quarta-feira, 30 de maio de 2012

Na espera e na espreita...

Foto Marcelo Bittencourt
Pescadores esperam que nova
frente fria faça as tainhas chegarem

A temporada do peixe começou, mas logo o frio sumiu e o clima esquentou
Valdir Agostinho* | manegaivota@horasc.com.br

"O mar não está para peixe. Aquilo que parecia ser uma boa temporada de pesca, com muita tainha para todo mundo, passou a ser motivo de preocupação. A temporada do peixe começou, mas logo o frio sumiu e o clima esquentou. Todo mundo está esperando que uma nova frente fria traga as benditas tainhas.
Será porciveu?"

(Da coluna "Mané Gaivota", no Hora de SC de hoje - http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/horadesantacatarina )

domingo, 27 de maio de 2012

E AS TAINHAS VIERAM!

Foto Andrea Ramos
As "tanhotas" anunciaram pela manhã que as "cabeçudas" estavam chegando!
Não deu outra!
No final da tarde, 1717 tainhas foram cercadas e arrastadas na praia do Pântano do Sul!
Quando os vigias abanaram, "Camila Carolina", a canoa que estava "aprontada" e mais próxima dos peixes na praia deslizou pelas estivas e foi pro mar, "patroneada" pelo "Maído", o Amarildo Monteiro.
O peixe foi cercado pouco antes da "chata", quase em frente ao Restaurante Pedacinho do Céu.

FESTA NA PRAIA!
DOMINGO DE OUTONO ENSOLARADO E PEIXE NO PÂNTANO DO SUL!

ÚÚÚÚÚÚ!!!!!

As Tanhotas vieram avisar...

Fotos Andrea Ramos
 ÚÚÚÚÚ!!!!!
"Camila Carolina," canoa bordada para peixe pequeno acaba de cercar 967 taihotas no Pântano do Sul.
Ainda não foram as tainhas, as "cabeçudas" mais desejadas deste outono luminoso, mas as tainhotas normalmente vêm na frente avisar que elas já estão chegando!
Já deu pra animar a "camaradagem" que estava impaciente!
Principamente depois que o pessoal do Saquinho avisou que tem muito peixe no costão!

ÚÚÚÚÚ!!!! TEM TAINHA NA PRAIA!


SÃO 11 DA MANHÃ E OS VIGIAS TÃO ABANANDO!!!!!

É PEIXE PRA DUAS CANOAS!

"OSMARINA" E "MARIPOSA" ESTÃO DESLIZANDO NAS ESTIVAS!

Em breve mais informações!

PEIXE NUMA MANHÃ DE DOMINGO ENSOLARADO É FESTA NA PRAIA DO PÂNTANO!

sábado, 26 de maio de 2012

DEU TAINHA "IN JURERÊ"


OUTONO COM ARTE URBANA

Os belos tons do outono e a intensa alegria vinda com a chegada da safra de tainha em Florianópolis inspiraram diversos artistas radicados na Ilha a criar. Eles estarão reunidos no Outono Tainhas na Rede Jurerê Internacional, transformando suas inspirações em verdadeiras obras de arte.
E, no Festival de Arte Urbana, você poderá prestigiar as obras que esses 28 artistas já estão desenvolvendo. Expostas ao ar livre durante a estação, elas serão distribuídas em diversos locais, convidando a todos para passeios sem pressa e conversas preguiçosas, para realmente aproveitar a vida com a família e os amigos, desfrutando a arte em Jurerê Internacional.

O evento irá agregar a arte com a música e a gastronomia, juntamente com o Jurerê Open Sound e o Jurerê Jazz Festival, que já celebram os fins de tarde de temperaturas amenas em Jurerê Internacional. O intuito é traçar um panorama da cultura e das artes na Ilha durante a tradicional pesca da tainha.

No total, oito totens serão distribuídos entre o Jurerê Open Shopping, o Jurerê Beach Village e o Il Campanario, além de 20 painéis de arte de rua. As obras serão confeccionadas com material 100% reciclado. Quem for conferir a exposição receberá um roteiro artístico-cultural, para ficar por dentro de tudo. Oficinas de arte também serão oferecidas para crianças, com atividades de circo, ginástica olímpica, dança e esportes.
(Do http://www.blogjurereinternacional.com.br)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

POUCO PEIXE

Safra de tainha ainda é fraca no Litoral Norte de Santa Catarina Diorgenes Pandini/Agência RBS
Pescadores em Barra do Sul à espera da tainha Foto Diorgenes Pandini / Agência RBS




Safra de tainha ainda é fraca no
Litoral Norte de Santa Catarina

Em Barra Velha, Balneário Barra do Sul, em São Francisco do Sul e em Itapoá, os pescadores estão preocupados, mas ainda têm esperanças
Os cardumes de tainhas, tão desejados nesta época do ano, ainda não deram as caras pelo Litoral Norte. Em Barra Velha, Balneário Barra do Sul, em São Francisco do Sul e em Itapoá, os pescadores estão preocupados, mas ainda têm esperanças: a previsão é de que nesta sexta uma frente fria chegue ao Estado e traga os peixes para as redes.

Na praia de Enseada, em São Francisco do Sul, a ressaca desta semana atrapalhou os pescadores.

— O tempo ainda não ficou frio o suficiente para trazer as tainhas. A gente sabe que, quando ocorre um vento Sul forte, é preciso em seguida um Noroeste para trazer os peixes —, conta o pescador e maricultor Antônio Luiz Pinheiro, 56.

Temporada fraca no Estado

O gerente do Centro de Aquicultura da Pesca da Epagri, Fabiano Silva, explica que não é só no Litoral Norte que a pesca da tainha está fraca. Na Grande Florianópolis, apesar de alguns lances, o peixe ainda não é encontrado em todos os comércios.

Os peixes vêm das águas frias da Argentina, do Uruguai e do Rio Grande do Sul e procuram águas mais quentes do Estado para a desova. A frente fria chegou quinta à noite à região Sul. Segundo a Central RBS de Meteorologia, o frio deve ser mais intenso a partir desta sexta.

(Do jornal A NOTÍCIA - www.clicrbs.com.br/anoticia )

quinta-feira, 24 de maio de 2012

DEU ANCHOVA NA TAINHA

Foto Ninguem Sabonome
Depois de 9 dias da pesca das tainhas, tá todo mundo impaciente: as "cabeçudas" só apereceram no primeiro dia, "pra inticar e deixar todo mundo em ala". Na praia a ansiedade é grande. Maior ainda são as teorias sobre o assunto! Todo mundo é especialista. E são! Conhecem tudo.

Mais ou menos!

Ontem deu anchova na tainha. Na praia, o maior saragaço: rede de tainha, rede de anchova, rede de corvina.
No final, o "Zé Gabriel", barco que era do Armando e agora é do Clayton,  filho do finado Coimbra, voltou do mar com mais de 1 tonelada de "ANCHOVAS". Ajudado pelo Kequeu!

Frescas e deleciosas, algumas delas foram degustadas no almoço da camaradagem da "vigia", que fica o dia inteiro lá em cima das dunas, de olho na tainha!

É HOJE! Todo mundo lá...

Última apresentação do "Engenho", com essa formação. Em 1984, show no CIC, apresentado pelo jornalista Cacau Menezes.

O QUÊ: SHOW DO GRUPO ENGENHO – Antologia: “De trés ont'onte a dijáoji"
DATA: 24 de maio – quinta-feira
HORA: 21 horas
LOCAL: Teatro Pedro Ivo
ENDEREÇO: SC 401, n. 4600 Km5
INGRESSOS: 40,00 (inteira) e 20,00 (meia)
POSTOS DE VENDAS: Teatro Pedro Ivo (SC 401), Teatro Álvaro de Carvalho (Centro) e Blueticket
INFORMAÇÕES: 3665-1630 (teatro) / 9626-7782 (produção)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

PESCA PROIBIDA

Foto Salmo Duarte / Agencia RBS
Pescadores fecham o acesso ao Porto Itapoá
Pescadores fecharam o acesso ao Porto Itapoá na manhã desta quarta-feira, no litoral do Estado, em protesto ao andamento das negociações que se arrastam desde que a pesca em toda a baía foi proibida, em 2008, por causa da construção do terminal.

A principal queixa dos pescadores, que esperam alguma forma de compensação pelos prejuízos, é contra um suposto retrocesso na proposta do porto. Eles alegam que, na reunião do último dia 16 de abril, receberam oferta de indenização em R$ 40 mil por pescador, além da instalação de uma cooperativa de criação de peixe em cativeiro.

Já na reunião desta terça-feira, afirmam os pescadores, a oferta de indenização foi retirada, sendo oferecida apenas a criação de um mercado de peixe e gelo. A manifestação foi pacífica e o acesso novamente liberado por volta das 10 horas.

A assessoria de imprensa do porto informou, na manhã desta quarta-feira, que ainda se manifestará sobre o assunto por meio de uma nota oficial.

(Do jornal A NOTÍCIA - www.clicrbs.com.br/anoticia )

CONHEÇA O NOVO TAINHA NA REDE!

Camaradagem do Blog!

Os vigias estão abanando e o apupo ÚÚÚÚ já corre pelas praias e pelos bits avisando e convocando todos para navegar pelo
  
 http://www.tainhanarede.com.br/

Já está no ar o novo "sítio" praieiro que fala de tainhas, das pescas e dos pescadores...E também dos mares de poetas, escritores, seresteiros e namorados. Mares reais, mitológicos e imaginários, embalados pelos marulhos, pelas ondas e pela memória das águas.
Um mar de todos!

Vão lá!

E vamos embarcar juntos nesta viagem! 

http://www.tainhanarede.com.br/

Tempestade de Tainhas


Em visita à praia do Pântano do Sul, o ilustre ilhéu da Barra da Lagoa, Valdir Agostinho, fala das expectativas em relação à Pesca da Tainha nesta safra de 2012 em sua comunidade.
Bem lembrado por ele o fato da farinha de mandioca e do peixe serem tão relevantes na Ilha de Santa Catarina. Realmente, a farinha e o peixe sempre estiveram juntos.  Não só no prato, mas também  na mesma época: outono e inverno. Enquanto os homens estavam no mar lançando suas redes, as mulheres  trabalhavam nos engenhos de farinha. À noite todos se reuniam para os festejos das saudosas farinhadas.

AINDA ESPERANDO O PEIXE...

Foto Milton Ostetto
Mergulhe mais fundo no www.miltonostetto.blogspot.com

terça-feira, 22 de maio de 2012

MAR GRANDE

Foto Guto Kuerten / Agencia RBS
 Ondas chegam a 2,5 metros na Praia da Joaquina

O mar agitado em Santa Catarina e no litoral dos estados do Sudeste brasileiro deve continuar até a próxima quarta-feira, segundo previsão da Epagri. Na manhã desta terça, a altura das ondas chegava a 2,5 metros na Praia da Joaquina, no Leste da Ilha de SC.


O órgão que monitora as condições climáticas aponta que a força do mar se deve a passagem de um ciclone extratropical pela região. Na segunda, as ondas invadiram as calçadas de várias cidades do Norte.

Conforme a tábua de marés divulgada pela Epagri, a cota mais alta deve ser em São Francisco, onde a maré deve chegar a 1,3 metro por volta de 17h30min.

Segundo o meteorologista Marcelo Martins, a passagem de um ciclone extratropical provocou as fortes ondas, que começam a perder força até a próxima quarta, quando a situação deve voltar a se normalizar.
Temporada de ressacas está no começo

Martins explica que a ocorrência de ciclones extratropicais é mais comum entre os meses de maio e setembro.

— Nem sempre as ondas chegam fortes ao Litoral, o que só acontece quando há ventos favoráveis junto com a proximidade do ciclone — explica.

A ressaca mais recente que atingiu o Litoral de Santa Catarina provocou destruição na Praia da Armação do Pântano do Sul, em Florianópolis.
A ressaca que atinge o Litoral catarinense trouxe ondas de até três metros às praias na região de Itajaí na segunda-feira. O fenômeno atraiu curiosos à Praia de Cabeçudas, em Itajaí, que foi a mais atingida pela força do mar. À tarde, agentes de trânsito chegaram a bloquear a passagem de veículos pela Rua Juvêncio Tavares do Amaral, a beira-mar, devido ao avanço da água e areia sobre a pista.
Nesta segunda-feira, a Praia Central, em Balneário Camboriú, a água chegou a bater na mureta de proteção, mas não atingiu a Avenida Atlântica. A Defesa Civil informou que passaria a noite toda monitorando a situação, que poderia se agravar — especialmente nas praias agrestes. Nas praias do Estaleiro e Taquaras, o mar já havia chegado à área de restinga durante a tarde.

O fenômeno também foi registrado em outras partes de Santa Catarina. Em Florianópolis, as praias da Joaquina, no Leste da Ilha, e do Campeche, no Sul, apresentaram maré alta. As praias mais atingidas pelo fenômeno são das regiões de Itajaí e Florianópolis.

(Do Diário Catarinense - www.diariocatarinense.clicrbs.com.br )

sábado, 19 de maio de 2012

“Tás vendo, coisa linda né? "

AS SAGRADAS CHEGARAM!
Foto Andrea Ramos

Por Arante José Monteiro Filho

"Para mim a tainha é o peixe mais sagrado, mais abençoado do mar. É nesta época que todos comem peixe. É só ajudar a puxar a rede, seu mandrião.

Quando menino, observando um lanço de tainhas dado pelo meu avô Zé Gancheiro, famoso patrão da canoa do Seu Dionísio, ele me disse: “Tás vendo, coisa linda né? Óia, essa aqui é a tainha maricá, pequeninha , gordinha e cabecinha bem redonda. Essa outra é um facão, magra e comprida como um facão.” Apertou o “umbigo” de uma tainha grande, saiu um pouquinho de ova amarela e disse: “Essa é da ova boa.” Apertou outra e saiu uma aguinha branca: “Essa é ova leiteira, não é boa para se comer. Essa grandona aqui nós chamamos de tainha maranhão, é a maior de todas. Dizem que ela é criada em lagoas. Na Lagoinha do Peri existem muitas dessas.”
Disse ainda: “Acho que essas tainhas não vem todas lá da Lagoa dos Patos, do Rio Grande do Sul. Acho que algumas vem de mais longe. Veja o tamanho daquela de lá, é grande e diferente.”

Agora, com meus cinqüenta e poucos anos, já há alguns anos também na lida da pesca da tainha, venho percebendo que não são só “os hermanos” uruguaios e argentinos que nos visitam no verão. A maior quantidade de tainhas que pescamos no nosso litoral vem mesmo é do Rio da Prata, daquele grande rio que divide o Uruguai e a Argentina. Lá eles chamam a tainha de “lisa” e não há pesca e nem consumo dela por lá. Graças a Deus! O motivo: gosto ruim de óleo e de barro. É nessa grande viagem para o Brasil que ela se limpa e sua carne fica gostosa e apetitosa. Até as que vem da Lagoa dos Patos perdem o gosto de barro nessa viagem.

Ainda vem muita tainha maricá da Lagoa dos Patos. Mas a pesca predatória durante o ano todo naquela lagoa tem diminuído ano após ano a quantidade de tainhas.

O nome científico da “sagrada” é mugil brasiliensis. Elas vem em cardumes para alegria dos pescadores de todo o nosso litoral. Dizem que vai até Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Depois volta para o mesmo lugar de onde saiu. Mas ninguém explica direito como ela volta para esse mesmo lugar de onde saiu. A verdade é que sabe-se muito pouco sobre essa migração. Se sabem não é divulgado. E o pouco que se sabe é devido a experiência dos próprios pescadores mais antigos.

Argentinas, uruguaias ou brasileiras, elas são gostosas de todo jeito. Frita, assada escalada na brasa ou na folha da bananeira, cozida no feijão, no caldo com alfavaca, grelhada na chapa, recheada ao forno ou até seca desfiada ensopadinha. Sua ova é uma iguaria que equivale ao nosso caviar manezinho. A moela é a única que nós saboreamos dos peixes que consumimos. Por isso que se diz que a tainha é a galinha do mar. Não tem dente e tem moela, igual galinha.

Diz um velho pescador que para se saber se a tainha é brasileira ou “hermana” é só olhar no movimento da boca na hora que é pescada. A brasileira mexe a boca em português. Já as “hermanas” argentinas e uruguaias mexem de um jeito tão “portunhol” que nenhum pescador entende direito. Tu me compreendes?"


*Arante José Monteiro Filho, o Arantinho, do Pântano do Sul, é pescador de tainhas, historiador e um dos proprietários do tradicional "Bar do Arante".

COWINHAS

Projeto de Andrea Ramos para o Cowparade. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

AO VIVO DO PÂNTANO

Foto Fernando Alexandre
"O vento sul é quem traz o peixe, mas o norte é quem encosta", garantem há centenas de anos os pescadores de tainhas. Hoje, sexta-feira, dia 18, céu azul de brigadeiro, mar que é um "azeite" e vento norte soprando fraco, os olhares estão todos fixos no mar. Na "vigia" Sêo Domingos, lá no alto das dunas, ou mesmo na praia, nos bares, ranchos ou em volta das canoas bordadas que já estão meia-praia, qualquer movimento nas águas é sinal de alvoroço.
Mas o peixe parece que tá passando por fora.
Enquanto isso, fala-se de futebol - principalmente do Avaí, campeão catarinense deste ano - e das tainhas, que apareceram em quase toda e ilha no primeiro dia da pesca, terça-feira dia 15, e depois sumiram.
-Elas vieram só pra "inticar" e deixar toda a camaradagem em "ala", comentam os mais experientes.

MAGRAS & LIMPAS


"Protesto de locutor da Rádio Trapiche, ao saber que as tainhas vêm do Rio Grande do Sul gordas e sujas. "Pode ser, mas as gauchinhas vêm magras e limpas".
Ou seja, no ponto. Isso é verdade."
Postado por Cacau, às 10:05
(Do blog do Cacau Menezes - mergulhe fundo no http://wp.clicrbs.com.br/cacaumenezes/?topo=67,2,18,,38,67 )

DE OLHO NO MAR...

Foto Caio Marcelo/Agência RBS
Olheiros têm papel importante
na captura da tainha


Na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, a dupla observa o mar no alto do morro

Sâmia Frantz | samia.frantz@horasc.com.br

Seo Diquinho é pescador, mas há 25 anos não entra no mar. Não empurra o barco, nem cerca o cardume. Também não ajuda a puxar a rede e a contar os peixes. No ritual da pesca da tainha, Seo Diquinho, 67 anos, usa os olhos. São eles que, atentos e experientes, observam o mar e são capazes de identificar as inconfundíveis manchas na imensidão das águas. E quando as vê, a busca se transforma em gritos: "vem vindo tainha aí, minha gente!".

Adir João Lemos, esse é o nome dele, é olheiro. E todo o ritual da pesca da tainha começa com um olheiro. Seu Diquinho se posiciona no alto do Morro da Barra da Lagoa, lá onde a cruz abençoa a comunidade.
Barcos vão pra água após o sinal

E é ao sinal dele que, na praia, os pescadores sabem que chegou a hora de jogar os barcos na água. Seo Diquinho olha tudo lá do alto. Nem sequer participa da "bagunça":

— A gente só fica olhando daqui. Não dá para ir lá. Pode vir mais atrás, né?

Ele só sai de lá para almoçar. Segue a trilha e caminha até o rancho, onde é preparada a comida. Mas não deixa o posto sozinho, nunca. Reveza o tempo de almoço com José Vieira, 63 anos. José também é pescador, mas pela primeira vez está lá, como olheiro. Trabalhou 30 anos em barcos de caça de malha, mas cansou. Agora quer uma vida mais calma, em terra.
Trabalho puxado de todos

O trabalho do olheiro começa cedo. Às 6h, quando ainda é escuro, Seo Diquinho e José já estão lá, a postos. Debaixo do braço trazem casacos, guarda-chuva, lanterna e comida - geralmente pão, bolo e café com leite. Ficam lá o dia inteiro e só vão embora quando voltar a escurecer.

São horas e horas de observação do mar. Seo Diquinho olhando para o Norte, José para o Sul. Peixe não tem destino, por isso. Ficam de olho na mancha que, algumas vezes, é mais avermelhada e, outras, de um amarelão forte.

— A gente vem todos os dias, faça chuva, faça sol, esteja frio, esteja quente. Venho até quando estou com gripão. É a vida de pescador, né? Peixe não avisa quando passa.
Histórias para passar o tempo

Seo Diquinho é daqueles que gostam de contar histórias. Suas preferidas são as de fantasmas e de causos que ele viu ou ouviu há muitos anos. A sorte de Seo Diquinho é de ter um bom ouvinte. Tudo o que ele tem de conversador, seu José tem de quieto.

— Sabe feiticeira? Ela existe. E sabe lobisomen? Também.

Ele é olheiro há 25 anos e já passou pelo Gravatá e pela Galheta. Gosta tanto do que faz que, agora, só trabalha em época de tainha:

— Às vezes elas vêm pulando. É lindo de ver!
Mais de 4,5 toneladas até agora

A safra deste ano começou com o pé direito, mas as 4,5 toneladas de tainhas retiradas do mar até agora, só na Grande Florianópolis, ainda não são suficientes para fazer a alegria do pescador. A estimativa, nos primeiros três dias, é do Sindicato dos Pescadores.

— Ainda estamos na estaca zero. O forte da tainha começa, mesmo, na semana que vem. Os bons lanços sempre aparecem entre o fim de maio e o início de junho. Isso é histórico - alerta o presidente do órgão, Osvani Gonçalves.

(Do jornal HORA DE SANTA CATARINA - 18/5/2012 - http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/horadesantacatarina )

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A MELHOR TAINHA

Foto Fernando Alexandre

"Por uma questão meramente geográfica, a tainha capturada em Florianópolis, somente em Florianópolis, é a melhor do Brasil. A "tese" é do jornalista Fernando Alexandre, do blog www.tainhanarede.com.br, entrevistado por mim no Jornal do Almoço desta quarta-feira. Argumenta que o peixe sai da Lagoa dos Patos gorda e suja, porque se alimenta de barro. Ao entrar no mar e dirigir-se para o Norte, vai "limpando" sua carne com a água salgada. Quando chega na Capital, embora não saiba que aqui é a Capital, a tainha está no ponto exato para ser apreciada. Fernando Alexandre prevê para este ano uma grande safra, porque os prenúncios usados pelos pescadores estão favoráveis: muito siri nas praias, espinheiros floridos no verão e aroeiras com bom fruto.
E quanto a dúvida sobre lance ou lanço, o jornalista diz que já em 1587 há registro escrito de lanço. Teorias são teorias e tainhas são tainhas. Com quais você prefere ficar?"

(Do blog do Cacau Menezes - mergulhe mais fundo no www.clicrbs.com.br/cacaumenezes )

quarta-feira, 16 de maio de 2012

LANÇO NA RBS: DEU "TAINHANAREDE" NO CACAU MENEZES

Foto Janine Turco/ND
Mais de quatro toneladas de tainha foram
capturadas na abertura da temporada de pesca

Letícia Mathias
A abertura oficial da temporada da tainha foi de vento sul e boas expectativas para os próximos 75 dias em Florianópolis. Foram capturadas mais de quatro toneladas de tainha no primeiro dia de pesca. Motivados, os pescadores acreditam que esta temporada será melhor do que a do ano passado, considerada difícil por eles.

O primeiro lance do dia foi na praia do Gravatá, Leste da Ilha, entre a Mole e a Joaquina. Entre 6h30 e 7h os pescadores conseguiram recolher cerca de 1.100 tainhas. Ontem (15), outros lances foram registrados nos Ingleses (800), Barra da Lagoa (1.700) e na Pinheira em Palhoça (1.500), totalizando 4.100 tainhas.

Maurílio Nunes, o Dedé, 35 anos, e João Carlos Fernandes, 50, contaram que, no fim da tarde de segunda-feira, o grupo tinha avistado o cardume chegando. Por isso, esperavam por pelo menos um lance na manhã de ontem. Eles se prepararam e, por volta das 5h, foram para o mar.

O cardume foi cercado a 300 metros do costão e após duas horas de trabalho as redes voltaram cheias. “Estamos muito contentes. É um bom começo. Acreditamos que tem cardume para até 10 mil tainhas”, disse Fernandes. Para chegar à praia do Gravatá, se não for de barco, é necessário passar por uma trilha de quase dois quilômetros. Pelo caminho íngreme e irregular, o pescador Everaldo da Rosa, 40, fazia a quarta viagem do dia para levar as tainhas até a estrada geral da Barra da Lagoa.

O peixe é levado a cavalo a outro colega que encaminha para comercialização. Quando o lance passa de duas mil tainhas, o cardume é levado de bote até a Barra da Lagoa e de lá parte para a venda.

Trabalho pesado até 31 de julho

No total, 18 homens trabalham no rancho do Gravatá desde o início do mês. Eles ficam no local até o fim da safra, em 31 de julho. O trabalho começa antes do amanhecer, por volta das 5h, e segue até o anoitecer. Alguns pescadores até dormem por lá.

Para o mar vão apenas 11 homens divididos em duas canoas a remo. Os outros ficam vigiando, preparando o alimento e esperando o retorno dos companheiros para ajudar a recolher e encher os cestos de peixe.

O patrão Dilson Oliveira, 65, nativo da Lagoa da Conceição, é quem fica na popa do barco observando o mar, indicando o local onde está o cardume. Com 52 anos de experiência, ele também acredita que este ano será diferente da última temporada.

“Começamos bem. O primeiro dia já foi de vento sul, que é excelente para a pesca da tainha. No ano passado, só conseguimos pegar no fim de junho. Essa temporada será muito melhor. Vamos ficar até o fim da safra”, afirmou.

Preço varia entre R$ 6 e R$ 8 o quilo

Com a abertura da temporada, o Mercado Público de Florianópolis recebe hoje as tainhas pescadas ontem. Por enquanto, o preço varia de R$ 6 a R$ 8 o quilo. Mas quem quiser o peixe limpo e com ova precisa desembolsar de R$ 10 a R$ 12 o quilo.

O proprietário da peixaria do Chico, Marcelo Jacques, 41 anos, acredita que o preço pode cair de 30% a 40% nos próximos dias. “Vai depender da quantidade de tainha que chegar ao Mercado. Se a safra for boa, o preço ficará cada vez mais baixo”, disse.

O Mercado fica aberto de segunda a sexta, das 8h às 19h. No sábado, das 8h às 13h. Nenhuma peixaria aceita cartão de débito ou crédito.

(Publicado no Notícias do Dia em 15/05-23:13 e atualizado em 15/05-23:48)

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terça-feira, 15 de maio de 2012

ÚÚÚ!!! - Primeiro lanço anima camaradagem

TAINHA A DAR COM O PAU NO PRIMEIRO DIA

Fotos Andrea Ramos
NO PÂNTANO ...
Foto Jacko
NO CAMPECHE
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Depois de duas tentativas frustradas de cercar os peixes que vieram para a abertura da safra de 2012 na baía do Pântano do Sul, camaradagem da pesca conseguiu no final da tarde arrastar para a praia as primeiras tainhas deste ano: foram 1137 peixes, num lanço que envolveu a "Osmarina" e a "Mariposa", duas das 4 canoas bordadas que fazem a pesca no Pântano do Sul.

HOMENAGEM NO CAMPECHE
No Campeche, ainda na parte da manhã, 800 peixes foram lanceados em frente ao antigo bar do Seo Chico, com a rede e a canoa que lhe pertenciam. Pescador mais antigo da comunidade, falecido em dezembro último, Francisco Alexandrino Daniel foi homenageado pelas tainhas, segundo alguns de seus companheiros de pesca, que apareceram nas primeiras horas do primeiro dia da safra bem em frente ao seu antigo ponto.

GRAVATÁ, INGLESES E BARRA
Com as tainhas capturadas pela manhã na Praia do Gravatá - 1.100 peixes - nos Ingleses - 500 tainhas - e as 200 da Barra da Lagoa, o primeiro dia da safra de 2012 fecha com nada menos que 4000 peixes cercados e arrastados nas praias da ilha de Santa Catarina.

UÚÚÚÚ!!!!!!

É FESTA NAS PRAIAS, CHEIRO DE TAINHAS NO AR E MESA FARTA PARA TODOS!

COMEÇOU O SARAGAÇO

Foto Fernando Alexandre
A safra de tainhas deste ano começou promissora: às 6 e meia da manhã pescadores da Praia do Gravatá, Leste da ilha, comandados pelo experiente mestre Dedé, cercaram e arrastaram cerca de 1.100 tainhas. Este foi o primeiro "lanço" da temporada 2012 da pesca, que iniciou hoje, dia 15.
Mais tarde, pescadores dos Ingleses cercaram 500 peixes e o pessoal da Barra da Lagoa arrastou mais 200 tainhas.
O que totaliza 2 mil tainhas só na manhã do primeiro dia da pesca.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

LIBERA JÁ!


"Uma portaria no Ministério da Pesca deve ser aprovada e na próxima temporada a tainha poderá ser pescada já a partir do primeiro dia de maio favorecendo os pescadores artesanais. A competição do cerco da tainha com redes puxadas na praia torna-se prejudicial com a tecnologia dos barcos de pesca cercando os peixes já no alto mar antes de aportarem na Ilha.
Sul
O sul entrou firme e apertou o frio. É tainha na certa a partir de amanhã com a pesca de rede artesanal, uma prática antiga dos pescadores da Ilha com lanço de milhares de peixes."

(Da coluna do Ricardinho Machado, hoje no ND -  no www.ndonline.com.br)

Defeso
"O período de defeso da tainha na nossa região está acabando. Os nossos pescadores já estão preparados para os primeiros lanços. Agora é só esperar, e torcer para o friozinho aumentar, para que as primeiras tainhas cheguem com força no belo litoral de Santa Catarina.

Tomara qui vem com força."

(Da coluna do Valdir Agostinho, o "Mané Gaivota" , hoje no Hora de SC  

http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/horadesantacatarina

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Na pancada da maré...

Foto desacreditada
Linda Summers - Revista Plaiboy - 1972

MAR DE LIXO

Foto Ninguem Sabonome
Plástico no Pacífico tem aumento de cem vezes
A massa de pequenos pedaços de plástico que emporcalha o oceano Pacífico aumentou cerca de cem vezes nos últimos 40 anos, revela um estudo do Instituto Oceanográfico Scripps (EUA).
A equipe da Califórnia não achou evidências diretas de que a poluição esteja causando problemas de saúde na vida marinha.
Mas os pequenos fragmentos de plástico, resultado da degradação do lixo descartado em boa parte do mundo, estão causando uma mudança ambiental inesperada: a multiplicação de um inseto marinho que precisa de plataformas flutuantes.
A descoberta está descrita em estudo na revista científica "Biology Letters". A equipe liderada por Mirian Goldstein achou elevada quantidade de ovos do inseto Halobates sericeus em cima dos fragmentos de plástico. A poluição "fez bem para a população deles", declarou Goldstein à rede britânica BBC.
Normalmente, os animais precisam usar outro tipo de apoio para se reproduzir, como penas de aves marinhas boiando na água.
A massa de plástico é reunida no mar por causa do chamado giro do Pacífico Norte, um sistema de circulação da água que cria uma zona de convergência nas vizinhanças do Havaí e da Califórnia, por exemplo.
Outros dados, também obtidos pelo Scripps, mostram que peixes estão ingerindo os fragmentos. Mas o principal problema talvez não seja esse, afirma Goldstein.
O norte do Pacífico, diferentemente de outras regiões oceânicas, não é naturalmente dominado por superfícies flutuantes, como certas algas do Atlântico.
Os pedaços de plástico alteraram isso, o que pode ter repercussões no conjunto de seres vivos que habitam a área, diz a pesquisadora.

(Da BBC Brasil, AFP e Folha)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

ONDA GIGANTE - DESPENCANDO NA MORRA

Surfista americano estabelece novo record
O americano Garrett McNamara teve reconhecido nesta sexta-feira um novo recorde mundial para a maior onda já surfada. Ele conseguiu ficar em pé na prancha numa onda de 78 pés (23,77 metros) que encarou em novembro do ano passado numa praia de Nazaré, em Portugal. Especialistas chegaram a um veredicto após a análise do vídeo e da foto que comprovaram que McNamara, de 44 anos, de fato atingiu o recorde.

O americano quebrou marca de Mike Parson, que em 2008 surfou uma onda de 23,47 metros. Ele tentava a proeza ao lado do britânico Andrew Cotton e do irlandês Al Mennie.

As ondas gigantes surgem nas regiões próximas da praia portuguesa em função do fenômeno chamado pelos locais de "Canhão de Nazaré". "Há um canyon submarino de uns mil pés (304m) de profundidade que se estende desde o mar até aos penhascos. É incrível", disse McNamrara em uma entrevista ao Guardian no ano passado.
Espantado pelo seu feito, McNamara teve navegar não só a onda gigante, mas também as ondas que o levaram com força em direção à costa. Por estar próxima a penhascos, a onda poderia tê-lo levado para um choque acidental que poderia ser muito perigoso para sua condição física.

"O filme só caiu quando consegui pisar no chão. Eu estava assombrado. Quer dizer, eu senti que era um tamanho decente, mas você só pode ter a real noção quando a onda aparece 10, 20, 30 metros mais alta" disse McNamara ao "Guardian".

Ensinando a missa...


Tainha

"Nesta quinta-feira será realizada uma palestra dirigida aos pescadores artesanais, sobre os cuidados que se deve tomar na hora de praticar a pesca, durante a safra da tainha, às 14h, na Escola do Mar de São José, localizada no quilómetro 199, da BR 101, junto ao trapiche do Bairro Serraria.
Sapucadiquê?"

(Da coluna "Mané Gaivota", do Valdir Agostinho, no "Hora de Santa Catarina" de hoje)

Um breve instante no tempo...

Foto Milton Ostetto
Navegue mais nas águas do www.miltonostetto.blogspot.com.br

Baleeiras,150 milhas de história

Boa navegação e mergulhe fundo no www.http://150milhasdehistoria.blogspot.pt/

quarta-feira, 9 de maio de 2012

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TEMPOS MODERNOS

Foto Caio Marcelo/Agência RBS

 Pesca da tainha em Florianópolis conta
com pequenas tecnologias da vida moderna

Rodas levam barcos ao mar com maior rapidez, enquanto que radioamador facilita a comunicação

Sâmia Frantz | samia.frantz@horasc.com.br

A canoa de um pau só é centenária, mas as rodinhas que vão conduzi-la com mais facilidade ao mar acabam de ficar prontas. A estreia delas – nesta terça-feira, 15 de maio, quando começa mais uma temporada de tainha – é um avanço na rotina dos pescadores da Barra da Lagoa, em Florianópolis: prova que nem uma tradição que ultrapassa gerações consegue resistir às pequenas tecnologias da vida moderna.

O uso das rodinhas dará fim ao ritual de empurrar o barco de quase uma tonelada pela areia – um esforço descomunal que envolvia quase 20 homens. O tempo – o precioso tempo – que isso levava também estará em jogo. Se antes ele levava quase 10 minutos para fazer o barco alcançar o mar, agora o tempo deve ser reduzido pela metade.

– A tainha é rápida. Ela está ali, mas daqui a dois minutos já está lá adiante. É preciso estar atento a cada segundo. Essas rodinhas farão toda a diferença para nós – conta o pescador Marcio Vieira, 40 anos.

Radioamador é um dos aliados

E assim, aos poucos, a modernidade vai entrando na rotina de quem vive da pesca. Também foi-se o tempo em que o olheiro balançava uma camiseta branca para alertar a proximidade do cardume. Agora é tudo no radioamador: ele consegue avisar aos colegas, inclusive, o ponto exato onde os peixes estão e o melhor local para o barco se posicionar no mar.

– Tudo o que vem para nos ajudar é bom. Mas não dá para interferir muito na tradição. Nem queremos isso. A tainha é um peixe famoso, quem vem de fora quer ver isso aí, não quer modernidade – lembra Marcio.

GPS e sonda no caça de malha

Dentro da pesca artesanal, os chamados barcos caça de malha são os mais inovadores. As duas embarcações do pescador Gentil Cabral, 54 anos, não entram no mar sem um GPS e uma sonda – equipamentos eletrônicos que indicam a orientação de sentido e o que acontece quilômetros debaixo do barco em alto mar. Com eles, as bússolas foram aposentadas.

– Às vezes, o olho não funcionava. A gente se perdia no mar e acabava se enganando com o posicionamento do cardume. Agora, com essas modernidades, não tem mais erro. Hoje, todo mundo tem isso nos barcos. Tem que ter. Precisamos estar tão atualizados quanto a concorrência, ou ficamos para trás.

Incentivo a melhorias

O uso de tecnologias na pesca é lento. Isso porque muitos pescadores são resistentes a mudanças. A própria Federação dos Pescadores de Santa Catarina incentiva iniciativas. Segundo o presidente do órgão, Ivo da Silva, existe um projeto em andamento que prevê, por exemplo, o uso de tratores e guinchos para puxar o barco que volta do mar com os lanços – o que, hoje, acontece apenas com os barcos caça de malha. Em parceria com a Secretaria da Agricultura e da Pesca de SC, a iniciativa já está aprovada e entra em funcionamento na próxima safra.

– São pequenos avanços que fazem toda a diferença. O importante é que o principal, a base da pesca tradicional, continua intacta – defende Ivo.

Saiba mais
::: A pesca da tainha é uma das mais esperadas de Santa Catarina. É uma safra festiva, quando muitas pessoas vão às praias para acompanhar o trabalho dos pescadores.
::: Ela começa com a chegada do frio, quando os cardumes vêm em busca de águas mais quentes.
::: Só na Grande Florianópolis, cerca de 3 mil pescadores estão envolvidos diretamente com a pesca da tainha. No Estado, o número sobe para 20 mil.
::: O principal criadouro brasileiro de tainhas é a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Elas saem do litoral gaúcho e seguem para o litoral do Rio de Janeiro em busca de águas quentes para desova.
::: Cerca de 60% do total de tainhas pescadas no litoral brasileiro são capturadas em águas catarinenses.
::: O período de defeso da tainha em Santa Catarina termina na terça-feira da semana que vem, dia 15 de maio. A partir desta data está liberada a pesca da espécie nas praias de todo o litoral.

(Do Jornal HORA DE SANTA CATARINA - www.clicrbs.com.br/especial/sc/horadesantacatarina)