoral. Informações preliminares apontam que o coral baba de boi pode ajudar no tratamento contra o câncer de próstata e leucemia.

As coletas de material são feitas no Ceará, na Bahia, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, na região da Ilha do Arvoredo. A mestranda em Farmacologia da Federal do Ceará, Bianca Del Bianco Sahm, explica que ainda há um longo percurso até se comprovar a eficácia das substâncias. Porém, para ela, o intercâmbio de informações entre as universidades pela Sisbiota-Mar ajuda bastante.

— Ainda é tudo muito inicial. A cada 5 mil substâncias descobertas, só uma entra no mercado. Mas os trabalhos continuam e essa interação com outros trabalhos na rede é bem importante — relata.

Outra integrante da rede é a mestranda em Ecologia na UFSC, Júlia Nunes de Souza. A estudante faz parte da equipe que percebeu que os corais de fogo encontrados no Brasil, entre o Maranhão e o Rio de Janeiro, têm uma diversidade genética menor do que aqueles encontrados do Caribe. Na prática, isso os torna mais vulneráveis aos impactos ambientais, reforçando a importância de preservação da espécie.

 — Por serem formações mais recentes, eles acabam sendo mais suscetíveis aos impactos — ponta a estudante.

terça-feira, 21 de maio de 2013

EM JAGUARUNA

Foto Luis Reis
 QUATRO TONELADAS EM JAGUARUNA HOJE!
A tainha tá chegando!

TENTANDO SALVAR A PESCA

Foto Marco Santiago/ND
Sebastião, da prainha do Farol, sugere que o prazo de defeso seja reduzido
Mudanças para safra da tainha serão discutidas dia 10 de junho em Itajaí
Pescadores artesanais sugerem readequações na instrução normativa 171/2008 do Ibama para disciplinar pesca e conter conflitos

por Edson Rosa
Como nos anos anteriores, os primeiros dias da atual safra da tainha revelaram falta de sintonia entre órgãos de fiscalização e pescadores. Também faltaram critérios na liberação de licenças de pesca. Conflitos, denúncias e reclamações, segundo o presidente da Federação Catarinense de Pescadores, Ivo Silva, servirão de subsídio para prováveis mudanças nas regras, provavelmente já a partir da próxima temporada, com readequações na Instrução Normativa 171/2008 do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

As propostas serão discutidas durante a próxima reunião do Grupo Técnico da Tainha, marcado para 10 de junho, em Itajaí. Para o setor industrial, por exemplo, a Federação Catarinense dos Pescadores, vai propor a redução do número de traineiras licenciadas – atualmente são 60 - e a ampliação da zona de exclusão para 10 milhas náuticas (18.520 metros) em todo o litoral brasileiro, como já ocorre no Rio Grande do Sul. O grupo é formado por representantes dos pescadores, dos Ministérios da pesca e do Meio Ambiente e do Cepsul (Centro de Estudos Pesqueiros do Sul, da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)

Na área artesanal, pelo menos três modalidades precisam de nova regulamentação: arrastão de praia com redes de malhas e canoas motorizadas, cerco em botes de caça de malha, e redes de cabo com âncora.

A expectativa de pescadores como João Ramos, de Jaguaruna, é que sejam definidos limites para cada uma delas. “Quem pesca com arrastão é obrigado a usar canoa a motor. E, neste caso, os cabos esticados na arrebentação, são armadilhas perigosas”, diz. Segundo Ramos, além de espantarem os cardumes no momento de encostar e inviabilizar o arrastão da praia, as redes de cabo atravessadas são usadas por amadores. “É gente que não vive da pesca, mas tem força política”, conclui.

Motor supre falta de mão de obra

Aos 51 anos, João Pereira Ramos começou na infância e ainda pesca da mesma forma que o pai e o avô faziam. Conquistou respeito e patrimônio de classe média na praia do Camacho, em Jaguaruna, mas não quer a mesma vida para os dois filhos, incentivados a estudar e escolher outra profissão. “Está cada vez mais perigoso e incerto viver do mar. Já passei muito frio e fome nestas dunas”, argumenta.
Nem a safra da tainha estimula o pescador, que critica a falta de conhecimento prático de quem libera as licenças de pesca. “Sempre fui pescador, estou com minhas taxas e hoje em dia preciso pagar advogado para garantir o direito de trabalhar”, acrescenta. A instrução normativa 171, segundo João Ramos, precisa ser revista, e aplicada de acordo com a realidade de cada colônia.

No Camacho, por exemplo, há cinco anos os pescadores artesanais utilizam canoas de fibra, similares as de um pau só, mas equipadas com motor de centro ou popa. A adaptação é a maneira de suprir a falta de mão de obra e viabilizar a saída sem risco de acidentes. “Neste mar é impossível sair a remo, não querem liberar as licenças. Estamos trabalhando com mandado de segurança”, explica.

Com 17 camaradas fixos, João Ramos investiu R$ 38 mil na embarcação, incluindo o motor de 24 hps, e R$ 50 mil no arrastão de malhas. “Não sei se conseguirei cobrir as despesas deste ano. Está passando peixe, mas o mar não ajudou nos primeiros dias de safra”, observa.

Outras quatro parelhas, todas administradas pela família Ramos, utilizam canoas motorizadas e redes de mil metros de comprimento. Percorrem do Camacho ao Chuí, no Rio Grande do Sul, a caça dos cardumes.

Pescador sugere defeso diferenciado

Na Prainha, no Farol de Santa Marta, Laguna, as canoas ainda são movidas a remo e as redes de arrasto têm copo, não apenas malhas. Mas o sentimento dos pescadores artesanais da pequena enseada é o mesmo do Camacho.

“O ideal é mudar o período do defeso. Liberar a pesca artesanal mais cedo”, sugere Sebastião Manoel Albino, 62, remador da canoa Maria Maré, de oito metros.

A proposta da Federação das Associações de pescadores de Santa Catarina de antecipar o fim do defeso para 1º de maio, respaldada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, para este ano foi rejeitada pelo Ibama e Ministério do Meio Ambiiente.

Foto Marco Santiago/ND
João Ramos depende da canoa motorizada para pescar na praia do Camacho

Mãos calejadas no remo para enfrentar mar grosso

É nítido o envelhecimento das tripulações das centenárias canoas de um pau só, de oito ou nove metros, ainda utilizadas na maioria das colônias de pesca artesanal de tainha no litoral catarinense. Na praia da Ribanceira, Vila Boa Esperança, pequena comunidade quase escondida entre o porto e o balneário de Ibiraquera, em Imbituba, sobram exemplos.

Remeiro dos melhores, Valdomiro Manoel da Silva, 70 anos, o Valdo do Pacheco, é um deles. No alvoroço do lance, quando ouve o apito do vigia precisa de ajuda dos mais jovens para embarcar e, sincronizado com os outros três, remar com força para enfrentar o mar grosso e não perder o cardume.

“Precisa ser rápido, elas estão cada vez mais escassas por aqui. Os barcos matam tudo”, diz. Em seguida, cai na gargalhada com os colegas quando jura que a perda de habilidade não influencia na disposição para outros prazeres da vida. “Ainda me sinto um garotão”, emenda.

Como o bom humor, a persistência é outra característica comum em quem sobrevive da pesca. Na Ribanceira, 20 famílias dependem diretamente da produção da sociedade que mantém três canoas – Terezinha, Rei do Oceano e Danielle – com redes embarcadas e prontas para cercar.

Abrigado por pequena ponta de morro, apenas o canto sul permite saídas a remo e cerco com redes de copo, ou de enxuga. Quando o cardume é avistado em pontos da praia aonde a ondulação chega a dois metros e o fundo é esburacado, entra em cena a canoa Danielle, a maior de todas e a única equipada com motor de popa. “Se não for assim, é muito arriscado. Não tem mais mão de obra para formar nova tripulação”, explica Manoel Silveira Albino, 60, o Dedé.

Neste caso são utilizadas redes de malha, sem copo, mas o método é semelhante ao arrastão de praia praticado em Florianópolis. Uma extremidade fica na praia e o patrão, que navega na popa com remo auxiliar para conduzir a canoa de acordo com a orientação do vigia, faz o cerco de aproximadamente 600 metros antes de retornar com a outra ponta.

Em seguida, camaradas e pessoas da comunidade que aparecem para ajudar se dividem e começam a puxar simultaneamente. Aos poucos, as tainhas aparecem malhadas pela cabeça. “Pelas condições do mar, o perigo é maior, é muito mais trabalhoso”, completa Adão Vieira, 77, um dos sócios da parelha.

Foto Marco Santiago/ND
Maria Baron garante o ambiente familiar no rancho de pescadores

Clima familiar anima espera no rancho

Na safra da tainha rancho de pesca é como casa de família. E na Ribanceira, o toque feminino chama a atenção não só pelo cheiro bom do café matinal ou do almoço bem temperado. Mas, acima de tudo, pela organização e higiene.
A responsável pela ordem é Maria Baron, 63, que faz compras no mercado para não deixar a dispensa em falta, cozinha, limpa e, para não ficar sobrecarregada, exige que cada um lave a própria louça. “Quando é preciso, também boto a mão na rede”, emenda a futura avó.

Simples, o rancho que na entressafra abriga as canoas nesta época  é também centro de convivência dos pescadores. Uma das paredes serve para pendurar remos, coletes salva vidas e puxadores, enquanto na outra lateral o trocador de roupas, oito beliches e banheiro permitem algum conforto na hora do descanso. “Mais do que garantir meu quinhão de peixe, é aqui que curo minha depressão”, diz Maria Baron.

As refeições preparadas por ela são servidas em duas mesas coletivas, uma delas usada como altar nas missas de 1º de maio para abençoar a safra. Católicos em maioria, os pescadores da Ribanceira reservam também um quinhão do que pescam à capela de Nossa Senhora de Fátima, a padroeira da comunidade.
Dois fogões, a lenha e a gás, e a geladeira cheia proporcionam cardápio variado. Só não podem faltar arroz, feijão, salada e, é claro, peixe. “Às vezes sai um churrasquinho. Mas o dono do mercado sabe que dependemos da tainha para pagar a conta da carne. Se não der nada, a conta caduca até o ano que vem”, brinca o patrão Lindomar Martins Vieira, 45, o Vando, o mais jovem da parelha.

Quando o mar não está para peixe na Ribanceira os pescadores do lugar viram nômades. Colocam Danielle na carroceria de um velho ônibus adaptado, e percorrem a pé os 30 quilômetros de extensão da praia, de Ibiraquera a Itapirubá do Sul. E, mesmo que nem sempre voltem com as redes cheias de peixes, estão sempre prontos para recomeçar no dia seguinte.

(Do ND -Publicado em 20/05/13 - www.ndonline.com.br.com.br)

domingo, 19 de maio de 2013

SURF E TAINHAS

Foto Fernando Alexandre
Durante a temporada de pesca, as tainhas 
é que pegam ondas nas praias da ilha 

Saiba onde você pode surfar em Florianópolis na temporada da tainha
Na última quarta feira, 15 de maio, foi aberta oficialmente a temporada de pesca da tainha em todo litoral brasileiro, fonte de renda de muitas famílias e uma tradição no litoral catarinense. Mas a temporada, que provoca o "fechamento" de algumas praias, também causa de alguns conflitos entre surfistas e pescadores.

Em Santa Catarina, a Federação Catarinense de Surf (Fecasurf) promove um acordo entre surfistas e os pescadores, que pretende garantir a paz e a harmonia entre ambas às partes nesta época de pesca. Na maioria das praias catarinenses terá uma placa para indicar se é permitida a prática de esportes no local.

As placas têm bandeiras que, quando erguidas, sinalizam a presença de cardumes de peixe na área, não sendo permitida a prática de esportes, e quando abaixadas, sinalizam área livre para prática de esportes.

— A pesca da tainha é uma tradição no litoral catarinense, assim como o surfe agora é profissão, e o sucesso deste acordo, é o respeito mútuo — declarou Fred Leite, presidente da Fecasurf.

Uma dica para evitar conflitos é, quando chegar as praias fechadas, dirigir-se primeiro aos barracos de pesca para obter as informações para saber se realmente naquele dia a praia estará fechada para o surfe. Da mesma forma, se espera que todo pescador mantenha o respeito para com os esportistas.

Em Florianópolis, as praias liberadas para a prática de esportes são:

Praia da Joaquina
Praia Mole
Lagoinha do Leste
Matadeiro
A 500 metros do canto esquerdo da praia da Armação
A 500 metros do canto direito do Morro das Pedras
A 500 metros para a esquerda da estrada de entrada da praia do Moçambique,
A 500 metros do costão das Aranhas, na Praia do Moçambique
A 500 metros do canto direito da Praia do Santinho
A 500 metros do canto esquerdo da praia dos Ingleses.

NOVA LICENÇA

Do Notícias do Dia

sexta-feira, 17 de maio de 2013

CAÇA DE MALHA

Foto Caio Marcelo  /  Agencia RBSO superintendente estadual do Ministério da Pesca, Paulo Henrique Ferreira, explicando a boa notícia aos pescadores que aguardavam em frente ao Ibama
Ibama libera uso de rede de cerco para captura da tainha em Santa Catarina
Problema estava impedindo os pescadores artesanais de trabalhar
Hoje (sexta-feira) pela manhã, um acordo entre Ibama, Ministério da Pesca e Federação dos Pescadores Artesanais de Santa Catarina resolveu o problema que estava afetando a safra da tainha. Os barcos estavam impedidos de usar a rede de cerco, usada para pescar tainha. Agora todas as licenças emitidas receberão um aditivo que permitira o uso.

Antes das 9h da manhã, cerca de 40 pescadores já estavam na frente do prédio do Ibama pedindo pela liberação que só aconteceu pouco antes do meio-dia. Segundo o superintendente do Ministério da Pesca, Paulo Henrique Ferreira, ainda é necessário receber um ofício de Brasília para conceder o aditivo.

— Hoje (sexta-feira) ou no máximo amanhã já teremos essa liberação, pois já há pessoas esperando por este acordo em Brasília.

Apesar de contentes, os pescadores criticaram o acontecimento, que resultou em uma multa de R$ 1.400 a um dos pescadores. A sexta-feira (17) era considerada um dia bom para a captura de tainha, já que no dia anterior houve vento sul. Foi um dia de pesca perdido, mas pelo menos se resolveu o problema principal da temporada de pesca.


(Do HORA DE SANTA CATARINA - www.clicrbs.com.br)


TAINHAS NO NORTE

Foto Marcos Porto / Agencia RBS

Tradição da pesca artesanal da tainha sobrevive no Litoral Norte catarinense

Pescadores se mantém pela promessa de ganho financeiro aliada à manutenção da cultura regional

por Dagmara Spautz
dagmara.spautz@osoldiario.com.br
O dia mal havia amanhecido e Eladio Euflorzino já mantinha os olhos atentos ao mar na Praia de Taquaras, em Balneário Camboriú. Hoje com 67 anos, ele aprendeu ainda criança a ver se aproximar um cardume de tainhas. Diz que é preciso ter o olhar treinado para perceber as manchas avermelhadas na água e os peixes que, ao longe, saltam sobre a superfície. Na quarta-feira, primeiro dia da safra da tainha, mantinha os barcos na areia, à espera da sorte.

— A chegada da tainha é um segredo que nem o pescador sabe direito. Agora não tem nada, mas daqui a pouco pode aparecer um cardume — diz o pescador.
Nos três últimos anos o peixe não apareceu em Taquaras. Para saciar a vontade de comer tainha, Euflorzino chegou a comprar uma caixa da iguaria — muito diferente do que ocorreu em 2006, quando ele tirou do mar seu maior lanço, com 26 toneladas de tainha.

Para o pescador, os cardumes têm diminuído — algo que tem sido comprovado em estudos feitos por pesquisadores de quatro universidades brasileiras, entre elas a Univali, de Itajaí. Mesmo assim, ele se mantém firme na pesca que, além de renda, é garantia de manter viva uma tradição centenária nas praias da região.

— É bonito quando cerca a tainha, quando ela pula em cima da rede.

Entre amigos

Os costumes que cercam a pesca artesanal de tainha, que incluem dois meses de convivência contínua com o grupo de pescadores, à espera dos cardumes, é outro atrativo para quem não abre mão da pesca. O café coado logo cedo, com os pés na areia, o carteado e a conversa fiada fazem parte da cultura do cerco à tainha.

José Francisco Albino, mestre em História Cultural, diz que o valor econômico da captura artesanal de tainha e o fato de ser uma modalidade de pesca que mobiliza as comunidades ribeirinhas são fatores determinantes para a manutenção da tradição. 

— Por não haver mais fartura na pesca, muitos pescadores hoje tem outras atividades. Mas a pesca artesanal resiste e tem conotação histórica, de uma prática que vem sendo feita há muitos anos.

À espera do vento Sul

O paredão de edifícios na Avenida Atlântica também serve como pano de fundo para a pesca artesanal de tainha em Balneário Camboriú. Na quarta-feira de manhã, com a bagagem na areia, os pescadores esperavam a construção dos barracões, por parte da prefeitura, enquanto faziam planos para os próximos meses.

Pescador desde a infância, Pedro José Damaceno, 70 anos, mantém três canoas a postos, prontas para cercar os cardumes quando eles aparecerem.

— Estamos esperando o vento Sul. A pesca da tainha vale a pena porque é um peixe muito bom, que vende bem.

De acordo com a Epagri/Ciram, o vento Sul sopra no Litoral desde ontem, favorecendo o fluxo de águas frias. De hoje até sábado, a temperatura oceânica ficará mais baixa, com expectativa de bons lanços de tainha.

A possibilidade de ganhos, para os pescadores, pode chegar a R$ 20 mil em uma boa safra _ dinheiro que é dividido entre todos que atuam na pesca artesanal.

Conheça a tainha

Distribuição: Atlântico Ocidental, em toda a costa brasileira. Tradicionais no Sul e Sudeste do Brasil

Tipo de pesca: Frota de cerco e arrasto de praia na frota artesanal
Curiosidades: Alimentam-se de algas, microorganismos e detritos orgânicos encontrados no fundo do mar. Caracterizam-se também por suportarem grande alteração de salinidade. Suas ovas são bastante apreciadas como iguaria em várias regiões. As capturas ocorrem principalmente durante o inverno, durante a migração reprodutiva.

Fonte: Grupo de Estudos Pesqueiros da Univali (GEP)

(Do O SOL DIÁRIO - www.clicrbs.com.br)